Ainda estou indignada com a pouca importância que foi dada à traição do Ricardo a um dos maiores ASTROS DO ROCK do nosso país, talvez do mundo. Foi mal, mas não deu para engolir. Pedi ajuda para o Somir, que me virou as costas (em parte por causa do Siago Tomir da musculação, em parte por bom senso). Ele se recusou a fazer uma montagem com a foto do Ricardo (seria baixaria mas teria ficado muito engraçado). Portanto, terei que denegri-lo sozinha, com meus poucos recursos de informática (paint *cantinho da vergonha). Tá, tudo bem, não é grandes merda, mas o que vale é a intenção:

E se mais alguém aqui também sentir toda uma indignação, deixe um comentário e vamos pensar no que fazer!

O desfavor valoriza o produto nacional (alfabetizado em outra língua) e dá o (in)devido título de desfavor da semana para Shusha, Xaxa e a viadagem generalizada do Twitter.

Tudo começou com uma singela postagem de Sasha, a herdeira de Xuxa, no famoso mega micro blog, o Twitter:

“Sou eu Sasha. Estou aqui filmando e vai ser um ótimo filme. Tenho que ir… vou fazer uma sena com a cobra”.

Seguiu-se a isso uma hilária enxurrada de piadas com o português deficiente da menina. Mamãe partiu para a defesa com uma argumentação que foi um verdadeiro desfavor:

“Pra quem não sabe minha filha foi alfabetizada em inglês. (…) Ela não merece ouvir certas m..”

E falando em m…

Somir

Modo nazista gramatical: ATIVAR!

Gostaria de começar fazendo um apelo à população “conectada”: Esforcem-se para escrever corretamente. Quando se simplifica demais a forma com a qual se comunica, o resultado mais comum é uma perda considerável de profundidade e complexidade da idéia expressada.

Não é frescura. Escrever errado e de forma abreviada EMBURRECE. Quantas pessoas inteligentes que você conhece escrevem tudo errado, cheio de gírias e “atalhos da era da internet”? Pode anotar aí: Se escreve feito um idiota, É um idiota.

Parem com essa merda de drama toda vez que alguém corrige o que você escreveu. Se você terminou pelo menos o segundo grau, não tem desculpa nenhuma para escrever errado. Tomara que te chamem de retardado quando você fizer escândalo por isso. Se bater palma para analfabeto intencional é educação, eu continuo feliz sendo um mal-educado. É obrigação SIM pelo menos tentar escrever direito.

Mas a minha campanha contra o retardamento virtual não é exatamente o foco da postagem de hoje.

Ei, todo mundo comete erros na escrita. Eu, que escrevo muito melhor que a média, cometo vários. (Modéstia/humildade é defeito, não qualidade. Ainda falo disso no futuro…) Mas eu acho o máximo quando alguém me corrige (e está certo), isso quer dizer que eu vou escrever e me expressar ainda melhor depois de aprender a forma correta. Digamos que essa é a forma mais saudável de lidar com o assunto. (Logo em seguida vem o bom e velho “foda-se”.)

O problema, no final das contas, nem é o fato da anta da Sasha ter escrito “sena”. (Aliás, eu teria tirado sarro da parte de fazer uma cena com a cobra, mas o pessoal que frequenta o Twitter não costuma ter muito cérebro…)

O problema é o chilique da Xuxa e a comoção causada por causa disso. As pessoas VÃO tirar sarro de uma riquinha tratada como princesa pela mídia (e pela anta da mãe), não estava na cara? Na primeira oportunidade, todo mundo aproveitou a chance de dar uma sacaneada na “baichinha”. Como assim defender com tamanha fúria uma bobagem que foi sim escrita pela garota? Se queria proteger a Dona Creysson Jr. das críticas, que a alfabetizasse em português e inglês ao mesmo tempo! Ou parasse de empurrá-la garganta abaixo das bichas dos seus fãs como a herdeira da coroa. (Com trocadilho, por favor!)

Grandes merdas ter sido alfabetizada em inglês. Eu fui alfabetizado em português e sempre me esforcei para escrever corretamente em outras línguas. (Menos em espanhol, adoro como a Sally fica irritada quando eu falo portuñol! ¡Ay!) E, convenhamos, “sena” é um erro estranho até mesmo para quem não está familiarizado com a língua de Skylab. (Camões é passado…)

Desculpa esfarrapada. Vitimização dramática, do tipo que a Xuxa vem fazendo ultimamente. Logo após dar um ataque no Twitter (cacete, isso é fim de carreira…), saiu pela tangente numa explicação pelo uso de caixa-alta no que escrevera. Disse que era o “jeitinho” dela.

KKKKKKK DIBOA?

E toda essa palhaçada para não mandar a filha corrigir o erro na postagem e agradecer graciosamente pelas dicas das pessoas que foram alfabetizadas na língua. Xuxa perdeu a mão da sua carreira e relações públicas quando saiu debaixo da larga sola de sua ex-empresária e chefe-de-cela Marlene Mattos.

Eu gostava mais da Xuxa quando ela era só um par de coxas no antigo programa erótico-infantil. Espero que a Sasha siga uma carreira parecida com a mãe. Aparentemente a maçã não cai mesmo longe da árvore e as oportunidades de carreira da garota vão ser um tanto quanto limitadas. Previsão: Sasha ainda vai namorar com o Ronaldinho Gaúcho.

O que não faz a menor diferença para o fã médio da Xuxa. Aliás… sério… como alguém pode ser fã da Xuxa (atual e vestida)? Alguém pode me dizer qual é o talento dela? Teria ela virado uma espécie de musa gay? (Musa/Muso Gay = Pessoa famosa que não tem talento algum. Eu também não entendo por que os gays escolhem ídolos assim, mas… Cada um com seus problemas…)

O vídeo do defensor da Xuxa, que até mataria (*tirando um cílio* “Te furo!!!”) quem estiver maltratando sua rainha e rainha de outros milhares de fãs no mundo (Onde?) é mais uma prova da teoria da musa gay. Pois é… Fim de carreira.

Bom, aqui está o texto. Pentelharam por e-mail para falarmos da Xuxa, estamos falando dela.

