Fala o que quer…

O jogador de vôlei Maurício Souza, 33 anos, foi dispensado do Minas Tênis Clube, equipe que disputa a Superliga brasileira do esporte. A rescisão acontece duas semanas após o jogador publicar um comentário homofóbico em sua página pessoal do Instagram sobre a bissexualidade do atual Superman, anunciada pela DC Comics. A repercussão desencadeou pressão dos patrocinadores da equipe para que Souza se retratasse, mas seu pedido de desculpas não foi o suficiente para ele seguir no clube. LINK


É tanto desfavor nessa história que nem sabemos por onde começar. Desfavor da Semana.

SALLY

Imagino que todo mundo saiba do que se trata, mas aqui vai um pequeno resumo do caso: o jogador de vôlei Mauricio de Souza fez uma postagem em redes sociais onde se via um quadrinho do filho do Superman beijando um personagem do sexo masculino, com a legenda “A é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar…”

Surgiram críticas ao fato dele 1) Associar homossexualidade como algo negativo; 2) Achar que uma história em quadrinhos pode influenciar na orientação sexual de alguém e 3) Ter a falta de noção de tratar um instrumento de comunicação de pessoa pública como se fosse uma mesa de bar.

Ele deu uma resposta ainda pior: “Hoje em dia o certo é errado e o errado é certo… Não se depender de mim. Se tem que escolher um lado, eu fico do lado do que é certo! Fico com minhas crenças valores e ideias”. Ou seja, ele parece achar que aquilo que ELE pensa é sinônimo de “certo” e quem discorda do que ele pensa é “errado”. Ainda colocou a questão de forma polarizada, com “lados”, em vez de buscar algum entendimento.

E, acreditem, o maior desfavor nem foi o que ele falou e sim o que ambos os lados fizeram com o que ele falou. Esta semana temos uma Matriosca de Desfavores: cada desfavor contém outros dez desfavores dento.

Para começo de conversa, vamos deixar uma coisa clara: nosso posicionamento sempre foi contra qualquer crime de opinião. Contra criminalizar a fala de humorista, de político, de qualquer um. Nós desejamos viver em um mundo onde todos possam falar a merda que for.

O que não quer dizer que a pessoa possa ir na sua casa te impor as ideias merdas dela. Todo mundo tem que poder falar, mas ninguém tem que ser obrigado a escutar ninguém. Liberdade de expressão é você poder falar, mas, se você é chato para um caralho e ninguém querer te ouvir, se fode aí, você não pode impor sua fala a ninguém. Esse seria o ideal.

Mas, para viver em uma sociedade onde todos possam falar a merda que for, seria desejável um mínimo de educação, civilidade e bom-senso. São coisas que não existem no Brasil, portanto, eu entendo quem argumenta sobre os perigos de deixar qualquer um falar qualquer bosta.

Em um país onde teve gente bebendo água sanitária achando que mataria o coronavírus ou tem gente dando água sanitária para o filho achando que cura autismo, palavras podem tirar vidas. Então, o desfavor não é o discurso X ou Y, o desfavor é uma sociedade desigual, sem educação, que vira as costas para a ciência e fica suscetível a qualquer merda que falem, gerando essa “necessidade” de policiar o que é falado.

Repito: nós não concordamos em criminalizar uma fala. Mas conseguimos entender (mesmo sem concordar) o ponto de vista de quem acha que nessa sociedade merda de pessoas sem discernimento uma fala pode causar danos coletivos. Por isso existem os limites impostos em lei.

O que não caracteriza censura: todo mundo pode fazer ou deixar de fazer aquilo que não estiver proibido em lei. Ou por acaso alguém vai reclamar que estão “censurando” seu direito de matar, roubar ou estuprar? Não, né? O limite social que se convencionou é a lei e, gostando ou não dela, para ter uma sociedade minimamente civilizada, temos que respeitá-la. Se você não está de acordo pode 1) tentar mudar a lei ou 2) trocar de país. O que não pode é se sentir no direito de não respeitar a lei.

Concordemos nós ou não, no Brasil hoje não é permitido vincular orientação sexual a algo negativo, como fez o jogador. “Certo e errado”? Termos que gritam “PROCESSO”. Nem precisa de lei nova para isso, já existe lei que embase essa proibição, tanto é que o fulano lá já está respondendo a várias ações criminais. Goste você ou não, concorde você ou não, é crime no Brasil falar publicamente que homossexualidade é algo negativo. E mesmo que não fosse, certamente gera obrigação cível de indenizar.

