A evolução, em nossos tempos de savanas africanas, preparou-nos para vivermos em bandos de doze a quarenta pessoas. Alguns se adaptaram melhor do que outros à civilização e à vida urbana, outros desenvolveram sintomas de pânico, fobia social, agorafobia ou outros sintomas mais brandos, como algum desconforto na presença de estranhos ou em multidões. Eu acho aglomeração de gente um desfavor, mesmo não apresentando sintomas clinicamente significativos. Vamos a alguns exemplos, pra ilustrar:

Você vai ao Shopping Center em uma terça à tarde, fora do período de festividades: há lugar no estacionamento, as lojas estão vazias, há vendedores disponíveis, mesas livres na praça de alimentação. Tente ir perto do Natal ou mesmo em um sábado de chuva. Ano passado eu rodei todos os Shopping Centers da cidade em um dia chuvoso de verão porque tinha que comprar algo – moro em uma cidade turística em que triplica o movimento no verão – e não tinha lugar para estacionar. Inclusive, circular pela cidade estava complicado. Em outras ocasiões, cansei de ficar “sobrevoando” as mesas da praça de alimentação como uma ave de rapina, à espreita de alguém terminando sua refeição para liberar o lugar. Chega um momento em que é preciso ficar postado ao lado de alguém, encarando com um olhar de “vamos, tem mais gente querendo comer, deixe de conversa fiada!” Fora que os restaurantes e fast-foods mais encaráveis ficam demoradíssimos para atender, aí resta comer algo que você não queria no que tiver a menor fila. Você vai comprar alguma bobagem em uma loja de departamentos qualquer, aí a fila para pagar é quilométrica. Provavelmente a linha para pagar com cartão de débito estará congestionada, então você terá que passá-lo várias vezes, ou então pagar com dinheiro e fazer uma nova visita ao caixa eletrônico – que também tem fila. Fora o ruído… Fica um zumbido estranho que obriga todo mundo a falar mais alto, aumentando o maldito. Aí você resolve ir ao cinema, mesmo sabendo que a programação geralmente não é grandes coisas. Mais filas e só sobram ingressos para você ver “Besteirol Americano VIII” ou “O retorno dos tomates assassinos”, ambos dublados. Aí você fica revoltado, acha que atingiu seu limite e resolve ir embora. Passa no guichê para validar o ticket do estacionamento e constata que por cinco minutos as suas notas fiscais não bastarão para validar a conta, então você percebe que passou dez minutos na fila para validar a porcaria do ticket. Com ele validado e uns reais a menos no bolso, você tem poucos minutos para deixar o estacionamento, mas percebe que muita gente teve a mesma idéia. Poderia ser pior? Sempre, por definição. Tudo isso pode ser somado a discussões em família, brigas de casal ou choro de crianças que ficaram chateadas por não assistirem ao filme “O retorno dos tomates assassinos” pela terceira vez.

Você vai à praia em um domingo. Já sugeriu à sua namorada que é melhor ir cedo pra escapar do engarrafamento, ela jurou que no máximo às 9:00 vocês estarão a caminho. Você chega na casa dela às 8:30 e a sogra está servindo o café. Ela lhe convida para comer com eles, porque sua amadinha acabou de acordar e resolveu tomar um banho antes de ir à praia. Você fica pensando: claro, é preciso estar bem limpinha para não sujar a areia, a canga ou o mar. Meia hora depois ela chega, bela e faceira, e inicia o café. Você não pode dar uma bronca nela na frente da família, pois ainda conserva algum juízo, então o seu estômago capricha no ácido clorídrico e o seu fígado começa a fazer sua magia. Aí eles ficam em um bate-papo interminável sobre alguma fofoca familiar, ou pior do que isso, discutindo na sua frente e querendo que você se posicione. Você imagina se conseguirá realizar um truque mental ninja: fechar os olhos, desmaterializar-se e rematerializar-se em outro lugar, ao abrir os olhos. Não funciona. Às 10:30 ela vai reunir o equipamento: cadeira de praia, guarda-sol, quatro tipos de protetor solar, roupa para o caso de ventar, outra para o caso de chover, de nevar… Aí vai perguntar se o biquini novo, que ela levou horas escolhendo na loja, a deixa gorda. Você reprime o pensamento maligno “não, amor, o que te deixa gorda é o chocolate” e responde baixinho pro sogro não ouvir “não, amor, ele te deixa muito gostosa”. O irmãozinho caçula escuta e sai repetindo em altos brados. Às onze da manhã você está na estrada, junto com todo o pessoal que farreou na noite de sábado. Uma fila miserável, um calor dos diabos, o carro andando três metros, parando, sucessivamente. Você descobre que inventaram a p#@@% de um triatlo no mesmo dia e agora aqueles m&*%@$ desocupados estão andando de bicicleta, por isso uma das pistas foi interditada e a polícia rodoviária está circulando pelo acostamento. Depois de duas horas, vocês chegam à praia e não tem um p#%@ lugar para estacionar, então você tem que parar a quase 500 metros da praia e carregar toda aquela tralha, suando e bufando. Ela generosamente carrega as raquetes de frescobol. A areia está tão quente que daria para preparar seu almoço nela. Mais uma longa caminhada até encontrar um lugar para colocar o guarda-sol, longe dos quiosques que vendem coco, milho, cerveja e água mineral. Quando o acampamento está pronto, são duas da tarde e a fome retornou. Você come um milho-verde e umas castanhas de caju pra enganar o estômago, aí aparecem trinta vendedores de redes, um a cada cinco minutos: “e aí, meu rei?”

