Papo furado.

As condenações de Lula foram anuladas durante a semana mais mortal da pandemia que o Brasil enfrenta há mais de um ano. Com certeza a notícia ficou em segundo plano, não?

Não. Desfavor da Semana.

SALLY

Antes de mais nada, vamos esclarecer uma coisa: Lula não foi “inocentado de todas as acusações”, como andam dizendo por aí. Simplificando de forma bem grosseira, pois não é o tema de hoje, o que foi dito é: “as formalidades necessárias não foram adotadas da forma correta nesses processos nos quais Lula foi condenado, portanto, vamos ter que recomeçar o julgamento”. Não tem nada a ver com ele ser inocente ou culpado.

Tanto é que ele será julgado novamente, não em um, mas em diversos processos, e pode ser condenado novamente, inclusive a uma pena maior. Além disso ele responde a mais 4 processos que não foram anulados onde há provas mais do que suficientes para mais quatro condenações. Provavelmente não vai acontecer, pois o que estamos vendo é um grande acordo onde não tem inocentes: todos estão envolvidos, até mesmo os que se dizem oposição ao PT.

Como estamos falando da Banânia, aqui vai meu chute do que deve acontecer: em um grande acordo com Bolsonaro (não mexe nos filhos dele que ele livra a cara de Lula), os novos julgamentos vão demorar o suficiente para expirar o tempo que o Estado tem para punir o Molusco e ele não poderá mais ser julgado (papo técnico: prescrição). Os outros 4 processos vão ficar esquecidos, ninguém vai condenar Lula agora. Esse parece ser o preço para que os Bolso-Filhos não sejam investigados.

É aviltante? É. Tinha fundamento para anular essa porra toda? Não. Depõe contra o Brasil ter essa insegurança jurídica de uma hora a pessoa estar condenada na porra toda e na outra, com uma canetada, desfazer todos os julgamentos? Sim. Mas infelizmente tem coisa mais grave acontecendo, que precisa ser olhada, que precisa da atenção de todo mundo. E se você está pensando “Mas Sally, o que eu posso fazer sobre essa pandemia?”, você é parte do problema.

Em qualquer lugar do mundo, até em republiquetas mais fodidas que o Brasil, em tempos extremos de crise surgem lideranças naturais, que se unem e combatem o que quer que esteja oprimindo o povo. No Brasil não, na Banânia as pessoas querem jogar os filhos no colégio por estarem de saco cheio, querem bares abertos para encher a cara e flertar, querem que futebol continue para se alienar. Vocês têm a ferramenta mais poderosa de mobilização que alguém pode sonhar: a internet. E a usam para postar selfie.

O sistema de saúde do país está colapsando. Pessoas que você ama podem morrer. Eu não conheço uma motivação mais forte do que a morte de alguém que a gente ama para levantar a bunda e tomar uma atitude. Em vez de fazer isso, o brasileiro médio parece ter encontrado uma escapatória para continuar na inércia: ficar brigando entre si por dois políticos que acabaram de fazer um acordão de impunidade. Sim, meus queridos, tem gado em ambos os lados da cerca.

A semana foi basicamente de discussão e briga Lula x Bolsonaro. Isso é futurologia, a gente nem sabe se ambos estarão vivos para disputar as próximas eleições. Como pode um povo que se preocupa tanto com algo com um ano e meio de antecedência não se preocupar na mesma intensidade com uma grande onda de desgraça que está varrendo o país e ceifando vidas agora, neste exato momento? Qual é o problema do brasileiro?

Não sabemos o que vai acontecer em um ano e meio. Não sabemos se Lula e Bolsonaro serão candidatos. Não sabemos que outro tipo de coisa está sendo costurada por debaixo dos panos. É simplesmente patético ficar brigando por causa de político de estimação, não importa quem seja o político, mas é afrontoso colocar isso como prioridade quando há um risco de vida real pairando em torno das pessoas que você ama.

Não me interessa o que vai acontecer com os processos do Lula e eu tenho a humildade de saber que 1) não tenho controle sobre isso; 2) não vai ser feita justiça, como nunca foi feita justiça no Brasil e sim um grande acordo que fique bom para quem tem poder e 3) tem coisa mais importante para se pensar e fazer no momento.