O lado positivo é que eu prestei um pouco mais de atenção no Twitter. Percebi uma oportunidade de ouro: O número de imbecis por lá é enorme, mas ainda não é uma batalha perdida como o Orkut. Podemos estar no começo de uma nova era de ouro na trollagem nacional.

Rumo aos twitticídos!

Para dizer que eu sou uma merda para falar mal de celebridade, para apontar os erros que eu cometi, ou mesmo para declarar que eu sou o seu Muso: somir@desfavor.com


Sally

Olha sóóóó… o desfavor da semana foi outro, mas como sempre, as pessoas conspiram para ofuscar quem brilha. Tá na cara que o desfavor da semana foi aquele invejoso de merda e sem talento do Ricardo, ex-Polegar, lançando sua bandinha DE MERDA, tentando fazer sucesso às custas do Rafael Pilha, inclusive regravando uma de suas músicas mais geniais: Dá pra mim. ISSO É DESFAVOR: http://www.bandaorkut.com/ e não uma mágoa de caboclo de criancinha superprotegida filha de uma mãe infantilóide e decadente.

Mas tudo bem. Minha vingança do imbecilóide do Ricardo terá que ser solitária (Lindamar? Oi? Me ajuda?), o desfavor da semana teve que ser o papel ridículo da dupla Xuxa e Sasha. O assunto dispensa introdução. Tá na boca do povo. Quer dizer que Xuxa acha que sua preciosa filha (ô criança mais horrenda, viu? Filho não herda plástica, né?) não pode ser criticada por errar o português porque foi alfabetizada em outro idioma?

Deve ser uma das primeiras vezes que Xuxa tem contato com a vida real, já que viveu por décadas protegida dele por sua empresária/dona/esposa em seu castelo cor de rosa. Sim, pessoas são críticas. Sim, pessoas pegam pesado. Sim, pessoas debocham. BEM VINDA AO MUNDO REAL, todos nós passamos por isso e todos nós superamos. E se não quer que sua filha também passe, lamento mas ela será uma adulta sem calos sociais, frágil e despreparada. Será ainda mais vergonhoso.

Primeiro eu quero dizer, enquanto pessoa que foi alfabetizada em outro idioma, que isso não é desculpa nem de longe para erros grotescos de português. Eu só fui falar português aos cinco anos de idade. Claro que algumas vezes eu cometo erros, mas me recolho à minha burrice e agüento as conseqüências quando me proponho a participar de situações públicas como Twitter. E cá entre nós, SENA é de doer. Será que ela não estava se referindo ao ex-namorado da mamãe? Aquele que era gay mas que sempre catava uma lésbica, ou uma assexuada ou uma alpinista social qualquer para tentar esconder que era gay?

E mesmo quando eu erro, porque sim, eu erro, não creio que seja direito meu ficar putinha quando sou corrigida. Tudo bem que vão dizer que o problema é a forma como a correção foi feita, mas PUTA MERDA, não precisa ser gênio para perceber que no Twitter você está exposto ao MUNDO REAL, e mundo real tem DE TUDO: gente grossa, gente delicada, gente legal, gente pentelha… Se não quer estar exposto a tudo e todos, basta não ficar se arreganhando na internet. É como colocar sua bunda na janela do carro e reclamar quando alguém olha e comenta.

Mas é tão típico de celebridades como Xuxa esse tipo de conduta! Hipocrisia. Se expõe, se arreganha e depois fica berrando que quer privacidade. A mulher pode ter tudo que quiser, o preço que paga por isso é perder sua intimidade. Quer o bônus mas não quer o ônus. Não me espanta que isso venha de alguém que posou pelada com caras e bocas de “topo tudo por dinheiro” e depois processa quem mostra a revista que ela fez VOLUNTARIAMENTE. Ô nojo!

Pessoas assim, que não vivem no mundo real, acham que podem tudo. Acham que tem controle sobre tudo. Acham que a vida tem que ser uma projeção do que ELES acreditam ser o ideal. Espelham o modelo de ser humano exemplar nas qualidades que eles acham boas. Quando algo não sai como querem, essas “celebridades” se indignam e correm para o judiciário choramingando. Imagina se cada um de nós, reles mortais, correr para o judiciário quando tomar uma sacaneada pesada de alguém por causa de erro de português? Bastava entrar na Piores Conselhos Possíveis no Orkut para sair rico!

Me poupe! Mas me poupe muito! Xuxa já tinha feito uma baixaria umas semanas atrás, em um festival de cinema, quando algum demente deu um prêmio a ela. Teria feito um discurso agressivo e dito “Vão ter que me engolir”. Ela surtou? Será senilidade? Ainda vem dizer que foram grosseiros com a filha dela! E ela, Xuxa, que escreveu no Twitter que a filha não merece ouvir “certas merdas”? Muito fina, né? Ou só porque abreviou o palavrão é fino? Deixa eu ser fina também: Xuxa, vtnc, vai pra pqp. Ah sim, Danilo Gentili, eu te amo. Não tanto quanto ao Rafael Pilha, mas eu te amo.

O que me mata é o número de imbecilóides que acham este assunto de extrema importância e estão se metendo e aumentando um evento banal. Nem vou falar daquele vídeo numa vibe meio “leave Britney alone” que aquele Richarlyson Cover fez porque vou vomitar. Pendura um caralho cravejado de brilhantes no pescoço se quer aparecer! DE-MEN-TE.

Quero ver se “O Anjo” da Xuxa não sacaneia coleguinhas no colégio. Quero ver se ela já não falou coisas iguais ou piores por aí. Porra, Xuxa, em vez de ficar distribuindo patadas e se fazendo de vítima, olha pro próprio umbigo e admite que errou, que você foi irresponsável de deixar sua filha exposta a esse tipo de situação em um meio público! Aliás, admita que meios públicos não são boas escolhas para celebridades que não querem estar expostas a todo tipo de opinião e abordagem. Mas ela sempre foi tão alienada, que deve estar tonta, sentada, se perguntando “comoassim (ela tem problemas com a barra de espaço, reparem) ALGUÉM não gosta de mim? Comopode?”.

