A língua portuguesa é uma das mais ricas do mundo em vocabulário. Temos muitas palavras para virtualmente qualquer coisa que se expresse. Desde o rebuscado estilo erudito até a porra do tipo coloquial.

Sally e Somir discordam na hora de escolher que forma é mais eficiente para passar a mensagem que se pretende.

Assunto de hoje: Gírias e palavrões depõem contra a pessoa que os usa?

Já começo explicando que não tenho vergonha ou bloqueios para usar gírias e palavrões. Quem já leu meus textos sabe que invariavelmente eu deixo um palavrão assumir o papel de “melhor expressão possível” numa frase. O que quase todo mundo que lê este blog não sabe é que ao vivo eu me expresso de forma bem parecida com a que escrevo. Não sou muito afeito à gírias e expressões de baixo calão E pré-julgo outras pessoas com base no uso dessas palavras.

Aliás, eu faço um pré-julgamento bem complexo sobre uma pessoa baseado na forma como ela fala. O que não quer dizer que eu odeie ou menospreze quem se expressa de forma mais coloquial. Eu namorei a Sally e ela fala como um traficante carioca. (Em situações informais.)

Mas, palavras são idéias. E na minha nunca humilde opinião, quem limita muito o uso de palavras deve ter alguma limitação de idéias. Se eu não tiver nenhuma outra base para perceber o que a pessoa pensa além da fala e escrita, vou considerá-la limitada MESMO se ouvir ou ler apenas palavrões e gírias. E eu me adapto rapidamente à pessoa com quem estou me comunicando: se ela fechar todas as frases com “mano” ou “tá ligado?”, eu que não vou me dar ao trabalho de travar uma conversa mais complexa com ela.

E conversas simples me MATAM de tédio. Deve ser minha dificuldade natural de concentração, mas eu já aprendi na prática que é um sofrimento conviver com uma pessoa que não aborde temas polêmicos ou profundos. Prefiro mil vezes silêncio constrangedor do que conversar sobre o tempo… Simplesmente não me interessa e eu NÃO FUNCIONO se não me interessar. É que nem falar com um zumbi.

E eu imagino que do outro lado, do ponto de vista de quem consegue ficar horas falando sobre as pequenas coisas da própria vida e o que aconteceu na novela, deve ser horrível falar comigo. (Não que as impeçam de me alugar por longos períodos de tempo…)

E não é um argumento elitista do ponto-de-vista social, é puramente intelectual. Já me diverti muito mais discutindo com pessoas mais simples (do ponto de vista social) sobre religião e sociedade do que discutindo futilidades com universitários endinheirados. Não me preocupa até onde vai o conhecimento da pessoa com a qual discuto, me interessa mesmo a disposição dela de ir além da “conversa de fila de banco”.

“Somir, você está se contradizendo… A forma com que se fala não era uma limitação para você?”

O tema do texto é “gírias e palavrões depõem contra a pessoa que as usa?” e eu digo que sim. E novamente, isso não quer dizer que seja algo além de um pré-julgamento. Volto a usar o exemplo da Sally: Ela usa muitas gírias e palavrões no dia-a-dia, mas eu percebo claramente a substância presente no que ela fala (quase sempre muito mais profundo do que eu consigo ir). A disposição de “ir além” está lá e isso derruba completamente o preconceito inicial sobre a forma de falar. No caso dela é apenas mais uma forma de se expressar. (E é divertido, eu assumo. Sally é a rainha das exceções nas minhas regras de pré-julgamento de uma pessoa.)

E se eu não te matei de tédio até agora, prometo que vou tentar meu melhor:

Logo no começo do texto eu falo sobre “melhor expressão possível”, e é baseado nisso que eu monto esta argumentação. Existem inúmeras formas de se dizer uma coisa, e grande parte dessas formas não é a melhor. Às vezes falamos demais, às vezes falamos de menos… Frases que explicam exatamente a idéia que se quer expressar viram citações famosas. A busca pela “melhor expressão possível” é o que faz um discurso ou texto se tornarem verdadeiramente relevantes.

Embora eu tenha essa noção bem delimitada na minha mente, eu aposto sem medo de perder que todas as pessoas sabem valorizar quem consegue fazer uma idéia ficar clara DE VERDADE dentro da cabeça delas, mesmo que inconscientemente.

Gírias e palavrões são apenas UMA forma de se dizer uma coisa. Um belo xingamento pode ser tão sublime quanto uma frase rebuscada, dado o momento em que é usado. E sabem quando é o momento errado de usar? Quando quem vai ter que decodificar e entender o que você disse não vai conseguir absorver a sua idéia.

Gírias, quando usadas com quem não as conhece, são uma forma de fechar o canal de comunicação. É uma coisa egoísta, uma demonstração de superioridade, uma afirmação de segregação. “Você não entende o que eu estou dizendo porque não é do meu grupo.” Sendo que praticamente em todas as vezes existia uma forma alternativa de se fazer entendido.

Palavrões, quando usados com quem não os espera, são uma forma de agredir a outra parte. E agressão não abre canal de comunicação também… Um palavrão fora de hora quebra o ritmo da conversa, parece um pedido de atenção apelativo ou uma demonstração de descaso.

Raras são as vezes que gírias e palavrões são as melhores formas de se dizer uma coisa. Podem ser as mais convenientes em várias situações, principalmente quando você tem intimidade com quem está falando.

Não tenho espaço para entrar no mérito de como a comunicação ocorre entre duas pessoas, principalmente quando se considera que cada mente é um universo paralelo. Mas posso resumir dessa forma: Ninguém sabe ler mentes.

Sim, o uso de gírias e palavrões depõe contra quem os usa. Em um momento inicial, essas palavras podem demonstrar que você é mais limitado do que realmente é e mesmo depois de conhecer melhor a outra pessoa, ainda podem ser consideradas como limitadoras INTENCIONAIS da comunicação.

Porra, tudo tem hora certa, mano!

Comunicação é a base da nossa sociedade. Cuide bem da sua.

Para me dizer que palavrão é antiinconstitucionalissimamente, paralelepípedo e otorrinolaringologista, para me xingar e para me ensinar umas gírias bacanas: somir@desfavor.com


Eu não sou maluca de sair soltando palavrões em ocasiões formais como trabalho, velórios, igrejas e afins. Mas no dia a dia, admito que palavrão tem um efeito terapêutico para mim! Sabe aquele palavrão que você enche a boca para falar, e ainda fala com vontade, sílaba a sílaba? Me ajuda a desabafar e canalizar a raiva para algo que eu considero inofensivo. É transgredir, mas não muito. Na medida certa.

Eu falo muito palavrão. Não palavrões gratuitos, eu sempre acho que tenho um bom motivo para soltá-los. Não gosto dessa coisa “palavrão pelo palavrão” a La Dercy Gonçalves, palavrão como vírgula. Madame não fala palavrão. Nem gírias. E só fala português correto. Já eu, pareço um presidiário falando de tantas gírias maloqueiras. No entanto, Madame namorou comigo, não namorou? Me achou atraente, não me achou? Deve me achar minimamente capaz, porque divide um blog comigo, certo?

