Hoje, sob um altíssimo risco de acabar bostejando em quatro páginas, vou desenvolver a seguinte ideia: a marcha do mundo moderno rumo à igualdade não é sobre empoderar mulheres, muito pelo contrário, é sobre retirar delas o poder de modelar a sociedade. Não é uma rebelião contra o homem, e sim contra a mulher. E isso tende a ser ruim para todo mundo.

Conhecendo o público do Desfavor, eu aposto que você já está tentando prever para onde eu vou, um pouco pela experiência de textos anteriores, mas muito mais pelo o que já pensa sobre o tema. Eu provavelmente vou atacar o feminismo histérico que reclama de banalidades e faz vistas grossas para abusos vindos de classes consideradas marginalizadas. O clássico de exigir mulheres gordas em propagandas de moda e esquecer que os refugiados que aceitam de braços abertos praticam mutilação genital feminina…

Não era um mau palpite. Mas, eu quero ir mais fundo do que isso. Vamos pensar sobre o tecido social humano: como as pessoas se organizam em comunidades e como as estruturas de poder se formam. Convencionou-se dizer que quase toda nossa história foi marcada pelo patriarcado: homens em posições de poder e mulheres em segundo plano. E, com raras exceções, é isso que os registros da antiguidade demonstram e ainda nos dias atuais como boa parte do mundo pode ser descrita.

Homens tendem a ter mais posições de poder na nossa sociedade. Agora, o que eu quero colocar em dúvida aqui é quão prático é esse poder. Por tudo o que entendemos desde a pré-história, os papeis sexuais da humanidade numa comunidade eram bem definidos entre homens e mulheres, eles tentando prover, elas tentando cuidar. Não se engane vendo séries como Vikings e achando que mulheres tinham posição ativa fora de casa como guerreiras, comerciantes e líderes, simplesmente não é o que os registros apontam; com pouquíssimas exceções, são fabricações dos tempos modernos.

Eu não estou falando sobre a capacidade de fazer as coisas, estou apenas mencionando o que se sabe sobre a história da nossa espécie. Dizer que homens e mulheres em geral são melhores ou piores numa atividade normalmente é terreno arenoso: talvez na média, mas sempre tem muita gente fora da média. E às vezes é complicado definir exatamente porque a média funciona de um jeito ou de outro, existem muitos fatores, alguns genéticos, mas muitos outros sociais. E aí, a complexidade explode de tal forma que fica complicado testar as hipóteses.

Será que homens são realmente mais indicados para lutar em guerras? Será que mulheres são realmente melhores em cuidar de crianças? Tudo indica que sim, mas ainda não temos resultados em larga escala o suficiente para dizer que o inverso não seria melhor. O ser humano se habituou a fazer as coisas de um jeito, provavelmente o jeito mais fácil, já que essa costuma ser a regra de ouro da natureza.

E é aqui que eu volto para o ponto da praticidade desse poder masculino definido pelo patriarcado. Por um lado ter as estruturas de poder ao seu dispor faz muita diferença sim, mas por outro, gera uma carga de responsabilidades igualmente diferenciada. Pense no seguinte: decidir como sua família vai usar os recursos do dia a dia te coloca sob uma pressão totalmente diferente de decidir como todas as famílias da sua região vão utilizar as reservas de grãos da vila. Bobagem discutir o que é mais importante, mas é essencial perceber a diferença fundamental.

E nem precisa poluir a mente com guerra dos sexos aqui: imagine o grupo A, que age em escala mais familiar, e o grupo B, que age numa escala comunitária. O grupo A conhece as pessoas com as quais convive, tem laços poderosos de afeto com elas, mas até por isso acaba enxergando pouco do que acontece fora desse núcleo familiar. O grupo B lida com gente que não conhece e entende muito bem, quase sempre completos desconhecidos com ideias e desejos opacos para observadores externos. Isso infelizmente ocupa a pessoa de tal forma que também a torna meio cega ao seu próprio núcleo familiar.

