(PARTE 2 de 4)

Vou contar um segredo para vocês. Achei uma mancha suspeita que parece batom na camisa favorita do Somir! Está bem no pescoço, local estratégico. É aquele batom vermelho menstruação, sabe? Aqueles bem de vadia-vagabunda. Mas eu sou uma mulher sábia. Se chegar e mostrar, jogar na cara, ele vai negar. Já viram homem assumir que trai? Pois é, nem eu.

Eu sei que se eu perguntar o que aconteceu com a camisa ele vai negar e vai usar a ocasião para dizer que ele trabalha 10 horas por dia e eu não ajudo nada nas despesas da casa: “Você não me ajuda aqui, não trabalha, fica com tempo demais livre ai dá nisso, fica imaginando coisas”
Eu sei que ele é capaz de reverter isso, mas eu não vou deixar.

Ahhhh… mas e a raiva? Eu não podia deixar barato não… Peguei o ferro de passar e dei uma bela queimada na camisa do safado! Daquelas que ficam BEM APARENTES mesmo, ainda esfreguei a camisa bastante no jornal do cachorro depois. Ai quando ele vier reclamar do queimado, eu aproveito e falo do batom, como se tivesse visto naquela hora. Não quero que ele fique se achando, que saiba que eu revisto as roupas dele a procura de pistas…

Todo dia de manhã ele pega a camisa, olha bem e põe de volta no armário. Ele sempre olha com cara de desespero, sei que ele quer reclamar mas tem medo daquela marca de batom. Esse hábito matinal está deixando meu humor muito melhor, portanto, não vou cair na besteira de mencionar.
Eu vou esperar até ele comprar uma igualzinha e colocar de volta.
Até lá… sou um túmulo.

O Brasil é um país muito civilizado. Não tenho de quem falar mal. Por isso, vou falar mal de “celebridades” cof! cof! da Suíça. Na Suíça só tem baixaria.

Então, na Suíça tem uma mocinha Greta Pil. Essa moça é uma subcelebridade que se tem em altíssima e adora aparecer. E quando consegue aparecer, processa os meios de comunicação. O pior, meus amigos, é que ela ganha! Ela ganha indenização por danos morais. A justiça da Suíça é uma vergonha.


Nota-se pelo farto cofre.

Vamos falar de Greta Pil. Para começo de conversa, ela tem os dois pés no mundo artístico desde que nasceu e ainda assim, não conseguiu emplacar em nada: nem como apresentadora, nem como cantora, nem como atriz. E olha que ela teve o PAItrocínio não apenas de um dos cantores mais famosos da Suíça, como também de um Ministro.

Papai-Greta Pil, um ex-Ministro, é um desfavor por si mesmo: assume um cargo de tamanha importância e abre a boca para dizer que sempre fumou maconha e chegou onde chegou sem problema algum. Ok, vamos ver se eu entendi… o governo DELE gasta dinheiro em campanha contra as drogas, dizendo inclusive que o usuário financia o tráfico, e ele achou bacana ostentar o uso de drogas em público? Filha de desfavor, desfavorzinho é. Desfavorzinho? Bem…

Não dá para chamar Greta Pil de desfavorzinho. Greta Pil é um mistério para a ciência: passou por diversas lipos e continua gorda. Talvez fosse o caso de sugerir para os médicos que usem uma cânula um pouco mais grossa, para retirar uma quantidade maior de tecido adiposo, algo assim como… um aspirador de pó. Sinceramente, eu não acho bonito de se olhar Greta Pil usando um biquini. Parece que o bonequinho da Michelin foi à praia.

O problema com Greta Pil não é que moça seja gorda. A Suíça é cheia de gente gorda.
O problema é que Greta Pil é gorda mas não admite ser chamada de gorda. Greta Pil não quer mais brincadeiras com seu peso e seu corpo. Vamos aprender lógica com a Tia Sally: Você é gorda. Você não gosta que te chameme de gorda. Conclusão lógica? EMAGREÇA.

