A famosa terceira via.

Pelo visto, a tão falada terceira via para a presidência da república não está deslanchando como se esperava. Mas nada temam, Sally e Somir vão resolver tudo isso agora mesmo. Os impopulares lançam suas candidaturas.

Tema de hoje: se você tivesse que lançar um famoso para concorrer como terceira via, sem restrições legais, qual escolheria?

SOMIR

O Brasil precisa assumir que é uma esculhambação. Reconhecimento do problema é a primeira etapa da sua solução. O Bolsonaro é baixaria total? Sim e não. Ele se porta como o tio bêbado da Ceia de Natal, mas fica amarrado com o apoio de conservadores e evangélicos. Por mais tosco que seja, sempre fica com a presunção de estar defendendo os valores tradicionais da civilização ocidental cristã. Por isso, eu lançaria Anita com Pablo Vitar (todas as letras extras eliminadas para facilitar) como chapa para a presidência do Brasil.

Sim, eu sei que as duas não tem idade, mas estamos retirando restrições legais pelo argumento. E é só esperar mais dois ciclos eleitorais que elas vão poder. A opção da Sally com certeza vai ter algum impedimento também…

Escolho as duas por um motivo importante: são as celebridades esculhambadas que eu conheço. Pra vocês terem uma ideia, eu não sabia quem era a cantora sertaneja que morreu no acidente de avião ano passado. Tem uma prateleira acima de popularidade até mesmo entre pessoas muito populares no Brasil. Se eu que desprezo totalmente a cultura pop sei que essas duas existem, é quase certeza que o resto da população nacional conhece também.

E em eleições, conhecimento é poder. Não poder de tomar boas decisões, pelo visto, mas poder de já chegar com imensa vantagem no pleito. Estamos vendo que mesmo uma pessoa muito conhecida como o Moro não está conseguindo enfrentar a popularidade imensa de duas pessoas que já ocuparam o cargo de presidente. Não adianta puxar um senador ou um governador de conhecimento limitado e tentar lutar contra esses dois titãs de reconhecimento popular.

Povão vota em quem lembra. E todo mundo lembra de Anita e Pablo. Aliás, eu aposto até que mais gente no Brasil conhece as duas do que Lula ou Bolsonaro. O presidente não é muito relevante para quem vive abandonado pelo Estado, mas música baixaria sempre chega nos rincões mais isolados de um país como o Brasil. Políticos podem nunca ter trazido uma memória boa para um popular, mas as duas com certeza embalaram algum momento divertido da vida deles. Considerando que a diversão padrão de um país com pouca cultura é se esfregar em outras pessoas bêbadas. Memória afetiva conta.

Você pode argumentar que pelo teor altamente sexualizado das músicas de ambas as candidatas (pode inverter presidente e vice se quiser) vai existir alguma rejeição da parcela mais conservadora da população, mas você vai esquecer que está no Brasil. O brasileiro é conservador quando não tem cúmplices próximos. O mesmo povo que berra seu amor por Cristo na igreja trai a mulher com travesti sem camisinha meia hora depois. Povo casto não tem milhares de abortos em menores de idades todos os meses (oficiais). O Brasil é baixaria mesmo, evangelização é só pose.

A onda conservadora da eleição passada foi uma esperança fútil de linha dura contra criminosos da classe média e uma reação alérgica dos mais pobres aos exageros da lacração. Anita e sua pose de predadora sexual empoderada e Pablo com sua imagem “segura” de gay vestidinho de mulher ferem muito menos o senso de estabilidade do povo brasileiro do que se imagina. São personagens da Praça é Nossa, a mulher promíscua e “a bicha” que o povo brasileiro entende muito bem.

Povão não gosta de “Marcha das Vadias” e “Direitos Trans”, porque isso começa a ficar complicado rapidamente. Mas uma vadia e um travesti? Ah, isso eles veem na comunidade todos os dias. Provavelmente até são amigos de várias pessoas assim. O brasileiro conservador tem medo de ser pego de surpresa, de ter alguém assim na família, se forem pessoas bem exageradas e caricatas, eles lidam numa boa. Esculhambação é padrão num país de gente sem capacidade para sutilezas. O governador do Rio Grande do Sul é muito mais assustador para eles do que a Pablo Vitar.

