Colapso burro.

Com números alarmantes do esgotamento de leitos de UTI e do aumento de mortes por covid-19 no país, além de palavras caracterizando a situação como “gravíssima” e “absolutamente crítica”, um boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz publicado na noite desta terça-feira (16/3) classificou o momento atual da pandemia como o “maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil”. LINK


O que explica a situação brasileira? O brasileiro. Desfavor da Semana.

SALLY

Em março do ano passado escrevemos um texto afirmando que a vida de todo mundo ia mudar, que o mundo ia mudar, que nunca mais as coisas seriam as mesmas. Muitos nos chamaram de exagerados, malucos e alarmistas. No meio do ano passado escrevemos um texto avisando que vírus respiratórios voltam em uma segunda onda pior do que a primeira. Novamente, muitos nos chamaram de exagerados, malucos e alarmistas.

Hoje, o Brasil voltou à idade média: se você ou alguém da sua família adoecer, não tem médico, não tem centro cirúrgico e periga não ter nem mesmo os medicamentos necessários. Quem vai sobreviver a isso é quem tiver a sorte ou anos de dedicação para ter uma saúde muito boa. A tsunami está passando e varrendo tudo que encontra pelo caminho. E o brasileiro está em inércia contemplativa, negando ou procurando por um culpado.

Todo mundo tem culpa. Não é só o político genocida que jogou contra o tempo todo, é o imbecil que disse que “todo mundo vai pegar então eu prefiro pegar logo”, é o retardado que saiu para reuniãozinha ou jantar “pela minha saúde mental”, é o débil mental que diz que “não dá para viver trancado”. Para não morrer quem eu amo? Fico trancada no escuro, se precisar. Décadas. Mimadinhos do caralho sem senso de sacrifício!

E nesse ponto, Somir e eu temos opiniões muito diferentes. Eu acho que o brasileiro age assim por falta de senso de sacrifício, por ser acomodado, por ser covarde. Já temos um ano de pandemia e tem caboclo gritando que seu negócio vai falir. Oi? Se em um ano você não conseguiu adaptar seu negócio ou mudar de ramo, desculpa, mas a culpa nem é mais da pandemia, é sua por não ter se mexido para se adaptar à nova realidade.

Somir acredita que é pura incompetência: a pessoa simplesmente não sabe como fazer e paralisa. Não consigo acreditar nisso, pois quando é para fazer coisa errada, o brasileiro mostra uma proatividade e criatividade sem igual. É o medo que paralisa. A baixa autoestima. A acomodação. O brasileiro vende a alma para não ter que encarar o desconhecido, um desafio grande ou algo que implique em colocar à prova sua força.

Foram décadas trabalhando com brasileiros. É sempre o mesmo esquema, sempre as mesmas desculpas, para não fazer o que lhes causa medo ou desconforto. Assim, decisões cruciais são adiadas, adiadas e adiadas. As mesmas desculpas sempre: “não é tão fácil” (faça o difícil, caralho!), “eu tenho uma família” (faça para cuidar da sua família!), “não pode ser assim, tem que planejar melhor” (se sua vida está em risco não dá para perder tempo).

Tem muita gente se escorando no “mas eu não sabia”. Não sabia por escolher negar, a informação estava lá o tempo todo, caso contrário, dois leigos como Somir e eu não seriamos capazes de antever tudo aqui no Desfavor. Ninguém é obrigado a saber tudo, mas, quando não se sabe, se pesquisa em fontes confiáveis para entender o que está acontecendo e o que pode acontecer. Não pesquisar é ser acomodado e deixar que o destino decida sobre a sua vida. Quem se planeja tem futuro, quem não se planeja tem destino.

Mas, na cabeça do brasileiro, ele está seguro e vai dar tudo certo, fé em Deus! Uma coisa que nós cansamos de falar: quem não parar por bem, vai parar por mal. Todo mundo tinha acesso a essa informação e continuaram com comércio, empresas e indústrias abertas. Dito e feito, está acontecendo. E não estou falando da birosca do Seu Joaquim que pereceu por suas duas atendentes adoecerem, estou falando de empresas como a Volkswagen, que anunciou a suspensão da produção em todo o Brasil em razão de agravamento da pandemia. Se nem a Volkswagen segura esse tranco, o que faz alguém pensar que seu pequeno comércio vai?

Aos que queriam sair do Brasil mas protelaram a saída do país alegando que “não é fácil”, meus mais sinceros parabéns. Hoje, brasileiro só pode entrar em oito países em todo o mundo: Afeganistão, Albânia, Costa Rica, Eslováquia, Macedônia do Norte, Nauru, República Centro Africana e Tonga.