Será que palavrão depõe mesmo contra a pessoa?

Acho pessoas falando palavrão até engraçado. Não acho rude nem vulgar. Se eu não falar palavrão, provavelmente vou ter um AVC ou vou explodir de tanta raiva. Palavrão é um desabafo extremamente necessário para mim, assim como acredito que seja para muitos de vocês.

Não contente em falar palavrões eu ainda invento palavrões. Quem acompanha a comunidade no Orkut sabe o infinito de apelidos que eu coloco para cu, por exemplo. O palavrão é uma prova de intimidade e confiança, a gente só solta quando está ao lado de alguém com quem não precisa se policiar para ser formal. O dia em que eu soltar um palavrão na sua frente, pode ter certeza que é sinal de que eu estou muito à vontade com a sua presença.

Muitos homens acham que fica feio mulher falando palavrão. Muitos homens inclusive já reclamaram comigo por causa disso e me pediram para não falar palavrão. Evidente que eu soltei um palavrão de 17 sílabas ao ouvir esse pedido. Não tem como, quando me sinto confortável com a pessoa, eu falo mesmo. Tive um ex-namorado que se incomodava tanto que decidiu “me ajudar” a mudar e comprou o “jarro do xingamento”.

Cada vez que eu falasse um palavrão teria que colocar um real no jarro. Quando ele me aborrecia, eu abria a carteira, tirava uma nota de cinqüenta reais, colocava no jarro, estalava os dedos e o pescoço e começava a declamar. Pago o preço que for para falar palavrão, literalmente. Azar o de quem não me aceitar assim, porque me faz tão bem que eu não quero mudar.

É o que eu sempre digo, pessoas vem em pacotes. Se você quer uma namorada meio maluca, com um parafuso a menos, como eu, passional, nada romântica e polêmica, é de se esperar que ela solte uns palavrões por aí. No caso, Madame tem um parafuso A MAIS, porque é muito certinho nesse aspecto. Ele nunca implicou com meus palavrões, justiça seja feita, muito pelo contrário, ria da criatividade de alguns e da forma raivosa como eu os usava. No entanto, ele deve achar que depõe contra a pessoa sim, porque ele raramente faz uso. (ainda vou provar que existe uma relação entre não falar palavrão e ter gastrite…)

Metade das minhas postagens aqui tem aquela velha lição que eu sempre friso: atenção para os atos, palavras não valem nada, todo mundo fala o que quer. Isso se aplica aos palavrões também. Um palavrão em uma hora de raiva não diz muito sobre a pessoa. O que ela FAZ nessa hora de raiva é que diz. Aliás, conhecemos uma pessoa pela forma como ela trata seus inimigos. Tem gente que não fala um palavrão e é incorreta e filha da puta e tem gente que tem o vocabulário de um estivador e é um doce de pessoa que está lá quando você precisa.

Palavrão alivia, é de graça e é inofensivo (quando dito sem ser dirigido à pessoa, claro). Palavrão é um meio termo entre guardar a mágoa e somatizar e meter a porrada no outro e ser preso. É uma transgressão na medida exata para não se machucar e não machucar os outros. Palavrão é o que há! Viva o palavrão, caralho!

Hoje em dia nem é tão grave ou chocante falar palavrão, até na novela das oito tem gente soltando palavrão (talvez não nessa, mas já tive notícias de palavrões em outras). O palavrão em si, dependendo da entonação e da ocasião, pode ser até prova de afeto! Quem nunca viu dois amigos se cumprimentando com uma enxurrada de palavrões? “Faaaala seu viado filho da puta”. É com carinho. Eu xingo minhas amigas com carinho também.

E para situações de dor, como aquela batida com o dedo do pé na quina da mesa? Gente, palavrão tem propriedades medicinais, depois de soltar um PU-TA-QUE-PA-RIU bem do fundo da alma parece até que dói menos! E não prejudica ninguém. É um crime sem vítimas.

O grande problema é o uso sem noção do palavrão, a falta de respeito. Mas o uso sem noção e com falta de respeito DE QUALQUER COISA é feio e complicado. O problema está nas pessoas sem noção e não no coitado do palavrão. Até porque, se for usado indiscriminadamente, perde esse efeito de desabafo para ocasiões irritantes.

Palavrões já estão nos dicionários mais moderninhos, ou seja, fazem parte oficialmente do nosso idioma e vocabulário. Não tenham medo de usá-los com fins terapêuticos, é quase um anger management (só que de graça). Escolha seu palavrão de estimação e repita-o em alto e bom som quando algo te aborrecer.

Para me perguntar qual é meu palavrão favorito, para me contar o seu e para sugerir temas para o próximo Ele Disse / Ela Disse: sally@desfavor.com


Atenção: Mandem os textos para desfavor@desfavor.com
Estão mandando os textos para o e-mail da Sally, o que está gerando confusão e com que os textos não sejam publicados na semana que chegam. Pode ser?

Relacionamentos inexplicáveis e uma escapada ao acaso do mau caminho.

Oi gente bonita (?) do Desfavor! Hoje vou dividir meus desfavares sentimentais mais “recentes” com vocês, vou narrar como foram minhas ultimas aventuras sentimentais, menos a atual, porque essa só Deus sabe onde vai parar…

Tenho dois patinhos na lagoa, sou bonita, universitária (isso não é classificado pra putas, é só pra me conhecerem), razoavelmente culta e tenho um ótimo senso de humor, bom, pelo menos pra mim.

Vamos voltar aos meus 13 anos, em 1999. Foi a primeira vez que beijei, o nome dele é José. O rapaz era apaixonado por minha irmã, que no momento estava a ficar com o amigo dele, e também foi o primeiro cara que minha irmã ficou. Estávamos em quatro, eu, ele, minha irmã e Wesley. Minha maninha (Mari) estava catando o Wesley e o José não parava de reclamar que a amava que iria até o inferno com ela. Eu inocente (?) falei pra ele: ” diga que está ficando comigo, assim ela ficará com ciúmes”. Esse Wesley já tinha tentado me beijar, mas eu não quis. Fiquei com o José, na verdade babei muito, e ele veio socando a mão no meu rabo, não deixei, então ele mudou as mãos para outro continente, duplo, redondinhos, quase pêras.

