Tesão saciado, lençol amarrotado, tempo acabado e desfavor anunciado: Nos tempos modernos em que vivemos, ainda é obrigação do homem pagar a conta do motel?

Sally e Somir discordam. E pagam para ver quem vai conseguir mais defensores de suas argumentações.

Já adianto que não tenho uma opinião radicalmente contrária à minha CARA companheira de blog e ex-companheira de relacionamento. Não considero radical porque eu aceito a opinião dela. Não acho algo muito racional, mas consigo conviver numa boa.

Até porque não é lá muito inteligente arranjar um problema com uma mulher com a qual você quer fazer sexo tendo a possibilidade clara de conseguir. Esse tipo de manipulação “faz o que eu quero ou eu não deixo você fazer o quer comigo” está no pacote de virtualmente qualquer mulher nesse mundo. Faz parte.

E se tem um momento em que a maioria dos homens é vulnerável é justamente quando eles estão com as calças na mão. Não é a racionalidade que torna a argumentação da qual Sally vai ser a porta-voz na coluna de hoje vencedora.

Entrando nesse território, quem defende que quem puder pagar paga independentemente do gênero ganha de lavada. Vamos lá:

– Dinheiro é um pedaço de papel: Eu sei muito bem que dizer que o homem precisa pagar a conta do motel não é uma questão de “ser comprada”, pelo menos no exemplo que eu conheço da Sally. É uma questão de valorização da mulher que já valorizou o homem com sua presença e esforço. Dizer que paga o motel não faz a menor diferença se a mulher não quer te acompanhar até lá.

JUSTAMENTE por não ser um ato de prostituição que a lógica da argumentação cai por terra. Dinheiro é para ser gasto e só assume significados quando queremos. Se não é uma questão financeira, porque tanta importância para o aspecto de quem paga ou não? Dedicação se paga com dedicação. O motel se paga com dinheiro ou cartão.

– Sexo é um acordo entre duas partes: Se fosse prostituição, vá lá. Mas NÃO é. O acordo, implícito ou explícito, é ir até o motel e fazer sexo. Os dois ganham orgasmos e aquela sensação de que tudo está bem com o mundo por algum tempo. SE o homem tiver o dinheiro e estiver disposto, é uma gentileza pagar. SE ele tem que pagar porque a mulher se recusa, perde o valor e vira OBRIGAÇÃO.

Não era para ser um reconhecimento pelo sacrifício que é ser uma mulher e estar lá linda, maravilhosa e depilada? Bom, se a mulher não vai pagar de jeito nenhum, não tem como saber se ele está pagando porque é um homem à moda antiga ou se está pagando para não sair do motel para a cadeia. Se você nunca paga o motel, transforma isso numa condição. Cadê a graça da escolha dele?

– É um argumento puramente sexista: Dizer que o homem pagar a conta do motel é condição inegociável é basicamente dizer que a mulher merece mais recompensas por querer fazer sexo. Mais ou menos como se fosse muito mais difícil para ela. Ok, a preparação feminina é mais demorada e trabalhosa. Ok, mulher corre o risco de engravidar. Ok, o papel de fêmea é mais vulnerável do que o de macho. Ok, mulher tem uma pressão social grande contra sua sexualidade.

Mas isso não quer dizer que seja fácil ser o homem. Mulher não broxa. Mulher não tem a menor obrigação de conduzir e quase sempre sai como vítima de qualquer problema entre ela e um homem na intimidade. Se por um acaso sua parceira fizer alguma coisa horrível que tire seu tesão, você é um viado. Se por um acaso ela mudar de idéia no último minuto, você é um incompetente. Se por um acaso ela estiver a dois anos sem se depilar, você encara ou encara.

Ser homem é não dar pra trás (ha). Eu não fico reclamando disso e não quero nenhuma compensação pela pressão que circunda a mente de um macho na hora do “vamo vê”. Não é mais difícil para a mulher, é diferente.

Cada sexo com seus direitos e deveres. Mulheres tem muito mais atribuições no pré-sexo. Homens tem muito mais na hora que a coisa está acontecendo.

Depois de tudo terminado, volta o estado de igualdade. O homem corresponde às expectativas da mulher e vice-versa. (Considerando que tudo funcione direito.)

Pedir para pagar a conta do motel por questão de princípios é exigir do homem uma compensação EXTRA por ser mulher. (E depois ainda reclama quando nós dizemos que podemos alguma coisa “por sermos homens”.)

– É problematizar de forma desnecessária: Quando um casal vai para um motel, presume-se que ambos estejam atraídos um pelo outro. E que ambos queiram fazer o que estão prestes a fazer. Bater o pé dizendo que não admite dividir a conta do motel sugere que a mulher está COLOCANDO UM PROBLEMA no caminho caso o homem não possa pagar sozinho. Não sei quanto aos outros homens, mas não me agrada muito quando uma mulher decide colocar uma barreira entre você e ela deliberadamente.

Ou ela não se sente muito atraída por você, ou acha que você vale menos do que meia-conta de motel. Se você é mulher, imagine só se um homem com o qual você concordou ir para um motel decida que não quer mais ir enquanto não lavar o carro. Mesmo que você saiba que ele tem uma razão ideológica por trás disso, não te faria sentir-se preterida por um motivo vazio?

Se você gosta de um homem, não faça a MALDADE de fazê-lo se sentir um fracassado por não poder levar a mulher num motel por falta de dinheiro. Você não ganha NADA de bom em troca disso. Se você é digna de respeito e ele é digno de você, ele vai te respeitar. Não há a menor necessidade de fazer essas “afirmações de poder feminino”.

Mulheres, vocês são livres. Vocês não devem nada para os homens, e os homens não devem nada a vocês. Não há absolutamente nada de errado em pagar metade ou mesmo a conta toda do motel se quiser/puder. Você também vai aproveitar! E considerando que os orgasmos femininos são muito mais intensos que os masculinos, você já nasceu com uma vantagem considerável.

Para dizer que eu sou pão-duro, para argumentar sobre eu não praticar o que prego, para dizer que mulher merece mesmo mais recompensas por fazer a mesma coisa que um homem: somir@desfavor.com


Já falei sobre isso no meu texto “Bastidores” e sempre que tenho oportunidade repito: acho o fim da picada (sem trocadilhos) mulher dividir conta de motel com homem. Tenho certeza que todo mundo vai concordar com o Somir, até porque, os argumentos dele (de hoje, só de hoje) são bem coerentes, e os meus são descompensados. Mas é assim que me sinto, e é isso que vou defender. Posso ser maluca, mas sou uma maluca sincera.

