Dessa vez não temos uma notícia específica para guiar a coluna, e sim uma combinação de fatores que nos levam a perceber um problema: o tempo está ficando curto para uma terceira via que desafie Bolsonaro e Lula. Não era para ser tão difícil assim, mas acaba virando o Desfavor da Semana.

SALLY

O tema de hoje não está estampado em nenhuma notícia específica, mas pode ser depreendido de quase todas as notícias envolvendo o Brasil: Bolsonaro e Lula estão deixando muito fácil a vida de quem quer ser oposição a eles e, ainda assim, não surgiu uma terceira via decente para concorrer com eles nas eleições do ano que vem.

Bolsonaro é uma diarreia ambulante que não consegue sequer reduzir o jato de merda à medida que as eleições se aproximam. Ele continua bostejando com a mesma frequência e potência, não importa o quanto sua popularidade caia.

Um exemplo: fez discurso público no exterior afirmando que incêndio na Amazônia é intriga da oposição e alegando que a floresta amazônica não pode pegar fogo por ser úmida. Tem trocentos zilhões de vídeos da floresta amazônica em chamas, mas, ainda assim, ele via lá e diz que é tudo mentira. E nem para a base dele ele consegue ser simpático: depois de dois anos gritando que eleição no país é fraudada e instigando os otários a exigirem voto impresso agora, do nada, ele diz que confia nas urnas eletrônicas.

E, mesmo aqueles que ainda o cercam, embarcam em devaneios. Não tem uma voz da razão. A revista sobre economia mundialmente conhecida e respeitada “The Economist” publicou que o governo brasileiro está afundando a economia do Brasil e que está fazendo tudo errado. Vários especialistas de renome concordaram. Paulo Guedes declarou publicamente que “estão todos errados”. Inflação subindo, real desvalorizando, mas ele não está errado.

É esse tipo de oposição que uma terceira via precisa derrotar, pois Lula já está queimado, só é uma opção “menos pior” do que Bolsonaro. Se surgir alguém “menos pior” do que Bolsonaro que não responsa a 15 processos e que não tenha sido preso por corrupção, provavelmente muita gente vai preferir. Ainda que uma militância demente insista em versões fantasiosas, mesmo se a gente esquecer os processos, tem toneladas de material documentando as contradições, mentiras e traições do Lula.

Tá fácil. Tem uma avenida aberta para novas caras. Tá favorável. E, ainda assim, não conseguiram consolidar uma terceira via decente, faltando menos de um ano para as eleições. Eu não sei explicar os motivos disso estar acontecendo, mas é um tremendo desfavor que o brasileiro seja obrigado a escolher entre Lula e Bolsonaro.

E, se você entende minimamente de política, sabe que uma terceira via que derrote esses dois não é algo que pode surgir faltando poucos meses para as eleições. Ou surge agora, ou a terceira via de vocês vai ser o Cabo Daciolo orando no monte.

“Mas tem o Ciro”. Sim, um lunático, coronelista, destemperado, cujo irmão não tem muito tempo tentou passar por cima de pessoas com um retroescavadeira. O Ciro, um barril de pólvora prestes a explodir com qualquer apertão. O Ciro, macaco velho que nem em seu auge na política conseguiu se eleger. O Ciro, que não faz nem duas semanas avisou que estava suspendendo sua candidatura.

“Mas tem o Dória”. Não me entendam mal, eu gosto do Dória. Não fosse o Dória comprar vacina, tinha morrido o dobro de brasileiro, pois Bolsonaro só comprou quando viu que o Dória estava comprando. João Vacinador! Com todos seus defeitos, eu votaria no Dória e ele nos rende fotos maravilhosas para a coluna “Anula Eu”. Você vê que ele vive em outro mundo, ele olha para pobre com aquele olhar curioso que a gente olha para animais raros. Mas eu acho muito difícil o brasileiro votar em um rico de calça bege e suéter.

A única alternativa que não é figurinha repetida é o Moro, que resolveu sair de casa para passar vergonha. Odiado por quem vota com a esquerda (por prender o Lula) e por quem vota na direita (por virar as costas e queimar o Bolsonaro), o Moro só consegue o voto de sua mãe. A menos que os marketeiros operem um milagre (como aconteceu com a primeira eleição do Lula) ele não se elege. Tem que ensinar ele a falar direito, mudar essa voz de gás hélio e fazer com que ele pareça mais com um humano do que com um robô.

