Comemorações de 12 anos encerradas. Luto oficial em toda a nação por tempo indeterminado.

Perseguindo a solução.

A tecnologia facilitou muitas coisas em nossas vidas, nem todas agradáveis. Com tanto de nossas vidas online, o trabalho de um stalker nunca foi tão simples. Sally e Somir tem horror a esse tipo de pessoa, mas discordam sobre as melhores formas de lidar com o problema. Os impopulares perseguem uma resposta.

Tema de hoje: vale a pena denunciar um stalker para a polícia?

SOMIR

Sim. E nem tem muito a ver com minha crença num bom trabalho dos policiais, na verdade, considero importante como um passo essencial para estabelecer limites. Stalkers (gente que persegue outra pessoa de forma obsessiva, com ou sem violência) tem um problema patológico com limites, e qualquer concessão nessa área pode e vai gerar mais e mais perigos para a pessoa perseguida.

Não tem conversa sobre mundo ideal nessa história: num mundo ideal, as pessoas não se prestam a esse papel ridículo de buscar atenção alheia de todas as formas. Stalkear alguém é absolutamente incompatível com uma mente saudável, só pode ser sintoma de algum problema mental, seja ele causado por doença ou uma fase de desequilíbrio severo.

O problema é que o cidadão médio está disposto a negociar essa noção de acordo com o sentimento envolvido. Tudo bem que é normal arriscar ser um pouco chato insistindo na atenção de uma pessoa que você quer conquistar, mas stalkear é ir muito além de ser insistente. Eu aposto que a maioria das pessoas aqui consegue relevar alguém teimando por nossa atenção, mesmo que não desejemos retribuir. Tem uma medida de equilíbrio entre o incômodo e o lisonjeio de ser desejado que normalmente não causa problemas na vida ninguém.

A questão é que essa medida não é universal. Cada pessoa sabe até onde a sua linha vai, e pra complicar, depende muito de cada momento. Podemos discutir sobre inúmeras variáveis: a pessoa é conhecida? A pessoa te parece interessante? Você está num ambiente seguro? Você teve uma criação que prezava privacidade e espaço pessoal? Tanta coisa pode definir a medida do que começa a incomodar demais que é razoável que pessoas lidem de forma diferente com isso. A insistência exagerada de um pode ser a aceitável de outro.

Mas aqui, eu te pego de surpresa: nada disso tem a ver com stalkers. Nos dois últimos parágrafos eu tenho certeza que você começou a pensar em segundo plano na mente sobre o que você acha aceitável, ou, se é mulher, provavelmente lembrou de alguns casos de homens que insistiram bastante por você. Esqueça isso. Stalkers não são conquistadores insistentes, stalkers são pessoas que ficam doentiamente obcecadas por outra pessoa. A linha que separa um chato de um doente é borrada demais, especialmente num país lotado de gente passional como o Brasil.

A Sally vai falar, e com muita razão, do tratamento merda que a polícia dá para quem vai denunciar o stalker, mas quem mora aqui normalmente sabe que esse tratamento merda é o padrão. Você chega com uma faca afundada nas costas e te mandam esperar alguém chegar do almoço para fazer o B.O., então, sim, eu sei que as autoridades brasileiras não tratam o cidadão direito, mas mesmo assim, tem todo um elemento cultural que precisa ser tratado: como muita gente fica com essa dúvida na diferença entre alguém insistente que quer muito sua atenção e um doente mental que quer infernizar sua vida, a denúncia é importante para demarcar o seu limite.

O modo de operação do stalker é diferente da pessoa que quer te conquistar, mesmo que no começo possa ser meio parecido, rapidamente a coisa degenera para um misto de obsessão e ressentimento que visa fazer mal para a pessoa perseguida. O stalker está tão perdido que não consegue mais diferenciar atenção positiva de negativa: tanto faz conseguir um agradecimento por um elogio ou um desconforto visível no contato, desde que gere reação no seu objeto de obsessão, está valendo.