Abriu um bar novo na cidade. Florianópolis é a terra dos modismos, então a cidade inteira estará lá por no mínimo umas três semanas. Eu, que detesto muvuca, quando perguntam “Já foi ao bar novo?”, respondo “Não, estou esperando o bar ficar velho pra ir”. Mas não adianta, naquele período os outros bares da cidade estarão praticamente vazios (que maravilha) e o pessoal (amigos, amigas e agregados) resolverá marcar o encontro no bar novo. Eu adoro bares e vida noturna, não é pretexto para ficar em casa vendo filme. É que já conheço inauguração de bar de outros carnavais. Não há lugar para estacionar em um raio de 500 metros, há uma legião de flanelinhas para lhe extorquir na entrada, não haverá mesas disponíveis, os garçons estarão estressados e assoberbados, a cozinha não dará conta dos pedidos e a cerveja não terá tempo de gelar, tal a demanda.

Show da Madonna? Oktoberfest? Folianópolis? Show do dia do trabalhador? Carnaval de rua? Fogos na Avenida Beira-Mar na virada de ano? Tô fora! Muvuca é um desfavor.

Paulo

Ressaca física, ressaca moral, promessas que não vão ser cumpridas e aquela velha sensação de que não mudou merda nenhuma no mundo. Começa mais um ano com a primeira coluna do desfavor escrita em 2009.

O verão começou oficialmente em dezembro, mas é só em janeiro que as pessoas realmente entram na onda da estação e começam os desfavores sazonais.
O início do verão é o nosso desfavor da semana.

“Finalmente um pouco de paz longe daquele escritório…”

Pensei muito em formas de escapar do clichê de blogueiro mal-humorado que odeia alguma coisa que a maioria das pessoas gosta. Como vocês verão neste texto, não encontrei nenhuma:

Eu odeio o verão.

E dessa vez eu garanto para vocês que é também por inveja. Inveja das pessoas cuja genética permite apreciar esse calor com alguma dignidade. Graças aos meus antepassados que resolveram que seria uma boa idéia sair do frio congelante do leste europeu, agora eu tenho que ter boas idéias para me livrar desse calor excruciante.

(Pelo menos eles não vieram para a Argentina…)

Pois bem, desprovido de quantidades aceitáveis de melanina para participar dessa febre de verão como sou, acabo obrigado a ser um observador distante de todos os rituais veranísticos (vilanísticos?) das pessoas que me cercam. Num misto de desdém e rabugice, relaciono alguns dos desfavores mais comuns dessa época do ano:

É NOIS NA PRAIA! VAMUUUU!

Confesso que nunca entendi muito bem essa coisa de “temporada”. Quando faz frio, os lugares mais caros são aqueles onde você vai passar mais frio. Quando faz calor, os lugares mais caros são aqueles onde você vai passar mais calor. Aplicando a lei da oferta e da procura, só me resta a conclusão de que a humanidade é masoquista.

E uma das maiores provas disso é a famosa cena da praia lotada ao meio-dia. Quem em sã consciência vai se amontoar com milhares de outras pessoas em cima da areia escaldante e embaixo de um sol fervente para se divertir?

As pessoas vão à praia para passar MAIS calor. Deve ser alguma manifestação de culpa do inconsciente coletivo, uma forma de auto-punição pelos nossos crimes como espécie. Até seres com cérebros diminutos como as aves têm a capacidade de entender que existe uma temperatura ideal para a sobrevivência e migram dos locais onde encontram extremos.

Mas como não somos tão inteligentes feito uma andorinha, insistimos em continuar freqüentando praias no verão.

VAI FICAR EM CAAAASA? ECAAA!

Pronto, as mesmas pessoas que queriam ficar debaixo de um cobertor tomando chocolate quente com uma temperatura ambiente de 22º agora decidem ser ativas, já que é verão. Aposto que essa injeção de ânimo não tem nenhuma sustentação térmica ou racional.

Por exemplo: Os Beduínos no deserto usam seu cérebro ao ficarem abrigados do sol e protegidos com grossas camadas de tecido do calor infernal à sua volta. Eles vivem o ano todo no verão, faz sentido que eles saibam melhor do que nós como se sobrevive bem nessas condições.

O ser humano, depois de milênios de evolução, decidiu que o ideal no verão é ficar ao ar livre tomando sol durante o dia, onde faz mais calor… E ficar abraçado com um ar-condicionado durante a noite, onde o clima é mais ameno. Novamente, a busca pelo sofrimento. Somos um grupo pra lá de perturbado…

RELAAAAXA, É VERÃO!!!

Quantos países do primeiro mundo não têm neve? Já adianto que a resposta é um número bem redondo. Tenho a teoria de que o quociente de inteligência de um povo é a divisão entre o ano que se está pela temperatura média de onde se vive.

Muitas pessoas acham que é hora de encher a cara, fazer merda e ser inconseqüente. Eu acho isso um absurdo; afinal eu encho a cara, faço merda e sou inconseqüente o ano todo. Consistência, meu povo, consistência…

Eu me recuso a mudar de personalidade por causa da temperatura. Não vou ficar mais relaxado (até porque é impossível), não vou ficar mais social, não vou ficar mais bem-humorado. Prefiro sublimar essas convenções de comportamento.

TÁ NA HORA DE MOSTRAR O CORPITCHOOO! UHUUU!

Esse é um desfavor mais comum entre as mulheres. Não que mostrar o corpo seja uma coisa ruim, (se você não for ruim) mas da forma como acontece é uma bela de uma sacanagem. (E não do tipo que eu goste.)