E o brasileiro, POVO BUNDA, passou a semana toda falando nessa excrescência. Recebemos tanto e-mail que não tinha como não falar nisso (Ricardo, seu filho da puta, escapou por pouco), mas me dá enjôo só de pensar que ESTE foi o assunto de mais destaque da semana. No que depender de mim, promovo um boicote a essa mãe e filha de cabeças doentias, sei lá como, só para mostrar que tem CABEÇAS PENSANTES que não engolem essa manipulação e vitimização e para lembrar à Xuxa seu passado negro, não tão santo como ela quer fazer parecer. Vou morrer repetindo todos os podres de Xuxa, agora FAÇO QUESTÃO. Não vai tirar onda de puritana indignada aqui no Desfavor, marrrrnãovaimeerrrrmo!

Para me dizer que você também acha o Ricardo um traíra filho duma puta arrombado e sem carisma, para me dizer que ta feliz porque Sasha vai ficar com fama de burra analfabeta para todo o sempre, mesmo que entre para a ABL e para me mandar um vídeo másculo expondo argumentos racionais sobre o ocorrido: sally@desfavor.com

Love a Tender, love a sweet...

Seguindo a linha “quem disse que não se chuta cachorro morto?”, o Processa Eu de hoje chuta e faz embaixadinhas com mais um rei. É muito bacana falar de reis, desconstruir mitos. Quando uma pessoa morre a mídia e os puritanos hipócritas de plantão fazem questão de relembrar apenas suas coisas boas, escondendo tudo de ruim que havia na pessoa. É assim que se faz um mito. Por sorte, as pessoas fazem um trabalho tão bunda que qualquer imbecilóide dono de um blog pequeno pode desfazer, como provarei nas linhas abaixo. Senhoras e senhores, o Processa Eu de hoje é sobre Pelvis Presley.

Pelvis nasceu em uma pequena cidade da Suíça em 8 de janeiro de 1935. Mamãe Pelvis estava grávida de gêmeos univitelinos (aqueles que são idênticos), mas seu irmãozinho nasceu morto. Um só já bastava, né?

Criado em uma família exemplar e estruturada, Pelvis teve a oportunidade de crescer com bons exemplos dentro de casa: seu pai foi preso por crime de estelionato quando Pelvis tinha apenas três anos de idade. Parece que ele andava falsificando cheques por aí. Joinha joinha. Todo final de semana Pelvis tinha que viajar 5 horas de ida e 5 horas de volta para visitar Papai na prisão. Graças aos crimes cometidos por Papai Pelvis, a família foi despejada e teve que se mudar para a casa dos avós, pais do estelionatário.

Em 1945 começa a vida artística de Pelvis. Ele participa de um concurso de novos talentos em uma feira qualquer e ganha o segundo lugar. Nesta altura, Papai Pelvis já havia cumprido sua pena e estava de volta ao lar (ótima influência para a criança) e lhe deu um violão de presente. Foi a gota dágua para Pelvis vagabundear durante toda sua vida escolar. Além de burro, era um aluno relapso, mais interessado em violão do que em se instruir. Sua aparência “excêntrica”, com cabelos mais longos que o desejado e costeletas faziam com que muitos colegas quisessem lhe enfiar a porrada, e de fato, chegaram a fazê-lo. O treinador do time de futebol disse a ele que com aquele cabelo ele não poderia continuar jogando e Pelvis preferiu sair do que cortar o cabelo.

Depois de largar o time de futebol, ele começou a se vestir com roupas extravagantes, geralmente nas cores rosa e preto (atentem aqui que estou me segurando ao máximo para não fazer comentários preconceituosos). Pelvis comeu merda durante muito tempo de sua vida. Foi lanterninha de cinema, motorista de caminhão e continuou enfrentando preconceito por seu cabelo e roupas.

A história de seu sucesso é bem questionável. A versão oficial é que ele, Pelvis, decidiu bancar do seu bolso (apesar de ser extremamente pobre) a gravação de um disco seu para dar de presente de aniversário para sua mãe. Durante esta gravação, bancada por ele, o dono do estúdio, que também era dono de uma gravadora, teria visto seu desempenho e ficado encantado. Ele decidiu lançar Pelvis, assim… por pura bondade. Sei… O curiosos é que o dono da gravadora só trabalhava com UM gênero musical, e o de Pelvis era OUTRO. E mesmo assim, ele decidiu investir em Pelvis. Como sempre tem alguém nervoso pedindo fontes, e esta é uma parte polêmica, vou transcrever um trecho de uma das mais famosas biografias dele:

“Como o aniversário de sua mãe era em abril, o tempo dessa versão da história não está correto, pois Pelvis preparou esse primeiro disco de acetato no verão de 1953. É mais provável que Pelvis conhecesse sua reputação como um produtor independente e foi ao estúdio pedir sua atenção.”

Se Pelvis não deu o roscofó para esse sujeito eu sou mico de circo. Porra, podia ao menos ter criado uma mentira plausível! Nem a data do aniversário da mãe bateu! Ô gente burra!

Cercado de toda a estrutura necessária, Pelvis vira sucesso do dia para a noite. Claro, sofria críticas, afinal, sempre foi um caipira sulista e quando abria a boca sua burrice fazia chorar. Também diziam que ele era vulgar, que dançava de forma vulgar. Mmmmmm… estou pensando aqui: burrice + dançar de forma vulgar = rei. Será que depois que Cumpadi Washington morrer ele também vira rei? Tchuu tchuu pá! Ordinááááária! Sim, Pelvis foi um É o Tchan da época. E tem gente que acha fino gostar de Pelvis…

Pelvis dançava de forma ousada para a época. Sem querer ser espírito sem luz, na minha nada humilde concepção, parece mais um ataque epiléptico do que uma dança, mas esses religiosos puritanos (hipócritas) não podem ver um chacoalhar de saco que já acham sexy e ousado. Gente reprimida é uma merda. Deve ter aprendido a dançar com o Forrest Gump mesmo, só um aparelho ortopédico na perda justifica aqueles movimentos (além, é claro, de epilepsia).