Sim, existem stalkers que já começam essa relação com a intenção de fazer mal para a pessoa perseguida, mas até onde eu entendo, eles não são maioria: esse tipo de inimigo costuma ter um limite de quanto tempo aguenta fazer isso. O stalker do qual falamos é alguém que começa a se dedicar de forma constante à perseguição. O mais comum é que sejam pessoas sem capacidade de lidar com a rejeição do afeto que oferecem, seja por negação ou por simplesmente não terem noção para começo de conversa.

E voltando ao ponto da linha borrada: stalker não é uma pessoa que transformou amor em ódio. Isso é passionalidade. E como toda passionalidade, ela tende a queimar de forma brilhante por tempo limitado. Milhares de crimes passionais que acontecem todos os dias respondem por essa faceta da personalidade humana. O stalker é uma pessoa consumida por um problema mental que a faz acreditar que qualquer contato com a pessoa desejada é melhor que nenhum. São raros os casos onde o stalker para por conta própria.

E a não ser que você queira ouvir gente argumentando sobre ser só uma pessoa insistente ou que não tem perigo… e talvez até que você tenha alguma culpa no incentivo do comportamento, a melhor coisa é ter uma prova que passou de todos os limites: a denúncia serve como essa divisória entre “você está exagerando” e “nossa, é sério assim?”. Quem vive num país de gente sempre com o coração na boca e pronta para explodir tem que saber falar as coisas de forma clara.

E mesmo que não seja certeza nenhuma que a polícia vai se importar com você, sempre existe a chance de alguém dar prosseguimento ao caso. Nem todo stalker é um caso permanente de doença mental, alguns só estão muito desorientados no momento e precisam de um choque de realidade. Ainda mais considerando que tanta gente acha que esses perseguidores são apenas pessoas insistentes que sabem o que querem, ou mesmo que são apenas vítimas de uma paixão muito poderosa. Se você tem alguma salvação, a ideia de que seu objeto de desejo foi procurar a polícia para te afastar deveria ser a reação suficiente para te acordar.

E, se não, se for um caso patológico mesmo, a denúncia vai te ajudar a fazer um caso mais sólido caso você tome outras providências legais. E se nada disso resolver, lembre-se que a polícia não resolver problemas funciona para os dois lados: a taxa de resolução de homicídios é baixíssima.

Para dizer que só existe stalker feio, para dizer que eu devo ser muito branco para achar que polícia resolve algo, ou mesmo para dizer que anonimato é a salvação de tudo: somir@desfavor.com

SALLY

Vale a pena denunciar um stalker que passou dos limites para a polícia?

Em um país sério? Certamente. No Brasil? A menos que você seja famoso, não. É pura perda de tempo e ainda periga do stalker sair fortalecido e com certeza de impunidade quando não der em nada.

A menos que o stalker tenha cometido um outro crime avulso (invadido sua casa, te agredido, etc) o simples ato de stalkear (ainda que fora dos limites do aceitável) não é visto como crime no Brasil. É crime, mas acaba tendo sua importância diminuída pelo grande entorno de barbárie que cerca a vida do setor policial.

Estamos falando de um país onde acontece um estupro a cada dez minutos e metade deles é de pais com filhas crianças dentro de casa. Estamos falando de um índice de homicídios que supera países em guerra ou em guerra civil. Estamos falando de um dos maiores índices mundiais de crimes sem resolução e de reincidência criminosa. Você acha mesmo que um delegado que vê atrocidades diariamente vai se empenhar e dispender seu pessoal por causa de um fulaninho que está te enchendo o saco?

Stalkear nem sequer é visto como algo grave. Ficar mandando mensagem, procurando, ligando… é até elogiado. Veja bem, estamos falando de um stalker, que passou dos limites na stalkeada, não de ameaça, não de tentativa de homicídio. Importunar, no Brasil, é tacitamente permitido e até romantizado. Periga do policial olhar e dizer “Coitado, o rapaz só está apaixonado”. Meus queridos, tem mulher estuprada que é ridicularizada em delegacia pois se presume que ela queria, esse é o nível.

A polícia brasileira é composta por pessoas brutalizadas, em sua maioria psicopatas, que não pensam duas vezes antes de torturar alguém. Vocês acham mesmo que essas pessoas conseguem compreender a sutileza que é a angústia emocional que um stalker pode provocar? “São só ligações, basta não atender” é a coisa mais legal que você vai escutar.

