*insira música do filme Tubarão aqui*

Vocês votaram, eu obedeço. Hoje é dia de Eu, Desfavor.

Ictiofobia. É esse o nome de quem, como eu, tem fobia de peixes. “Mas… de PEIXE, Sally?”. Sim, de peixe, porra. “Mas peixe não faz nada… é um bicho limpinho, vive na água, blá blá blá”. Fobia é um medo irracional. Eu tenho fobia de peixe, dá licença? Hoje está controlada (alou?, dez anos de terapia?) mas na época era mil vezes pior do que o meu medo de lagartixa.

Não é uma coisa que eu saia contando por aí quando começa a sair com alguém, primeiro porque a pessoa vai me achar maluca (não que eu não seja, é que eu prefiro que descubra mais tarde, quando já gosta de mim) e segundo porque vai ficar com esse discurso tentando me convencer que peixe é inofensivo e eu vou mandar tomar no cu. Tem que manter toda uma finesse no começo, né? Só no começo. Depois eu mando tomar no cu por qualquer merdinha.

Enfim, estava saindo com um Zé Ruela. Era bem interessante o Zé Ruela. A coisa estava começando a ficar séria. Eu estava realmente interessada no Zé Ruela. Estava naquela fase nojenta onde você sai sempre com a pessoa mas ainda não tem verbalização, e vocês sabem, essa fase me deixa surtada. Eu queria uma verbalização.

Um belo dia, o Zé Ruela me liga e começa uma conversa estranha. Disse que achava que precisava conversar pessoalmente mas antes queria saber uma coisa, para decidir se a gente iria conversar pessoalmente ou não. Perguntou se eu ainda gostava do meu ex-namorado, porque era um término recente e ele queria saber onde estava pisando. Eu disse que não, claro que não, que era um relacionamento falido etc. Ele disse então que queria conversar comigo naquela noite.

Desgraçou meu dia, o infeliz. Primeiro que fiquei tão nervosa que nem comi, e mesmo que não estivesse nervosa, não teria tempo de comer porque meu intervalo para almoço foi usado para fazer mão e pé, que estavam em um estado lastimável, uma coisa vermelha descascada medonha.

Enquanto fazia mão e pé ligava para as minhas amigas, histérica, especulando sobre o que ele iria conversar comigo. Porque eu sempre acho que vou levar um fora. Eu tenho TOC com fora quando estou nesse período quase-namoro. Fiquei me perguntando se viria a verbalização ou um fora.

Saí do trabalho voando para casa, tomei banho e me arrumei em tempo recorde, daquele jeito que só mulher apaixonada faz: enquanto passa maquiagem veste a calça ao mesmo tempo e ainda confere no celular se ele não ligou. Dez mil coisas ao mesmo tempo.

Daí, claro, tive meu ataque de “não quero ir” já narrado em outros textos meus. Fiquei gritando que não queria ir até que ele ligou dizendo que estava me esperando na porta da minha casa e uma amiga minha me empurrou porta afora me mandando parar de ser frouxa.

Entrei no carro dele, gelado (porque todo homem deixa o carro feito uma geladeira, caralho? Vocês suam enquanto dirigem?). O desgraçado não deixou transparecer nada, ele parecia normal. Eu pensei “eu devo ser muito doente mental para me abalar tanto com uma simples saída, o sujeito ta aí, numa boa, blasé, e eu quase vomitando de nervoso… eu sou uma loser”.

Perguntei onde iríamos e ele disse que era uma surpresa. Travei no banco do carona. Mulher sabe muito bem o que essa “surpresa” costuma significar. Comecei a pensar em um jeito educado de escapar da “surpresa” e comecei a sondar. Tentei ser discreta, mas não é o meu forte:

Sally: “Que surpresa? Eu sou curiosa, não gosto de surpresas!”

Zé Ruela: “É surpresa”

Sally: “Ahhh… dá uma dica…”

Zé Ruela: “É um lugar que a gente vai para comer”

Normalmente, eu saberia interpretar que estava sendo levada para um restaurante. NORMALMENTE. Mas, na emoção do momento, completamente transtornada, me subiu um troço e eu soltei sem pensar:

Sally: “mas… você diz… para comer como?”

Zé Ruela: “comer”

Sally: “comer alguém?”

Vocês jogam The Sims? Eu jogo. Sabe quando os Sims estão conversando e começam a se desentender e aparece um sinal de menos (subtração, para ser mais precisa) no alto da cabeça deles? Pois é, juro que vi um “menos” vermelho saindo do alto da cabeça do Zé Ruela. Perdi pontos nesse momento. Isso me desestruturou. Bem, os homens não devem ter entendido o que senti, porque macho que é macho não joga The Sims (ou não admite). Imagina que seu time entra numa final de campeonato e toma um gol nos primeiros cinco minutos. Foi isso que eu senti.

Depois da minha lastimável pergunta ele riu e disse que iríamos a um restaurante japonês que eu já tinha dito que queria conhecer. Fiquei roxa de vergonha e disse com a maior cara de pau “Eu sei, bobo! Estava brincando!” (estava nada, estava é descontrolada, isso sim).

Chegamos no restaurante japonês, que hoje nem existe mais. Era daqueles chiquerésimos, cheio de frescuras. Eu já fico meio intimidada em ambientes assim, cheios de gente rica. A situação só piorou. Se eu já estava apavorada e nervosa, agora estava apavorada, nervosa e em pânico.

Seguiu-se um dos maiores vexames em matéria de jantar que eu já protagonizei. Pior do que um jantar fino onde eu tentei cortar uma lagosta de plástico no prato (porra, como eu ia saber que a lagosta era aquela merda daquele purê mastigado que estava no canto?). Vou contar para vocês, que são meus amigos. Não espalha não.

Na entrada do restaurante havia um grande lago com carpas, aqueles peixes MEDONHOS, ENORMES E COLORIDOS que japonês cria. Era preciso cruzar uma pontezinha de merda de madeira, por cima das carpas para entrar. Para piorar, o CHÃO da porra do restaurante era de VIDRO, então, as carpas ficavam passeando debaixo do seu pé!

Cá entre nós, Amigo Leitor, independente da minha fobia de peixe, vocês não acham de péssimo gosto expor os animais que você vai comer? Vamos combinar, alguém iria em uma churrascaria que tem vaquinhas te olhando do lado de fora? Alguém comeria uma feijoada com um monte de porquinhos passeando do lado? MAU GOSTO. MAUS GOSTO DO CARALHO.

Vi aquilo e fiquei congelada. Como disse, minha fobia era descomunal, a ponto de não conseguir entrar em um recinto que tivesse um aquário. Uma ponte separava a gente do restaurante, por baixo dela carpas passeavam. Digo mais: eu vi uma carpa pular, apesar de todo mundo me dizer que carpas não pulam. EU VI!