Fiquei com ele duas vezes, e na segunda o idiota (16 anos, drogado de bosta) falou em namorar, eu era bem (mais)imbecil, mas mesmo assim recusei e não o quis mais.
Minha irmã continuou de rolo com os dois, não ficando, mas se drogando. Eu zarpei fora. tempos depois maninha tirou o cabaço do José. O Wesley ligou aqui em casa atrás da Mari ( minha irmã) e falou de sexo e uso de drogas. Minha mãe ouviu na extensão, ligou pra mãe do Wesley. Wesley levou uma surra no meio da rua. Isso foi em 99, quando foi em 2003 ficamos sabendo que o José estava mais viciado do que nunca em drogas e que fora para Florianópolis, morar com outro homem. Ainda não descobri o modo de perar dele (passivo-ativo). Nunca mais vi.

Ano de 2000. Catorze aninhos no lombo, idiota, deslumbrada. Ser country era o bixo nessa época. Eu tinha uma amiga de colégio que só falava nisso, conhecia todos os cauboizinhos for hell da cidade. Eu não conhecia nenhum, mas sentia admiração por ela, pelos contatos, por ela sair e tal (vai dizer que com essa idade a maioria não é tudo besta, que paga pau pros outros?) Um belo dia ela falou do Cauboi valente, nem dei importância. Um belo dia fui num comício e vi uma camisa escrita seu nome e ele narrando um show country na rua de baixo de casa. No final o povo foi cumprimentar ele, eu me soquei no meio e fui lá falar come ele. Como eu não tinha assunto disse: ” acho que já te vi”. Ele respondeu: eu também, no Ventania” (eu nunca fui no Ventania). Trocamnos telefone e ficamos uma vez, como eu era menor ele teve mó cuidado, mas ficava com outras na minha frente. Percebam que eu fui pra cima dum cara só porque ele era pop (country) e não porque eu tinha interesse nele. Na época eu pensei que seria mais legal, mais pop também. Um dia ele ligou e falou: ” estou apaixonado por você, quando vamos começar a namorar?” Meu pai ameaçou tirar o telefone de mim, então eu desliguei. Quando eu toquei no assunto pessoalmente ele desconversou e eu fiquei muito mal. Como meu pai descobriu que ele era de maior, ele me xingou, disse que eu ia fazer exame de virgindade, foi horrível. Com o tempo eu desencantei. Nunca mais vi.

Ano de 2001. Na verdade conheci essa peça única em 200, ficamos mas nada de sério. Eu e minha irmã andavamos com um maconheiro ( eu nunca me droguei) e um dia ele nos apresentou a esse “Suiço”, eu com 14-15 anos, ele com 16. Minha irmã queria, mas ele ficou comigo. Ele era (é?) um drogado, mas exigia respeito por isso não me quis. O maconheiro que andava com nós falou pra ele que eu ficava com outros, me queimou haha. Ficamos outras vezes, mas não virou nada. Na época ele fazia tatuagens num quartinho, nada limpinho, tudo porco, a casa cheia de drogados (ele era cheio de bok) tive sorte de quando eu ia lá a polícia não ter chegado, uma vez que ‘quem tá junto se fode junto’ pouco importando se você não faz nada de errado também. Passei o ano de 2001 inteiro correndo atrás dele e chorando pra amigas. Eu não queria namorar come le, mas queria que ele gostasse de mim. Entendeu? Bom, não sei se isso é passível de ser entendido. (vou jogar a culpa na idade). Não o vi mais, mas em 2005 nos reencontramos numa sala do bate-papo uol, agora ele tem um stúdio de tatoo, e na época namorava. Não quis contato com aquele gibi ambulante, somente no msn às vezes, mas ele já foi bloqueado.

Ano de 2002, 2003: Não fiquei com ninguém MESMO, nem uma bitoca. Em 2002 eu mudei. Apesar de nunca ter usado drogas ( ah, eu experimentei maconha, mas não fui usuária) mas eu fumava cigarro. Parei tudo, virei saudável, até carne eu cortei e adotei a corrida. Não sei porque não me envolvi com ninguém mais, mas eu cortei até AMIZADES que poderiam dar merda. Sabe quando você faz a coisa certa por impulso? Foi o que eu fiz. (Em 2002 minha irmã fugiu de casa com outro drogado, está com ele até hoje). Em relação a eu não pegar ninguém, não sei bem o que houve, mas eu me tornei insuportável, chata, moralista. Não por mal, mas por conflitos internos mal-resolvidos e também por não ter com quem conversar, uma vez que nem a irmã eu tinha mais. Mas fiz a coisa certa inconscientemente. Hoje me alegro por esse impulso. O resto foi dando certo com o tempo.

No final de 2004, no terceirão, no cursinho fiquei com um garoto. Foi diferente depois de anos beijar alguém ( ah eu não perdi a virgindade) mas eu me senti melhor, estava na minha, não tinha que provar nada a ninguém, não tinha que ser metida a pop, porra nenhuma. Tinha 17 anos, me alegri por isso e comecei a me arrumar mais e tal. UIm mês depois fiquei com outro de lá, fiquei feliz por saber que podia ficar com pessoas ‘normais’ e não era tão doidinha e chata como os meninos da sala falavam. Eu só andava com meninos, imaginem a boca suja que eu tinha?

Com 17( faltava uma semana pra fazer 18) anos passei num vestibular, uma Universidade pública mesmo, fiquei muito feliz. Comecei a graduação em 2005, estava muito bonita e corajosa até. Mas, meses antes, em Setembro de 2004, pra variar, me meti noutro rolo, mas esse é BEM mais diferente, foi virtual hahaha. No dia 7 de setembro de 2004 eu entrei num chat da uol e comecei a teclar com um tal de Gabriel. Fiquei meio balançadinha por ele, porque ele era mais inteligente, articulado, nem era bonito, só o vi na foto também. Não é que me apaixonei por ele virtualmente com direito até a ligar pra ele exigindo satisfação? Pra resumir, com toda razão ele me chamou de doente. Mas como ele tinha alimentado tudo isso eu retruquei a ligação e falei ” DOENTE É A SUA MÃE AQUELA BISCATE VAGABUNDAAA’ Ele ficou puto. Nunca mais vi, aliás, nunca vi, foi tudo virtual, nem quero ver.

Em 2005 conheci o Eduardo. Foi assim: saindo da aula fui com uma colega numa república, ele estava tocando violão sentado com outro amigo dele. Sentei com as meninas perto e comecei a puxar papo com ele, ele tocou pra todos nós. Dei indiretas pra ele, mas fui embora. Na metade do caminho me arrependi e falei pra minha amiga chegar nele e pedir o celular. Ela o fez, a Besta respondeu: ” manda ela vir aqui”. Eu fui ahaha. Ele disse ” quer meu celular” Eu: ” Simmm” , ele: ” quanto você paga??” Me matei de rir, mas ele deu o número. Uma semana depois minha amiga ligou pra ele, porque eu não tinha coragem. Nos encontramos, ele foi muito tarado, então eu cortei e pedi pra ele pegar nos meus peitos. Ele pegou, mas achou legal eu pedir, eu pedi do nada, como quem pede papel. Me ‘apaixonei’ por ele, minha amigas sofreram de ouvir eu falar nele por 10 meses…. É evidente que não deu nada, dois idiotas deveriam combinar, mas não foi o caso. Vejo ele às vezes, mas é indiferente, tenho até vergonha.