Para não dizer que ele não era tão rebelde como pintam, vou citar um gesto de rebeldia dele que ilustra muito bem esse tipinho “me faço da mau, muito mau”. Em um famoso programa de TV ele cantou, contra a vontade do apresentador, uma música GOSPEL que era a preferida da sua MAMÃE. Rebelde pra cacete, hein? Depois disso foi chamado para gravar um disco gospel! Dizem que só desafiou o apresentador porque estava bastante doido. A gente sabe que ele era chegado em drogas (remedinhos, principalmente). Mmmmmm… estou pensando aqui: drogas + gravar disco gospel = rei. ALGUÉM TRAZ UMA COROA PARA O RAFAEL PILHA JÁ!!! JÁÁÁÁÁ!

Eu queria falar de passagens importantes como seu novo empresário 171 Pom Tarker, que pintava pardais de amarelo e os vendia como periquitos (como tem estelionatário na Suíça, não?), o factóide comercial que foi seu alistamento no exército, a morte de sua mãe, o tempo em que serviu na Alemanha, seus filmes ruins (é de constranger a Muxa) e tantas outras passagens importantes (e cheias de informações que ninguém conta), mas a realidade é o limite de 4 páginas, logo, vou guardá-las para o final de vida de Pelvis, que é a parte mais interessante.

Além de dar/comer o rabo para subir na carreira, em suas relações pessoais Pelvis também não valia muito. Quando estava servindo ao exército na Alemanha, deixou uma namorada nos EUA, reconhecida perante a imprensa, à qual prometeu fidelidade. Claro que não cumpriu. Mas além de não cumprir, tripudiou. Era visto com uma outra chamada Briscilla Peaulieu, que tinha apenas 14 anos, para cima e para baixo. Enquanto isso, omitia de sua namorada este fato, mandava presentes e cartas. Quando se despediu de Briscilla, chorou feito um bebê, e poucas horas depois, quando chegou aos EUA, deu uma coletiva de imprensa, Pelivis minimizou sua relaçao com Briscilla, entretanto, falava com ela ao telefone o tempo todo e lhe escrevia centenas de cartas.

Mas Briscilla era teimosa. Mesmo sabendo que Pelvis tinha namorada, e que além dela pegava geral (toda semana se lia uma notícia dele pegando uma famosa), ela continuou mantendo contato com ele e reafirmando que gostava dele. Um dia, Pelvis decidiu que era Briscilla que ele queria e pediu que ela fosse aos EUA vê-lo. Moveu mundos e fundos. Teve que convencer os pais da moça e seguir uma série de condições estipulada por eles. O test drive foi tão bem sucedido que Briscilla acabou se mudando para os EUA e, depois de sete anos do seu primeiro encontro com Pelvis, ela foi pedida em casamento. Linda a história, né? Só que Pelvis se mostrou um canalha, teve casos públicos com geral e quando Briscilla estava grávida de sete meses Pelvis lhe disse um “desculpa, foi engano” e que queria se separar. Briscilla lutou para manter o casamento, mas acabou se divorciando pouco depois, sozinha com uma filha para criar. E criou mal pra caralho, diga-se de passagem, porque muitos anos depois, sua filha casaria com Jichael Mackson!

Sua carreira continuava um sucesso, mas ele precisava cada vez mais de drogas para ter energia nos palcos e depois prescisava de drogas para conseguir dormir. Drogado ele sempre foi, que fique claro, mas em seus útlimos anos ele fez uso descomunal de substâncias lícitas e ilícitas. Para quem endeusa Pelvis, lembre-se que está endeusando um drogado. O que o difere de um drogado comum, que geralmente a sociedade repudia e condena, é que ele cantava bem. Apenas. (porque eu não paro de compará-lo mentalmente ao Rafael Pilha?)

Pelvis estava cada vez mais recluso. Vivia dopado, mal conseguia sair de casa. Ele estava tão chumbado que não conseguia nem ir ao estúdio gravar. O problema foi resolvido da forma mais burra possível, em vez de tirar Pelvis do buraco, resolveram instalar uma gravadora dentro da casa dele, para que ele possa gravar mesmo sem conseguir andar de tão drogado.

Dizem que fazia uso indiscriminado de anfetaminas para perder peso, mas considerando que em seus últimos anos de vida ele parecia um leitão de costeletas, eu duvido. Era coisa mais pesada mesmo. Também diziam que ele tinha dores nas costas, hipertensão e outros problemas de saúde. Também, né? Com aquele peso… me espanta que a coluna dele não tenha se partido ao meio. O mais engraçado é que ele falava mal de drogas. Pessoas hipócritas não são uma delícia?

Já li sobre pessoas que justificaram o aumento de peso de Pelvis com uma série de doenças. Ele mesmo era hipocondríaco, vivia achando que estava doente. Pois eu vou dizer qual era a doença dele: falta de vergonha na cara. Amigos e parentes já declararam de forma pública que ele só se alimentava de três coisas, em grandes proporções: bacon, pizza e sorvete. Parece aquele gordinho que durante o dia come uma saladinha e depois enche o rabo de doce em casa e fica choramingando, dizendo que nao sabe porque não emagrece, que não come nada, que deve ter “problemas hormonais”.

Enfim, a falta de vergonha na cara de comer feito um gordo carente, somada à falta de vergonha na cara de ficar se entupindo de drogas (lícitas ou não), acabaram por deteriorar a saúde de Pelvis. Começou a ficar paranóico também. Carregava armas onde quer que fosse, porque achava que alguém poderia querer assassiná-lo para ganhar fama. Estava armado até mesmo no palco, em suas apresentações. Ele foi se isolando cada vez mais, gordo, decrépito, decadente e armado.

Um belo dia ele foi encontrado morto na banheira de sua casa, por sua namorada. A causa da morte não foi bem explicada até hoje. Alguns biógrafos falam em “colapso fulminante”, outros em “disfunção cardíaca” e outro em “arritmia”. Banha + drogas. Chamem como quiserem, o sujeito pifou. A família pediu uma autópsia particular, mais detalhada, e seus resultados nunca vieram a público. Chegaram a acusar seu médico de prescrever medicamentos de forma irresponsável, mas ele foi julgado e absolvido.

Após sua morte, surgiram teorias conspiratórias dizendo que ele não tinha morrido, tinha apenas simulado a própria morte para poder levar uma vida mais tranquila. Pessoas contam ter visto Pelvis após sua morte, e alguns até mostram fotos. O engraçado é que nestas fotos ele continua com topetão, cavanhaque e roupas nada discretas. Praticamente uma caricatura. Outros dizem que ele vive em uma ilha. Gente rudimentar e negadora não sabe lidar com a morte, com a perda, então cria esses eufemismos mentais para tentar mitigar a própria dor: ele está em uma ilha, ele está no céu, ele está no paraíso e assim por diante.