Ele me puxou pela mão e disse “Vamos?”. Sabe mula quando empaca com as quatro patas no chão? Era eu. Travei. Simplesmente travei, não me mexia. Travei e sorria. Fiquei sem reação. Ele olhou meio espantado e deu meio que um puxão no meu braço. Eu continuei travada. Travada e sorrindo. Parecia uma maluca (parecia?). As pessoas que estavam nas mesas do pátio do restaurante começaram a olhar.

Ele começou a ficar impaciente e disse “Algum problema?”. Eu pensei que se falasse que tinha medo de peixe ele ia me achar maluca, além disso iria arruinar a surpresa que ele tinha preparado e quem sabe ele ficasse meio broxado e desistisse da verbalização. Eu queria muito aquela verbalização. Fiquei pensando em um jeito de inventar alguma coisa que me fizesse parecer menos doida varrida e que não fizesse parecer que ele deu uma bola fora com a surpresa dele.

“Algum problema, Sally?” – ele repetiu. Essa era a hora de me jogar no chão e fingir uma convulsão, mas eu não tive essa presença de espírito. Vocês sabem que desgraça vem em bandos, né? Nesse momento eu vi que alguém acenava para mim de uma mesa. Era meu ex. Estava ali com um grupo de amigos. Realiza: QUE HOMEM VAI A UM JAPONÊS COM AMIGOS?

Tudo bem que o Rio de Janeiro é um ovo e tem apenas uma meia dúzia de bons restaurantes, a gente acaba se esbarrando com todo mundo mesmo, mas porra, era muito azar.

O Zé Ruela estava virado para mim, de costas para as mesas, não viu meu ex acenando. Eu, no desespero de fazer com que ele não olhe para trás e veja, comecei a agarrar ele, do nada. Para sair dali, eu disse no ouvido dele “Quero sair daqui JÁ, não agüento mais esperar um minuto!” e fiquei agarrando ele. Curiosamente, ele me disse que primeiro iríamos jantar, porque ele tinha uma coisa importante para dizer. PORRA! Homem tenta me comer o tempo todo, na hora em que eu precisava, o desgraçado queria conversar!

Quando ele virou, meu ex tinha parado de acenar. Ele me puxou em direção da ponte. Eu continuei travada. Ele me perguntou o que estava acontecendo, bastante irritado (sinais de menos subindo novamente). Eu estava sem reação, não tinha conseguido pensar em uma boa desculpa. Eu apenas disse “Desculpa, mas eu não quero entrar aí”. Ele, cada vez mais irritado, me perguntou o motivo e eu disse que não queria e pronto: “Não quero, por favor, vamos embora?”.

Ele ficou muito chateado. Primeiro me perguntou se eu estava maluca e depois me mandou parar com a frescura. “É por causa da roupa? Você acha que a roupa não está boa?”. Eu estava com aquela cara ridícula de criança logo antes de começar a chorar e ele estava cada vez mais irritado. Chegou a um ponto em que ele disse “Chega disso, você vai entrar!” e me pegou e me colocou no ombro dele, de cabeça para baixo, e foi entrando comigo à força. Eu, na minha condição patológica de fobia aguda, comecei a gritar de pavor. O restaurante todo parou.

Meu ex levantou da mesa e foi na direção dele. Pararam os dois frente a frente no meio da ponte, com as carpas quicando no calcanhar logo abaixo e eu berrando feito uma sirene:

Zé Ruela Ex: “Tá maluco, Mermão? Não ta vendo que ela não quer? Solta ela!”

Zé Ruela: “Não se mete, dá licença que a gente vai entrar”

Zé Ruela Ex: “Aqui você não vai entrar não, só se ela quiser”

– isso tudo eu berrando, de cabeça para baixo, com o nariz quase enfiado nas carpas –

Zé Ruela Ex: “Me erra! Agora que você viu a gente resolveu se meter?”

Zé Ruela: “Seu imbecil, eu to vendo ela se recusar a entrar faz meia hora!”

Sally: “PELO AMOR DE DEUS, DISCUTAM FORA DA POOOONTEEEEEEE”

Garçom: “Os senhores estão assustando os clientes…”

Zé Ruela Ex: “COLOCA ELA NO CHÃO!”

Sally: “NÃÃÃÃÃÃOOOO! SAIAAAM DA PONTE CARALHOOOOO!!!”

*silêncio

*todo mundo me olhando

Saindo da ponte, pedi para meu ex voltar lá para dentro, disse que estava tudo sob controle.

Zé Ruela: “Agora eu entendi porque você não queria entrar! É porque seu ex está aí e você ainda gosta dele, não queria ser vista comigo!”

Sally: “NÃO! NÃO! JURO QUE NÃO!”

Zé Ruela: “Você ainda está saindo com ele, né? É por isso que ele não podia saber da gente?”

Sally: “AI MEU DEUS! NÃÃÃO! NÃO É NADA DISSO!”

Zé Ruela: “EVIDENTE QUE É!”

Sally: “Não! Não! Não entrei porque eu tenho medo de peixe!”

Zé Ruela: “Hã?”

Sally: “ME-DO-DE-PEI-XE! MORRO DE MEDO DE PEIXE!”

Zé Ruela: “Desses peixinhos aqui?” *apontando para as carpas

Sally: “éééééé!”

Zé Ruela: “Você não tinha uma mentira PIOR para inventar não?”

Sally: “Eu juro que é verdade! EU JURO!”

Zé Ruela: “Já entendi. Tchau. Seja feliz com ele.”

Virou e foi embora. Não fala direito comigo até hoje.

Para me dizer que riu da minha desgraça, para me dizer que peixe é um bicho bonzinho que não vai me morder e para dizer que minha psicoanalista vai para o céu em função do milagre que ela fez comigo: sally@desfavor.com

O “Deleta Eu!” de hoje vai entrar no armário. Seria impossível analisar o blog de hoje se não fizesse isso, afinal, o dono do mesmo parece que não sai da lá por nada nesse mundo… Hoje falaremos sobre o blog de Julio Severo, ativista cristão que luta contra gays, abortos e o fim da Idade Média. Peguem suas bíblias, hoje o mal vai correr solto por aqui…

O BLOG/AUTOR

Proposta: “Impedir uma conspiração maligna de comunistas gays anti-religião que comem criancinhas.”