Eu prefiro pagar a conta de gás de um homem do que pagar motel. NÃO PAGO! NÃO PAGO! NÃO PAGO! Nunca paguei, e acredito que vá morrer sem pagar. Porque? Por vaidade. Não pago para alguém fazer sexo comigo, sou boa o bastante e valho a pena (e o esforço) que o Zé Ruela pague o motel, ou me leve na casa dele, ou DÊ SEU JEITO de conseguir um lugar. Sim, porque homem tem que se virar! Eu hein, essa nova geração quer moleza!

“Mas Sally, é justo que homens e mulheres dividam todas as despesas!”. Atentem para a palavrinha mágica: TODAS AS DESPESAS. Ok, partindo dessa premissa, pensemos no seguinte: para ir a um motel com um cueca eu faço depilação ($), faço mão e pé ($), uso um vestido bonito ($$$), um sapato bonito ($$$) uma lingerie bonita ($$$$$), maquiagem ($$), perfume ($$$$$), trato do cabelo ($$), malho ($$$), uso anticoncepcional ($) e perco quase um dia todo da minha vida me preparando para isso! Se é justo que homens e mulheres dividam TODAS as despesas, então vou mandar minha conta para ele, o quanto custa para ele me ver montadinha, pronta, linda e perfumada na caminha do motel. Garanto que ele vai chorar lágrimas de sangue e implorar para voltar a pagar APENAS a conta do motel, que, no pior dos casos, é 1/3 do que eu gasto. (sem contar que depilação DÓI, porra! DÓI MUITO!)

Eu divido jantar, eu pago cinema, eu compro presente. Mas porra, o motel não. O MOTEL NÃO (*respiração alterada). Não tem dinheiro? Se vira! SE VIRA! Nem que me leve para acampar e tente fazer sexo comigo no meio dos mosquitos depois de ter limpado a bunda com uma folha de árvore. TUDO é melhor do que me fazer dividir a conta do motel. Nem me mexo quando o Cueca pede a conta. Mas nem morta que eu divido e nem mortíssima que pago sozinha.

E podem debochar de mim: eu acho que os homens apreciam isso. Homem gosta de mulher-conquista. Uma mulher que divide motel não é propriamente o que se pode classificar como um desafio a ser conquistado. É o Mito da Musa, que um dia o Somir explica para vocês. Se quer me seduzir, me conquistar, me cortejar, basta saber fazer com classe e em alto estilo, que vai virar meu dono (sim, eu usei a palavra DONO, joguem pedras feministas se quiserem). Mas me trate como uma conquista, como algo cobiçado, como algo raro… e não como sócia para pagar a conta da foda!

“Mas Sally, homem tem que pagar tudo para você? Isso não é meio interesseiro?”. Não, caralho! Cansei de dar presentes caros, de pagar cinema, pagar jantar, pagar um sem fim de coisas… Eu posso ser tudo nessa vida menos interesseira (até porque vivo dando fora em ricos e me apaixonando por pobres). E nem estou dizendo que faço questão que o homem pague um motel. Estou dizendo que o homem tem que providenciar a viabilidade do sexo, ainda que seja na casa dele ou mesmo em uma praia deserta e que ele não gaste um centavo. MAS CABE AO HOMEM CUIDAR DISSO, e não à mulher. É tão difícil de entender? É tão sem sentido? Porque quando eu falo isso as pessoas me olham como se estivesse mostrando uma foto do meu cu cheio de purpurina ou oferecendo um canapé de bosta empanada? Sério, esse assunto me faz sentir um ET, incompreendida!

Não cabe à mulher se preocupar em como, quando e onde vai fazer sexo. É dever DO MACHO pensar nisso. O dever da mulher é estar linda, depilada, limpinha, sexy e cheirosa – a vai por mim, é muito mais difícil, caro e sofrido do que simplesmente providenciar um lugar para foder!

Alou Cuecas! Sejam criativos! Não tem dinheiro para motel? Faça algum joguinho sexual em um lugar público (mas não muito), ou banque o aventureiro no meio da natureza, ou proponha variações como sexo no carro, sexo no elevador e outras brincadeirinhas que podem ser bem interessantes! Peça o apartamento de um amigo ou de um parente emprestado, leve ela para sua casa de final de semana da sua família, sei lá, SE VIRA MEU IRMÃO, e dá graças a Deus que você não tem que depilar sua virilha com cera quente se quiser foder!

Desculpem. Me excedi. Esse assunto me tira do sério. Eu avisei ao Somir que esse assunto não me faz bem. Apesar do descontrole, espero que ao menos vocês tenham sentido minha sinceridade. Não é pirraça não, gente, é de coração. Sobra tudo para a mulher moderna: tem que ser boa profissional, boa mãe, boa mulher, estar em forma, ter cultura, parecer sempre jovem… enfim, uma das últimas coisas que não sobra para a gente (ainda) é ter que ralar para conseguir sexo. VAMOS LUTAR POR ISSO, antes que nos tirem isso também! Meninas, isso que vocês tem no meio das pernas lhes dá PODER, USEM, MENINAS, USEM SEM MEDO ESSE PODER!

Para passar atestado de analfabeto funcional e dizer que eu sou interesseira, para me fazer propostas criativas de sexo sem infraestrutura, para sugerir temas para o próximo Ele Disse/ Ela Disse e para me perguntar como fazer sexo dentro de um carro popular sem ficar com freio de mão cutucando as costelas: sally@desfavor.com

NOTA: Excepcionalmente nesta semana, as colunas de segunda e terça serão trocadas de lugar.

Uma constante que observo no comportamento feminino, (e faço questão de me incluir nisso), é essa mania babaca que temos de adotar a posição de vítima nos relacionamentos (ou no término deles). Não que homens não façam, fazem também, mas eu quero que eles se fodam e continuem fazendo papel ridículo, afinal, como todos sabem, escrevo aqui para mulheres.

Quando algo dá errado, é uma tentação enorme dizer “Olha só o que FULANO ME FEZ!”. Sim, Fulano provavelmente é um babaca, um imbecilóide, um demente, mas são necessárias duas pessoas para que aconteçam abusos em uma relação: a que faz e a que consente. E muitas vezes a que consente não é tão santa assim e tem bons ganhos secundários aturando aquilo.

Quando um Zé Ruela qualquer nos faz algo que não gostamos DE VERDADE e que nos magoa DE VERDADE, algo que, dentro da nossa escala de valores é insuportável, sabemos que devemos colocar um ponto final na relação, mas nem sempre o fazemos. Existem coisas perdoáveis e existem coisas imperdoáveis, de acordo com esta escala de valores personalíssima. Se você perdoa uma coisa imperdoável, não pode depois levantar a bandeira de vítima, afinal, o que houve não foi uma sacanagem e sim um acordo. Você não pegou sua bolsinha e foi embora porque não quis, ou porque não conseguiu. Isso não te faz uma vítima. Isso te torna extremamente idiota.