Aí vem os ignóbeis e começam a discutir sobre “liberdade de opinião” ou sobre “Crime não ser opinião”. Duas discussões sem qualquer cabimento.

Há liberdade de opinião no Brasil, tanto é que se eu quiser subir em um banquinho em praça pública e gritar barbaridades como “Holocausto nunca existiu”, “negros são inferiores” ou “gays são errados” eu posso fazê-lo. O que acontece é que eu vou ter que arcar com as consequências disso.

E as consequências não são me silenciar, e sim me responsabilizar: posso vir a responder a um processo e ter uma pena ou indenização imputada pelos meus atos. Mas, no dia seguinte, posso voltar lá e gritar as mesmas merdas. Vai pro Afeganistão e fala mal de Taliban e você vai ver se você conclui a frase ou se você pode voltar no dia seguinte e continuar repetindo esse discurso.

Da mesma forma, esse discurso de “crime não é opinião” não faz o menor sentido. SIM, no Brasil há opiniões que são consideradas crime. SIM, pode ser crime e opinião ao mesmo tempo. Um não exclui o outro. Opinião é a expressão de algo que a pessoa pensa, se esse algo que a pessoa pensa também for crime, não deixa de ser uma opinião por isso.

O cerne da questão, ninguém está discutindo: é preciso manter uma certa postura em público se você quer conservar um posto, cargo ou função. E não é assim na internet, é assim na vida.

Nós somos contra? Totalmente, como já dissemos, achamos que cada um deveria poder falar o que bem entende. Mas não somos idiotas, sabemos como as coisas funcionam e, se falarmos merda em público, entendemos e aceitamos as consequências. Eventualmente você pode ser expulso de um lugar, banido, demitido, perder amigos, perder clientes, perder sua renda, seus bens e até a sua liberdade. Vai de cada um escolher até onde que ir.

Em qualquer ambiente público, uma empresa, um consultório, uma sala de aula, um curso, uma escola ou qualquer outro, existem normas de conduta. Nós somos a favor disso? Não, pela milésima vez, nós achamos que todo mundo deveria poder dizer o que pensa, desde, é claro, que o interlocutor queira escutá-lo. Mas, as coisas são como elas são, não como a gente gostaria que elas fossem.

Hoje, se você falar de forma pública e documentada algo que configure um crime, um ilícito ou algo que gere responsabilidade civil, fatalmente você vai perder seu emprego, seus patrocinadores e provavelmente algum dinheiro. Da mesma forma se falar para um público algo que ele não queria ouvir, as pessoas vão querer se distanciar de você e de quem estiver atrelado a você.

E se você é uma pessoa que depende de patrocinadores, é inerente a esta condição ter cuidado com o que você fala para que o público do seu patrocinador não queira se afastar de você (e por consequência, dele). O patrocínio usa o dinheiro do consumidor daquele produto para pagar o patrocinado, portanto, o patrocinado não pode bater de frente com esse público.

Vale para jogador de vôlei, vale para empresário, vale para influencer, vale para todo mundo. Patrocínio é uma troca, uma permuta: o patrocinado recebe dinheiro para trazer mais público para o patrocinador. É um contrato, um trabalho. Se o patrocinado faz justamente o oposto, ele, além de tudo, é um péssimo profissional que não cumpriu o seu papel.

“Ah mas é um absurdo ter que medir o que se fala para não desagradar um grupinho”. Nós também achamos. E é por isso que há mais de dez anos a gente se fode sem ganhar um centavo aqui, bancando tudo do próprio bolso: para poder falar tudo que queremos. Ou por acaso alguém vai na casa do patrocinado, coloca uma arma na sua cabeça e o obriga a ser patrocinado? A pessoa escolhe. Ela se vende. E, se ela se vende, ela que entregue o que vendeu.

Querer que alguém te banque e ao mesmo tempo poder falar tudo que te vem à cabeça é um privilégio que só temos na infância. Um adultinho que pleiteia isso está totalmente fora da realidade. Sobretudo quando é uma pessoa pública, como um jogador de seleção. “Ain mas não pode falar o que pensa então?”. Pode, tanto é que ele falou. O que não pode e choramingar na hora das consequências.