Além da humanidade ser masoquista, o gênero feminino da espécie tem problemas sérios para recompensar quem merece ser recompensado. Explico: Mostrar o corpo tem conotação sexual, claro que não gera nenhuma obrigação de sexo, mas ter um corpo bonito é uma vantagem universal na hora da atração do sexo oposto. Homens valorizam uma mulher gostosa e bem cuidada.

Agora… Por que caprichar mais nesse aspecto para agradar quem não vai te comer? Queridas leitoras, o homem que te comeu no inverno, enquanto você se empanturrava de chocolate e pulava um ou outro banho ocasional te deu muito mais alegrias do que aquele que vai te comer com os olhos na praia. (E mais todas as outras gostosas do local.)

Estou trabalhando com porcentagem de acerto. Quando você mostra o corpo (querendo se mostrar…) para um homem no inverno, provavelmente ele fez alguma coisa certa e está ganhando o seu prêmio.
Quando você mostra o corpo para metade da cidade na praia, aqueles homens que te secam só tiveram o trabalho de se dirigir até ali. Você pode até acabar com um (ou mais) deles, mas todos os outros que desfrutaram da sua melhor forma física apenas com os olhos ganharam mais consideração do que aquele que lidou com seu pneuzinho pálido debaixo das cobertas.

Injusto.
Sugiro a instauração da meritocracia sexual no Brasil. Malhem para quem vai te comer no inverno, eles merecem mais.

Doações de bom-humor, melanina e protetor solar FPS 1000: somir@desfavor.com


Quando penso no verão e em todos os desfavores que o cercam, o calor me parece o menor deles. E olha que eu moro no Rio de Janeiro, aqui o calor não é brincadeira.
Para começo de conversa, eu sinto que no verão fica um clima de putaria no ar. Não sei se é pessimismo meu, mas acho que no verão as pessoas ficam mais assanhadas com tanto corpo exposto. Ninguém quer namorar no verão. Tá todo mundo pensando no carnaval.

No verão se bebe mais, talvez em função do calor, talvez em função da época do ano (muitas pessoas estão de férias) ou talvez em função da putaria (neguinho precisa criar coragem, né? tudofrouxo). Para as raras pessoas que não bebem, como eu, não deixa de ser um desfavor. Chega uma hora em que é cansativo estar em uma mesa de bar com pessoas bêbadas que riem de coisas que você só acharia graça de estivesse trêbada.

A academia, minha segunda casa, fica insuportável no verão. Juro que não entendo isso, era para ficar lotada no inverno, quando ainda dá tempo de obter algum resultado. Mas neguinho acha que se malhar dois meses vai ficar sarado. Então, aquele bando de mocinhas flácidas se matriculam e atocham a academia, demorando vinte minutos em cada aparelho, com a série na mão, sem saber o que fazer, atrasando a vida de pessoas devotas de Nossa Senhora da Maromba como eu.

E as roupas? Pipocam nas vitrines cores cítricas (tenho pavor) e aqueles modelitos esculhambados que eu não usaria nem para saída de praia. A moda verão é um horror. Até os biquínis estão de matar: cheios de recortes, argolas e outros acessórios que comprometem o bronzeado. Usei um com uma argola lateral que deixou um círculo branco no meu popô, eu parecia uma daquelas vacas de fazenda que são marcadas a ferro quente!

E o cabelo? Rio de Janeiro é ditadura do cabelo comprido, ainda mais no verão! E não tem como não lavar todo dia! (até tem umas porcas que fazem uma chapinha na sexta e só lavam na segunda, mas eu acho nojento demais). Em dez minutos um cabelo limpinho está oleoso. E com o sol e a praia (mesmo que você não vá à praia, a maresia vai até você), o cabelo fica ressecado e lá se vai dinheiro hidratando a juba. Isso porque eu ignoro a imposição social de ser loira no verão, se não, ainda morria em mais uma grana fazendo luzes.

Acho que brotam cariocas do bueiro no verão. TODOS os lugares ficam lotados. Todos. Desde a boate mais inferninho até o cineminha com desenho Disney. Tem muitos turistas na cidade, é verdade, mas mesmo desprezando os turistas, é impressionante como as pessoas saem na rua quando chega o verão.

E as chuvas repentinas? Calor do cão, você sai de casa com um vestidinho branco ou bege ou rosinha, na tentativa de não ter uma insolação no meio da rua e do nada, o tempo fecha, o céu fica preto e cai aquela chuva com pingos mais grossos do que uma chuveirada! E sempre ocorre no exato momento em que você está saindo de algum lugar e dura mais ou menos 20 minutos, ou seja, o tempo necessário para te sacanear: esculhamba com o cabelo e te deixa semi-nua no meio da rua tendo que escutar comentários dos populares.

E por falar em populares, já repararam como eles ficam saidinhos no verão? Acho que os populares entram no cio no verão. Passam cantadas na rua compulsivamente, e o nível é bem mais baixo do que as cantadas de inverno. Não acho que seja culpa apenas das roupas que usamos no verão, eles ficam agitados mesmo! No inverno eles desanimam e se escondem. Vai ver até hibernam.

O fato de ter que usar pouca roupa (sob pena de desidratação e desmaio) acarreta uma série de efeitos colaterais: depilação tem que estar sempre em dia (ou seja, mais dor e menos dinheiro), é de bom tom que o corpo esteja bronzeado (lá se vai meu sábado na praia, pqp) e minimamente em forma.