Mesmo quando a merda que nos é feita independe do nosso consentimento, mesmo quando conseguimos não perdoar e colocamos um ponto final, não convém vestir o manto da vitimização. Ok, ele foi muito escroto com você, ele foi baixo, foi vil, foi traidor, foi incorreto e foi filho da puta. Ainda assim, não se coloque no papel de vítima! É feio, é medíocre e é pior para você. Não queremos despertar pena, queremos?

Você foi sacaneada? Você foi muito sacaneada? Pegue sua bolsinha e vá embora, Amiga. Vá ser feliz. Sem se fazer de vítima.

Também não caia na armadilha de ir para o extremo oposto, o que eu chamo de “vítima agressiva”: tem gente que simplesmente não sabe ficar triste, apenas triste. Tudo tem que ser transformado em raiva. Criam raiva profunda de quem lhes causou apenas tristeza. Resolvem virar as escrotas da vez, só para fugir do papel de vítima. “Ah é? Ele me sacaneou? Pois bem, eu é que não vou ser vítima, ele vai ver, eu vou fazer PIOR”. Continua uma vítima, sinto dizer: vítima agressiva. Vítima da própria raiva. E vai fazer um papel patético gastando tempo de sua vida em prol do outro (ainda que seja para se vingar). Isso dá uma importância enorme à outra pessoa. É um mecanismo de defesa tão bobo e óbvio que chega a dar pena. Não tire onda de “bad girl”, é simplesmente ridículo.

Coisa feia ficar espalhando para meio mundo o que o homem te fez… Isso depõe contra você! Deixa ele, porque o tempo mostra a verdade sobre as pessoas (ahh… e como mostra…). Saia digna. Não sinta pena de você mesma nem faça com que os outros sintam. Existem pessoas que, na intenção de denegrir outras, topam se emburacar junto. Acho isso extremamente idiota. Topam falar mal de pessoas com as quais dormiram lado a lado por anos, sabendo que isso depõe contra elas mesmas. Mas a vontade de queimar o objeto do ódio é tanta que puxam o pino da granada e explodem tudo que está à sua volta, inclusive elas mesmas.

E gente que fala mal sem falar? Esses se acham espertos e de quebra, acham que o resto do mundo é burro. “Fulano é ótimo, coitado, nosso relacionamento não deu certo, mas ele é um amor de pessoa, desejo tudo de bom para ele, inclusive torço para que ele supere esse probleminha com álcool, porque ele é uma pessoa iluminada, tem tudo para ser um sucesso na vida…”. Pronto! Está espalhando que o ex é alcoólatra na maior cara de pau, e ainda acha que está tirando onda de pessoa do bem! Coisa feia… todo mundo percebe!

Não estou pedindo para que as pessoas achem bonito quando são sacaneadas. É normal ficar puta da vida, essa história de dar a outra face para bater é muito utópica. Só estou pedindo para não cair na armadilha de se fazer de vítima (passiva ou agressiva). Nesse jogo, jogam dois. Se um Cueca te sacaneou, vá embora entoando o mantra “Quem perde é ele”. E siga sua vida com esse pensamento: “Perdeu, Playboy, ficou sem mim, se fodeu! Hahaha”. Nada de “Como ele pôde fazer isso comigo? Como eu fui sacaneada!”. Não, você não foi sacaneada. Não, você não é vítima. Você teve sua parcela de responsabilidade nessa relação para que as coisas se desdobrassem desse jeito, olhe para trás e procure ver onde errou (ainda que o erro tenha sido na escolha do parceiro) e aprenda, para não repetir o mesmo erro.

Quem não aprende com os erros, ou quem sequer os identifica, está sujeita a repetir o mesmo padrão de comportamento e relacionamento fracassado. Quem não assume sua parcela de responsabilidade, acaba jogando a culpa no karma, no azar, nas encarnações anteriores, nos astros ou em Deus quando repete um padrão autodestrutivo: “Nossa, eu só atraio homem casado! Deve ser karma”. Não, não é karma. Eu sei que é muito mais fácil culpar fatores externos, mas o problema está dentro de você.

“Mas Sally, a gente não escolhe de quem a gente gosta, né?”. Discordo. De certa forma, é uma escolha sim, por mais que seja uma escolha inconsciente. Quando nos acostumamos a funcionar de um determinados jeito, com determinados comportamentos, estabelecemos padrões que podem ser muito difíceis de mudar. Observe quais são seus ganhos secundários nessas “escolhas erradas” que você anda fazendo, com certeza tem algum. Não gostamos das pessoas ao acaso, randomicamente. E pior: às vezes esse ganho secundário é justamente o sofrimento que essa pessoa te traz. Não que você goste de sofrer, ninguém (ou quase ninguém) gosta, mas às vezes, esse sofrimento se faz necessário na sua vida, por uma série de motivos: para dar vazão a angústias decorrentes de outras situações que estão presas dentro de você, por exemplo.

Não se permita ficar na posição de vítima. E cuidado: as pessoas que nos cercam também adoram nos colocar em posição de vítima. Se fizerem isso com você, corte o mal pela raiz! “Ai Amiga… fiquei sabendo do que Fulano fez com você… tadinha de você, que pessoa má…”. Não morda a isca. Responda com dignidade: “Ele foi muito burro de me perder. Estou triste, estou sofrendo, mas vai passar e vou encontrar alguém que me dê valor”. Não ostente, não valorize sofrimento.

Porque será que quem sofre é sempre herói? Porque será que sofrimento tem tanto mérito na nossa sociedade? Metade dos blogs pessoais que leio (forçada, para fins de desfavor, porque geralmente são todos um pé no saco, salvo honrosas exceções) trazem o sofrimento com pano de fundo (alguns até mesmo no nome!). Se a tua vida é uma merda, porra, tente fazer piada, tente encarar com bom humor, tente resolver da melhor forma possível… procure ajuda se for o caso, mas não fique ostentando sofrimento por aí como se fosse MÉRITO, porque não é. NÃO É. Mérito é conseguir rir de si mesma.

Sofrimento e vitimização tem seu ganho secundário: todo mundo te dá atenção (por um tempo limitado, claro), todo mundo é extremamente gentil com você, você fica em uma posição que inspira cuidados… enfim, traz alguns benefícios. Mas cuidado, porque sofrimento vicia. Não queremos nos tornar aquelas pessoinhas, coitadinhas, que enchem o saco de homem, certo? Tem mulher que enche TANTO o saco de homem que o coitado perde a cabeça, destrata a criatura e ela ainda tem coragem de se fazer de vítima depois… parece até que estava procurando por um motivo para se vitimizar! Quem planta merda colhe bosta, né? Ser vítima é um saco. Não valorize um pingo de sofrimento.

