Continua tudo acinzentado, como se uma imensa tempestade estivesse passando por nós. Às vezes um raio de sol ou outro teima em tocar o chão, mas são eventos cada vez mais raros. Sempre achei que o fim do mundo seria algo mais… dramático. Acho que posso até dizer que estou entediado. Um pouco de caos e histeria popular, sabem? Esperava mais. Às vezes eu penso que as pessoas nem entenderam ainda o que está acontecendo. Ou que não querem entender… Continue lendo

Sob uma inspeção mais detalhada, o ciborgue HJ não parecia lá tão impressionante. Cabos – alguns deles sem conexão aparente – chacoalhavam livres por uma generosa abertura no que seriam suas costas. De tempos em tempos Zarel percebia algumas faíscas vindas de contatos aleatórios entre as entranhas metálicas de seu guia naquele longo corredor escuro. Zarel tentava acompanhar o passo do robô, pernas ainda bambas por tanto tempo de inatividade na câmara de suspensão.

HJ: Ao chegar lá, procure por Labareda. Continue lendo

A primeira sensação é de frio. Muito frio. Aos poucos, sente os pulmões se encherem de ar, e um zunido abafado vai ficando cada vez mais nítido nos ouvidos. O corpo ainda não responde à vontade, por alguns segundos sente o desespero da paralisia, mas logo se lembra que é tudo parte do processo. Um espasmo no lábio superior é o primeiro sinal da retomada das funções motoras, e já sabe que na sequência vem uma dolorosa pontada no alto do nuca, para a qual já retesa-se na expectativa. Ela vem. Os olhos já podem se abrir, o corpo esquenta rapidamente. Está na hora de sair. Continue lendo

Desde a última terça-feira, a internet mundial está refém de um vírus de origem desconhecida, apelidado de Disinfo. Os maiores afetados são os sites de conteúdo factual, sejam eles enciclopédias ou portais de notícias. O Disinfo parece afetar prioritariamente notícias escritas, substituindo de forma aleatória palavras e fontes de informação, modificando significados e links sem nenhum objetivo aparente. Continue lendo