Mentiras dos anos 80/90

Olá, hoje não vamos falar sobre coronavírus, eleições, violência ou crise econômica. Hoje estamos aqui para destruir sua infância! Se você foi criança na década de 80/90, vamos revirar o baú das baixarias e falar um pouco das bizarrices que aconteceram nos bastidores daquela época que nós, protegidos por nossa inocência, não percebíamos.

Vamos começar pela informação mais conhecida: o palhaço Bozo apresentava o programa movido a cocaína. Para quem não sabe, no período pré-apresentadoras infantis, a grande estrela da programação para crianças era o palhaço Bozo. Seu programa chegou a ter oito horas de duração ininterruptas. Basicamente não havia opções: era Bozo o dia todo, permeado por desenhos animados.

No Brasil, tivemos cinco atores diferentes interpretando o palhaço, mas, o que ficou mais conhecido e tido como “o melhor Bozo” foi Arlindo Barreto. E é sobre ele que vamos falar. Uma das características mais marcantes desse Bozo era a alegria e a energia, principalmente quando comparado aos demais atores que interpretaram o papel. Era uma pessoa alto astral? Não, cheirava o dia todo. Não era alegria e energia, era cocaína.

Arlindo já contou em diversas entrevistas que era insalubre ser o Bozo oito horas por dia: um calor infernal em um estúdio sem ar condicionado, uma roupa quente e a cara toda maquiada, crianças gritando sem parar… Segundo ele, para conseguir suportar esse combo dos infernos, ele começou a beber. Mas a bebida o deixava mais lento, e o Bozo tinha que ser alegre, tinha que ter energia para segurar um programa por oito horas.

Então, para compensar o feito de prostração que a bebida dava, ele começou a cheirar cocaína. E, pelo visto, não era pouco. Mais de uma vez ele chegou a gravar com algodões enfiados no nariz para conter o sangramento em função do vício. Chegou a um ponto onde não conseguia gravar ou sequer suportar os gritos das crianças se não estivesse muito drogado (não julgo). Entretanto, era o Bozo que as crianças mais gostavam.

Não é uma beleza que crianças tenham sido ensinadas a admirar o comportamento típico de um viciado? Na época a gente não percebia, mas hoje, se você olhar os programas desse Bozo vai ver claramente que seu comportamento está longe, muito longe do normal. Crescemos achando que meio quilo de pó é alegria e alto astral!

Lembra do He-Man? Aquele rapaz que quando deixava de ser Príncipe Adam com seu coletinho rosa ganhava um bronzeamento artificial, sunga e botas e combatia o Esqueleto? Pois é, ele nasceu com a intenção de se livrarem de um estoque encalhado. Isso mesmo, o He-Man foi apenas um tampão para conter o prejuízo de uma empresa de brinquedos.

Na época havia sido lançado o filme “Conan, o Bárbaro”, com Arnold Schwarzenegger, um sucesso de público. Resolveram aproveitar a boa bilheteria do filme e fazer bonequinhos do Conan. Infelizmente o empreendimento não deu certo, os pais não compravam para os filhos pois achavam a história do Conan muito violenta. Imagine o grau de violência para que, nos anos 80, algum pai coloque alguma restrição.

Resultado: milhões de bonequinhos do Conan encalhados. Como a empresa responsável pelos bonecos era de grande porte (a Mattel, mesma responsável pela Barbie), ela resolveu criar novos personagens para desencalhar aquela quantidade enorme de bonecos em seu estoque.

Rascunharam os personagens, deram para alguns roteiristas e mandaram criar uma história cm aquilo. Encomendaram uma animação com base nesse roteiro, mas com a seguinte ressalva: todos os personagens do sexo masculino teriam que ser muito bombados, pois os bonecos que precisavam ser desencalhados tinham todos o corpo do Conan, trocariam apenas as cabeças.

Surgiu então o desenho do He-Man, que acabou se tornando um sucesso. Agora podemos entender o motivo pelo qual os personagens do sexo masculino eram todos muito fortes, inclusive o vilão, que era uma caveira, mas tinha mais músculos do que muito fisiculturista. Cumpriram com louvor a missão de desencalhar os bonecos do Conan.

O seriado Chaves, ao contrário do que diziam os atores, não acabou de forma amigável e sim permeado por brigas e baixarias. A origem de toda a confusão foi o triângulo amoroso entre Florinda Meza (a Dona Florinda), Carlos Villagrán (o Quico) e Roberto Bolaños (o Chaves). E não é aquela versão light de que ela namorou com um depois com o outro. É bem mais feio do que isso.