A rejeição existiria, é claro, pastores e conservadores em geral atacariam muito essa candidatura, mas uma coisa é o que o povo diz que vai fazer no culto, outra é o que faz na vida real. É importante lembrar que o brasileiro pobre não entende muito bem por que está fazendo o que faz, só vai na onda do momento. Aceitaram o Lula de volta mesmo sabendo que ele está do lado lacrador das coisas. Lacração não incomoda de verdade, desde, é claro, que as coisas não fiquem complicadas demais para a vida cotidiana. Se tiver uma ajuda financeira, já está valendo.

O resto é carisma. E aí, por mais que celebridades tendam a ser pessoas muito descompensadas e desesperadas por atenção, já foram testadas e aprovadas nesse campo. Um comício da Anita com discurso da Pablo seria mil vezes mais carismático que algo feito pelo Sérgio Moro, por exemplo. Lula e Bolsonaro são fortes nesse ponto, mas celebridades profissionais podem muito bem competir.

As duas não precisam ficar muito presas num público específico, podem fazer eventos com evangélicos, umbandistas, empresários, sem-terra, público LGBT… tudo cabe para elas. Quer algo mais terceira via do que não ter nenhuma obrigação política no discurso? Os jingles delas seriam matadores (perto da média), estariam sempre muito bem apresentadas e ainda falariam um monte de bobagens que o povão adora ouvir. Ainda tem muita boa vontade sobrando com políticos que não parecem políticos. Isso pode ser aproveitado.

E para a parcela mais racional da população, pelo menos não é Lula ou Bolsonaro. Além disso, podem argumentar que vão gerar um grau de simpatia para o país que nunca vimos antes. A Europa vai babar por uma vice-presidente travesti. Os acordos todos voltam, porque o Brasil vai poder ficar pentelhando os outros países dizendo que negar algo pro país é transfobia! Os EUA estão com presidente democrata. Serão dois anos fazendo nossas vontades para não se queimar com a base lacradora deles.

E não é por nada não, mas Anita solta no meio de um bando de velhos e possivelmente velhas taradas pode conseguir muitas vantagens para o país. Vão sair uns acordos bacanas depois de mostrar a tatuagem secreta para alguns líderes mundiais. Vai ser uma lacração irritante? Claro que vai. Mas eu já disse várias vezes aqui: na falta de uma opção centrista racional, eu prefiro pecar pela lacração do que pecar pelo conservadorismo. Ciência precisa de espaço para respirar, e por mais que a lacração seja retardada com a ciência de gênero e sexualidade em geral, o resto eles costumam deixar rolar numa boa.

Acho mais fácil corrigir cagadas dos lacradores do que dos conservadores. Melhor segurar um exagero de direitos humanos do que um exagero de limitação de direitos humanos. Seriam boas governantes? Provavelmente não. Mas não seriam piores que o tiozão do WhatsApp que temos, e muito provavelmente menos perigosas para o futuro da nação do que o líder do maior escândalo de corrupção da história da humanidade.

E atualmente, terceira via é isso mesmo: alguém que faria menos besteira, e está bom demais. Eu votaria nas duas contra Lula ou Bolsonaro. Vai dizer que você não?

Para dizer que eu estou aceleracionista demais, para dizer que pelo menos tem um homem, ou mesmo para dizer que a opção da Sally é mais engraçada (ok, isso eu concedo): somir@desfavor.com

SALLY

Se você tivesse que lançar um famoso para concorrer como terceira via, qual escolheria?

Considerando o atual cenário de esculhambação e total falta de discernimento, não poderia escolher outro nome que não o Rafael Pilha. E eu lançaria com esse nome mesmo: Rafael PILHA.

Eu sei que ele não gosta de ser chamado de Rafael Pilha, quando isso vem de um lugar de deboche e falta de respeito. Mas vindo de mim é sempre com amor e admiração. São 13 anos escrevendo sobre a vida dele, porra. A trajetória desse homem merece ser lembrada: superar dependência de tantas drogas, se reerguer depois de ter a imagem tão vilipendiada pela mídia, os passeios pelo Código Penal que terminaram em aclamação popular ganhando um reality show… É uma pessoa que nasceu para brilhar, simples assim.

Pilha sim. PILHA. PILHAAAAA. Sim, ele comeu pilha, bic, isqueiro e mais meia dúzia de objetos, mas tá aí, vivo, amado pelo brasileiro. E o Presidente atual que come um camarão mal mastigado e já corre para o hospital choramingando que está morrendo? Faça-me o favor… Sendo bem sincera aqui, nenhum de nós aguentaria passar por tudo que o Pilha já passou. É mais do que um sobrevivente, é um predestinado.