Se o brasileiro usasse o tempo e a energia que usou esta semana para encontrar uma saída para evitar a tsunami de mortes por covid que está chegando, quem sabe, poderia ter surgido uma ideia produtiva. Essa mentalidade de “não sou eu que vou resolver isso” é um atestado de baixa autoestima. Não dá para escolher quem vai se candidatar em 2022, mas dá para ter boas ideias que ajudem no combate à covid.

O brasileiro precisa deixar de ser um “achador” (acha isso, acha aquilo e fica só na teoria) e se tornar um executor. Sim, uma pessoa leiga pode contribuir, pode ter uma ideia genial, pode colaborar para reduzir os estragos. O inventor do WhatsApp era faxineiro: tudo que você precisa para criar algo grande é ser um bom executor, ideia bacana todo mundo tem.

Mas o brasileiro é o elefante preso no toco. Já viram aqueles filhotes de elefante de circo que, quando pequenos, são amarrados a um toco no chão para não fugir e, depois de adultos ficam ali, condicionados? O bicho cresceu, ele tem força, ele poderia arrancar a corda que o prende ao toco se quisesse, mas não tem consciência disso.

Da mesma forma que não tem consciência do seu poder, também não tem consciência da sua responsabilidade: a culpa da pandemia estar assim é do Bolsonaro ou de quem votou no Bolsonaro, não de cada filho da puta que saiu de casa “por sua saúde mental”, por achar melhor “pegar logo” coronavírus ou por achar que “a vida é muito curta para ficar trancado dentro de casa”. Assim, o brasileiro nunca tem culpa de nada (a culpa é sempre dos outros) e, em contrapartida, nunca tem poder para mudar ou resolver nada.

Não vem nenhum salvador para vocês. Ou vocês se organizam e mudam essa realidade, ou vão morrer feito moscas até 2022. Neste exato momento, vocês estão na base da base da pirâmide de Maslow: lutando pela sobrevivência. Querer focar em qualquer outra coisa agora é investir tempo e energia em algo não prioritário.

O brasileiro foi tão maltratado, tão negligenciado, tão preterido, que não se acha capaz de mudar a própria realidade. O brasileiro espera que tudo lhe seja dado de cima para baixo. O brasileiro e sua eterna inércia contemplativa: contanto que tenham alguém para culpar, cruzam os braços. Ser vítima realente deve ter um ganho secundário fabuloso, pois as pessoas estão arriscando a vida de seus pais e seus filhos para ficar nesse papel.

MEXAM-SE. FAÇAM ALGUMA COISA. Não pode ser que vocês fiquem de braços cruzados assistindo a quase 2.500 mortes por dia! Não bastasse o gado bolsonarista e o gado lulista, vamos ter que assistir ao gado inerte, indo para o matadouro conformado?

Na hora de se emputecer com BBB, o povo se une em redes sociais e faz mutirão para tirar participante. Na hora quem que a vida está em risco, perde tempo debatendo uma eleição que ainda nem sabemos como vai ser ou se vai acontecer. Por favor, uma vez na vida, acertem a prioridade.

Em tempo: vamos deixar muito claro nosso posicionamento, não vamos alimentar essa dualidade, essa polarização, essa distração que é Lula x Bolsonaro. Queremos que ambos tomem no cu e não vamos dar palco para essa perda de tempo.

