Antigo normal.

Mais de dois anos de pandemia… apesar de muita gente teimar, precisamos mudar vários hábitos para nos proteger. Sally e Somir tiveram sorte e juízo para lidar com o isolamento social, mas algumas coisas fazem falta. Os impopulares reclamam junto.

Tema de hoje: qual hábito mais te fez falta durante a pandemia?

SOMIR

Essa é engraçada… eu sou caseiro com orgulho, e raramente me incomodo de ficar sozinho. Durante a pandemia eu brinquei várias vezes que tinha nascido para isso, mas dado tempo suficiente, até eu comecei a sentir falta de sair e ver meus amigos. Boa parte da minha vida já estava adaptada ao gosto pela introspecção, até por isso eu demorei bastante para perceber que sentia falta disso.

Não porque eu gosto de sair, sempre começo a reclamar (mesmo que internamente) antes de ir fazer alguma atividade na rua. Não ligo pra bar, para clube, para basicamente nada, mas depois de tanto tempo, eu comecei a notar que tinha uma graça especial em estar fora de casa nesse contexto de diversão, uma que só deu para notar depois de muito pensar.

O texto vai parecer meio arrogante agora, mas eu não sei explicar de outro jeito: o jeito como eu falo e as coisas que eu sei costumam intimidar as pessoas. Não porque eu sou agressivo, mas porque eu projeto uma imagem de alta inteligência e segurança sobre o que falo. Não, eu não falo exatamente como eu escrevo, mas é evidente que o meu vocabulário e capacidade de falar sobre inúmeros assuntos com a pose de especialista começam a deixar outras pessoas inseguras ao meu redor.

Não à toa, as pessoas que acabaram ficando mais próximas de mim são justamente aquelas imunes a esse tipo de intimidação. Sally é um excelente exemplo disso: é uma das poucas pessoas que tem “culhão” de me chamar de idiota e dizer que eu estou errado ao vivo. Ela normalmente sabe do que está falando quando está falando, e nunca tentou fazer pose de inteligente. Todo mundo é corajoso na internet, mas na vida real quase todo mundo tem medo de passar por burro. Alicate é um exemplo de pessoa imune por outros motivos: ele tem zero preocupação em dizer algo e ser desmentido, eu acho a falta de vaidade intelectual dele fascinante.

Mas é claro, esse não é o padrão do resto das pessoas. Antes da pandemia, eu saía um pouco mais e encontrava pessoas em situações onde esse meu jeito não causava barreiras comunicativas. Num encontro casual, ou mesmo numa situação alcoolizada, as pessoas perdem a inibição e tendem a ser muito mais fáceis de conversar. E pra mim, isso faz diferença. É muito mais fácil de lidar com outros seres humanos quando eles não estão medindo palavras na minha frente.

Coisa que fatalmente acontece quando o contexto muda, e o contexto está bem mudado desde que eu entrei em quarentena: são muito mais instâncias de comunicação à distância, por texto. E aí eu realmente fico mais “assustador”, porque o grau de erudição sobe exponencialmente. Não tem gíria e sotaque caipira para aliviar a tensão, não tem eu fazendo piadas horríveis para parecer um idiota, só tem a forma extremamente formal como eu tendo a escrever, e o maior perigo: eu tenho tempo de pensar antes de me expressar. Eu falo muito menos bobagem porque posso tirar a dúvida rapidamente na internet antes de dizer alguma coisa.

E aí, eu sinto essa intimidação acontecendo numa proporção muito maior. Fica mais complicado ter conexões com outros seres humanos. Eu chamo de intimidação porque já aprendi a não ser escroto e arrogante ao escrever, como costumava ser no passado. Claro que podem me achar chato, todo mundo pode ser chato para alguém, mas ou eu sou universalmente chato, o que tornaria meio irreais as amizades que já fiz, ou tem um elemento de incômodo alheio na forma como eu me expresso.

“Somir, você está reclamando que é muito inteligente para conversar com outras pessoas? Não é à toa que não têm paciência para você!”

