Barraco Olímpico.

Não sabemos nem por onde começar, foi um festival de barracos envolvendo atletas brasileiros nas Olimpíadas, e não estamos nem na metade do evento. Até a pandemia fica em segundo plano… Desfavor da Semana.

SALLY

A gente apostava no coronavírus: o número de contágios das Olimpíadas. Tinha tudo para ser o Desfavor da Semana: cerca de 20% dos atletas foram deixados entrar sem vacina, Japão bateu três dias seguidos o recorde de contágios esta semana, atletas e organizadores forma vistos (e isso está documentado) em aglomerações sem usar máscara, o número de contágios não para de subir entre as delegações (inclusive as de países sérios, como por exemplo, a Holandesa) e outros horrores. Mas, já deveríamos saber, existe um horror pior do que o covid. O barraco brasileiro destronou o coronavírus, parabéns aos envolvidos!

Verdade seja dita, no quesito “passar vergonha” o brasileiro é medalha de ouro. A vergonha começou antes mesmo dos jogos. O surfista Gabriel Medina ficou choramingando incessantemente em público por não poder levar sua esposa com ele para as Olimpíadas, graças a um veto do Comitê Olímpico, não por implicância, mas por uma pandemia de um vírus que já matou mais de quatro milhões de pessoas.

Além da vergonha de não resolver isso entre ele e o COI, trazendo a público a questão de forma vitimizada, se fazendo de perseguido, coitado e injustiçado, o rapaz ainda fez umas comparações infelizes.

Reclamou que outra atleta estava levando o marido (que, no caso, era o técnico dela) e reclamou até que uma atleta estava sendo acompanhada pela mãe, portanto, ele também deveria poder levar familiares (era uma menina, menor de idade e com deficiência). Sim, Gabriel Medina tentou se colocar na mesma posição que uma menina de 13 anos deficiente.

Sua parceira, a qual conheço pessoalmente e nem me darei ao trabalho de escrever o nome, participou do escândalo, no mesmo tom. Pareciam um casal de adolescentes barraqueando. Sendo bem sincera aqui: se eu tivesse um marido que faz um escândalo público por não poder me acompanhar ao meu local de trabalho, eu não só me separaria, como ainda pediria uma medida restritiva para que esse maluco do caralho não possa chegar a menos de 10m de mim.

Eu achava que o auge do vexame seria quando a moça insinuou que estava grávida, como se isso a fizesse merecedora de uma vaga de acompanhante. Se for verdade, além de infantilizada, débil mental e sem noção do que é a vida adulta, ainda é uma filha da puta irresponsável. Grávida que luta para fazer uma viagem de muitas horas de avião para um país com recorde de casos de covid não tem o menor cuidado com seu filho.

Mas eles são brasileiros e não desistem nunca. Gabriel Medina não ganhou medalha e abriu o berreiro novamente: insinuou que foi roubado, reclamou, incitou as pessoas a fazerem o mesmo.

Sua parceira, barraqueira igual a mãe, saiu dando declarações em público de altíssimo nível, dizendo que o rapaz tinha sido “absurdamente roubado” se estivesse lá daria porrada no juiz. Novamente, se um parceiro meu vai a público ameaçar dar porrada em alguém de alto escalão do meu trabalho, é separação + medida restritiva.

A confusão que esses dois incitaram foi tanta que o diretor técnico da Associação Internacional de Surfe precisou vir a público falar que a pontuação conferida a Gabriel Medina estava certa sim e que ele não foi prejudicado pela arbitragem. Mas, parece que uma histérica anoréxica sabe mais do que o diretor técnico da Associação Internacional de Surfe. Medina não ganhou ouro, não ganhou a prata e também não ganhou o bronze. Haja empenho em roubar alguém assim, não? Pobre perseguido!

Para fechar o esmerdeio, os brazucas se encarregaram de colocar a cereja no sundae, invadindo as redes sociais do surfista japonês que derrotou Medina. Se a acusação seria de erro na arbitragem, teria motivo para ir esculhambar o outro surfista? Para os brasileiros? Sim. Deixaram em massa frases constrangedoras em português como “de quanto foi o Pix” ou, pior, “roubou o sorriso de um homem romântico, está feliz?”. A vergonha que eu sinto quando vão xingar estrangeiros em português não cabe em mim. HUE.