Para dizer que Lula ou Bolsonaro são favorecidos pela Globo, para dizer que um dos dois está com câncer ou ainda para lamentar quão errados foram seus chutes no Bolão: sally@desfavor.com

SOMIR

É claro que podemos falar de mais coisas que a pandemia. Aqui mesmo fazemos isso. Mas tem um senso de prioridade: a Sally está produzindo conteúdo informativo de alta qualidade praticamente toda semana sobre a parte mais técnica da coisa, e eu garanto que não está deixando passar nada importante: eu sou um viciado em informação e estou acompanhando também, faz tempo. Se não me sobra muita coisa para dizer sem repetir os textos dela, é porque está bem completo. Melhor que isso só um especialista formado na área mesmo, e olha lá… porque o que tem de médico defendendo absurdos como cloroquina…

Sabe-se lá quanto tempo ainda vamos ter que lidar com a parte mais séria dessa pandemia, mas quando ela deixar de ser prioridade, poderemos dormir tranquilos sabendo que enquanto pudemos, usamos a nossa pequena plataforma para dividir informação importante. O Desfavor não salvou o Brasil, mas eu tenho certeza que pelo menos ajudou uma parte do seu público a entender a gravidade do que acontecia, e talvez melhor: ajudou a dar um pouco mais de segurança para quem já estava se sentindo meio maluco por ser um dos poucos a levar isso a sério desde o começo.

Existe um fator psicológico importante em não se sentir sozinho(a) na percepção do mundo ao seu redor. Existe uma linha tênue entre ter o senso crítico bem afiado e estar alucinando quando você percebe alguma coisa que quase ninguém mais parece perceber. Às vezes basta um blog que fala sobre baixaria e faz piadas de mau gosto concordando com você para acalmar e dar mais confiança para continuar fazendo as coisas da forma que acha correta.

No Brasil, anda especialmente complicado tratar a pandemia da forma como se deve. O governo federal tentou descobrir o que aconteceria se não fizesse nada, os governos estaduais e municipais colocaram popularidade na frente de segurança quando puderam… e o povo… ah, o povo… o brasileiro médio teve um dos piores comportamentos do mundo diante da doença. Demorou vários meses para os grupos de risco levarem isso a sério, e os que não eram forçaram a barra para se aglomerar em sua grande maioria.

Muitos de nós aqui ficamos sozinhos. Ou, na melhor das hipóteses, com poucos aliados na vida real quando o assunto era isolamento social e medidas de proteção básicas. Sem coordenação do Estado e com baixa adesão da população, eu até entendo o lado de quem deixou o instinto de grupo assumir o controle e se arriscou nas ruas sem necessidade. Não eximo de culpa pela quantidade absurda de mortes que ajudou a causar, mas compreendo de onde isso veio.

E toda essa introdução é para validar o ponto deste texto: sim, era um assunto da semana. Eu mesmo saí do meu caminho para falar sobre uma ideia geral de imparcialidade, mas dando ao assunto a gravidade merecida: atualmente, quase nenhuma. Talvez tenha mudado a proporção do gado de cada lado da cerca, mas a quantidade de gado se mantém estável. Isso é, não contabilizando os que a pandemia está tirando do nosso grande pasto nacional.

Sim, a gente passou a maior parte dos anos do Desfavor batendo no Lula, putos da vida com as besteiras que o governo dele fazia e com os escândalos de corrupção que se acumulavam; sim, a gente não gosta da ideia dele estando livre para concorrer na próxima eleição, continuando a corrida pela “Venezuelização”. Se vai ser Venezuela de direita ou esquerda, não faz muita diferença no final. Lula e Bolsonaro são ególatras que vão destruir tudo o que puderem para se tornar figuras mitológicas na visão da massa ignorante brasileira.

Bolsonaro é literalmente o pior presidente do mundo durante a pandemia, mas isso não torna o Lula algo bom. O PT ainda estaria destruindo a economia com medidas populistas para assegurar mais votos, mas provavelmente compraria a vacina bem antes. É mais ou menos como dizer que é melhor ser atacado por uma pitbull do que por um leão. Claro, sua chance de sobreviver é maior, mas ainda é uma situação horrível na qual você não deveria ter se colocado para começo de conversa.

O Brasil não avançou ou regrediu muito com essa notícia. Mas enquanto as pessoas perdiam a cabeça com ela, muitos perdiam a vida com uma doença que pode ser evitada em hospitais que talvez pudessem tê-los salvado caso não estivessem em situação de colapso pelo excesso de pacientes. É por isso que falamos de prioridades: só podemos sair pela tangente um pouco para tocar nesse tema porque o resto está bem coberto. O Desfavor não baixou o grau de atenção da pandemia para isso.