O grupo A toma decisões mais bem informadas sobre pessoas que tendem a aceitar suas escolhas e perdoar seus erros. O grupo B toma decisões mais frias e técnicas, com uma chance muito maior de desagradar, mesmo quando não cometem erros (e cometem muitos erros). Se você tivesse que escolher entre grupo A e grupo B para ter ferramentas de controle sobre outras pessoas, qual deles parece mais necessitado? Se você tivesse que fornecer uma educação mais robusta para um grupo em detrimento do outro, qual seria o grupo que mais parece tirar proveito disso?

O grupo B, não? Trabalham com uma margem de erro muito menor por não terem laços afetivos com a maioria dos impactados por suas decisões, por isso dependem de um nível superior de poder para sobreviver. E como suas decisões são mais abrangentes, a capacidade técnica para suas funções precisa ser muito maior. O grupo A é essencial para manter as famílias viáveis e por consequência permitir a existência da comunidade, e é aí que entra o grupo B, que muda seu foco para fora de casa para dar conta das inúmeras dificuldades que surgem a partir desse desenvolvimento social.

Alguém tinha que sair de casa, e pareceu mais óbvio colocar o homem nessa função. Afinal, eles já tinham uma função muito mais externa antes disso. Essa sim altamente influenciada por questões genéticas. Cérebro para tomar decisões técnicas e até mesmo frieza para as escolhas difíceis as mulheres têm, mas quando a questão era basicamente sobreviver com caça, coleta e enfrentamento de predadores e/ou adversários o tempo todo, os músculos extras realmente faziam a diferença. Depois de muitos milhares de anos, a humanidade acabou muito mais especializada: mulheres excelentes em manter coesão social e cuidar dos mais novos, homens excelentes em enfrentar perigos e desenvolver estratégias de sobrevivência.

Era óbvio que colocar o ser humano moldado a ferro e fogo pela evolução numa casa do lado de um plantação não ia mudar toda essa lógica. Quem já era bom em tocar a unidade familiar continuou fazendo, quem tinha maior potencial de gerir as coisas fora dela foi se especializando também. Homens e mulheres sempre trabalharam horrores, muitas vezes na mesma função. O ponto nunca foi sobre quem se esforçou mais, e sim para onde esse esforço estava apontado. Pra dentro de casa ou pra fora de casa.

Leitores e leitoras mais inquisitivos podem estar começando a preparar uma bateria de “quem disse?” em cima do meu argumento. “Quem disse que homem precisa fazer uma coisa e mulher a outra?”, “quem disse que precisamos levar isso em consideração no século XXI?” e muitos outros. Questões válidas, claro. Mas, o meu ponto não é um apelo à tradição ou uma exigência da manutenção de papéis sexuais milenares. É uma análise sobre o que isso fez com a humanidade e sobre como isso se desenrola a partir daqui.

Eu estou montando o meu argumento com as seguintes bases: esses papéis sexuais clássicos não são uma invenção aleatória e sim um resultado previsível da evolução humana, e também que muito do que se chama de patriarcado atualmente são as ferramentas que permitiram que homens mudassem sua especialização durante essa evolução. Esse era o preço do poder. Preço que durante muitos e muitos séculos, mulheres não precisaram pagar. A especialização em manter núcleos familiares vem com ônus e bônus.

Não há diferença genética entre curiosidade e capacidade intelectual (óbvia) entre homens e mulheres, em tese elas poderiam ter seguido esse caminho para fora de casa também, especialmente depois do aperfeiçoamento do Estado para protegê-las da lei da selva. Mas, elas não o fizeram. Ficaram em casa. E aqui, você pode enxergar as coisas por dois caminhos: no primeiro, os homens usaram de violência (física e psicológica) para prendê-las dentro de casa, como parece ser a visão mais comum entre as pessoas da era moderna. Mas existe outro ângulo:

As mulheres expulsaram os homens de dentro de casa porque era a posição mais vantajosa e elas já tinham muito mais experiência (e vantagens evolutivas) para fazer esse serviço. Pense comigo: entre sair de casa para enfrentar estranhos, muitas vezes em guerras ou ficar em casa para cuidar da sua família, o que gera a maior chance de sobrevivência? O que gera o maior conforto no longo prazo? Trocar espadadas com inimigos raivosos ou cuidar de galinhas e crianças? Só homem mesmo para achar bacana arriscar a vida ou viver sob pressão de desconhecidos sem nenhum laço afetivo com você. É óbvio que a posição mais valiosa nessa dicotomia de sexos da humanidade é a posição de ficar em casa.

