Fora Bolsonaro?

Bolsonaro coleciona fracassos e bizarrices no seu mandato como presidente da república, especialmente no que tange o combate à pandemia. Sally e Somir concordam que as coisas vão mal, mas discordam sobre a forma de contornar a situação. Os impopulares votam.

Tema de hoje: o impeachment de Bolsonaro seria uma boa coisa para o Brasil?

SOMIR

Vou ter que ir de não, meio a contragosto. Uma parte minha clama por alguma consequência por tantas decisões horríveis e incompetência, mas essa é a minha parte idealista. Gosto dela, mas não a deixo assumir o controle. A questão aqui é que o Brasil está recebendo uma lição e é contraproducente expulsar o professor antes de bater o sinal.

E que lição é essa? A que o problema é maior do que o presidente em exercício, é a mentalidade do povo mesmo. Pode parecer o lado idealista falando de novo: onde já se viu brasileiro aprender alguma coisa? Vejam bem, não estou dizendo que o cidadão médio vai colocar os neurônios para funcionar e perceber os grandes problemas estruturais do sistema brasileiro, e sim que lentamente começa a perder a esperança de um salvador da pátria.

Não adiantou colocar esquerdista, não adiantou colocar direitista, o país continuou girando em falso como faz há séculos: parece que vai começar a funcionar por alguns anos, mas logo volta para uma longa sequência de crises que desfazem a maioria dos avanços anteriores. O país do futuro vai ficando no passado, presidência atrás de presidência.

E para que essa ideia de que não vai aparecer ninguém para nos salvar finalmente entrar na cabeça do povo, é importante deixar os governos seguirem seus cursos. Cada vez que acontece um impeachment, é como se resetasse alguma coisa na cabeça do brasileiro e ele voltasse a acreditar que da próxima vez vai funcionar. Apostou no cavalo errado, mas cancelaram a corrida no meio!

Democracia é um processo lento que visa distribuir a responsabilidade do país para o povo, e para que isso aconteça, precisamos de tempo para nos acostumar a fazer pequenas mudanças para gerar grandes resultados no futuro. Impeachment é um recurso legítimo, não estou negando, mas para o caso brasileiro, é um reforço da mentalidade imediatista que não nos deixa sair da estagnação.

Quando eu falo de aceleracionismo, eu falo principalmente de deixar as coisas tão apertadas que forcem esse povo a se unir um pouco mais, não para resolver um problema pontual, mas para garantir sua sobrevivência no longo prazo. Não adianta que o Brasil tenha um problema que o povo ache que resolve em uma sessão do Congresso e uma do Senado.

Se o governo Bolsonaro for interrompido agora, acontece o pior dos dois mundos: não se resolve o problema verdadeiro (um segundo turno entre Lula e Bolsonaro em 2017), mas faz o povo achar que alguma coisa foi feita. Não foi.

Porque assume o Mourão, que também não parece ter a menor ideia do que está fazendo ali. O Centrão continuaria agindo em causa própria e ninguém saberia mais quem é situação e quem é oposição. Gostamos tanto assim do governo do Temer para querer outro? Infelizmente o Brasil está tomado por gente muito burra que não tem noção nenhuma do que está acontecendo e uma meia dúzia de espertos que continuam enriquecendo às custas do tesouro nacional.

Impeachment parece uma mudança grandiosa, mas na verdade é uma parte integrante do sistema democrático. Hora da analogia horrível: quando montaram a casa que é o Brasil, lembraram de colocar uma fossa séptica. Tirar o presidente não é derrubar as paredes da casa ou começar uma reforma, é apenas jogar um balde de merda na fossa. O verdadeiro problema é que os habitantes dessa casa cagam em tudo quanto é cômodo, tirar um balde é melhor do que não tirar, mas ainda sim o chão está todo cagado.

A merda que o presidente faz é mais fedida sim, por isso chama mais atenção, mas não é a única que torna a casa desagradável, nem de perto. Então, já que o povo parece tolerar com o próprio cheiro ruim, a única forma de forçar os habitantes dessa casa de limpar o lugar onde vivem é deixar seguidos governantes empestearem a casa. Quando o brasileiro entender que tem que limpar a própria merda, aí sim vai fazer diferença se preocupar com a do presidente. Chega da ilusão que tirar aquele baldinho de merda do presidente resolve alguma coisa.

Democracia é um processo, como eu disse. Não dá para ficar mudando de ideia o tempo todo e esperar que o povo entenda o peso do seu voto. Tem que pagar o preço. Tem que pagar o preço por todo o tempo que escolheu ter aqueles governantes. Só assim podemos esperar algum senso de responsabilidade.