Florinda namorava Carlos, mas resolveu trocá-lo por Roberto, o que já deixou o clima nos estúdios um pouco tenso. Casou-se com Roberto, mas, passado um tempo, resolveu traí-lo e ter um caso com Carlos, inclusive dentro do próprio estúdio. O caso que foi descoberto e deixou o clima pior ainda. Resumo da treta: Quico saindo do programa, Seu Madruga saindo junto em solidariedade ao amigo e o programa afundando.

Os bastidores dos Power Rangers também não era lá essas maravilhas. A Ranger Amarela, que supostamente era uma mulher, quando estava com sua armadura era interpretada por um homem, com um visível vulto entre as pernas. O motivo? As cenas de luta eram reaproveitadas de um seriado japonês mais antigo, onde o Ranger Amarelo era homem. Esse é o motivo pelo qual a Rager Rosa tem uma saia, mas a Amarela não.

Além disso, o ator que interpretava o Ranger azul era gay e sofreu todo tipo de bullying no set. Apesar de não se assumir gay na época, de alguma forma isso transparecia e ele era muito sacaneado. O emocional do rapaz ficou tão abalado que ele tentou vários “tratamentos” para “se curar” até ter um colapso nervoso e precisar ser internado.

Anos depois, vários integrantes da equipe se desculparam pelo bullying, inclusive Bryan Cranston, mais conhecido pelo seu papel de Walter White em Breaking Bad, mas parece que o moço nunca se recuperou dos traumas no set e nos tratamentos bizarros estilo “cura gay”. Como se tudo isso não fosse suficiente, além de fodidos, eles estavam mal pagos. O Ranger Vermelho contou que eles ganhavam muito mal, o equivalente a um atendente do Mc Donalds, com a diferença que trabalhavam 15 horas por dia, 6 dias por semana. Praticamente trabalho escravo.

As doces crianças da novela Carrossel (a original) não tiveram uma infância muito saudável no set de filmagens. A atriz que interpretava a Professora Helena, Gabriela Rivero, já deu várias entrevistas com informações preocupantes. Por exemplo, com apenas oito anos de idade eles fumavam no set de filmagem e, como não tinham idade para comprar cigarros os pequenos atores, principalmente o ator Pedro Javier Viveros, que interpretava o Cirilo, roubavam cigarros de sua bolsa e da bolsa de outros adultos.

Muitos desenhos como Comandos em Ação e Rambo usaram uma tática desleal para burlar a censura etária: todo o armamento usado pelos personagens não disparava balas e sim raios, algo que era enquadrado como ficção e por isso não era visto como violento. O curioso é que as armas muitas vezes eram uma reprodução fiel das armas verdadeiras, então, você via um 38 que disparava um raio. Durante muito tempo eu achei que era para dar um efeito visual legal, mas não, era apenas para burlar a lei mesmo.

Você já reparou que os saiyajins de Dragon Ball só eram todos loiros? Eu nunca reparei, por não ter a menor ideia do que seja um saiyajun, mas o motivo deles terem essa cor de cabelo não flerta nem de perto com alguma identidade visual do desenho, foi por pura preguiça.

No anime, os saiyajins tinham cabelo amarelo porque no mangá original, em preto e branco, o cabelo deles era branco, e era branco por preguiça. Não é fofoca nem especulação, o criador da franquia, Akira Toriyama, explicou que decidiu fazer assim para diminuir o trabalho do assistente, pois ele perdia muito tempo pintando o cabelo de Goku de preto em todos os quadros.

No original do Donkey Kong, De acordo com o manual do clássico arcade, o gorila (aquele que fica no topo da tela jogando barris) era o animal de estimação do personagem principal do jogo, o Jumpman (que posteriormente daria origem ao Super Mário). O que a gente presumia? Um animal fora da lei que precisava ser derrotado.

Só que a história oficial é outra: o bicho sofria sérios abusos físicos por parte do dono, por isso fugiu e sequestrou sua namorada. Então, basicamente, cada vez que jogávamos Donkey Kong estávamos ajudando um agressor de animais a recuperar o bicho que ele maltratava.

Agora uma revelação que me doeu na alma: os filmes “Faces da Morte” eram 100% forjados. Para quem não viveu essa época, estes filmes tinham a intenção de ser uma compilação de vídeos amadores de mortes reais, acidentais, filmadas por pessoas que estavam no lugar errado e na hora errada. Toda criança se cagava de medo das coisas que apareciam em cada edição nova do Faces da Morte.