Vez ou outra eu fico com uma pessoas problemáticas, mas não monopolizo-as por tanto tempo mais, vou estudar pensar noutra coisa, ou catar outro que der vontade hahahahahah É tudo mais controlado agora, tenho paz interna!

Depois disso não cismei com mais ninguém, sim gente, CISMAR porque eu não acredito que nada disso que vivi até hoje teve sentimento, foram cismas. Cresci com pais briguentos, que quando eu tinha 9 anos falou ” pela sua aparência física você vai ser igual a sua tia uma putinha, tem o mesmo jeito” eu era uma criança, cresci vendo tudo errado, pai xingando a mãe de puta, mandando eu e minha irmã de castigo por qualquer coisa, uma mãe ignorante que por não poder se sustentar sozinha se submetia a isso(..) Meu pai jogando na cara dela que ela é uma puta, uma separada vadia, passando a mão na bunda dela na frente da gente, nos xingando de nomes pesados.
Não coloco a culpa de nada disso neles, só acho que se eu tivesse tido uma estrutura familiar melhor eu teria feito menos merda na vida. Eu poderia ter tido uma mãe pra contar minhas coisas, aconselhar. Pra minha mãe ninguém vale nada, só ela presta também, o resto é tudo puta, mesmo ela tendo um histórico de trair o primeiro marido, mas ostentar que casou virgem com ele(..) Meu pai é um fraco que levou um chifre da primeira mulher e gosta dela ainda e joga na cara da minha mãe. Essas coisas toda familia tem, mas eu só queria ter tido alguém pra conversar, só isso, mesmo assim eu não tenho raiva deles.

Sei que sou uma louca de me expor tanto, mas eu estou muito feliz hoje, apronto uma ou outra mas não me drogo, tive juízo (instinto) de não cair em furadas. Minhas furadas foram de cismas mesmo, graças a Deus, eu poderia ter virado uma drogada vagabunda, mas não virei. Hoje eu estudo e tenho planos, perdoei meus pais também, afinal, eles nem sabem de tudo isso que aconteceu e mais: Eles não ERRARAM como eu disse a pouco, eles apenas não tiveram a maturidade de pais, eles agiram de acordo com o que eles sabiam agir. Eu aprendi na raça, não falo só de sentimentos e cismas, mas de tudo, me sinto feliz por ter outro tipo de comportamento e não implorar a aceitação alheia. E mais: Mil vezes feliz por não ser uma drogada. Do jeito que as coisas são, se eu tivesse continuado nessa, quem é que garante que eu DESFAVOR estaria aqui escrevendo isso?

Obrigada a quem leu meu desabafo, poucas pessoas sabem disso.

CeLina Amanda.

E começam os preparativos para a Marcha da Maconha 2009. 13 cidades já foram confirmadas, e o “protesto” ocorrerá nos primeiros dias do mês de Maio. Grande parte dos simpatizantes já está divulgando a Marcha por intermédio dos mais variados meios de comunicação, principalmente pela internet.

Tem quem defenda a maconha, tem quem seja contra. Cada um com suas idéias, mas o desfavor da semana é todo o circo que já está sendo armado em volta disso.

Parece que esse ano a coisa vai (ser ridícula). Depois de várias tentativas frustradas de armar uma grande manifestação pró-legalização da maconha, as pessoas por trás da organização da Marcha da Maconha estão prevendo que dessa vez ninguém segura (mas prende e passa).

Se já é um desfavor na etapa de planejamento, vai ser um desfavor na hora da manifestação em si e se por um acaso conseguirem o que querem, será a hora de colocar o logo do desfavor na capa da constituição brasileira!

O meu problema não é exatamente com quem usa a droga (é droga, assim como o álcool). O meu problema é com essa estupidez de achar que maconha é uma coisa inocente, natural e que é um absurdo que o Estado considere sua utilização um crime. E se não fosse o bastante, o press-release da Marcha da Maconha ainda diz que de forma alguma o movimento faz apologia ao uso da droga!

Estão querendo pintar a erva como flor. E quase toda a argumentação não se sustenta… Deve ser falta de neurônios. O que os maconheiros dizem:

– “Maconha não é droga”: Sinto te decepcionar, mas é. Qualquer substância que influa no funcionamento do corpo humano utilizada com tal propósito é uma droga. Desde o crack até a aspirina, todas drogas. O que varia (e muito) é o efeito causado por cada uma delas. Prestem atenção no significado das palavras que usam!

– “Maconha é natural”: O veneno do escorpião é natural. A AIDS é natural. Da onde surgiu a idéia cretina de que por algo ser derivado diretamente da natureza é algo saudável? O que se quer dizer aqui é que a maconha necessita de uma carga infinitamente menor de manufatura industrial para ser consumida. Como se os grandes produtores (aqueles que fazem a maconha que a maioria das pessoas compra) não tratassem o assunto feito um negócio… Grandes merdas esse argumento.

– “Maconha não vicia”: HAHAHAHAHAHAHAHAHA! Pior que existem algumas categorias distintas entre as pessoas que soltam essa pérola… Os que dizem que fumaram maconha todos os dias pelos últimos dez anos e nunca ficaram viciados e os que usam de forma “recreativa”, usando o seu próprio exemplo para generalizar. Tem muita gente que só fuma cigarros quando sai para a balada, tem muita gente que só bebe um pouco de vinho em ocasiões especiais. Considerando essas pessoas, cigarro e álcool não viciam!

– “Maconha faz menos mal que cigarro e álcool, que são legalizados!”: Vontade de esganar um quando ouço isso… E não por discordar da afirmação. O que irrita é que essa afirmação é feita para criar a presunção de que “se pode um, pode outro”. O Estado faz uma escolha básica: Ou substâncias viciantes que são riscos para a saúde pública são permitidas ou não são. O nosso escolheu que elas NÃO SÃO PERMITIDAS.

“Mas, por que pode vender cigarro e álcool?”

Simples, pode porque eles chegaram na hora certa e se infiltraram de vez na sociedade. O álcool é o grande vício da humanidade, as pessoas enchem a cara o tempo todo, em todos os níveis da sociedade, em todos os lugares do mundo. Proibir o consumo de álcool causa TANTOS problemas que não é prático ou seguro fazer isso. O dinheiro dos impostos e subornos das grandes empresas do setor influencia? Claro. Mas o buraco é mais embaixo, não se coloca grande parte da população do mundo em estado de abstinência numa “canetada” sem conseqüências.

Já o tabaco (no formato de grande indústria) é mais recente. Só que demoramos DEMAIS para perceber o problema seriíssimo de saúde pública que ele gerava. Mais ou menos como os maconheiros sem noção fazem hoje, a mídia fazia apologia ao fumo. E nessa “vacilada” de algumas décadas, o cigarro se tornou outro vício global descontrolado. Ele gera pagamento de impostos, empregos e propinas também, mas novamente, o problema é dizer para o povo que eles não podem mais fumar.