Calma, calma. Não é isso. É uma forma de se expressar que parece distanciar pessoas recém-conhecidas. Forma que fica muito mais severa quando eu converso com pessoas em contextos mais formais, como o da escrita. Eu tenho muita vaidade intelectual, sei que é um defeito, mas é um pouco mais forte do que eu consigo controlar, para tentar demonstrar que eu sou uma pessoa interessante e realizar conexões com outras pessoas, eu tendo a exagerar na exibição do meu conhecimento e capacidade de raciocínio.

Eu já tentei controlar isso antes, mas infelizmente eu viro um babaca condescendente quando tento. E não tem jeito, todo mundo percebe! Acho que não seria um bom ator. Se é para ser chato, que eu seja chato fazendo a coisa que me deixa mais feliz: pedir aceitação demonstrando inteligência. Eu não faço por mal, e só sofre com isso quem é mais inseguro ainda. Eu até fiquei em dúvida sobre falar sobre isso aqui, mas eu sou só um fantasma na sua internet, não vai impactar minha vida.

“Fale com seu terapeuta, isso não tem a ver com o tema!”

Tem sim. Eu sinto falta de sair e beber um pouco, mesmo não ligando nem um pouco para estar bêbado, porque nessas situações eu me sinto mais bem ajustado e tenho muito mais facilidade de interagir com outras pessoas. Não porque eu fico mais corajoso, mas porque desliga temporariamente essa vaidade intelectual e facilita conversar com as pessoas. O ambiente mais descontraído e a superficialidade de conversas com recém-conhecidos me fazem sentir um pouco mais humano. O que de tempos em tempos, não é um sentimento tão ruim.

Com a pandemia, eu acabei dentro de uma fortaleza de vaidade intelectual, o que matou inúmeros primeiros contatos com outras pessoas, que talvez tenham achado que era difícil falar comigo, ou talvez tenham achado arrogância e/ou frieza mesmo. Eu acho que melhorei nisso com o passar dos anos, mas não existe isso de melhorar 100%.

Quando as coisas melhorarem, eu vou querer sair um pouco mais. Não porque o ato de sair me faça tanta diferença assim, mas porque eu tenho mais chances de começar novas relações e me sentir mais aproximável. Eu queria ser robô, mas não sou.

Outro motivo pelo qual eu resolvi falar do tema por esse ângulo é porque eu acredito que tenha mais gente parecida comigo nesse tema lendo, gente que possivelmente nunca tenha pensado nisso. Vaidade intelectual é algo que eu vejo pouca gente considerando, achando que é só sobre sua aparência física, mas ela existe em diversos contextos. Importante: vaidade não é uma coisa necessariamente ruim, mas faz bem prestar atenção para ver se ela não está exagerada.

Fica a dica, caso você seja do mesmo time que eu. Às vezes é bom se permitir ser mais estúpido, porque no fundo, no fundo, todos somos um pouco. A pandemia não está ajudando com isso, vale a pena considerar.

Para dizer que seu maior defeito também é ser perfeccionista, para dizer que é só malhar que eu melhoro, ou mesmo para dizer que vai cobrar a consulta: somir@desfavor.com

SALLY

Qual o hábito do “antigo normal” que mais te faz falta?

Exercício de força resistida (musculação, pilates etc), que, no meu caso, teria que ser com aparelhagem própria. O resto eu posso fazer virtual. Eu me planejei para essa pandemia, eu sabia que seria demorado. Eu adaptei minha vida e minha casa para isso em tudo que podia, mas, para a parte de atividade física não foi possível. Calhou do tipo de exercício que eu entendo como o melhor para mim não ser viável de executar em casa. Do resto não sinto falta de nada.

Encontrar amigos? Teria que ser online de qualquer forma, não posso culpar a pandemia por isso, pois mudei de país. Não usar máscara? Para quem não sai de casa, ou sai muito raramente, não chega a ser um incômodo significativo. Sair de casa? Não sinto falta, usei esses dois anos de pandemia para fazer da minha casa o lugar mais confortável possível.

Nunca fui uma pessoa de muito contato físico com amigos, por sinal, com quase ninguém. Não gosto que fiquem me pegando e tenho horror a amigas que se encontram, gritam e se abraçam. Se fizer isso comigo, viro as costas, finjo que não conheço e vou embora. Então, amigos desempenham uma função intelectual na minha vida: conversar, trocar ideias, dar e receber conselhos, falar barbaridades e rir disso. E, para isso, não precisa de presença física.