Seções unificadas porque o autor se acha importante a ponto de batizar seu blog não pessoal. Quer dizer, não é pessoal naquele sentido “querido diário”, mas dá uma bandeira de arco-íris sobre os sentimentos reprimidos do autor… Sim, é clichê chamar um detrator dos homossexuais de gay enrustido. Mas uma das grandes questões apresentadas pelo blog é justamente uma “conspiração” dos gays para forçar todo mundo a ser como eles.

*risada ma-lé-fi-cá!*

Caros colegas de heterossexualidade, vocês trocariam de time se alguém dissesse que ser gay é muito melhor? Eu não tenho medo de ouvir alguém falando sobre as maravilhas do prazer macho-macho e subitamente me ver desejando vivenciar novas experiências (pelas costas). Hetero, homo e bissexualidade não são coisas que podem ser forçadas numa pessoa. “Se é o que se é”. O que acontece com muita freqüência é uma pessoa ter de fingir uma orientação sexual diferente para ser aceita pelo grupo. Isso pode acarretar uma série de problemas, mas nenhum mais sério para a humanidade do que a compensação exagerada.

Armário apertado = Ativista cristão contra a homossexualidade.

O medo dessa tal conspiração gay aliado ao típico atraso de desenvolvimento intelectual presente em pessoas muito religiosas (aceite tudo o que ouvir sem questionar) denota claramente que o autor do blog em questão se BORRA de medo de ser cooptado pelo lado rosa da força.

“Então o problema dele é ser gay?”

Longe disso. Ser gay não quer dizer NADA sobre uma pessoa além de suas preferências sexuais. Não tenho a menor pretensão de ser politicamente correto, mas a quantidade de homossexuais estúpidos e ignorantes é exatamente a mesma encontrada em outras orientações. Não tem nada de especial nisso. Nem para o bem, nem para o mal.

“Então o problema dele é ser religioso?”

Também não. O problema dele é usar esse escudo de fé para defender seus preconceitos. Como a maioria das pessoas tem medo do seu amigão imaginário, acabam aceitando qualquer bobagem dita em “Seu” nome. Se esse cretino usasse o Saci-Pererê como base de sua argumentação, não teria um milésimo do (pouco) apoio que tem.

Que uma pessoa acredite numa divindade é no máximo curioso para mim. Acho engraçado, basicamente. Mas o uso dessas divindades para empurrar noções altamente pessoais sobre a forma “certa” de se viver para cima de outras pessoas é nojento, na melhor das hipóteses.

LINHA EDITORIAL

O blog de Julio Severo utiliza de um expediente muito comum entre sites que defendem pontos de vista estúpidos e preconceituosos: Notícias selecionadas a dedo permeadas de comentários tendenciosos. Não se sabe muito bem onde opinião e fato começam ou terminam. Funciona bem para cima de quem está acostumado a não pensar sobre a informação que está absorvendo (fanáticos e ignorantes).

O dono do blog simplesmente corta/cola textos de outras pessoas na maioria das vezes. Escrever. Dói. Cabeça.

Além da incessante crítica ao complô gay contra Jesus (ou algo assim), ainda temos os suspeitos de sempre: Ativismo anti-aborto (na barriga das outras é refresco…), vitimização cristã, paranóia anti-comunismo e Olavismo galopante. (Se você não sabe o que é isso, fique feliz…)

Basicamente, pedindo que um Estado Laico aja de forma mais condizente com o que eles (fanáticos) entendem de seu livro de contos de fadas sagrado. Boa, campeões! Boa forma de provar que não tem a menor idéia do que diabos estão falando.

Alguns dos pontos levantados por essa aberração de blog até que fazem sentido se isolados: O Lula é realmente um desfavor, alguns ativistas homossexuais são sim ridículos, a frescura do politicamente correto está mesmo empurrando leis e regras desnecessárias (e preconceituosas) para cima de todos…

Mas coloque tudo isso no contexto “conservador cristão” e a merda (na cabeça deles) começa a bater no ventilador.

Para Severo e Cia., Lula é um desfavor por ser comunista, pró-aborto e pró-gays. Chamar o Lula, justamente ele, de comunista… Chamar uma pessoa que diz isso de BURRA é eufemismo. A corrupção, a postura ridícula e o populismo não fazem a menor diferença. Bastava ser mais “cristão” que tudo estaria bem? Cretinos!

Alguns ativistas homossexuais são uns babacas? Olha a bunda suja falando do rabo mal lavado… Além disso, ativistas extremistas são babacas por definição. A causa que defendem pouco ou nada tem a ver com isso. Gente que só quer chamar atenção e causar confusão defende de tudo… Principalmente religião, para ser realista. Aposto que se a religião cristã não tratasse suicidas como pecadores, teríamos vários atentados explosivos aqui no Ocidente.

Vivemos numa era do politicamente correto? Eu também acho um saco, mas não por não poder cometer crimes como o dono do blog analisado. Perseguir um grupo cuja única característica comum é a orientação sexual é errado por todos os lados que se olhe. Liberdade de expressão não é desculpa para isso. É por gente ignorante assim que muita gente fica sem poder se expressar de verdade. Se Severo e outros homófobos não existissem, não teríamos as leis que eles tanto criticam. Mas lógica não é o forte deles.

LAYOUT

Um laranja chegay toma conta do visual. Feio demais, mas esse nem é o ponto central… O blog de Julio Severo é o blog mais gay que eu já vi. Não existe um pedacinho sequer do visual onde não tenhamos as palavras “gay” e “homossexual”. Desafio: Tire um screenshot do blog SEM uma dessas duas palavras.

Compensação exagerada. Bandeeeeeira…

UTILIDADE/PÚBLICO ALVO

Olhe o calendário do seu computador. Se não disser que o ano está entre 476 e 1453, sinto informar que você não está na Idade Média e não vai encontrar nada que preste por lá.

O autor exorciza seus demônios falando COMPULSIVAMENTE sobre o mesmo assunto. Alguns reacionários cristãos batem palmas e se masturbam em grupo ao som de suas próprias vozes.

Sabem aquelas pessoas que mandaram no Brasil por quase 30 anos e conseguiram a FAÇANHA de serem os governantes mais incompetentes da nação até aqui? Pois bem, reacionários cristãos. Os mesmos que criticam o comunismo por ter dado errado todas as vezes que foi implementado (verdade) estragaram TODAS as chances que tiveram em ditaduras violentas. A maioria escreve bem e parece saber argumentar, mas sobre coisas que não fazem sentido. Não são pessoas ignorantes, são pessoas BURRAS.

Até por isso ambas as seções foram mescladas nesta postagem. A única validade do blog de Julio Severo é validar a mentalidade tacanha de um grupo específicos de pessoas, pessoas que acima de tudo são incapazes de enxergar o próprio rabo sujo.