Mesmo considerando a morosidade e desorganização do nosso sistema político, o Estado se posiciona de forma contrária à utilização de ambas substâncias, (veja uma embalagem de cigarro ou uma propaganda de cerveja…) embora não puna com sanções legais quem o faça. O objetivo disso é eliminar o hábito generalizado de consumir essas drogas e poder futuramente as proibir sem causar um problema social.

Existe um método. Estamos corrigindo a CAGADA que foi deixar a bebida e o tabaco tomarem proporções tão grandes dentro das vidas das pessoas. A maconha vicia, altera a percepção e o bom-senso do usuário, é fumada da mesma forma que o cigarro (SPOILER: Fumaça no pulmão SEMPRE vai fazer mal para você…) e ainda causa danos ao cérebro de quem abusa. Seria um absurdo legalizar mais uma substância viciante e danosa à sociedade enquanto se luta contra os problemas gerados pelo cigarro e pela bebida.

O argumento das “drogas legais” pode ser utilizado para qualquer outra substância atualmente ilícita. Ou pode ou não pode.

– “Eu nunca viciei e nunca fiz nada de errado por causa da maconha! Tenho meus direitos!”: Você tem o direito de calar a boca e agradecer pela sua vidinha confortável, playboyzinho idiota. Não sei se você percebe como o mundo funciona, MAS A MAIORIA DOS VICIADOS EM TABACO, ÁLCOOL E OUTRAS SUBSTÂNCIAS DO GÊNERO SÃO POBRES! Tudo é mais fácil para quem vive bem financeiramente, inclusive não ficar viciado. E mesmo os que ficam acabam conseguindo formas de “controlar os danos” do seu vício.

Preste atenção nisso: NÃO É SOBRE VOCÊ! NUNCA FOI SOBRE VOCÊ! É UMA QUESTÃO SOCIAL! O seu direito de comprar um baseado na padaria da esquina NÃO se sobrepõe ao problema sério que seria lidar com uma população pobre, dopada e doente com mais uma droga de fácil acesso e legalizada. Democracia não é ficar abrindo as pernas para direitos INÚTEIS em detrimento do bem estar social. Não moramos na Suécia, apesar de você e seus amigos serem branquinhos, saudáveis e sem grandes preocupações na vida, não moramos na Suécia. Preste atenção na merda do país que você vive.

– “A legalização vai ajudar na econ…” VAI SE FODER! Sério, VAI… SE… FODER! Legalizando a maconha o mercado vai ser tomado pela concorrência tradicional, e mesmo que as grandes empresas não queiram se misturar com essa idéia, não vão ser os favelados que vão lucrar com isso. Eles nunca lucram. Lembra que você NÃO está na Suécia? Com a maconha sendo tratada como substância ilícita, muito menos gente com “cacife” para bancar a produção se arrisca. O tráfico (que você financia) é mesmo comandado por gente poderosa, mas como é marginalizado, sobra algum espaço para a mão-de-obra alternativa.

Legalizando a maconha, é só questão de tempo para que os mesmos maconheiros que já tentam lucrar vendendo camisetas da Marcha da Maconha comecem a lucrar vendendo a droga em escala industrial. Entre subir o morro ou ir até a tabacaria “verde” da esquina, onde vocês iriam? E… Depois de perder uma fonte de lucro enorme, o que o tráfico faria? Usaria os diplomas de física para conseguir empregos em multinacionais? Todo mundo já cagou na cabeça dessas pessoas. UMA mudança não resolve merda nenhuma.

E para completar: Se a maconha não dá mais lucro, não seria uma boa empurrar (mais) cocaína nariz abaixo dos playboyzinhos entediados? Marcha da Cocaína, aí vamos nós!

Para dizer que não se lembra do que ia me xingar, para dizer que o seu direito é maior que o de quem nasceu mais escurinho, para dizer que mora na Suécia: somir@desfavor.com


Não pretendo aqui entrar no mérito sobre descriminalização, até porque, tenho uma opinião muito radical a esse respeito e precisaria de umas dez páginas para me fazer entender e expor todos os meus argumentos (e a Madame só me deixa escrever duas). Vamos falar da marcha em si.

Um desfavor, uma imbecilidade. O que acrescentou para a sociedade? Porra nenhuma! “Mas Sally, todo mundo tem o direito de se manifestar, de fazer passeatas, está na constituição”. Sim, e eu tenho o direito de achar uma IMBECILIDADE, também está na constituição.

A classe média se diz sensível aos problemas sociais. Os intelectualóides repudiam a alienação à qual o Poder Público sujeita os pobres. O país está um cu sujo e mal lavado, com cada vez mais desigualdade social. Neguinho vai matricular o filho na escola e não tem vaga, neguinho chega no hospital com uma criança morrendo e não tem nem ao menos gaze, tem crianças morrendo de fome neste exato minuto porque os pais não tem comida para colocar na mesa. Diante destas e de outras causas, qual você escolheria para abraçar, se manifestar e fazer campanha?

A classe média, suposto reduto intelectual (especialmente a do Rio de Janeiro, bando de imbecilóides que se dizem de esquerda), optou por se organizar e se manifestar em função daquilo que consideram prioridade: Querem que maconha seja vendida em lojas. Vejam bem, após alterações na lei, o usuário não é mais punido com cadeia, apenas com uma multa leve ou um esporro do juiz, então, o que eles estão pleiteando nem sequer é a liberdade de alguém que poderia ser encarcerado, estão pleiteando o comodismo de comprar maconha na farmácia mais próxima de casa.

Curioso que as mesmas pessoas que se dizem intelectuais e que ostentam uma sensibilidade social pretensamente privilegiada opte por uma causa tão egoísta para se manifestar, não é mesmo? Nada contra o egoísmo, eu sou a Garota-Propaganda do egoísmo, se pudesse, organizaria uma manifestação para pedir a criação de um picolé sabor café (porque ainda não lançaram picolé sabor café?). Minha crítica aqui não é quanto ao egoísmo, eu acho o egoísmo e o individualismo BACANAS, ok?

Minha crítica é quanto a essa postura hipócrita de tirar onda de Camarada Comunista Defensor dos Fracos e Oprimido. Fica só no discurso. Na hora de se manifestar, colocam máscaras na cara (coisa feia não mostrar o rosto, hein? Fakes malvados! Fakes malvados! Hahaha!) e pedem em benefício próprio. Ficam bem na fita fazendo discurso de apoio aos pobrinhos só que na hora de se mobilizar pedem uma coisa supérflua e egoísta. Ao menos tenham a decência de parar com o discurso social então!

