Ele disse, ela disse: Falha Crítica.

SEMANA NERD: Para comemorar o dia nacional do Nerd, o desfavor apresenta “Falha Crítica”, a saga RPG do desfavor. Espadas, magias, poções e muita baixaria nos esperam nos próximos dias.

Ou não. Não seria RPG se a história não pudesse ser influenciada durante seu desenvolvimento. A aventura começa hoje, mas depende da participação dos impopulares para continuar.

Trama: O Rei Dalborg convocou uma seleção de aventureiros para uma missão de suma importância: Escoltar seu filho, o príncipe Ferdinando, até um distante reino, onde ele deve se casar com a princesa local. O caminho é perigoso e cheio de surpresas. O grupo escolhido também.

Tema de hoje: O grupo deve seguir a missão?

SOMERLIN, O BEGE

Evidente que sim. Missões ordenadas por um rei em pessoa são difíceis de aparecer, ainda mais com uma responsabilidade enorme como a de escoltar seu primogênito por terras tão perigosas. A oportunidade está batendo em nossas portas, vamos recebê-la!

Normalmente um monarca tão abastado como Dalborg contrataria a peso de ouro os aventureiros mais experientes e famosos disponíveis, confesso que algumas sobrancelhas se levantaram após a nossa indicação como grupo vencedor da seleção, mas ao contrário dos outros, eu sou muito capaz de enxergar além do óbvio. Investi muito em inteligência nessa vida.

Está claro que contratar um grupo inexperiente, sem renome algum, vai tornar a jornada muito menos visada por inimigos de maior nível. Sallyel disse estar desconfiada do sorriso que o Rei Dalborg deixou escapar quando ficamos apenas nós no final da seleção, mas pra mim aquele foi o momento onde tive certeza que ele percebeu nosso potencial e como a missão estava em ótimas mãos!

Inicialmente, eu fiquei um pouco preocupado com nossos companheiros de jornada, mas basta pensar um pouco para se acalmar: Se eu fui escolhido, o critério SÓ pode ter sido potencial de grandiosidade.

Aposto que o rei ouviu as histórias de como eu abandonei a escola de magia por não ter mais nada para aprender por lá. Não acreditem naquelas que dizem que eu fui expulso por explodir um castelo tentando conjurar uma bola de luz… Aposto que seus conselheiros levantaram os relatos de quem me viu usar magias impensáveis para magos com tão pouco tempo de treinamento! E olha que eu nem achava que havia sobrado alguma testemunha desses feitos…

Se vale para mim, deve valer para os outros selecionados. Sallyel é a elfa mais incomum que já encontrei, a primeira a seguir os caminhos do barbarismo e resolver suas disputas com um machado afiado. Tudo bem que ela estripou um soldado da guarda real por ter desconfiado ouvir um “baixinha”, isso só prova que ela tem os sentidos afiados e reflexos rápidos. Os outros dois soldados que ela matou na sequência foram apenas um mal-entendido, claro.

Pillia pode até parecer um menestrel fracassado viciado em poções mágicas, mas os seus conhecimentos do submundo e suas habilidade de subterfúgio vão ser de grande valia quando precisarmos passar incólumes por terras hostis. Ele é tão bom que deveria ter se juntado a nós há pelo menos três horas e ninguém tem a menor noção de onde encontrá-lo!

Lindamer é muito mais do que se pode prever pelas primeiras impressões. A clériga pode nos providenciar essenciais curas e ainda nos defender dos mortos-vivos! E se não fosse o bastante, ainda parece dominar rituais inovadores: Durante a noite eu a vi colocar uma galinha morta junto com algumas velas numa das encruzilhadas deste castelo!

Ok, Kar-Laum é mesmo um orc com algumas dificuldades intelectuais como ler, escrever ou mesmo falar, mas ele não está nessa missão para declamar poemas! Seus músculos nos permitem a testada e aprovada tática do escudo de carne caso algum inimigo se aproxime demais. Não que eu seja covarde, mas faz parte do treinamento de qualquer mago correr para trás do primeiro imbe… valoroso lutador que permita essa vantagem estratégica. Sallyel também é corajosa, mas não… faz muita sombra.