Nem preciso falar dos pés de fora. Quase impossível usar sapato fechado no verão. Primeiro porque seu pé derrete e segundo porque provavelmente nem vai caber, por estar inchado. Tome sandália! E tome dedos de fora! Alguém aqui acha que tem o pé bonito? Eu acho o meu horrível! Mesmo assim, no verão tem que estar com o pé sempre feito! E sempre tem um tarado de elevador olhando para o seu pé. Minha gente, o que é isso? Alguém me explica esse fetiche? Me mato malhando bunda e o Zé Ruela foca no meu pé? É desfavor que não acaba mais…

Não vou nem comentar o que acontece com a nossa maquiagem no verão. Se você for perua como eu e insistir em trabalhar maquiada, vai chegar ao final do dia com o layout do Coringa. Mais de uma vez meus colegas de trabalho me cumprimentaram com um “Why so serious?”. É o “efeito urso panda”, você chega ao final do dia com duas bolas pretas em volta dos olhos.

E sexo no calorão, hein? É isso ou vender um rim para pagar a conta de luz, porque haja bolso para deixar o ar condicionado ligado full time… Isso quando não tem racionamento de energia!

E os animais que aparecem no verão? Lagartixas abundam. Já comentei aqui que apelidei minha varanda de “Jurassic Park”? Tinha uma outro dia tão grande, mas tão grande, que eu já estava me perguntando se não estaria na categoria crocodilo. Vocês tinham que ver, anabolizada a bichinha. Além dela, vem baratas aos montes e outros bichos desagradáveis, como aquelas porcarias que eu não sei o nome que ficam voando em torno de uma luz. Tem um mito que depois caem as asas e elas viram cupins, se alojam na sua casa e promovem uma série de desgraças. Mesmo que seja falso, um saco jantar com aqueles bichos caindo no prato!

Não estava de bom tamanho. Agora temos uma novidade para alegrar nosso verão: a dengue. E com emoção dobrada, porque se você já teve e pegar pela segunda vez, corre um sério risco de desenvolver a modalidade hemorrágica, cujos sintomas deixam qualquer filme de terror no chinelo.

Chinelo? Porque as pessoas pensam que Havaianas coloridinhas e moderninhas são sapatos? O povo usa para ir ao cinema, ao restaurante, ao teatro… Havaianas combina com areia, E SÓ!

Gente, acabou o espaço. Uma pena, ainda ficaram faltando alguns desfavores. E se vocês acham que eu odeio o verão, esperem só até o inverno chegar… eu reclamo de tudo mesmo.

Para sugestão de temas, convites para uma temporada no frio europeu e doação de whey protein: sally@desfavor.com

Uma pessoa INVEJOSA está roubando meu público. Algo me diz que essa pessoa INVEJOSA não aguentou saber que uma das minhas postagens fez mais sucesso que a dela em comentários e agora está tentando se vingar. Desculpa meu bem, mas a Somira aqui é insubstituível. É inveja que eu sei.

Tem que ser inveja…
Certo?

*nervosa*

Poderia usar uma didática mais acessível na resposta à pergunta sobre desenvolvimento golpita pessoal, se possível dando exemplos? Grata.
Mas a didática já foi bem acessível. Bom, pelo menos para um golpista.
Minha última resposta usou as duas bases: Discurso de autoridade para demonstrar que eu sabia do que estava falando e saída pela tangente para fingir que explicava alguma coisa.

Peraí… então você não respondeu nada, Somira?

Respondi sim, tolinha. E não respondi. Como eu disse em outro lugar: A manipulação está na mente do manipulado. O resumo que se pode fazer é que não é exatamente o que você diz que configura o golpe, é o que a vítima entende. O verdadeiro golpista coloca as palavras na boca da pessoa que vai receber o golpe.

Exemplo: Fulana quer convencer seu namorado a pagar uma roupa caríssima para ela. Fulana não pede, Fulana reclama da falta de dinheiro e pergunta para o namorado se ele acha que ela ficaria bonita com a roupa. Inocentemente ele diz que sim. Fulana emenda perguntando se não vai ficar muito caro para ele comprar essa roupa, deixando a presunção de que ele acabou de se oferecer para pagar. Sinuca de bico, o namorado da Fulana vai ficar sem graça de dizer que não ofereceu nada, mas vai achar que Fulana cometeu um erro sincero ao achar que ele queria dizer isso.

somyra, da pra saber se o cara ja transou no dia? no caso se ele saiu com outra?
Vai depender de três fatores:

1) Higiene: Aqui, o mais fácil. Se não tomar banho vai ficar com cheiro de sexo. Cheiro de sexo é diferente do odor característico das partes pudentas dele. Mas não é algo que se possa explicar escrevendo. Com um pouco de experiência você vai saber.
Sim, existe uma vantagem nesse novo mundo do sexo seguro, o cheiro da camisinha.
Se não tiver/quiser acesso ao interior da cueca dele, os dedos “deduram” do mesmo jeito.

2) Potência: Claro, um homem jovem e saudável pode comer umas cinco por dia sem enfrentar grandes problemas, mas o homem que ainda não fez sexo no dia tende a dar a primeira com muito mais vigor do que o comum. E goza mais rápido.
Porém, o problema é que se você não tiver experiência com ele ou não quiser chegar nesse ponto para descobrir, de nada adianta essa informação. (Problema extra: Não é incomum bater uma antes do encontro para evitar o efeito “primeira do dia”.)

3) Esperteza (dele): Se ele quer mesmo esconder, vai dar um bom tempo entre uma mulher e outra e banhar-se meticulosamente. Ah, ele também vai fingir aquela “manipulabilidade” do homem que está DOIDO para dar uma.