Pessoas públicas tem que gerir sua imagem, pois sua imagem é parte do seu trabalho e parte do seu ganha-pão. Você tem que escolher: se falar tudo que pensa vai ter consequências e provavelmente você vai ter que se bancar sozinho, perdendo emprego, patrocinadores e anunciantes. O que vale mais para você? Para a gente vale mais poder falar o que queremos, por isso não pegamos dinheiro de patrocinador, inclusive de vocês leitores, que muitas vezes nos sugeriram que tornemos o blog pago.

Em vez de discutir opinião x crime ou liberdade de expressão ou todas as bostas que estão discutindo, não seria o caso de dar um choque de realidade em famosinhos para que entendam que qualquer pessoa no mundo que fala o que quer arca com consequências negativas? Vai você falar pro seu chefe ou seu cliente o que pensa dele! Por qual motivo famosinho estaria isento dessas consequências?

Erra todo mundo: quem pede direitos iguais e depois pula quando falam mal de sua “categoria” (spoiler: falam mal de todo mundo, igualdade é poder ser detonado também) e erra quem acha que pode falar o que quiser sem consequências. Dois sem-noção que são dois lados de uma mesma moeda de mimadinhos que não aceitam serem regidos pelas regras sociais que todos os mortais que fazem algum tipo de contrato (verbal ou escrito) tem que se sujeitar.

A moeda de troca com patrocinador é clara: ele te dá dinheiro, você divulga de forma positiva a marca dele. Por qual motivo um vegano não é patrocinado por um açougue? Por seu discurso gerar uma resposta negativa aos consumidores de carne e não vai aumentar as vendas.

Meus amores, bem-vindos ao mundo real: se querem dinheiro de uma empresa, o conteúdo que vocês geram tem que agradar aos consumidores dessa empresa, para que ela venda mais e recupere o dinheiro que investiu em você. É um negócio. É uma transação. É um contrato. Lamentável que isso tenha que ser explicado. Não gosta? Não tenha patrocinadores. Não trabalhe para quem tem patrocinadores.

E, como cereja no sundae, ainda teve Bolso-Filho sugerindo que se boicotem os patrocinadores que exigiram a saída do jogador. Me explica como se boicota uma produtora de aço? Indo morar em uma palafita? Passando a andar de charrete?

Parece que o Brasil tem uma tara para olhar para os sintomas, mas nunca para a doença que os causa. É por isso que não vai resolver o problema tão cedo…

Dica para a vida: quando você aceita um cargo, um posto, um emprego ou um patrocínio, você tem que dançar a música de quem te paga. Não gosta? Faz que nem a gente, abre sua própria empresa, seja seu próprio patrão e não ganhe um centavo com seu blog. Aí sim você vai poder fazer o que quiser. Fazer o que quiser bancado pelo bolso alheio só cola até os cinco anos de idade.

Para dizer que somos bolsonaristas, para dizer que somos lacradores ou ainda para dizer que sim, você quer falar tudo que pensa e receber para isso: sally@desfavor.com

SOMIR

Bom, acho que não dá para ser muito mais didático que a Sally no texto dela. Faço dela a minha opinião. Mas para não perder a viagem, vou sair um pouco pela tangente e falar sobre como nossas opiniões aqui vão se desconectando do discurso político popular com o passar dos anos.

Quando começamos o Desfavor, quase 13 anos atrás, éramos pessoas diferentes, como obviamente se espera num período de tempo desses: se você não acha que o que pensava mais de uma década atrás não é o melhor que você pode pensar, é porque você parou de aprender. Estava até conversando com a Sally pouco tempo atrás: o Desfavor nos “forçou” a desenvolver praticamente todas nossas visões de mundo e ir estudar sobre elas. E quanto mais você faz isso, mais você tende a buscar uma espécie de meio termo técnico entre o que enxerga do mundo e o que espera dele.

A expectativa de um mundo com liberdade de expressão total continua aqui. Já escrevi textos e mais textos expondo a opinião de que sem a liberdade de falar o que pensa, o ser humano tende a definhar intelectualmente. Mas o que talvez nunca tenha sido expresso claramente nesses textos, e o que eu pretendo cobrir dessa vez, é a relação entre liberdade de expressão e evolução do pensamento.