E você também não deveria baixar. O que me leva ao segundo ponto da introdução do texto: se não sabe o que fazer, compartilhe informação e mantenha as pessoas ao seu redor cientes de que você continua levando a pandemia a sério. Que continua evitando sair de casa, que continua preocupado em higienizar mãos e objetos, que continua dando muita importância para o uso de máscaras. Pode parecer pouco, mas é um sopro de alívio para a mente de outras pessoas confusas com a dificuldade do brasileiro médio de fazer o básico.

Como eu disse semana passada naquele texto sobre entender os instintos humanos, é mais fácil se cuidar quando você vê outras pessoas se cuidando. É difícil fazer dieta em casa de gente gorda. O ser humano tem diversas partes do cérebro focadas em espelhar o comportamento alheio. Não é ser cabeça fraca ter o impulso de fazer o mesmo que o bando faz, foi o que te fez conseguir sobreviver desde a infância, mas quando o bando está cometendo um erro e você tem as informações necessárias para perceber esse erro, o simples fato de você ficar seguro(a) sobre o que faz e demonstrar para o resto do mundo já tem o potencial de te ajudar e ajudar muitas outras pessoas.

Não se perca na negação alheia. Você que não deixa a pandemia ir para o segundo plano e continua se cuidando está fazendo a coisa certa. Muita gente vai te “tentar” para o lado do perigo colocando assuntos como esse do Lula na frente do que realmente importa, mas só de resistir já está fazendo muita coisa. Não podemos deixar que coloquem esse assunto em segundo plano.

Para dizer que tem que fazer lockdown dos políticos primeiro, para dizer que assim que estiver vacinado vai cagar para toda essa gente, ou mesmo para dizer que só pode ter sido praga: somir@desfavor.com

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Comments (26)

  • Ah, Sally, eu não gosto quando você vem com essa história de “O inventor do WhatsApp era faxineiro”.
    Sim, ele foi faxineiro. Mas era seu primeiro emprego, ele ainda era pirralho. Depois foi para a faculdade, não concluiu e acabou criando o app. Quando você fala assim fica parecendo que ele estava ali limpando uma privada e de repente teve uma ideia revolucionária.

  • Quando vc l vá isso q sério se cuida e cuida da sua família, muitas pessoas acham que você é louca ou está surtando, eu nem ligo pra esses imbecis o importante é que estou fazendo o que eu acho que é certo .

    • Tem muita gente como você e como eu que levam a sério e cuidam da sua família. Não somos malucos e somos mais em quantidade do que imaginamos.

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    Badalhocas Perdidas

    As coisas estão tão ruins que eu tenho medo de que, em um futuro muito próximo, o Brasil deixe de existir, desintegrado sob o peso de 500 anos de desorganização, incompetência e corrupção.

    • Você teme a implosão do Brasil mas tem gente que até torce por isso. Quanto a mim, ainda não sei bem o que pensar…

  • O Brasil é uma tragédia constante, mas nunca estaremos preparados para fazer o que é certo.

    O petista que estivesse no lugar de Bolsonaro provavelmente faria convênios para trazer a Soberana II para o Brasil. Não sei qual a eficácia dela, mas é bem provável que esse “Minha Vacina Minha Vida” fosse descrito, em prosa e verso, como a nona maravilha do mundo, e mais um legado do Brasil para o mundo moderno – além do samba, futebol, carnaval e SUS, esta beleza que todo mundo elogia (mas ninguém usa).

    Seria melhor? NÃO.

    Investir em apenas uma alternativa para o Brasil inteiro, insistindo em soberania nacional quando mais se precisa de remédio, é totalmente sem noção. O ideal seria que lá atrás um Governo Federal disposto a resolver o problema tomasse coragem para mudar nossa legislação a toque de caixa, arrebentando qualquer mecanismo que impedisse a compra das vacinas “para ontem”, que é o que todo mundo deseja.