Sofra. Sofrer faz parte da vida, mais cedo ou mais tarde o sofrimento vem. Sofrer é normal. O que não é normal é procurar pelo sofrimento, alimentar o sofrimento, prolongá-lo. Sofrimento paralisa, vocês já perceberam? Sofra apenas o necessário, depois MEXA-SE, porque a vida é uma só, e é curta. Obrigue-se a quebrar a inércia do sofrimento. Sofra aos olhos das pessoas mais próximas, mais íntimas. Gente que sofre para o mundo ver passa uma imagem muito, muito, muito ruim. Ninguém precisa se acabar, se auto-detonar para mostrar ao mundo o quanto está sofrendo. Não precisa fazer com que seu cabelo, sua pele e sua roupa reflitam seu estado interior, isso é se entregar ao sofriemnto. O reflexo do sofrimento em você não indica que ele é maior ou menor, indica o quanto a pessoa que sofre é forte ou fraca. Nada de deixar de comer, nada de deixar de tomar banho, nada de encher a cara, nada de usar drogas, nada de tomar remédios, nada de nada auto-destrutivo. Com isso você não prova que está sofrendo de verdade, ou que está sofrendo mais, só prova que é imatura, fraca e despreparada para adversidades.

Por isso, se hoje você está sofrendo feito um cão sarnento, respire fundo e coloque seu cérebro para pensar por cinco segundos: Ok, você está na merda, na mais profunda merda, está sofrendo pra caralho. Respeito isso. Eu já sofri pra caralho ao quadrado. É ruim. Tem que sofre, tem que chorar, tem que ficar triste – mas com data para acabar. E sem achar que isso é bonito, sem ter orgulho disso e principalmente, sem esperar que as pessoas mudem com você por causa disso. Não capitalize benefício com base no seu sofrimento, oK? É feio. Não se apegue ao “lado bom” do sofrimento. É como diz uma amiga minha “O vale do sofrimento foi feito para se cruzado, não para se montar acampamento nele”. (pelo amor de Deus, espero não estar citando Caulo Poelho… puta merda)

Para debochar de vítimas passivas, para rir das vítimas agressivas e para sugerir temas: sally@desfavor.com

Assunto da semana. Indiscutível (para o Somir). A seleção argentina levou acachapantes SEIS gols da Bolívia, provavelmente a goleada mais humilhante da história futebolística do país.

Um blog voltado ao público brasileiro achando que uma derrota da argentina é um desfavor? Pois bem, com exceção da Sally, a derrota em si não é desfavor para ninguém daqui. Agora, o que aconteceu antes e depois do jogo… Isso sim é um desfavor universal.

“A trolha que eu levei era deste tamanho…”

SEIS A UM? DA BOLÍVIA? DEPOIS DE TIRAR ONDA QUE ALTITUDE NÃO INFLUENCIA JOGO?

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Maradona não decepciona. Sempre está fazendo ou falando alguma bobagem. Dieguito já merecia uma menção como desfavor da semana quando assumiu o comando da seleção argentina. Mas naquela semana outras coisas surgiram e acabamos falando de outra coisa. Não me preocupou nem um pouco porque eu sabia que era só questão de tempo até ele garantir um espacinho aqui. Pois bem hermano, sua vez chegou.

Maradona é amigo pessoal de Fidel Castro e todos os desfavores ditadores comunistas de quinta-categoria da América Latina. Para quem não lembra, foi se “tratar” em Cuba quando quase bateu as botas de tanto se drogar. Bem que dizem que é bom ficar longe da civilização quando se quer ficar limpo.

E na sanha de defender os interesses de um dos três patetas latinos, Evo Morales, foi mencionar publicamente que a altitude de La Paz não era obstáculo quando o assunto era futebol. Tenham em mente que dizer que altitude (ar rarefeito) não influencia desempenho atlético de quem vive no nível do mar é mais ou menos como dizer que um tiro na cabeça não mata. Sim, existem exemplos raros de pessoas que não sofrem esse efeito, mas não quer dizer que o FATO CIENTÍFICO deixa de existir.

Correr por 90 minutos com MUITO MENOS oxigênio do que se está acostumado causando efeitos devastadores na performance de um atleta parece um conceito muito confuso para vocês? Se não, vocês são mais inteligentes que o Maradona.

“Vamos enfrentar a Bolívia e não a altitude.” – Don Diego Armando um Desfavor Maradona

Até quem não entende nada de futebol sabe que a Bolívia entende mais de cocaína do que craque. O país simplesmente não tem nenhuma tradição futebolística e comemora incrivelmente cada vitória conquistada nas eliminatórias. A Argentina, pelo contrário, é uma das grandes potências do esporte no mundo. E tem um time recheado de excelentes jogadores. Faz sentido que eles apanhem de seis a um de um timeco? Se você acha que sim, você é tão inteligente quanto o Maradona.

Depois do jogo e depois de virar piada no mundo todo, o técnico argentino INSISTIU que não fora culpa da altitude. E sim mérito e demérito dos times envolvidos.

“A altitude não influenciou” – Don Diego Armando uma Empacada Maradona.

Além de chamar a seleção que escolheu de ridícula, ainda jogou contra a causa que defendia com um exemplo que jamais vai ser esquecido.

Maradona pode ter dado o primeiro passo na reinstituição da proibição da FIFA em relação a jogos disputados em grandes altitudes. Os JOGADORES da sua seleção disseram que era culpa da atitude. Inclusive a grande estrela do time: Lionel Messi. (Só o genro dele que não reclamou.)

Fico imaginando se os seis gols que levaram da Bolívia não foram uma punição cármica por aquele ROUBO na Copa de 78. Para quem não sabe também, a Argentina comprou o time do Peru e fez seis neles para bater o Brasil no saldo de gols e disputar a final. (Ou seja: Ganharam as duas copas que ganharam “metendo a mão”.)

Justiça poética!

Devaneios à parte, o verdadeiro desfavor da semana está muito além das quatro linhas do gramado. Maradona sabia muito bem que a altitude influenciaria seus jogadores, só não esperava que as coisas saíssem tanto de controle. Tirou onda e quebrou a cara.

E por motivação POLÍTICA! É sabido que aqui na América das Repúblicas das Bananas do Sul, futebol e política andam de mãos dadas. Na falta do pão, os jogadores providenciam o circo.