A consequência é parte integrante do processo. Muita gente parece achar que liberdade de expressão é algo positivo só porque tira os limites do que as pessoas podem ou não pensar, mas não é bem assim. Você sempre foi livre para pensar o que quisesse. Mesmo numa sociedade opressora, com censura institucionalizada, as pessoas ainda têm todo tipo de ideia subversiva. Não há controle mental nesse nível, pelo menos com a tecnologia atual.

Mas pensar o que quiser não é necessariamente sinônimo de capacidade de evolução mental. Você pode pensar inúmeras bobagens sem conexão com a realidade e até mesmo se perder nelas, construindo opiniões complexas em cima de bases absolutamente estúpidas. A realidade é cheia de variáveis e pontos cegos, coisas que se tentarmos enfrentar sozinhos, muito provavelmente vai nos levar a ideias totalmente erradas.

Não é à toa que a humanidade avança pelo trabalho em conjunto de diversas mentes: uma pessoa vai somando à outra, diversas mentes analisando as possibilidades, e com tantos ângulos diferentes sendo comparados, aumenta e muito a nossa chance de ter uma visão mais completa das coisas. Duas cabeças funcionam melhor que uma. Bilhões então…

E por que eu falo disso neste tema? Porque parecem ter esquecido desse detalhe importante da liberdade de expressão: ela existe para que tenhamos mais e mais possibilidades de comparar pensamentos. Agora, isso só funciona se pudermos fazer com esses pensamentos gerem consequências no mundo real. Eu só posso aceitar sua ideia se tiver acesso a ela, mas eu só posso perceber problemas nela dessa mesma forma. Liberdade de expressão com liberdade de consequência não resolve o problema fundamental de ter uma mente isolada do resto da humanidade.

Esse tipo de liberdade de expressão idealizado por muita gente é basicamente pensar em voz alta. Você pensa o que quiser, como sempre pode, e quando vai externar esse pensamento para o mundo, quer que continue tendo a mesma consequência do pensar isolado, vulgo nenhuma. Que diferença faz isso para a sociedade? Cada um falando exatamente o que pensa sem tentar conectar as ideias com as de outras pessoas? Isso não significa nada na vida real. É como ter um microfone que capta pensamentos ligado o tempo todo.

Do que adianta a minha ou a sua ideia se elas não podem ser comparadas? Vamos apenas depender da sorte de algum indivíduo enxergar as coisas perfeitamente para ter alguma chance de avanço intelectual na espécie? Mesmo gênios como Newton e Einstein tinham que ter acesso às ideias de outros e enfrentar discussões com outros cientistas para chegar às conclusões que chegaram. Todo inovador diz que se baseou em ideias que vieram antes dele, porque é assim que as coisas funcionam.

Mas o que isso tem a ver com um jogador de vôlei reclamando de dois desenhos se beijando? É a mesma base: ele externou um pensamento, que nunca foi proibido de ter, e esse pensamento gerou consequências no mundo real. Sim, eu vou colocar no mundo a ideia de que é estupidez tirar o emprego de uma pessoa por uma opinião dessas, mas ao mesmo tempo eu sei que não é assim que as coisas funcionam nessa sociedade. Eu enxergo a postagem dele como estúpida e ainda sim acho que não é para ele ser punido por ela.

Só que um pensamento isolado da realidade não serve pra nada. A realidade é que estamos vivendo numa sociedade que está mudando aos poucos uma visão bizarra sobre homossexualidade ser algo errado. Não alcança todo mundo ainda, mas não quer dizer que não está lá. Depois de milênios de idas e vindas, a sociedade ocidental finalmente está deixando essa estupidez para trás. Aceitar que algumas pessoas são gays, bissexuais e etc. é a evolução do pensamento humano acontecendo em tempo real. Claro, muita gente ainda está irritada com isso, mas unanimidade nunca vai ser uma expectativa real para grupos humanos.

A opinião de Mauricio caiu num mundo que gera consequências para ela. Esse é o único jeito da mente humana evoluir. Eu queria viver num mundo onde o método de gerar essas consequências não fosse lacração de rede social tirando o sustento de pessoas que só falaram algo idiota, mas ainda não vivemos nele. Nada nesse mundo é ideal. Se você recebe dinheiro de uma empresa para fazer a imagem dela parecer boa e pelas suas ações faz ela parecer ruim, não deveria ser surpresa perder esse dinheiro, não?