    Quem teria coragem para isso? Quase ninguém: ficamos tão iludidos com a ideia de ter um Presidente “honesto e competente” que nos esquecemos de que incompetência, para efeitos práticos, é muito pior que corrupção. Ter uma “8666” que impeça qualquer tipo de contrato leonino, na hora em que os países estão pagando o que laboratórios mercenários querem, é um absurdo completo.

    Se as 200.000 mortes ainda ensinassem ao brasileiro o que é mais importante… mas não vai acontecer isso.

    • SUS, esta beleza que todo mundo elogia (mas ninguém usa)

      Pois eu defendo, elogio e uso. Todas as vezes em que precisei fui muito bem atendido. Teve demora? Teve. Teve falta de recursos? Teve. Poderia ser melhor? Poderia. Mas nunca fiquei sem atendimento. Minha família também. Sou muito grato ao SUS por todas as vezes em que precisei, por todas as vezes em que minha família precisou, e fomos atendidos.

      • Eu também uso o SUS, e aprovo seus serviços. Quase todas as vacinas da minha filha foram na rede pública (algumas até sob protestos da minha mãe, que ficou com uma tremenda dó da pequetita por ter levado quatro picadas com 18 meses – “VOCÊ TEM COMO PAGAR VACINA, QUE CRUELDADE…”).

        O SUS é ruim para muitos porque a Federação, como um todo, é bastante desigual – sem falar na mania do cidadão brasileiro de querer ser tratado como consumidor, que traz uma péssima impressão para o sistema (que não te mima). Pagamos nossos impostos para ter bom atendimento – e isso não significa as mesuras e atitudes xexelentas da rede privada, nem o comportamento de “especialistas” que só sabem indicar os remédios dos grandes laboratórios, por motivos incompreensíveis (#sqn…).

        Se o SUS te atende, porque não usar? Você paga por ele! Só não espere tapete vermelho.

        • O SUS já salvou minha vida duas vezes. Ok, não foi nenhuma coisa de primeiro mundo, mas pra quem não tem condições de pagar ou esperar empatia de atendimento privado, é assustador imaginar não haver nada que te socorra se você precisar, ou, que se ainda te socorrer (e mesmo se você morrer), ainda vai deixar uma baita dívida para seus familiares, como acontece nos EUA. E sei lá… Quando eu estive estrebuchando nessas duas emergências, não estava muito preocupada com tapete vermelho…

          E eu creio que parte da culpa da “má fama” do SUS se dê por brasileiro não saber nem fazer perguntas aos profissionais da saúde. A gente tá vendo nessa pandemia mesmo, com qual seriedade brasileiro encara a situação. O que o médico receitar, paciente pega sem nem perguntar pra quê serve. Ouve que tá com doença X e nem pergunta causas, como age no organismo, não pergunta como se prevenir. Médico que faça milagre resolvendo o quadro do sujeito. Na verdade, se souber o que é “organismo”, vai ser muito. Se é mal atendido, vai no Twitter xingar muito, mas não abre B.O., nem procura vereadores (votou neles pra quê, então?), ou mesmo outro profissional. Não acorda 5hrs da manhã pra exame, mas acorda vizinhança inteira às 23hrs da noite de domingo em culto berrando por cura, isso sem falar dos espertinhos que arrancam vaga de alguém só pra pegar atestado pra burlar horário de trabalho. Se compra medicamento, não lê a bula, e se deixar, ainda mistura com alguma coisa que não deve, ou toma alguma coisa natureba porque “Big Pharma blablabla Illuminatis blablabla Reptilianos blablabla feto de aborto”. Tem efeito colateral ou comorbidade e não relata “porque não incomoda”. Ou abandona tratamento antes da hora por já se sentir melhor…

          • Eu conheço gente que morreu na fila do SUS esperando atendimento, muito antes da pandemia começar.
            Dependendo da cidade, uma pessoa com suspeita de câncer, por exemplo, pode demorar mais de um ano para fazer uma biópsia e começar o tratamento. Nesse tempo, o câncer se espalha, se torna incurável e mata a pessoa.

            Sim, o SUS salva muitas vidas, mas ele pode te deixar na mão quando você precisar.