Sim, é isso mesmo, brasileiro está sendo barrado até no Vanuatu. Eu sei que não é fácil mudar de país, mas, quando sua vida está ameaçada, primeiro você sai, depois você se vira para sobreviver e pagar as contas. Se esperar por condições seguras e confortáveis, não sai a tempo. Não é fácil chegar em um país do nada e ter que correr atrás da sobrevivência, mas me parece menos fácil viver no Brasil, sem direito a atendimento médico e com uma pandemia fora de controle.

Não importa o quanto a situação piore, o brasileiro não parece querer sair da inércia. Até dói falar em “zona de conforto”, pois essa situação é tudo, menos confortável, mas, para o brasileiro, o maior desconforto de todo, maior do que a própria morte, é ter que refazer os planos e se arriscar. Ele topa tudo para não ter que se mexer. Morre no conhecido mas não pisa no desconhecido. Taí o resultado. Ou besunta o corpo de óleo e vai viver em Tonga ou vive na Idade Média sem atendimento médico.

Os governantes estão seguindo a mesma linha covarde-acomodada do povo. Nada de novo, os governantes são o reflexo do povo. Poucos tivera culhão de decretar e fazer cumprir um lockdown de verdade (mais de 70% de pessoas sem sair de casa) e, mesmo os poucos que fizeram, fizeram tarde demais. Essa mania de só aprender a nadar quando a água bate na bunda, de só se mexer quando a vida te dá um tiro nas nádegas e não tem outro jeito, muito lamentável. O sistema de saúde do país está colapsado e a circulação de pessoas continua altíssima.

Lockdown começa a mostrar os primeiros resultados 30 dias depois de efetivamente implementado. Ou seja, se decretarem lockdown em todo o Brasil hoje, ainda terão 30 dias de terror, de horror, de rezar para sua mãe, para o seu pai, para os seus filhos não adoecerem, pois se acontecer, não terão o devido atendimento. Isso tinha que ser previsto antes do colapso e implementado antes do colapso.

E, cá entre nós, mesmo quem consegue hospital está bem fodido. A taxa de mortalidade dos pacientes intubados é de 80% no Brasil, muito maior do que no resto do mundo. Não importa para onde se olhe, é uma loucura viver no Brasil hoje. “Mas eu me cuido”. Sim, mas tem coisas que independem de você e fogem ao seu controle. Conversa direitinho com o seu apêndice, pois se a validade dele expirar, você vai ter que procurar uma cirurgia mediúnica com um garfo enferrujado.

O mais triste é que todos os envolvidos nessa equação de negação, acomodamento e covardia pensam que não poderiam ter feito nada para impedir, que não poderia ter feito nada diferente. Desde o dono da quitanda que fechou, até o Ministro da Saúde (que, francamente, eu nem sei quem é atualmente) até a pessoa que diz que queria ter saído do Brasil mas “não tinha como”. Tinha dinheiro para comprar uma passagem? Então tinha como. Eu saí sem saber se pagaria as contas no mês seguinte, pois preferia isso a colocar em risco a vida das pessoas que eu amo.

Sempre tem o que fazer. Sempre. Só que para isso tem que quebrar a inércia e parar de dar desculpas. Tem que fazer sacrifícios sofridos, tem que ter coragem de se jogar no desconhecido e arriscar. O mundo está mudando e passando por cima de quem não o acompanha como um trem. Fulaninho que quer manter seu mesmo trabalhinho de sempre apesar da pandeia, pois “não é fácil” recomeçar no mercado de trabalho vai perecer. Prestem atenção nisso: os acomodados serão atropelados, serão esmagados, serão sacrificados. Não sejam os acomodados.

Se você ainda não se mexeu para se adequar à nova realidade bizarra que tomou conta do país, mexa-se. Nada do que você conhecia ou tinha por rotina será igual. E não adianta encontrar alguém para culpar, a culpa é de quem em um ano não coçou o cu para trabalhar de casa, para mudar de área, para adaptar seu trabalho/negócio ou para sair do país se esse era seu desejo. Chega de desculpas, chega de “não é fácil”.

Sabe o que não é fácil? Ver uma pessoa amada morrer sofrendo. O resto, meus queridos, é moleza.

A inércia e acomodação (sejam elas por incompetência ou não) vão cobrar um preço muito caro a partir de agora. Saiam dela, vocês não vão querer pagar essa conta.

