Quase 90% da população do Amapá – cerca de 765 mil pessoas – está sem energia elétrica desde terça-feira (3), após um incêndio na mais importante subestação do estado, que fica na Zona Norte de Macapá e alimenta 13 das 16 cidades do estado. LINK


Aposto que vocês estavam esperando uma coluna sobre a eleição americana, não? Desfavor da Semana.

SALLY

O tema de hoje tinha tudo para ser as eleições dos EUA. Eu estava tão confiante nisso que até queimei o tema do “estupro culposo” durante a semana, pois sabia que o Desfavor da Semana já tinha dono. Mas o Brasil ainda consegue me surpreender. Negativamente.

Na terça-feira, dia 3 de novembro, um incêndio atingiu uma subestação de energia no Amapá, deixando 730 mil pessoas sem luz, o que corresponde a 85% da população do estado. Você ouviu alguma coisa a respeito na terça? Ou na quarta? Não. O brasileiro estava em sua bolha, militando, chamando juiz de estuprador por ter “dado uma sentença de estupro culposo”, batendo boca por causa das eleições nos EUA ou ocupado com qualquer assunto da vez.

O Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que o fornecimento de luz deve ser totalmente reestabelecido no Amapá… em dez dias. Dez dias sem luz, ditos nesta normalidade. Vocês não são uma republiqueta, são o maior país da América Latina, aquele que se diz ser uma potência, aquele que se diz “liderar o Mercosul”, aquele que se diz emergente. Manter a população dez dias sem luz é coisa de ilhota na Micronésia.

Minha pergunta é: vocês percebem que, apesar de todo o arroto sobre prosperidade e superioridade que saem constantemente da boca do Bolsonaro, o país está involuindo? Sim, é um novo patamar. Anteriormente estava sempre uma merda, mas era sempre a mesma merda, só mudava a alegoria. Hoje está efetivamente involuindo em áreas muito importantes como ciência, educação e liberdade.

O Brasil teve a maior queda no índice de liberdade de expressão entre 161 países, o real é a moeda com pior desempenho do mundo, a educação brasileira caiu para a última posição em ranking global e muitos, muitos outros dados aberrantes que eu perderia dez páginas citando. Talvez nem seja ruim, talvez, como eu aposto, seja necessário para que tudo desmorone e dê lugar a algo novo. Mas é preciso que se reconheça que está acontecendo.

O Brasil está afundando. Muitos não percebem graças às bravatas, piadas e pouco caso que o Bolsonaro faz, ou às cortinas de fumaça que ele cria, trazendo uma nova polêmica todo dia (que a mídia ajuda a promover, pois rende cliques), fazendo com que as pessoas não olhem para a real situação do país. É muito sério isso, gente. O país está afundando e o Presidente está fazendo vocês acreditarem que o vizinho é a Nova Venezuela. Vocês precisam pisar em terra firme, sair da bolha e ter ciência da realidade em vez de estarem sempre tão preocupados com os outros.

Pessoas sem luz, filas nos supermercados, filas nos postos de gasolina… Karma is a bitch, Bolsonaro deveria pensar duas vezes antes de chamar qualquer país de “Nova Venezuela”. Desculpa, mas o país que está involuindo, passando vergonha, com ameaça de desabastecimento em diversos setores e tendo liberdade de expressão comprometida este ano se chama Brasil. Mas o brasileiro está muito ocupado apontando o dedo pros colegas para perceber isso.

Essa mania ridícula de focar no outro quando há coisas internas para serem trabalhadas não vale só para pessoas, vale para países também. Qual é o desvio moral que leva uma pessoa a focar nas eleições de outro país quando no seu tem um Estado sem luz há dias e as pessoas estão passando por sérios problemas? É não querer olhar para os próprios problemas, enquanto está na merda e passa o dia apontando o problema alheio. Nisso se tornou o Brasil e isso se tornou o brasileiro, em maior ou menor escala.