Mas Greta Pil não emagrece. Ela tem dinheiro, ela tem recursos, ela faz lipo. Mas ela não emagrece. Veja bem, eu sou contra a diradura da estética, não me importo com gordura localizada desde que seja localizada no corpo dos outros…mas acredito que quem faz do corpo o seu instrumento de trabalho tem a obrigação de mantê-lo agradável ao olhar alheio. A pessoa ganha dinheiro para isso, não? Ou então, se a pessoa está convencida que é sexy mesmo acima do peso (a ponto de posar pelada e achar que ficou bonito), deve estar preparada para escutar que está gorda. Caso não esteja, não deve expor seu corpo gordo despido ou então pode optar por perder peso.

No entanto, ela continua acima do seu peso. Mas isso não impediu Greta Pil de posar nua na capa de um CD. Claro, o CD não vendeu bem. Teve todos os empurrões e paitrocínios e mesmo assim, encalhou. E olha que isso na Suíça é difícil de acontecer. Um bom jabá emplaca música ruim no rádio, na TV, nos filmes. Mas o dela encalhou.

O programa de TV que Greta Pil tentou apresentar também não deu muito certo, saiu do ar. Grat Pil é uma espécie de Midas ao Contrário: onde toca vira merda. Nem vou falar do desempenho de Greta Pil como atriz, porque seria ofensivo e a intenção aqui não é ofender.

A fama de gorda de Greta Pil é tão difundida que ao se pesquisar “atriz gorda” no Google aparece uma sugestão que se pesquise seu nome. EU ACHO INJUSTO ISSO, afinal, ela não é atriz nem aqui nem na casa do caralho… Mas, mesmo recebendo este elogio, atriz? ATRIZ? Greta Pil quer processar o Google. Seu advogado diz que ninguém pode ser discriminado em função da aparência. Perdão, alguém proibiu ela de entrar em um restaurante? De entrar em um cinema? Ela só foi chamada de gorda. Não se pode chamar um gordo de gordo? A Suíça deve ser um país horrível onde a população é vítima de censura. Se fosse “atriz loira” ninguém reclamaria. Gordo é um adjetivo, tanto quanto loira.

Ora, quem tem preconceito com gordo é a própria Greta Pil, que não quer ver seu nome vinculado ao adjetivo “gordo”. Curioso, quando ela posou nua para aquele CD, ostentou o fato de estar fora de forma dizendo que queria provar que meninas acima do peso poderiam ter aparência sexy FAIL! Me expliquem, porque não faz sentido para mim: ela pode se chamar de gorda e dizer que tem orgulho do corpo mas mais ninguém pode chamá-la de gorda, sob pena de ser processado? Se não é vergonha ser gorda, como ela mesma prega para todas as meninas da Suíça, porque processar quando te chamam de gorda?

Greta Pil dá entrevistas ousadas. Comenta algumas intimidades que uma mulher, sobretudo uma com um filho, costuma guardar para si. Greta Pil se porta de forma polêmica, mas não segura o rojão. Quem planta merda colhe bosta. Greta Pil colhe bosta e ainda processa a fábrica de merda. E ganha. Deus me livre de morar na Suíça…

Como eu moro em um país livre, uma República Democrática, respiro aliviada porque sei que posso falar o que penso de Greta Pil. Não com a intenção de ofender, absolutamente, apenas de expressar livremente minha opinião sobre uma pessoa pública. Por sorte no Brasil os crimes de injúrua e difamação não são instrumento de censura. (animius jocandi? aloouu?)

Fica meu conselho a Greta Pil, que nunca na vida vai ler isto: quem quer o BÔNUS, tem que encarar o ÔNUS. A fama inclui no pacote coisas boas e coisas ruins. Não tente ficar apenas com as boas, porque isso não é possível. Não consegue lidar com as ruins? Abdique da fama.

Ahhhh sim… Greta Pil, PROCESSA EU, assim nosso blog fica famoso!!!
Mas devo advertir que sou pobre, só posso te pagar uma coxinha e um refresco… mas a julgar pelo seu layout, você deve adorar…

Pequena introdução para quem não conhecia a DR FOREVER original:
Somir e Sally representam um casal absolutamente normal.