Se Bolsonaro fosse expulso por ser excepcionalmente incompetente, eu até entenderia, mas sabemos que se acontecer, não vai ser por isso: vai ser por perder a imagem de salvador da pátria para aqueles que ainda projetam nele essa imagem. Adianta tirar a pessoa de lá se o povo não entende por que a pessoa não é apta para o cargo? Capaz de elegerem um filho dele na eleição seguida.

O crime do presidente não pode ser incapacidade de operar milagres e resolver o Brasil sem a cooperação do brasileiro, e como eu tenho certeza que a maioria da população enxerga a situação assim, não acredito mais na validade dos impeachments brasileiros. Está na hora de aprender pela dor. O tempo do amor acabou. Enquanto Bolsonaro estiver fazendo merda por vias legais, está colaborando para um projeto muito maior que ele.

Acelera, Brasil!

Para dizer que não quer impeachment para não ouvir os discursos dos votos de deputados, para dizer que quer impeachment obrigatório a cada ano, ou mesmo para dizer que preferiria estar reclamando do Lula agora: somir@desfavor.com

SALLY

O impeachment do Bolsonaro seria bom para o Brasil?

Sim, com certeza. Em um primeiro momento, a curto prazo, a situação melhoraria, isso é inegável.

O fato de um Presidente da República ter sido eleito democraticamente não lhe dá o direito de sair fazendo o que bem entender. Ele tem que agir em nome do povo, para o povo. Se não o fizer, existe um mecanismo legalmente previsto para destituí-lo. Não estamos falando de causar um dano à democracia ou algo do tipo, seria agir totalmente dentro da lei.

Mas, o brasileiro parece estar mais ocupado culpando quem votou no Bolsonaro do que se mobilizando para tentar fazer valer um mecanismo legal previsto para destituir quem age contra os interesses do povo. Qualquer Presidente pode se voltar contra seu povo, o que as pessoas têm que aprender é que a culpa não é de quem vota e sim de quem o mantém ali uma vez que se provou que ele age contra os interesses do povo. Mas, entrar por esse caminho é perder tempo, gente errada precisa sempre encontrar erro nos outros para se sentir melhor, isso nunca vai mudar.

Vamos partir para a parte prática: não tem um político decente no Brasil. São todos despreparados, corruptos e sem caráter. Porém, existem gradações. E é nessas gradações que me baseio para dizer que sim, pode vir coisa melhor do que o Bolsonaro neste momento específico de pandemia.

Surgiu do nada, de forma imprevisível, uma situação que só pode ter resolução pela ciência em um momento em que o Brasil tinha um Presidente da República extremamente ignorante, orientado por um terraplanista, no poder. Essa combinação escrota pode ser desfeita. Não quer dizer que o próximo Presidente será bom e resolverá tudo, transformando o Brasil em um lugar de igualdade. Não, não vai. Vai roubar, vai mentir, vai enganar, vai ser escroto, vai ser incompetente, vai ser corrupto. Mas, se acreditar na ciência, vai melhorar a situação do Brasil.

O país foi eleito o pior lugar do mundo para estar na pandemia e o Bolsonaro foi eleito o Chefe de Estado que pior lidou com a pandemia. Isso mostra que, basicamente, qualquer um que entre no seu lugar e tenha a decência de deixar o Ministério da Saúde nas mãos de quem tenha conhecimento técnico vai gerar uma melhora para o país. Vai resolver a pandeia? Não, pois o problema principal é o brasileiro, não seu Presidente. Mas alguma melhora, mesmo que pequena, seria sentida.

Não digo que outro Presidente seria uma pessoa melhor. É uma questão de inteligência: quando fábrica fecha por não ter um trabalhador saudável que possa produzir, quando o sistema de saúde colapsa e gera uma despesa de bilhões, quando o povo morre como moscas, é ruim para todo mundo, inclusive para o Presidente. Bolsonaro é muito obtuso para perceber isso, mas, se alguém que entre no seu lugar tiver meio neurônio, verá que é bom para todo mundo, inclusive para ele mesmo (novo Presidente), tentar conter a pandemia. Conseguiria? Não. Novamente, o problema é o brasileiro, mas o dano seria menor.

Então, não é que o Bolsonaro seja malvado e novo Presidente bonzinho. Bolsonaro é burro e não consegue sequer ver que é melhor para ele. Se vier um burro um pouquinho menos burro, verá que é melhor para ele (e políticos brasileiros só fazem o que é melhor para eles) tentar conter a pandemia. Continuaria havendo erro grotesco de distribuição de vacina, gente injetando ar em idoso, gente furando fila, erro na compra… mas seria menor.

Se fosse uma questão onde o bem-estar do povo conflitasse com o querer do Presidente, eu seria a primeira a dizer que não faria a menor diferença mudar o nome, pois qualquer político age pensando no seu bem-estar. Mas, como neste caso específico, um Presidente minimamente inteligente vai perceber que é bom para ele e bom para o povo, uma troca seria útil nesse sentido: não morreriam mil pessoas por dia como se nada, por meses.

