Pecado Original.

Um comentário do Charles D.G. lançou uma boa discussão no texto de segunda. Ele se perguntava sobre o incrível fenômeno do pobre de direita. Tivemos algumas respostas interessantes, mas mesmo tendo sido mencionado diretamente, resolvi guardar minha teoria para este texto. E como megalomania é especialidade da casa, não é só uma teoria sobre esse curioso viés conservador de quem não tem nada para conservar, mas… sobre toda a relação da humanidade com política. E qual seria essa teoria? O ser humano só se importa com sexo. O resto é consequência.

Não, eu não acabei de ler Freud for Dummies (nem vou pesquisar por medo de existir) e fiquei empolgado, na verdade nem quero me aprofundar tanto assim na psique do indivíduo. É mais sobre uma dinâmica de grupos humanos sobre a sexualidade. Quanto mais eu presto atenção no cenário político e cultural de sociedades atuais e passadas, mais difícil fica ignorar como a visão do ser humano médio sobre sexo parece estar na base de tudo. Tomara que eu não te convença com este texto, porque se você começar a enxergar também, não tem mais volta.

O instinto de reprodução é poderoso. Talvez tão poderoso quanto o de sobrevivência. De um ponto de vista puramente mecânico, o sentido da vida humana é atingir a maturidade sexual e botar mais seres parecidos com você no mundo. Consuma calorias, evite predadores, reproduza o máximo de vezes que conseguir antes de morrer… e pronto. Missão cumprida! Evidente que a humanidade só chegou onde chegou por se esforçar a fazer um pouquinho a mais que o básico a cada geração, mas nunca foi uma obrigação genética.

Os primeiros seres humanos nem tinham capacidade de ir muito além disso. Fomos selecionados para viver em grupos, afinal, era mais eficiente para o propósito básico com os corpos que ainda temos. Naquele tempo, antes de qualquer sinal de civilização, sexo era uma missão a se cumprir. E francamente, duvido que tivesse algo sequer parecido com ciúmes: desde que as crianças continuassem aparecendo com regularidade, não importava quem era filho de quem. A sociedade vivia ao redor do sexo, como continuou desde então, mas era questão de sobrevivência pura.

Mas com o passar das gerações, e estamos falando de dezenas de milhares de anos, pequenas evoluções na organização dos grupos humanos começaram a acumular. Protótipos de civilização começavam a surgir com a descoberta da agricultura, sociedades minúsculas que ainda conviviam com coletores e caçadores nômades, mas que introduziam o conceito de propriedade e status dentro de uma comunidade. É aí que começa a fazer diferença saber quem é seu filho e quem não é, porque filhos começam a se tornar propriedade de uma família, e não mais do grupo em geral.

E eu concordo com muitas teorias feministas que dizem que esse é o ponto onde as mulheres tiraram o palitinho menor: o sistema dependia de repressão à sexualidade feminina para funcionar. Nada mais de procurar o homem mais forte ou com mais status, a mulher era propriedade da propriedade. Ficou confuso? Eu não estou dizendo que a mulher pertencia necessariamente ao homem, mas que era a base da manutenção de uma casa ou fazenda. Homem morre aos borbotões, mas homem só precisa de 5 minutos para cumprir sua missão biológica. Mulheres só entregam esse tipo de valor depois de alguns anos, incluindo gravidez e primeira infância da criança. Mulher solta não mantinha o sistema funcionando. Tanto que historicamente homens são descartáveis e mulheres são salvas primeiro.

O sistema continua evoluindo: as civilizações aumentam, e a pressão reduz um pouco sobre a mulher. Quanto mais gente nesse mundo, menor a necessidade de manter controle estrito sobre uma específica. Vamos ficando bons nisso de manter pessoas vivas. E isso permite que a sexualidade humana fique um pouco menos… utilitarista. Civilizações como a grega, por exemplo, aceitam com relativa tranquilidade homossexualidade, os romanos eram bem mais tranquilos com sexo casual… desde que os filhos continuem aparecendo e exista alguma ordem na questão de heranças, podemos relaxar um pouco.