EXEMPLO DE POSTAGEM (COMENTADA)

Hoje em dia, o autor do blog se resume a traduzir textos e colar notícias tendenciosas, mas eu fui buscar algumas de suas pérolas nos arquivos. Não digam que eu não me esforço por vocês… É uma bela postagem sobre o perigo da pornografia na sociedade. Infelizmente o desfavor escreve mais que eu e a Sally juntos na postagem selecionada, portanto vou selecionar algumas passagens.

PORNOGRAFIA (Obscena mesmo é a sua mentalidade…)

Sexo (É bom!). Sua presença está com a raça humana desde o início dos tempos (Considerando que somos seres vivos sexuados…), mas nem sempre se entendeu seu significado. (Não? Será que metiam no umbigo das mulheres no passado?) Não foi criado de qualquer jeito (Não mesmo, bilhões de anos de evolução.) e sem pensar (Hã? É instinto, sua mula!), mas planejado para completar uma importante união (Espermatozóide e óvulo.). Tem o poder de criar (Pena que criaram você…) e, se mal usado, pode devastar. (Sexo mal usado pode devastar? Colocaram um ogiva no pinto dos homens ou algo assim?) É fonte de grande prazer (Ogiva peniana…) ou total destruição (Isso até que é legal…). E para os homens, se tornou objeto de obsessão e exploração. (Temei meu pênis-atômico, mortais!)

Lembra-se da profissão mais antiga do mundo? (Caçador?) A prostituição sempre foi um problema comum (Principalmente pelos filhos delas… Não?). As antigas cidades de Sodoma e Gomorra representam o máximo da imoralidade sexual. (Hahahaha! Você PRECISA dar uma passadinha no Rio de Janeiro, rapaz…)

No entanto, o que acontece em nossa época é totalmente novo. (Se você se refere aos furries, pode até ter alguma razão…)

Antes da era das revistas pornográficas e da Internet (Catálogos de roupa íntima… bons tempos…), os homens tinham de ir a algum lugar para cometer pecados sexuais (Do jeito que você é recalcado, deve achar até que tomar banho é pecado, flor.). No passado, o sexo ilícito (Polícia! Pode tirar essa rola daí! Teje preso!) acontecia de duas formas mais comuns: nas zonas de prostituição (Saudades?) e nos casos de adultério. Era preciso muito esforço para praticar fantasias sexuais (Mas hein? Você é virgem ou algo assim? Bote um casal num quarto com privacidade e a baixaria rola solta…), pois não havia fotos de mulheres nuas (As mulheres não ficavam nuas antes da invenção da fotografia.) ou de calcinha (Que safadeeeza!).

Mas hoje é diferente. (Pornografia em alta definição! Fuck Yeah!) Nunca antes foi como é agora. (Que frase mais… estúpida.)

(MUITA MERDA)

A chegada da Internet trouxe oportunidades incríveis para propagar (tomar dinheiro) de modo mais rápido (com) o Evangelho (Ficção é forte na web.), mas também trouxe conseqüências desagradáveis: (Você!) um aumento dramático no número de evangélicos, até pastores, seduzidos pela pornografia. (Hahahahaha! Pornografia 1 X 0 Amigo Imaginário) A pornografia e o vício sexual entre pastores são uma questão explosiva que as igrejas evangélicas conservadoras e liberais, sem distinção, estão tendo de enfrentar. (E a culpa é toda da pornografia, né? Não seria mais simples matar todas as mulheres para evitar a tentação? Aposto que você ia gostar…)

(MUITA MERDA)

SINAIS DE ALERTA (HAHAHAH! Muita atenção, hein?)

Ele usa termos vulgares quando se refere às mulheres ou ao sexo?

Ele gosta de falar de sexo ou de suas fantasias sexuais?

Ele gosta de assistir a filmes na TV que contêm sexo ou insinuações sexuais?

Ele gosta de ficar acompanhando com os olhos as mulheres que ele observa?

Ele gosta de piadas com conteúdo sexual?

Se um homem que você conhece exibe esses sinais (Cacete, algum homem NÃO exibe esses sinais?), ele pode estar com algum problema de pornografia (Tô com uma pornografia braba na perna esquerda, sabe?). Se for alguém da família, pode ser o momento de você procurar a ajuda de um conselheiro de confiança na igreja. (Cheia de viciados em pornografia, como você disse antes. Eles vão trocar dicas de bons filmes e revistas?)

(MERDA AD INFINITUM)

DELETA EU?

Deleta, mas antes imprime num papel bem macio e doa como papel higiênico para os mais necessitados. A quantidade de coisas para falar era tão grande que eu estou estourando o limite de páginas e não consegui falar de metade, nem passando por cima…

Para dizer que eu sou cristófobo, para dizer que eu sou “gayzista” ou para me ofender de verdade dizendo que eu sou comunista: somir@desfavor.com


SIAGO TOMIR – PIORES FRASES

Por incrível que pareça, todas estas frases foram ditas por Siago Tomir. Para não ser acusada de leviana ou manipuladora, quando necessário para a total compreensão da magnitude da frase, coloquei o contexto no qual ela foi dita.

“Mulheres cariocas parecem mulheres das cavernas: pouca roupa e cabelos enormes” (ao ir a uma festa comigo, em pleno verão)

“Gatos podem se virar sozinhos, gatos sabem caçar, você mima muito o Goiaba” (defendendo-se do esporro que estava levando por vir ao Rio de Janeiro e esquecer de deixar comida para o gato)

“Não me interessa, você também tem cu” (tentando me convencer que um amigo meu dava em cima de mim, depois que eu disse que ele era assumidamente gay)

“Eu não ronco, no máximo tenho uma respiração forte” (alguém por favor avisa para a OMS o novo nome da doença?)