O Brasil não tem solução. Sempre vai ser desigual, involuído, violento. Mas, na questão específica da pandemia, que é algo de considerável importância, visto que os brasileiros estão morrendo como moscas, um Presidente não negacionista conduziria melhor a situação. Seria perfeito? Claro que não, pois tudo é uma zona nesse grande mix de incompetência e corrupção, mas seria menos pior do que é hoje. E quando morrem mais de mil pessoas por dia, qualquer melhora faz uma grande diferença.

Claro, tem a vertente aceleracionista que a gente sempre defende: Bolsonaro está cumprindo seu papel em destruir tudo. Não vai demorar muito para o país virar um pântano, soterrado em embargos comerciais por causa de sua postura com a pandemia e com a preservação ambiental, sem recursos, sem parceiros comerciais, sem o respeito mundial e com a economia destruída. Parece ruim, mas a longo prazo é bom. Vai obrigar a surgir algo novo.

Aí, no fundo do poço, é quando as grandes mudanças acontecem. E elas serão muito bem-vindas e talvez mudem radicalmente a história do país. Dessa perspectiva a longo prazo, Bolsonaro está fazendo as coisas da forma mais eficiente possível. Seria o ideal? Óbvio que não. Mas aí, a culpa é do brasileiro, e apenas do brasileiro, que só aprende pela dor, só aprende na porrada, só aprende quando esfregam o focinho no mijo. Se aprendesse de outra forma, não precisaria dessa ferramenta chamada Bolsonaro para destruir o país.

Eu não mudo uma vírgula do que disse do período eleitoral até agora: eu tenho certeza de que o brasileiro só aprende assim, por isso o brasileiro precisa do Bolsonaro e merece o Bolsonaro e se depender de mim ele não sai, ele cumpre seu papel até o final de ensinar na dor a esse povo que é a exata mesma merda que ele o que acontece quando se escolhe ser uma bosta de povo. Só com muita dor e sofrimento o brasileiro vai olhar para si mesmo e começar a tentar resolver as coisas.

Porém, eu reconheço que se tirassem o Bolsonaro, o país de fato melhoraria. Uma melhora imediata, basicamente ia morrer menos gente. Como país, não melhoraria porra nenhuma, assim como o povo não melhoraria porra nenhuma. Apenas morreria menos gente. Acredito que, por mais que seja uma melhora pontual, a população a deseje. Não deve ser agradável morar em um país onde as pessoas amadas podem morrer a qualquer momento.

De qualquer forma, é uma discussão vazia, pois nem para isso o brasileiro serve. Ficam dizendo que não vão às ruas contra o Bolsonaro pois têm medo do vírus, mas vão para a rua bundear, pular carnaval, tomar sol na praia.

As antenas de celular não mentem: menos de 10% dos brasileiros estão de fato em casa se cuidando, o resto está saindo várias vezes por dia, inclusive finais de semana e lotando áreas de lazer. Para ir à praia saem, para tirar um cara que recusa vacina e deixa morrer mais de mil pessoas por dia rola um medo do vírus. Percebem como esse tipo de gente só vai aprender com muita porrada na cabeça? O brasileiro precisa e merece passar pelo inferno que o Bolsonaro vai colocá-los, caso contrário não vai mudar nunca.

O Brasil ficaria melhor sem o Bolsonaro por um único motivo: morreria menos gente. Não se iludam, não passa disso.

Para dizer que morrer brasileiro é uma coisa boa, para dizer que sente saudades do Temer ou para dizer que a Dilma caiu por menos: sally@desfavor.com

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Comments (20)

  • Falta um detalhe aí: “impeachment” é uma coisa épica, bonita, mas NÃO É voto de desconfiança. Bolsonaro é uma toupeira, mas não se tira presidente só por ele andar com as cuecas por cima da calça – ou a gente já teria exonerado o Suplicy quando fez esta besteira.

    Chegamos no ponto em que apenas uma mudança bastante radical, do tipo que implantaria o parlamentarismo na base da pancada, faria com que o Brasil tivesse governantes decentes, do tipo que não fazem xixi fora da bacia o tempo todo nas questões diplomáticas. O risco, contudo, é de não termos gente que representa o povo nos governando – caminho certo para ditaduras toscas de gente muito sem-noção.

    Creia, é melhor continuarmos sem governo do que termos um governo que se leve demais a sério.

  • …eu francamente acredito que outro presidente gerenciaria essa crise de uma forma tão ruim e pitoresca quanto o Bolsa de Cocô, só que com a bênção da imprensa nacional e internacional.

