Como nossos pais.

Se você já foi cobrado de forma comparativa pelo seu desempenho financeiro, profissional, amoroso ou em qualquer outra área, o texto de hoje é para você. Estamos aqui para te libertar desse inferno e dessa injustiça que é comparar performance entre seres humanos.

Acredito que quem o faça, o faça na melhor das intenções, provavelmente tentando incentivar. Mas essa estratégia é tóxica e destrói a autoestima de qualquer um, por isso hoje vim aqui tentar destruir essa estratégia.

Você já escutou dos seus pais ou de qualquer adulto mais velho “eu no seu tempo _________” (complete com qualquer realização: já morava sozinho, já sustentava uma família, já era casado, etc)? É um “argumento” bastante comum, se comparar com o outro e mostrar que, na mesma idade, há uma discrepância de realizações. E muito canalha também.

Se seus pais, tios, avós ou qualquer parente de uma geração acima vier com esse papo de “eu na sua idade já tinha…” não deixe esse lixo entrar na sua mente. Não deixe que te façam sentir mal por isso.

Primeiro que não está escrito em lugar nenhum o que cada um tem que alcançar e quando. Pessoas fazem o que podem, como podem. Sucesso e fracasso não se medem por data de realizações, por mais que a sociedade adore te dizer o contrário.

Mas, mais importante do que isso, é preciso apontar a falsa simetria dessa comparação: “eu, na sua idade, já morava sozinho”. Sim, claro, antigamente além dos salários serem maiores, o custo de vida era menor. Você jogava um fogão e uma geladeira no canto da cozinha, uma TV na sala, um colchão no quarto e pronto, ia morar sozinho.

Se hoje muita gente não o faz, não é por “frescura” ou por estar “mal-acostumado” como muitos gostam de dizer. Hoje o custo de vida é mais caro, pois existem gastos essenciais que, 30 anos atrás, não existiam: a pessoa tem que ter internet em casa se quiser trabalhar e se comunicar com o mundo, a pessoa tem que ter um plano de saúde se não quiser correr o risco de morrer na fila do SUS esperando tratamento ou cirurgia etc. A pessoa é sugada para um grau de demandas que não existiam antigamente.

Quem está estabelecido na profissão, com muitos anos de mercado e foi gradualmente adaptando o orçamento e incorporando essas “novidades” à medida em que elas foram aparecendo. Incorporar despesas gradualmente torna o caminho mais fácil. Quem teve que encarar essa demanda de despesas como recém-formado, ganhando merda e trabalhando 12h por dia (ou pior, nem conseguindo trabalho) é que enfrenta a grande dificuldade.

Vejam bem, não estou dizendo que é impossível, só estou dizendo que para as novas gerações fica cada vez mais difícil igualar o nível de vida que os pais tiveram. Mas, gerações mais antigas tem a mentalidade de que a ordem natural das coisas é que as gerações mais novas superem as realizações de seus pais e avós, portanto, alguns acabam se frustrando quando isso não acontece.

Meu senhor, minha senhora, nos dias de hoje, se considera um baita sucesso quando os filhos ao menos igualam o patamar chegado por seus pais. Se os seus filhos não superaram o patamar de vocês, não se frustrem nem pensem que eles são fracassados, a maioria não supera, é circunstancial: os custos de vida e as despesas básicas aumentaram absurdamente e os salários, na média, caíram.

Os tempos mudaram. A realidade mudou. A sociedade mudou. É uma falsa simetria comparar situações com décadas de diferença. No seu tempo as pessoas fumavam no berçário, no seu tempo era aceitável mulher ganhar menos por ser mulher, no seu tempo, para ter um filho, bastava comprar fralda. Se quer cobrar a alguém comparando com “o seu tempo” coloque a pessoa em uma máquina no tempo, mande-a de volta para “o seu tempo” e veja como ela se sai naquela realidade.

Não está fácil para ninguém, e essas comparações tóxicas só pioram a situação. Como se não bastasse o dano que redes sociais causam, expondo vidas falsas de alegrias e sucessos que, na maior parte das vezes, não são reais… Novamente, repito: não estou dizendo que não se pode ser bem-sucedido hoje, estou dizendo que não é fácil e que tem menos gente “bem-sucedida” do que se imagina.

Quantos jovens podem bancar sozinhos uma casa hoje em dia? Poucos. Mas muitos ostentam que podem, fazendo com que quem não pode se sinta um lixo. Fotos e declarações de rede social só mostram pessoas “bem-sucedidas”, mas, quando você vai olhar mais de perto, muita gente teve um empurrãozinho na vida: uma herança, uma ajuda dos pais, um presente de casamento.