“Você é maluca se pensa que o Corinthians vai cair, mulher realmente não entende nada sobre futebol!” (sobre um possível rebaixamento do Timão para a série B)

“Não quero falar sobre isso” (quando o Timão efetivamente caiu para a série B)

“Depende do que você chama de ter alguma coisa” (quando perguntei se ele já teve alguma coisa com uma amiga dele)

“Não sei” (respondendo quando eu disse que achava que ter alguma coisa era já ter beijado a boca da pessoa)

“Minha memória é ruim, você sabe disso” (quando eu falei meia dúzia de palavrões após ele dizer a frase anterior)

“Que eu me lembre, não” (dando uma de Rafael Pilha, em um ultimato para responder a pergunta)

“Só é nojento se tiver alguém vendo” (sobre as porcarias nojentas que ele faz)

“Não me interessa se o fax está com problemas, construa um fax compre um fax, cague um fax, amarre na pata de um pombo-correio ou manda por telepatia, sua função é fazer isso chegar HO-JE” (fazendo a estagiária chorar)

“Gordo tem obrigação de ser simpático, burro de ser esforçado e pobre de ser limpinho” (filosofando)

“Quando as pessoas estão em grupos invariavelmente se comportam como macacos” (no Maracanã, na torcida do Flamengo, segundos antes de ter que sair correndo de lá para não apanhar)

“ISSO acontece sempre aqui?” (apontando de forma nada discreta para um casal de homens que se beijava de forma ostensivamente de língua em um cinema carioca, na cadeira ao lado da nossa)

“Eu gosto da minha esposa, estou recém casado, não vou terminar meu casamento” (poucas semanas depois de conversar comigo no MSN pela primeira vez)

“Campinas é uma cidade tão moderna que tem até shopping” (ATÉ shopping! Uau! Em breve a NASA abre uma filial por lá…)

“Pede pro seu personal” (resposta que recebi quando pedi que ele instale um anti-virus no meu computador)

“Mudou de personal? Me diz o nome da pessoa que eu vou odiar daqui para frente…” (informado sobre mudança do personal que ele tinha cisma)

“Atriz é tudo puta. Se beija vários homens pelo dinheiro, é puta. Se faz porque gosta, também é puta. Tudo puta!” (em uma mesa de bar, mostrando como tem a mente aberta)
“Eu não lavo louça, eu sou o Rei da casa” (se recusando a lavar um único garfo que estava na pia)

“Isso não é coisa de macho, hoje é isso, amanhã vai estar pintando a unha de vermelho” (sobre homens que se depilam)

“A parte de cima está ótima, agora vai vestir a calça” (sobre um vestido que usei no aniversário dele)

“Mudou o cabelo? Cortou?” (quando pintei o cabelo de loiro para preto profundo e perguntei se ele notava algo diferente no meu cabelo)

“Um dia desses seu cu vai explodir” (me vendo malhar)

“Digno mesmo é rebolar a bunda para viver, não é mesmo?” (rebatendo as críticas de um amigo meu professor de dança sobre uma campanha publicitária que fez de um produto duvidoso)

“Porque estão soltando fogos às três da manhã?” (sobre os ruídos de metralhadoras que ouvia do quarto do hotel)

“Se a gente tiver um filho, vai nascer o anticristo” (após me ouvir discorrer sobre o que penso das Paraolimpíadas)

“Quem disse que fui eu?” (indignado, com um pedaço de chocolate no canto da boca, quando eu o acusei de comer o último pedaço do meu bolo)

“Foi ele” (apontando para o gato quando eu perguntei quem havia sido, se não havia sido ele)

“É mais macho que eu” (Sobre a Lindamar)

“Até seus cremes são complicados… não pode ser Seda não?” (quando pedi que ele traga um creme para cabelo da marca Schwarzkopf em uma viagem que ele fez)

“Gatos não precisam de banho, meus gatos nunca tomaram banho, você é uma fresca” (menosprezando minha preocupação com um gato que entrava enlameado pela casa depois de passar uma noite rolando na bosta e no lixo do lado de fora)

“Os homens do mundo se dividem em duas categorias, os que já te comeram e os que querem te comer” (em Campinas)

“Pensando bem, os homens do mundo se dividem em três categorias: os que já te comeram, os que querem te comer e os que querem me comer” (no Rio de Janeiro)
“Tsssst! O Papai aqui sabe o que faz!” (censurando minhas advertências, segundos antes de levar um choque que o atirou a três metros de distância ao mexer em uma tomada)

“Eu fumo para o seu bem. Eu durmo pouco para o seu bem. Eu me alimento mal para o seu bem. Quanto mais detonada estiver minha saúde, menos aparente vai ficar a nossa diferença de idade, pense nisso” (tentando me convencer a ser conivente com seu estilo de vida autodestrutivo)

“Alguma coisa deu errado, acho que eles gostam de mim. Onde foi que eu errei?” (deprimido porque, apesar dos seus esforços para ser repulsivo, encontrou admiradores no blog)

“Com a pele da tua mãe” (respondendo a eco-chato com a pele de que animal era feita a gola do casaco dele)

“Massageia meus pés que eu massageio o seu ego, a vida é uma troca” (pedindo massagens em troca de responder se eu estava bonita com um vestido novo)

Para dizer que me despreza por ter namorado Siago Tomir, para dizer que concorda com a maior parte das frases dele e para dizer que paulistas e cariocas são o grande desfavor do Brasil: sally@desfavor.com

Recentemente Sally me mandou o link de uma notícia que era um desfavor, mas acabou não ganhando a disputa semanal pela imortalidade desfavorável. (Jeito enrolado de dizer que outra notícia virou Desfavor da Semana…)

Resumindo: Criou-se um desconforto para o Microsoft após alguns internautas perceberem um erro (ridículo) na montagem de uma foto promocional no website polonês da empresa. Na foto original, um homem negro sentava-se à mesa com um uma mulher branca e um homem asiático. Na alteração polonesa, o homem negro deu lugar para um rosto mais… caucasiano. O problema foi que esqueceram que as mãos tem esse péssimo hábito de imitar a cor do rosto de uma pessoa.

Virou piada, virou motivo de indignação, virou denúncia de racismo! (Proibir o direito do modelo negro de aparecer numa foto cujos direitos foram cedidos para modificação à vontade do usuário?)

Nos últimos tempos: Descobriram o elo-perdido, fotografaram um átomo, criaram uma modificação genética sem precedentes numa bactéria, conseguiram fazer a melhor vacina contra a Aids até hoje… Mas ninguém vê essas notícias sobre assuntos muito mais interessantes pipocando pelos blogs, vê? Só em alguns especializados e olhe lá. O povo quer bobagem, preconceito e drama fútil. Bobagens como essas ganham muito mais mídia do que o necessário.

O quê? Você acha que tem preconceito racial num caso como esse da modificação da foto para trocar a etnia do “modelo”?

Pois bem, o que os defensores do politicamente correto chamam de preconceito, a publicidade e o marketing chamam de SABER PARA QUEM DIABOS VOCÊ ESTÁ VENDENDO O SEU PRODUTO. Ficou claro? Não se preocupem, assim como a Microsoft, eu vou clarear a idéia. (Péssima, admito…)

Hoje em dia toda foto publicitária é formada pelos “Power Rangers”: Um branco, um negro, um oriental, uma mulher… O importante é demonstrar que não se esqueceu nenhum grupo étnico ou gênero na imagem da sua empresa. Isso até pode ter sua lógica demográfica nos EUA ou no Brasil, verdadeiros festivais de miscigenação racial, mas… na Polônia? 98% da população é de descendência polonesa! Isso quer dizer que a variação de cores entre as pessoas daquele país vai de branco demais até muito branco.

