DR FOREVER: Violência doméstica.


ATENÇÃO! DR FOREVER É FICÇÃO.

Somir entra sorrateiramente em casa após um longo dia de trabalho e um ainda mais longo happy-hour:

SOMIR: EU BEBU SIM… E TUÔ VIVEEENUUU!
SALLY: Boa noite.
SOMIR: TEM GENTE QUI… Hã?
SALLY: Eu disse boa noite.
SOMIR: Bas notche!
SALLY: Você é ridículo.
SOMIR: Ihhh… hic… ihhh… vai começá!
SALLY: Não avisou nada, desligou o celular… Eu estava preocupada!
SOMIR: Não… hic… não precisa mais ficar pro… pro… procupada, amor! Tô aqui ou num tô?
SALLY: Você não tem mais idade para essas bebedeiras!
SOMIR: Você não tem mais idade pressas bebedeiras! *imitando mal e porcamente a voz de Sally*
SALLY: Ridículo! Bêbado ridículo! Eu deveria ir embora e te deixar se matar sozinho!
SOMIR: Você… você me respeita! *caindo de bunda no chão*
SALLY: Você não se respeita! Você não me respeita! Você não respeita nada!
SOMIR: Nhé nhé nhé… você… hic… é uma chata! Não manda em mim!
SALLY: Um dia desses eu vou embora!
SOMIR: Calaboca e vai me fazê um chan… suan… san… díche! Hahahaha!
SALLY: Vai mandar a maluca da tua mãe calar a boca, seu porco nojento!
SOMIR: Quem manda nessa porra aqui sô eu! *levantando de forma pateticamente ameaçadora*
SALLY: Ah, vai dar uma de machão? Vai bater em mim, é? Covarde!
SOMIR: Eu… eu deveria! Um dia desses… *caindo no sofá*

Na manhã seguinte, Somir acorda com a cabeça latejando de dor:

SOMIR: Aaaai… Sally, pega uma aspirin… Sally?

Somir está sozinho na cama. Sem alternativas, levanta-se e vai até a cozinha buscar um copo d’água. Ao chegar lá, depara-se com Sally, lavando louça.

SOMIR: Sally?

Sally continua quieta.

SOMIR: Tá bom, tá bom… Pode me xingar. Eu voltei bêbado ontem. Não me lembro de muita coisa, mas lembre-se que foi uma das poucas vezes que eu fiz isso até hoje. Era aniversário do Valdemar, a gente bebeu um pouco mais e aí eu voltei daquele jeito.
SALLY: *ainda de costas*
SOMIR: Ah, Sally… Prefiro quando você me xinga. Eu prometo que aviso na próxima…
SALLY:
SOMIR: E nem é como se eu fosse um daqueles maridos bêbados, vai. No máximo eu devo ter cantado alto e beliscado a sua bunda…
SALLY:

Somir se aproxima de Sally:

SOMIR: Pô! Larga de drama! Olha pra mim!

Sally se volta para Somir, ela está usando óculos escuros.

SOMIR: Pirou? Esse gelo do nada e agora está achando que é estrela de cinema para usar óculos escuros de dia?

Sally tira os óculos sem falar uma palavra. O coração de Somir quase pára quando percebe que o olho esquerdo de Sally está roxo.