E ainda por cima são intolerantes, os filhos da puta! É crime usar maconha (pode não ser punido com prisão, mas é crime). ELES tem simpatia por maconha (eu não, vocês não tem noção…). Ok. Quero ver se eu organizar um movimento em prol de algum CRIME pelo qual eles não tenham simpatia, se não vão jogar pedras em mim! Gente hipócrita é assim, simpatiza com os crimes que comete, escolhe as leis que quer seguir e mete o pau nos outros quando fazem o mesmo.

E ai de quem vier me dizer que o usuário de maconha só faz mal a ele mesmo. Vai ouvir um palavrão de 17 sílabas! Tomara que um dia essa pessoa seja operada por um cirurgião bem chapado de maconha para ver se não se arrepende de ter pedido a legalização.

Tava lá, cheio de classe média metendo a mão no microfone e dizendo que sempre fumou maconha. Lei é lei. Se você não concorda basta não cumprir? É isso? E ainda vai ostentar? É festa da nuvem? Se amanhã eu resolver que quero cometer um crime, pegar em um microfone e falar que venho cometendo um crime por anos, vai ficar tudo bem? Provavelmente não, só se for um crime com o qual eles simpatizem também. Caso contrário vão escrever colunas nos jornais me chamando de criminosa e vão começar a cobrar providências das autoridades e dizer que a segurança pública da cidade é uma merda, esquecendo que isso lhes convém quando subornam um guarda ou dão um agrado a um delegado para tirar seu filhão de uma enrascada ou para poder comprar sua maconha.

Quer ser um drogado? (essa é a palavra para quem usa drogas e maconha é droga sim) Beleza. Fuma maconha até o cu bater palminha. Depois, mistura maconha com cremogema e injeta na veia. Problema seu, o Judiciário que cuide disso. O que não pode é fazer discursinho politicamente correto, se dizer defensor dos pobres e depois se manifestar por uma causa 100% burguesa e continuar posando de Robin Wood. E também não pode dar pedrada em quem comete outros crimes e ostenta fazê-lo. Bando de hipócritas!

Para combinar comigo uma manifestação pró-homicídio com faixa escrito “pelos direito de matarmos uns aos outros” e direito a pegar no microfone e falar “eu venho matando todo dia faz mais de um ano e não vejo o menor problema nisso”, para me mandar ter pena deles porque maconha queima neurônios e para fazer um discurso de esquerda chato, hipócrita e tendencioso, terminado com “ou não”: sally@desfavor.com

DRAMA! CAPÍTULO 4, CENA 1:

Todos permanecem imóveis, olhando para Somir.

SUELI: Não precisa explicar, Sally, explico eu. Mano, sua esposinha estava prestes a te trair…
SALLY: MENTIRA, SOMIR! ISSO É MENTIRA!
SUELI: Somir, sua esposa não vale nada…
SALLY: Somir, sua irmã é uma encalhada que vive tentando separar a gente, você não vai acreditar nela, vai?

Somir olha paralisado, com o olho esquerdo latejando

SUELI: Somir, coloque limites na sua esposa, onde já se viu uma mulher casada receber um homem estranho sozinha em sua casa?
SALLY: Somir, eu te avisei que o pedreiro vinha hoje, não fiz nada escondido de você…
SUELI: Somir, eu sou sangue do seu sangue, porque eu mentiria para você?

Somir rosna algumas palavras pelo canto da boca, ainda sem piscar:

SOMIR: Sally, será que você pode sair de cima desse pedreiro?

Sally pula ao lado de Somir e chora:

SALLY: A Somira é uma escrota! Ela me infeniza desde que a gente começou a namorar! Somir, eu não quero mais essa mulher dentro da minha casa! Não quero!
SUELI: Somir, você vai virar as costas para sua irmã?
SALLY: ENCALHADA! VACA!
SUELI: SONSA! MENTIROSA!

Sally e Sueli começam a gritar uma com a outra enquanto o pedreiro faz um sinal com as mãos que indica que ambas são malucas. Somir olha para o pedreiro, estufa o peito e pergunta:

SOMIR: Afinal, o que foi que aconteceu aqui?
PEDREIRO: Olha, Seu Doutor, eu tava lá no banheiro trabalhando quando essa dali (aponta para Sueli) chegou e as duas começaram a brigar. No começo eu achei graça, mas elas sairam no tapa, então eu achei melhor separar. Aquela de lá (aponta para Sally) tava enfiando a porrada na outra, daí eu fui segurar e o Senhor chegou…
SALLY: Eu não disse que eu era inocente!
SOMIR: Sally, você bateu na minha irmã?

Somira solta um sorriso vitorioso

SOMIR: Depois eu converso com você, Sueli – Somir abre a porta e Sueli sai com cara de deboche.

DRAMA! CAPÍTULO 4, CENA 2:

Na comunidade Nova Esperança, Olavo leva Kelly para jantar. Entram no restaurante “Alegria Verde” e sentam em uma mesa.

KELLY: Que porra de cardápio é esse, Olavo?
OLAVO: Kellynha, é um restaurante vegetariano…
KELLY: Olavo, tá achando que eu sou vaca para comer capim?
OLAVO: Kelly, hoje é sexta-feira santa, não pode comer carne
KELLY: CAGUEI, OLAVO! CAGUEI BALDES! Eu quero carne!
OLAVO: Você pode comer carne de tofu
KELLY: Caralho, Olavo, que bosta de lugar é esse cheio de planta e de bicho?
OLAVO: Kelly, carne vermelha faz mal ao sistema digestivo, aumenta a probabilidade de inúmeras doenças e apodrece dentro do nosso organismo
KELLY: PODRE É VOCÊ, OLAVO, que come essas moitas e depois fica peidando mal!
OLAVO: Kelly, isso são modos de falar com seu marido?
KELLY: Peida mal sim, parece que tem um elefante morto no quarto!

Olavo explica os benefícios de uma alimentação vegetariana enquanto Kelly o imita ridicularizando-o. Uma joaninha sobe pela toalha da mesa e Kelly a esmaga com o a mão.

OLAVO: Kelly, o que você está fazendo?
KELLY: Eu sei, tinha que ter matado com o guardanapo…
OLAVO: Kelly, é um animalzinho de Deus. Porque você o matou? Você acha que esse animal não tem tanto direito à vida quanto você? Você acha que esse animal não tem alma?

Kelly pega sua bolsinha e se levanta da mesa, Olavo se desespera e vai atrás dela

OLAVO: Kelly, espera, princesinha… – Olavo puxa Kelly pelo braço
KELLY: ME LARGA OLAVO, ODEIO QUE ME PEGUEM!