E parece que atribuir derrota a erro ou roubo é tendência: ninguém mais perde por ter treinado pouco, por ter ficado nervoso, por ter feito festinha na vila olímpica ou por ter performado mal. O tenista Marcelo Melo reclamou da forma como o adversário festejava cada ponto marcado, dizendo que isso influenciou no resultado. A judoca Maria Portela foi desclassificada por excesso de punições e também saiu como injustiçada, roubada, sacaneada.

Tinha fuckin’ VAR para ver cada lance de perto e vários juízes concluíram (e as câmeras mostraram) que a atleta de fato não obedeceu às regras que deveria (brasileiro não seguindo regras, quem poderia imaginar?), mas quem sabe “a verdade” é o brazuca em redes sociais. Parece que todo brasileiro, além de ser técnico de futebol, também é especialista em todas as modalidades olímpicas. A vergonha, meu pai.

O corredor brasileiro Altobeli da Silva (eu avisei que era brasileiro) foi a público reclamar que não conseguia dormir na vila olímpica por causa do barulho de funk alto. Vai dizer que era a delegação da Suécia que estava escutando “Tá com fogo na xota, tá com fogo no cu, o bombeeeeeiro é meu piru”. Não, eram os brazucas, fazendo vergonha por onde passam e fazendo por onde merecer suas derrotas com festinha onde deveria haver descanso e concentração.

Mas, o maior vexame olímpico foi a briga entre a goleira da seleção de futebol feminina e uma atleta paralímpica. Confesso que nessa eu prendi a respiração e não sabia o que ia acontecer: negra x cadeirante. De qual lado a lacrolândia ficaria? Achei a briga didática, é mais uma forma de praticamente desenhar a diferença do Brasil para o resto do mundo para os negadores que ficam dizendo “mas brigar todo mundo briga”.

Sim, brigar todo mundo briga. Entretanto, não é em qualquer país que uma atleta mensura o quanto cabe no cu de outra atleta paralítica, fazendo uma estimativa entre dedo e rola, chegando à edificante conclusão que cabe tudo no cu da cadeirante. Se isso acontece em outros países, por favor, me banhem com sua sabedoria e postem os links para as notícias nos comentários. Tenho para mim que esse baixo nível, é Brasil mesmo.

Não bastasse isso, a goleira também desmereceu indiretamente a deficiência da outra, o esporte que ela pratica, mandou tomar no cu e outras coisas do mesmo nível. Vocês sinceramente acham que em qualquer lugar atletas olímpicos disciplinados e focados estão fazendo esse tipo de comentário em público durante o período em que estão competindo, que deveria ser o mais importante de suas vidas?

Até o COI ficou constrangido, soltando um comunicado no qual recomendava que atletas olímpicos foquem sua atenção nas competições e não em brigas de redes sociais, algo que qualquer treinador ou psicólogo de atleta minimamente decente teria ensinado. Parece que não foi o caso.

Os treinadores e toda a equipe que acompanha esses atletas estão fazendo um trabalho medíocre: falta disciplina, falta concentração, falta equilíbrio emocional. Depois perdem e colocam a culpa no juiz e ficam entupindo as redes sociais do vencedor com xingamentos em português. Que vergonha absurda. E ainda vai ter idiota que se enrole na bandeira brasileira e torça com muito orgulho para essas aberrações.

Enquanto isso, como se não bastasse a imprensa endossando esse combo de babaquice, falta de educação e desempenho pífio dessa geração Nutella, ainda dão mais bola fora, criando mascotes como “Sushizito” (um sushi de olhos puxados), os mesmos que se encontrarem alguém fantasiado de índio gritam “apropriação cultural”.

Não tem outra palavra: Show de Horrores. E o brasileiro continua apegado a ter orgulho desse show de horrores. Show de horrores ao quadrado.