Está tudo sob controle! O príncipe está consorte! Entenderam? Imagino que não, aposto que vocês colocaram pontos demais em carisma para entender esse tipo de piada sublime. De qualquer forma, Sallyel está fazendo uma tempestade em caneca d’água! A missão é simples, o caminho pode ser um pouco… desafiador, mas eu garanto que não me escolheriam junto com um grupo que não tivesse a capacidade de vencer as adversidades.

Com Sallyel é tudo 0 ou 20, não tem meio termo! Está evidente que a liderança intelectual do grupo está comigo. As obrigações dela se resumem a cortar em pedacinhos o que nos proporcionar perigo durante a jornada. E não se preocupem, eu também tenho a sabedoria dos elfos correndo em minhas veias: Meu bisavô por parte de mãe era meio-elfo. Imagina-se… Ele tinha orelhas pontudas…

E eu posso ter me comprometido com uma dívida elevada que só pode ser paga com a recompensa da missão. Não que essa seja minha motivação, meus poderes me garantem segurança mesmo contra inúmeros mercenários de uma só vez, mas pode ser uma boa experiência para o grupo enfrentar alguns deles enquanto eu… aperfeiçoo minhas artes arcanas.

Se essa aventura acabar por aqui, nossas vidas voltarão ao marasmo de sempre. O caminho parece muito interessante, com vários locais e bestas legendárias esperando ser encontradas! Poderemos passar pela Floresta Intocável! Pelas Catacumbas do Anel Perdido! Pelo Altar do Ancião de Ceroulas! Conhecer a lenda do Porco que Espirra… Se não querem fazer isso para salvar a vida de um brilhante mago com azar nos jogos, que façam pelo prazer da descoberta!

Desfavor normal tem toda semana.

Para dizer que só vai votar no Sim porque ninguém vai ter como saber que você é nerd, para perguntar porque Somerlin é o Bege (vai ter que votar no sim…), ou mesmo para dizer que foi convencido pela lenda do Porco que Espirra: somir@desfavor.com

SALLYEL, A CRUEL

Tem alguma coisa errada. Sério mesmo, por mais que eu me tenha em muita alta conta, a vitória do nosso grupo foi muito estranha. Outros candidatos infinitamente superiores foram eliminados, por critérios que não foram aplicados ao nós. A pressa e o aparente desespero do Rei Dalborg somados ao processo seletivo estranho me fazem pensar em abandonar a missão.

Nosso grupo não é dos melhores: Somerlin, O Bege, é um mago arrogante que se recusa a estudar magia, fazendo tudo no improviso e acha que sempre vai dar um jeito de conseguir o que quer. Pillia é um elfo, mas de elfo não tem nada, pois desde que ficou viciado em poções e perdeu seu posto de menestrel sobrevive à base de pequenos roubos, uma vergonha para a nossa raça! Lindamér não passa de uma clériga pregadora mercenária que nos venderia por dez moedas de ouro e convenceria a todos que foi a vontade de Deus. No meio dessa gentalha vai sobrar tudo para mim!

Sempre houve boatos rondando o filho do Rei. Ferdinando, chamado carinhosamente de Ferdinandinho, mal é exposto ao público e das vezes em que participou de eventos parecia meio dopado e em algumas ocasiões pude observar amarras discretas em suas pernas. Fico me perguntando se ele não é algum tipo de criminosos violento. Uma missão para escoltar um tipinho tão estranho até outro reino me parece suspeita, sobretudo para realizar um casamento! Todo mundo sabe que o normal é a noiva se juntar ao reino do noivo e não o inverso, mas o Rei Dalborg parece fazer questão de mandar Ferdinandinho para o reino de sua noiva.

A noiva escolhida também gera uma certa desconfiança. Com tantos reinos próximos, o Rei Dalborg bateu seu porrete e decidiu casar Ferdinandinho com a filha do Rei Rogerius Skylab, monarca de um reino distante. Qual é o benefício de espalhar sua linhagem em terras distantes às quais não se tem acesso? Ninguém sabe muito bem quem é essa princesa, como pode querer unir seu filho com uma família sobre a qual não se sabe quase nada? Mandando Ferdinandinho para lá quase certo que todos nós perderemos contato com ele, pois o caminho que liga os dois reinos é perigoso demais para ser cruzado com frequência, até mesmo por mensageiros.