Família eu nunca tive perto mesmo, moravam todos fora do Brasil, então, não é como se fosse um grande sofrimento repentino não poder ver a minha avó ou meus primos. Minha vida sempre foi assim. Nada mudou.

A pessoa com a qual eu me relaciono mora comigo desde antes da pandemia, então, juntos estávamos, juntos continuamos. Nada mudou. E quem era importante na minha vida veio morar comigo também durante a pandemia, pois eu sempre soube que essa porra ia demorar muito para passar. Quem é realmente importante está debaixo do meu teto desde o dia 1 da pandemia.

Trabalho? Eu já estava em Home Office antes da pandemia e funciono muito melhor em Home Office. Espero nunca mais na minha vida precisar me deslocar para ambiente de trabalho e ter que conviver com colega de trabalho. Então, essa pandemia, nesse ponto, só jogou a meu favor me assegurando ainda mais esta realidade deliciosa.

A única coisa que eu realmente não posso fazer e me faz falta é me exercitar da forma que eu escolhi, da forma que mais saúde me proporciona, da forma que estou acostumada: com aparelho de academia. Nestes dois anos de pandemia eu não cheguei a cogitar nem por um segundo, nem nos melhores momentos, pisar em uma academia.

“Mas Sally, você pode fazer outros exercícios em casa”. Posso, posso sim. Um exercício escroto e triste e muito menos eficiente é o que me resta. Zero sofrimento, tá tudo bem, não malhar é o menor dos problemas. Mas, ainda assim, é o que mais me faz falta. Das outras opções, poucas valem o esforço pois acho aviltante a prática e o resultado deixa muito a desejar.

Atividade física ao ar livre é coisa de gente das cavernas. Faz séculos que os seres humanos aprenderam a construir tetos e não ficam mais à mercê de intempéries. Quem quiser regredir esse tanto e se expor a calor, frio, vento, chuva ou o que mais vier, fica à vontade. Eu mantenho a minha civilidade e quero um ambiente com temperatura estável e sem chuva ou neve caindo na minha cara enquanto me exercito.

Esportes nunca fiz. Tenho horror. Tenho medo da bola, não tenho espírito de equipe e tenho horror a empurrão, contato violento e gritos. Nem tenho físico para isso. Exercício aeróbico eu tenho ojeriza, pois além de fazer cair tudo, até a pele do rosto, é um esforço inútil que só queima gordura: é enxugar gelo o resto da vida. Luta muito menos, essa agarração com estranhos transpirados e trocação de porrada eu passo longe. Como vocês podem ver, eu fiquei meio sem opção.

E nem venha tentar me convencer dessas doenças tipo “treino funcional” que eu não sou cachorro de agility. Muito menos cross fit que eu não sou uma degenerada que atenta contra o próprio corpo. Meu exercício é solitário, no meu tempo, no meu ritmo, sem professor lunático gritando.

O que eu poderia fazer com prazer como forma de atividade física que não fosse exercício de força resistida seria qualquer dança, coisa que desde os 15 anos faço aos montes. Mas, infelizmente dança, que para mim era também saúde mental, está fora da mesa. A menos que eu queira ficar dançando sozinha, o que não é o caso, pois não sou maluca nem tenho prazer em pagar de.

Seja dança ou qualquer outra atividade, ambiente fechado com outras pessoas eu não me arrisco, nem tanto por mim, mas por medo de me contaminar e matar as pessoas que me cercam. Quem, como eu, convive com grupo de risco não pode se dar ao luxo de contar com a sorte. Não tem “com todos os protocolos de segurança”, eu sou bem-informada o suficiente para saber que não existe protocolo de segurança suficiente para impedir contágio em ambiente fechado, ou seja, em academia.

Resta fazer em casa. E fazer exercício de força resistida em casa pressupõe fazer precário, pois eu não sou rica (nem perto disso) e não tenho nem espaço nem dinheiro para montar uma academia para mim. Para fazer precário eu prefiro fazer outra coisa, o que mais se aproxime do custo-benefício que eu desejo. A porra da Yoga, que eu não gosto, mas, entre as opções disponíveis, é o melhor custo-benefício.