(PARTE 1 de 4)

Há pelo menos uma semana uma das minhas camisas está queimada. É uma marca de ferro de passar roupa, facilmente reconhecível logo abaixo do braço direito. Não bastasse perder uma camisa, perdi a minha camisa favorita. Era de marca, custou-me os olhos da cara.

Quem passa as minhas camisas é a Sally, até porque eu sou péssimo fazendo isso.
Vocês devem estar se perguntando se eu levei numa boa ou se eu reclamei com ela… Bom, não fiz nem uma coisa nem outra.

Eu simplesmente ignorei. Sabem por quê? Porque ela colocou a camisa de volta no armário junto com as outras. E não é do tipo de marca que dá para deixar de perceber… Não é possível que ela simplesmente tenha ignorado algo tão chamativo assim.

Eu sei o que ela está tentando fazer. Eu conheço a Sally. Do jeito que ela é, deve ter distraído e esquecido o ferro sobre a camisa enquanto falava no telefone com alguma amiga. Mas ela, ao invés de assumir o erro, está tentando sair pela tangente.

Aposto que ela vai esperar até eu descobrir. Aí ela pode dizer que não percebeu e que nem imagina como isso possa ter acontecido. Se eu levar numa boa, ela sai bem dessa. Se eu reclamar, ela provavelmente vira o jogo dizendo que não é minha empregada e que eu não tenho motivos para ser grosso com ela. Capaz até de dizer que nunca mais passa as minhas roupas…

Mas ela não está lidando com um amador não… Toda manhã eu abro o armário, olho bem minhas camisas e escolho calmamente qual vou vestir. Faço questão de chegar bem próximo à camisa queimada e continuar falando com ela. Eu adoro a expressão que ela faz, é um misto de expectativa com desespero. Aposto que ela sofre quando eu escolho outra e saio para trabalhar. Mais um dia para esperar a conclusão dessa novela.

Está fazendo maravilhas pelo meu humor matinal.

Eu vou continuar a torturando por um bom tempo. Ela merece.
Uma hora ela desiste e se entrega, mas até lá… eu sou um túmulo.

Muda o nome, muda o local, mas continua o desfavor. Sejam bem-vindos ao Somir Entrevista, o primeiro segundo write-show do mundo!
Mas agora eu não entrevisto mais brasileiros… Cansei de ser ignorado e maltratado pelas nossas celebridades. Eu encontrei um lugar onde os famosos são mais prestimosos com aqueles que querem apenas mostrar a verdade para o público.

Esse lugar é a Suíça! Vocês vão perceber como as celebridades de lá são MUITO mais interessantes que as nossas.

E eu já começo com um dos mais bem sucedidos músicos que ninguém conhece, Carcello Mamelo, ex-vocalista da banda Il Fratelli. Oriundo do cantão italiano da nossa querida Suíça, Mamelo experimentou relativo sucesso com sua banda e jogou tudo fora para ser cabeçudo em paz nos seus trabalhos solo.


Nota-se pelas suíças.

Mas chega de apresentações, vamos logo à entrevista:

SOMIR: Antes de qualquer coisa, Carcello, é um prazer ter você aqui.

MAMELO: O que é prazer senão a doce brisa da manhã acariciando o rosto dos apaixonados incorrigíveis? Muito embora eu não me importe.

SOMIR: É… Ok. Pois então… Ao invés de falar do passado, vamos começar pelo presente. Você acaba de lançar um trabalho solo, não?

MAMELO: Sim.

*grilos*

SOMIR: Anh… E você poderia falar mais sobre esse… trabalho?

MAMELO: Se você julga necessário… Eu me sentia muito limitado com a minha ex-banda, eu não podia desenvolver meus talentos como compositor, não podia buscar a essência do que é a música envolvida num contexto policultural que engloba o que se sente e o que se é dentro da sociedade.

E também tinha que respeitar a idade legal de consentimento…

SOMIR: Tentando traduzir para quem se importa com o significado e coerência das frases… Você não podia fazer merda enquanto participava do Il Fratelli?