Um stalker pode dar um passo a mais e se tornar violento? Pode. Dependendo do caso, sequestram, matam, fazem barbaridades. Mas, novamente: Brasil. Vocês têm ideia do número de mulheres que já foram mortas, mas que antes foram à delegacia (até mais de uma vez) dizer que o ex estava ameaçando matá-las? Se não tem, eu te digo: um monte, quase metade dos feminicídios. Se nem com ameaça explícita de morte, gravada, documentada, alguém se coça para proteger essas mulheres, quem dirá por causa de um bando de e-mail, ligações ou coisas “menores”.

Infelizmente é uma situação trágica. É como estar em uma guerra e ir ao hospital de campanha com um dedo quebrado esperando ser atendido, quando tem gente com membro amputado, tiro na cabeça e outras feridas muito mais graves na sua frente. Investigação, delegacia, polícia… isso você faz quando precisa para se resguardar: roubaram seu telefone, você vai e deixa registrado, para o caso de cometerem algum crime usando seu telefone.

Talvez recorrer ao Judiciário direto possa valer a pena, apesar de que, eu duvido muito, mas ainda vejo uma chance. Não que o Judiciário funcione, pois não funciona mesmo, mas às vezes o stalker se caga todo quando recebe uma notificação informando que ele vai responder a um processo judicial (mesmo que não seja criminal). Ir ao Ministério Público talvez adiante também (não, eles não fazem parte do Judiciário), pois eles têm (ou ao menos tinham) sede por caçar vagabundo. Mas polícia? Não, meus amores. Resolvam isso em uma instância superior ou paralela.

Fazendo um exercício rápido de imaginação aqui: vamos supor que, depois de passar um dia todo para ser atendido em uma delegacia você encontre uma alma boa que te escute, que tome nota e que decida fazer alguma coisa (algo muito raro de acontecer). Chamam o stalker para depor. O stalker conta a versão dele (ninguém é idiota de dizer “sim, eu importunei pra caralho, passei dos limites pra cacete”). Quais são as chances do delegado que tem 500 casos graves rolando se dar ao trabalho de levar isso adiante?

Vocês acham que a polícia brasileiro é o FBI? É CSI? Acham que são cheios de tecnologia que vão rastrear postagem, periciar o que for preciso? Papo reto: já fui em delegacia onde, se você queria imprimir uma ocorrência, você, vítima, tinha que levar folhas de papel ofício, pois nem isso eles tinham. São pessoas acostumadas a ver marido degolando esposa com faca, mãe assassinado bebê jogando água fervendo, avô estuprando neta de 2 anos de idade. Eles não vão ligar a mínima se Fulaninho te liga 500 vezes por dia.

Não quer deixar impune? Resolve de outro jeito. Tenta um processo judicial (nem que seja pedindo uma indenização por danos morais), stalkeia de volta e acaba com a paz da pessoa, coloca um monte de cartazes na cidade com a cara da pessoa e dizeres que relatem o que ela está fazendo com você, namora um marombeiro tamanho GG… faça sua escolha. Existem vários caminhos para resolver isso, ir na polícia é, na maioria esmagadora dos casos, um beco sem saída.

O Brasil é um país onde homem mata de pancada a mulher por ela ter deixado queimar o feijão, sinto muito, mas ir à delegacia por um stalker que apenas stalkeia é como ir ao hospital por causa de um corte de papel no dedo. Não que eu esteja minimizando os danos que um stalker pode causar, dependendo da fragilidade da pessoa stalkeada, pode realmente acabar com sua vida, mas, infelizmente, o entorno do que acontece no país faz com que isso seja visto como algo desimportante, não urgente e não grave pela polícia.

Vai para a imprensa, vai para as redes sociais, vai para o Judiciário, vai falar com os parentes do stalkeador para advertir que terão problemas se isso continuar, vai para a macumba, mas não vá à polícia. Acredite em mim: além de perder tempo, ser tratado mal e ainda periga de sair ridicularizado, sobretudo se o stalkeado for homem e a stalkeadora for mulher. Aí é chacota na certa. Uma ocorrência policial não freia ninguém, vide a enorme quantidade de homem que ameaça mulher, ela denuncia, o sujeito a mata e fica tudo por isso mesmo.