Nem tudo que você vê em redes sociais é mérito de quem posta, nem fruto de trabalho duro. Às vezes, nem veio com a ajuda de ninguém, é apenas uma mentira descarada: um carro alugado, a casa de outra pessoa ou até um falso relacionamento.

O mesmo vale para os relacionamentos felizes que abundam em redes sociais. Você não sabe as concessões, os bastidores, os sapos que a pessoa teve que engolir para que aquele relacionamento exista. Talvez, se soubesse, se sentiria aliviado(a) por não ser você naquela foto aparentemente feliz. Todo mundo é feliz em redes sociais, mas, na vida real, o Brasil é campeão mundial de venda e consumo de Rivotril.

E já que estamos falando de relacionamento, o mesmo vale para esse tema: não deixe que comentários comparativos de “na sua idade eu já…” te afetem. Na sua idade seu pai já era casado? Ok, isso não faz dele melhor do que você. Talvez só tenha casado por ser a única forma de fazer sexo naquele tempo. Talvez só tenha casado por pressão ou por medo. Talvez se você fizesse as concessões e engolisse os sapos que a pessoa engoliu, já estivesse casado também.

“Na sua idade eu saía com a sua mãe e a gente comia um cachorro-quente na praça e isso bastava”. Que bom que viveram em tempos em que o lazer era barato e com um cachorro-quente se socializava. Em alguns lugares ainda é assim, mas em outros não. Infelizmente em alguns meios, em alguns grupos, em alguns lugares, é preciso gastar dinheiro para socializar e conhecer pessoas. Infelizmente em alguns grupos, em alguns lugares, seu filho vai ser motivo de riso e bullying se sugerir ir comer um cachorro-quente na praça. Os tempos mudaram.

Antigamente se tinha muito mais tempo para conhecer pessoas e investir no relacionamento, pois se trabalhava em um esquema “industrial” batendo ponto, com hora certinha para sair. Eu já cansei de sair do trabalho meia noite, uma da manhã, quando trabalhava para grandes empresas. Quem tem essa realidade obviamente vai ter muitas dificuldades não apenas em conhecer gente como em cultivar um relacionamento. Não é uma falha da pessoa, é ela sendo privada de oportunidades.

Nunca é suficiente: se a pessoa se mata de trabalhar para tentar alcançar o combo casa/carro/contas mensais não sobra tempo para ter um relacionamento, aí, apesar de alcançar uma “meta” profissional, a pessoa deixa de ser bem-sucedida pois está sozinha e “não é possível, deve ter alguma coisa errada com você”. Se a pessoa se dedica a um relacionamento ou a filhos e carreira não decola, ela é um fracasso financeiro e profissional. Não será que estão te exigindo o impossível?

Eu não sou a maior fã do jovem não, inclusive acho que ele tem que acabar, mas mesmo eu posso ver o massacre psicológico que fazem com essas comparações. Juro, eu queria que essa geração mais antiga fosse colocada por uma semana na nova realidade de mercado de trabalho e de relacionamentos que existe hoje, cada vez que criticassem os mais novos. Voltariam chorando e pedindo perdão a todos os que criticaram.

Em resumo, o que eu quero te dizer é que é difícil. É possível, mas é difícil pra cacete. Então, não se sinta mal se está difícil para você, está difícil para todo mundo. Pare de achar que todo mundo é “bem-sucedido” e só você que é um merda que derrapa no mesmo lugar faz tempo. Tá difícil para todo mundo, só que todo mundo faz parecer que não tá difícil. Dinheiro, tempo, horas de sono, disponibilidade emocional, relacionamentos… está difícil. E, por cima disso, ainda caiu uma pandemia.

Não é você que é incompetente, errado ou uma ovelha negra. É a sociedade que criou um Frankenstein: pegou as expectativas de décadas atrás, quando a realidade era outra, e as transladou para os dias de hoje, onde uma realidade muito diferente praticamente inviabiliza que todos tenham uma vida com cronograma similar ao de seus pais.

“Ah mas tem o primo Fulano, que é da sua idade e ganha não sei quanto por mês”. Sempre tem o primo Fulano, né? Pode ser primo, filho de uma amiga, vizinho, não importa, o importante é a existência dessa figura icônica que é melhor do que você em basicamente tudo! Parabéns a quem faz isso, tentar levantar quem está no chão chutando as costelas, vai dar certo sim.