Para dizer que você está pronto para se besuntar de óleo e ir morar em Tonga, para dizer que você queria visitar a gloriosa república de Vanuatu ou ainda para dizer que não é fácil ler este texto: sally@desfavor.com

SOMIR

Anda difícil escolher um tema para esta coluna. Toda semana é o mesmo assunto. E não tem para onde correr. Dá para falar dos ataques à liberdade de expressão que estão acontecendo quando o país piora sem parar no pior problema que está enfrentando? Ou procurar uma polêmica bizarra que foi pouco analisada? Num mundo mais ideal, tentamos não nos repetir demais semana a semana. Mas agora não dá mais. A pandemia não dá sossego.

O país vai desmoronando diante de uma doença que causa muitos problemas ao redor do mundo sim, mas que parece especialmente focada em solo tupiniquim. Os Estados Unidos e a Europa sofrem bastante também, mas é um tipo de desgraça diferente. Nesses lugares se trava uma luta cansativa, mas o vírus não tem o prospecto de vitória. No Brasil, estamos basicamente apanhando há um ano. Nossa tática aparentemente é fazer o adversário quebrar a mão de tanto bater.

O coronavírus ainda não é uma doença capaz de acabar com uma população inteira, provavelmente não vai gerar uma mutação que consiga o feito, mas mesmo assim consegue fazer muito estrago quando lida com um país de colaboradores. Nenhum povo trata esse vírus tão bem quando o povo brasileiro. Demos uma espécie de passaporte diplomático para ele: vai para onde quiser, entra em qualquer lugar e ainda por cima não pode ser punido pelos crimes que comete.

E quando vemos a forma como os líderes políticos brasileiros lidam com o tema, a bagunça incrível que cerca presidente, ministério da saúde, governadores e prefeitos, cada um fazendo uma coisa diferente, inconsistentes nas suas ações… começamos a ver a raiz do problema brasileiro: incompetência.

Como vocês já leram no texto anterior, isso até gerou uma argumentação entre eu e a Sally: ela acredita que vai muito além de pura incompetência, e embora eu concorde que existam outros fatores contribuindo para isso, nenhum deles é tão básico quanto a total incapacidade de agir de forma lógica e racional diante do problema. Isso não quer dizer que todos os brasileiros sejam muito burros, mas quer dizer que o sistema que temos é muito vulnerável à burrice. Temos poucos mecanismos para evitar que péssimas decisões sejam tomadas e baixo incentivo para formar cidadãos capazes de quebrar o ciclo de estupidez e incapacidade que assola a nação.

Bolsonaro é culpado sim, mas é só mais um dos culpados: ele é resultado de uma sequência de péssimas decisões que o colocou diante do único candidato que poderia vencer nas eleições. E hoje em dia, é refém do culto suicida da “direita conspiratória de internet”, sua única base natural de apoio. Eu confesso que eu nem sei mais no que o presidente acredita de verdade, talvez nada. É bem provável que Bolsonaro esteja numa posição muito acima da sua verdadeira capacidade intelectual, apenas reagindo a estímulos externos.

E existem vantagens para o resto desse sistema corrupto em não ter ninguém no volante: o Legislativo que o diga, impedindo o impeachment em troca de uma cortina de fumaça que os deixa fazer o que bem entenderem em causa própria. Raramente o problema que causam é tão sério ao ponto de brilhar mais que as insanidades do Executivo.

Trocamos a cleptocracia petista por uma burrocracia bolsonarista, com o ministro da Saúde demitido, mas ainda no cargo dizendo que fez um excelente trabalho enquanto o país afunda diante de uma doença evitável. Uma parte da população totalmente abandonada à própria sorte, outra protestando por menos medidas de proteção! O brasileiro médio não sabe muito bem o que fazer a não ser tentar continuar fazendo o que fazia antes da pandemia.

O que normalmente é um sinal de incompetência: não ter capacidade de perceber as mudanças no ambiente e não se adaptar. O governo insiste que a solução é fingir que a doença não existe, e o povo faz o mesmo. Um ano depois do começo da pandemia, muitos empresários estão berrando contra o isolamento social, se dizendo traídos pelas medidas aplicadas por prefeitos e governadores! Oras, um ano é tempo suficiente para não poder alegar surpresa.

Continuo achando que não existe uma intenção negativa dessas pessoas, e sim uma incapacidade básica de entender o que acontece ao seu redor. Se fosse preguiça, teimosia ou acomodação, o tempo que passamos lidando com a pandemia já teria mexido com a forma de pensar das pessoas. A conta só fecha quando você considera incompetência como fator principal. Não é que as pessoas não querem fazer a coisa certa, elas simplesmente não entendem o que é a coisa certa.

O Brasil vê as UTIs lotando e gente morrendo no chão do hospital sem conseguir conectar os pontos. Acha que a economia precisa voltar a funcionar, mas não entende como o colapso do sistema de saúde tem qualquer relação com isso. Pode parecer óbvio para você, mas não presuma que é óbvio para a maioria das pessoas. Mesmo que elas sejam figuras públicas poderosas.