Hoje em dia, estamos vendo a liberdade de expressão sofrer alguns baques, coisas das quais reclamamos sim aqui com o passar dos anos, mas o que realmente vai se tornando um desfavor é como os dois lados dessa discussão parecem estar se descolando da ideia de comparar ideias para achar a melhor delas: de um lado a “direita de costumes” pleiteando falar o que quiser sem que ninguém dispute suas ideias, do outro a “esquerda de costumes” querendo que seja proibido falar qualquer coisa que não queiram ouvir.

E no meio do caminho, as pessoas que não querem ficar estagnadas em dogmas políticos preguiçosos e lidar com a complexidade do pensamento humano, sabendo que existem riscos, sabendo que existem concessões. Somos anônimos e não ganhamos um centavo com o Desfavor, esse é o custo de falar o que quisermos ao mesmo tempo que aceitamos que existem consequências. Quer ser que nem o Desfavor? Não aceite patrocínios de grandes empresas que se borram de medo de uma polêmica de rede social. É infantilidade achar que vai fazer tudo o que quiser sem consequências, ou mesmo achar que todo mundo tem que se adaptar ao que você quer. Mitadores e lacradores ficam cada vez mais alérgicos à realidade com o passar do tempo. É por isso que recebemos críticas dos dois lados: podemos não acertar sempre, mas pelo menos ainda nos preocupamos com a verdade.

A regra nunca mudou, só está passando pela fibra ótica agora. Quem fala o que quer ouve o que não quer. Faça o que quiser na sua casa, porque da porta pra fora é ambiente público.

Para dizer que é a mesma ideia da Sally só que chata, para dizer que tem 17 anos e acredita em verdades absolutas, ou mesmo para dizer que ninguém deveria ter liberdade de nada: somir@desfavor.com

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Comments (24)

  • É incrível, mas ainda tem quem não entenda que tudo na vida tem conseqüências e contrapartidas. Quem faz mau uso do privilégio de poder se expressar livremente paga o preço perdendo amizades, fontes de renda ou, em casos mais graves, até a própria liberdade. Usufruir desse privilégio requer uma sensatez que muita gente por aí ainda não tem. Não é sobre falar o que se quer, é sobre ser capaz de arcar com as conseqüências do que se diz.

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  • O PLC 122/06 não andou por politicagem da bancada evangélica. Chegaram no ponto de ir entrar com ação no STF de ADPF querendo estender o cobertor da lei 7716/89 para os LGBT+. E esse é um ato continuo nisso.
    Ainda que ele nao tenha punição a contento do ponto de vista penal, ele pode se danar com processo no campo civil, até porque a turma LGBT+ é cheia de lobby nos bastidores.

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    • Tem punição penal sim. Essa mania do brasileiro de fazer lei específica para tudo é pura diarreia legislativa. Há lei punindo preconceito de forma ampla, inclusive por orientação sexual.

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      • Se você vai me citar a 7716 (que aliás, tem uma redação que é um desfavor), me desculpa, mas não passou. Tinha projeto em fase de tramitação, mas não sei o que deu, até porque se fazem uma mudança em uma das casas legislativas e tinha sido aprovado de outra forma na outra, volta pra casa onde o projeto que foi alterado foi aprovado originalmente.
        Pode ser alguma mais recente com numeração na faixa dos 13 mil ou dos 14 mil que eventualmente tenha passado por conta do pinklobby pressionando.
        Corrupção é o menor dos problemas quando o objetivo é fazer o direcionamento do poder público em favor de interesses particulares.

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        • Você realmente acha que tem uma ação com uma lei que não existe? Estamos neste nível?
          JÁ EXISTE LEI. Tá difícil de entender?

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          • A redação da lei 7716/89, que originalmente tratava de preconceito contra raça e cor foi expandida para agregar vários crimes de preconceito, mas não contempla o público LGBT pelo fato de que PLC 122/06, que tinha vistas a estender isso ao preconceito por conta de orientação sexual foi dinamitado demagogicamente pela bancada evangélica, que usou disso pra autopromoção. O pessoal militante LGBT+ foi inclusive recorrer ao STF com ADPF por conta da questão querendo estender o alcance da lei a eles, mas isso ficou prejudicado por conta da interpretação restritiva da legislação penal.
            Se entrarem com indiciamento penal, vão perder e não vão conseguir nada além de gerar mais uma litigância desnecessária. Se entrarem com indiciamento civil, podem ter ganho de causa pelos danos morais eventualmente causados.
            Entendeu ou quer que eu desenhe?