O ponto de vista masculino, que eventualmente domina toda a nossa cultura (quem estava fora de casa fazendo essas coisas?), diz que enfrentar perigos desnecessários ou ter um carreira de muito prestígio com estranhos é sempre o objetivo mais valioso. Será que é mesmo? Será que ser a dona de uma casa e ter todos os membros da família e comunidade mais próxima vivendo sob sua influência, tudo isso protegida de vários perigos da mundo externo, não é algo que vale pelo menos tanto quanto?

E aí, a dúvida central deste texto: será que o feminismo moderno não é baseado no que os homens acham melhor? Um dos erros mais comuns ao analisar a história da humanidade é achar que as pessoas eram idiotas. Mulheres não eram imbecis passivas por milhares de anos e só passaram a usar o cérebro depois que uma queimou um sutiã. Foram milhares de anos vivendo nesse mundo, analisando a cada geração o que era mais vantajoso. Não dá para tocar a humanidade sem as mulheres, é literalmente impossível avançar a civilização sem a cooperação quase que total delas. Se a nossa história fosse apenas opressão sem nenhuma contraparte para elas, você não conseguia segurar uma vila funcionando, quanto mais um país. Quando as casas começam a se desfazer, a comunidade vai junto.

Alguma coisa quebrou esse pacto entre os sexos, especialmente nas últimas décadas. O valor de ser a dona de uma casa ficou menor. E aí, parece uma conjuntura de fatores: a vida nas cidades começa a tornar impossível o foco no núcleo familiar, o acesso à educação acaba demonstrando que na prática a mulher consegue sim fazer funções consideradas masculinas, e muito provavelmente tantos e tantos anos de indústria cultural valorizando as características do “grupo B” tenham finalmente surtido efeito.

Acabamos com uma ideia bem paradoxal: o feminismo é a revolução contra a mulher. Coloca num pedestal valores historicamente masculinos e rejeita o que sempre foi uma identidade feminina como algo inferior. Eu juro que não quero fazer uma provocação, mas a conclusão é que feminismo é uma teoria de supremacia masculina. “Para ser uma mulher de valor, seja um homem”.

Mas… nem tanto. Isso sim é uma provocação: enquanto as mulheres tiverem direito ao voto, nunca teremos alistamento militar obrigatório para elas. Resquícios da parte esperta que há alguns milênios mandou o homem ir caçar alguma coisa e parar de encher a paciência na casa dela. A questão aqui é que o patriarcado tem um preço para os homens: as vantagens recebidas eram compatíveis com as dificuldades encontradas. As mulheres da antiguidade sabiam que nada viria de graça: quem estivesse fora de casa teria oportunidades enormes, mas correria riscos equivalentes. Para cada bônus, um ônus. Essa coisa de não querer encarar os problemas decorrentes de um novo papel social sugere que não foi algo realmente planejado por elas.

O problema é que isso não se resolve só com igualdade. Essa identidade histórica masculina pode até ter caducado como exclusivamente masculina, mas ainda não foi definida para as mulheres. O quanto elas estão escolhendo agir dessa forma e o quanto é uma enorme confusão causada pelo mundo moderno? O homem abraçou a ideia de ser coadjuvante do lar e correr riscos cada vez maiores, havia uma predisposição. Mas vendo todos esses problemas de mulheres infelizes com essa vida “fora de casa”, parece que foram enganadas. Acharam que teriam as vantagens da escolha antiga com as vantagens da nova escolha. Ou pior: não foram avisadas que estavam fazendo uma escolha diferente de seus antepassados. Aliás, posso pensar em algo pior: não era uma escolha. A economia moldou as coisas de tal forma que o papel feminino clássico não podia mais se sustentar.