MAMELO: Você ouviu nosso maior sucesso? Anna Giulia?

SOMIR: Bom ponto. Mas depois vocês se rebelaram contra o modelo fonográfico tradicional e arriscaram fazer um CD diferente, com uma sonoridade inovadora ilustrada por clipes horríveis, não?

MAMELO: Eu sempre fui fã da música popular suíça. Queria trazer um pouco dela para o nosso som, a gravadora não gostou e barrou o disco. Tivemos que procurar outra, que só pediu para nós não dirigirmos ao menos um clipe. Pareceu justo.

SOMIR:

*ouvindo o ponto*

Ok, Carcello, estamos perdendo audiência, tem gente indo até ler o kibeloco de tão chato que está. Vou ter que mudar o rumo desta conversa.

MAMELO: Sinta-se à vontade, não estou aqui para esconder nada.

*bebendo um gole de sua caneca*

SOMIR: Ótimo… Foi amplamente divulgado na mídia suíça há um bom tempo atrás que você teria apanhado do Choronne, vocalista da banda Charles Marroni Jr. É verdade que a briga teria começado pela inveja de Choronne pelo seu enorme nariz?

MAMELO: Aquilo foi uma barbárie. Ele começou a berrar que eu desperdiçava o meu potencial sendo um nerd careta e disse que eu não merecia esse presente dos deuses. Partiu para cima e quebrou meu nariz. Claro que a gente soltou uma versão diferente para a mídia, o que me impressiona é que engoliram que ele LIA alguma coisa!

Ei, eu não queria dizer isso. O que vocês colocaram na minha água?

SOMIR: Não tenho a menor idéia sobre o que você está falando.

MAMELO: Estou ficando com calor…

SOMIR: Calma, calma. Vamos continuar a entrevista. Falando em calor… Essa barba enorme não te incomoda? Eu já vi a Greta Pil ao vivo, então sei como suíças podem ser enormes, mas as suas são monumentais. Você tem algum ritual para cuidar da sua barba?

MAMELO: Essa barba só serve para não me chamarem de Emo. Na verdade é uma barba falsa. Eu posso tirá-la agora para vocês verem.

*tirando a barba*

SOMIR: Gezuiz! Parece que você tem 13 anos de idade com o rosto limpo!

MAMELO: Pois é, isso é uma mão na roda quando eu tenho que entrar na escola da minha namorada para vê-la um pouco. Ninguém sabe, mas todo dia eu fico com ela no recreio. E como ela tem que estar em casa às 21:00 todo dia, sobra pouco tempo para aproveitar.

SOMIR: Já que você mesmo entrou no assunto… Esse foi um dos assuntos preferidos dos programas de fofocas suíços nos últimos tempos. Fotos suas com a prodigiosa cantora teen de músicas para velhos Mallu Magarantz pipocaram em tudo quanto é lugar. Vem cá, Mamelo… Você escolheu a Mallu por que motivo?

MAMELO: Porque a Maísa não me deu bola.

SOMIR: Hmmm…

MAMELO: Além disso, Mallu é muito madura para sua idade, eu acho um absurdo esse preconceito contra nossas diferenças. Mulher para mim é como um bom vinho: Depois que tira a rolha perde metade do valor. E quem disse que o amor tem barreiras?

SOMIR: O estatuto da criança e do adolescente?

MAMELO: NÃO É CRIME, PORRA!

SOMIR: Relaxa, Carcello, se tem grama no campo, tem jogo.

MAMELO: Esse é o meu lema. Inclusive compus uma música baseada nisso. Quer ouvir?

SOMIR: Música só sua? Usando as suas inspirações e a sua visão sobre o que é música?

MAMELO: Sim!

SOMIR: Então não. Sabe como é, eu tenho uma audiência para manter…

MAMELO:

SOMIR: Mas não vamos deixar a peteca cair, queria finalizar a entrevista com um pingue-pongue. Eu faço uma pergunta rápida e você responde a primeira coisa que vier à cabeça, ok?

MAMELO: Ok.

SOMIR: Um livro?