Mas é claro que esse não é um processo simples: várias civilizações nasceram e morreram nesse meio tempo, a coisa vai acontecendo de forma diferente em várias partes do mundo, alguns começam antes, outros bem depois. Parece contínuo se você olhar de 2020, mas não se esqueçam que estamos falando de períodos de tempo na base dos muitos séculos ou mesmo milênios. Alguém na Europa podia estar vivendo na fase do começo da agricultura ao mesmo tempo que alguém na Ásia estava vivendo uma era de grandes civilizações. E menos de um século depois, tudo estar ao contrário nas mesmas regiões. Ainda era uma humanidade na sua fase experimental, tentando várias coisas e agindo em relação ao seu instinto reprodutivo de acordo com as liberdades de cada momento.

Mesmo que me acusem de eurocentrismo, preciso fazer essa definição: o mundo como conhecemos começa na Idade Média. Gostando ou não, foi a visão europeia de como civilizações devem ser que “ganhou a guerra cultural” e virou a norma do mundo moderno. E ela se estabelece com força mais ou menos nessa era da nossa história. Claro, o resto do mundo ainda não sabia, mas essa é a vantagem de falar depois do fato consumado. E a Idade Média é importante porque nela começamos a estabelecer uma relação muito mais complicada com o sexo. As grandes religiões monoteístas do Oriente Médio alcançam imenso poder, e elas são baseadas em uma série de regras sobre o que é permitido ou proibido no sexo. Judaísmo, Cristianismo e Islamismo são de uma obsessão doentia com o que fazer com os desejos sexuais humanos. E isso não é à toa: foi assim que derrubaram a concorrência.

A visão mais relaxada das religiões politeístas antigas sobre sexo não conversava com o instinto reprodutivo humano e todo o processo que tínhamos passado de pura necessidade de sobrevivência para ritual social que o sexo tinha passado das primeiras civilizações até os grandes impérios da era clássica. Não foram as religiões que nos fizeram pensar tanto em sexo de forma abstrata, fomos nós que dissemos para elas orbitarem ao redor desse tema. Você só vai ter seus fiéis se ficar falando disso sem parar. Tanto que deuses e deusas da fertilidade sempre foram dos mais populares antes da tara prevalente ser a da proibição. Espera aí… tara?

Historiadores e religiosos vão querer me matar, mas Idade Média e os anos de puritanismo que se seguiram foram fetiche puro. A vontade do ser humano de apimentar o sexo achando que era proibido. E a não ser que você seja assexual, sabe muito bem do que eu estou falando. E quase tudo foi proibido (as pessoas continuavam fazendo escondidas, é claro). Religião teve um papel tão grande na civilização ocidental por tantos séculos porque ninguém tornava o pecado mais gostoso. Mais gente no mundo, mais comida sobrando, mais gente ficando especializada e assumindo cargos de poder em algo que parecia ser uma só civilização. Era o ambiente perfeito. Quando o sexo muda, a humanidade muda junto.

E sim, novamente estou fazendo parecer que foi uma transição mais gradual e homogênea do que realmente foi. Muitos países não foram expostos a civilização fetichista ocidental até o século XX, mas dessa vez estamos falando de séculos ao invés de milênios. A velocidade das mudanças aumenta consideravelmente. Mas ainda havia um problema: as mulheres. Toda aquela história de heranças e base da família ainda eram muito importantes.

Apesar de muitas feministas (atuais, indecentes) não acreditarem nisso e acharem que está tudo igual desde a Idade Média, desde o começo da Era Industrial o grande tema da humanidade é a liberação sexual da mulher. Com o Estado mais confiável em vários locais do mundo, a pressão sobre a mulher diminui para o menor nível desde tempos pré-históricos. A população mundial cresce exponencialmente, leis começam a funcionar em estados progressivamente mais democráticos, há uma explosão de riqueza sem precedentes e a posse do útero torna-se negociável. A mulher não é mais obrigada a ser propriedade da propriedade, tem um sistema funcionando para dar conta dessa parte.