Na última eleição ganhou um deputado boca suja conhecido por bater boca com traveco e com o Rafael Pilha no Superpop. Percebe-se que não é difícil vencer eleições presidenciais no Brasil. O candidato só precisa de uma coisa para ser votado: carisma. Não precisa entender de economia, não precisa ser honesto, não precisa nem saber o que faz um Deputado Federal para ser o Deputado Federal mais votado. E nem assim aparece um filho da puta.

Não é difícil, sabe? Basta não ser uma pessoa completamente desagradável, intragável e não-apresentável (ou apenas fingir não ser). Tanto Bolsonaro quanto Lula estão tornando a vida de uma terceira via muito fácil, pois, dia sim, dia também, falam algo absurdo.

Bolsonaro reescrevendo e cortando questões do ENEM é o outro lado da moeda de Lula falando que tem que regular as redes sociais. Lula, Mr. Democracia e Liberdade de Expressão, que mandou deportar jornalista que disse que ele tinha problemas com bebida. Lula, que oprimiu tanto as pessoas com politicamente correto que as fez votar em um coadjuvante do Superpop. A gente não esquece quem é quem, Lula é um lixo tão lixo como Bolsonaro. Ambos burros, ambos toscos, ambos pouco democráticos, ambos corruptos.

E não só não surge uma terceira via, como ainda tem gente brigando por esses dois! Eu entendo quem vai votar em qualquer um dos dois, envergonhado e contrariado pela decisão que está sendo obrigado a tomar, mas gente que sai na briga por causa desses ignóbeis? Ambos já provaram que são mentirosos contumazes, ególatras e desonestos no grau máximo.

Olha, não precisa nem ser político para ser terceira via. O Deputado Federal mais votado da história do país era um palhaço (palhaço de circo, não adjetivo) que cantava músicas racistas. Um palhaço que cantava “Essa nega fede, fede de lascar/Bicha fedorenta, fede mais que gambá/ Veja os cabelos dela/Parece bombril de ariar panela/ Quando ela passa, me chama atenção/Mas os seus cabelos, não tem jeito não/A sua caatinga quase me desmaiou/Olha eu não aguento, é grande o seu fedor”.

Não estou brincando, um funkeiro, uma apresentadora de programa infantil, um Youtuber e até uma pessoa que virou Meme pode se tornar Presidente da República no Brasil. Tudo que se pede é que tenha bastante carisma. Custa? Custa um filho da puta com carisma matar no peito e se candidatar?

Parece que custa. Mesmo com todo o entorno favorável, não surgiu ninguém. É inacreditável que, depois do que ambos fizeram, o brasileiro seja obrigado a escolher entre Lula e Bolsonaro ou qualquer outro idiota que já teve poder suficiente para mostrar que não vale um voto.

Para dizer que o brasileiro não vale um bom político, para dizer que se Tiririca fosse candidato à presidência poderia ganhar ou ainda para dizer que só vai deixar para pensar nisso quando faltarem três meses para as eleições: sally@desfavor.com

SOMIR

Antes de começar, uma palavrinha sobre o julgamento de Kyle Rittenhouse que terminou ontem nos EUA: eu escrevi um texto sobre o assunto logo depois do fato, e o veredicto confirmou o que eu tinha apurado naquele momento. Ele pode ser um imbecil, mas o que fez foi mesmo legítima defesa. E todos os envolvidos eram brancos, por sinal. O ângulo de supremacista branco foi inventado aqui no Brasil por gente muito desinformada. Se querem uma opinião sobre o assunto, eu mantenho a mesma do texto do ano passado.

Agora, sobre os problemas brasileiros: que tivemos um governo corrupto e irresponsável com Lula e que temos um governo ainda mais corrupto e irresponsável com Bolsonaro não deveria surpreender mais ninguém a essa altura do campeonato. Um segundo turno com os dois só é um prospecto interessante para os fanáticos e para os aceleracionistas.