Agora que a coisa rende holofote, tá todo mundo lá, mandando o seu #SOSAmapá. Vai tomar no cu, sabe? É preciso que uma questão seja redesocializada para que as pessoas que moram no país onde ocorreu o problema a conheçam ou a discutam. Que grau de cegueira é esse, que o que não está nas redes sociais é ignorado como realidade?

Tem uma porra de um Estado quase todo sem luz desde terça-feira, ou seja, há quatro dias, e o povo tá brigando por candidato dos EUA. É como se sua irmã estivesse desmaiada no quarto e, em vez de pedir por socorro, você fica falando mal da roupa da vizinha. É aberrante. É aviltante. É estarrecedor como o brasileiro perdeu a consciência do que acontece em seu próprio país.

Vou repetir algo que eu digo muito por aqui: não adianta negar a realidade, em algum momento a realidade bate na sua porta, e se você não abrir, a realidade arromba sua porta e te atropela. A realidade não está nem aí para suas teorias, seus achismos, sua negação. Ela passa por cima de você, cedo ou tarde. Por isso, conselho de amiga, passem a olhar para a realidade e a trabalhá-la, para que ela seja menos merda, assim, quando ela arrombar sua porta, o mar de merda que vai entrar será menor.

Esse episódio do Amapá conseguiu resumir todo o problema individual e coletivo que assola o Brasil hoje: a negação dos próprios problemas através do foco nos problemas alheios. Parem agora, seja no nível individual ou coletivo, façam a sua parte e parem agora. Chega de focar na vida alheia, nos problemas alheios. Limpe sua casa antes e, só quando ela estiver impecável, você sai e vai olhar a vida alheia pela varanda.

Dá vergonha alheia ver o brasileiro falando das eleições dos EUA como se ele tivesse alguma relevância para o país do Tio Sam. O brasileiro é visto como merda nos EUA, pior do que latino, pior do que chicano. São vistos como macaquitos, como uma sub-raça inferior aos humanos, desprezados, ridicularizados e mal quistos, sobretudo pelos apoiadores do Trump, supremacistas brancos que nem a pau veriam um brasileiro como igual. Brigar por causa das eleições dos EUA é o “I love you” não correspondido que o Bolsonaro deu ao Trump, só que em grande escala.

O país de vocês está uma merda e ninguém parece querer olhar para isso ou aceitar. Não é uma opinião minha, são as dezenas de notícias que saem todos os dias em veículos do mundo todo (e que podem ser lidas na coluna “A semana desfavor”). O barco está afundando e vocês estão olhando, sem acreditar que o barco está afundando. A negação do barco afundando é mais grave do que o naufrágio, pois do naufrágio pode sair algo de bom, da negação, certamente não.

“Mas Sally, eu não posso mudar o Brasil”. Faça a sua parte, só isso. Pare de focar fora, e foque dentro. Não negue uma realidade, por mais horrível que ela seja. Mantenha sua casa limpa e arrumada, não perca sua humanidade, não viva em uma bolha. Faça o seu, é o que basta para que você fique bem e passe pelo esmerdeio que está por vir sem surtar, deprimir ou tomar tarja preta.

Para apontar o dedo para outro país e falar mal dele como argumento, para dizer que é requisito para sobreviver no Brasil perder a empatia ou ainda para dizer que tem fé que semana que vem as eleições dos EUA estarão aqui: sally@desfavor.com

SOMIR

Não é tão chocante que o Brasil tenha problemas básicos de infraestrutura, ainda mais na região Norte, a mais isolada e menos desenvolvida do país. Mas a forma como essa notícia pegou de surpresa a maioria dos brasileiros, como se fosse algo ocorrido do outro lado do mundo, isso sim foi indicativo de algo mais errado que o habitual.

Precariedade é especialidade da casa, mas mesmo nos casos dos incêndios na Amazônia e no Pantanal – causados por descasos maliciosos das autoridades e falta de estrutura básica para combater o fogo – ainda deu um jeito de aparecer para o resto do país. Evidente que desastres ambientais merecem atenção, mas não o foco não foi exatamente pelo interesse das pessoas pela preservação da natureza, e sim por isso estar impactando nossa imagem no exterior.