O preço de viver em um país onde as coisas não funcionam direito é esse: quando você precisa do Estado, ele falha com você. Isso é visível em diversos setores: hospital público que não tem nem band-aid, transporte público que não é eficiente e tantos outros exemplos. Pois é, a segurança pública também é uma merda, o brasileiro não pode contar com sua polícia para protegê-lo. O fato de você ir até a polícia demandar um atendimento não vai mudar a realidade. Você pode demandar antibiótico em hospital público o quanto quiser, se não tem, não vai aparecer só por você estar lá pedindo. O máximo que se pode fazer é uma ação judicial.

Em alguns casos, ir até a polícia reportar um crime pode sim ser útil e gerar um bem à sociedade, mas neste caso, sinto muito, mas não. Ainda mais se o stalkeador for chamado e não der em nada. Aí sim ele vai perceber que não tem nada que possa pará-lo e vai abusar ainda mais. Resolve de outro jeito.

Para dizer que isso se resolve na porrada, para dizer que isso se resolve investigando em particular o stalkeador e guardando na manga informações que podem gerar sérios problemas para ele ou ainda para dizer que deveria existir um botão de block na vida: sally@desfavor.com

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Comentários (16)

  • Gente, beleza, ir à delegacia (polícia civil) pode não resultar em nada de imediato, mas o nome da pessoa já fica ali registrado. Se o incomodado quiser processar civil e criminalmente, a denúncia tanto na esfera cível como criminal pode ser usada como prova. Ou seja, a denúncia serve para alguma coisa. Não aconselho seguir os mandamentos da Sally de fazer o stalker reverso ou fazer exposed: um tiro no pé. Se alguém te stalkeia, aconselho juntar provas (se possível), ir à delegacia fazer a denúncia, processar civil e criminalmente, dependendo do que for, pode até colocar o Ministério Público (MP) no meio (ex. se envolver menor de idade, incapaz).

    • Obviamente você nunca colocou em prática o seu conselho: você vai na delegacia, a polícia diz que não há indícios de materialidade nem de autoria e o “documento” que se consegue só favorece O STALKER em caso de uma ação judicial. Não seja irresponsável, não dê conselhos que vão prejudicar as pessoas, ok?

      • A intenção não é prejudicar, é fazer a coisa certa, até porque fazer o stalker reverso não é garantia de solução do problema, além de colocar a vítima numa situação ainda pior. Os indícios de materialidade e autoria são obtidos através de provas. O stalker pode ser por via digital (conversar no whatsapp, mensagens em redes sociais, curtidas, etc) ou por meio não digital, que eu considero mais difícil de fazer prova, mas ainda assim é possível fazer registros com fotos, filmagens, gravações de áudio e testemunhas. Notificar a polícia é sempre razoável, até porque se a pessoa chegar a ser processada, o advogado da parte ré vai perguntar a respeito disso, e a ausência de notificação policial vai pesar à favor do acusado.
        Sally, além disso, não tenho intenção de ser agressiva ou debochada contigo, só não acho prudente o conselho que você deu em vários sentidos. Stalking é coisa séria. Eu mesma já fui vítima. Na época, eu namorava um rato de academia bombadinho e lutador de jiu jitsu, mas isso não impediu que o meu stalker me ligasse todos os dias, no mesmo horário, enquanto eu andava pela rua à noite, depois da faculdade. Era assustador, ele me ligava e dizia: estou te vendo daqui, vc está assim, assim, assim (detalhando a minha roupa). Eu nunca soube quem era a pessoa, nunca reconheci a voz, e nunca soube se era uma brincadeira de algum conhecido ou algo sério. Da mesma forma que o stalker surgiu me assustando ele se afastou e sumiu. Na época, eu contei para os meus pais, e o meu pai passou a me buscar no ponto de ônibus. Se isso voltasse a acontecer comigo, eu iria diretamente à delegacia com o meu celular, contaria tudo o que aconteceu. Resolveria o meu problema? Provavelmente não. Mas a polícia já estaria notificada. Resumo, um namorado bombado não vai fazer nada por você, porque o stalker age no silêncio, quando você está sozinha. E, na maior parte do tempo, não dá nem para saber quem está te stalkeando. Mas, sintam-se à vontade para seguir o conselho da Sally, caso julguem razoável.