Parece que a maioria desse povo não entendeu até agora o que está acontecendo. O coronavírus não é muito letal individualmente, mas é desastroso quando pensamos em 200 milhões de pessoas. E está aí a prova: viramos párias mundiais, o governo não sabe o que fazer e a sua melhor chance atualmente é simplesmente não adoecer até o vírus “cansar” de matar brasileiro.

Esse é o preço da incompetência.

Para dizer que a culpa é nossa por falar disso, para dizer que o país funcionava bem antes da Covid, ou mesmo para dizer que antes de piorar, piora: somir@desfavor.com

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Comments (56)

  • Meu sonho é que a OMS designe uma força-tarefa anti-covid que venha ao Brasil em caráter de urgência para colocar ordem nesta bagunça e praticamente deponha Bolsonaro e o Ministério da Saúde. Se o Bozo reclamar, basta um adulto da OMS o empurrar um pouquinho pro lado pra tirá-lo do caminho e dizer “nós assumimos daqui”.

    • Meu sonho é esse também, mas que o Bolsonaro bote o exército para metralhar eles “em nome da soberania nacional”. Aí sim ele teria o que merece.

  • Qualificadora para quem é pego em festas :
    I- Devem ser direcionados aos hospitais com a função de específica de retirar quem foi à óbito, preparar, abrir a vala e enterrar. (Ou procedimento equivalente).

  • Não sei se alguém vai ler isso, mas o que os modelos mostram é que em cerca de duas semanas chegaremos ao patamar de mortes, que deve ser manter por cerca de três ou quatro meses. Então talvez as coisas comecem a melhorar lá pra Agosto ou Setembro. Bjs no coração de todos e força!

  • “Todo mundo tem culpa. Não é só o político genocida que jogou contra o tempo todo, é o imbecil que disse que “todo mundo vai pegar então eu prefiro pegar logo”, é o retardado que saiu para reuniãozinha ou jantar “pela minha saúde mental”, é o débil mental que diz que “não dá para viver trancado”. Para não morrer quem eu amo? Fico trancada no escuro, se precisar. Décadas. Mimadinhos do caralho sem senso de sacrifício”!

    NA MOSCA, Sally.

    Sabe, me dá nos nervos colocarem toda a culpa no poder público (que sim, tem responsabilidade imensa, mas um país não é feito só de políticos) praticamente isentando a população brasileira, na qual estão inseridos os “alecrins dourados” que aglomeram, lotam praias, bares, festas de todo tipo “em nome da saúde mental” e dane-se o próximo. Mas que nada! É por causa destes egoístas que o país está na merda e continuará… Soube por fonte segura que o auxílio emergencial foi usado por muitos para financiar festas paredão na periferia de Valsador. As mesmas pessoas que certamente estariam em protesto contra o isolamento porque “queremos trabalhar” usam o dinheiro para festas. Não dá mesmo, não é, povo brasileiro?

    Hora de parar de tratar o povo brasileiro como coitadinho “vítima do sistema”, com aquele paternalismo cordial que passa pano pras atrocidades sanitárias perpetradas por gente sem senso de sacrifício ou um pingo de empatia por serem “do povo”. São CÚMPLICES! Aqueles que aglomeram, que não estão nem aí pra situação sanitária muito menos pro que ela exige que seja feito são cúmplices ao lado dos políticos ineptos do país. Esse paternalismo que trata o povo brasileiro que nem criancinha tem que acabar, infantilizar o povo só piora a situação! Uma situação que exige sacrifícios sem os quais jamais sequer dará pra pensar em algum retorno a alguma normalidade e o brasileiro aprenderá por bem ou por mal (mais precisamente por mal) que para situações assim não existe espaço pra “jeitinhos”, burlar ordens, etc.

      • Exatamente, Sally. Eu já estou a postos — Em que pese que para motivos de estudo e trabalho talvez já tenham liberado (no caso, como um dos critérios para ser aceito, e ainda com exigência de quarentena preventiva de 14 dias + 2 testes), vou conferir melhor…

  • E pra quem reclama falta de leitos, bem, isso era o normal para quem dependia do SUS, onde atendimento médico adequado é mais questão de sorte que tudo.

    O novo normal é os hospitais privados também apresentarem carência de leitos, mesmo pra quem pode pagar alto por isso.

    Por essas e outras, esse tipo de notícia nem choca o brasileiro médio, que vai levando a vida como dá.