MAMELO: Lolita.

SOMIR: Um filme?

MAMELO: Lagoa Azul.

SOMIR: Um ídolo?

MAMELO: Woody Allen.

SOMIR: Ok, chega. Você é um cara estranho, Mamelo. Não vou ser sentimental, como todo carnaval tem seu fim, chegamos ao fim deste programa. Mas você pode voltar outra vez… Quem sabe?

MAMELO: Adeus você.

O tema de hoje é complicado. Vou escrever, atendedo a pedido, sobre as diferenças regionais/culturais que existem no Brasil. É complicado porque é um assunto muito sério e profundo para fazer humor e também porque estou seriamente tentada a meter o pau em alguns estados. Vou tentar me controlar.

Não conheço o Brasil todo. Mas conheço todas as regiões. Não queria abordar o assunto no tom de tratado antropológico, até porque, não estou qualificada para isso, então, resolvi enfocar as diferenças regionais partindo de uma única experiência em comum, que tive em todos os lugares para onde viajei: encontrar uma lagartixa no quarto. A reação ao meu ataque histérico fala por si só, não vou precisar expressar nenhum juízo de valor nem fazer inimigos. Me limito a narrar o que aconteceu.

Sempre viajei muito, a trabalho e a lazer. E é muito comum que eu encontre algum bicho do qual tenho medo no meu quarto de hotel (não que os hotéis sejam sujos, eu é que tenho medo de quase tudo quanto é bicho). Para não criar um clima chato, vou contar diferentes experiências minhas sem dar nome ao estado, apenas às regiões. E quero deixar claro que todos os hotéis eram não só do mesmo nível como da mesma rede e todos em grandes capitais. Lá vai:

REGIÃO SUDESTE – É noite, estou no quarto do hotel me preparando para deitar e dormir. Vou tomar meu banho, como sempre tomo antes de dormir. No meio do banho, percebo uma movimentação estranha. Sou mípoe, então demorei para perceber o que estava acontecendo. Cheguei perto para olhar, foi quando a vi. Ela me olhava também. Puxei uma toalha e saí berrando para o quarto. Liguei para a recepção:

Sally: “Boa noite, por favor não me ache maluca, mas eu morro de medo de lagartixa e tem uma aqui no meu banheiro, teria como mandar alguém para matar ela para mim?

Hotel: “Perfeitamente, Senhora.”

Dez segundos depois batem na porta. Um funcionário entra, pergunta onde ela está, mata e ainda se desculpa por ter uma lagartixa no hotel. No dia seguinte tinha diversos mimos no meu quarto, como chocolates e outras coisas, como um pedido de “desculpas pelos inconvenientes”.

REGIÃO SUL – Estava desfazendo as malas e quando abro o armário para guardar a roupa, lá está ela. Gritei um “Puta que pariu! Até aqui?”, porque jurava que elas não sobreviviam a baixas temperaturas. Liguei para a recepção e repeti meu discurso:

Sally: “Boa tarde, por favor não me ache maluca, mas eu morro de medo de lagartixa e tem uma aqui dentro do armário, teria como mandar alguém para matar ela para mim?”

Hotel: “A Senhora tem preferência por funcionário homem ou mulher?”

Sally: “Desde que mate, pode mandar até um cachorro” – Será que acharam que eu queria sexo?

Chega um funcionário homem. Saio de perto. Algumas pancadas. Silêncio. O funcionário me aparece com a lagartixa ainda viva nas mãos e pergunta “A Senhora deseja que mate ou que apenas a retire do quarto?”. Porra, desde o começo eu pedi para matar, mas ele me obrigou a dizer mais uma vez. Peço para ele matar e ele esmaga a lagartixa com um jornal. No dia seguinte não se falou mais no assunto.

REGIÃO CENTRO-OESTE – Estou vendo TV, no final do dia, quando ela aparece. Estava escondida atrás do móvel da TV. Pego o telefone e ligo para a recepção:

Sally: “Boa tarde, por favor não me ache maluca, mas eu morro de medo de lagartixa e tem uma aqui no meu banheiro, teria como mandar alguém para matar ela para mim?”