Porém, no lançamento do DVD de 30 anos da série, os produtores confirmaram que era tudo armação. TUDO. Não havia uma única morte real ali. Os participantes eram atores. “Cérebros” eram feitos de couve-flor, as vísceras eram feitas de geleia, eles contaram em detalhes as técnicas para cada fraude. Passamos cagaço por nada, era tudo mentira. E, de fato, depois de saber disso, fui rever algumas cenas e é patético. É fake nível Chaves conversando com o Aerolito.

A decepção se estendia também ao mundo da música. Boa parte dos artistas não cantava de verdade, apenas dublava a voz de outra pessoa que provavelmente não tinha a aparência certa para subir no palco.

Alguns foram descobertos, como a dupla Milli Vanilli, que venderam milhões de discos e ganharam até um Grammy. Eles fizeram shows pelo mundo todo cantando em playback e morreriam impunes se as verdadeiras vozes por trás das músicas não tivessem resolvido falar. O escândalo foi tanto que um dos membros da dupla acabou se suicidando.

Também aconteceu com a Technotronic, responsável pelo hit “Pump up the Jam”: a moça que se dizia vocalista, a modelo Felly Kilingi não cantava porra nenhuma, quem cantava, na verdade, era outra moça chamada Manuela Kamosi, conhecida como Kid K, que não tinha a aparência desejada pelas gravadoras e, de quebra, era menor de idade. É sério, nessa época os vocalistas eram escolhidos pela aparência, na maior parte das vezes, quem cantava era outra pessoa.

E se tinha cantores falos, as fãs também o eram. Essas cenas de banda ou cantor chegando e uma multidão de moças berrando, bem, muitas eram pagas para isso, principalmente quando falamos dessas bandas de adolescentes. Acontece com mais frequência do que você imagina, inclusive partindo de bandas grandes como “The Beatles”, que pagavam cinco dólares para as moças ficarem se descabelando. Menudo, Dominó, New Kids On The Block e muitos outros das décadas de 80/90 mantinham fãs histéricas por perto liberando uns trocados.

Nessa época as séries engatinhavam, e, justamente por isso, coisas estranhas aconteciam, seja por falta de planejamento, seja por falta de freio. Talvez você tenha a impressão de não se lembrar como muitas séries da época terminaram, e provavelmente não é só uma impressão, pode ser verdade. Alguns finais considerados infelizes foram suprimidos em muitos países, não foram ao ar, pois se entendeu que atrapalhariam a venda dos bonecos vinculados ao seriado.

Lembram do seriado Alf, o Eteimoso? Era um simpático ET chamado Alf (sigla para Alien Life Form) que morava com uma família tipicamente americana e falava com a pior dublagem já feita pela TV brasileira. O “final” do seriado causou mal-estar naqueles que acompanhavam o seriado, ainda que sem querer.

Na reta final de uma das temporadas, Alf recebe um comunicado de outros Alfs convidando-o para morar em outro planeta com eles. Alf decide então abandonara família terrestre e se encontrar com os outros aliens, que viriam buscá-lo em uma nave espacial.

Só que agentes do governo interceptam essa comunicação e vão até o ponto de encontro e pegam o Alf antes que os colegas consigam tirá-lo da Terra. Era só um gancho para que ele não vá embora e continue no planeta, na temporada seguinte eles pretendiam fazer com que a família humana resgate Alf das mãos dos militares.

Mas, infelizmente a série foi cancelada e esse foi o final que ficou: Alf nem volta para os seus, nem fica com sua família humana, ele é preso e fica nas mãos do Governo. Ao saber que a série havia sido cancelada, muitos países optaram por não dar este final triste aos espectadores e apenas interromperam a temporada no meio, pois não teria clima para vender produtos e bonecos do Alf depois disso. Porém, quando o seriado foi reprisado, anos depois, o final foi transmitido, uma vez que já haviam explorado economicamente tudo que podiam da franquia.

Algo similar aconteceu com a Família Dinossauro: um final sofrido, que não foi exibido em muitos países para poder continuar vendendo boneco do Baby Sauro, aquele bicho rosa que gritava “Não é a mamãe!”. Só que na Familia Dinossauro, o final trágico foi proposital.