Podemos abrir mão de cada vez mais mulheres nessa posição de posse e manter a nossa civilização rodando. E sabem o que acontece com toda aquela repressão sexual das religiões? Fica insustentável. Pode ser interessante viver à base de sexo proibido por alguns séculos, mas quando a humanidade percebe o que pode fazer nesse campo com as mulheres soltas? Direitos humanos, feminismo (original, o decente) e secularismo. Espero que não tenham te ensinado isso errado: o século XX foi a parte mais impactante de toda nossa história. E para o bem. Mesmo com as guerras horríveis, o salto que a humanidade deu foi absurdo. Foi nesse século que uma pessoa pisou na Lua! E não à toa, foi nesse século que a mulher ganhou uma liberdade sexual incomparável desde os tempos do começo da agricultura. Sim, existiram sociedades liberais antes, mas ainda tinha que fazer filho e garantir as unidades familiares.

Com as mulheres mais soltas, a coisa foi ficando tão boa para a humanidade que mais ou menos no final do século, ainda derrubamos boa parte dos tabus artificiais sobre homossexualidade da era das religiões. Claro, o ser humano tem merda na cabeça e quase normalizaram a pedofilia antes de resolver o problema óbvio com a repressão dos gays, mas entre trancos e barrancos, parecíamos ter achado um caminho bem decente para estabelecer uma nova era de valores sobre sexo. Enquanto a questão sexual fluía de forma mais natural na sociedade, vivíamos um período de relativa tranquilidade política. Discutíamos até sistemas de governo e políticas econômicas… veja só.

Mas, o século XXI chegou. E chegou para escancarar muita coisa mal resolvida na sexualidade humana. Depois de tanta bonança e união de praticamente todos os países numa só civilização (não existe civilização americana, chinesa, alemã ou brasileira, todo mundo age muito parecido e os países se organizam mais ou menos do mesmo jeito), a questão utilitária do sexo se perde. Se o homem não precisa forçar uma mulher a se prestar ao papel de propriedade da propriedade e se a mulher não precisa se resumir ao seu útero… as coisas começam a ficar confusas. Muito confusas. Se você não tem mais uma necessidade prática de seguir seu instinto reprodutivo, pra que serve o sexo mesmo? Porque a vontade continua lá. Seu cerebelo está pouco se lixando para um astronauta na Lua, foi programado para te mandar fazer filhos faça chuva, faça sol, na riqueza, na pobreza…

Não que seja negativa a liberdade sexual de homens e mulheres, mas nas escalas de tempo da humanidade, ela progrediu muito rápido. Muita gente foi pega de surpresa, sem preparação alguma para essa realidade. E a internet pode ter ajudado a estimular essa confusão: até pouco mais de 20 anos atrás, o ser humano não estava acostumado a ter tanta informação e conexões com outros seres humanos de forma tão instantânea. E não é surpresa que o poderoso instinto reprodutivo humano tenha tomado a dianteira nesse mundo globalizado. Já notaram quanto do ambiente político e social atual é dominado por temas relacionados à sexualidade atualmente? Homens e mulheres começam a se fechar em grupos cada vez mais radicais, pornografia é um vício cada vez mais comum, transexuais viraram obsessão em discussões sobre a sociedade, e um monte de gente perdeu até mesmo a noção de a qual sexo pertence.

E isso tem consequências, é claro. É excesso de informação, é excesso de sexualização. Não se enganem, discutir se pode usar uma modelo atraente numa propaganda é ainda mais sexual do que a foto dela pelada. Não estou nem dizendo que estamos mais tarados (embora seja verdade), estou falando sobre a discussão interminável sobre papéis de gênero e o tratamento entre eles. Estou falando sobre padrões malucos de atração e relação sexual vindos da pornografia em contraste com padrões malucos de atração e relação sexual vindos de lacradores. Depois de milênios de destilação dos interesses humanos, ficamos com um caldo muito concentrado de obsessão sexual. Caldo que pouca gente tem capacidade de digerir de forma saudável.