Hotel: “Vou verificar”

Quarenta minutos depois, batem na porta. Acho importante contar que passei os 40 minutos encolhida em um canto do quarto vigiando a lagartixa. Abro a porta. Uma mulher entra e começa a espantar a lagartixa. Eu peço para ela matar. Ela diz que “não precisa, ela já está indo embora” e coloca a lagartixa para fora pela janela.

No dia seguinte, ela estava lá novamente. Por sorte, eu estava indo embora no mesmo dia. Deixei minhas malas na recepção e passei o dia na rua.

REGIÃO NORDESTE – Juro para vocês que o que vou escrever aqui é verdade. É bizarro demais para acreditar, mas juro que foi assim mesmo que aconteceu. Cheguei ao hotel, peguei as chaves do quarto e fui me acomodar. Acho importante contar que de todos os hotéis, esse era o com maior número de estrelas. E o mais caro de todos os eventos aqui narrados. Abro a porta do quarto e fico paralisada de medo: vejo uma lagartixa ANABOLIZADA, gigante e gorda me olhando. Por aquelas bandas, eles a chamam de “Calango”. Visão do inferno. Nem tive como pegar o telefone para ligar para a recepção, porque não tive coragem de passar por cima dela.

Dei meia volta e fui andando até a recepção. Estava apavorada, porque era realmente grande. Cheguei na recepção dando meu faniquito de mulherzinha, que costuma colar bem:

“AAAiiii moçoooo, me ajudaaaa! Tem um bicho enorme e horríveeeel no meu quaaaartooo!!!”

O funcionário arregalou os olhos, abriu um armário e pegou uma peixeira. Naquela hora eu pensei “ACHO que ele vai ficar puto quando souber que é uma lagartixa”. Ele me acompanhou até o quarto, entrou e ficou procurando. Leiam o que se segue imaginando o sotaque do funcionário:

Funcionário: “Óóóóliiii, tô vendo nãããão, acho que já fooooi emboooora”

Sally: “Ali, moço! Ali! do lado da cama, no chão!”

O Funcionário fez cara de espanto e apontou para a lagartixa com cara de interrogação.

Sally: “É moço! É! MATA! MATA!”

O Funcionário inclinou a cabeça para um dos lados e ficou em total inércia contemplativa por diversos minutos. Quando eu estava quase tendo um AVC, ele disse:

“Mato nãããããããoooo”

Sally: “Como não? Porque não?”

Funcionário: “É bicho liiindu di Deeeus”

Sally: “E EU, MOÇO? EU NÃO SOU LINDA DE DEUS NÃO! PELO AMOR DE DEUS, MATA ESSE BICHO”

Funcionário: “Maaaaatooo nãããããão”

Entrei no quarto puta da vida. Eu teria que passar vários dias por lá. Ao contrário do resto do Brasil, a lagartixa de lá era arrogante e insolente, não respondeu a meus pisões e não se afastou nem se escondeu. A dona do quarto era ela. Abri a mala e comecei a jogar coisas nela. Joguei uma bola de meia e ela nem se mexeu, continuou me olhando com cara de desprezo. Podem rir, mas foi só quando atirei uma camisa da Seleção Argentina que ela se afastou.

Comecei a chorar. Na época, peguei o celular e liguei para o Somir, chorando e gritando. Ele não entendeu nada, demorei uns 20 minutos para me fazer entender. Ele disse que era um absurdo, que eles tinham que matar sim. Eu liguei para a recepção e pedi para falar com o gerente do hotel, expliquei o que estava acontecendo e ele disse que mandaria alguém. Mais de uma hora depois, bate uma mulher na porta. Digo a ela que a lagartixa se escondeu porque eu joguei roupas nela, que estava atras do armário e ela disse que quando ela saísse do armário eu deveria chamá-la novamente.