Eu fazia parte do segundo grupo, mas começo a rever minha análise da situação: até para fazer as coisas errado precisa de alguma competência. Temo que o Brasil não consiga produzir competência no nível suficiente para causar a destruição e reconstrução do sistema falido no qual vivemos. Bolsonaro tem características valiosas para ser destrutivo: a mistura ideal de burrice e arrogância para insistir na burrice. O problema é que ele não gosta do trabalho.

Bolsonaro seria um bom destruidor de países num sistema autocrático, onde ninguém conseguisse desafiar suas ideias incrivelmente estúpidas. Mas num sistema democrático, mesmo um cheio de problemas como o brasileiro, cidadão tem que ser muito focado na missão para vencer a resistência dos outros poderes. Bolsonaro quer ficar passeando de moto e dando ordens aleatórias para se sentir mais importante do que realmente é. Se ele e os amigos estiverem juntando dinheiro nesse meio tempo, ele engole os sapos que precisar.

O presidente está encostado, mais interessado em segurar a boquinha pelo tempo que puder do que propriamente governar. Ele vai ficar lá enquanto deixarem, e pra isso segue a cartilha lulista de subornar o Legislativo. Está funcionando: depois do que fez na pandemia, já deveria ter sido expulso faz tempo. Bolsonaro é um fisiologista por natureza: quer ganhar o seu dinheirinho e fingir que trabalha o máximo de tempo possível.

Já no sentido oposto, Lula gosta demais do trabalho: mesmo fazendo um monte de coisas erradas, não podemos ignorar que poucos presidentes brasileiros pareceram gostar tanto do trabalho quanto ele. Negociou até a alma nos seus oito anos, e ainda estava trabalhando no mandato e meio de Dilma. Lula vende a mãe dele e a sua para ficar no poder. Tem jeitinho pra tudo desde que o deixem ficar com a pose de grande líder do país. Se você for buscar os textos antigos do Desfavor sobre ele, vai perceber que era exatamente o nosso ponto de crítica: ética zero e ambição infinita.

É fácil bater nos dois de acordo com o que já fizeram com o Brasil: decisões bizarras que cada dia se parecem mais, intervindo ideologicamente para agradar o gado que garante seus votos, vendendo o país para qualquer corrupto que garanta sua permanência no cargo, e fazendo qualquer loucura com a economia desde que isso deixe o povo mais manso nas vésperas das eleições.

Mas como Bolsonaro é o problema mais recente, é de se imaginar que suas maluquices estejam mais frescas na memória do brasileiro. Isso deixa o Lula um pouco mais forte, o suficiente para estar no topo das pesquisas atualmente. A esquerda brasileira parece ter se vendido de volta para Lula, o que complica bastante a organização de uma candidatura paralela com essa inclinação ideológica. Ciro deve dar com os burros n’água mais uma vez, e se tivermos uma terceira via minimamente viável, vai ter que ser na linha “Bolsonaro, mas menos imbecil”.

O que, francamente, não é uma meta muito difícil. Em tese, a “terceira via” deveria se unir em volta de algum nome que consiga entregar uma agenda liberal na economia, mas que não seja um buraco negro de carisma como os outros candidatos com esse alinhamento na eleição passada. Bolsonaro foi um fenômeno sim, mas convenhamos que sem Lula e disputando com Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin, ficou mais fácil.

É só não ser um fracasso absoluto de carisma. Paulista vota em qualquer coisa se for do PSDB, se colocar um cone de trânsito para disputar o governo de SP, ele ganha no primeiro turno. No resto do país que a coisa exige um pouco mais de esforço. Dória e Eduardo Leite vem com uma série de dificuldades, o primeiro tem nojinho de 99% da população brasileira, o segundo é gay. O que não deveria ser um problema, mas ainda é, e um sério. Nem estou discutindo se eles seriam bons candidatos ou se são honestos, estou só falando de um ponto de vista de carisma eleitoral.

Moro? Bom, eu tenho a opinião básica que boa parte da mídia tem, a de que ele é muito odiado por fanáticos de esquerda e direita para ser viável, que não tem carisma nem treinamento de mídia; e uma opinião bem impopular, mas bem impopular mesmo: Moro tem um layout de pobre de terno. O Lula ficou com uma cara de novo rico com o terno, mas o Moro sempre vai parecer que está voltando do culto. Brasileiro gosta de político com cara de chefe. Moro não tem cara de chefe. Joguem pedras.