Só queria te dizer que muitas vezes o primo Fulano não está tão bem quando se pensa. O primo Fulano pode estar endividado para bancar um estilo de vida que o faça parecem bem-sucedido, o primo Fulano pode ter alcançado isso fazendo coisas muito erradas, o primo Fulano pode ser um viciado em drogas ou em tranquilizantes. Não se deixe diminuir por comparações, e, mais importante: trace VOCÊ o que VOCÊ entende como meta para ser “bem-sucedido”. Primo Fulano pode ser rico e infeliz, com problemas psiquiátricos sérios ou até com pensamentos suicidas. Ninguém deixa transparecer quando está sufocando. Não acredite em aparências.

Diploma/casa/carro/contas pagas/casamento é mesmo sinal de pessoas bem-sucedida? Conheço muitos que alcançaram esse combo social medalha de ouro e estão medicados para depressão. Ou se suicidaram. Ou estão infelizes. E nem ao menos entendem por qual motivo estão infelizes, afinal, eles venceram a grande maratona da vida, alcançaram tudo que deveriam e… estão infelizes.

É que felicidade não vem daí, de uma fórmula pronta imposta pela sociedade – principalmente quando vem de uma sociedade que claramente está muito doente. A gente é ensinado desde pequeno que aí está a felicidade, mas, acredite, quando você acaba de escalar essa montanha, bate um vazio enorme, pois não tem a recompensa esperada no topo.

Longe de mim ser aquela pessoa igualmente tóxica que discursa que dinheiro não é necessário. É sim. No modelo de sociedade que vivemos, é necessário sim. Dinheiro não gera felicidade, mas, no modelo atual de sociedade, falta de dinheiro também é impeditivo para a felicidade. O que eu questiono é a forma como você vai ganhar esse dinheiro: fazer dinheiro a qualquer preço também vai te deixar infeliz.

E, dando um passo além nessa questão: somos tão doutrinados pela sociedade que muitas vezes nem paramos para pensar que não existe (ou não deveria existir) um conceito do que é ser “bem-sucedido”. Você estabelece esse conceito, dentro do que você quer para a sua vida. E tente estabelecer ouvindo o seu interior, a sua essência, sem contaminação das imposições sociais.

Uma vez alguém me falou que “maturidade é parar de se comparar”. Me fez muito bem ouvir isso, por isso, repasso para vocês. Maturidade é parar de se comparar com os outros. Foda-se o que seus pais já tinham na sua idade, foda-se o que primo Fulano tem, foda-se que todo mundo casou menos você. Foda-se, foda-se, foda-se. Não é aí que você tem que colocar sua atenção, olhando para o que “não é” (“eu não casei, eu não tenho dinheiro” etc.).

Você tem que olhar para o que é: o que você quer? O que você realmente quer, seu querer puro, limpo de toda essa merda de pressão social. Tente descobrir o que você realmente quer e te faz feliz quando você joga fora toda essa camada de merda de imposição social e comparação. O que sobra como genuinamente o que você quer?

Também não é papo de coaching, que, na minha opinião, deveria ser criminalizado. Nada de “o segredo”, mentalizar é o caralho, o diferencial é ser um bom executor, começar, fazer. E, para executar, é necessário entender qual é o plano. Portanto, a execução começa em uma grande limpeza interna, descartando tudo que vem de fora, de imposição social, de cobrança de família, de qualquer lugar que não o seu querer. Depois que você limpar tudo e restar apenas o seu querer puro, aí cabe a você fazer acontecer.

O grande inimigo não é o que todos pensam: vencer no mercado e conseguir fazer dinheiro ou vencer no amor e conseguir um relacionamento. O grande inimigo é conseguir remover essas camadas e mais camadas de merda que despejaram na gente desde a primeira infância sobre o que deveríamos ser para nos considerarmos bem-sucedidos para, soterrado debaixo dessa tonelada de bosta, encontrarmos o que nós realmente queremos ser, o que nos faz verdadeiramente felizes. Esse é o desafio que te faz zerar a vida.

Depois que você remove essa pá de merda e encontra o que você genuinamente quer, acredite, fica bem mais fácil de conseguir, pois a coisa flui com a correnteza, com facilidade, sem se violentar, sem se forçar. As coisas se alinham (Deus me livre de astrologia também, é no sentido de se encaixarem). Você vai ver surgir gana, garra, força, para fazer tudo que precisa para esse objetivo.