Ao invés de preparar o seu time direito e de não enfiar na cabeça de todo mundo que seria um jogo comum, ao invés de não fazer uma festa antes do jogo motivando os bolivianos, ao invés de fazer o seu trabalho, Dieguito resolveu puxar o saco de um dos líderes de esquerda do continente e reafirmar sua “dedicação à causa”. Dedicação altamente suspeita, já que duvido que seu salário polpudo seja destinado à diminuição da desigualdade social.

Fanfarrão, inconseqüente e bravateiro. Assim como os outros socialistas de fachada que tanto nos atrasaram como continente. E o povo acha lindo.

O desfavor da semana é que assim que a Argentina fizer um jogo bom novamente (o que não deve demorar muito), tudo volta ao normal. E as motivações da derrota argentina em La Paz vão acabar virando assunto de teorias da conspiração.

E o circo nunca vai sair da cidade.

Para passar atestado de analfabeto funcional dizendo que não concordei com a Sally hoje, para saber mais sobre a Copa que os hermanos roubaram, para me chamar de reacionário: somir@desfavor.com


Esta semana bombou de desfavor. Tá na primeira página dos jornais de hoje: o Brasil usa suas reservas econômicas para emprestar 10 bilhões de dólares ao FMI (em vez de usar com sua população, investe no FMI, que sempre explorou e fodeu com a gente). A Google está colocando câmeras nas ruas para criar um primo do Google Earth, o Google Street, e já está dando merda: é um tal de neguinho flagrar o parceiro entrando na casa de amante… evasão de privacidade violentíssima poder ver todas as ruas em tempo real no seu computador! São tantos desfavores que teve até Arnaldo Antunes lançando CD INFANTIL!!! Mas nãããão, Madame não quer falar sobre nada disso. Madame quer falar sobre sua obsessão: Diego Maradona.

Lá vou eu mais uma vez para uma missão kamikaze. Não sei se vocês repararam, no Desfavor da Semana, ao contrário do Ele Disse Ela Disse, nós CONCORDAMOS um com o outro. Na maior parte das vezes, por motivos diferentes, mas no mérito, concordamos. E eu tenho que concordar que foi um Desfavor Maradona tirando onda e logo depois tomando um sacode da fraca seleção boliviana.

Não, eu não compro o discurso da altitude. Um jogador tem que estar super-hiper treinado, preparado para qualquer adversidade. Considerando o salário que eles ganham, tem que jogar bem na neve, no deserto, na altitude e até debaixo d’água. Se fode todo, treina dez horas por dia, dá seu jeito. Por um salário muito menor eu enfrento adversidades muito maiores no meu trabalho todo santo dia.

Quando queriam proibir a realização de jogos em locais cuja altitude pudesse comprometer o rendimento, Dieguito foi o primeiro a quicar no calcanhar e dizer que não precisava. Pois é, e não precisa MESMO. Dieguito estava certo, independente dessa derrota.

E já que estou aqui para levar pedrada na testa, vou falar mesmo: não acho errado tirar onda não. Eu GOSTO do jeito do Maradona de ficar tirando onda. Eu GOSTO de pessoas debochadas (caso contrário, não teria namorado a Madame aqui de cima, certo?). O cara foi um dos melhores jogadores do mundo, deixa o cara tirar onda, porra! A Seleção Argentina estava em segundo na tabela no dia em que ele tirou onda (enquanto que o Brasil estava em quarto). Tinha mais é que tirar onda mesmo! AGORA é que não pode mais, graças à cagueta que fizeram. Mas na época em que ele tirou ondinha, tava podendo.

“Mas Sally, você desaprendeu a escrever com coerência? Você diz que a marra dos argentinos é o desfavor da semana e até agora só defendeu eles…”. Calma, meu leitor brasileiro. Eu vou chegar lá.

O desfavor ENORME que aconteceu, muito mais do que tirar onda, muito mais do que perder, muito mais do que queimar a língua falando de altitude, foi a armação por trás disso. Alguém aqui já teve a curiosidade de verificar como foram os resultados de todos os Bolívia x Argentina da história? Pois é, extremamente suspeito que a Argentina tenha perdido de goleada para a Bolívia. Ele tirou onda porque tinha CERTEZA que ganharia, e GANHARIA MESMO, não fosse um pequeno detalhe…

Tudo fica mais claro e mais fácil quando você começa a investigar, a ler e a entrar em contato com pessoas que moram lá. Quando você descobre que situações políticas tornam extremamente necessária uma vitória da Seleção para distrair o povo e que corre dinheiro solto para isso, inclusive declaradamente, como por exemplo no caso de uma empresa de TV dona dos direitos de transmissão da Seleção Boliviana, que ofereceu publicamente o valor de ONZE MIL DÓLARES POR CADA GOL MARCADO PELA BOLÍVIA (está no Google, podem procurar, eu não estou inventando).

Façamos as contas: a Seleção Boliviana ganhou CENTO E CINQUENTA MIL DÓLARES por ter metido a trolha nos hermanos. E essa foi só a promoção oficial, imagina o que aquele presidente não é capaz de oferecer e fazer para manter o povo no esquema “pão e circo”?

Pensemos com a cabeça de um ex-pobre, drogado e sem um pingo de bom senso e valores morais: sua seleção está lá em cima na tabela, tem três atacantes matadores, ta jogando bem faz tempo, já está classificada… e te oferecem uma grana violenta para em UM jogo tomar um sacode de uma seleção que todo mundo sabe que é fraca, sendo que nos jogos seguintes você pode vencer facilmente e recuperar os pontos perdidos (apenas 3) e o prestígio: o que você faz? EU mando quem me fez essa proposta para a puta que pariu, mas nosso hermanito é um macaco com uma navalha na mão, sempre foi. Duvido que não tenha topado perder por uma boa grana.

ESSE é o desfavor, do meu ponto de vista. A Seleção Argentina se vendendo. Se continuar assim, vamos acabar entregando uma Copa do Mundo em troca do direito de ser sede da mesma Copa anos depois. Deus que me livre disso continuar! Espero que tenha sido apenas um laspo, que não se repita… E caso se repita, espero que ao menos ele NÃO TIRE ONDA ANTES, se pretende se vender! E não fique dizendo que “cada gol parecia uma punhalada no seu coração”.