Imagem que se traduz em investimentos e negócios para setores primários (duplo sentido intencional) da nossa economia. Parece ser o único ponto fraco da estratégia de “passar a boiada”. Se isso nos faz passar aperto com os gringos, isso merece um pouco mais de atenção. Agora, no caso do Amapá, estamos de volta ao padrão Covid de qualidade dos governantes e habitantes deste país. Via de regra você pode maltratar seu povo sem grandes repercussões.

E no estado que está desde terça-feira sem energia elétrica, quem está sofrendo é o povão, o verdadeiro recurso sustentável de governos incompetentes. Normalmente dá para ser bem relaxado com esse tipo de questão, especialmente em regiões afastadas como a em questão. Não tinha pressão internacional sobre o Brasil pelo show de horrores amapaense. Então, todo mundo tocou a vida.

Os ciclos de notícias passeavam entre as polêmicas de internet da semana e a eleição americana enquanto a maior parte do Amapá estava ficando com problemas de abastecimento e até mesmo comunicação com o resto do mundo. Apagões costumam ser problemas locais, mas quando duram tanto tempo as coisas mudam de figura: as pessoas começam a precisar de ajuda de verdade. É quase como um desastre natural: o pior normalmente não é o momento do impacto, e sim a retomada da ordem e o envio e distribuição de recursos para os sobreviventes.

O que simplesmente não aconteceu até as autoridades envolvidas serem pressionadas pelas redes sociais e a mídia. E aqui, mais uma admissão de derrota: não é nem sobre a morosidade da resposta do governo federal, essa também é previsível no Brasil. Há um nível esperado de incompetência nesse país, mas esse passou do limite.

O Desfavor da Semana é que esquecemos do Amapá. Eu me incluo nisso: sei discutir sobre os votos pelo correio da Pensilvânia, mas tive que ser avisado pela Sally, que agora mora fora do Brasil, sobre o que acontecia. O Brasil estava distraído num ciclo de bobagens intermináveis, discutindo sobre o que era ou não verdade, enquanto a verdade estava esperando por uma reação decente num canto afastado do país.

Os americanos votaram nesta mesma terça-feira que começou o blecaute do Amapá contra essa insanidade de não saber mais o que estava acontecendo. Talvez até mais do que sobre as posições políticas dos partidos de lá, essa eleição tenha sido sobre quanta desinformação um povo consegue aguentar em sequência. Por isso até mesmo redutos republicanos viraram a casaca. Me forço a voltar no tema da eleição americana para traçar um paralelo com o Brasil.

Alguns mais cientes que outros, muitos brasileiros votaram no caos político ao eleger Bolsonaro. Ele pode não estar entregando muito no campo do conservadorismo religioso e com certeza não está entregando nada no campo do liberalismo econômico, mas é um factóide atrás do outro para manter nosso senso de realidade devidamente chacoalhado. Depois de um tempo, é natural que nossos cérebros se cansem de um mundo que parece sempre dividido entre duas visões diametralmente opostas.

Enquanto Bolsonaro e sua turma acusam todo mundo de Venezuela, não é que estamos venezuelando? Aparentemente, comunismo é só atalho, o caminho está na incompetência e confusão mesmo. Um governo perdido, que só negociou de verdade para salvar os filhos do presidente e logo depois voltou a agir de forma errática, ao sabor da popularidade momentânea. Trump fez um governo muito parecido. Pouca gente vai saber explicar direito o que diabos o 45º presidente americano fez em seu mandato, mas todo mundo vai lembrar das confusões.

Mas, por lá não se trabalha com precariedade, pelo menos não no nível que nos acostumamos por aqui. Existem algumas redes de segurança no caminho dos americanos que simplesmente não existem por aqui. Os estados estão quase todos falidos e a nossa Constituição não dá muita liberdade para eles. Ficamos muito mais dependentes do governo federal para lidar com crises. E se a resposta à pandemia é o indicativo da qualidade do serviço que podem prestar, o país está numa corda muito mais bamba do que se presume.