“Eu não tenho garra, Sally”. O caralho que não tem. O que você não tem é clareza sobre o seu propósito de vida, pois enfiaram na usa cabeça, com a melhor das intenções, assim como enfiaram na minha, qual ele deveria ser, sem te consultar sobre o que você realmente queria.

“Não tem nada que eu realmente queira, Sally”. O caralho que não tem. Tem e você não consegue ver pois está enterrado em 20 toneladas de bosta que a sociedade jogou por cima, te dizendo o que é preciso fazer para ser “bem-sucedido”. Desenterre, lave, limpe essa merda toda, até varrer tudo que for dos outros e sobrar só o que é seu. Quando isso acontecer, seu querer vai brilhar na sua frente como um Santo Graal.

“Eu não consigo me mexer, não consigo dar o primeiro passo para começar”. Peça ajuda. Você pode estar exaurido por ter se obrigado a ser/fazer coisas que você não é. Você pode não saber por onde começar. Você pode até estar com distimia ou qualquer outro problema de origem bioquímica que demanda tratamento e que não pode ser superado por força de vontade, enquanto você fica se achando um merda por não fazer nada, pode haver um fator físico impedindo.

Psicólogo, psiquiatra, autoconhecimento, hipnose… o que quer que te ajude, desde que seja algo bom, empoderador, que te respeite e que não te deixe em relação de hierarquia e dependência. Nada de gurus, pastores e outras “entidades superiores” a você. Nada de barganhas (“tem que me dar isso para melhorar”). Nada de gente que te joga culpa (“isso é karma de outra encarnação”. Tudo merda. Fuja disso.

E, lembre-se, nunca permita que te comparem com ninguém. Ninguém, nem de tempos atuais, nem passados. E com isso não quero dizer que você mande a pessoa que comparou calar a boca. Deixe a pessoa falar, nem todo mundo tem um nível elevado de consciência. Dentro das possibilidades daquela pessoa, ela está fazendo seu melhor. Mas, infelizmente o melhor dela é uma bela bosta, portanto, desconsidere. Não deixe que isso entre em você, não deixe que isso abale sua autoestima, não acredite no que está escutando.

Senhores, se não fizermos uma belíssima blindagem anti-merda, não vamos sobreviver à atual realidade. Limpem toda a merda que depositaram em vocês e depois blindem-se de receber merda nova. Só aí qualquer pessoa é capaz de reconhecer o que realmente quer e começar a trabalhar para isso. Não deixe que ninguém te diga o que você precisa ou quer, descubra sozinho.

Para dizer que eu sou pior do que coaching, para dizer que esse tipo de texto teria ajudado mais durante a pandemia do que FAQ ou ainda para dizer que vai tatuar “maturidade é parar de se comparar” no corpo: sally@desfavor.com

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Comments (24)

  • Queria saber como arrumar emprego sendo jovem, PCD e sem experiência. Nem com cotas eu consigo, e ainda tem quem reclame delas, como se as pessoas que as cotas abrangem conseguissem tudo magicamente…

  • Passando para agradecer pelo texto, Sally. Muito importante para mim a leitura no momento em que estou vivendo. Obrigada mais uma vez.

  • Não precisa nem ir muito longe, fazendo comparação “geração atual/geração ‘nossos pais'”: quer coisa mais irritante do que gente (geralmente mulher) fazendo a comparação “homem comum x Rodrigo Hilbert” (cujo único mérito é ter o mesmo sobrenome de um dos mais ilustres matemáticos do século XX)?

    Ah, e “O segredo” só não bate os livros do Lobsang Rampa em termos de charlatanismo e patifaria! :-)

    • Como pode alguém comparar qualquer pessoa com o Rodrigo Hilbert sem conhecer o Rodrigo Hilbert?
      A pessoa está, na verdade, comparando alguém com a fantasia que ela tem sobre quem seja Rodrigo Hilbert

      • Quem vive no mundo da fantasia se decepciona duas vezes: quando descobre que realidade não tem nada a ver com suas idealizações e quando percebe que a perfeição simplesmente não existe.

  • A vida não tem manual de instrução, não obedece fórmulas prontas nem segue roteiros pré determinados. E se a gente for se preocupar o tempo todo apenas em viver apenas conforme “os ditames da sociedade”, vamos acabar é ficando malucos.