    • O atendimento do SUS sempre foi deficiente, mas as pessoas tinha a opção de procurar outras fontes. Como você disse, agora não tem. Tá faltando anestésico em hospital particular, tá faltando respirador, tá faltando oxigênio.

  • O muro do gueto fechou. Quem pôde sair, saiu, já que ninguém mais nos aceita (e nem há voos diretos para a Eslováquia). Agora é torcer para não fazer parte das levas diárias…

  • Olhando apenas o ponto de vista econômico,todos somos consumidores, pelo menos do básico. Economia nenhuma sobrevive com perdas gigantescas no consumo. São 3 mil consumidores a menos por dia, lógico que isso causa um desastre maior do que se esses consumidores ficassem com dificuldades e retomassem o consumo assim que possível. Faltou matemática básica pros empresários. O cliente que morreu, nunca mais fechará negócio e a empresa terá um gasto extra pra conquistar e fidelizar outros clientes. Esses 3 mil clientes a menos por dia são o preço que pagarão por não terem visão a longo prazo. Governo nenhum vai socorrer a classe empresarial e os consumidores que sobrarem estarão fodidos e mais pobres.

    Não consegui sair do país a tempo, mas planejo isso há anos. O meu parceiro conseguiu trabalho de TI remoto no br, mas já tinham fechado as fronteiras.Agora ele tá numa empresa gringa q ta agilizando a mudança. Estamos presos no país, na segurança do home office, com visto em tramitação.Os gringos de TI estão de olho nos brasileiros qualificados que aceitarão ganhar menos que europeus só pra poder fugir do Brasil. Ainda não é tarde pra quem ta planejando agora, ou pra quem ainda não conseguiu, mas tem um maior tempo de espera.

  • Muito obrigada a vcs dois pelos textos de hoje!

    Eu concordo com os pontos de ambos (incompetência de um lado, falta de senso de sacrifício do outro) , mas tendo a concordar bem mais com Sally, ainda mais vivendo onde vivo.

    O brasileiro é um povo q ainda não saiu do nível primitivo: Medo de sair do q tá acostumado, falta de senso de sacrifício e ainda por cima se acostumar à merda de tal forma q vemos protestos contra o isolamento necessário pelo fim da peste, e festas clandestinas a mil por hora numa época na qual se preservar seria o fundamental para sobreviver – isto é, garantir q a peste não chegue no seu corpo nem na sua casa. Típico da criança egoísta e mimada: Quer as coisas do jeito que se quer, sem pensar nas consequências, mesmo que isto contribua com o caos completo.

    Não tem como mudar enqto o brasileiro não sair da imaturidade no trato de valores essenciais de respeito ao próximo (e insistir em afrontar a peste desafiando até mesmo o senso de auto-preservação.

    • O pior é que o brasileiro é acomodado e chorão. Não faz a sua parte, não se mexe para mudar o que está ruim e ainda fica chorando para Papai Político resolver.

  • Agora é tarde para quem queria sair….
    Nenhum país descente aceita brasileiro :(
    Além disso o que é pior é o que está por vir, um país totalmente falido por anos em que vai faltar de tudo, inclusive insumos básicos para a população média e baixa.
    Vai ser a máxima da polarização tipo “casa que falta pão, todos gritam e ninguém tem razão ” , todos fodidos e defendendo o indefensável, afinal 2022 já está aí e quem vocês acham que vão se eleger? Quem o povo vai eleger? Não há nenhum milagre no horizonte do Brasil….

    • Uma hora vai abrir, nem que seja por um curto período de tempo. Estejam prontos, aproveitem essa janela de oportunidade para sair assim que abrir.

  • Brasileiro mais bolsonarista que nunca: prefere ir as ruas pra protestar contra ‘lockdown’, dando a ele mais respaldo contra os governadores e pretexto pra golpe. Não escolhemos a civilidade, como os paraguaios q protestaram contra a gestão da pandemia e falta de vacinas deles, ou os americanos contra o massacre racial. Escolhemos voltar a idade Média. Diz o ditado “quem cala, consente”, bem isso a população faz com seu próprio destino.

    • Depois do conjunto da obra de comportamento do povo durante a pandemia, não dá para esperar absolutamente nada, melhor coisa é se preparar para sair daí assim que for possível. Eu nem esperaria, iria para a Costa Rica mesmo, e dali para outro lugar.

    • Eu já disse algumas vezes pra pessoas de meu círculo próximo que entre “socialismo” e barbárie, o brasileiro médio escolhe sem pestanejar a barbárie.

      E só se teve algum resultado na contenção da pandemia no ano passado por conta do equilíbrio de poder presente por aqui, onde o STF desautorizou o Bolsonaro e deixou que governadores e prefeitos decidissem quanto as medidas de contenção social.