Exercício de força resistida em casa é para gente rica ou para gente que faz malfeito. Teria que comprar alguns aparelhos (nem tudo é peso e caneleira) e mesmo que gambiarre forte e decida fazer tudo livre, teria que comprar muitos tamanhos de halter e caneleiras, para cada região do corpo, que, quem treina sabe, devem aumentar de carga a cada 15 dias. Não há qualquer condição.

Isso quer dizer que exercício de força resistida, que é o que eu realmente acredito que gera saúde e estética eu não posso fazer. Tá tranquilo, é um preço muito baixo a se pagar em uma pandemia. Tem gente que perdeu o emprego, tem gente que perdeu a vida, tem gente que perdeu uma pessoa amada. Eu perdi apenas músculos.

E esta provavelmente vai ser a minha realidade nos próximos anos: Yoga. Repito: um preço muito, mas muito barato a se pagar por uma pandemia, mas como perguntaram do que eu sinto mais falta, respondi a verdade.

Eu não sinto falta de estar fisicamente com amigos, eu acho um alívio não ter convite para sair. Eu não sinto falta de festa, barzinho ou reunião. Eu acho tudo isso um saco. Eu sinto falta de ter o corpo que eu quero com a saúde que ele me proporcionava.

Enfim, é isso. Esse é meu White People Problem. Repito: zero sofrimento, a maior parte das pessoas perdeu muito mais do que músculos nessa pandemia.

Para dizer que sou fútil (só estou respondendo à pergunta), para me indicar bons vídeos de Yoga ou ainda para dizer que sedentário estava, sedentário continua: sally@desfavor.com

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Comments (36)

  • Eu nunca entendi fazer a pessoa pegar condução e ir pra empresa só pra sentar o rabo num computador, podendo fazer isso de casa.
    Seria legal fazer um Explica sobre Crossfit, os crosfiteiros ficam putos se alguem fala um A, aquilo é a religião deles. Se bem que Yoga tá mais pra alongamento do que exercício.

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  • Sinto falta de restaurante buffet, tipo Ráscal e os bons árabes. De ficar 3 horas conversando e me servindo da comida quantas vezes quisesse.
    Pensar que a gente não ligava de a galera ficar conversando em cima da comida, que ficava lá na mesa por horas sendo alvo de perdigotos diversos.
    Sei que eles entregam, mas não é a mesma variedade pelo mesmo valor.

    Sorte da Sally que não acumula gordura. Eu faço em casa exercicios como os da personal Kayla Itsines, se não viro uma bolinha.

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  • Senti muita falta de sair mesmo, pra qualquer lugar. Não sou exatamente uma pessoa festeira, mas não poder, por exemplo, ir a uma cachoeira ou praia em um dia quente me quebrou demais…

    Quanto aos exercícios, acho que o combo de exercícios perfeito pra mim seria musculação + pilates + dança do ventre.

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  • “Enfim, é isso. Esse é meu White People Problem. Repito: zero sofrimento, a maior parte das pessoas perdeu muito mais do que músculos nessa pandemia”.

    Sendo bem sincera, do que sinto mesmo falta nessa pandemia são papel sulfite e impressora. Home office em apartamento minúsculo detonou a vista por conta do trabalho por horas a fio de frente ao computador, sendo obrigada a ler extensos relatórios em word ou PDF de forma contínua há dois anos. No trabalho, imprimia relatórios em papel e fazia as anotações necessárias e sugestões de correção ali mesmo, sem ter que detonar a retina ao ler extensos relatórios de 100, 200 páginas em outras línguas (e, às vezes, outros alfabetos).

    De presente, a pandemia me deu um óculos de vista cansada, que agora os olhos exigem o tempo todo o seu uso…e não há exercício que reverta isso. Sorte ter operado da miopia, senão teria que usar um bifocal, que invariavelmente não atende nem a vista de longe nem a de perto…

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      • Até onde eu sei, o japonês tem 3 alfabetos distintos, o russo usa o sircilico, o arabe usa outro, e por aí vai…

        A Suellen não lê em japonês? Ou estou enganado?

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    • Quem disse que não tem ginástica pros olhos? Tem sim, é só vc procurar no YouTube os vídeos da Tatiana Gebrael. Eu melhorei minha leitura, não uso mais óculos de perto. Olhos são músculos, faz sentido treinar.