No último episódio, uma crise ambiental faz chegar uma era glacial, anunciada pelo telejornal. O âncora do telejornal se despede de uma forma dramática, a câmera se afasta e podemos ver a casa dos Silva Sauro sendo soterrada por neve. Realista? Talvez. Apropriado para crianças? Acho que não. Assim como aconteceu com Alf, muitos países optaram por não transmitir esse final, mas depois, em reprises, quando não vendiam mais bonecos do Baby Sauro, passaram o final completo.

Pois é, senhores, foram duas décadas de mentiras, enganações e muitos interesses escusos. O lado bom é que a geração forjada por atração infantil movida a drogas, desenho sem censura onde um atira no outro com um 38 e seriado que acaba da forma mais infeliz possível é uma geração sem mimimi. Essas décadas nos fizeram fortes.

Para dizer que as postagens sobre coronavírus doem menos, para dizer que não tem idade para conhecer nada do que foi dito ou ainda para dizer que Danoninho não é iogurte e sim um tipo de queijo: sally@desfavor.com

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Comentários (66)

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    Wellington Alves

    Outra coisa que lembrei é que a Xuxa foi uma personagem criada com o intuito de mexer com a erotização infantil. Eu tinha uns 9 anos e posso citar três cenas que lembro nitidamente de tanto que ficava vidrado observando:
    Já na capa do primeiro disco ela aparecia numa pose em que deixava o tronco projetado para frente, com uma blusinha cor de rosa de um tecido semitransparente, de maneira que podia-se ver o seu seio.
    Também em outro disco, em forma de desenho, a xuxinha criança aparecia de costas escrevendo numa parede enquanto o xuxo (cachorro) estava puxando a saia dela deixando a bunda totalmente exposta.
    Por fim, tinha uma brincadeira que ela fazia com as crianças, na qual perdia quem piscasse primeiro. Essa era cruel… Ela ficava cara a cara com a criança, menino ou menina, olho no olho, passando o nariz no nariz da criança, quase tocando a boca com os lábios… A criança que estava fazendo a brincadeira ficava tão concentrada em não perder que obviamente não pensava em outra coisa. Mas eu, de casa e do alto dos meus 9 anos, só ficava pensando que queria estar no lugar daquela criança só pra dar um beijo na boca dela.
    Por isso digo que o objetivo era mesmo sensualizar. Impossível tudo isso não ser proposital.

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    Wellington Alves

    Caverna do dragão era um desenho perturbador. praticamente um filme de terror!
    Também ficou sem final, mas algumas versões dizem que O vingador seria o próprio mestre dos magos ou que seria filho dele. E que aquele unicórnio seria um demônio com a função de sabotar os planos deles e impedir que voltassem para casa. Lembro de um episódio que já estavam para atravessar o portal mas retornaram com dó de deixar o unicórnio pra trás.

  • Nos supersentais (de onde os Power Rangers são derivados) comumente tem a variação de 1 a 2 “personagens” femininos como participante do grupo de 5. Na versão “Kyouryuu Sentai Zyuranger” (a primeira adaptada pra franquia Power Ranger) realmente era apenas uma mulher no grupo de 5.
    Inclusive a “Rita Repulsa” original era a atriz original do Tokusatsu, sendo que a mesma tinha o nome de Bandora na versão nipônica do seriado e depois, quando as cenas com a “Rita Repulsa” original já tinham acabado, tiveram de apelar a colocar outra atriz de remendo pra interpretar a “Rita Repulsa”, sendo que por coincidência tal atriz tem o mesmo nome de certa dançarina daquele grupo que a Sally era fã e que é conhecida pela sua (falta de) inteligência.
    Pelo que percebi, a Sally aqui está falando em específico da primeira série dos Power Rangers, mas teve outras copiagens ai. Troopers por exemplo é bastante copiação do Spielban por exemplo.

  • Houve um desenho na década de 80 (que não era do Frajola/Piupiu/Pernalonga/Patolino, mas aqueles meio “genéricos”, sem personagens famosos, embora ainda feitos pelos mesmos desenhistas – era o mesmo traço e era da Warner!) em que um cachorro brutamontes passava o episódio todo forçando um gato e um rato a entrarem num açougue fechado e pegarem filés para ele. O gato e o rato entravam, traziam o bife, o cachorro reclamava que “estava faltando o molho” e, como punição, o cachorro barbarizava ambos, cada vez de um jeito. No final, o cachorro conseguiu entrar no estabelecimento e deu de cara com uma sala abarrotada de bifes, o que o faz pular de alegria, dizendo: “Carne! Carne! Quilos e quilos de carne!”. Escurece a cena aos poucos e logo na seqüência aparece o cachorro todo deformado, com uma pança gigantesca de tanto ter comido, deitado de barriga pra cima sobre uma mesa de metal (parecida com aquelas de necrotério – proposital?), amarrado pelas quatro patas. Desce um funil do alto, amarrado por uma cordinha e o rato, com uma máscara a cobrir-lhe a face, ajusta-o na boca do cachorro; depois, aparece um tonel gigante no alto, também amarrado por uma corda, manuseado pelo gato (igualmente de máscara). O gato apenas diz: “desta vez nós não nos esquecemos do molho!” e começa a virar o tonel sobre o funil, ao mesmo tempo em que vai encerrando a cena com aquele clássico círculo se fechando, concluindo o desenho.