      E se fosse o Lula, bem… Poderia até não ter os absurdos das recomendações esdrúxulas por parte do mesmo quanto a questões médicas, mas se abriria as pernas pro COVID com pretextos irmãos dos do Bolsonaro e sinal ia ter contraponto de STF e tampouco de governadores e prefeitos.
      Arrisco a dizer que as mortes já estariam na faixa de meio milhão ou mais de notificadas em tal situação.

  • E nem dá mais ara contar com Tonga… a ilha está meio que afundando.

    Viramos os párias do mundo, só podemos ir pra meia dúzia de países, sendo que só conhecemos um devido a um musculoso bem oleado, e o outro porque é altamente explosivo. Nem a Tanzânia nos quer! Nem a Venezuela! A ofensa dos minions de vai pra Venezuela perdeu o efeito! É um nível de mediocridade nunca dantes alcançado. Espero viver mais 40 anos só para ver como vão ensinar isso nos livros de história do Brasil: a Era da Cagada Fenomenalmente Gigante.

    Fazer parte de momento históricos não é nem um pouco divertido. Quero meu ingresso de volta.

  • No grupo de zapzap da família (quer dizer, da família da minha esposa, né?) o imbecilzão do meu cunhado postou o link pro vídeo duma caboca que se dizia médica, com um irritante sotaque carioca carregado, falando sobre os benefícios da ivermectina no tratamento do/da COVID-19. Via de regra eu fico quieto pra não tretar com o grupo (todos altamente bozonazistas e adeptos do tratamento precoce), mas desta vez eu tive que rebater: colei em resposta um link da FDA em que se dizia que não havia comprovação que ivermectina funcionasse pra isso e que ainda estava muito cedo pra afirmar qualquer coisa a respeito, porque mal haviam começado a pensar nessa possibilidade (ou pesquisá-la mais a fundo). Ao mesmo tempo, na cidade da minha patroa, um dos poucos médicos existentes está fazendo ampla divulgação favorável a esse tal “tratamento precoce” com a lixaiada clássica e – o que é pior! – a população não apenas o está apoiando como está massacrando/cancelando todas as vozes discordantes, com aquele argumentinho “não gosta? não toma mas também não tire a chance de quem quer experimentar”. A vontade que me dá é pegar uma arma de grosso calibre e sair por aí estourando cabeças… mas tenho medo de contaminar o ar com o tanto de merda que sairá delas!

  • O grande problema dos pseudo-“governantes” dessa maldita terra de ninguém é que praticamente todos eles foram bancados por empresários. Aí, de rabo amarrado a esses montes de merdas sobre patas, não tem como decretar o lockdown que vai ferrar com os negócios e interesses financeiros deles. A coisa é tão escangalhada que já começa no boçalnazi genocida (financiado por sociopatas perigosos como luciano hang e carlos wizard) e vai até o prefeitinho mequetrefe daquele cu perdido no interior do interior, bancado por um combo “câmara de dirigentes lojistas”+”restinho de grana de partido”+”rotary/lions” (sim, essa corja também está infiltrada no pentelho do cu do mundo. Mais pobrinhos e menos portentosos que seus coleguinhas dos distritos de lugares mais civilizados, mas presentes, em todo caso). Enquanto o povo merdalhão achar que seu voto tá servindo pra alguma coisa nesse imenso teatrão mambembe que são as eleições na taba brazilis, nada vai mudar.

    • Luciano Hang que pegou COVID e nessa apelou pro pessoal tomar vacina.
      Quem te viu, quem te vê, né?

      (De ele não ser antivaxxer já subiu no meu conceito, apesar dele continuar não valendo uma paçoca mordida)

    • Dependendo do governante de ocasião, os lobbies contrários mais proeminentes seriam distintos, mas a lógica do “meu pirão primeiro” seria sempre preponderante.
      A turminha do “fanque é cultura” passou pianinha sem botar empecilho porque o presidente é o Bolsonaro. Se fosse um Lula da vida, seriam os primeiros a levantar a onda do boicote.

  • Quando a pandemia começou, um ano atrás, quem era contra o isolamento social e a adoção de um lockdown dizia que não era viável fechar tudo “só por causa de uma gripezinha” porque o mais importante era “salvar a economia”. Mas essa postura não apenas NÃO SALVOU a economia – que continua capenga – como também piorou uma situação – enfrentamento da doença – que, por si só, já é bem difícil.

  • A Sally parece levar a discussão mais pro lado coletivo, enquanto que o Somir leva mais pro lado individual. Dá pra fazer uma articulação, uma “dialética” entre os dois, mas enfim, tendo a concordar mais com o Somir nessa. Incompetência do brasileiro nível master, capaz de autodestruição.