Por mais bizarra que fosse a ideia, eu achava mesmo que o Luciano Huck era a candidatura mais viável como terceira via. Provavelmente ele tem tanto esqueleto no armário que quando percebeu que iam fuçar a vida dele toda resolveu pular fora. Ou não queria entrar nesse manicômio mesmo, o que eu acho até razoável. Eu só votaria num candidato como ele se fosse contra Lula ou Bolsonaro, mas que perderam uma chance de candidato com carisma suficiente para enfrentar a dupla, perderam.

E aí, ficamos amarrados na situação atual: Lula e Bolsonaro consolidando suas candidaturas, e a terceira via perdendo o bonde da história. Começar em 2022 provavelmente é tarde demais. Sim, era difícil imaginar que tanta gente se organizasse em prol de um objetivo comum, ainda mais gente ambiciosa como os políticos, mas tinha uma janela de oportunidade. Antes do Lula conseguir fazer o povo ir esquecendo do maluco que é, enquanto o Bolsonaro faz besteira atrás de besteira…

Mas agora eu acho que a chance já está passando. Estamos caminhando a passos largos rumo a uma eleição entre Lula e Bolsonaro. De novo. Não importa quem ganhe, nós perdemos. A gente se vê com algum fato novo em 2026, pelo visto, porque o único trabalho de dar uma opção para os dois não foi feito.

Para dizer que a gente deveria ter falado dos EUA, para dizer que vota no cone de trânsito, ou mesmo para dizer que seu culto religioso é melhor que o culto religioso dos outros: somir@desfavor.com

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Comments (32)

  • Hosmar Weber Júnior

    quais os elementos coronelistas em relação ao Ciro? nenhum né, é apenas xenofobia contra o povo nordestino

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        • Ciro cagou no pau. Vai depender muito da sorte pra lamber na rapa do tacho do outro coroné, que apesar de ser do Pernambuco, fez sua fama em São Paulo.
          A Sally já disse um monte quanto a esse ser aqui e eu digo mais… Não fica confiando muito nele até porque ele é amigo de longa data dos Jereissati (que são podres de ricos… com trocadilho, é claro), sendo que sair da roda tucana pra se alinhar ao lulismo foi uma boa tática pra se salvar.
          Ainda que isso não tenha garantido grandes vitórias no campo político pra ele, dá pra vender uma imagem mais palatável aos fieis da Igreja do Santo Martir Chegue Vara com aquela conversinha mole de tirar o nome dos endividados do SPC sendo que na prática a proposta era basicamente securitizar a dívida e deixar os devedores na canga garantindo um almoço grátis pra bancos e financeiras.

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          • É se conhecimento público, por favor…
            É como um cerumano que veio aqui me “confrontar” pedindo “provas” que a vacina funciona e quando eu respondi com uma frase igualmente desanimada a pessoa veio com um “AH TA VENDO NÃO TEM ARGUMENTO”. Canseeeeira

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  • “Em tese, a ‘terceira via’ deveria se unir em volta de algum nome que consiga entregar uma agenda liberal na economia (…)”

    Eu nem teria nada contra isso se esse “liberalismo econômico” fosse algo como (dentre várias possibilidades) um desafogamento tributário do médio/grande empresário que permitiria, talvez, manter sua margem de lucro e dar melhores condições de trabalho e de vida a seus funcionário (“colaborador” de cu é rola!), ou seja, um “liberalismo” que trouxesse prosperidade a todos. Mas o fato é que “liberalismo” no shithole bananalândico é sempre a face mais radical desse discurso, traduzida no eterno “estado mínimo” (mas que tem sempre que estar a postos com as burras cheias quando o “empresário” começa a claudicar e precisa de dinheirinho de todos nós pra saldar suas dívidas). Ao invés de permitir que uma universidade federal faça uma parceria com empresa privada pra pesquisar e desenvolver um produto novo, eles preferem meter tudo à venda, dizendo que universidade pública é antro de maconheiro comunista pervertido. É tudo sempre apelativo, extremo, passional demais. Não se vê meios-termos. E nesse aspecto, o “liberalismo” aqui sempre vai ser comandado pelos faria losers da Paulista, enxarcados da breguice gringa (olha lá o touro que não nos deixa mentir). E eu até nem sei se esse tal “liberalismo”, no final das contas, não é essa coisa radical mesmo de que “pobre tem mais é que se foder” em escala universal.

