Escolha difícil.

Uma menina de 11 anos, grávida após ser vítima de estupro, está sendo impedida pela Justiça de Santa Catarina de realizar um aborto legal. De acordo com reportagem publicada nesta segunda-feira (20) pelo The Intercept em parceria com o Portal Catarinas, a criança foi levada a um abrigo e está sendo mantida lá há pelo menos um mês, a fim de não realizar o procedimento, assegurado por lei em caso de violência sexual. LINK


O aborto já aconteceu. Mas a coisa era muito, muito mais complicada do que qualquer discussão que aconteceu na mídia e especialmente nas redes sociais. Desfavor da Semana.

INTRODUÇÃO

O Desfavor da Semana vem em um formato diferente hoje. Decidirmos transcrever nossa conversa de WhatsApp sobre a escolha do tema, para que vocês vejam como a gente define tema e trabalha ele, até ele chegar aqui como texto.

Obviamente, ficou um texto enorme, o que é muito bom, pois nos protege, já que quando conversamos um com o outro falamos sem filtros. É bacana que vocês saibam o tempo, a energia e o investimento que fazemos para escolher cada tema aqui.

Provavelmente só vai ler quem for muito fã do Desfavor, e tomara, pois só estas pessoas estão preparadas para 1) realmente entender o que foi dito e 2) serem expostas a esse tipo de opinião sem filtro. Segue o Desfavor da Semana, ao vivo e a cores:


SOMIR: vamos definir o tema?
SALLY: vamos
SOMIR: teve aquele caso da menina que não pode abortar, que é quase clone de outro sobre o qual já falamos e tem essa que me deixou pasmo: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2022/06/21/procuradora-espancada-revela-que-tinha-medo-de-colega-e-se-diz-desrespeitada-como-mulher-video.ghtml
SOMIR: as pessoas estão descontroladas
SALLY: Posso enviar áudio?
SOMIR: pode sim

ÁUDIO SALLY: “Então… pelo que eu vi desse caso do aborto, a menina só descobriu que estava grávida com 22 semanas de gestação. São quase seis meses, ou seja, o bebê já é viável. E com toda essa enrolação do processo judicial, seria para fazer um aborto com sete meses e meio de gestação, quando um bebê já é um bebê e pode sobreviver. Eu não sei como é feito isso… mas em algum ponto teria que matar um bebê. Ele não vai morrer sozinho se ele sair. Eu acho esse caso horroroso, daria para falar sim, porém, eu não sei se eu tenho tanta certeza assim sobre apoiar um aborto com sete meses e meio de gestação. Critico toda essa demora do Estado, a condução do processo judicial, mas acho que os dois extremos estão errados: quem quer obrigar a criança a ter e quem acha que tem que abortar. A lei não impõe limite de tempo de gestação para aborto em caso de estupro, então, é possível fazer, mas tem que pensar se isso não sai da definição de aborto, entende? Quando você tira uma criança que sai com vida, não é mais aborto, é parto. É muito complicado. A única certeza que eu tenho é que todo mundo que contribuiu para a demora na realização desse aborto, inclusive a juíza, deveria ser condenado a pagar uma indenização fodida para essa criança, pelo resto da vida, não importa qual seja o desfecho do caso.”

SOMIR: minha mãe comentou sobre isso falando nessa complicação também
SOMIR: que se olhar mais fundo pro caso
SOMIR: ele é complicaaaado

ÁUDIO SALLY: “Eu super topo falar sobre isso, acho um tema interessante, mas não vai pensando que eu vou com os dois pés defendendo aborto, porque eu não sei se eu consigo, mesmo com todas as circunstâncias, defender o aborto de um bebê com quase oito meses de gestação. Isso confunde a minha cabeça… se é um assassinato, se é um parto, eu não sei o que diabo é isso, eu sei que isso nunca poderia acontecer. Não poderia acontecer de forma preventiva, crianças deveriam ter uma condição digna de existência, não tinha que acontecer a demora em realizar o aborto… enfim, o Brasil criou uma situação impossível, esse é o grande desfavor para mim.”