E isso gerou essa era radicalizada. Enquanto um grupo dobra a aposta sobre liberação sexual (sem entender o que está acontecendo) sem parar, outro volta para o último estágio seguro do processo: as religiões do Oriente Médio e suas proibições sexuais. E aqui que eu faço a conexão sobre o pobre conservador e essa teoria do sexo no centro de tudo: cidadão não sabe como funciona o Estado, mal o vê no dia a dia mesmo. Governo são uns safados que vem pedir voto a cada 2 anos, o resto que vê são basicamente policiais truculentos e o burocrata eventual que parece falar em outra língua. Pobre conservador não está pensando em políticas fiscais ou sistemas de organização econômica. É complicado e… francamente, nem é tão interessante assim.

Agora, se ele vir uma notícia sobre uma criança tomando hormônios para mudar de sexo, podem apostar que o universo todo colapsa num só ponto diante de seus olhos. Uma singularidade de interesse que une algo que foi programado geneticamente para dar atenção com a facilidade de formar uma opinião sobre o tema. E se adicionar religião à equação (no Brasil, mais de 96% da população é cristã), temos milhares de anos de experiência em explorar repressão sexual com a anuência dos fiéis.

Podem me chamar de simplista, mas pobre conservador só está nessa porque tem uma divisão clara sobre a visão da sexualidade na sociedade moderna. É literalmente sobre o os outros fazem com suas genitálias, e boa parte não tem sequer capacidade de fazer ginástica mental para esconder isso. Só isso é simples o suficiente para colocá-los em alguma posição política, o resto é basicamente indecifrável para quem mal entende o que lê e na melhor das hipóteses completou ensino médio.

O século XX foi sobre liberação sexual feminina, o XXI vai ser sobre liberação de papéis sexuais em geral. É um buraco tão mais embaixo de tudo o que vivenciamos até aqui que eu honestamente não sei se vamos dar conta do recado numa progressão constante ou se vai ter uma Idade Média Revival reinstituindo as proibições no meio do caminho.

Não aposto que seja rápido o suficiente para vermos em nossas vidas, nem mesmo que seja num processo único como disse no parágrafo anterior, mas a humanidade tem o fim de homem e mulher como conhecemos no seu caminho. Não estou fazendo juízo de valor, afinal, não sou eu que vou viver nesse mundo. Acredito que seja a progressão natural dessa jornada sexual humana, cada vez menos com função reprodutiva e cada vez mais com função social. Porque o instinto não vai embora, ele vai continuar com o pé pesado no acelerador dos nossos interesses, não importa para que lado estejamos guiando o carro…

E para não terminar um texto desses sem pelo menos uma baixaria, um resumo: para entender a humanidade a cada momento, basta entender quem está fodendo quem.

Para dizer que agora não vai mais conseguir desver, para dizer que é tudo culpa dos homens (não é), ou mesmo para dizer que é tudo culpa das mulheres (não é): somir@desfavor.com

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Comentários (43)

  • O-pobre-de-direita-é-o-”conservador”-domesticado,um-tipo-estabilizador-especialmente-em-sociedades-altamente-hierarquizadas-ou-desiguais-por-isso-que-é-ou-tem-sido-demograficamente-comum.
    Para-que-tiranos-reinem-é-logicamente-necessário-ter-uma-horda-de-pessoas-com-inteligência-limitada-e-altamente-conformistas.
    O-ser-humano-mais-se-diferencia-dos-outros-seres-vivos-pela-ausência-de-instintos-reprodutivos.
    Se-nos-reproduzimos-o-fazemos-por-persuasão-do-que-diretamente-por-um-sinal-instintivo.
    O-conservador-que-é-um-ser-humano-obsoleto-unicamente-prevalente-por-causa-de-nossa-incapacidade-de-conscientemente-melhorar-a-qualidade-intelectual-e-moral-das-populações-humanas-é-o-que-mais-se-aproxima-de-ter-um-instinto-reprodutivo-vestigial.
    Ele-pensa-de-modo-pragmático-na-qualidade-genética-de-sua-prole.
    Não-se-preocupe
    Ele-não-discrimina-apenas-mutações-de-sexualidade-mas-também-quando-filho-nasce-dotado-de-uma-maior-inteligência-porque-como-dito-antes-se-considera-o-ideal-de-humanidade
    Outra-característica-em-comum-com-as-espécies-não-humanas-é-sua-megalomania-silenciosa

    • O-ser-humano-mais-se-diferencia-dos-outros-seres-vivos-pela-ausência-de-instintos-reprodutivos.