Se você tirar uma foto aleatória por lá, quase certeza que só saem pessoas brancas na imagem. Uma foto demonstrando um grupo de executivos poloneses tende a ter variação racial? A realidade não importa, a empresa acusada acabou tendo que pedir desculpas públicas por criar um Michael Jackson polonês.

Imagine só defender algo lógico e óbvio como ligar a propaganda de um produto com as pessoas que vão comprá-lo… Mas isso parece óbvio demais. Até mesmo muito light para um Flertando com o Desastre escrito por mim.

Vamos voltar para nossa pátria miscigenada. Pela composição da população brasileira, deveriam ter negros e mulatos em praticamente todas as imagens publicitárias disponíveis, não? Mas nós sabemos que só recentemente começaram a aparecer os primeiros garotos propagandas com a pele mais escura… Será que estamos vencendo o preconceito?

Eu não apostaria nisso. Para quem não sabe, a publicidade basicamente te diz que você não é bom o bastante enquanto não adquirir um produto ou serviço. E é por isso que funciona faz tempo. Esqueçam a idéia de que estão te vendendo alguma vantagem, isso não vende nem aqui nem na China. Uma boa propaganda te vende a idéia de que você é um otário que não está aproveitando a vida direito, e ela te mostra uma solução para o seu problema.

Sim, caros desfavores, publicidade é vender soluções para problemas que você não sabia que tinha. Se não acreditam em mim, comecem a prestar mais atenção nas milhares de mensagens do tipo que te bombardeiam a cada dia. A Coca-cola te vende uma sede que você não tem, a Glade te vende a idéia de que seu filho quer cagar na casa do Pedrinho porque o seu banheiro fede, a Visa te vende um cartão de crédito para pagar suas dívidas! A lista vai longe, já que é o padrão.

Sendo fórmula de sucesso comprovada, a tática de vender problemas depende de um fator muito humano: Ninguém quer se destacar ficando para trás do bando. Uma pessoa satisfeita com a vida gasta muito pouco, uma pessoa insegura compra tudo o que vê pela frente. Gezuiz! Conseguiram empurrar um sabão especial para “higiene íntima” para cima das mulheres… A publicidade entra na casa delas, diz que a buceta delas fede até se elas tomarem banhos regulares, e ainda consegue vender um produto! Conseguem vender pílulas para o crescimento do pênis para homens estúpidos que acham que seus órgãos medianos são minúsculos… Esse desfavor de mentalidade é mais presente nas fêmeas de nossa espécie, mas homens não ficam muito atrás. (Carrão, né? Sei…)

Faça uma pessoa se sentir desgarrada do bando e ela COMPRA o que for necessário para voltar para a zona de segurança. Deve ser ranço dos tempos onde vivíamos nas cavernas. Sair do grupo significava a morte.

E como fazemos para que uma pessoa normal se sinta desconfortável com a vida que leva?

Mostrando pessoas com as quais ela se identifica numa situação melhor. Esse é o motivo de toda aquela história de pesquisa de público-alvo. Se a empresa não souber de quem vai tirar a auto-estima, não vai conseguir lucrar nada.

Imaginemos então, que aqui mesmo no Brasil, uma empresa de software precise vender um de seus produtos, um programa de finanças para pessoas de todo o país. A empresa precisa de uma foto para seu banner de internet. Ela vai ter mais retorno com os “Power Rangers” ou com pessoas mais ou menos do mesmo grupo étnico?

Para isso, pesquisamos. Vou mostrar um exemplo ABSURDAMENTE simplificado, mas é para passar a idéia geral. Sabemos que o preço do software restringe a compra para pessoas que tem uma renda de pelo menos R$ 2.000,00 por mês. Sabemos que por pesquisas anteriores, homens ganham mais que mulheres e representam 90% dos compradores destes produtos. Sabemos também, por uma pesquisa do IBGE, que a média de renda de pessoas brancas bate com esse valor. A média das pessoas negras e pardas passa longe desse total. O público-alvo do produto é composto de homens brancos, pela média.

Solução simples: Coloque apenas homens brancos na foto. Homens brancos muito bem vestidos e com toda aquela aura de sucesso que ajuda a vender um software de finanças pessoais. O problema que o cliente não sabia que tinha era a organização de seu dinheiro. Se ele quer ser bem sucedido como os homens brancos da propaganda, ele vai ter que gastar e adquirir esse novo produto. A identificação com pessoas parecidas encurta o tempo necessário para uma pessoa cair nessa armadilha.

Problema novo: Os concorrentes estão usando as fotos miscigenadas para não serem chamados de preconceituosos.

Já que todo mundo entrou nessa, não dá para evitar. É bom chamar alguma pessoa “diferente” para compor a cena. (Olha o preconceito aí gente!) Essa pessoa diferente poderia ser de qualquer outra cor ou etnia, mas tem que ser “diferente” mesmo. (Olha o preconceito ficando pior!) Um homem negro é contraste o suficiente. (A campanha é para vender sucesso, e o elemento de contraste é um homem negro! Não está na cara?)

A foto final é produzida. Agora temos inclusão social?

A pesquisa continua dizendo que negros e pardos ganham METADE do que ganham os brancos. É claro que é uma sacanagem essa desproporcionalidade, mas qual a função prática dessa inclusão arbitrária?

Empresas existem por um motivo, e apenas um motivo: Lucro. Toda essa história de sustentabilidade e responsabilidade social são formas de ganhar mais dinheiro. Valorizando a marca e ganhando cortes no pagamento de impostos. A entidade empresa só serve para gastar pouco para ganhar muito. É uma palhaçada jogar para cima das empresas o fardo de equilibrar um jogo social desequilibrado por séculos de exploração que a própria sociedade incentivava.

Sinto informar, mas: Negros e pardos aparecem tão pouco em propagandas de produtos de alto custo e em manifestações fictícias da alta sociedade pela simples falta de números expressivos. As coisas já foram BEM piores, mas ainda falta muito para termos algo minimamente justo pelos tantos anos de exploração institucionalizada.

Se o dinheiro está nas mãos dos homens brancos, quem está atrás de dinheiro vai falar com eles. A sociedade tem que mudar, não uma representação fantasiosa da mesma cujo objetivo é enganar as pessoas.

A publicidade NÃO está aí para corrigir isso. Se deixar na mão deles, vamos ter uma versão absurda da realidade representada e nenhuma solução apresentada. É assim que funciona. É assim que se vende e lucra.