Pelvis era um prostituto que fez o que foi necessário para subir na vida, quem o admira não pode criticar pessoas interesseiras e sem moral. Pelvis foi um mulherengo safado, quem o admira não pode chamar de canalha um homem que trai publicamente. Pelvis foi um irresponsável drogado, quem o admira não pode falar mal de viciados que morrem cedo e deixam filhos sem pai no mundo. O cara cantava bem, mas cá entre nós, era um ser humano de merda. Quem quiser admirá-lo, saiba que está ostentando os valores errados.

Para me dizer que Pelvis não morreu, apenas se disfarçou de Rafael Pilha, para me dizer que que eu tenho enveja de Pelvis porque eu queria ser uma gorda drogada e para dizer que Lohn Jennon teria o mesmo destino, mas Mark Chapman infelizmente o transformou em mártir: sally@desfavor.com

Recentemente a questão foi levantada pelo Presidente da França, Nicolas Sarkozy e agora o assunto voltou à moda novamente com o episódio do médico (está mais para monstro) que estuprou dezenas de pacientes anestesiadas: o que fazer com estupradores?

Já disse isso aqui outras vezes e vou repetir: costumamos ser menos tolerantes com os criminosos que cometem crimes que nós achamos que não cometeríamos. Nosso senso de justiça costuma estar atrelado a nossos valores pessoais. E com base nesses critérios, o estuprador vira um dos criminosos mais rejeitados pela sociedade, afinal, poucos de nós se acham capazes disso. Não que um estupro mereça qualquer justificativa ou atenuante, porque realmente não merece. É um crime horrível que com toda razão causa repulsa social. Só estou querendo deixar claro que damos um tratamento diferenciado em função de valores próprios, sobretudo nós mulheres, que nos identificamos com as vítimas.

Pois bem, dito isto, vou direto ao assunto. Algumas pessoas vem levantado a possibilidade de se punir o estupro com a castração química do estuprador. É uma castração realizada mediante a aplicação de medicamentos (salvo engano, hormônios femininos) que diminuem drasticamente os níveis de testosterona no organismo do homem, tornando-o incapaz de ter uma ereção. Na forma como ela é proposta seria supostamente reversível, ou seja, a impossibilidade de sexo dura o tempo que durar o “tratamento”. Confesso que não tenho conhecimento das consequências a longo prazo – mas também não é intenção discuti-las aqui.

Se fosse algo irreversível como é a castração física, eu nem viria aqui falar sobre o assunto, porque acho uma barbárie (apesar de saber que sempre tem uma meia dúzia de almas exaltadas que querem que prenda, castre e mate, deixo esses radicalismos para o Somir). Portanto, vamos falar da castração apenas no caso dela ser reversível.

No Brasil é expressamente proibida a aplicação de penas corporais, ou seja, punições que afetem a integridade física do condenado. Em tese, né? Porque quem já visitou um presídio ou uma carceragem de delegacia sabe que na prática as coisas podem ser diferentes. Em tese, a castração química não poderia ser utilizada no nosso país. Mas, com um pouco de debate e alguns ajustes, talvez seja até mesmo possível argumentar que não se trata de uma punição corporal. Também pode ser alegado que, entre a violação dos direitos de uma pessoa de não ser estuprada e a violação do direito do estuprador à integridade física, os primeiros devem prevalecer. Tudo muito controverso, mas possível de se argumentar. A questão é: vale a pena? queremos isso?

O grande problema das discussões sobre estupro é que as pessoas se exaltam e a indignação não lhes permite pensar na complexidade do que está sendo debatido. Falando assim, sem aprofundar o tema: “Você acha que deveriam aplicar castração química a estupradores?” a gente tende a dizer que sim, claro, e que ainda tem que bater, prender, matar, etc. Pensamos com presunção de culpa. Por isso, vou reformular a pergunta para que vocês entendam onde eu quero chegar: VOCÊS ACHAM QUE EM UM SISTEMA JUDICIÁRIO COM FALHAS COMO O NOSSO É ADEQUADO IMPOR CASTRAÇÃO QUÍMICA PARA OS CONDENADOS POR CRIME DE ESTUPRO?

Que estuprador deve sofrer castração química eu não tenho dúvidas. Assino embaixo. Mas o que se discute aqui não é isso. O que se discute é se deve ser dada autorização ao Estado para aplicar a castração química aos condenados pelo crime de estupro, que nem sempre são de fato estupradores. Acredite em mim, se me levarem para algumas das delegacias do Rio de Janeiro, até eu confesso crime de estupro.

Durante muito tempo eu pensei de forma equivocada sobre estupradores. Eu presumia que para uma pessoa ser capaz de estuprar alguém, ela deveria necessariamente ser doente mental, ter alguma psicopatia, algum problema de cabeça. Conversando com especialistas, fui advertida de que não é o caso. Existem pessoas que o fazem por opção, que poderiam muito bem controlar seu impulso e ainda assim optam por fazer. Existe a maldade, a maldade pura e deliberada como escolha. Isso me fez pensar que estas pessoas não são passíveis de tratamento psicológico ou psiquiátrico, porque não são doentes.

Se não podem ser tratados, como garantir que retornarão ao convívio social e não repetirão o mesmo crime? E se for o caso de uma pessoa de fato doente, será possível tratá-la para evitar que ela repita o erro? Geralmente não. Os índices de reincidência no crime de estupro são altíssimos: 75% faz novamente.

No caso ocorrido da França, que levou o Presidente Nicolas Sarkozy a defender a castração química, um pedófilo que havia cumprido pena de dezoito anos e assim que colocou o nariz na rua, estuprou um menino de cinco anos de idade. Não adiantou porra nenhuma de nada passar dezoito anos enjaulado. O que fazer com pessoas assim? É tentador recorrer à castração química.