Então deixa eu voltar para redefinir aquela frase sobre o feminismo: o feminismo é a adaptação da mulher a um mundo que ficou sem lugar para ela. O patriarcado não vai cair porque as mulheres não o querem mais, vai cair porque elas não conseguem mais sustentá-lo. Era a única coisa que mantinha uma divisão e permitia uma escolha. Matriarcado só seria uma inversão de grupo A com grupo B.

Quando a escolha acaba e você vê uma sociedade de mulheres focadas em trabalho, liderança e até mesmo defeitos masculinos clássicos como promiscuidade e desapego à própria integridade física, dá a impressão que dos dois modelos de papéis sexuais, o historicamente masculino venceu por unanimidade. Eu acho que tem algo de muito errado aí que já está influenciando as novas gerações… o Estado vai ter que segurar a bronca de núcleos familiares cada vez mais fracos. Não sei se vai ser algo muito natural para uma sociedade cada vez mais “masculinizada”.

Veremos.

Para dizer que foi um jeito criativo de dizer que queria uma mulher para lavar minhas cuecas, para dizer que seu sexo sofre mais ou menos que o outro, ou mesmo para dizer que o futuro é aquela cor marrom que aparece quando se mistura todas as tintas: somir@desfavor.com

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Comments (44)

  • Feminismo atualmente serve para fortalecer os estados Socialistas / Comunistas é o Marxismo 2.0, liderado por Homens bilionários e vai foder com todas as Mulheres e com os Homens de classe média ao mesmo tempo, parabéns suas Feministas gênio ! Vamos virar Cuba, VeneZuela… Massa de manobra do caralho.

  • Se eu puder ter o melhor dos dois mundos, eu vou ter! Ingênua é quem cai nesse papinho dual. Vou ser manipuladora sim, fingir pobreza (para não ter que dividir a conta) e ainda me aproveitar do feminismo quando for conveniente.
    Obs. Lamento pelos promíscuos, pelos utilizadores de prep e prop, a sífilis é endêmica no rj e deve ser em outros estados tbm; o uso da camisinha não é o suficiente para barrar a contaminação e, com frequência, o sus não disponibiliza o tratamento pq não tem bezetacil.
    Obs.: Escola Sally Surtada de Relacionamentos.
    Obs.2: Iara Dupont teria um ataque com este texto.

  • Acho meio sem sentido ser dona de casa se não tiver filhos pequenos (menores de 10 anos eu diria), mas cada casal entra de acordo com o que acharem melhor.
    E sim, mulher tentando fazer LARP de homem é vergonhoso. Não falo de quem gosta de verdade de “coisas masculinas”, mas aquele tipo de mulher “sou diferente das outras meninas, não gosto de saia, não gosto de maquiagem, gosto de esporte, atividades no mato, não tenho medo de me sujar”. Hm… parabéns?
    Felizmente, é só uma minoria e as pessoas no geral não dão a mínima pra essas coisas.

    • Acho isso ridículo também. Tudo biscoiteira querendo atenção e um tapinha nas costas. Pior é que elas realmente acham que estão afrontando alguém com isso. “Ah, vai ter mulher jogando videogame sim”, tipo… Quem se importa???

      O curioso é que quem realmente gosta dessas coisas não fica dando showzinho na internet.

      • Lembrou daquele episódio dos Simpsons da Lisa querendo jogar futebol americano com os meninos achando que ia chocar todo mundo por ser a única jogadora. Mas aí o Flanders pede pra ela se juntar com as outras meninas do time, a Lisa desanima e desiste.

  • Adorei o texto Somir. Tenho três meninos menores de 4 anos, um deles ainda bebê e atualmente trabalho fora 10% do que já trabalhei. Me sinto super realizada com a volta ao lar e hoje tenho estudado e me preparado para conseguir criar homens fortes e equilibrados psicologicamente.
    Considero meu casamento uma espécie de sociedade, onde eu e meu marido temos funções bem definida para atingir o sucesso sentimental, material e espiritual da nossa família. Com essa parceria temos crescido muito em todas as esferas.