Não me engana que eu não gosto. Fotos “Power Rangers” são o preconceito em pessoa(s) dependendo do segmento de mercado que pretendem representar. Eu acho repulsivo usar a imagem de uma pessoa negra para “equilibrar” uma cena onde só aparecem pessoas que deveriam causa inveja em quem a observa.

“Investir em educação e geração de empregos dá muito trabalho. Vamos culpar quem está ganhando dinheiro, vamos culpar os homens brancos de fotos publicitárias. É mais fácil.”

Para dizer que eu só falei isso por ser um homem branco, para dizer que o verdadeiro crime é a montagem horrível (e eu concordo), ou mesmo para reclamar que prefere bobagem, preconceito e drama fútil: somir@desfavor.com

Sacou? Hã? Hã? Hã?

Mulheres tem uma habilidade impressionante: Sangram por dias a fio e não morrem (eventualmente podem matar). Muito embora a maioria delas não vá tratar a menstruação como algo exatamente digno de elogios, é algo que quase todas tem de lidar durante boa parte de sua vida. E durante boa parte da vida, sexo é uma das atividades mais constantes de uma pessoa.

Sexo durante a menstruação é um assunto que vai surgir na vida de virtualmente qualquer mulher nesse mundo. E por conseqüência, dos homens que fazem sexo com elas. A questão de hoje é simples e rima.

Tema de hoje: Sexo durante a menstruação, sim ou não?

Se ambos consentirem, claro. Afinal, sexo sem consentimento é estupro.

Ser humano é ser nojento. Somos máquinas de absorver, processar e expelir material orgânico. Qualquer pessoa que você conheceu, conhece ou vá conhecer é uma dessas máquinas, por mais atraente que seja. Resta a nós apenas escolher quais desses subprodutos da condição humana serão toleráveis nas nossas relações interpessoais.

Se por um acaso fui muito vago na descrição anterior, permitam-me ser um pouco mais… prático. A maioria das pessoas não tem nojo de beijar “de língua” outra pessoa (atraente sexualmente), mesmo sem ter a menor noção de quais são os hábitos higiênicos da pessoa em questão. Que atire a primeira pedra quem nunca lidou com um bafo ou um gosto levemente estranho numa dessas aventuras pela boca alheia. Embora ninguém deva gostar de beijar gente porca, sejamos honestos: Já aturamos vários desconfortos com a saliva e o hálito alheio em nossas vidas. E isso é mais do que comum… Já viu alguém terminar um namoro porque o Zé ou Maria Ruela estava com bafo de alho depois de um churrasco?

“Ah, foda-se. Eu sei que o hálito dessa pessoa não é assim normalmente, sei o que causou essa variação, sei que é algo que passa logo e… honestamente, nem é tão ruim assim. É só arranjar um chiclete.”

E eu estou usando o exemplo de uma pessoa que realmente se importa com isso. O “foda-se” costuma ser bem mais automático do que esse exemplo. O nosso grau médio de preocupação com a saliva de outra pessoa é razoavelmente baixo, principalmente considerando que ela pode transmitir doenças e tem algumas semelhanças curiosas com outro líquido que eliminamos no dia-a-dia…

A maioria das pessoas tem MUITO nojo de entrar em contato com a urina de outra pessoa. Pense comigo: Se você tivesse informações confiáveis sobre a saúde, digamos, do amor da sua vida, que garantissem a higiene e saúde desta pessoa… Você beberia a urina dela? O problema de consumir urina de uma pessoa extremamente saudável recairia principalmente na concentração de uréia (SPOILER: Também presente na saliva.), que apenas em grandes quantidades poderia te fazer mal. De um ponto de vista puramente técnico, tende a ser mais limpa que a saliva. (Não tem restos de comida microscópicos apodrecendo nela. A sua escova de dente não é mágica, sinto avisar…)

Mas você pode imaginar um casal se separando depois de um deles fazer um pedido desses, não? A simples idéia parece repulsiva para muitas pessoas. Independentemente dos riscos ou higiene presentes no caso.

Sexo, por definição, é um festival de troca de excreções, secreções e um encontro entre suas incontáveis bactérias com as bactérias da “pessoa amada”. É secreção vaginal encontrando com secreção bucal, é excreção peniana encontrando com mucosas (mucosas = muco = mesma coisa que escorre do seu nariz), é partícula de urina, fezes e alimentos apodrecendo para tudo quanto é lado. E tudo isso acontece se você estiver todo(a) porco(a) ou se tiver acabado de tomar banho. Higiene nessa hora só diminui a quantidade dessas partículas, excreções e secreções. É impossível se livrar delas. IMPOSSÍVEL.

Mas quero só ver alguém parar de fazer sexo, mesmo sabendo disso. Parecendo limpo e cheirando bem, bola pra frente. Parecendo limpo e o cheiro não comprometendo, bola pra frente. Parecendo sujo e cheirando mal? Tem gente que encara… (Tem sempre quem encare.)

Existe um fator de seleção do que é repulsivo ou não nas nossas relações próximas com outras pessoas que não pode ser simplesmente ignorado.

Só para sacanear: Se te oferecerem uma BARATA criada em laboratório, mais limpa e higiênica do que qualquer outra comida que você já consumiu na sua vida, você morderia a casquinha crocante (imagine o som) e se deliciaria com o interior pastoso (imagine escorrendo na sua língua) enquanto as patinhas dela chacoalham nervosamente por seus lábios? Nojo? Bom, seria mais saudável do que a comida cheia de partículas de fezes humanas que você consome diariamente.

Higiene percebida não é exatamente higiene real. Temos vários bloqueios e tabus enfiados na nossa mente sobre o que é aceitável ou não. Alguns saudáveis, alguns sociais e vários “empurrados” para cima de você por gente que inventou que sexo é uma coisa demoníaca.

Pessoalmente, eu não vejo um grande problema em fazer sexo com uma mulher menstruada. Se eu não tiver mais nenhum motivo para duvidar da higiene dela, é basicamente sangue em vários estágios de coagulação. Claro, em alguns casos parece que tem um saco de moedas enferrujadas escondido em algum lugar do quarto (ou banheiro). Claro, tem toda aquela melação e as “marcas do crime” claramente visíveis. (“Como essa marca vermelha veio parar nas minhas costas?”) Claro, a percepção de higiene do ato não se compara com a de uma relação “normal”… Mas, no fim das contas, “sangue” menstrual de uma mulher saudável não é para conter nenhuma substância perigosa e é facilmente removível com água.

Se uma pessoa sangrar sobre sua perna, você pega uma serra e arranca ela fora, ou você corre para se limpar? Nossa pele é impermeável, lavou tá novo.