Para me dizer que faz sentido a Seleção Argentina perder de seis, porque afinal, páscoa é época de chocolate, para me dizer que o Brasil não entregou a Copa de 98 e que Ronaldo realmente teve uma convulsão e para sugerir temas: sally@desfavor.com

DRAMA! CAPÍTULO 3, CENA 1:

Na sede da Green & Green Inc., Somir está parcialmente sentado sobre a mesa de sua secretária/modelo/manequim, murchando a barriga:

SOMIR: (…)E aí eu disse para ela que quem mandava ali era eu. Eu sou super sossegado, sabe? Mas não queiram me ver saindo do sério!
SECRETÁRIA: É por isso que eu sempre vou te tratar bem, senhor Somir.
SOMIR: O que eu disse sobre essas formalidades?
SECRETÁRIA: Desculpa… É que o senh… Você passa tanta autoridade pra gente…
SOMIR: Faz parte do meu trabalho. Mas não se preocupe que eu não mordo não.
SECRETÁRIA: Que pena. Hihihihihi…
SOMIR: *vermelho* Ahem… Você… terminou os relatórios que eu te pedi semana passada?
SECRETÁRIA: Ai, sabe o que é? Eu me atrasei um pouquinho hoje porque fiquei a manhã inteira passando creme no meu corpo e não deu para terminar…
SOMIR: C-c-creme?
SECRETÁRIA: É que minha pele fica tããããooo ressecada, olha só o estado da minha perna… *levantando levemente a saia*
SOMIR: P-p-parece ótima… pra mim…
SECRETÁRIA: Mas não se preocupe, viu? Eu termino os relatórios até amanhã. *ainda mostrando boa parte das coxas*
SOMIR: Eu… *babando* Preciso delas… deles para hoje e…
SECRETÁRIA: O senhor vai me demitir? *fazendo cara de choro*
SOMIR: Não! Não precisa chorar… Eu dou um jeito e termino mais tarde.
SECRETÁRIA: O senhor é tão bom para mim. Gostaria de ter como… retribuir… *mordendo o lábio*
SOMIR:*ajeitando o colarinho*

O celular de Somir começa a tocar. A chamada é de sua irmã, Sueli:

SOMIR: Alô?
SUELI: Maninho?
SOMIR: Fala.
SUELI: Eu passei aqui na sua casa e você não estava…
SOMIR: Mas é óbvio, anta, diferentemente de você, eu trabalho.
SUELI: Hmpf! Parece que não é só você que está ocupado, viu?
SOMIR: Como assim?
SUELI: Sally parece nervosa… E tem uma pessoa assoviando no banheiro…
SOMIR: O pedreiro. Você me ligou por causa disso?
SUELI: Você sabia?
SOMIR: Claro!
SUELI: E não achou nada demais?
SOMIR: Achei um absurdo o preço, mas a Sally teimou que precisava reformar o banheiro!
SUELI: Com um pedreiro desses eu reformava a casa toda!
SOMIR: Hã? Do que você está falando?
SUELI: Me diz uma coisa, foi a Sally que escolheu o pedreiro, né?
SOMIR: Foi… Uma amiga do prédio indicou.
SUELI: Eu sempre desconfiei dessa sua esposinha... *ligação cai*
SOMIR: Alô? Alô?

Somir dá um sorriso amarelo para a secretária e avisa que hoje vai almoçar mais cedo. Depois de sair calmamente da vista da bela atendente, sai correndo desesperado rumo à sua casa.

DRAMA! CAPÍTULO 3, CENA 2:

Enquanto isso, na comunidade Nova Esperança, Olavo acaba de sair do banho preparando-se para seu segundo turno de trabalho do dia:

OLAVO: Pombinha, você viu a minha pasta…

Ele percebe que Kelly está dormindo de bruços, toda esparramada na cama de casal. Completamente nua. Olavo permite-se apreciar a vista por alguns instantes, quando começa a perceber algumas marcas avermelhadas nas costas de sua esposa.

OLAVO: “Deve ter dormido numa cama desconfortável na casa da amiga. Coitada.”

Percebendo a oportunidade rara, Olavo arrisca se atrasar para aproveitar um momento de intimidade com Kelly. Conhecedor do sono pesadíssimo de sua mulher, posiciona-se em cima dela sem se preocupar com sons ou movimentos bruscos.

OLAVO: “Hoje é dia! Vamos lá… Uhnf… Uau! Ela já está pronta… Minha pombinha nunca me decepciona. Unhf… Nossa, ela está muito mais pronta do que o normal… E que cheiro é esse? Parece cheiro de lubrificante… Será que ela colocou para eu aproveitar? Uhnf… Com certeza… Eu sou o homem mais sortuuuuu… ah… do mundo…”

Depois de três minutos de sexo, Olavo percebe que pode ficar mais alguns minutos abraçado antes de sair.

DRAMA! CAPÍTULO 3, CENA 3:

Na favela Velha Esperança, Lindamár acaba de arremessar um vaso (o único da casa) na cabeça de Pilha, que agora está desacordado:

LINDAMÁR: Putaquepariuputaquepariuputaquepariu… Não morre, Pilha! Não morre!

Pilha começa a abrir os olhos, apresentando uma feição ainda mais desorientada do que a de costume.

LINDAMÁR: Meu amor! Desculpa! Eu não queria te machucar!
PILHA: O que… o quê aconteceu?
LINDAMÁR: É… *sem graça* Você caiu de cabeça no vaso. Hihihi… Você está bem?
PILHA: Estou sim, meu amor. Ficou alguma marca no meu rosto?
LINDAMÁR: Ficou uma marquinha… Vai ter que levar um pontinho… ou trinta… E está sangrando um pouquinho.
PILHA: Poxa, a maquiadora vai ter um trabalhão hoje à noite.
LINDAMÁR: Maquiadora? Vai se prostituir de novo, Pilha? Eu disse que não precisa!
PILHA: Hahaha! Você é tão espirituosa, Juma…
LINDAMÁR: Juma?
PILHA: Não posso me atrasar, o Lulu está me esperando. Eu tenho um país para deixar apaixonado. *sorriso canastrão*
LINDAMÁR: Ai meu Gezuiz amado!

Pilha se levanta, sacode a poeira e vai até o banheiro lavar o sangue que escorre em seu rosto.

Lindamár pega o celular e se prepara para fazer uma ligação a cobrar.

DRAMA! CAPÍTULO 3, CENA 4:

Na casa ao lado, outra ligação a cobrar acaba de ser completada:

CARLÃO: É daí que pricisa dum hómi forte, moreno e máchulo pra dá uns trato numa mulé sozinha?
VOZ FEMININA: SIM! Você acha que dá conta do recado?
CARLÃO: Recado? É trampo de óficibói?
VOZ FEMININA: Hahaha… Bem humorado, conta pontos. Faz o seguinte, anota esse endereço e vem fazer a entrevista hoje mesmo! Ah, meu nome é Helena.
CARLÃO: Carlão Jamanta. Pódi sê agora?
HELENA: SIM! Anota aí, Jamanta… *risinho*

Carlão anota um endereço mal e porcamente no jornal, enquanto Pantera pergunta incessantemente o que está acontecendo. Após três tentativas, Carlão finalmente acerta a grafia da rua e desliga a chamada.