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    (Feminist)Ana94

    Eu costumo comentar que o patriarcado existiu, existe e sempre existirá em partes graças a conivência das próprias mulheres. Se isso é ruim ou não, varia de mulher pra mulher, com seus critérios pessoais, e fico feliz de vivermos numa era em que escolhas são possíveis. Aliás, feministas de terceira onda e agora essas neofeminazis SJW adoram comer dos dois pratos: ter as benesses proporcionadas por homens como avanços tecnológicos (homens ainda são maioria dos inventores), cavalheirismo, proteção de perigos e salários/cargos maiores pra aliviar pro seu lado, e ter as benesses feministas como preferência nas varas da família, Maria da Penha, leis para crimes especificos como feminicídio…
    Mas, experimenta só comentar isso no meio de feministas ou de pessoas não muito filosóficas: se pudessem te acertavam com um tiro de uma .47 no meio das fuças.

    • As mulheres também costumam ter pena reduzida em relação ao homem nos mesmos crimes cometidos, mas vê se alguém fala isso…

    • “homens ainda são maioria dos inventores”
      Que diferença faz se a maioria dos inventores forem homens ou forem mulheres?

  • Ficar em casa nem sempre é essa maravilha familiar de comercial de margarina.
    Dependência economica é algo tóxico para as mulheres, culmina em todo tipo de violência.
    As vezes eu me pego pensando que prefereria ficar em casa do que trabalhar todo dia. A bosta é que os homens não colaboram, não colaboraram historicamente. Como se não bastasse superioridade física, ainda tinham o controle da renda.
    A mulher que não quer aturar merda sai em busca da independencia financeira.

    Eu era vizinha de um casal classe media alta, o homem trabalha e a mulher passa o dia em roupa de ginástica passeando com o cachorro, eles não tem filho (humano). De vez em quando ele falava umas bostas pra ela, no estilo “a casa é minha” “o que você ainda tá fazendo aqui na minha casa”.
    Eu hein… prefiro ser humilhada no mundo corporativo, que pelo menos tem um verniz de respeito.

    • Situação perfeita não existe mesmo. Mas aí é bom não comparar papéis masculinos e femininos clássicos em graus diferentes de sucesso. Sucesso fora de casa deve ser comparado com sucesso dentro de casa, e fracassos idem. Quem acaba dentro de uma casa com um homem babaca não é uma história de sucesso, assim como alguém que nunca para num emprego e não cresce na carreira não é uma história de sucesso também.

      Muita gente deve lembrar de uma vó ou outra parente mais idosa que era autoridade indiscutível dentro da família, o ponto centralizador. Nunca ganhou um salário, não era conhecida fora do núcleo mais próximo, mas teve capacidade de manter uma família coesa e ser respeitada por pessoas que demonstram muito afeto por ela. Criou um monte de filhos, netos e às vezes até bisnetos. Normalmente quando ela morre, a família vai se afastando. O que eu me pergunto no texto é se não tem algo errado em dizer que isso não é um modelo de sucesso na vida.

      Cada um que faça o que quiser, o importante é ter a escolha.