Homens dizem coisas “de momento”
Nem creio que eles estejam mentindo deliberadamente quando as dizem, naquele momento eles realmente sentem aquilo.
O problema é que mudam de idéia muito rápido. Isso é muito difícil para nós mulheres, que levamos a ferro e fogo uma promessa feita no calor do momento. Magoa saber que era uma promessa de momento e nos faz sentir idiotas ter acreditado que era uma decisão pensada.
Como saber quando um homem está falando uma coisa “de momento” ou “na empolgação” e quando ele está tomando uma decisão séria, ponderada e pensada, da qual não vai voltar atrás?
O homem sofre uma pressão interna e externa para sempre ter opiniões fortes e decisões firmes. Desde cedo ele é punido por ficar em dúvida e acaba desenvolvendo o comportamento de resolver alguma coisa na hora não importa o que estiver acontecendo. Tem o seu lado positivo e o seu lado negativo…

Coloque um homem contra a parede e ele vai resolver. De qualquer jeito, mas vai. E é nesse processo que surgem essas coisas “de momento”.

Via-de-regra um homem vai demonstrar a mesma segurança e força na sua decisão quando é algo impulsivo ou quando é algo pensado. É mais fácil tentar reconhecer a diferença na situação do que no que ele diz. Quanto mais pressionado, quanto menor o prazo, quanto mais coisas estiverem em jogo… Maior a chance dele se comprometer com algo que não pensou meia vez antes de dizer.

Porque para ele o pior dos casos é não tomar uma atitude.

Por que todo homem associa a visão de uma mulher nerd/metaleira, com gordas bizonhas espinhentas que usam óculos e não tem vida social? e se tem são mais machas que os headbangers que frenquentam os mesmos lugares que elas?! OO’
Por que alguns homens se sentem inferiores quando suas namoradas vão melhor que eles nas notas da faculdade/concursos entre outros…
Isso não seria um motivo pra orgulho!??! :(
Pelo mesmo motivo que toda mulher associa a visão de homem nerd com um gordo de óculos, sem senso do ridículo e totalmente incapaz de satisfazer uma mulher. O bom e velho preconceito. Do ponto de vista da irmã de um nerd assumido: Quanto menos você ligar para isso, menos problemas vai ter. A pessoa que mantém o preconceito com uma pessoa que JÁ VIU que é diferente do estereótipo inicial não vale o esforço.

Homem é competitivo por natureza e quer se sentir o herói da sua fêmea. Ele tem na cabecinha dele que tem que ser melhor em tudo para a mulher o respeitar.
Se esse homem já for muito inseguro por natureza, vai perder para essa bobagem que criou na mente e se sentir inferiorizado.

Resumo geral: Todo mundo é meio babaca, isso é normal. O problema é quando não se luta contra a babaquice.

O que fazer quando um amigo começa a revelar uma paixão e sútilmente dar em cima sabendo que to namorando?E essa pessoa é uma pessoa muito mas muito querida…
(RESUMIDO)
Ele não confiava em ninguém porque levou O GALHO de uma ex e eu sinto sinceridade nele e sempre fui bem sincera também… como posso amenizar sem deixa-lo com aquele pensamento de que “TODA MULHER É IGUAL” “NÃO POSSO CONFIAR EM NINGUÉM MESMO!”
(complexo =/ )
FRIEND ZOWNED!!!

Ele pode ser querido, mas está fazendo uma coisa errada. Se você sempre o tratou como amigo e tem namorado, ele não pode ficar nesse chove-não-molha com você.

Uma coisa muito comum é a mulher ver o homem como amigo e o homem ver a mulher como algo a mais. (Mesmo tratando-a como amiga.)
Isso se deve ao fato de todos os homens terem uma dificuldade enorme de separar as coisas com uma amiga que consideram atraente. Mas o normal é aprender a criar uma trava e manter tudo funcionando normalmente na relação com a amiga.

Se ele não tem essa trava, ou já estava interessado em você bem antes disso e demorou um tempo para demonstrar, ou desenvolveu esse interesse e já o considera mais valioso que a amizade. (Não é uma coisa ruim, melhor do que ficar de amiguinho de mulher que não quer nada com ele…)

Você vai amenizar do jeito mais difícil: CORTANDO qualquer avanço dele fora da esfera da amizade. Não tenha dó. E jogue limpo no sentido de dizer que gosta dele como amigo, mas vai deixar de gostar se ele quiser algo diferente. Pule na granada e assuma que percebeu que ele está abusando, mesmo sabendo que pode ser chamada de maluca ou “que se acha”. Se você ficar com peninha, ele vai se afundar ainda mais e você vai ficar cada vez mais sem saída a não ser ser grossa com ele. Corte agora.

Fazer cocô antes de dar o cu é o suficiente pra não “cagar no pau”? Ou precisa mesmo de lavagem?
Para 100% de paz no cu… coração, lavagem é obrigatória. Mas se você esvaziar o reservatório com alguma antecedência, a chance de aplicar cobertura de chocolate no picolé dele cai vertiginosamente.

Uma outra sugestão é forrar o interior do seu brioco com silver-tape. Pode ser que o machuque, mas é mais higiênico.

*pensando*

Por favor não tirem a minha coluna!

*chorando*

*abrindo um olho para ver a reação do público*

Hoje vou falar sobre uma celebridade suíça conhecida mundialmente. Além de “escritor”, este desfavor também se diz “Mago”: Caulo Poelho.

Deus sabe o que faz. Caulo Poelho nasceu morto, parece que se asfixiou no líquido amniótico ou algo assim. Burro se nasce. Mas infelizmente, os médicos não respeitaram a vontade divina e Caulo Poelho foi reanimado após o nascimento. O ser humano só faz merda. Espero que esse médico tenha se enforcado com seu próprio estetoscópio anos depois, quando viu a merda que fez.