Existe um projeto de lei sobre introdução da castração química no Brasil, mas dificilmente será aprovado, porque da forma como foi escrito é inconstitucional. Eu sei que todos que estão lendo estão pensando favoravelmente à castração química, mas peço que deixem sua indignação de lado por um segundo, se desarmem e procurem ler as próximas linhas com racionalidade.

A lei brasileira sacaneia o homem por demais. E olha que para que EU (que acho que toda sacanagem com homem é pouco) diga uma coisa dessas, a injustiça deve ser enorme. O homem só se fode. Por causa de meia dúzia de babacas todos pagam o preço. Não discuto se isso é necessário ou não, apenas estou dizendo que as leis são extremamente protecionistas com mulheres, que ultimamente não andam tão indefesas.

Vocês sabem o que vem acontecendo com a Lei Maria da Penha, a lei contra a violência doméstica, né? Praticamente TUDO que um homem faz e desagrada uma mulher pode virar violência doméstica. Quem tiver curiosidade de ler, procure no Google a lei 11.340 e leia o artigo 5º para constatar o que o legislador definiu como sendo “âmbito doméstico” (não precisa nem morar junto, ta?) e o pior de todos, o art. 7º, que nos diz o que configura violência doméstica. Os incisos que descrevem o que é violência psicológica e violência moral englobam praticamente tudo, por essa lei, Somir comete violência doméstica contra mim todo santo dia.

Resultado? O que era para impedir que um marido violento dê umas pancadas na esposa porque ela queimou o feijão virou arma de Patricinha mimada para se vingar de namorado que a largou ou de homem que a rejeitou. Mesmo quando não chega a virar um processo, tem sempre aquela mulherzinha barraqueira que vive de blefe com o discurso ameaçador no canto da boca “Olha que eu vou te processar, hein”. E o homem responde ao processo preso, ok? Antes mesmo de ser condenado. O bicho pega.

Eu sou a favor de homem bater em mulher? NUNCA. Mas eu sou a favor da Lei Maria da Penha? Não, obrigada. Entendem o paralelo? Já tive amigos presos sem jamais encostar um dedo na ex-namorada. Eu trabalho com isso, acabo vendo essas injustiças todo santo dia. Entendem meu medo?

Se for liberada a castração química, será mesmo que vai ser usada contra estupradores? Ou será que vai ser usada apenas nos estupradores pretospobresfavelados e contra homens que rejeitaram mulheres histéricas e vingativas? Quem se safa sempre, vai continuar se safando, não importa quão duras sejam as leis. Não é a intensidade da pena que coíbe o crime, é o real temor de ter que cumpri-la.

Quando a gente pensa naquele estuprador padrão, tipo maníaco do parque, fica fácil desejar a castração química. Mas quando a gente pensa no nosso pai, irmão, primo, filho ou amigo que aborreceu uma vadia qualquer que só de raiva resolveu acusá-lo de estupro para vê-lo castrado (e, meus amigos, vocês não tem noção da baixaria que algumas pessoas são capazes de fazer para se vingar), a coisa muda de figura. Alguém aqui põe a mão no fogo que a justiça não erra?

Pensemos em um processo por estupro, contra seu pai, irmão, primo, filho ou amigo. Estupro não precisa de testemunhas, e geralmente não as tem. É a palavra da mulher contra a do homem. Adivinha quem tem presunção de vítima? O estuprador PODE ser condenado SEM EXAME DE CORPO DE DELITO, ok? A mulher diz que foi para casa, porque estava traumatizada, e depois de vinte dias criou coragem e denunciou. Os vestígios já eram. E ainda assim, ele pode ser condenado.

Quantos de vocês, homens, nunca tiveram um LOUCA no caminho capaz de tudo (inclusive de queimar o próprio filme) para ficar com você ou se vingar depois de ter sido rejeitada? Imagina se uma lei desse a essa louca o poder de te castrar, ainda que temporariamente? Imagina ela fingindo choro em uma audiência, comovendo os presentes e dizendo “ele me estuproooooouuuu!” e você sendo condenado a ficar por anos e anos broxa. Estamos falando de vinte ou trinta anos sem uma ereção. Ainda está tão certo da castração química?

Não pensem nos bandidos quando falarem de uma lei criminal. Pensem que pode chegar em todos nós.

Mas Sally, é reversível”. Sim, mas e se você não conseguir provar a sua inocência? Vai gostar de ter passado vinte anos broxa? E se 19 anos depois se comprova que você é inocente, quem te devolve esses anos todos que você passou broxa? Não sou homem, mas acho que se fosse, preferiria ser privado da minha liberdade do que da minha ereção. Opinem.

Mas Sally, você não gostaria que um homem que te estuprou fosse castrado?”. Sim, castrado e morto. Gostaria sim. Mas não é assim que se fazem leis, pensando em revanche. Se fazem pensando no melhor para a sociedade. E nosso sistema penal não tem por objetivo a vingança, como por exemplo nos EUA, onde das famílias das vítimas vão bater palminhas para a execução do assassino. Se fosse comigo é claro que eu ia querer tudo de ruim para a pessoa, mas a pergunta é: eu quero viver em um país onde o Estado pode fazer tudo de ruim a um condenado? Minha raiva pessoal não deve virar lei. Se virar, será um perigo. (afinal, eu sou RITLER, né?)

Por outro lado, eu tenho plena consciência que é foda ficar alimentando vagabundo que estupra a rodo e saber que depois de no máximo trinta anos (provavelmente antes) ele vai sair e fazer tudo novamente. É uma questão delicada. Entendo quem defenda a castração química. Eu sou contra, mas não acho um argumento descabido. Para uma mulher é muito fácil dizer “castra mesmo!”, porque não podemos nos identificar com a figura do agressor, nunca que essa merda vai feder na gente. Talvez os homens me entendam melhor.

Não tem jeito, pena corporal não entra na minha cabeça. Se resolvesse, minha gente, eu até pensava com carinho nessa birra que eu tenho com penas corporais… Mas não resolve, meu povo. Sem querer ser grossa, ainda que se aplique castração química, a pessoa continua tento dedos, língua e boca. Não é só com um pênis que se molesta alguém.