    Olha… se isso não é desenho macabro, eu não sei o que é. Mas como cresci nos bizarríssimos anos 80 tupiniquins, então isso não me afetou nem um pouco. E o nível desses desenhos era isso mesmo. Creio que ninguém ficou demente, virou psicopata ou molestador de criança por tê-los assistido. Agora, HOJE, Mickey amigo de Bafo-de-onça e Hortelino não podendo mais dar tiro no Patolino (pra ficar no básico!) me brocha tanto que nem passo mais perto desses desenhos!

    Chaves é tudo isso que a Sally disse. No YouTube, aliás, você encontra vários vídeos extremamente imbecis e questionáveis até mesmo a respeito da sanha do Bolaños em investir em episódios com temas de ocultismo e como isso foi vetado pela Televisa (embora, por exemplo, tenha escapado aquele dos “espíritos zombeteiros”). Não duvido que esses caras fizessem rituais e coisas semelhantes, como sói acontecer nesse meio artístico escrotaço (como se funcionasse. Não funciona!).

    As demais coisas eu achei bem interessantes de saber, embora eu sempre tenha achado Alf imensamente retardado e Família Dinossauro já fosse da época em que nem TV eu assistia mais (e, se assistisse, com certeza passaria longe dessa babaquarice de “não é a mamãe!”).

        • Meu Deus, que maravilha! Obrigado W.O.J. e Morgana por terem encontrado esse maledeto desenho! Curiosidade: como vocês fizeram, hein? O curioso é que na minha cabeça eu podia jurar que a virada do molho na boca do cachorro era algo muito mais sinistro (por isso falei sobre as máscaras – revirando minhas idéias infantis, era assim que eles apareciam no desenho!). Seja como for, não apenas o desenho é da Warner (uma das produtoras mais sombrias de roliúdi) mas também é daquela série “Merrie Melodies”, desenhos que definitivamente não são pra criança e nos quais se basearam pra fazer o Cuphead, aquele jogo do Xbox.

    • Bolaños era ninguém mais, ninguém menos que um dos sobrinhos do ex-presidente Gustavo Díaz Ordaz Bolaños, que governou o país de 1964 a 1970.
      Por essas e outras que Chespirito tinha uma bola tão alta.

      • Bem lembrado, teu.mobi. Muito pouca gente sabe disso. E Ordaz, ao que parece, mão é tido em muito boa conta no México. Eis um trechinho do artigo da Wikipédia sobre ele:

        “Durante seu governo, Díaz Ordaz mostrou-se autoritário, a ponto de dizer que ,‘la menor distancia entre dos puntos es la línea dura’. Mostrou-se inflexível durante a greve dos médicos de agosto de 1965 e reprimiu com dureza os protestos estudantis de outubro de 1968, naquilo que ficou conhecido com Massacre de Tlatelolco, no qual o exército mexicano matou centenas de estudantes, apenas dez dias antes da abertura das Olimpíadas de 1968.

    • Esses desenhos nem sai dos anos 80, apesar de serem exibidos em tal época. Esse em específico foi lançado no início da década de 50 sob o selo Merrie Melodies (selo sob o qual ficavam os desenhos da segunda linha da Warner na época).

  • Uma contribuição: ao serem adaptadas para sua primeira versão animada na TV, as Tartarugas Ninjas foram bastante suavizadas em relação aos quadrinhos underground originais de onde surgiram. Quem só conhece essa animação vai se surpreender ao saber que, nas primeiras histórias – impressas de forma independente e em preto-e-branco devido à falta de verba e com personagens com visual tosco -, as lutas eram tão sanguinolentas quanto as do filme “Kill Bill”. O desenho, que foi lançado no fim dos anos 80, no entanto, era bem colorido, tinha forte apelo infantil, muitos “alívios cômicos” e até algumas “liberdades criativas” em relação a certos personagens foram tomadas. E mais: mesmo essa versão “kids friendly” das tartarugas foi censurada no Reino Unido. Considerada de “conotação excessivamente violenta” por grupos de pais e educadores, a palavra “ninja” não podia aparecer nem no título, sendo encoberta na tela por um “remendo” feito às pressas, onde se lia “heroes”. Outra mudança foi na arma de um dos personagens, um nunchaku – aqueles dois bastões de madeira unidos por uma corrente – , que teve que ser removida via edição e, em alguns casos, substituída por uma inofensiva corda atada a um gancho de escalada em cenas totalmente refeitas.