E infelizmente, muitos de nós sucumbimos a essa bagunça, colocando o foco em coisas irrelevantes e deixando o país afundar aos poucos enquanto isso. Mesmo os aceleracionistas deveriam estar mais atentos: tem um nível de desastre institucional que não é suficiente para renovar o sistema, mas estraga a vida de todo mundo do mesmo jeito. Viver numa cidade sem energia elétrica por uma semana enquanto espera uma hashtag se popularizar o suficiente para chamar a atenção das pessoas que são pagas para se importar com isso é um desses cenários.

Um dia desses, o Amapá pode ser onde você mora. Se eu puder te sugerir uma coisa para fazer agora, que seja ter um bom plano B na sua cidade. Porque não parece que tem alguém no volante lá em Brasília, e a nossa chance de revisar o plano A vai demorar mais dois anos…

Para dizer que mudamos de ideia (só acha isso que não leu nossos textos antigos), para dizer que ainda acha mais interessante a eleição americana, ou mesmo para dizer que é melhor vender o Amapá: somir@desfavor.com

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Comments (22)

    • A privatização, por si, não resolve nada. O que se pleiteia é uma privatização com um governo decente que fiscalize e puna a empresa que não atender aos requisitos contratados, o que não é o caso do Bolsonaro, que tá chorando em posição fetal com a derrota do Trump em vez de tomar uma atitude.

    • Falando em (não) privatização, estudiosos já estão prevendo um novo verão de água com esgoto na Cedae do RJ. Era pra ter sido vendido esse lixo este ano, não venderam, agora vai dar merda literalmente!!!

    • Erra da mesma forma quem não fiscaliza. O governo tem o poder de dar um pé na bunda, cobrar multa e fazer mil coisas para evitar ou reverter esse tipo de situação, mas o Bolsonaro não sabem nem como liga um interruptor, tá muito preocupado em dar cloroquina para Ema

  • “imagem no exterior”
    Qualquer país desce o pau em outros países no jornalismo, só no Brasil que tem puxação de saco e reportagens baba-ovo tipo Globo Repórter.

  • “…tem um nível de desastre institucional que não é suficiente para renovar o sistema, mas estraga a vida de todo mundo do mesmo jeito”. Na verdade, propugnar por desastre institucional é postura irresponsável de quem pode fugir do país e não tem coragem de enfrentar as consequências das ideias que defende.

    • Quem foge de país é pessoa que mora em país em guerra. As pessoas SAEM do Brasil, por ser um país com um povo de merda.
      Não falta coragem, falta VONTADE de lidar com um povo mal educado, atrasado, burro e servil.

    • Eu sou aceleracionista e só pensei em “fugir” do país por não ver perspectiva de melhora financeira. Qualquer um que está tentando, falindo e tentando de novo se torna aceleracionista nesse país, pois chega num ponto morto que você já não sabe mais no que investir, vendo seu pouco dinheiro, SAÚDE e tempo perdidos. Ou seja, aceleracionismo vem DEPOIS de arcar com as consequencias de gente irresponsável. Já tentei concurso, enviar centenas de currículos, investir em ensino superior (se bem que conversar com amigos já graduados dá em uma das duas: estão desempregados/dependentes ou num emprego que os adoece), já tentei empreender em casa… E chega uma hora que você de tanto tentar, estagnar e entender que não é algo que depende tanto assim de você (e mesmo assim você paga pela ignorancia cavalar da maioria que, convenhamos, também está tão no survival mode quanto você), aceleracionismo ou mudar de país começam a ser sua única esperança.

  • “Que grau de cegueira é esse, que o que não está nas redes sociais é ignorado como realidade?”

    Eu colocaria a imprensa nessa caixinha também… Não pelo conteúdo (que eventualmente existiu), mas pela prioridade em divulgá-lo.