Por favor, opinem. Mas opinem com civilidade.
Para me dizer que é foda mesmo, que só podia ser eu para ficar defendendo estuprador, para me perguntar se eu não gostaria de que a pessoa que me estuprou fosse castrada, torturada e assassinada e para usar qualquer outro argumento de gente pobre de espírito: sally@desfavor.com

Eu conheço bem meu companheiro de blog. Por isso tenho diversos episódios de Siago Tomir escritos, prontinhos para serem copiados e colados aqui: porque sei que ele é incapaz de cumprir metas, horários e qualquer obrigação em determinadas fases de sua vida. Bom, pelo visto, esta é uma delas. Aparentemente ele está sem internet e aparentemente ele não pode usar o horário do almoço dele, como eu faço, para escrever o texto do dia seguinte em uma lan e me enviar por e-mail, porque “nem fodendo que eu vou deixar de comer, você é doente” e blá blá blá.
Por sorte, um de nós é responsável. Com vocês, mais um SIAGO TOMIR.

Hoje conto a vocês como introduzi (ou melhor, como tentei introduzir) Siago Tomir no mundo da musculação.

Não, não foi capricho nem futilidade. Quem conhece meus ex-namorados sabe que eu sou eclética e vou a extremos: tem dos modelos mais lindos até os barangos mais feios. Meus caros, só tem um corpo que eu não abro mão que seja sarado nesse mundo – o meu. O grande estopim que me fez convencê-lo a malhar foi um problema de saúde de Siago Tomir, onde ele realmente precisava de uma atividade física e dentre elas, a musculação era a mais indicada (palavras do médico, juro).

Existe uma peculiaridade sobre Siago Tomir que vocês talvez não saibam: Siago Tomir não dorme. E gosta disso. E tem orgulho disso. E quando você tenta convencê-lo a dormir ele faz um “Tssst!” (numa vibe meio Cesar Millan, visualizaram?) e declama: “Dormir é para os fracos”. Como todo arrogante, egoísta e individualista, ele se acha imortal. Então, na véspera de ir a seu primeiro dia de academia, Siago Tomir estava saracoteando pela casa às duas da manhã, enchendo os cornos de coca-cola e jogando um jogo de guerra no vídeo-game. Recomendei que ele durma e tomei um “Tssst!” no meio dos cornos. Fui dormir sem ele.

Já havia sido uma batalha tremenda convencê-lo a se matricular em uma academia, aquela choradeira, ameaças dizendo que eu não queria estar ao lado de alguém que se destruía, chantagem perguntando se ele queria que seus filhos vejam o pai morrer aos 40 e essas coisas que eu faço. Quando ele sentiu que a coisa ia escaralhar, tanto do ponto de vista do problema de saúde quanto da minha paciência, ele concordou.
O que pessoas como ele não entendem é que não basta se matricular em uma academia. É todo um ritual, é toda uma mudança de estilo de vida. São novos hábitos, nova alimentação, nova rotina. Siago Tomir foi se deitar com o nascer do sol, como de costume. Mais ou menos três horas antes de tocar meu despertador.

Quando o despertador tocou, ele estava praticamente em coma. Sim, porque Siago Tomir não dorme, Siago Tomir entra em mode off. Eu já conhecia a figura, então nem me dei ao trabalho de gritar ou coisas do tipo, isso não resolve. Me arrumei e disse “Estou pronta, você vem?”. Siago Tomir fez um sinal de “joinha” com o dedo sem desenterrar a cara do travesseiro e continuou dormindo. Repeti em voz alta “SIAGO! Estou indo, ta? Pelo menos me dá um beijo…”. Desconfie quando uma mulher te pede beijo. Beijo é o caralho, eu queria é que ele olhe para mim. Siago Tomir se levantou para me dar um beijo no piloto-automático, quando viu as minhas roupas. Acordou que foi uma beleza.

“VOCÊ VAI ASSIM? ASSIM? ASSIIIIIIIM?”. Não, nunca que eu ia daquele jeito que não sou maluca nem nada, mas falei que ia assim. Ele acordou rapidamente e começou a debochar (o deboche dele é o primeiro sentido a acordar) me perguntando se eu iria à praia e etc. Fiz uma proposta: eu colocaria uma calça e uma camiseta se ele fosse. Ele concordou. E dez minutos depois se ofendeu, porque de manhã ele tem esse delay mental, ele demora para entender tudo, inclusive quando foi manipulado).

Chegamos na academia. Um simpático instrutor que atendia por “Jão”, e que Siago Tomir jura de pés juntos que não tem cérebro, conversou conosco. Siago disse que não confiava em Jão e que achava que ele não tinha nem polegares opositores, então, sugeri que ele faça a MINHA série, uma série PARA UMA MENINA de um metro e meio e que tente o instrutor do dia seguinte para ver se lhe inspirava mais confiança.

Siago Tomir riu. Siago Tomir disse, e eu guardei muito bem estas palavras, que estava antevendo briga porque eu era muito competitiva e um novato pegaria mais peso do que eu. Sim, Siago Tomir merece que esta história seja contada por toda a eternidade para deixar de ser babaca arrogante.

No primeiro exercício, eu fiz as minhas repetições e quando ele sentou no aparelho, com o mesmo peso, ele disse “Sally, está quebrado”. Fiquei olhando. “Sally, está quebrado, não mexe”. Mandei ele fazer força e ele me deu uma patada ríspida dizendo “Gênia! Estou dizendo que está quebrado, estou fazendo força mas não mexe!”. Tirei Siago Tomir do aparelho, sentei e fiz mais repetições. Ele ficou olhando de boca aberta. Um marombeiro começou a rir no aparelho do lado. Isso mexeu com a honra de Siago Tomir.

“SAI DAÍ!” e ele me puxou para fora do aparelho. Para falar a verdade, ele me arremessou para fora do aparelho. Sentou com toda a determinação do mundo e começou a fazer força. Começou a ficar vermelho e a veia na sua testa começou a saltar. Tentei intervir dizendo que aquilo não era uma competição (mentira, eu estava competindo com ele, eu sou competitiva) e que ele estava ali atrás de saúde, mas ele me conhece bem e gritou “TÁ COMPETINDO SIM! TÁ COMPETINDO SIM!” e eu fiz a minha dancinha da vitória.