  • Palhaço drogado na TV, atores-mirins de novela fumando, intérprete gay de super-herói em seriado forçado a ficar no armário por causa de bullying do resto do elenco, personagens de desenho animado se suicidando… Porra, os anos 80 devem ter sido terríveis!

  • Sobre Dragon Ball, os Sayajins ficavam com o cabelo loiro por um motivo dentro da história que inclusive serviu de arco em mais de uma saga. Não acho que tenham sidos desenvolvidos arcos na historia, apenas por causa de um assistente preguiçoso. Mas quem sabe tudo é a Sally ne.

    • Não é um achismo meu, é um depoimento do o criador da franquia, Akira Toriyama. Mas, se você acha que sabe mais do que o criador do troço, fica à vontade para passar vergonha.

  • Só precisa especificar de qual Power Ranger você está falando ali, já que não existe apenas um. De resto, excelente texto.

    • Não que isso seja assim tão importante, mas… Nos super sentais originais japoneses antigos – que talvez você ainda não tenha visto por ser, imagino, muito jovem – , a cor amarela era quase sempre destinada a uma personagem feminina.

  • Nossa, Sally, que déjà vu ler esse texto. Tu se inspirou, por acaso, no canal 90 no youtube? Lá ele tem vários vídeos do tipo que mostram as atrocidades que ocorriam nos anos 90, bem legal!

    Eu lembro bem do escândalo de Milli Vanilli quando estourou, e poxa… Que vergonha alheia!

    • Adoro o Canal 90 (por mais que o nível dos vídeos tenha dado uma caída de uns tempos pra cá, mas é compreensível, já que chega uma hora em que os assuntos sobre a década se esgotam)! Talvez seja o único que eu acompanhe de verdade!

  • Existe uma história que o Esqueleto deveria ser o rei por ser o filho mais velho mas como nasceu com a pele azul colocaram o irmão dele no lugar.
    Muito puto, o esqueleto (que tinha cara na época e se chamava keldor) aprendeu magia negra pra tomar o trono a força.
    Se for assim, o He-man ainda é um defensor de um reino tão racista que consegue negar o reinado pra quem tem a cor errada.
    Fora o Esqueleto, quantos de pele azul andam pelo reino? O que acontece com esse pessoal?
    Cadê meu chapéu de alumínio?
    São muitas questões…

  • Chocada com esse lance do carrossel!Nessa época as crianças não eram poupadas de nada e, até hoje aparecem umas verdades mais difíceis de engolir do que bala soft.

    Patrícia Marx, cantora do Trem da Alegria, falou sobre a beliscada que levou da empresária quando saiu da coreografia durante uma apresentação, além do assédio sexual que rolava nos bastidores do grupo, em uma entrevista pra Record. Meses atrás, ela fez comentários sobre a Xuxa em uma live e o assunto gerou polêmica.

    Xuxa, assim como o Bozo, eram tipo franquia, cada país tinha o seu. Duvido que outro país produziu os programas bizarros que tivemos, como esse momento único do bozo consumindo um pozinho com pirulito no meio do programa https://youtu.be/UHDnGhZ2kwI

      • Verdade. Ah, e eu adorei essa sua expressão “verdades mais difíceis de engolir do que bala soft”, Revoltz. Vou até anotar no meu caderninho…

    • Ah, a Patrícia Marx (na época, só Patrícia)! O sonho de cem entre cem moleques onanistas da década de 80 (eu incluso!). Eu, particularmente entretanto, acho que ela envelheceu mal. Tá bem feiona… pouco ficou daquelas feições doces que ela tinha (e, não, isso não tem nada a ver com envelhecer!).

    • Pior que o pirulito com pózinho era algo que tinha empresa que vendia essa porra… E era puro açúcar, mas eu não duvidaria que o do bozo tivesse batizado com o pózinho de pirilimpimpim no lugar daquela porra cheia de sacarose.