    Mas o que eu acho bizarro mesmo, e que queria comentar mesmo, é o fato de que já se passou um ano e ainda tem gente por aí negando a pandemia, dizendo que o vírus não existe, que isso é uma armação da esquerda comunista, ou que a China quer mandar em tudo bla bla bla que não tem fim. Incrível como que ainda persiste esse nível de bizarrice e essa desconexão com a realidade de uma maneira tão cega e assustadora! Difícil levar a sério um povo que não enxerga nada assim, só o que lhe convém e quando convém.

  • O brasileiro vende a alma para não ter que encarar o desconhecido

    Isso explica o porquê de ter tanto gado do Lula e tanto gado do Bolsonaro por aí pastando.

    Definitivamente, o Brasil tem mais gado que gente.

    • “Definitivamente, o Brasil tem mais gado que gente.”

      Concordo, muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito com você, teu.mobi.

  • Bem o que o Somir falou, bater até quebrar a mão. Vai ser a mesma coisa durante os próximos 2 anos até todos se vacinarem, morrendo 3 mil por dia e sem vaga em hospitais. Vcs viram que um cara no RS foi preso 2X por cuspir na mão e espalhar de propósito e no RJ hoje li notícia de que rolou baile funk no BRT. Se alguém ainda tinha esperança, acabou agora!

    • Isso mesmo! Quem dera o brasileiro fosse so um covardizinho acomodado contra a realidade. Somos conhecidos como corruptos e violentos, isso é índole para o mal, de ter o prazer de passar o outro para trás ou destruí-lo. Eu vejo no rosto a satisfação e o ego dos fodões que burlaram a pandemia esse tempo todo. Termos um psico kamikaze no poder é apenas reflexo da população.

      • Infelizmente eu concordo com você. Muito triste ter que se sujeitar a esse tipo de pessoa, saber que esse tipo de pessoa tem o poder de gerar um colapso social.

  • Não adianta nada ficar discutindo coisa que não está ao seu alcance, isso só vai destruir sua estabilidade mental. Fica aí se revoltando, pra que? Pra alimentar seu ego, fingindo que você sabe todas as respostas corretas pra corrigir o mundo.

    • Aí é que está: está ao alcance de cada um fazer coisas que melhoram sua qualidade de vida e a qualidade de vida da sociedade como um todo. Mas, as pessoas preferem cruzar os braços e dizer que não há nada que possam fazer enquanto o país se afunda.

  • Se tem uma lição que podemos tirar de tudo isso é que se você quer fazer uma coisa que depende de dinheiro e você tem a quantia sobrando, SÓ VAI. Não deixe pra depois que o “depois” pode ser você morrendo sem ter feito nada na vida além de trabalhar. A vida é um sopro, olha o Schumacher, o Kobe Bryant por exemplo.

    Quer comprar um carro? Quer construir a casa dos seus sonhos? Quer conhecer 10 países diferentes? Quer ver pinguins em Ushuaia? Quer atravessar a América do Sul com uma moto? Quer se entupir de ramen no Japão? Quer estudar na Islândia? SÓ VAI.

    • Eu vou além: se é algo realmente importante (como por exemplo, salvar a sua vida ou a vida de uma pessoa que você ama), vai mesmo sem dinheiro. Dinheiro se dá um jeito, se consegue. A vida, uma vez perdida, não volta.

      • Eu preciso ter umas aulinhas com a Sally pra aprender melhor sobre esse “vai, mesmo sem dinheiro”, porque olha… Eu cago de medo simplesmente de ir assim, por a mochila nas costas e seja o que deus quiser. Medo de dar errado, de passar fome ou algo do tipo, considerando que tenho uma comorbidade de saúde que merece cuidados, medo de ser deportado, enfim… Eu sou do tipo que não arrisco, sabe? Eu prefiro ser cauteloso e preparar tudo com o maior zelo possível de antemão, planejar tudo.