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    • Adorei o seu comentário, Charles D.G.. Especialmente a parte do ““colaborador” de cu é rola!”.

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      • Qual o real objetivo de se fazer de uma rola um colaborador de cu?
        É sem nexo essa frase. Será que se desenhar melhora?

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        • Não conhece essa expressão? É um jeito extremamente grosseiro de demonstrar total descontentamento e/ou discordância com alguma coisa dita ou inisnuada. Neste caso, o que causou descontentamento é o uso da palavra mais politicamente correta”colaborador” em vez do bom e velho “funcionário” por muitos chefes de empresas hoje em dia. Por isso, as aspas em “colaborador”. Mais detalhes podem ser vistos aqui: https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/de%20cu%20%C3%A9%20rola/873/

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        • Caro Anônimo: não me pergunte, porque a frase ” de cu é rola” realmente não tem o mais remoto nexo, mas é gíria carioca da gema e, portanto, é esperado que seja um disparate total. Grato pela compreensão.

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    • Dado o que se entende pelo termo hoje, compreendo de onde vem seu comentário. No entanto, de modo a não ficar preso na falácia, recomendo a ler sobre o liberalismo (pode começar por Hobbes e Smith, se preferir).

      O problema não é o Estado mínimo, e sim coisas como iguais oportunidades (em exemplo, equidade, liberdade de escolha e direito à propriedade de si, coisas que não se vê no aclamado comunismo quando se lê “Sobre a Questão Judia”, de Marx). “Meritocracia” virou essa merda justamente pela maneira que é aplicada a partir da leitura rasa.

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      • Eu recomendaria ler coisa mais atual, sobre neoliberalismo nos anos 70, autores como Bognar, Brook, London etc. Smith e Hobbes são clássicos, que se aplicam melhor ao contexto lá de séculos passados…

        E sim, neste caso concordo com o comentário do D. G., tudo ficou extremo demais e apelativo.

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        • Neoliberalismo virou xingamento, se é que você não sabia.
          Ótimo pra turminha da esquerda populista (do naipe de Lula, de peronistas ou de gente como Daniel Ortega por exemplo) consolidar o poder em suas próprias mãos.
          E vem me dizer que a política de privatizações pontuais no correr dos anos 80 e 90 foi neoliberal. Conta outra. Mais do mesmo daquilo que chamam de “capitalismo de compadres”, só que com nova roupagem e fatores novos em favor de alguns entes privados.
          A Telmex mesmo saiu das mãos do governo mexicano pra ir pras mãos do magnata Carlos Slim, sendo que lá se passou de um monopólio estatal para um quase-monopólio privado. A concentração de poder da Telmex na área de telecomunicações lá é maior até do que o poderio que Oi, CTBC Telecom (hoje Algar Telecom) e Telefônica concentram na telefonia fixa hoje aqui no país.
          Mas claro, a turma que estava numa situação confortável quando boa parte de nossas “concessionárias” eram estatais junto a aqueles que temem ter seu tapete puxado logo adiante fazem de tudo pra querer construir o “neoliberalismo” como sua nemesis e vai que cola.

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    • Já estamos descambando pra ideia de fora do estado do ancap, que aliás, tem sua pretensa aversão ao “estado malvadão” inclusive incentivada pelos ricos, que sempre dão um jeito de se safar de uma tungada maior no campo tributário.

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    • Sou pessimista mas não chego a ser assim tão radical, embora eu também tema que, pelo andar da carruagem, o Brasil, mais cedo ou mais tarde, possa vir a acabar mesmo. É tanta coisa tão errada acontecendo em tantos níveis que é quase um milagre que isto aqui ainda não tenha implodido.

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  • Acho que o maior empecilho do Leite nem é ser gay. Passaria apertado (tum tum tutsss), mas até passaria. O problema (que também não deveria ser um problema) é justamente ter um discurso apaziguador. Infelizmente a maioria ainda não quer ser apaziguada, e sim colocar fogo no parquinho.