Para apenas sentir vergonha em silêncio, para sentir vergonha esculachando ou para mensurar que no caso do cu de Siago Tomir, cabe calda de chocolate e morango: sally@desfavor.com

SOMIR

As redes sociais vieram para nos mostrar quem era o ser humano de verdade. Sim, há milênios as pessoas mentem, barraqueiam e tem a estrutura emocional de uma criança contrariada, mas pelo menos havia a ilusão de que era o seu grupo mais próximo que tinha esses problemas. Era mais fácil acreditar que havia para onde correr, que o resto das pessoas eram menos malucas.

Especialmente as celebridades. Tirando as mais famosas que tinham atenção constante da grande mídia e todos seus podres revelados, era mais fácil montar na cabeça a imagem de que alguns seres humanos eram especiais, dignos de admiração. Um certo mistério que escondia defeitos e acentuava as qualidades de pessoas que a maioria de nós conhecíamos.

Mas com virtualmente todos esses famosos a um clique de distância, seduzidos pela gratificação instantânea da atenção da internet, começamos a ver quase toda essa imagem ruindo num festival de imagens, opiniões e atitudes bizarras oferecidas ao grande público pela vontade dessas celebridades. Foi ficando cada vez mais claro que eram pessoas tão descompensadas como as anônimas, normalmente bons apenas em alguma atividade específica.

Os dominós foram caindo: músicos, atores, modelos, políticos… e agora, finalmente os esportistas. Todos devidamente consumidos pela fogueira das vaidades virtual. Faz tempo que eu falo que uma das piores coisas da internet é a ideia de que todo mundo tem uma opinião válida, e vou sendo provado correto ano após ano. Quando os atletas começaram a abrir a boca, vimos que não tinha quase nada de bom ali.

Eram só malucos como os que vemos ao nosso redor, mas malucos com habilidades físicas específicas bem desenvolvidas. E olha que no caso dos atletas brasileiros, nem isso em alguns casos. São pessoas com uma série de problemas psicológicos que por um motivo ou outro, acabaram com um holofote na cara enquanto o mundo se interessa por suas modalidades.

E com aquele mesmo problema que já víamos em outros tipos de celebridades: inteligência nunca foi fator definidor para o sucesso em suas carreiras. São pessoas que se não tivessem alguma característica física (como força, velocidade ou mesmo beleza) ou obsessão em se especializar, jamais teriam muito destaque na vida pelo que pensam ou dizem. Pode chutar uma bola ou pular muito bem, mas não necessariamente tem mais qualidades.

Ainda mais considerando a proporção de pessoas com pouca ou nenhuma educação entram para o esporte profissional… a verdade é que não dava para esperar nada de muito diferente dando um megafone para cada um deles. O resultado é esse show de horrores. Sim, tem a ciclista austríaca PHD em matemática e os eventuais bons exemplos que fazem coisas bacanas nos seus esportes e não querem virar celebridades barraqueiras, mas na média, vamos concordar que não é pra onde se olha quando está procurando mentes brilhantes?

Especialmente quando falamos de Brasil. Onde o combo de subdesenvolvimento e cultura de baixaria se mistura para criar os casos bizarros que a Sally descreveu. Um lado meu acha vergonhoso, mas dá uma curiosidade antropológica incontrolável. É um povo sem filtro, que não sabe lidar com atenção e fica ainda mais descontrolado. O problema que eu vejo não é a realização súbita de quanta gente sem noção o esporte concentra, porque isso era óbvio. O problema é que ainda não corrigimos a ideia do que configura a figura do ídolo no século XXI.

É como se a humanidade estivesse transando à meia luz há séculos, e de repente fosse obrigada a fazer a mesma coisa com iluminação de filme pornô! Ficou tudo explícito: a celebridade não pode mais ser escondida dos seus fãs, não dá mais para usar pessoas como exemplos gerais, porque junto com as qualidades surgem todos os defeitos, e dada tamanha atenção para essas pessoas, a tendência é que os defeitos venham para a frente e sejam discutidos à exaustão.

É hora de começar a compartimentar as coisas na cabeça e perceber que seguir influencers é uma das piores ideias que já tivemos. Isso gera uma concentração de defeitos sem par na nossa história: um ciclo vicioso de péssimos comportamentos elevados ao status de qualidades por quem não consegue mais perceber que as coisas mudaram, e que seus heróis agora estão falando merda na internet em troca de atenção.