        • Colocando assim parece que eu fiz um texto defendendo que a resposta deve ser confrontar o stalker. O que eu disse é: qualquer coisa é melhor do que procurar a polícia, pois, depois de mais de dez anos presenciando a merda que dá, acho que posso falar.

          Você tem muito que aprender sobre a vida e sobre direito. Se o seu caso fosse parar no Judiciário, essa sua atitude teria te prejudicado muito no processo.

          • Te entendo, Sally. Na prática, as coisas não funcionam como elas deveriam funcionar, daí seu emputecimento com a situação. Para ser franca, realmente, tenho muito o que aprender com a prática no judiciário e ida à delegacia, etc. Meu conhecimento jurídico é raso e limitado ao que aprendi na Faculdade, ou seja, muito pouco. (isso não é um deboche, é apenas a constatação dos fatos).

  • Se vc mandar dar uma surra na pessoa dá alguma coisa pra vc? Eu ñ gosto de violência mas acho que num caso desse poderia resolver…
    Eu ñ iria na polícia. Vi um caso que aconteceu na Austrália e a mulher foi inúmeras vezes mas nada parava o cara, a polícia chamava pra depor, ele falava que ñ era ele e ficava por isso mesmo. Foram 5 anos até ele ser preso, uma pena de 8 meses que está quase no fim, e ela quer mudar de nome e de país. Outro no Japão que a moça também denunciou inúmeras vezes e o stalker matou ela no final.
    Imagina no Brasil onde as pessoas acham legal e romântico alguém te perseguindo….onde uma mulher as vezes escuta “dá uma chance pro cara” só pq ele não larga do pé dela.
    Eu tentaria conseguir o máximo de provas possíveis contra a pessoa (um detetive particular se necessário) e colocaria nas redes sociais. Mandaria pro local de trabalho dele de forma anônima.
    Acho que o stalker gosta do medo e da ansiedade da vítima, então se você bater de volta talvez ele veja que ñ vale a pena.

  • Acho que a denúncia é válida se o caso acaba vazando na mídia, porque geralmente acaba ganhando atenção, importância e relevância.Tem maior chance de solução. Do contrário, a denúncia pode ser um risco, principalmente se a vítima acusar alguém.

    É um grande equívoco da polícia não solucionar crimes, mesmo aqueles que erroneamente taxados de “crimes pequenos”. A punição por “crimes pequenos” poderia impedir “crimes maiores”.

    Já fui stalkeada e consegui descobrir a localização aproximada, que deu perto da casa de um parente. Era alguém da minha família, mas tinham 4 pessoas morando na casa, então fiquei só na suspeita, sem confirmar quem é. Apenas me afastei e isso foi o suficiente.

    • Sim, é um absurdo que só casos que caem na mídia sejam levados a sério. Mas, ao mesmo tempo, é uma solução: se a pessoa está sendo importunada, pode tentar deixar isso o mais público possível e, com sorte (ou até algum investimento) faz cair na mídia.

  • E se alem de ligação e mensagem, seguir na rua? A coisa no Brasil é confusa porque se eu denunciar não dá em nada e se eu contratar um serviço de surra delivery e deixar a pessoa em coma, vai igualmente dar em nada pra mim?

    • Surra delívery pode dar sim, pode ter responsabilidade criminal (cadeia) e civil (pagamento de indenização). Você há de convir que dar uma surra em alguém é um pouco mais grave do que seguir a pessoa pela rua.

  • ” para dizer que anonimato é a salvação de tudo” tudo não, mas quase tudo…
    mas não denunciaria não, com tantas barbáries reais + acusações falsas, só seria atendida em 2030.

    • Maria, denunciar, no Brasil, hoje, só favorece ao stalker, pois a polícia vai dizer que não tem nada contra ele. É uma carta de alforria para a pessoa continuar.

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