Não vamos encontrar outro candidato com a experiência de vida de Rafael Pilha, muito menos com o seu carisma. Bota qualquer político na Fazenda e vê se ele chega até a final. Bota qualquer político em uma clínica braba de reabilitação e vê se ele consegue fugir ou sobreviver ao tratamento que vai receber. Pilha superou tudo, tudo que vocês possam imaginar.

Rafael Pilha já foi o mais votado pelo povo, é tudo uma questão de detalhes: urna x site da Record, meros detalhes. Ele sabe falar com o povo, ele sabe dar esporro quando precisa, ele sabe explicar as coisas pipipi pópópó. Ele conquistou até um fuckin´tucano, animal com a mentalidade muito superior ao brasileiro médio, imagina se não botaria o povão no bolso.

Pilha já transitou por todas as classes sociais, culturas e tribos. Foi do luxo ao lixo. Do top de São Paulo até alto posto no tráfico em favela carioca. De jatinho particular a morar debaixo do viaduto. Ele conhece todas as realidades. Ele não é um alienado engravatado cagando regra atrás de uma mesa. E ele não tem medo de agir. Com o mesmo pulso de ferro que ele ameaçou colocar bosta de vaca no travesseiro daquela anoréxica alcoólatra histérica que eu nem lembro o nome, ele vai guiar a nação.

Pilha sabe falar. Pilha, além de ter um carisma sem igual, tem a lábia, a malandragem, a malemolência de quem já precisou sobreviver nas ruas. Imagina na ONU! Capaz de convencer a França de adotar a feijoada como prato típico, os irlandeses a pararem de beber e a Inglaterra a devolver as Malvinas para a Argentina! É sério, gente. O homem sabe falar, o homem sabe argumentar, o homem convence.

E outra: ele já gerenciou uma clínica para dependentes químicos. Imagina o que ele não faria pelo combate às drogas no país? Imagina quantas pessoas não iriam para o porta-malas do seu Hilux receberem uma segunda chance na vida? Meus amigos, se fizer um exame de sangue no Pilha dá todos os elementos da tabela periódica como resíduo dos tempos em que ele usava drogas – e ele superou todas. Conhecem mais alguém que tenha conseguido essa façanha?

É um homem acostumado aos palcos, aos microfones, às multidões. Se é para ver um famoso na presidência, que seja um conhecido por seus feitos e superações e não por sua bunda. Pilha é um novo patamar: enquanto nós nos gabamos de ter sobrevivido aos anos 80, ele foi rei nos anos 80. Alguém aqui, com 16 anos, comeu a atriz principal da novela da moda? Não, né? Foi o que eu pensei.

Não dizem que um ano canino equivale a sete anos humanos? Um ano do Pilha equivalem a 50 anos nossos. Uma pessoa que já chefiou o tráfico do Vidigal, gravou CD gospel, foi sex symbol, tentou bater no Sergio Mallandro (coberto de razão), foi preso no Paraguai e desvendou o mistério da morte do Gugu não é um humano, é um oráculo.

E, olha só, uma verdade importante: Pilha é homem pra caralho. Homem, com H maiúsculo. Você pode ter lido muita merda que ele fez com ele mesmo, mas alguém aí já viu ele metido com baixaria, traição e falta de respeito com a esposa? Você não vai ver esse tipo de coisa, pois ele é um cara família, que respeita a esposa. Não é como uns e outros que ficam se traindo, se chupando, se expondo.

E ele não tem medo de ninguém. Não peidou para o Leo Stronda, imagina se vai ter medo de alguém. Eu queria só ver se o brasileiro ia folgar, ia desobedecer a lei, ia fazer bagunça com o Pilha na presidência. Eu pagava para ver. Pilha não é homem de mandar fazer não. Se mandasse usar máscara e a pessoa não usasse, ele mesmo iria até o lugar enfiar a máscara da pessoa em suas narinas (na melhor das hipóteses). É dedo na cara e “me respeita!”, seja delegado, seja marombeiro, seja Marcos Mion.

Imagina se ele ia tomar pressão ou intimada do STF. Hahahahaha. Eu pagava para ver. Em meia hora chegava em Brasília e fazia um enema de peruca no Fux. Muito menos do Congresso. Cospe no Pilha, Jean Wyllys, cospe no Pilha para você ver se ele não bota os teus dentes pra dentro. Vai lá, Maria do Rosário, grita com o Pilha sim, mas grita na frente das câmeras, para esse momento lindo ficar documentado e eu pode ver o fatality que ele vai te dar repetidas vezes em slow motion.