A lagartixa saiu do armário. Eu avisei. A funcionária demorou uma hora e quarenta minutos para aparecer. A lagartixa já tinha se escondido novamente. Ela disse que não poderia fazer nada. Ligo novamente para a recepção e peço para trocar de quarto, explico o motivo. A recepcionista RI sem cerimônias e diz que todos os quartos estão ocupados, fazendo um acréscimo “Óóóóli, se a Senhora tem medo, melhooor que volte pro Rio, porque aqui tem em tudo quanto é lugaaar”.

Ligo chorando para o Somir novamente. Ele me explica que as lagartixas respiram pela pele (respiração cutânea) e que o melhor que eu poderia fazer seria ligar o ar condicionado no máximo, porque isso ressecaria a pele dela e ela teria que sair do quarto para algum lugar mais úmido. E ele também apelidou o calango de Fred.

Ligo o ar na temperatura mais baixa e vou para um shopping. Saindo do quarto, quando passava pelo parque que tinha na entrada do hotel, vi diversos calangos andando normalmente entre as pessoas, alguns até na beira da piscina.

No caminho para o shopping, vi calangos pela rua. Na porta do shopping tinha calangos também. Eu criei uma teoria: lá tem tantas moscas que as lagartixas estão hiper-alimentadas e ficam enormes. Juro para vocês, até mesmo em lugares fechados como shoppings tinha moscas por todos os lados.

Na volta ao hotel (eram dez da noite e o shopping estava fechando) entrei no quarto (gelado, por sinal) e não encontrei o Fred. Mesmo assim, dormi de tênis e toda coberta, para não correr o risco dele encostar em mim. E só dormi porque tomei um anti-histamínico que me deixa com muito sono.

No dia seguinte, ao acordar, encontro o Fred no chão do quarto, como se nada. Aquilo foi demais para mim. Gritei com o Fred: “O que você quer? O QUE VOCÊ QUEEER?” Liguei o ar em uma temperatura anti-Fred e fui tomar o café da manhã. Ao passar pela recepção um funcionário ainda fez piada com a minha cara “E aí? péééérdeu o medo du bichinhuuuu?”. Pensei: “Não, mas ganhei a convicção que do Espírito Santo pra cima eu não viajo mais”.

Voltei para o quarto, liguei para o aeroporto e mudei minha passagem para aquele mesmo dia. Fiz as malas e fui para a recepção, avisei que estava indo. Se recusaram a me devolver os dias pagos. Não faz mal, paguei para ficar longe daquele lugar. Tá valendo. Enquanto esperava o funcionário da recepção chamar um táxi (tudo é em slow motion), passa um casal gays na recepção, um era gringo e o outro nacional. O mesmo funcionário que tinha se recusado a matar a lagartixa me solta o seguinte comentário: “Óóóóóliii! Mas tem é que mataaar um cabra deeeeesses!”. Olhei chocada e respondi “Moço, o Senhor se recusou a matar uma lagartixa mas acha que tem que matar um ser humano?” e ele respondeu “Issssu não é geeenti nãããão!”. Eu, quase beijando minha passagem de volta disse “Quer dizer que o senhor mataria um colega seu?” e ele finalizou “Nãããão! aqui não tem freeescu não!!! Vem tuuudo de Péééérnambuco!”. Entrei no táxi sem nem me despedir.

No aeroporto havia calangos. Do lado de dentro. Antes de ir embora, no melhor estilo Carlota Joaquina, bati um sapato no outro e disse “Desta terra eu não quero nem o pó!”.

REGIÃO NORTE – Estou jantando em um lugar a céu aberto quando se aproxima uma lagartixa. Fico de olho, só esperando o atendente chegar para pedir para que ele mate ou chame alguém para matar. Faço um sinal e ele faz que sim com a cabeça, está acabando de servir uma mesa ao lado e depois vem. Fico de olho nela, essas pragas quando se escondem ninguém acha. Do nada, surge um bicho peludo que eu não sei identificar (talvez por ser míope ou talvez porque lá é cheio de bicho exótico) e COME a lagartixa. O atendente se aproxima e pergunta: “Pois não?” e eu respondo “Uma fatia de torta de chocolate, por favor”.

Welcome to the jungle.

Dedico esta postagem à Camilla, que sugeriu o tema via e-mail.