      • Sério, eu não tenho a menor dúvida de que se fosse um Haddad, um Ciro ou algum outro político padrão HUE, estaríamos na mesma situação, com um número parecido de mortes, com as quantias exorbitantes de dinheiro público sendo desviadas, vacinas hiperfaturadas indo pro lixo e presidente falando merda e promovendo remédio ineficaz na base do desespero (tipo o remédio mágico do Maduro), e claro, a economia indo pro caralho, mas a repercussão de tudo isso seria uma fração do que é hoje e praticamente toda a culpa disso seria a “crise econômica mundial em decorrência do COVID” e do brasileiro fazendo merda. O presidente, se estivesse dançando a música certa, seria só um figurante nessa história toda.

  • Olha, eu até entendo o argumento sobre a banalização do impeachment, mas poxa, ainda assim e neste caso, eu daria uma de desesperado, como se fosse um daqueles pacientes que chega no postinho morrendo de dor – seja lá qual – e pede desesperadamente pra aplicar um analgésico, qualquer coisa, pra passar aquela dor logo!

    O brasileiro (não todos, claro), está assim como o desesperado: não aguenta mais tanta insanidade desse desgoverno louco e dessa falta de organização e administração! Então, na base do desespero, qualquer coisa é melhor do que tá aí por agora.

  • Acredito que não ia mudar tanto, na verdade to meio cansada em pensar sobre, to tentando sobreviver e vendo as pessoas viajando, cagando pra tudo indo em bares e eu no máximo do máximo, saindo pra fazer exercício físico. A maioria na mini academia que meu namorado montou dentro da casa dele. Me sinto tão estupida que quero que o Br continue se fodendo de todos os jeitos possíveis mesmo. Caguei.

  • Sinto imensamente que um povo precise de um presidente que o puxe para a frente (igual a carroça que é puxada por um cavalo para transportar a sua carga)
    Quem tem dignidade e honra vive com seu próprio código de ética, aprendido com seus pais desde o berço.
    Um presidente não é ninguém no país que tenta presidir sem a concordância dos outros poderes, ele é apenas “O” testa de ferro dos atos dos outros poderes, quer queira quer não queira.
    Quem tem brios é totalmente a favor de um país anárquico e organizado.
    Somos uma democracia para inglês ver. Para que trocar presidente?
    Para que um país com milhares de leis onde a justiça é favorável a quem tem mais $$$ na carteira?
    Entra e sai presidente e continua sempre tudo igual.
    Trocam as moscas, a merda continua sempre a mesma.
    Escancara: agora perdemos até o direito de dizer o que pensamos.

  • Qualquer um que elegem, no dia seguinte já começam dizer Fora X, fora Y, fora Z. Assim não dá! Todo que entra leva impeachment? Se votou e se arrependeu, aprenda pra não errar na próxima. Aqui é o país do impeachment? Que palhaçada!

    • Não me parece que seja uma questão de arrependimento. Se você analisar a legislação sobre impeachment, vai ver que Bolsonaro preenche todos os requisitos para ser destituído do cargo em função de ilegalidades que cometeu.

  • Fico com o Somir nessa. Impeachment, no Brasil, já virou só mais uma “solução” imediatista que não ajuda em nada a atacar as verdadeiras raízes de seus problemas. E, assim como o país não se enfiou em toda essa merda da noite para o dia, também não vai sair do buraco de uma tacada só apenas por eleger ou apear do poder esse ou aquele. Ou, para usar as palavras do próprio Somir disse, “o problema é maior do que o presidente em exercício, é a mentalidade do povo mesmo.”. Mas o que me deixou triste mesmo foi o trecho que eu destaco aí embaixo:

    Vejam bem, não estou dizendo que o cidadão médio vai colocar os neurônios para funcionar e perceber os grandes problemas estruturais do sistema brasileiro, e sim que lentamente começa a perder a esperança de um salvador da pátria.

    Não adiantou colocar esquerdista, não adiantou colocar direitista, o país continuou girando em falso como faz há séculos: parece que vai começar a funcionar por alguns anos, mas logo volta para uma longa sequência de crises que desfazem a maioria dos avanços anteriores. O país do futuro vai ficando no passado, presidência atrás de presidência.”

    Porra, se o Brasileiro Médio já toma diariamente no cu e não aprende nada – porque não consegue sequer desconfiar de que há algo a ser aprendido em sua eterna danação – e agora também “lentamente começa a perder a esperança de um salvador da pátria”, o que é que lhe resta? Sentar no meio-fio e chorar? Quem puder, que trate de sumir daqui o quanto antes.

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    Paulista de Macaé

    Nem pela dor o brasileiro vai aprender. Como vocês e muitos que comentam aqui: esse país não vai ter certo nunca!

  • Isso, vamos fazer impeachment.

    O TERCEIRO impeachment da república que mal tem 40 anos, pra mostrar pra todo mundo que a gente não saber votar em presidente e ninguém mais acreditar nesse país.

    AVANTE BRASIL AGORA VAI

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