Nem os pais de Caulo Poelho gostavam dele, sobretudo o pai, muito sensato esse homem, que chegou a interná-lo diversas vezes em um hospício quando ele era adolescente. Não sei porque deixaram ele sair, sinceramente. Repito: o ser humano só faz merda.

Nosso Mago Suíço (não, eu não vou chamar ele de escritor nem por um caralho cravejado de brilhantes!) se meteu no mundo das drogas, viveu experiências homossexuais, e resolveu que ia virar satanista. Satanista! Caulo Poelho se acha tão importante que acredita que o Demo, em pessoa, parou o que estava fazendo para vir aqui falar com ele e fazer um “pacto”. Caulo Poelho teria dado sua alma e em troca o Demo o tornaria famoso. Nem mesmo um lixeiro levaria de graça a alma de Caulo Poelho! Se isso for verdade, o Demônio caiu muito no meu conceito!

Ridículo, não? Mas na Suíça isso não é demérito não! Não é ridículo, é exótico! Chega até a ser meio chique você ter um histórico de doença mental, a sociedade suíça vê nisso um traço de genialidade. Mesmo com laudos do manicômio dizendo que Caulo Poelho era pancadinha, ele começou a se dar bem na vida.

Se juntou com outro desfavor suíço, Saul Reixas, um hippie piolhento que fazia um jogo de palavras pobres pior que Engenheiros do Hawaii, e as transformava em músicas que até hoje me fazem não querer tocar meu violão em público. Consta em uma famosa biografia de Caulo Poelho que na verdade Saul escrevia sozinha e colocava o nome do amigão na camaradagem. Mas considerando o teor das letras EU ACREDITO que Caulo tenha ajudado a escrever. Fizeram sucesso… mas foi porque eram bons? Não teria sido porque Saul era executivo de uma produtora musical? (vulgo “efeito Cazuza”)

Para alguns, o mais chocante na vida de Caulo Poelho são as narrativas de suas experiências homossexuais, que… como dizer? Foram bem “exóticas”. Eu destaco outros eventos que me chamaram mais a atenção, como a relação sexual que ele teve com uma namorada em frente à tia muda e paralítica da moça. Impressionante como ele é espiritualmente elevado. Um guru. Sigam todos os ensinamentos deste homem!

Em 1982, Caulo editou seu primeiro livro, chamado “Arquivos do Inferno”. Eu não desejo esta leitura nem para o meu pior inimigo. Os livros dele não prestam para nada, nem para limpar a bunda, afinal, não se limpa merda com merda. Minto. Podem servir sim. Se houver nova ditadura militar no Brasil, tenho certeza que os presos políticos serão amarrados e obrigados a escutar a leitura desta “obra”. Digo mais, tenho certeza de que vão confessar tudo, o que sabem e o que não sabem. Você, torturador, adquira já seu exemplar de Caulo Poelho!

Não vejo muita diferença desse primeiro livro de Caulo para os demais. Aliás, para mim parece tudo igual. Os livros dele tem muitos pontos em comum: erros de português, erros de concordância… Caulo se defende e diz que muitas partes de sua “obra” são ditadas por “entidades” e ele acha uma falta de respeito corrigi-las. É minha gente, pelo visto é o Exu Seu Creysson que dita os textinhos para esse autor suíço. Me dei ao trabalho de ler no blog “Fala Bonito” uma postagem de janeiro de 2007 onde mais de trinta erros grotescos são esmiuçados. Não recomendo a ninguém. Blogueiro sofre, viu?

Apesar de tudo, o povo suíço gosta de Caulo Poelho. Gosta tanto que ele foi indicado para a Academia Suíça de Letras! Além disso Caulo ganhou um zilhão de prêmios e seus livros são sucesso de vendas. Repito: estou muito decepcionada com o Demônio. Ele caiu muito no meu conceito ajudando Caulo Poelho. Tudo bem, o povo suíço não tem o hábito da leitura, engole esses livrinhos esotéricos de auto-ajuda, mas… como explicar o estrondoso sucesso de Caulo Poelho internacionalmente?

Tia Sally explica. Alguém já leu Caulo Poelho em outro idioma? Eu já! me dei a esse trabalho. Já li Caulo em outros dois idiomas e posso dizer que o trabalho de marketing é fenomenal. Os erros gramaticais foram todos corrigidos, erros no conteúdo dos livros que os tornam pouco plausíveis (intervalos de tempo e outras coisitas) foram refeitos e o texto recebeu uma turbinada. Vejam como eu amo vocês! Vejam ao tipo de experiência a que eu me sujeito para escrever o Processa Eu! Somir, quero ganhar um adicional de insalubridade!

O fato é que hoje Caulo Poelho é recordista suíço e mundial de vendas e é conhecido no mundo todo. Ele deve estar feliz, porque sempre foi um vaidoso da porra, louco pelo sucesso a qualquer preço, vendido toda a vida, alpinista social. Conseguiu o que queria. Quando eu morrer, o Sr. Demônio vai ouvir poucas e boas assim que eu for sumariamente transferida para o andar de baixo. Me aguarde. Com o Diabo fazendo esse tipo de coisa, dá até vontade de virar católica, viu?

Além de tudo, Caulo Poelho é mensageiro de paz da ONU. Faz sentido. Já que ele tem contatos com o Demo, pode pedir para ele dar um tempo nos estresses entre nações. Uma pessoa com uma vida exemplar: pacto com o demo, sexo na frente de deficientes físicos, drogas e todo tipo de baixaria. Vou mandar meu curriculum para a ONU… quem sabe?