  • Alguns foram descobertos, como a dupla Milli Vanilli, que venderam milhões de discos e ganharam até um Grammy. Eles fizeram shows pelo mundo todo cantando em playback e morreriam impunes se as verdadeiras vozes por trás das músicas não tivessem resolvido falar. O escândalo foi tanto que um dos membros da dupla acabou se suicidando.

    No YouTube tem vídeo contando em detalhes. Eu lembrava vagamente das músicas, mas era novo demais pra lembrar se o escândalo repercutiu no Brasil tanto quanto lá fora. Aqui na região metropolitana de Porto Alegre tem uma rádio, a Continental, que é a mais ouvida de “música adulta”, é a rádio que normalmente deixam tocando em elevadores e salas de espera, ela ainda hoje toca pelo menos uma música deles na programação.

    A história do Milli Vanilli seria interessante o suficiente pra virar um filme. Não entendo por que não fazem, mas pelo que li em comentários de blogs e de vídeos do YouTube, parece que um filme desses teria que expor alguns nomes de gente que até hoje tem influência no meio artístico, que preferem que essa história permaneça “varrida pra baixo do tapete”, como se os dois da dupla fossem os únicos culpados pela farsa.

  • Já que tem alguns zoomers no Desfavor (estamos ficando velhos), vamos arruinar a infância deles também. Mwahahaha!

    *O criador dos Padrinhos Mágicos, além de ser uma pessoa péssima, é literalmente um criminoso. Este vídeo resume o drama: https://youtu.be/_JLSJ5CtXrA?t=37
    Arrogante, incoveniente, religioso radical, chegando a dizer que autismo é “falta de Deus” e arrancou dinheiro de fãs com projetos duvidosos.

    *O criador do Bob Esponja, Stephen Hillenburg pretendia terminar o desenho em 2004 após o lançamento do primeiro filme, mas a Nickelodeon recusou e contratou novos escritores pra continuar a ordenhar a fama do desenho e até hoje está assim, faz uns 2 anos que Hillenburg morreu. Por isso que desde 2004 o desenho teve mudanças notáveis (e contraditórias) no roteiro e na caracterização de personagens. Ninguém da equipe original ficou.

    *A atriz principal de Matilda, Mara Wilson, perdeu a mãe no meio do período das filmagens. Fica mais triste quando você se lembra de como foi o final do filme. Além disso, o ator que fez o Bruce não gosta de bolo de chocolate na vida real. Merecia um prêmio por ter aguentado fazer a cena do bolo.

    *Zac Efron, o Troy de High School Musical, não cantou nada no primeiro filme, quem cantava era Drew Seeley. Por outro lado, ele treinava basquete mais de 3 horas por dia pra fazer as cenas de basquete.

    *No mangá original de Cardcaptor Sakura, a Rika não tinha apenas uma quedinha pelo professor, os dois tinham um relacionamento sério. Fica pior quando você se lembra que a Rika tinha DEZ anos. A personagem foi tão controversa que não a incluíram na continuação, Cardcaptor Sakura: Clear Card.

    *As heroínas de Sailor Moon usam uniformes de marinheiro por pedido do editor da autora (mangaká) Naoko Takeuchi, que tinha fetiche em meninas de uniforme (sailor fuku). Originalmente, elas teriam uniformes únicos. Rascunhos:
    https://sailormusic.net/wordpress/images/materials-collection/sailormoon-materials-collection-002.jpg
    https://sailormusic.net/wordpress/images/materials-collection/sailormoon-materials-collection-003.jpg

    • Mais de 3 horas de basquete para ter uma interpretação canastrona nível Cigano Igor na hora do playback. Gostei de ver.

  • “A atriz que interpretava a Professora Helena, Gabriela Rivero, já deu várias entrevistas com informações preocupantes. Por exemplo, com apenas oito anos de idade eles fumavam no set de filmagem e, como não tinham idade para comprar cigarros os pequenos atores, principalmente o ator Pedro Javier Viveros, que interpretava o Cirilo, roubavam cigarros de sua bolsa e da bolsa de outros adultos.”

    Ok, isso é preocupante.

    Falando em finais tristes, tem um episódio do Tom e Jerry em que o Tom tá sentado nos trilhos de um trem esperando o trem passar por causa de uma baita desilusão amorosa que ele sofreu (aí ele decide por um fim à própria vida). Bem perturbador, diga-se de passagem (das poucas vezes que eu assisti, ainda na infância, dava aquela sensação ruim). Mas obviamente o episódio foi banido da TV.