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    • Na política ele não vai entrar nunca, mas ele bem que poderia se candidatar só para tumultuar o processo: fazer piada e desestabilizar os outro em debate etc.

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  • Tem gente que jura de pé junto que o Brasil vai passar por um novo boom. A verdade é que esse país está morto e a oportunidade de melhorar já passou. O Brasil está com problemas demográficos de país de primeiro mundo (Queda na natalidade, envelhecimento da população, previdência social deficitária, desemprego massivo entre jovens, fuga de cérebros, fim da classe média), mas tendo uma economia de terceiro. Independente de quem ganhar, nós estamos fodidos. O futuro do Brasil é sombrio.

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  • Tanto Moro quanto os outros tão empatados e embolados lá em baixo. Não vai ter 3 via e no 2 turno menos mal que o Lula já ganhou. Brasileiro pensa assim: Contanto que eu possa ir no supermercado sem virar vegetariano e abstecer meu carango, pode roubar à vontade, meu filho!

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    • Calma, na mesma época antes das últimas eleições Bolsonaro também estava embolado lá embaixo. O que vai determinar o vencedor é uma boa campanha.

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    • Quem está impotente é o brasileiro, tomando no cu todo santo dia e não fazendo nada a respeito.
      E vai continuar tomando no cu, ganhe Lula ou ganhe Bolsonaro, mesmo quem se posicionou vai tomar igualmente no cu. Boa sorte aí para vocês…

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  • Para dizer que entre a Mula e o Jegue prefere o Cardeal Cornélio.
    E Moro é burro de se candidatar a presidência, não tem chance. Deveria tentar para deputado. Mas, Somir, que diferença faz se ele “vai parecer que está voltando do culto”? Um monte de evangélicos por aí, vão acabar se identificando…
    Eduardo Leite eu não votaria porque é gay. Não exatamente por ele ser homosexual, isso não importa, não faz nenhuma diferença para o cargo. Mas por ficar se utilizando disso para conseguir votos. O cara já ganhou para governador, ou seja, não foi discriminado. Agora tem que anunciar para o mundo sua orientação sexual. Em vez de falar de projetos tem que falar de algo que não é do interesse de ninguém além do marido dele.
    Ciro também não dá, a família toda é metida em confusões políticas, os primos até no “linha direta” apareceram.

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  • “Em tese, a “terceira via” deveria se unir em volta de algum nome que consiga entregar uma agenda liberal na economia, mas que não seja um buraco negro de carisma como os outros candidatos com esse alinhamento na eleição passada.”

    Tem que encontrar um meio termo entre defesa nacional e livre mercado. Alguns costumam torcer o nariz pra investimentos estrangeiros e o foco que a economia brasileira está dando ao agronegócio, mas se você andar por cidades lá no Mato Grosso na rota da soja, você muda de ideia. Cidades riquíssimas com qualidade de vida muito melhor que qualquer capital e tem um mundo de opções e oportunidades em aberto, pesquisem cidades como Sapezal e Lucas do Rio Verde.

    Muitas cidades interioranas estão crescendo em silêncio e oferecendo bons salários, não entendo como ainda tem tanta gente sonhando em morar em metrópoles lotadas, caras e violentas.

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    • Disse tudo. Meu irmão foi trabalhar como mecânico de caminhões no interior de RS, já tem a própria oficina e contratou outras pessoas, pergunta se ele quer sair de lá.

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      • Mas aí tem que sujar a mãozinha né… não dá o mesmo status de um escritório em São Paulo com mesa de sinuca e quadros com referências nerds na parede (apesar de o salário ser muito menor do que o de um operador de colheitadeira no interior).

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  • Nada a acrescentar sobre o Brasil, é sempre o mais do mesmo, em 2026 vocês vão publicar um texto semelhante (não é uma crítica ao blog e sim ao país), mas já que o Somir mencionou o caso do moleque lá… O veredito é uma vitória pra ambos os lados, porque alimenta os medos e ansiedades de ambos os lados. É um ponto pros dois times no placar desse jogo infernal que parece não ter fim.
    Neste momento a direita cultua o santo salvo de uma injustiça, enquanto a esquerda tem um novo vilão. Pra equilibrar, a mídia vai buscar evidenciar alguma situação onde a esquerda vai indiretamente apoiar o Estado contra a direita.

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