        • Aqui eu preciso é convencer familiar a abandonar o país. Quando você está sozinho, é jovem e razoavelmente saudável, é muito, mas muito mais simples. Só botar uma mochila nas costas e ir (já fiz isso, de uma cidade pra outra, e morei de favor por uns tempos). Mas quando tem outra pessoa… E é justamente a pessoa que você mais quer proteger dessa loucura que é esse país que insiste na ideia de ficar e ainda por cima é negacionista, complica… Sem falar que bate sim aquele receio de ser deportada de volta pra esse pesadelo de país. Se um dia eu conseguir sair e me pegarem pra me mandar de volta, vou implorar pra que me usem como cobaia de experiência espacial do Elon Musk. Antes me mandarem pro espaço do que de volta pra cá ou pra país muçulmano.
          E aqui já nos adaptamos pra trabalhar em casa pelos próximos anos. Frequentemente fico “brincando” sobre irmos pra algum lugar, nem que seja Paraguai, Uruguai ou mesmo o Suriname. Se mulher tem uma habilidade nessa vida, é de infernizar outras pessoas sobre o que querem. Uma vez que você dá o primeiro passo e fica por dentro de como é a experiência, fica mais fácil repeti-la, acredito eu. Já mudei de cidade cinco vezes na vida. Quando mudei pela primeira vez, saindo da cidade na qual cresci, fiquei bem nervosa sobre como ia fazer pra me virar na cidade nova. Cheguei a me perder nas ruas, no começo. Mas tudo vai se acertando aos poucos…

          • Eu não recomendo ir ilegal para nenhum outro país. Vai com tudo certinho, principalmente se você está levando outra pessoa com você…

      • Isso que vocês falaram é basicamente o que qualquer brasileiro médio, aliás, humano médio já aprendeu faz tempo. Só que geralmente costumam ser acusados de imediatismo.

        • Não acho que tenha aprendido não. Para todos os lugares onde olho vejo protelação, medo em se mexer, infinitos obstáculos para justificar a inércia.

  • Emigrar pro primeiro mundo parece uma boa ideia, mas se a pessoa não conseguiu se dar bem na vida num lugar com um povo tão burro e sem estudo, imagina num lugar com um povo de maior escolaridade e que recebe milhares de imigrantes pra competir com você.

    De qualquer forma, também estou me planejando pra sair, mas com expectativas realistas. Provavelmente vou aplicar pra algum trabalho que me dê um visto pra eu chegar lá com tudo direitinho, não quero saber de aventuras do tipo migrar ilegalmente, morar num cubículo com 5 outros imigrantes enquanto trabalho 12 horas por dia lavando pratos, trepar e me prender com algum nativo feio e encalhado só pra ter a cidadania… nada disso.

    • Às vezes o raciocínio é justamente o inverso: quem não se dá bem em um lugar que não prestigia a meritocracia, pode acabar se dando muito bem em um lugar que a cultiva.

      Que bom que você pode esperar para sair com calma. Eu tinha uma ânsia enorme de salvar a vida de pessoas amadas no grupo de risco, não pude me dar ao luxo de esperar condições ideais. Provavelmente se tivesse esperado tinha ficado presa no Brasil.

  • “Não é fácil chegar em um país do nada e ter que correr atrás da sobrevivência, mas me parece menos fácil viver no Brasil”

    O país pode ser uma bosta, mas eu sou classe média, nunca me faltou nada (e eu passo longe de ser rica). Comida, bairro relativamente tranquilo, plano de saúde… Tenho até tempo livre o bastante pra usar lendo o Desfavor e outros blogs. Não tenho nenhum motivo pra me desesperar e largar tudo.

    • Agora vai te faltar: atendimento médico, hospital, centro cirúrgico e medicamentos. Para você e para as pessoas que você ama. E isso era 100% previsível.

    • Pessoa acha que vai ter vida boa pra sempre só por ser classe média (risos). As coisas mudam rápido e sem planejamento (alguém aqui esperava pelo corona?). Isso pode acabar em um piscar de olhos, a situação vai piorar e não vai ter dinheiro que nos salve. Eu estou na mesma situação, esperei terminar a faculdade pra vazar, mas agora é tarde. Estamos presos e não acho que vão abrir fronteiras tão cedo. Meu medo mesmo foi o “ainda” no texto do Somir. O vírus ainda não está letal a ponto de fazer estrago, mas se continuar do jeito que está, a cada ano duplicando o número de mortos, creio que não vamos durar nem por 10 anos.

      • TR, em algum momento algum país vai abrir a guarda, por precisar do dinheiro de turistas. Argentina abriu a guarda por 15 dias no ano passado (e se fodeu, pois entrou a variante P1, então tiveram que fechar rapidamente). Espera o país da vez fazer uma tentativa e abrir e vai embora, aproveita essa janela de oportunidade (não vai ficar aberto muito tempo).

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        Outro anônimo

        “As coisas mudam rápido e sem planejamento (alguém aqui esperava pelo corona?). Isso pode acabar em um piscar de olhos, a situação vai piorar e não vai ter dinheiro que nos salve.”

        Tudo isso vale pra qualquer país. Crise de 29, Guerra Mundial, Holocausto, Holodomor, Nagasaki… quem garante que os países que hoje são ricos, civilizados e estáveis vão continuar assim na próxima década?

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