Kelly empurra Olavo, que cai por cima das mesas derrubando refeições e clientes. Kelly sai andando rebolando a bunda e Olavo fica caído com os óculos quebrados chamando por Kelly

Uma hora depois, Olavo sai do restaurante com curativos pelo corpo e se depara com Kelly comendo um espetinho de carne em um bar na esquina do restaurante cujo nome é “Morte Lenta”

OLAVO: Kelly…
KELLY: NÃO PODE CARNE É O CARALHO, OLAVO!
OLAVO: Não pode carne de vaca… mas pode carne de peixe
KELLY: Então relaxa, que isso não é vaca, é no máximo gato…

DRAMA! CAPÍTULO 4, CENA 3:

LINDAMAR: Alô? Oi… Ele está “daquele jeito” novamente… é, preciso de você…
PILHA: ESTOU SANGRANDO!
LINDAMAR: Vem sim, mas tem que ser rápido…
PILHA: Juma, o pessoal da Promoart não vai gostar disso!
LINDAMAR: Tenho que ir, ele está voltando, estou aguardando!
PILHA: Onde está minha guitarra?
LINDAMAR: Pilha…
PILHA: ONDE ESTÁ MINHA GUITARRA???
LINDAMAR: Não grita!

Pilha solta uma sequência de palavrões. Carlão, o vizinho, que estava saindo de casa para um encontro naquele exato momento, passa, escuta e mete o cabeção na janela:

CARLÃO: Tá tudo bem aí ô Dona?
PILHA: Caralho! Pega meus óculos escuros que a camisa amarela desse filho da puta ta me cegando!
LINDAMAR: Tá tudo bem sim, obrigada, viu? Pode ir, já chamei ajuda.
CARLÃO: Tá tirano onda ca minha camisa, Mano?
PILHA: O marca-texto fala!
CARLÃO: PANTERA… CHEGA AQUI
PILHA: Foi chamar teu namoradinho, PiuPiu?

Alguém bate na porta da casa de Pilha e Lindamar. Carlão olha na direção da pessoa e esfrega os olhos, sem acreditar no que está vendo.

DRAMA! CAPÍTULO 4, CENA 4:

Na casa dos Somir, Sally explica com calma o ocorrido para seu marido.

SOMIR: Perdoe a Somira, ela ficou meio maluca desde que se apaixonou por aquele drogado.
SALLY: Que drogado?
SOMIR: Aquele ex-namorado dela que fugiu roubando todos os eletrodomésticos da casa dela
SALLY: BEM FEITO!
SOMIR: Nunca conseguimos achar o vagabundo…
SALLY: Não interessa, eu não quero ela aqui nunca mais!
SOMIR: Sally, não seja intransigente…
SALLY: NÃO QUERO! POR NADA DESSE MUNDO!
SOMIR: Uma caixa do bombom?
SALLY: Não!
SOMIR: UM vestido novo!
SALLY: Não!
SOMIR: Um perfume?
SALLY: Não!
SOMIR: Então escolhe, Sally, o que você quer…
SALLY: Quero uma empregada para me ajudar no serviço doméstico!
SOMIR: Você está achando que dinheiro nasce em árvore?
SALLY: PAÕ DURO! Só para me ajudar com a sujeira dessa obra no banheiro!
SOMIR: Tudo bem, mas EU vou escolher…
SALLY: Tudo bem, mas tem que ser FEIA, MUITO FEIA!
SOMIR: Sally, deixa de ser insegura
SALLY: Nem pensar, Somir. Tem que ser feia!

Somir liga para a secretária, conversa rapidamente e anota dois números de telefone.

SOMIR: Pronto, Sally, já pedi uma indicação. Tá aqui o telefone dela, liga e faz uma entrevista, se ela for feia o bastante a gente contrata

Sally pega o papel com ar vitorioso e comenta de forma maldosa:

SALLY: Se for tão bonita quanto o nome, já está contratada… “Lindamar”! Credo! Amanhã eu ligo.

SOMIR: E por falar em gente feia… o pedreiro está demitido. Vou contratar outro que se encaixe nos “Padrões Sally de Feiura”
SALLY:
SOMIR: Minha secretária me indicou o nome de um rapaz que acabou de se mudar para a comunidade dela e faz esse tipo de serviço.
SALLY: É uma pessoa de confiança?
SOMIR: Claro! Se não minha secretária não indicaria…
SALLY: Então amanhã você liga para ele e marca o dia para ele começar.
SOMIR: Amanhã eu ligo.

Somir deixa em cima da mesa um papel escrito “Carlão” e um número de telefone.

CONTINUA…

Estamos só na terceira edição do Deleta Eu! e eu já tenho que fazer concessões. Desfavor… O objetivo da coluna era buscar blogs movimentados sobre algum tema imbecil e analisá-los com extremo carinho. Pois bem… Dada a inteligência média da população com acesso à internet, a maioria dos blogs baseados em texto está às moscas.

Tive de me decidir: Ou criticaria blogs que não dizem nada (Exemplo: O seu.) ou criticaria blogs com opiniões que matam de tédio o brasileiro online médio (Exemplo: O meu.).

Fodam-se os blogs de fotos e textos copiados. Vamos bater em cachorro morto que é mais divertido! E falando em bater em animais, vamos logo à vítima de hoje: Projeto Extinção.

O BLOG:

Proposta: “Olhem pra mim! Olhem pra mim! Eu estou salvando o mundo!”

Projeto Extinção é um blog de um grupo que prega a revolução dos bichos! Mas o vilão não é o Sr. Jones, nesse caso o vilão, ou melhor, os vilões, são todos aqueles que não concordam com a visão limitada, extremista e porcamente(ha) pensada dos integrantes.

Já podemos começar com a brilhante escolha de nome: “Projeto Extinção”. Consigo até imaginar um super-vilão explicando em detalhes seu plano maligno. Escolher esse nome é mais ou menos como abrir uma loja de roupas e chamá-la de “Empório Nudista”. Mas, entendimento de noções básicas de como a sociedade funciona nunca foi o forte desse tipo de ativista…

Obviamente o Projeto Extinção (risada maligna) é uma ONG. ONGs, para quem não está familiarizado, nada mais são do que formas de arrecadar dinheiro sem trabalhar. E como toda ONG, eles fingem que se importam com uma causa politicamente correta para chamar a atenção das outras pessoas e se sentirem um pouco menos fracassados na vida.

A graça de ser engajado não é conquistar algum resultado, é ser visto fazendo isso. E não é que metade do blog é composto de fotos dos integrantes do grupo e simpatizantes participando de importantíssimas intervenções sociais?

Exemplo de ação: Jogar tinta laranja no chão e dar mais trabalho para uma pobre faxineira. Os animais agradecem.

LINHA EDITORIAL:

“Eu estou certo, você está errado.” Nada contra essa linha editorial, até porque é a mesma que eu sempre uso nos meus textos. A diferença é que eu adoro discurso de autoridade e eles adoram sentimentalismo barato. Mesmo divulgando campanhas com imagens chocantes, ainda conta como apelação ao sentimento de culpa de quem vê.