  • Texto que com certeza já entrou para minha lista de “textos para serem relidos periodicamente”. Já cansei de ver arrombado, com mais de 40 anos, na internet falando coisas como “ain, essa juventude de hoje não quer sair da casa dos pais pipipi pópópó”, “geração canguru que não faz nada mimimi”… Um saco isso! Nos anos 80/90 até eu teria saído da casa dos meus pais se eu quisesse, mas hoje cobram quase 1500 reais só de aluguel pra pessoa morar num cubículo (e num lugar razoavelmente digno)! Isso sem contar no preço das coisas, que só aumenta!

    Eu também acho que essa galera escrota, que tanto se orgulha de ser “raiz”, também não duraria muito se tivesse que se virar com as condições de hoje, ainda mais neste lixo de país que só desce a ladeira a cada dia que passa. É uma minoria de uma minoria que consegue zerar o “bingo da vida” por aqui.

  • Duas sugestões aleatórias:
    1. Aprendam Taxonomia. Ela resolve a questao filosofica da definição por negação na prática.
    2. Leiam Emerson, o ensaio “Sobre a Autoestima”.
    Bjs
    Fui

  • Obrigada pelo texto, um alívio saber que não sou a única. Parte dessa cobrança toda vem de pessoas que nunca alcançaram nada, cobram pra ostentar sobre a vida alheia, pra ganhar validação social e tirar vantagem disso. Peguei pra mim essa frase da maturidade e tb essa daqui q me ajuda muito: “ nunca aceite criticas construtivas de quem nunca construiu nada”. Essa obrigação de conquistar o padrão é o último refúgio dos infelizes.

    • Quem quer o seu bem, não vai detonar sua autoestima. Se você receber críticas ou comentários que te coloquem como incapaz ou incompetente, não deixe entrar.

  • Nossa, esse texto é bem pra mim. Mas poxa, Sally, como faz pra por em prática? Porque obviamente já ouvi coisa semelhante por aí, além desse texto.

    Quando não são nossos pais e parentes moldando nosso pensamento de maneira tóxica, soa nossos próprios colegas, ou pessoas de mais ou menos a mesma idade que a minha.

    Explico: vi muita gente, alguns primos e amigos, que se formaram mais ou menos junto comigo, e foi aquele roteiro: aos 23 já estavam fazendo estágio numa boa empresa, aos 24 efetivado e já com carro comprado, aos 26 dando entrada em apartamento, aos 28 casando e mesmo tendo filhos… E eu, quando me vejo com 25 e ainda estudando no mestrado, sem carro e sem ape, olha… Sinto que fiquei pra trás, em certo sentido. Sinto que o tempo passou e que parece que nada valeu a pena, meus esforços foram em vão.

    Aliás, essa sensação se acentua mais ainda agora aos 30, quando minha vida virou de cabeça pra baixo, eu desisti do meu doutorado, tive que voltar a morar com mãe em período de pandemia pra cuidar dela, enfim… Só fundo do poço!

    Daí eu me sinto aqui, um velho acabado já aos 30, cheio de probs de saúde, sem forças pra lutar por mais nada, só querendo um emprego que pague minhas contas mesmo no final do mês e pronto. Cansei de sonhar alto, como ter doutorado, concurso público, carreira acadêmica, ganhar 10k, enfim…

    Daí que começo também a refletir sobre minhas escolhas, e sobre o que, por ventura, realmente me faça feliz e realizado: basicamente, música, fotografia e parte de audiovisual. Mas o problema é que até pra investir nisso haja grana, haja esforço, e não dá dinheiro se tu não for foda no mercado e não estiver em um local adequado, com boa demanda e bom engajamento.

    • Essas pessoas que fizeram o caminho “socialmente correto” não necessariamente estão felizes, pois não é aí que reside a felicidade. Talvez você, mesmo com todos os conflitos e problemas, esteja menos infeliz do que eles.

      Não foca nessas “missões” predeterminadas (carro/casa/casamento). Foca em descobrir o que verdadeiramente te dá alegria na vida (ignorando todos os ditames sociais que sempre te ensinaram), aquelas coisas que quando você faz nem sente o tempo passar, nem fica cansado. Depois, em um segundo momento, descobre como monetizar isso. Esse é um caminho muito mais eficiente para a felicidade.