A quem possa estar pensando que eu sou arrogante e burra por meter o cacete em um “cerumano” (não fui eu que errei o português, foi a entidade que me guia, o Exu Analfabeto) mundialmente aclamado, dedico esta frase, da minha terra (que por sinal também é uma fábrica de desfavores): “Coma capim, milhões de vacas não podem estar erradas”.

Se alguém tiver ciência de quem foi o filho da puta do médico que fez o parto de Caulo Poelho e alterou a vontade divina, joga no roda. Preciso dizer umas verdades a esse profissional.

Se vocês soubessem o quanto faltou dizer aqui… o texto original que eu escrevi tinha seis páginas enxutinhas, cheias de informações e comentários sobre o Mago Suíço. Infelizmente, por culpa de pessoas como Caulo Poelho, que deseducam para a leitura, as porcarias das postagens tem que ser curtas. Fico por aqui. Desfavor adverte: Caulo Poelho é uma merda.

Para pactos com a Sally, pedidos de desculpas do demônio e intimações judiciais: sally@desfavor.com

18:21

*Somir bate na porta*

SOMIR: Pronta?

*dentro do quarto, Sally responde*

SALLY: Espera.
SOMIR: Ok.
SALLY: AAAAAAAAAAHHHHH!
SOMIR: Sally, tudo bem?
SALLY: Tudo.
SOMIR: Vou esperar lá na sala. A gente está atrasando já.
SALLY: Tá bom, tá bom… Não me atrapalha que demora mais!
SOMIR: Ok.
SALLY: AAAAAAHH!!! *puff* AA-AAAHHHH!!! *puff*

18:51

Na sala:

SOMIR: Isso! Isso! Vai! Vai! NÃO!
SALLY: Estou pronta!
SOMIR: Mas que merda! Que coisa mais feia!
SALLY: EU SABIA! Eu sou uma gorda horrorosa mesmo!
SOMIR: Hã?
SALLY: *chorando e correndo de volta para o quarto*
SOMIR: Sally? Eu estava falando do videoga…

*barulho de porta batendo*

SOMIR: Eu mereço…

19:26

*Somir termina a partida e vai atrás de Sally*

SOMIR: Amor?
SALLY: VAI EMBORA!
SOMIR: Eu não estava falando mal da sua roupa…
SALLY: Estava falando mal do meu corpo, né? *chorando*
SOMIR: Não, eu nem te vi!
SALLY: Olha lá, agora nem meu marido me olha mais! *chorando mais ainda*
SOMIR: Sally, foi um mal-entendido. Abre essa porta.
SALLY: Pra você rir da balofa?
SOMIR: Sally, pára com isso! A gente tem hora marcada…
SALLY: Não quero mais! Me deixa em paz, Somir!
SOMIR: Como assim não quer mais? Está reservado há mais de seis meses!
SALLY: Muito pouco tempo para eu entrar em forma…
SOMIR: SALLY! Agora a gente vai! Nem que seja pra você se trancar no banheiro de lá e dar chilique a noite toda, a gente vai! Já está pago!
SALLY: Vai sozinho e bate uma punheta!
SOMIR: *suspiro*
SALLY: Melhor, leva a sua secretária! Aposto que ela é magra do jeito que você gosta!
SOMIR: Um…
SALLY: Você me fez perder meu personal e agora eu não entro mais na roupa!
SOMIR: Dois…
SALLY: Sabe, a culpa de tudo isso é sua! Você não me dá valor!
SOMIR: TRÊS!

*estrondo*

SALLY: *olhos arregalados* A… porta…
SOMIR: LEVANTA ESSE RABO DESSA CAMA QUE A GENTE VAI PASSAR A PORRA DO ANO-NOVO NAQUELA MERDA DE MOTEL E TEREMOS UMA NOITE ROMÂNTICA E INESQUECÍVEL! NEM QUE EU TENHA QUE TE LEVAR À FORÇA!
SALLY:
SOMIR: E PÁRA DE CU DOCE PORQUE VOCÊ ESTÁ GOSTOSA PRA CARALHO NESSA ROUPA! JÁ PRO CARRO!
SALLY:
SOMIR: Alguma objeção?
SALLY:
SOMIR: Conheço essa cara.
SALLY: Cala a boca.
SOMIR: Você ficou com tesão, né?
SALLY: Cala a boca!
SOMIR: Mulher de malandro…
SALLY: Vamos logo. Esse surto de testosterona seu não vai durar muito e eu quero aproveitar!
SOMIR: Às vezes eu acho que você é bipolar…
SALLY: Somir…
SOMIR: Ok, ok. Vamos.
SALLY: *rebolando*
SOMIR: *tapa na bunda de Sally*

19:41

Na garagem do prédio:

SALLY: Você acha que eu estou gostosa mesmo?
SOMIR: Pelo menos o que coube na roupa…
SALLY: Hã?
SOMIR: Claro que está, se você não entrar no carro logo eu que vou fazer a gente atrasar.
SALLY: Sempre quis fazer aqui na gara…
SOMIR: Não, eu paguei uma nota lá no motel e quero estar lá no MINUTO que puder entrar.
SALLY: Ridículo…

19:46

No carro:

SOMIR: Como é que chega lá mesmo?
SALLY: Você não sabe?
SOMIR: Sei mais ou menos… Mas eu acho.
SALLY: Somir, vamos voltar e pegar o endereço então.
SOMIR: Ah, bobagem!
SALLY: A gente vai se perder…
SOMIR: Vai nada. Acho que já estou reconhecendo o caminho.

20:00

SALLY: Somir…
SOMIR: Calma! Eu lembro dessa rua…

20:12

SALLY: Somir…
SOMIR: Era no quilômetro… 136… ou 163? Ah sim! Com certeza o 163!