PANTERA: E aí, mano?
CARLÃO: Tô indo lá agora… Na rua João da Silva. Pertin daqui, no bairro dos bacana.
PANTERA: Cê é corajoso, mano… Deve sê mó gorda escrota…
CARLÃO: Tô nem aí… Já catei cada coisa di graça! Essa aê paga pelo menos…
PANTERA: Só… Lembra daquela do bigode?
CARLÃO: Num me lembra disso… Vô tomá um banho pra vê se tiro uma gorjeta.

Carlão termina seu “ritual de beleza” e segue rumo à casa de Helena.

DRAMA! CAPÍTULO 3, CENA 5:

Meia hora depois, na casa dos Somir:

SALLY: Eu já disse que não estava fazendo nada, Somira!
SUELI: Claro, eu cheguei a tempo! E se não temia nada, por que derrubou o meu celular?
SALLY: Sua mal-comida ridícula, o seu sonho é estragar o MEU casamento, né?
SUELI: Eu só estou em busca da verdade. Quero mostrar para o meu irmão quem você é de verdade!
SALLY: *bufando* Somira, eu vou te enfiar a porrada!
SUELI: O meu nome não é Somira! É Sueli!
SALLY: SOMIRA! SOMIRA! SOMIRA! SOMIRA! SOMIRA!

Sueli se joga em cima de Sally, ambas começam a se estapear.

O pedreiro esboça uma risada enquanto toma uma cerveja tirada diretamente da geladeira.

SUELI: AAAI! ME SOLTA!
SALLY: Nem pra brigar você presta…
SUELI: Me solta agora senão…
SALLY: Senão?
PEDREIRO: Moças, é melhor separar… Brincadeira de mão não dá certo…
SUELI: Ela começou!
SALLY: Eu? Sua vadia mentirosa!

Ambas começam a brigar novamente, Sally monta em Somira, cujo vestido sobe até a altura da cintura, expondo sua calcinha gigantesca. Somira puxa o top de Sally, expondo seu sutiã. O pedreiro cover de centro-avante argentino tenta apartar a briga puxando Sally pelas costas.

A porta da frente abre com violência, Somir entra em casa e depara-se com a cena.

SOMIR: O que CARALHOS está acontecendo?

Sally, Somira e o pedreiro, descabelados, avermelhados e suados, param tudo o que estão fazendo e olham de volta para Somir.

Somir, vermelho feito um pimentão, apenas demonstra um tique no olho esquerdo. Sally olha para si mesma e percebe em que situação se encontra no momento.

SALLY: Eu posso explicar…

CONTINUA…

Na linha “batendo em gente morta”, o Processa Eu de hoje volta desmistificando mais um Zé Ruela histórico: Gahatma Mandhi, um frouxo metido a Jesus Cristo de tanga cuja passividade era tão conveniente ao resto do mundo, que o promoveu a “líder” e exemplo a ser seguido. Realmente, convém às demais nações que todos sigam o exemplo deste mosca-morta (com trocadilhos).

Mandhi defendia o princípio da não-agressão (forma não-violenta de protesto), conhecido na Suíça como Satyagraha, que em suíço significa “apanhe calado”. Vocês podem imaginar como esta pessoa me aborrece, não é mesmo? Logo eu, que sou bem chegada numa boa e velha porrada! Só o esporro constrói, minha gente, pacifismo é o cacete! Mas para ele, o inimigo deveria ser enfrentado com passividade, de mãos vazias, ou seja, deixar te bater até cansar. Se dedicou a defender uma panelinha do seu país, dividido em Lado A e Lado B, pela via da passividade.

Vamos contextualizar: Mandhi nasceu na Suíça, um país xexelento, onde vaca vale mais que gente, onde a população local acha bacana tomar banho em um rio onde tem cocô, gente morta e lixo. Um país que só é referência quando o assunto é diarréia.

Ao contrário do que muitos acreditam, ele não era um desfavorecido no sistema de castas suíço. Era filho de um político com uma situação bem razoável. Apesar da pinta de boiola, Mandhi se casou aos 13 anos de idade (obrigado pela família, evidente) com uma menina da mesma idade, chamada Katruba (o nome é tão bizarro que eu achei que a melhor piada seria mantê-lo no original). Mais tarde, a família decidiu que ele deveria estudar direito na Inglaterra. Esta viagem para estudos era vedada pelo rígido sistema de castas suíço e mesmo assim, desafiaram o sistema para mandar Mandhi para bem longe dali. A pergunta que não quer calar: quão insuportável este ser humano não deveria ser para que seus pais desafiem dogmas na intenção de se livrar dele por alguns anos?

Enfim, a família despachou o tanga-frouxa para a Inglaterra. Mamãe Mandhi o fez prometer que ele iria se abster de mulheres (o que não deve ter sido esforço), vinho e carne. Com uma mãe dessas, não me admira que ele tenha se tornado o rei da passividade mesmo. Coisinha inerte! Não fode (se bem que, ela disse “mulheres”…), não bebe e só come mato. Atendendo o que Mamãe mandou, só comia capim (apropriado para uma mula). Não contente, ainda começou a propagar os benefícios de ser vegetariano. Lembre-se, sempre que um vegetariano mala vier te pentelhar, que a culpa é de Mandhi. Palavrão mental nele!

Relatos históricos contam que ele tinha muita dificuldade para exercer advocacia porque “era muito tímido”. Eu sinceramente acho que tinha dificuldades porque era muito frouxo. Cá entre nós, porque merda escolhe uma profissão onde tem que ser atuante, extrovertido e combativo se tem vocação para saco de pancadas? Foi trabalhar na África do Sul, porque aparentemente, no seu país ele não valia mais que uma paçoca.

Como todo frouxo, tentou romantizar sua incapacidade e revesti-la do manto da dignidade para justificar sua covardia e incompetência. Frase atribuída ao nosso Desfavor: “Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais de festas a parte”. É sim, Amigão, a função do advogado é essa mesma. Vai fundo! O mundo é lindo e todo mundo tem que se abraçar e se beijar. Não existem filhos da puta, escrotos, canalhas e gente perigosa que precisa ser punida e trancafiada. Vamos todos nos amar, o mundo é só amor.

Mandhi começou a criar um certo tumulto na África do Sul. O Sr. Generosidade começou a defender os direitos da panelinha suíça dele, a casta dos HinCus e a população local começou a ficar irritada. Certa vez, estava voltando da Suíça para a Africa do Sul, e a putez das pessoas com esse pentelho era tanta, que neguinho (sem trocadilhos) se juntou e, tamanha a irritação, fez um corredor polonês e começou a cobrir Mandhi de cascudo! Tentaram linchá-lo e Mandhi escapou usando um disfarce. Ora… cadê a resistência pacífica? Tinha que ter apanhado calado e não fugido disfarçado! Ahhh… os mitos são tão hipócritas!