      De onde você tirou essa abominação científica? E por que você não usa espaços ao escrever?

      • Eu-acabei-de-dizer-que-nos-reproduzimos-POR-PERSUASÃO
        Se-tivéssemos-instintos-reprodutivos-do-mesmo-modo-que-as-demais-espécies-não-haveria-sequer-a-necessidade-de-ter-uma-justificativa-pra-isso
        Quando-o-corpo-atingisse-a-maturidade-biológica-o-desejo-sexual-seria-tão-irresistível-que-treparíamos-no-meio-da-rua

        Eu-escrevo-do-jeito-que-que-o-meu-computador-permite.

  • ”“ganhou a guerra cultural” e virou a norma do mundo moderno”

    Ganhou-a-guerra-tecnológica-não-necessariamente-cultural-no-sentido-de-QUALIDADE.

  • A-diversidade-sexual-não-era-reprimida-em-comunidades-tradicionais-ameríndias…
    Portanto-a-ideia-de-que-só-começou-a-ser-aceita-apenas-a-partir-da-civilização-ou-sociedade-complexa-não-faz-sentido-nessa-teoria..

  • Texto massa! Bem pesquisado, agregando cultura e informação. Você não precisa de elogio e tampiuco é essa a razão do comentário. Na verdade, eu utilizava comentários (nao) como este como gancho pra incentivar meus contatos a lerem o DESFAVOR.

    Muitos dados novos. Aliás, somente agora sei que a procriação era útil para a sobrevivência dos grupos.

    Sempre aprendendo…

    Valeu manô!

  • Eu não gosto do termo pobre de direita, como se fosse contraditório e não acho q seja o caso. Os animais podem viver pra copular, mas eu acho q nós nos importamos com coisas diferentes durante a vida e com o decorrer do tempo e condições o sexo vai perdendo importância( não q não seja).
    No caso masculino imagino q aja um instinto poderoso de origem sexual, já no feminino considero q o q prevaleça é a percepção de poder. O status de casamento, namoro ou até de vadia que enlouquece os homens durante muito tempo me foi mais interessante do q o sexo em si. Parecia q o homem com pegada era aquele eu conseguia “enlouquecer”. Mulher solta realmente não mantinha o sistema funcionando, mas qual as chances dela ser livre sem uma segurança institucional?
    Vc mencionou os primeiros seres humanos e imagino que nem conseguiam correlacionar causa e efeito do sexo com a gravidez. Me imaginando nesse período já vejo q um período de sexo “selvagem” com homens aleatório para uma mulher resultaria em mais fragilidade devido a gravidez e para o homem um ritual sem consequência alguma. Sendo assim, já naquela época uma mulher q soubesse cativar o ogro estaria em vantagem. Posso estar falando merda, mas acho q ser propriedade tornaria a vida bem mais fácil.
    Eu li uma vez que Aristoteles concluiu que a mulher (útero) era como a terra e o homem a semente influenciando muito da percepção cristã e o direito do homem sobre a sua mulher e mãe dos seus filhos. No livro A História Social da criança e da família diz q o novo serumaninho logo q passava da fase de paparicação já se tornava um ser adulto pronto para realizar tarefas. Com o surgimento e amadurecimento da educação formal e possibilidade de mudança de status social q a partir do século XIX q a família começou a se organizar em torno da criança.
    Eu entendo que o pobre de direita , nesse caso conservador e não o liberal, busca no fundo alguma segurança e não percebe q não existe. Alguma segurança só se consegue com poder político e financeiro . Porém, ele quer q suas filhas sejam respeitadas e seus filhos trabalhadores. Quer manter o pouco q conseguiu e quando um governo de esquerda se perde em lutas ditas minoritárias e de liberdade imagina q sua filha vai engravidar de um vagabundo e seu filho se tornará um viciado ou bandido. Ou pior, um gay q faz vídeos no tik tok rebolando com música do Pablo Vitar. Conviver com a diversidade é muito difícil e aqui entre nós, tem comportamentos q ignoro mas pqp …