Mas o pior foi o processo seletivo. Todos os escolhidos tiveram um desempenho pífio, inclusive eu, admito, porém não por minha causa. Parecia que o Rei estava selecionando os piores e não os melhores. E o que não faltavam eram candidatos, pois o prêmio para realizar a missão é bastante generoso.

Ao selecionar um mago, por exemplo, pediram para que todos os magos presentes aprisionem para sempre o sorriso de uma bela donzela virgem. Um dos magos congelou uma moça do reino e a envolveu em uma enorme bolha que flutuou até os pés do Rei. Outro mago fez com que o sorriso saia da boca de uma donzela e fique ao lado do Rei. Somerlin puxou um bloquinho, me mandou sorrir, desenhou meu sorriso, arrancou a página e estendeu ao Rei. Além da pobreza de recursos, Somerlin sabe muito bem que eu não sou mais virgem. E ainda assim, colou. Ele foi selecionado!

Aos clérigos, foi pedido que façam um discurso de convencimento ao povo. Enquanto diversos clérigos levavam os súditos às lágrimas, Lindamer furtava os pertences das pessoas distraídas. Mesmo quando o Rei lhe pediu expressamente que diga algo tocante, ela recitou um verso sobre um camelo bastante desagradável, e apesar disso, foi a clériga selecionada.

Por fim foi pedido aos elfos que leiam a mente do Rei e adivinhem o que estaria do outro lado da parede. Para ganhar tempo, quebrei a parede com meu machado, mas não pude ver o que havia, já que quando a poeira se dissipou, Pillia havia roubado o que quer que fosse. Mesmo sem dizer o que havia do outro lado da parede eu fui selecionada e mesmo sem devolver o que havia do outro lado da parede, Pillia foi selecionado!

Além destas, dezenas de outras provas foram realizadas, com resultados igualmente estranhos. Francamente, creio que o Rei não está muito preocupado com a segurança de Ferdinandinho e temo pelos obstáculos que encontraremos na longa jornada. Arriscar é burrice quando o preço a pagar é a vida. A recompensa é muito boa, porém só será paga quando do regresso. Algo me diz que existem grandes chances de não regressarmos dessa missão. Somerlin diz que não há o que temer, que ao final conseguiremos completar nossa missão, mas eu já o vi dizer esse tipo de coisa inúmeras vezes e nem sempre suas profecias de concretizam.

Para piorar o que já estava cagado, o Rei Dalborg nos convocou para uma reunião e exigiu que se junte a nós “alguém de sua confiança”, ao qual se referia como se fosse humano, mas para minha surpresa se tratava de um Orc chamado Kar-Laum. Um sujeito de aparência assustadora, que foi contido pelo Rei quando tentou se comunicar conosco. Segundo o Rei, a presença de Kar-Laum será fundamental para “assegurar que tudo vai sair como planejado”. Não sei bem o que ele quis dizer, mas não gostei.

Teremos que escoltar Ferdinandinho por três reinos diferentes até chegar a seu destino e consumar seu casamento. Tudo piora quando me lembro que vocês decidirão, ao final de cada dia transcorrido, qual será o caminho que deverá ser tomado pelo grupo. Lastimável. Não se sabe o tipo de coisa que podemos encontrar pelo caminho, mas uma coisa é certa: será de péssimo gosto.

Francamente, vocês querem passar a semana toda acompanhando essa porcaria de missão? Não né? Vocês são melhores do que isso. Querem comemorar o Dia do Nerd na República Impopular do Desfavor? Deve existir uma forma mais digna de fazê-lo do que esse tipo de… de… “aventura”, digamos assim. Vocês merecem coisa melhor do quer essa porcaria. Porque eu já vou logo avisando, vai ser uma porcaria.

Vocês tem até o por do sol para decidir. Caso desejem que esta missão ignóbel prossiga, retornaremos amanhã com mais um capítulo desta saga vergonhosa. Caso decidam que o grupo não deve aceitar a missão, retornaremos a nossas vilas e a República Impopular do Desfavor segue com sua programação normal.

Para votar NÃO, para votar NÃO e para votar NÃO: sally@desfavor.com

DECIDA, NERD!

O grupo deve seguir sua aventura?

  • Sim (55%, 10.044 Votes)
  • Não (45%, 8.111 Votes)

Participação Impopular: 18.155

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