Não tem nada a ver com fetiche por menstruação. Pessoas como eu que não ligam de “se sujar” um pouco podem muito bem ter seus limites. Sexo oral é passar dessa linha para mim, mas pode não ser para outro homem. Dificilmente ele vai estar se arriscando mais do que eu. Esse tipo de limite sexual tende a ser uma definição sobre até onde você vai considerar os prós e os contras da prática em questão. São limites com pouca sustentação lógica e muita subjetividade, que pode ter sido desencadeada por preconceitos sociais, noções pessoais e facilidade de entendimento. (É mais fácil não pensar na parte química e biológica das coisas, não?)

Às vezes uma conversa ou uma demonstração de que não tem problemas com o assunto pode fazer uma pessoa pensar melhor nos próprios tabus. Não precisa forçar, basta conversar e ver qual é o resultado.

Eu conheço a minha CARA, ela vai usar a mesma tática que sempre usa quando o assunto do “Ele disse, ela disse” é sexo: Vitimização coletiva do gênero feminino. Lembrem-se apenas de qual é o TEMA de hoje. (Quem eu estou enganando? Claro que não vão perceber…)

Para dizer que eu sou nojento, para dizer que me odeia, para dizer que me odeia porque eu sou nojento ou mesmo para dizer que eu sou nojento porque você me odeia: somir@desfavor.com


Tal qual o primeiro Ele Disse, Ela Disse escrito neste blog (sobre sexo anal), o objetivo não é falar de quem pratica, gosta e é muito bem resolvido. Se a pessoa faz, gosta e está feliz, não tem o que discutir. O objeto de discussão é quando um não quer e o outro insiste. Até onde é frescura deixar de fazer sexo porque a mulher está menstruada?

Em matéria de sexo eu sou da opinião que não existem frescuras. Se você não gosta e não se sente bem fazendo, não é frescura, é questão de gosto. Sou contra fazer qualquer coisa que te faça sentir mal. Aparentemente Madame acha que alguns sacrifícios são necessários. Vou citar alguns argumentos na tentativa de provar que existem fundamentos racionais e que não se trata de mera frescura.

Se o homem não quer, nem tem o que discutir, porque não vai acontecer, até mesmo por uma questão funcional. Se o homem tem nojo, aversão ou qualquer outro sentimento negativo, não será viável. O problema é quando a recusa vem da mulher, porque mulher costuma respeitar recusa de homem, já o inverso… Dependendo de quem seja seu parceiro, ela pode acabar escutando que isso “é frescura”. Não é. Não é mesmo.

Para começo de conversa, algumas mulheres experimentam grandes desconfortos quando estão menstruadas, como por exemplo, cólicas que fariam qualquer machão chorar em posição fetal. Não creio que uma pessoa com esse tipo de dor tenha vontade de fazer sexo. É opção dela e de mais ninguém fazer essa escolha.

Tem também o fator nojinho. Vamos combinar que o cheiro nem sempre é dos melhores e que pode causar uma certa sujeira (para quem não sabe, mancha de sangue é bem trabalhosa de tirar). Eu sei que existem formas e viabilizar, mas é direito da mulher não querer foder no chuveiro ou usar qualquer outro recurso diferente porque está menstruada.

E para aqueles Cuecas que enchem a boca dizendo “O que é isso! Não tem nada a ver, dá para fazer sexo com a mulher menstruada normalmente”, quero chamar a atenção para a palavra NORMALMENTE. Então, se é tão normal assim e não atrapalha EM NADA, o homem que topa fazer sexo com uma mulher menstruada tem que estar disposto a enfiar o focinho no sangue, né não? Só que sabemos que isso nem sempre acontece. É consenso (salvo uma meia dúzia de exceções) que o homem não fará sexo oral na mulher. Para algumas mulheres isso pode representar um desfalque tão grande que preferem nem fazer nada.

Também é possível que o constrangimento em fazer sexo menstruada, por si só, deixe a mulher tão tensa que ela não consiga aproveitar o momento. Seja pela razão que for, por questões estéticas, por vergonha, por falta de costume, enfim… quem sou eu para julgar os motivos de uma coisa tão pessoal? Não se sente bem? Não faz, oras!

A grande questão é: se a mulher não quer, não sente vontade, não existem argumentos racionais que a façam ficar com vontade. Se você não se sente bem, não adianta forçar. Será que a mulher deve fazer mesmo sem se sentir bem? Eu sou partidária de não fazer NADA que me faça sentir mal. Vai fazer só para agradar um homem? Não vai aproveitar nada fazendo uma coisa com a qual ela se sente desconfortável.

Mas eles são bonitos, não é mesmo? Eles acham que tem uma pica mágica e que quando nos comerem tudo de ruim passará e tudo será maravilhoso, afinal, eles são os fodões na cama! Já disse e repito: homem é tudo mais ou menos a mesma coisa, se engana o homem que pensa se detentor de táticas ninjas que enlouquecem qualquer mulher (se engana ou foi muito bem enganado por mulheres como eu… hahaha). Se a mulher não quer, não adianta fazer malabares com fogo enquanto mete e assovia o hino do Bragantino, porque, Meu Amigo, não vai ser bom para ela.

Se o constrangimento é fruto de uma situação passageira ou mutável, pode até ser que se chegue a um denominador comum que viabilize a coisa. Mas se a resistência é pura e simples, inerente à mulher, lamento muito, melhor respeitar.

É aquele raciocínio tosco de cabeça masculina “Não entendo/não concordo, portanto, não respeito”. Na SUA cabecinha de homem você pode até não entender os motivos (lógico que não entende, não fica menstruado…) ou não concordar com eles, mas isso não quer dizer que os motivos não existam e que não sejam legítimos. Ainda tem alguns que ficam em uma insistência sacal, e quando a mulher reafirma que não quer, só falta chamar de histérica.

Quero ver quando as mulheres começarem a “não entender” um homem que não quer fazer fio terra e começarem a desvalorizar a recusa, dizendo ser “frescura” e insistindo incessantemente para fazer. Garanto que eles perderiam a calma. Nessa hora, vamos chamá-los de histéricos também.

Não, não estou advogando em causa própria, antes que alguém comece a levar isso para o pessoal. Não sofro com esse dilema. Mas acompanho de perto pessoas que sofrem com isso. Tanto mulheres que não querem fazer sofrendo pressão de homens que querem como mulheres que querem fazer pressionando homens que não querem. Vamos parar de pressionar os outros para fazerem coisas que lhes são sexualmente desagradáveis? De onde eu venho, se não está bom para um, o outro também não quer…

Para me chamar de histérica, para dizer que qualquer recusa sexual feminina é sempre movida única e exclusivamente por frescura e para dizer que não se importa em sujar seu lençol de sangue porque não é você quem vai lavar mesmo: sally@desfavor.com