  • Contínuo não achando espantoso pobre também ser de direita. A gente só não quer o Estado controlando tudo, assim como fico puto quando me dizem que PRECISO ser de esquerda porque sou gay. A esquerda não caiu por motivo de sexualidade, caiu porque faz coisas como querer censurar YouTubers e as tias do zap com pretexto de fake news e quer manter cada vez mais estatais lixo. Se nos der liberdade, pouco importa se é homofóbico ou conservador bitolado.

  • É um recorte válido, mas a formulação “pobre de direita” parece estar relacionada a um conservadorismo mais amplo, pois não seria politicamente útil e nem convenientemente explorada por uma elite que pouco se importa em controlar a sexualidade alheia. O pacote é maior…

  • Eu não creio que tenha como voltar atrás. Mesmo que surja uma nova onda de conservadorismo, não vai ser aquela raiz em que se matava viado e queimava mulheres acusando-as de bruxaria. O que veremos futuramente é casamento tradicional com waifu, homossexuais católicos pregando a castidade, etc. A humanidade já alcançou uma liberdade da qual não vai querer abrir mais mão; vai rolar uma fusão pra novamente nos confortarmos com a realidade que temos. Eu já fui tradcon e sei bem, por exemplo, que homem que procura mulher “tradicional, recata e de bons costumes” é justamente o principal tipo de cara que não vai aguentar esperar até o casamento pra propôr sexo. O mesmo acontece com as mulheres: não querem a opressão do patriarcado, mas, topar conciliar família, emprego e estudos também não é lá vida; ser sustentada não parece uma má ideia. Outro exemplo básico: feminista que acaba “se tornando” radfem ao comprar umas ideias mais “conservadoras” por medo de homens que se digam mulheres trans, invadindo seus espaços e com passe livre pra cometer violência. Ou seja, “eu quero realmente uma coisa que soava melhor pela boca dos meus antepassados, mas eu também não abro mão do progresso e de suas mudanças que me fazem bem hoje, então vamos fazer um tudo junto e misturado”. Os tradicionais e conservadores de verdade estão morrendo, e creio que eles sejam os famigerados boomers.

  • “não sei se vamos dar conta do recado numa progressão constante ou se vai ter uma Idade Média Revival reinstituindo as proibições no meio do caminho.”
    Quando o orgasmo se torna a regra, ele deixa de ser um orgasmo e vira algo normal e banal, então é preciso de algo ainda maior/mais forte pra ter um orgasmo ainda mais forte e assim vai. De repente, o cara que ficava excitado com uma mulher nua numa cama, agora precisa que essa mulher use uma fantasia de alienígena com tentáculos, enquanto dá pra um anão surdo no meio de uma floresta tropical.
    Agora você entende porque os conservadores batem tanto nessa tecla de “vão normalizar pedofilia, zoofilia e necrofilia”. Quando a única moral da sua sociedade é gozar e qualquer questionamento a isso é “discurso de ódio retrógrado”, o que vai impedir?

    • Ok, mas a falácia da ladeira escorregadia (ou bola de neve) existe por um motivo. Sim, estamos vendo uma escalada de degeneração sexual graças à internet, mas ao mesmo tempo millenials são a geração que menos faz sexo… tem todo uma questão de mudança de mentalidade social acontecendo ao mesmo tempo, eu não consigo enxergar um movimento rumo a uma sociedade absolutamente hedonista nesses padrões clássicos, não com tanta gente se escondendo do mundo real. E, honestamente: o caminho de menor resistência é levar todas as degenerações para o campo virtual. Eu concordo com você que vem uma normalização por aí de muita coisa intolerável atualmente, mas não vai ser baseado em vida real.