Ok, a dancinha da vitória (uma dancinha que faço sempre que ganho algo) foi um exagero. Siago Tomir ficou tão irritado, mas tão irritado que conseguiu concluir o movimento do aparelho. Só não conseguiu sair dele. Ficou lá uns dez minutos com taquicardia se recuperando. E a manhã toda foi assim. Siago Tomir se matando para acompanhar meu peso sem conseguir, fazendo uma movimentação toda errada, movimentos curtos e roubando descaradamente em vez de diminuir o peso.

Quando acabamos ele nem falava mais. E nem precisava, porque o olhar de ódio falava por si só. Começou a reclamar que estava enjoado e quando eu disse que era normal ele disse que EU não era normal (olha que injustiça…) e que eu era sádica, e que eu queria ver ele morto. Coisas assim. Por sorte o fôlego era pouco e ele não conseguiu se estender no discurso. Na saída, Jão deu um tapa nas costas dele (que quase o fez cair no chão) e disse “Te vejo amanhã”. Eu puxei Siago antes que ele solte um palavrão. Chegando no carro foi que eu vi como a coisa era grave, porque ele me deu as chaves com uma lágrima no canto dos olhos. Minha gente, para Siago Tomir me dar, voluntariamente, sóbrio, as chaves do carro dele, o fim do mundo estava chegando.

Fiquei muda, entrei no carro e olhei para ele. Vi que não havia condições dele dirigir. Ele se jogou no banco feito um saco de batatas. E ficava repetindo o quanto ele me odiava. Foi um momento de romance único em nosso relacionamento.

Chegando na casa dele, tomou um banho quente de umas três horas seguidas, e cada vez que me via deixava bem claro os sentimentos dele por mim (ódio e similares). Saiu do banho e dormiu, no meio da tarde, e só acordou no mesmo horário do dia seguinte, isso porque eu o cutuquei de longe com um canudo para ver se ele estava vivo (porque Siago Tomir bate se você tentar acordá-lo encostando nele, sim, ele é quase um animal selvagem). Quando ele acordou, eu perguntei se ele estava bem e ele continuou imóvel na cama, apenas disse “Não, não estou bem, Sally. Tudo dói” e eu poupei o trabalho dele “E você me odeia, certo?”. E ele: “Sim, Sally, no momento, eu te odeio”.

O engraçado foi quando ele levantou da cama. Já viram o desenho Bambi? Sabe aquela cena depois que o Bambi nasce, onde ele tenta aprender a andar? Esse era Siago Tomir tentando chegar até o banheiro. Fui rir na cozinha para ele não me odiar mais ainda.
Quando ele conseguiu se arrastar até a sala, começou a berrar que estava com fome. Comeu feito um boi e ainda culpou a atividade física por isso “Tá vendo? Tá vendo, Gênia? Malhar engorda! Eu como mais quando eu malho!”. Nem me dei ao trabalho de explicar, porque ele já emendou uma teoria completamente descabida daquelas que ele usa no Flertando com o Desastre, onde não há espaço para questionar, porque se você questiona você é burra e não entendeu os argumentos dele (impossível um ser humano entender e discordar, imagina…)

Passou esse dia todo entrevado. Mas pelo menos dormiu cedo. No dia seguinte, após 48hs de descanso, como manda o figurino, tentei convencê-lo a ir malhar novamente. Me chamou de sádica, maluca, doente mental e até de Hitler (e ainda debocha de quem me chama de RITLER nos comentários). Fez um escândalo e disse que nunca mais na vida dele pisaria em uma academia.

Nunca dá certo ser racional com gente enfurecida. Expliquei para ele que não precisava ser assim, bastava ele respeitar os limites DELE e pegar um peso que fosse tolerável para ELE, pois respeitando o próprio corpo as conseqüências não são tão ruins. Ele me respondeu “E pegar menos que a minha mulher? NEM PENSAR!”. Tem ou não tem que se foder na vida? Porra, tem TANTA coisa que ele faz melhor do que eu… tanta, mas TANTA que não caberiam nessas quatro páginas. E eu nunca tentei me igualar a ele naquilo em que ele é bom. Ele teve a cara de pau de competir comigo em uma das poucas coisas na vida que eu sou bem treinada para fazer!

Começou uma longa discussão sobre quem era mais débil mental que quem. Ele começou a dizer que eu era maluca por ter prazer em sentir dor. Por mais que eu explique que meu pós-treino não é o mesmo que o dele, porque eu treino fazem dez anos, ele não queria entender. Como eu disse, gente enfurecida não responde bem a racionalidade.
Disse que ele estava certo (um dos grandes segredos para um relacionamento dar certo é se desculpar e dar a razão ao outro, mesmo sabendo que ele não tem razão porra nenhuma) e que podíamos aproveitar para passar o dia em casa, fazendo algumas coisas que precisavam ser feitas. Ele topou feliz, todo pavão, porque afinal, eu me desculpei e dei razão a ele.

Assim, bolei pequenas tarefas domésticas nas quais ele tinha que me ajudar com sua força de macho provedor (como guardar caixas no alto do armário ou empurrar ou levantar móveis) que correspondiam aos mesmos exercícios que ele estaria fazendo em cada aparelho. Malhou todos os grupamentos musculares que eu queria, sem saber que estava malhado. Fiz ele fazer o número de séries e repetições que ele queria, com um peso que eu achei adequado para ele, na forma de tarefas domésticas. Não malhou é o caralho, SIAGO TOMIR, naquele dia você malhou sim, só que foi é muito do BURRO de não perceber. Nisso que dá gente que se embriaga com a vitória de uma discussão. Tolinho.

Bom, agora vamos saber DE VERDADE se Siago Tomir está MESMO sem internet, porque até hoje ele não sabia desse meu pequeno Easter Egg e achava que realmente estava me ajudando a organizar a casa. Se eu receber um telefonema me xingando em breve, saberei que ele estava é com PREGUIÇA de escrever, isso sim. E acreditem em mim, se ele ler isso, ele é incapaz de se controlar para sustentar a mentira do “sem internet”.

Para me perguntar se depois dessa vamos ficar brigando como daquela vez que ficamos uma semana falando nisso, para me perguntar como fazer seu marido flácido e preguiçoso malhar sem que ele perceba que está malhando e para dizer que chega, está enjoando de Siago Tomir: sally@desfavor.com