E a primeira-dama, hein? Alinão, gata para um caralho, linda, mulherão. O Brasil merece uma primeira-dama deslumbrante, tanto na aparência física, como nos atos. Queria presentear seu amado com uma escopeta? Foi lá e fez. Errou no transporte, levando a arma enrolada feito um bebê em um cobertor na fronteira com o Paraguai? Errou. Mas teve coragem, teve iniciativa, teve proatividade. Ê primeira-dama linda que esse país ia ter!

Você pode falar o que quiser sobre Rafael Pilha, mas ele é verdadeiro. Goste você do que vê ou não, o homem é verdadeiro. Ele não é sincero, ele é um degrau acima disso, ele é sincericida. Ele fala o que pensa, doa a quem doer. Ele faz valer suas regras. Ele joga aberto. É disso que o Brasil precisa, de uma pessoa verdadeira.

Eu não só votaria no Pilha como faria toda a campanha dele gratuita. Bote Pilha na política!

Para dizer que está preocupado com a minha saúde mental, para dizer que não temos mais nada a perder ou ainda para dizer que também votaria no Pilha: sally@desfavor.com

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Comments (10)

  • Hosmar Weber Júnior

    Enquanto esse tipo de piadinha for feita por vocês e outros nenhum brasileiro vai levar política a sério, #CIRO2022

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  • A princípio eu acho que o Lula leva independente de qualquer coisa. O povão saiu da pobreza graças ao Lula, chegou na classe média, o limbo entre as duas pontas que mais se beneficiam com governos do PT, se viu abandonada, encontrou o Bolsonaro alguém que os representasse, e por todo esse caos de 2020 pra cá, se viu de volta à pobreza.

    É simples. Eles querem voltar pra classe média, e eles conhecem quem pode fazer isso: Lula. Some-se isso o povo que já era da classe média e caiu, com os funcionários públicos, mais a influência da imprensa, e o Lula só não ganha se não concorrer.

    Agora, de volta ao tópico: partindo do princípio que por menos lógico ou legal que seja, eu possa apontar qualquer celebridade pra concorrer e ganhar dos dois: Fausto Silva. Adorado pelo povão (dose cavalar de nostalgia no kokoro vai ajudar) não é rejeitado pela militância universitária LGBTHIV+, não é rejeitado pelos estratos da classe média e alta que é simpática ao Bolsonaro, aparenta muito mais vitalidade e despojamento do que o Bolsonaro apesar de ser mais velho que ele (e isso aumenta mais ainda em relação ao Lula), seu talento como empreendedor ganha a simpatia dos empreendedores e do mercado, e ele teria a imprensa e artistas ao seu lado (restando apenas os professores vagais ao lado do Lula). Além disso, não tem nada que o desabone. Ele ganha tranqüilamente.

    Mas se fosse pra avacalhar, iria com o Somir. O jóve (e jóve no Brasil vai até os trinta anos!) ia votar em peso nessa dupla no primeiro turno, e juntando isso com o antipetismo mais o pessoal que engoliu a blackpill, vai que eles levam o segundo? Imagina os pronunciamentos da Presidenta Anitta no TikTok? O Pabbllo representando o Brasil nesses eventos mundiais de direitos humanos, vestido como uma mistura de drag queen com o Presidente Camacho do Idiocracy, terminando seu pronunciamento cantando Corpo Sensual com sua voz de marreco esgoelado? Meua migo, seria a essência do Brasil.

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  • Nem dá ideia dessas porras de Anita e Pablo, vai que eles chegam mesmo e vou te culpar o resto da vida! Já não chega o maluco do Daciolo querer Felixo Neto de vice? A bagaça só piora!

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  • Toda argumentação gira em torno de carisma, carisma, carisma, nada de planos e projetos, que triste…
    (não é uma crítica a vocês, mas ao sistema)

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      • Verdade. Sempre foi na base do carisma. Estão aí os candidatos bizarros que aparecem em todo pleito e o hoje (re)eleito Tiririca que não nos deixam mentir. Se o sujeito for “cativante” – seja de que forma for -, o brasileiro vota. Tanto faz se é um caudilho “pai dos pobres” como o Getúlio, um excêntrico como o Jânio com seu jingle do “varre, varre, vassourinha” ou um aventureiro que foi longe demais como o Collor. Boas idéias? Projetos? Coerência ideológica? Competência? Honestidade? Para a BMzada isso tudo é frescura. Eu já disse aqui antes e volto a repetir: por aqui, uma parte considerável do populacho não entende a importância do ato de votar e se decide por um candidato como se estivesse escolhendo um personagem para um esquete da Praça É Nossa.

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