    • Parafilias bizarras sempre existiram. Conservadoidos só têm tara em mandar na vida alheia porque se pensam como seres humanos ideais. Mas o exato oposto é o mais provável. Não é à toa que vivemos em um mundo idiocrático.

      Existem organizações e movimentos que querem legalizar esses excessos. Não muito diferente de séculos e mais séculos de normalização absoluta da misoginia, por exemplo. No mais, essas organizações têm continuado no subsolo do debate “civilizado” até agora, sendo vizinhas de neonazistas. Ainda que existam progressistas perturbadoramente abertos para tolerar tudo em nome do relativismo cultural, eles não parecem representar a maioria.

      • Tomara que você esteja certo. (a parte de que os extremos depravados são minoria, não a parte de que pode haver um rebote extremo conservador na sociedade)
        Vim reler a discussão e agora vi que este comentário me faz parecer um desses “conservadoidos”, mas na verdade nem sou, apenas curto analisar diversas linhas de pensamento, por mais bizarras que pareçam. Humanos somos fascinantes.

  • Recomendo ler sobre o paradoxo da igualdade, um fenômeno que está acontecendo nos países nórdicos. Quanto maior a igualdade de gênero oferecida por uma sociedade, menor é essa igualdade na prática. Os países nórdicos, tão famosos por sua igualdade, são os países com menos mulheres em cargos de poder na política e nas empresas, nem as cotas impostas pelo governo ajudaram a equilibrar isso. Supõe-se que um dos motivos seja a alta carga tributária, que sustenta as políticas de bem-estar social. Pra pagar tantos impostos é necessário trabalhar mais, então as mulheres decidem se dedicar apenas aos filhos em vez de enlouquecer tentando conciliar trabalho e filhos. Que retrógrado da parte delas! Como ousa não jogar seus filhos pro Estado e pro youtube criar?!
    http://nordicparadox.se/quick-facts-about-the-nordic-gender-equality-paradox/

    • O bom de ter mais de uma década de textos é saber que eu já escrevi sobre esses estudos.

      O ruim de ter mais de uma décadas de textos é não ter a menor ideia de quando eu fiz isso… seja como for, é fascinante e me ajudou a expandir muito minha compreensão desses temas de papéis sexuais, igualdade e tudo mais. Devemos ter direitos básicos iguais, mas sempre lembrando que somos diferentes, muitas vezes de nascença.

  • Bacana o texto, Somir! Mais uma dessas sacadas que tu fica de cara e pensa que ninguém mais teria…

    Eu acho que até tem que ter sim a lei, a moral etc pra regular o funcionamento da sociedade, mas deve haver um equilíbrio também, não dá pra ficar tão justo, tão apertado a ponto de causar repressão até nos nossos instintos sexuais e desejos mais básicos. O problema, a meu ver ,está justamente aí, em saber ajustar bem esse ponto de tempos em tempos e em cada sociedade distinta.

    Quanto ao pobre de direita, bem, não tenho muito o que formular, a não ser a velha máxima de que, independente se for de direita ou de esquerda, pobre quando é pobre sempre vai ser pobre, não adianta! Apodrece na própria mediocridade.

    • Claro que eu estou tomando algumas liberdades ao definir tudo sob essa ótica, dessa base se deriva uma enorme complexidade. Sociedades que não conseguem ver além do hedonismo ou da repressão sexual não costumam deixar registros históricos, creio eu.

      • Essa leitura, esqueci de acrescentar, me lembrou um pouco a discussão que Foucaut faz em “história da sexualidade”. Lá ele também comenta e traça um paralelo histórico sobre como a história das sociedades sempre esteve atrelada ao poder e à dominação, ao controle pelo sexo. Mas o caminho que Foucaut vai – bebendo um pouco do “marxismo torto não ortodoxo” e brincando com seu pós-estruturalismo – não acho que seja o mais certeiro pra resolver os problemas contemporâneos que surgem em meados do século XX.

  • Esse negócio de romantismo é frescura criada pela mente masculina, mulher quer tomar tapa na raba, ter o cabelo puxado e ser chamada de safada.