SOMIR: Eu… eu… você… eu… Ai meu Deus!
SALLY: Posso colocar os óculos de volta?
SOMIR: Eu… eu… Eu não fiz isso!
SALLY: *começando a chorar*
SOMIR: Eu fiz?
SALLY: *chorando e concordando com um aceno de cabeça*
SOMIR: Deixa eu ver o machucado… *chegando perto de Sally*
SALLY: *se encolhendo* Por favor, não!
SOMIR: Seja lá o que aconteceu, não foi minha intenção… Me desculpa!
SALLY: *recolocando os óculos escuros* Ainda estou pensando nisso. Não sei se quero ficar por aqui. Eu… eu… nunca achei que ia acontecer comigo… *chorando mais ainda*
SOMIR: Me deixa pelo menos te ajudar a cuidar do olho…
SALLY: O olho vai sarar. O meu coração eu já não sei mais…
SOMIR: Eu… eu nunca mais bebo na minha vida, Sally! Eu prometo aqui e agora!
SALLY: Não sei se isso é o bastante, Somir. Foi muito sério. Eu acho que vou para a casa da minha mãe por um tempo.
SOMIR: Não! Não! Me dá mais uma chance! Eu nunca bati numa mulher na minha vida! Esse não sou eu, Sally! Não sou eu!
SALLY: Então quem me bateu, o Batman? Estava escuro, pode ter sido ele, né?
SOMIR:
SALLY: Eu… estou transtornada. Me dá um tempo, Somir.
SOMIR: Tudo bem…
SALLY: Eu preciso ficar sozinha.

Sally corre até o banheiro, com as duas mãos no rosto. Somir senta-se à mesa e começa a tentar se lembrar do que acontecera na noite passada. Uma solitária lágrima derramada sobre a mesa por Sally chama sua atenção. Ao passar o dedo sobre ela, percebe o que deveria fazer.

Meia hora depois, Sally sai do banheiro e anda cabisbaixa até a sala. Lá, depara-se com Somir subindo no parapeito do apartamento.

SALLY: O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?
SOMIR: Não tenta me impedir, Sally!
SALLY: NÃO FAZ ISSO! PELAMORDEDEUS NÃO FAZ ISSO!
SOMIR: Eu… eu bati em você, Sally! Eu bati no amor da minha vida. Eu não mereço viver!
SALLY: DESCE DAÍ!
SOMIR: Eu não quero mais viver sabendo que eu fiz isso com você.
SALLY: VOCÊ NÃO FEZ NADA! OLHA PRA CÁ! ERA MENTIRA MINHA! *Tendo um princípio de AVC*
SOMIR: Não adianta tentar me enganar, meu amor. Eu cometi um crime e vou pagar por ele. Adeus, vida!
SALLY: OLHA PRA MIM! OLHA PRA MIM! É MAQUIAGEM! OLHA! *Sally tira os óculos escuros e passa o dedo na camada de maquiagem, provando sua mentira*
SOMIR:
SALLY: Me desculpa! Desce, por favor.
SOMIR: *descendo com cara de espanto* Você… me enganou?
SALLY: Eu estava com raiva de você porque você voltou bêbado pra casa ontem. Queria te ensinar uma lição.
SOMIR:
SALLY: Eu nunca imaginei que você ficaria tão arrasado. Por favor, me perdoa!
SOMIR: Não… não sei se posso te perdoar. *lágrima solitária*
SALLY: Eu nunca mais minto para você! Nunca mais! Faço tudo o que você quiser! Me perdoa!
SOMIR: Você nem imagina como doeu no meu coração quando eu achei que tinha feito aquilo com você, Sally. Nem imagina… *cara de decepcionado*
SALLY: *chorando* Eu fui longe demais… Mas eu vou fazer de tudo para te compensar…
SOMIR: Me dá um tempo sozinho, Sally. Não consigo ficar olhando para você agora.
SALLY: *arrasada* Tudo… tudo bem… Quando quiser que eu volte…

Sally olha para o dedo indicador de Somir.

SALLY: A ponta do seu dedo… está roxa?
SOMIR: *escondendo as mãos* Hã?
SALLY: MOSTRA A MÃO!
SOMIR: Sally, eu preciso mesmo de um tempo agora e…

Sally circunda Somir e pega sua mão.

SALLY: Você percebeu! Você percebeu antes de eu contar!
SOMIR: *sorriso vitorioso* Queria te ensinar uma lição.
SALLY: *rosnando*
SOMIR: Estamos quites. Agora vai me buscar aquela aspirina, vai…

Uma hora depois, no pronto-socorro:

SOMIR: Eu caí da escada.
PLANTONISTA: Claro… claro…

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