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      • Opa, obrigada! vou atrás dessas aulas sim…
        (ah, leio Japonês sim. E outros alfabetos começando também, por exigências do trabalho.)

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          • Chinês e Cirílico (começando agora), para legislação comparada (há anos peço algumas leis em inglês para eles, e nada…). Fiz taquigrafia, mas árabe é impossível…tem uma mesma letra que é escrita de um jeito no começo da frase, no meio e no final…Obrigada pelos vídeos!

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  • Wellington Alves

    “A pessoa com a qual me relaciono”… se é comigo, eu terminaria o namoro imediatamente. Kkkkk

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      • Pra miiiim, denota uma forma de distanciamento. Tipo aquela pessoa que você está pegando mas não quer ser visto com ela passeando no shopping de mãos dadas. Pra uma ficante até vai, mas pra um relacionamento estável/oficial eu acho muito impessoal.
        Mas, não esquenta, isso não é uma crítica. Só se eu fosse o seu namorado. Kkkkk

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        • É que eu não quero arrastar a pessoa para a podridão do Desfavor, por isso mantenho tanto nome como status o mais longe possível.

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  • Sempre me senti mais à vontade de “interagir” com a Sally justamente por me sentir um pouco intimidada com o estilo de escrita do Somir mas saber que ele tem um sotaque caipira com aquele provável “R” carregado já me fez encará-lo com mais simpatia.
    =D

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    • Sério que o Somir intimida? Eu nunca me incomodei com isso especificamente, até porque de vez em quando eu adoro esbanjar erudição também. O que me incomodava, principalmente nos textos mais antigos dele, era uma certa enrolação no sentido de usar uma forma de escrita cuja linha de raciocínio chegava a cansar o leitor.

      Algo bem do tipo, “poxa, mas pra que ele tá dizendo isso de maneira tão complicada? Poderia ter ido direto ao assunto ou dito isso de maneira bem mais direta ao ponto do que isso aí! Parece até que faz de propósito pra peneirar e filtrar leitores…”

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      • Oi, Ge!

        Então, vou “alucinar” um pouco no meu argumento para explicar o motivo de me sentir um pouco intimidada com o Somir.
        Eu criei em minha mente para todos que escrevem aqui com frequência “avatares” com base na ideia que formei a respeito de cada um. Por exemplo, você, te imagino um cara gentil, com um sorriso franco e um olhar curioso a respeito das coisas…aquele tipo de cara que a gente faria amizade no ensino médio com uma baita possibilidade de manter contato ao longo da vida.
        O Somir seria aquele calado que te observaria com aquele sorrissinho sarcástico, aquele de cantinho de boca…sabe qual é? Pois é…sem uma ação ou palavra consegue te deixar todo(a) errado(a)…
        Posso estar completamente errada? Muito provavelmente! Rsrs

        Ps: te imagino com o sotaque do interior de Minas Gerais
        Ps2: de onde venho o sotaque está mais para o “R” (tipo porrrrrrteira), daí a minha recém simpatia com o Somir rsrs

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        • Ê porrrrrquêra! Tem gravações com a minha voz aqui no Desfavor, achei que meu caipirês já fosse bem estabelecido.

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          • Já faz tempo, novatos não conhecem.
            Você e a Sally podiam fazer mais áudios, Alicate podia fazer uma participação deselegante.

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          • Eita, Somir!

            Não sabia…vou já caçar.

            Quando comecei a frequentar a RID, fui “maratonar” os textos e li uns bens antigos e no meio deles vi que uma vez foi organizado um tipo de concurso de beleza improvisado no qual os impopulares foram postando fotos, tentei abrir alguns arquivos mas não estavam mais disponíveis.
            É, não foi daquela vez que matei minha curiosidade…rsrsrs

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            • Eu deletei todas as fotos depois da trollagem ser revelada. Inclusive dos meus arquivos. Privacidade dos impopulares é prioridade!

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        • Ah sim entendi. Nesse caso, uma pessoa assim que te olha com aquele sorrisinho no canto da boca irrita mesmo!