  • “O século XX foi sobre liberação sexual feminina, o XXI vai ser sobre liberação de papéis sexuais em geral. É um buraco tão mais embaixo de tudo o que vivenciamos até aqui que eu honestamente não sei se vamos dar conta do recado numa progressão constante ou se vai ter uma Idade Média Revival reinstituindo as proibições no meio do caminho.”

    Eu acho que, de alguma forma, essas duas coisas vão acabar acontecendo em paralelo.

  • “Monogamy reduces major social problems of polygamist cultures”
    In cultures that permit men to take multiple wives, the intra-sexual competition that occurs causes greater levels of crime, violence, poverty and gender inequality than in societies that institutionalize and practice monogamous marriage.
    https://www.sciencedaily.com/releases/2012/01/120124093142.htm
    Exemplo na vida real:
    https://thefederalist.com/2020/04/15/why-child-abuse-is-more-likely-in-polyamorous-homes-like-the-woman-with-four-boyfriends/
    Nada mais a acrescentar.

      • Os mórmons já abriram mão da poligamia. Exceto os mais tradicionalistas e fundamentalistas, que não raramente costumam se isolar em comunidades à lá Amish no meio do nada… E onde abuso sexual de menores ocorre de monte. Líderes dessas comunidades (como Warren Jeffs, por exemplo) têm +10 esposas de variadas idades, e, lógico, fica sobrando uma pá de rapazes solteiros que eventualmente são dispensados pro mundão sem experiência nenhuma de nada.

        E só pra reforçar: fundamentalismo não é a cura pro progressismo que “estraga as fêmea tudo”.

  • Nem acho que é questão de ser pobre, até porque existem alguns nichos de millennials com visões mais conservadoras sobre relações amorosas. Pra quem frequenta o Twitter, já deve ter esbarrado num desses nichos, os tais do tradcons e tradcaths.
    Fazendo um link com aquele texto da Tiktokalização da economia (um dos seus melhores, aliás), os millennials são a geração da transição, então eles ainda retêm um pouco da mentalidade boomer, o tal do estudo-emprego fixo-casa própria-filhos. Esses nichos conservadores podem ser um reflexo da frustração de não terem esse sonho realizado.

    Acredito mais num Idade Média Revival. O horror da América latina evangélica vai nos fazer sentir saudades da América latina católica. Toda a complexidade da nossa formação cultural, que se expande por toda a nossa vida em comunidade, foi permitida, senão assentada, pelos modos do catolicismo brasileiro: popular, permissivo, encantador e festivo. Isso está mudando, e não parece ser pra melhor.

    • Eu realmente acredito que só a tecnologia pode nos defender de uma retração para conservadorismo religioso. Tem que manter esse povo distraído o máximo possível: vem logo realidade virtual!

  • Acho que isso vai dar uma freada quando os zoomers chegarem à fase adulta. O que mais tem é gente que passa a juventude dizendo por aí que é diferente, que é moderno, que detesta criança, aí quando se aproxima dos 30 (principalmente se for mulher) muda de opinião, se estabelece num “casamento tradicional” e ri quando se lembra do que pensava na juventude.

    • Embora eu concorde com a ideia que o tempo é o maior aliado do conservadorismo, a minha impressão é que a cada dia que passa mais e mais pessoas que começariam a pensar assim em condições normais vão ficando perdidas no meio do caminho.

      Os números ainda não parecem suficientes para algo além de mais lacração no Twitter, mas como a história nos ensina, isso vai se acumulando. Talvez os zoomers ainda não sejam a geração que forme a “massa crítica” para quebrar essa lógica de conservadorismo na meia idade, mas sempre tem uma geração depois…

  • revolução feminista contra homens, revolução migotau* contra mulheres… tanta bobagem que ignora uma simples e incontestável verdade, homens querem vaginas, mulheres querem pênis. mesmo com tantos rodeios e páginas de teses sobre gêneros imaginários, no final todos os caminhos levam aos genitais.

    *escrevendo errado de propósito pra não cair no search e atrair esse chorume pra cá

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