  • Sinceramente, muito, muito obrigada por esse texto. Há pouco mais de três anos que venho realizando a faxina. É algo difícil, mas esteve valendo a pena. Às vezes tropeço, mas, o importante é não retornar à mesma merda de antes. Quando você revê os conceitos de “bem sucedido”, você reaprende a administrar seu tempo e companhias. Consequentemente, passa o pente fino em disputas de ego, ostentação de títulos, em gente emocionalmente desequilibrada. Se você também tem essa personalidade egóica e descompensada, ela vai enfraquecendo por falta de validação externa, te facilitando mudar. É matar seus monstros de fome.

    E sim, quando você encontra o que é mais importante pra você, é incrível. No meu caso, é só terminar um livro. Porém, graças a ele pesquisei, estudei, li e aprendi novas coisas. Pratiquei minha empatia, aprendi a ouvir e também a me expressar. Isso que literalmente me manteve viva em certos extremos da vida. “Ainda tenho que terminar o livro”, pensava. Foi o que muitas vezes me moveu inclusive da zona de conforto, pois nem sempre tive um PC, celular ou internet disponível para escrever. Teve vezes que foi na mão mesmo, comprar caderneta e uma caneta e mandar bala, com parente me dizendo que isso não dá futuro e outras vezes, com crentes me vigiando dizendo que eu estava perdendo tempo com coisas do mundo ou que agradam o the monho e que eu deveria é fazer obra na igreja.

    • Ana, o passo mais difícil você já deu, que é tirar o nariz da lama, da hipnose social e perceber que a resposta não está aí, e sim dentro de você. Depois que a gente começa a andar, a jornada vai ficando mais fácil.

      Ignore pessoas que venham com uma fórmula pronta sobre o que fazer, não tem fórmula. Se você se observar, você mesma vai perceber, pela sua sensação interna, quando está no caminho certo.

    • Parabéns, Ana. A vida não é fácil e todo mundo tem os seus altos e baixos, mas, ao fazer essa “faxina”, também tiramos algumas pedras do nosso caminho. Te desejo sucesso nessa sua jornada. Ah, eu adorei o termo ” the monho”…

  • “Nada de “o segredo”, mentalizar é o caralho”

    Mas, Sally… temos a exata vida que cocriamos. Estude física quântica. Ia adorar ver um texto seu sobre cocriação da realidade.

    • “O Segredo” diz que basta mentalizar que as coisas acontecem. Sabemos que não é assim, né?

      Além disso, mentalizar estando com a cabeça totalmente poluída por esse mar de lama que a sociedade nos empurra desde a infância não vai gerar coisa boa. Milhões de pessoas leram “O Segredo” e o mundo continua uma bagunça. Eu mesma conheço uma meia dúzia de pessoas que estão muito infelizes e leram “O Segredo”. Sinal de que o buraco é mais embaixo…

      • Tudo são escolhas. Cada um cocria o seu destino. Se tá mal, se tá doente, se tá frustrado, se vive pior do que os pais, é pq tá vibrando/atraindo errado.

        • Mas você fala como se fossem escolhas conscientes. Nem todas são. Enquanto a pessoa não limpa todo o lixo que tem no inconsciente, dificilmente faça boas “escolhas”, por mais que conscientemente o queira.

    • Eu estudo e convivo com manipulação energética há anos, desde a adolescência. O que foi provado é que pensamento positivo ajuda muito SE, E APENAS SE, há esforço proporcional sendo realizado no mundo material. É impossível manifestar algo do nada, você precisa no mínimo abrir caminhos para que aconteça.
      E neste mesmo âmbito, cada luz gera uma sombra de igual tamanho. Ignorar as próprias sombras, medos e emoções difíceis é positividade tóxica. Inclusive, saí de fórum de discussão a respeito depois de ver uma menina sendo culpabilizada pela morte do pai, por “ter deixado o medo ultrapassar a fé e o pensamento positivo.”
      Você pode e deve trabalhar para superar traumas e encontrar expressões saudáveis para essas emoções – chamamos isso de Shadow Work – mas ver o pessoal “good vibes” da internet dizendo que nós atraímos todas as más experiências não ajuda ninguém. Há males que não vêm para o bem, você pode se tornar uma pessoa melhor apesar deles e não por causa “do aprendizado que eles trouxeram”. Tudo tem limites, inclusive trabalho energético. Você pode sim ter bastante benefícios, mas precisa de uma boa dose de realismo para colhê-los de fato.
      Eu não manifestei uma nota boa do nada uma vez, mas sabia que o professor queria acabar comigo e me concentrei em tentar atrair material do conteúdo que cairia na prova, já que ele se recusara a me dizer. Consegui fazer isso e fiquei com 100%, mas também estudei muito.

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