    • Falando em desenhos novos, tem uma bem bizarra referente ao reboot do desenho das Meninas Superpoderosas – que aliás, no original tinha uns episódios bem pesados apesar da estética.

      Nesse reboot, um dos roteiristas é um cara chamado Jake Goldman. Ele aparentemente gostava muito da Florzinha, a líder das meninas… e quando conseguiu se tornar um roteirista do desenho oficial, ele realizou seu grande sonho: fazer de si mesmo um personagem do desenho (um moleque chamado Jared que é a cara dele, dublado pessoalmente por ele), e escrever histórias em que a Florzinha se apaixonava por ele, que é um personagem fodão. Basta dar um google por “Jake Goldman self insert” e se deliciar.

    • Há um episódio de Tom e Jerry que, em um tom arquetípico de filme de terror, ambos tentam se envenenar com uso de produtos químicos em um laboratório. Nunca mais consegui encontrá-lo.

      • Deveria ter um equivalente ao IMDB para desenhos da década de 80 pra baixo (e não duvido que tenha algo, talvez escondido). Como desenhos não eram necessariamente coisa de criança nessas épocas, muitíssima coisa macabra, cheia de simbolismo oculto, cheia de referências adultas a sentimentos ruins, amorais, imorais e etc. deve ter sido feita. É que nem a fotinha dum álbum daquele povo maluco e altamente alternativo da Young God Records (que congrega Michael Gira, Devendra Banhart, Flux Information Sciences, Body Lovers/Body Haters e outros piradaços do underground): com elementos bonitinhos mas carregada de elementos sinistros…

        https://images.app.goo.gl/Ca2cRWPV8JLAxBNv6

  • “Não era alegria e energia, era cocaína”. E o mais desesperador é ver que esse tipo de vida se tornou ainda mais… Desejável, “respeitável”. 95% dos “Good Vibes” e “O Segredistas” atuais poderão ser resumidos futuramente numa sentença parecida: não era positivismo, karma, espíritos ancestrais ou animais totens. Era cérebro chapado de Rivotril, Gardenal, Fluoxetina, Midazolam, somado ao absoluto estado de negação frequentemente negligenciado ou chamado de “brasileiro que não desiste nunca, nem leva desaforo pra casa”.

    • Ah sim, essa geração tarja preta que não consegue encarar a vida de cara limpa e ainda quer dar lição de moral. Muito curioso esse tipo.

  • Dessa da petizada fumante nos bastidores da versão mexicana original de “Carrossel” eu não sabia. Me surpreendeu.

  • Essa coisa das tietas pagas para fingirem faniquitos em público diante de artistas é mais antiga do que se imagina. Aqui no Brasil, já nos anos 50, isso acontecia. Um dos pioneiros nessa “estratégia de marketing” foi o Cauby Peixoto, que vivia tendo suas roupas rasgadas pelas fãs a cada vez que saía de um palco ou de um teatro. De acordo com o que alguns biógrafos contam, tudo teria começado a partir de um incidente real. Em de seus shows, Cauby descia do palco e uma admiradora mais afoita se agarrou no seu braço e puxou com tanta força que arrancou-lhe a manga do paletó. Isso deu uma idéia ao empresário do cantor de “Conceição”, que bolou então o seguinte estratagema: sempre que acabasse uma apresentação, Cauby iria ao seu camarim para trocar a roupa que usara no show por outra idêntica, mas com as costuras apenas alinhavadas, de modo a propositalmente se desfazerem ao menor puxão. Com a roupa já trocada, o superstar da época saía na rua, as fãs histéricas avançavam, a segurança fingia que não conseguia dar conta da “avalanche humana” e as roupas se “rasgavam”. E tudo era devidamente registrado pela imprensa, que estampava as fotos de Cauby sendo atacado pela mulherada com freqüência.

  • Anos 80 foram bem esculhambados, selvagens e viscerais. Por isso não me desfaço do livro com uma compilação do Planeta Diário. Hoje em dia, seriam cancelados pelas turmas babacas do mimimi de esquerda e do “conservadorismo” Flordelis.

      • Satori Gomi e Sally: isso me deu uma idéia para um Des Contos, que o Somir possa talvez escrever: imaginem essa situação: um grupo de chatonildos mimizentos de hoje em dia sendo transportados justamente para os anos 80 através de alguma máquina do tempo desenvolvida por algum laboratório secreto do governo e tendo que se adaptar aos usos e costumes da “década perdida”.

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