  • O Brasil é uma cleptocracia e a pandemia (junto com o abre-e-fecha) só vai “acabar” quando conseguirem tirar o Bolsa de Cocô do Palácio do Planalto, mais ou menos como aconteceu nos Estados Unidos: assim que o Trump saiu, em questão de semanas a curva achatou e as notícias diárias apocalípticas sumiram.

    Por isso, eu não-ironicamente vou votar no Lula em 2022. O cara é um cleptocrata experiente, e assim que ele entrar, tenho certeza que os índices do Corona vão despencar, as coisas vão reabrir, os jornalistas vão ficar muito mais felizes, e se o jornalista está feliz, então está tudo bem e o povo pode voltar a sorrir.

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    Paulista de Macaé

    Às vezes eu me pergunto se o pessoal estava ou estão criticando o Bolsonaro por ser o Bolsonaro ou porque ele é incompetente. Mas o pessoal tá mais preocupado com coisas sem importância. tão mais interessados com as suas bolhas. Ninguém quer o bem desse país. O que importa é ter o seu bandido no poder, e mais preocupadas em ter sua vida ”normal” de volta… Eu tenho certeza, que salvo POUCOS CASOS!!! que a vida do ser humano no Brasil não vale nada.

    • Esse pessoal está interessado é em manter a zona de conforto a todo custo, isso sim.
      Claro, pra uns o mais conveniente é Lula e para outros é o Bolsonaro, mas em ambos o casos o foco é na conveniência.

  • Não me surpreenderia se o Lula se tornasse presidente de novo e mandasse prender Bolsonaro e Moro, uma coisa meio Bolívia.

  • O PT ainda estaria destruindo a economia com medidas populistas para assegurar mais votos, mas provavelmente compraria a vacina bem antes.
    Poderia até tentar isso, mas a situação iria ficar crítica mais rápido. Com Lula eleito em 2018 e sem sofrer impeachment antes do estouro de tal crise, a sua militância ia acabar boicotando as parcas tentativas no sentido de se tentar um isolamento social e o saldo de mortes seria ainda maior que o consolidado sob Bolsonaro.
    O brasileiro negligenciaria ainda mais a questão da pandemia em si e o resultado seria ainda mais nefasto que o que temos.

  • Esse corona vírus tá me deixando louco.
    Tem gente com físico de leo stronda que era saudável, jovem e morreu.
    E tem gente tipo meu pai de quase 70 anos que saiu e aglomerou que nem louco no pico da pandemia, só usava máscara onde tinha supervisão, cagou pra tudo e não pegou nada.

    • Acho que todos nós conhecemos casos assim. É um pouco da imprevisibilidade do vírus.

      Quando me falam que fulano “não tinha nenhum problema de saúde” e ficou muito mal ou morreu, respondo “nenhum que se soubesse, talvez nem ele mesmo”. Mas a verdade é que cada organismo é uma loteria.

      Sei de vários casos próximos em que um cônjuge teve que dividir a casa com a outra pessoa contaminada em isolamento, e tais cônjuges não se contaminaram – coisa que, no início, eu julgava que seria impossível, pelo menos no que se refere aos primeiros dias quando a pessoa contaminada ainda não sabe que está e, portanto, não está isolada.

      Também conheço vários casos de pessoas que não cuidam absolutamente nada da prevenção e, até hoje, não se contaminaram.

      No final das contas, acho que é tudo meio que uma loteria onde alguns estão tendo um pouco mais de sorte – só não sabemos até quando.

    • A maioria desses marombeiros toma bomba pra crescer e quem toma bomba não pode ser saudável. Tenho um amigo maromba que tá internado há dias, a mulher dele magrinha pegou e nem sintoma teve. Claro que ele jura que não tomava bomba, ninguém assume e além de músculos ele era acima do peso. Não existe gordo saudável. Eu vivo de dieta. Essa lacração que obeso é bonito prejudica as pessoas.

  • Todo mundo já sabe que esses 2 vão estar certamente no 2 turno. Por isso eu não voto mais, pago a multa que é barata. Ter que escolher entre o idiota e o ladrão, cansei de sempre ter que votar no menos pior.

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