    • O cara que compra suas calcinhas depende de você pra lavar as cuecas dele, então não sei se é preferível ter “verniz de respeito” só pra não te zoarem de Amélia. O meio profissional também é hardcore, e exige que você seja incrivelmente saudável, pois se você tiver uma doença ou mesmo uma gravidez, complica. Muitas escolhas ou caracteristicas pessoais nossas (beleza, idade, peso, se temos filhos ou não, se somos “faladas” por aí) podem até definir se vamos ter uma vaga ou não. E toda a pressão, competitividade, necessidade de ser alfa o tempo todo, ter seus filhos criados por outrem, e às vezes assédio sexual também cobrarão sua conta um dia.
      E já tive patroas, inclusive. “Mulheres de respeito”. Foi um inferno (gritaria, choradeira, ameaças de que vai te expor na internet, mais choradeira, ameaça te caçar e te matar, ofensas a sua sexualidade, mais choradeira de novo, vitimismo, frustração com problemas pessoais delas como casamento tá indo de mal a pior sendo descontada em você). Mulheres comandando mulheres também não costuma ser menos pior que os homens, seja na esfera profissional ou do lar. Quem nunca ouviu merda de mãe/tia/avó/etc em casa? Aí tá liberada humilhação?
      E passarinho que come pedra sabe o cu que tem. Mulher que aguenta esculacho POR ANOS de maridinho sem fazer absolutamente nada nunca, creio ser por algum ganho secundário ou manipulação braba (igrejas e submissão feminina, por exemplo). Dá no mesmo que homem que casa e se mata de trabalhar mesmo que seja pra terminar com divórcio e pagando pensão vendo os filhos de vez em quando. Homem que assumiu esse risco também teve seus ganhos, não adianta ficar ressentido com todo o sexo feminino depois.

      • “Mulher que aguenta esculacho POR ANOS de maridinho sem fazer absolutamente nada nunca, creio ser por algum ganho secundário ou manipulação braba (igrejas e submissão feminina, por exemplo).”

        É o que eu sempre falo, mulher só aguenta levar tapa na cara por duas razões: dinheiro e carência. O que eu já vi de mulher (inclusive na minha família) aguentando desaforo por causa desses dois motivos não tá escrito.

      • “Mulheres comandando mulheres também não costuma ser menos pior que os homens, seja na esfera profissional ou do lar.” É por isso que não coloco a mão no fogo por mulher nenhuma. As pessoas esquecem que mau caratismo independe de gênero. Na minha família, minha avó foi morar sozinha para fugir dos abusos do marido, mas depois passou a maltratar os filhos/filhas, além de exigir que as filhas casassem a qualquer custo. O discurso deveria mudar, ela devia dizer para as filhas serem independentes para não ficarem a mercê de abusos. Parece que é difícil mudar a mentalidade afinal. Também achei interessante o Somir comentar que homens as vezes podem se sair bem em tarefas consideradas “femininas”. Tem muito pai que cuida muito melhor dos filhos do que muita mãe desnaturada por aí.

  • O feminismo contemporâneo sofre dos mesmos problemas crônicos presentes em movimentos de caráter identitário, onde entra movimento negro, LGBT+ e a turma que reclama de “gordofobia” por exemplo.

  • O casal moderno é formado por um mongolão (feministo) e uma feminista. O que poderia dar errado? Um amigo meu engravidou uma guria e olha só, ele fica em casa cuidando da criança enquanto ela vai trabalhar que nem uma desgraçada para sustentá-los. Aplausos.

        • Nesse caso é um lesadão daqueles que só joga vídeo game o dia todo. O problema é que ela escolheu isso e ainda acha ruim. Mas o cara tá lá, de boas sendo sustentado.

      • Sim, não há problema (aparentemente). Tirando o fato dela reclamar que ele não colabora em nada financeiramente pra criar o filho, tá tudo ok. O cara não tem estudo, casa, emprego, é sustentado pelos pais (ainda) etc. Mas o que importa é ser empoderada.

  • Avatar

    Wellington Alves

    Perfeito, Somir! É isso porque você só abordou o lado mais profissional da coisa. Quando se entra nas questões comportamentais é que piora. ao invés de exigirem uma mudança de postura dos homens, elevando o nível, elas simplesmente querem que a mulher reproduza o que há de pior neles. Ex: ”Se o homem transa com geral, nós também podemos!” Como se a mulher não fosse diferente sentimental, física e psicologicamente. Acham que a mulher transar no primeiro encontro e ainda pagar o motel é sinal de independência e um grito contra o patriarcado. quando na verdade estão formando uma geração de homens mais folgados ainda. Homens que não se esforçarão por merecê-las.
    Além de oprimirem aquelas mulheres que não gostariam de agir assim mas, para não serem taxadas de anti-feministas, acabam se violentando em nome de uma causa que não é a delas.