Mas culpa é um sentimento curioso. Ela vem e vai, seguindo seu humor momentâneo. Apelar para esse tipo de discurso não costuma ser muito produtivo… Assustar as pessoas funciona, convencer as pessoas com lógica funciona às vezes, mas fazê-las mudar de atitude por remorso? Normalmente quem faz isso está mais preocupado em despertar uma reação positiva pra si mesmo. Sabem a famosa “mãe judia”? A causa fica em segundo plano, o ego é mais importante. Maior do que a vontade de educar é a vontade de mostrar que está certo. É conveniente não ser muito persuasivo para não perder a postura de superioridade.

Ah é… são vegetarianos! Todos são assim!

O blog tem poucas postagens, aparentemente a falta de proteína animal na dieta dificulta a atualização do site.

LAYOUT:

Não mexerem muito no padrão do Blogger. O que seria louvável caso não tivessem seu próprio logotipo que parece uma ode ao fist-fucking inter-racial. E uma complexa explicação do “designer”.

“Pela necessidade encontrada pela ONG Projeto Extinção em transparecer uma nova fase no qual se encontra, foi restruturada toda identidade visual, mantendo a tipologia antiga (em formato stencil) e passando a trabalhar com o simbolo que retrata diretamente a LIBERTAÇÃO ANIMAL (a pata e a punho fechado) para designar um movimento ativo ( representado pelo circulo ao fundo). O “x” ganhou um destaque maior com sua perspectiva modificada. A cor preta simboliza a seriedade da Organização e o vermelho contrasta representando o sangue derramado diariamente por animais humanos e não-humanos em função do sistema instituido.”

Eu poderia comentar, mas não conseguiria escrever algo mais engraçado do que isso. Tem horas que a gente tem que saber perder. Tipo… profundo!

UTILIDADE:

A ONG prega a LIBERTAÇÃO ANIMAL. (Eles escrevem em caixa alta, deve ser importante mesmo!) O blog prega a exibição das ações pífias realizadas pelo grupo, além da divulgação de campanhas alheias recheadas de humor involuntário.

Eu nem vou entrar no mérito que todos os vegetarianos estão errados e que para cada animal que eles não comerem eu como dois, não, não vou! Mas eu falho em ver a utilidade de organizar, realizar e divulgar esse tipo de ação. Ficar berrando palavras de ordem na rua vai mudar o fato de que ninguém (em sã consciência) se importa com a exploração do “pata-de-obra” animal? Além de sermos a única espécie que mata por puro prazer, vamos ser a primeira a pular fora da cadeia alimentar para não ferir os direitos trabalhistas de uma vaca?

Libertação animal? Esses hippies idiotas tem alguma noção do que isso significa? Em outro site inútil desses, li que é só questão de tempo até a humanidade considerar comer carne um crime tão sério quanto escravidão e pedofilia. Acho que esqueceram de considerar que animais irracionais não lucram em nada sendo tratados como racionais. Diminuição da CRUELDADE? Aí sim faz sentido. Agora, “libertação animal” é só uma desculpa para fazer baderna e “enfrentar a sociedade careta”. Vão à merda! Parem de usar todos os remédios que já foram testados em animais e morram na primeira doença séria que adquirirem, seus filhinhos-de-papai sem objetivos na vida!

EXEMPLO DE POSTAGEM (COMENTADA):

” O DINHEIRO QUE UMA PESSOA GANHA POR MEIO DA VIOLAÇÃO DOS DIREITOS DE OUTRO SER NUNCA É RAZÃO MORAL SUFICIENTE PARA QUE ESSA PESSOA O FAÇA.” Tom Regan
(Ah, abrir o texto com uma citação… Tentativa clássica de “emprestar” credibilidade e confissão de que o texto que segue é uma merda. E esse cara é um ativista da sua causa, suas mulas! Citação inicial perde impacto quando só se vai repetir o que o citado já diz.)
A luta contra aquilo que causa morte e sofrimento é comum a todas as espécies.
(Frase de efeito generalista. Afirmação de simples digestão para começar é outro clássico, lá vem argumentação controversa… Quer apostar?)
A história da humanidade é repleta de lutas contra as mais diversas formas de correntes e grades que sempre buscaram nos limitar. (Bem que poderiam ter te acorrentado longe do computador…) Tendo sido físicas ou morais (Óh!), muitas destas grades já foram destruídas quando, organizados, lutamos em prol da nossa liberdade. (Cacete, eu também enrolo tanto quando escrevo?)
Mas e quando a liberdade roubada não é a minha? (Ótimo!) Ou a nossa? (Melhor ainda!) E quando as correntes e grades aprisionam outras espécies não racionais? (O que será que elas pensam disso? *babando*)
A luta pela liberdade, (Lá vem…)se aplicada unicamente para nos manter livres, (Não seria luta pela liberdade se fosse para nos manter presos, anta…) passa a ser EGOÍSTA (Q?) se não soubermos enxergar que as mesmas grades que nos prendem, (Não deveria ter vírgula aqui.) também aprisionam outras espécies. (Abram as jaulas dos leões! Viva a liberdade! Ei… não! Não me ataca! Não! AAArrgh…) E o que talvez seja pior é entender que tais espécies não podem se organizar para lutar contra a tirania dos humanos contra os não-humanos. (Parem as prensas! Seres irracionais não podem pensar num plano contra a humanidade! Acho que começo a entender a simpatia que vocês tem por seres desprovidos de inteligência…)
Opte por lutar por uma liberdade verdadeiramente plena. (O que seria algo falsamente pleno? Aliás, a liberdade alheia não deveria terminar onde começa a sua? Não pode ser plena para todo mundo, hippie.)Não só a sua! Não só a nossa! Mas a de todas as espécies! (Ganhei a aposta. Não sei se você sabe, mas o Ebola é uma espécie de vírus, um ser vivo. Se todas devem ser livres, no caso de uma epidemia deveríamos esperar a morte pacientemente para não interferir com o direito de ir e vir do vírus em questão, não?)

Postado por Equipe Extinção (Equipe Extinção? Isso é um grupo de super-vilões? Vocês ainda não perceberam a cagada que é esse nome? E precisou de equipe para escrever só isso? Gezuiz, eu comentei mais do que li!)

DELETA EU?

Deleta, pega os manifestantes e coloca para testar novas drogas. Eu só peguei um exemplo, mas a maioria ABSOLUTA desse tipo de defensor dos direitos animais tem exatamente a mesma capacidade intelectual dos seres que defende.

Naveguei por vários outros blogs e sites igualmente cretinos e posso afirmar que a causa vegetariana NUNCA vai ser levada a sério enquanto não for uma coisa séria. Quer comer mato? Direito seu. Quer convencer os outros que por não se alimentar de carne você merece algum reconhecimento ou elogio? Vai plantar batata!

Para dizer que eu sou um assassino, para perguntar se meu amor pelos animais é maior com eles fritos ou assados, para combinar uma intervenção desfavor na próxima manifestação deles: somir@desfavor.com