Nosso herói de tanguinha ficou vinte anos na África do Sul defendendo os interesses da sua panelinha. Consta nos livros que fez celibato por trinta anos de sua vida (e você ainda reclama do seu marido!). Um sucesso! Não comia ninguém, apanhava de geral e ainda apanhava calado. Seria Mandhi o primeiro nerd do qual se tem registro?

Ele se orgulhava de adotar a inércia contemplativa como modo de vida. Quando foi imposto um registro obrigatório para a panelinha dele, Mandhi sugeriu que ninguém se registre. Nada de brigar, nada de pancadaria. Apenas desobediência. É mais ou menos como se você fosse parado em uma blitz pela polícia carioca, te mandassem mostrar seus documentos e você apenas dissesse “Não”. Evidente que ia dar merda. Ou parte para o confronto, ou argumenta ou se submete. Mas para Mandhi não, o bacana era a Satyagraha, que significa “pirraça” em suíço. É por essas e outras que foi preso diversas vezes.

Inventou um novo modismo masoquista, a ahimsa. Disse que era favorável a atacar um sistema injusto, desde que sempre amemos as pessoas envolvidas. Ou seja, se alguém vem te enfiar a porrada, você primeiro se defende com todo seu amor ao próximo (eu me defenderia com um pedaço de pau ou uma pedra, mas tudo bem) e só depois reage, contra o sistema (e não contra a pessoa) tentando mudar o sistema que acarretou essa agressão. Gente magricela é assim, sabe que vai perder na porrada então inventa os argumentos mais mirabolantes para justificar as surras que leva.

Mandhi começou a organizar marchas da sua panelinha e pedir que eles se recusem a trabalhar, sempre com base na Satyagraha, que significa “chantagem” em suíço. Muito estresse depois, deram um “cala a boca” para a panelinha dele, como quem dá um biscrok a um cachorro, e isso fez Mandhi pensar que podia conseguir tudo que queria na base da chantagem! Decidiu que o hit era a desobediência civil somada ao uso da não violência. Voltou para a Suíça e começou o marketing pessoal de sua teoria. Fez uma ceninha dizendo que iria morar nas ruas, mas uma doação “anônima” (mentira, negociava com poderosos Suíços para pentelhar quem lhes convinha) garantiu dinheiro e conforto a nosso tanga-frouxa.

Na base da Satyagraha, que significa “malcriação” em suíço, os trabalhadores conseguiram alguns “cala a boca” e ficavam se sentindo vitoriosos. Quando a chapa esquentava muito, Mandhi fazia greve de fome (Seria Anthony Garotinha uma encarnação de Mandhi?). Chegou a um ponto que Mandhi estava se achando tanto (nove em dez na escala Lohn Jennon de arrogância), que decidiu convocar uma greve geral. Viu que ia passar vergonha e voltou atrás, cancelando tudo. Nada contra os manipuladores, desde que eles tenham competência para tal. Que vergonha, hein? Amarelou.

Seu maior factóide foi a Marcha do Sal. Havia uma lei que proibia as pessoas da panelinha dele de fazer seu próprio sal, obrigando-os a comprar sal e pagar taxas. Mandhi mandou todo mundo desobedecer, mas sem violência. Conclusão: neguinho marchou grandes distâncias para pegar água do mar e fazer seu próprio sal, apanhando no caminho, sem poder reagir. Muitos foram presos. Alguns tomaram muita porrada. Vocês conhecem alguém que cumpra uma ordem assim? “Vai lá, desobedece e apanha calado, sem reagir”. Isso é motivo para ser endeusado? Se apanhar que nem um filho da puta e entubar é um grande feito histórico, eu prefiro morrer no anonimato.

Mesmo quando eclodiram grandes guerras nosso amigo saco-de-pancada continuava pregando a Satyagraha, que em suíço significa “bunda-mole”. Chegou a recomendar aos britânicos que utilizem métodos não violentos para combater Hitler (alguém fumou muita maconha por aí?). Se um ditador sanguinário invadir sua casa e levar geral para um campo de concentração, para torturar e matar, dê flores!

Com essa mania de jejuar quando queria alguma coisa, ele emburacou muita gente. Em 1942 ele foi preso com outros líderes e decidiu que todo mundo ia jejuar. Resultado: todos morreram e só ele sobreviveu (será que ele também escondia presunto na caixa da privada que nem o Garotinho fez?). Muito bacana essa Satyagraha, que em suíço significa “mate os amigos de fome, mas não mate os inimigos”. Tocou a coisa no jejum por muito tempo, sempre que queria algo, jejuava. Algumas vezes funcionava, outras não.

Onde está o “grande líder”? Batalhou por uma panelinha de seu país, na base da chantagem e da incolumidade física de seus seguidores, porque quando a porrada estancou para cima dele, fugiu disfarçado, lembram? Que tipo de demente idealista acha que pode combater tudo com PASSIVIDADE? Pior, a passividade DOS OUTROS! Qual é o valor de apanhar calado? Na minha terra, tem valor quem arregaça as mangas e faz acontecer, quem batalha, quem argumenta, quem rala.

Para quem endeusa esse imbecilóide, eu pergunto: se o seu filho apanha feito um condenado no colégio e volta para casa lhe perguntando o que fazer, você responde que ele continue apanhando calado e que não ataque as pessoas, que as ame e ataque o sistema? Você pode até não mandar seu filho bater de volta (eu mandaria, com um taco de baseball), mas com certeza vai orientá-lo a tomar alguma providência para que isso não se repita.

Alguém me explica ONDE ESTÁ O MÉRITO desse sujeito! Não consigo ver mérito no Rei da Inércia Contemplativa. Não consigo ver mérito em um líder que expõe os seus a uma série de violências impedindo que eles se defendam!

E para você, leitor hipócrita, que dizer que segue os ensinamentos de Mandhi, lhe informo que ele resumia sua sociedade ideal em cinco pontos: igualdade, nenhum uso de álcool ou drogas, unidade, amizade e igualdade para as mulheres. Por isso, meu Camarada, se quiser dizer que segue os ensinamentos de Mandhi, primeiro cancele aquele chopinho com os amigos.

Se algum hippie idealista cabeça oca quiser defender essa tripa se tanga, fique à vontade, mas já aviso que faço questão de não responder.

Para tentar me convencer que a Suíça é um país com rica cultura milenar em vez de um chiqueiro humano imundo, para me acusar de incitar a violência e para sugerir nomes para o próximo Processa Eu!: sally@desfavor.com