A verdade é que de perto, todo mundo é meio maluco. Você tem que admirar algumas coisas que te somam como ser humano, mas tem que aceitar que a era dos heróis acabou com a internet. Somos todos falhos, e a mentalidade antiga de colocar famosos no pedestal não funciona mais se não tem uma “sombra” para esconder suas partes feias. E isso vale em dobro, tripo, quádruplo para lugares como o Brasil, que formam pessoas de baixíssimo nível cultural como celebridades a todo momento.

A era dos ídolos caiu. Os esportistas passando essa vergonha toda são só mais uma etapa do processo. Todo mundo tem qualidades e defeitos quando olhado de perto, e a opção de não olhar de perto está cada vez mais rara atualmente. O jeito é adaptar a visão e começar a trabalhar para corrigir esses defeitos na fonte: no ser humano, não na cultura da celebridade. Estamos criando celebridades cada vez mais neuróticas, que por sua vez influenciam fãs cada vez mais neuróticos, num ciclo perverso de barraqueamento das relações humanas.

Bata palmas para a corrida rápida, para o chute certeiro, para o pulo impressionante, mas esqueça todo o resto do que se convencionou sobre ídolos, porque de resto, a maioria dos famosos são péssimas influências.

Para dizer que quer ver mais e mais barraco, para dizer que a pessoa não foca no corpo à toa, ou mesmo para dizer que a verdade nos libertará: somir@desfavor.com

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Comments (18)

  • Bernardino Teixeira

    A grande maioria dos atletas não possui preparação psicológica para participar de uma Olimpíada; as redes sociais apenas amplificaram algo que já vêm acontecendo há algum tempo.
    Esta geração que não pode ser contrariada, onde o vitimismo é predominante, louva o fracasso e desdenha o esforço; se perdeu, a culpa é do patriarcado, do branco opressor ou algo que o valha.
    E as transmissões da Goblo… sofríveis.
    Seria muito melhor admitir que não temos bons atletas (com louváveis exceções) do que ficar com este ufanismo de botequim.

  • Quem está ganhando medalha são os quietos, os que sabem o valor de uma boa preparação – e que sabem como o brasileiro é implacável com quem fala muito e faz pouco. Melhoramos, pelo visto.

  • Caraca, vc sabe até o funk que tava rolando lá? As minhas vizinhas fofoqueiras morreriam de inveja pelo seu excesso de informações haha. Eu nem sabia quem era a tal goleira da seleção, hoje por acaso vi um vídeo no YT a mulher tá gorda demais pra uma atleta. Se eu fosse técnico nem na reserva ela estaria.

  • Pior que o barraco da fulanete vem de antes ainda disso e envolveu até a mãe adotiva de tal atleta. Sim, o cara é adotado e sim, a fulanete é doentia num nível que já teria feito eu chutar o pau da barraca com ela há muito tempo.

  • Enquanto há atletas treinando até vomitar, sendo esculachados por seus técnicos pelos menores erros (tem vários documentários dos treinos das equipes russas e chinesas) e deixando tudo de lado pelo esporte há outros chorando e brigando em rede social. Quem será que leva a medalha?
    Achei bem merecido o Merdina e a seleção não ganharem nada, pena que não vão aprender nada também com a experiência.

    • Não vão aprender por um motivo: continuarão a ser tratados como heróis e adulados no Brasil
      No dia que o povo virar as costas e criticar, talvez repensem essa postura.

  • Só vão pra lá pra isso mesmo, se não fosse a criança do skate e a sorte da ginasta E o amigo do Medina a Globo não teria nem do q falar.

  • Acho que já chegou num ponto que os brasileiros se comportam como macacos simplesmente porque é isso que esperam de nós, um self fulfilling prophecy.

  • Só porque eu elogiei a relativa civilidade dos atletas BRs na cerimônia de abertura, no Desfavor da Semana passada… ô povinho, viu. Quando não caga no antes, caga no depois. E no durante.

    • Tem noção que teve atleta postando vídeo de madrugada chorando pois precisava treinar ou competir e os brazuca da vila olímpica estavam fazendo uma algazarra tão medonha, com funk, gritaria e gemidos, que não permitia que eles durmam? Eu não sei quão mais baixo do que isso se pode chegar…

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