    Dúvida honesta: O que houve exatamente com o Amapá no que diz respeito à gestão e resposta a esse desastre? Existem prefeitos e um governador lá, mas parece que a imprensa se esqueceu deles, politizando o problema (culpa do Bolsonaro, o que me parece parcialmente correto) e a solução (fora Bolsonaro) ao mesmo tempo…

    De qualquer forma, acho que tenho sorte por contar com as leituras daqui para “decifrar” as confusões que acontecem do lado de lá…

    • Houve o de sempre: incompetência.
      A culpa é também do Bolsonaro, como Governo Federal ele teria que fiscalizar a empresa responsável pela prestação de serviço, verificar se ela cumpre todos os requisitos e obrigações às quais se comprometeu. Mas Bolsonaro não consegue controlar nem os filhos, imagina se vai controlar as merdas do país.

      • “Houve o de sempre: incompetência.” Como é triste é um país sobre o qual se pode falar usando “o de sempre” e “incompetência” na mesma frase…

  • Quem tem um pouco mais de condição por aquelas bandas no geral se mantém em cima dos altamente poluentes geradores a óleo diesel, o que implica em uma energia cara e de alto impacto ambiental, coisa que os lobbistas que foram militar contra a Belo Monte foram militar por conveniência.

    E falando em militância, o que já era ruim piorou ainda mais quando o assunto caiu na mão dos lacradores, sendo que já teve gente usando da questão pra se posicionar contra a privatização das operações da Eletrobrás, que dentre as estatais que temos hoje, é a que tem maior probabilidade de ir para as mãos privadas.

    O #SOSAmapá é uma reedição do #SouGuaraniKaiowá de oito anos atrás. Ninguém se importa de fato com o Amapá (a não ser talvez gente como o Sarney, que ficou anos a fio no senado em cima de se eleger por tal estado, mas isso é outro assunto) assim como praticamente ninguém se importava com os Guarani Kaiowá e só foram nessa pra se pagar de defensores do meio ambiente e das “culturas tradicionais” contra o “grande vilão” pintado no “agronegócio”.

    Aprendam: Aqui no Brasil só existe defesa dos desassistidos quando há interesse de grupos cheios de demagogia (em especial, por parte dos alinhados do lulismo) no sentido de tentar tirar vantagem política as custas disso. A famigerada LEI DE GÉRSON nunca falha por aqui.

    • Corrijo, no que diz respeito a Belo Monte, bem, foi uma coisa contra a qual os ativistas foram protestar por mera conveniência política e que mesmo assim avançou por conta do forte lobby no alto escalão com a Odebrecht pagando caro pro universo de grupos de interesse que poderia atrapalhar tal obra não meter a boca no trombone.
      Se tivesse em condições e cara de pau pra tanto iria pro Amapá com painéis termovoltaicos, que nesse momento seria uma coisa que venderia como água.

  • Eu não voto nem nos daqui, não me interessa eleição nos EUA. A partir deste ano tá bem fácil não votar, se baixar o app E-Titulo imprime as multas de 3,51 pelo celular e se justificar que faltou pelo coronavirus nem multa paga!

    • Pra justificar, requer provas, ou seja, anexar teste positivo, atestado, coisa assim. Melhor arcar com a consequencia (a multa) da escolha de não fazer uma escolha do que mentir sobre isso.

  • “O Brasil estava distraído num ciclo de bobagens intermináveis, discutindo sobre o que era ou não verdade, enquanto a verdade estava esperando por uma reação decente num canto afastado do país.” O Somir resumiu com precisão o que foi esse Desfavor da Semana com essa frase. Nada mais tenho a acrescentar. E eu já venho fazendo há mais de 30 anos duas coisas sobre as quais a Sally falou muito bem no texto dela: N.º 1 – Só apontar os problemas dos outros depois de ter colocado a própria casa em ordem N.º 2: – Focar no que realmente importa porque essa coisa desagradável chamada realidade, cedo ou tarde, sempre nos atinge sem ligar para o que pensamos. E, além de fazer, eu também venho dizendo isso a muita gente. Pena que ninguém nunca escutou…

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