20:28

SALLY: Somir…
SOMIR: Porra, onde enfiaram os retornos dessa estrada?

20:47

SALLY: Somir…
SOMIR: Sally, você está me atrapalhando! Olha lá! Motel Sex Paradise! Achei!
SALLY: Não era Paradise Sex?
SOMIR: Não, era uma fachada toda laranja assim mesmo.
SALLY: Nossa, tem fila na entrada?
SOMIR: Quanto tempo pode demorar? O importante é que chegamos.

21:25

SALLY: Quanto tempo pode demorar? *imitando Somir*
SOMIR: Porra! Vai logo! Tem gente querendo boas entradas aqui! *buzinando*
SALLY: Larga de ser Neanderthal, deve ter quebrado um carro lá na frente.
SOMIR: Eu paguei para entrar às NOVE!!! *buzinando mais ainda*
SALLY: Babaca.

21:39

SOMIR: Isso! Começou a andar!
SALLY: Foi aquele carro ali, parou justo na entrada… Coitados.
SOMIR: DA PRÓXIMA VEZ PRESTA MAIS ATENÇÃO ANTES DE SAIR DE CASA, AMIGÃO!
SALLY: Deixa o moço em paz!
SOMIR: Hahahaha! Olha lá a mulher dele com cara de bosta! *apontando*
ATENDENTE: Boa noite, hoje estamos trabalhando só com reservas.
SOMIR: Somir.
ATENDENTE: Não consta, senhor.
SOMIR: Olha de novo… S-O-M-I-R.
ATENDENTE: Não. Nada.
SOMIR: Mas eu fiz a reserva!
SALLY: Estava demorando…
SOMIR: Mas eu reservei!
SALLY: Oi, moço… Tem algum outro motel com nome parecido aqui por perto?
ATENDENTE: Tem o Paradise Sex no outro sentido da estrada. Um todo azul.
SOMIR:
SALLY: Obrigada.
VOZ DE FORA: DA PRÓXIMA VEZ PRESTA MAIS ATENÇÃO ANTES DE SAIR DE CASA, AMIGÃO!
SOMIR:
SALLY: Hahahahaha!

22:39

SOMIR: O cara enganou a gente! Não tem esse motel em lugar nenhum!
SALLY: Ali! Beeeem lá na frente, está vendo o neon azul?
SOMIR: Finalmente um pouco de sorte!

*barulho estranho*

SALLY: O que foi isso?
SOMIR: Ah não! Parou de acelerar…

*carro começa a ficar lento até parar completamente*

SALLY: Não acredito.
SOMIR: Saco… bom, pelo menos a gente está perto.
SALLY: Nem ouse.
SOMIR: A gente fica lá no motel e amanhã o seguro vem buscar o carro e leva a gente embora.
SALLY: Nem PUTA chega a pé em motel de beira de estrada.
SOMIR: Mas não dá nem meio quilômetro, Sally!
SALLY: Chama o seguro, chama um táxi… Eu não vou entrar a pé no motel. Não com essa roupa desconfortável e esse salto enorme.
SOMIR: Mas NINGUÉM vai vir essa hora… Ainda mais aqui… Ainda mais hoje! Vai demorar muito!
SALLY: Se vira.
SOMIR: SALLY! LEVANTA ESSA BUNDA DA…
SALLY: Não vai funcionar dessa vez.
SOMIR: Não custava tentar…
SALLY: Você é homem, tenta consertar esse carro.
SOMIR: *suspiro*

23:37

SALLY: E então?
SOMIR: Eu não entendo nada de mecânica.
SALLY: Precisou de uma meia hora para dizer isso?
SOMIR: Queria ter certeza.
SALLY: Minha mãe bem que me disse para não casar com você…
SOMIR: Desculpa.
SALLY: Ah é? E a sua mãe… Hã?
SOMIR: Desculpa. Eu estraguei a nossa noite.
SALLY:
SOMIR: Eu queria que você tivesse pelo menos uma boa recordação de passagem de ano, eu sei como você sempre fica chateada nessa época por causa dos seus pais.
SALLY: Eu…
SOMIR: Mas esse ano você vai passar do lado de um burro que nem para fazer um carro pegar serve.
SALLY: *abraçando Somir* Eu vou me lembrar disso para sempre.
SOMIR: *sorrindo*
SALLY: Vou lembrar DA SUA CARA-DE-PAU!
SOMIR:
SALLY: Você acha que eu não sei que você ganhou essa reserva de um amigo seu que resolveu viajar de última hora com a mulher? Você acha que eu não sei que a gente só veio porque você não teve que gastar um tostão? Eu conheço a mulher do Almeida.
SOMIR: He… hehe… *constrangido*
SALLY: E agora a gente vai passar a virada nessa estrada escura e deserta.
SOMIR: A gente não precisa desperdiçar essa sua produção, sabe?
SALLY: Bom, dizem que se você virar o ano fazendo uma coisa, vai fazê-la o ano inteiro…
SOMIR: Vem cá, vem.

*censurado*

23:59

SALLY: Vamos fazer a contagem?
SOMIR: Agora?
SALLY: Nove.
SOMIR: Eu vou me distrair.
SALLY: Oito.
SOMIR: Como você sabe que faltam oito segundos?
SALLY: Seis. Estou segurando o meu celular por trás da sua cabeça.
SOMIR: Porra, eu estou aqui, sabia?
SALLY: Quatro.
SOMIR: Ah é?
SALLY: Três.
SOMIR: Pronto. *tapa na mão de Sally*
SALLY: Meu celular!
SOMIR: Frígida!
SALLY: Escroto!
SOMIR: Maluca!
SALLY: Babaca!

*fogos de artifício*