          Quanto ao PS, cejura? Bahh logo eu que tenho o sotaque bem cantado e acentuado do Paraná! Mas menos cantado que o irritante do catarinense hehe

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  • Eu não sinto falta de nada. Sempre preferi tudo online, desde reuniões até delivery de tudo, não bebo e exercícios pra mim só bike ou caminhada. Antes ne chamavam de doente mental e agora de responsável.
    FAQ: um colega da minha irmã tá com covid e ganhou atestado de 9 dias. Não eram 2 semanas? Ela vai voltar no 9 dia covidando todo mundo? Devo mandar minha irmã ficar longe dela?

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  • Poxa, Sally, que mal tem dançar sozinho? Rs

    Crossfit eu sinceramente não vejo graça nesse esforço estrondoso. Aliás, se tem uma coisa que eu nunca tive foi paciência pra ir a academia e ter esses profs gritando no ouvido. Um saco!

    Agora, quanto ao tema do texto, sinto falta mesmo é de eventos culturais eruditos nos quais eu ia aos montes, como cafés literários, aberturas de exposições nos museus, concertos etc.

    Ok que há como fazer tudo isso online, mas poxa, não tem a mesma graça, o mesmo glamour que tu vestir uma roupa social e ir a um teatro, um café, encontrar pessoas que também apreciam aquele tipo de arte, pessoas cultas para conversar, trocar ideias enfim…

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    • O que tem de gente que se machuca feio fazendo crossfit não tá no gibi… Não entraria nessa nem fudendo.

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        • Uma coisa que eu não gosto no Crossfit: levar demasiadamente a sério aquele clichê motivacional “supere seus limites”, o que faz com que muitos praticantes se arrebentem por abusarem nas cargas ou por tentarem fazer exercícios mirabolantes que exijam um domínio apurado de técnicas que ainda não têm.

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          • Exato. Tem gente que cai da barra fixa fazendo aquele exercício de subir balançando e fica tetraplégica! Crossfit não é de Deus!

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  • Não senti tanta falta de contato social porque já sou introvertida por natureza e mal fiz lockdown porque trabalho em armazém. Alguns precisam sair pra que outros possam ficar em casa…
    Mas senti falta de atividades ao ar livre porque o que mais gosto de fazer é ao ar livre. Viajar de bicicleta (é mais seguro do que parece, o mundo não é o Rio de Janeiro) e conhecer lugares diferentes, acampar, ir à praia. Já deu pra perceber que não sou muito caseira…

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  • Essa da Sally fazendo Yoga me surpreendeu. Achei que, em matéria de se exercitar, ela fosse tentar quebrar o galho em casa com coisas como calistenia, pular corda, elásticos, flexões, pranchas, abdominais (no chão ou com rodinha), burpees e variações de agachamento e nordic curls (normal e reverse). Acho que ela não vai concordar comigo, mas mesmo assim eu gostaria que desse uma olhada neste vídeo do YouTube de um grupo de bodybuilders africanos treinando com material improvisado:

    https://www.youtube.com/watch?v=gFQpxAKx_ds

    Antes que alguém venha dizer qualquer coisa: estou plenamente ciente de que em todo o continente africano também há boas academias de fazer inveja a muitas das que temos por aqui e que nem todo mundo lá é tão pobre a ponto de só conseguir treinar nessas condições, mas o ponto não é esse. Os caras chegaram no shape que se vê aí no vídeo treinando em um terreno baldio, com pesos de concreto, suportes de madeira e corda e usando como anilhas peças de ferro-velho como engrenagens de câmbio de carro, polias industrias, discos de freio e volantes de motor de veículos diversos. Claro que é melhor ter acesso a equipamento apropriado, mas também é preciso ter em mente que há uns que têm resultados medíocres em academias aparelhadas e outros com resultados ótimos usando coisas feitas na base da gambiarra. O que importa mesmo é disciplina, dedicação e saber “se virar” com o que se tem à mão.

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  • Vivencio parte do que o Somir mencionou no texto dele sobre ter uma intelectualidade que seja “intimidante” para certas pessoas embora não seja minha intenção querer parecer superior; e, como a Sally eu também sinto alguma falta de poder me exercitar da forma como gostaria embora prefira fazer sozinho, “no meu tempo, no meu ritmo, sem professor lunático gritando”. E, como os dois, eu não ligo muito para os “programas normais” que a maioria dos meus conhecidos faziam na época do “antigo normal” como barzinhos, baladas, churrascos e quetais.

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