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              • Esse foi o evento do LOBBY dos LGBT+ tentando forçar o cobertor da lei 7716/89 para criminalizar a questão e inclusive com partido apoiando tal desventura no STF.
                Tal demanda acabou PREJUDICADA. Houve alguma pressão para se criminalizar a homofobia por conta da pressão criada pela ADPF que visava fazer com que o dispositivo (que inicialmente só criminalizava o preconceito por conta de raça e cor) fosse estendido aos LGBT+, mas isso empacou no Congresso, onde a bancada da bíblia tem poder relevante.
                Fizeram projetos, mas nada andou na prática. Se andasse, até poderíamos ter punição na prática, mas não é o caso.

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                • Vou repetir quantas vezes seja necessário até você entender (ou até minha paciência acabar):
                  NÃO É NECESSÁRIA NENHUMA LEI ESPECÍFICA, COM A LEGISLAÇÃO VIGENTE JÁ É POSSÍVEL PUNIR

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  • Por que o Sikera Jr pode? Ele é homofóbico abertamente, vivem metendo processo nele, ele ganha e ainda vira o processo contra quem meteu e ganha dinheiro, depois vai no program se vangloriar que ganhou mais uma. Aí o pessoal acha que pode também, mas parece que só o Sikera Jr que pode!
    https://youtu.be/VC2t1-rAECI

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  • o legal desse negócio de conspirações, de movimentos internacionais que fazem e acontecem, é que, independentemente de serem verdadeiras, servem de distração em relação a problemas mais locais que representam uma trolha no cu muito maior dos cidadãos

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    • Será que o Sikera Jr entra na categoria velho sequelado que fala o que quer e ninguém muda a cabeça do velho? E no fundo ninguém liga porque ele é um velho sequelado, quem quer ser igual a ele? (Ignorando os milhões que ele ganha, claro).
      Já um jogador de volei de elite, esse sim é um modelo. Geração saude, heroi esportista, um verdadeiro exemplo pra criancinhas.

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      • Sikera Jr é mais inteligente ao escolher seu entorno: durante muito tempo foi pago por pessoas que pensavam exatamente como ele, isso lhe permitiu falar o que queria sem perder dinheiro.

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    • De fato. Pessoal se preocupa mais com jogador falando merda do que com o pessoal tentando achar comida em caminhão de lixo. Se bem que mesmo sem essa polêmica não tinha tanta atenção pro segundo caso…

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  • Não era só processar o cara, fazer ele pagar uma multa? Ele vai ter que se aposentar agora e não vai mais poder jogar em time nenhum?

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  • “Para a gente vale mais poder falar o que queremos, por isso não pegamos dinheiro de patrocinador, inclusive de vocês leitores, que muitas vezes nos sugeriram que tornemos o blog pago.”
    Que tal um Patreon ou uma caixinha de doação do PayPal? Quem quiser doar algo doa.

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    • Por enquanto as contas do Desfavor estão dentro das nossas possibilidades. Se algum dia tivermos dificuldade financeira para manter isso aqui rodando, claro que vamos pedir ajuda para os impopulares (ou achar outro jeito de fazer as coisas, mais barato).

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    • Teve uma vez que eles falaram que o aite ia ser pago e muita gente se prontificou, mas era trollagem. Eu por ex pagaria porque aqui tem mais informação do que noticiários, aliás noticiários estão uma bosta. Eles fazem por hobby e pelo gosto de informar e nos divertir, eu acho fofo isso. Falando em diversão, amanhã vai rolar postagem C.U de fim do mês? Dia das bruxas com Culloween hahaha

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  • Antigamente eu tinha pena desse negócio de pressionar pra que pessoas famosas percam o patrocínio etc… mas atualmente não. Não é como se não houvesse um cálculo político por trás e as pessoas não pudessem capitalizar em cima do martírio.
    “ah porque cultura do cancelamento, ditadura do politicamente incorreto”
    Tem uma verdadeira indústria da “””guerra cultural””” (que nem existe, mas enfim) pra quem quiser trabalhar nesse nicho. Agora o jogador de vôlei vai lá virar deputado, dar palestra no Brasil Paralerdo, vai até ganhar mais.

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