    • Sim, embora eu não tenha certeza se é uma reprodução de um real ou se é uma arte inspirada num deles. Mas eu procurei por imagens com essa estética mesmo.

  • Reducionismo falacioso que deliberadamente ignora a contestação feminista acerca das imposições capitalistas às funções femininas dentro de uma sociedade em que tudo é mercadoria.
    No mais, serviu para aglutinar relinchos reacionários na caixa de comentários.

    • Então o texto é reducionismo falacioso por ignorar algo que é o ponto central da conclusão? Ou é dificuldade de interpretação de texto, ou é antagonismo por antagonismo. Não adianta esconder argumento furado atrás de um vocabulário rebuscado, pelo menos não com quem está prestando atenção.

      • Claro, defender que mulheres são incapazes (ou que simplesmente não deveriam fazer) papeis masculinos não é reducionismo, mesmo com essa capa de sofisticação de argumentos pretensamente profundos. Na verdade, deve ser incômodo com a ascensão feminina mesmo.

        • DAONDE você tirou isso do texto que eu escrevi? Eu não disse que eram incapazes e não disse que não deveriam fazer, inclusive o texto faz essas ressalvas seguidas vezes. Você traduziu o texto para russo antes de ler?

  • Texto polêmico! Esconde esse texto de umas feminazis aí antes que dê treta pesada! Haha

    Aliás, Somir, tu andou lendo bastante Foucaut, não? A ideia do texto é bem interessante, mas não sei até que ponto ela cola na realidade, ou até que ponto é válido se opor a ela.

  • esse papo de gênero é um disfarce bonitinho pra um processo de esterilização voluntária de parte da população

  • “o Estado vai ter que segurar a bronca de núcleos familiares cada vez mais fracos.”
    Tem uma bomba-relógio fazendo tic-tac neste instante:
    -Pessoas cada vez menos interessadas em casar e ter filhos (ou mais de 1 filho) e “salvar o ocidente”, como diriam os tradcons;
    -Menos jovens, mais idosos;
    -Cada vez mais pessoas trabalhando na informalidade/autonomia (encomenda de doces, camelô, Uber, IFood etc.) e contribuindo menos nos impostos, fora que a maioria não tem muita noção de investimentos e economia, então não estão preparando dinheiro pro futuro;
    -Governos hesitantes em fazer reformas, nenhum político quer ficar marcado como “o malvado que tirou o welfare do povo”, fora a boa e velha corrupção.

    Os governos de países ricos estão apostando suas fichas nos imigrantes e refugiados, estão contando que vão conseguir integrá-los à sociedade e transformá-los em cidadãos pagadores de impostos pra sustentar as coisas por mais algumas décadas. Os países pobres estão basicamente servindo de berçário pra formar “neo-europeus” e “neo-americanos”. Mas tem alguns poréns:
    -Migrantes que não vão ter filhos;
    -Taxas de natalidade caindo nos países-berçário (fora que a melhoria na qualidade de vida e estabilidade política nesses países vai desencorajar a migração).

    Conclusão: planeje sua aposentadoria você mesmo, não conte muito com a previdência estatal.

    • Eu trago o foco dos papéis sexuais históricos para humanizar a ideia, mas não deixa de ser uma questão econômica também. A humanidade se acomodou num modelo que não tem mais tanta conexão com o Estado na sua concepção original. O Estado era o patriarcado. E quando um cai, o outro vai junto.

    • também é bom lembrar que boa parte dessas pessoas na informalidade, mesmo que tivessem conhecimento e interesse em investir, não sobra nada pra investir, o dinheiro é pouco… e acaba valendo mais a pena viver o agora.

  • Muitas mulheres críticas do feminismo já falaram algo semelhante, feministas desprezam a “figura feminina” e fazem de tudo pra se tornarem “masculinas”. Pura inveja do pênis.

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