ÁUDIO SALLY: “Quando você vive em um país tão bosta, a ponto de criar uma situação tão horrorosa, não tem resposta simples. E tá todo mundo “Não ao aborto!”, “Sim ao aborto!”, e não é uma situação “sim” ou “não”. Esse caso não é “sim” ou “não”. Esse caso é complicadíssimo e deveria ser olhado como o complicado que é, e para evitar futuros casos assim e não ficar uma turminha de “sim/não”, “a favor/contra”.”

SOMIR: mas eu nem dizia pelo ângulo do aborto, eu dizia que era clone porque era bagunça em cima de menina grávida de novo
SOMIR: a primeira vez que eu vi a notícia, eu entendi que era o pai estuprando a menina, então entendi de cara porque a juíza tirou a menina de casa
SOMIR: eu acho inclusive que a gente pode ir na contramão da mídia

ÁUDIO SALLY: “Eu li que era um menor de idade que também morava na casa com ela, não lembro se era um primo ou um irmão… é uma história muito, muito, muito horrorosa. Parece que não foi possível prender o estuprador, prisão mesmo, de verdade, no presídio, por ele ser menor de idade. Deve ter gente da família envolvida… enfim, parece que tiveram que tirar ela de casa pela natureza do caso. É uma situação tenebrosa, eu não sei nem o que dizer. Acho que o grande desfavor é o Brasil ter tanta disfunção junta que é capaz de criar um caso como esse.”

SOMIR: podemos falar sobre os elementos que não fecham
SALLY: Quais elementos você acha que não fecham?
SOMIR: no sentido de: a pancadaria em cima da juíza veio porque
SOMIR: 1 – ela não quis liberar o aborto dela
SOMIR: 2 – tirou a menina da mãe
SOMIR: ambos os pontos são discutíveis, e o povo #elenão nem pensou sobre isso com medo de virar Bolsonaro

ÁUDIO SALLY: “Eu acho que a grande pancadaria em cima da juíza veio por ela estar induzindo a menina, a vítima, a tomar uma decisão. Tem um vídeo em que a juíza fala ´você consegue segurar esse neném na sua barriga mais um pouquinho?´. Durante a audiência, fica claro que ela está tentando convencer a menina a não fazer um aborto, até que a menina fala que sim, que vai esperar. Não podia ter feito isso, o juiz deve ser imparcial em casos como esse, não tem que influenciar uma vítima ou uma testemunha a tomar X ou Y decisões sobre sua vida pessoal, principalmente quando é uma criança, que é extremamente vulnerável à manipulação. E tem o risco de vida que essa gestação gera, que aumenta a cada semana. Isso tinha que ser decicido no momento em que a juíza recebeu o caso.”

SOMIR: quando eu ouvi sobre tirar VIVO e matar depois
SOMIR: eu também assustei

ÁUDIO SALLY: “Eu topo falar sobre isso mais por ser uma zona cinzenta desagradável e que ninguém está abordando, mas eu não sei o que defender, eu não tenho como opinar nesse caso, eu não vou dar opinião. Mas acho que tem algumas questões mais profundas do que “faz aborto/não faz aborto” que tem que ser discutidas, em vez de ficar nessa leitura maniqueísta de “você é um bolsonarista filho da puta” ou “você é esquerda abortista”. Esse caso ultrapassa qualquer rótulo. Mas, como é uma coisa tão horrível, tão difícil de decidir, as pessoas tendem a polarizar para não ter que lidar com o horror que é você ter que pensar nisso em profundidade, entender e tentar formar uma opinião”.

SOMIR: de uma certa forma, não é sobre o aborto

ÁUDIO SALLY: “Eu não sei… tem muita coisa sensacionalista. Eu não sei se chegaram a falar que o bebê seria retirado vivo e seria morto, porque isso seria um parto e um assassinato. O conceito de aborto, tanto médico como jurídico, até onde eu sei, não é esse. Se você tira um bebê da barriga da mãe e ele respira, houve um parto, um nascimento com vida… isso vale até para sucessão e herança. Essa pessoa que nasceu e respirou viveu, adquiriu todos os direitos inerentes a um ser humano. Não é porque a lei garante o direito a aborto em casos de estupro que deixa de ser um nascimento se o bebê for retirado da barriga e respirar. Eu realmente não sei como isso seria feito. Tomar medidas para que ele não sobreviva ainda dentro da barriga da mãe também me parece terrível. Se deixar ao natural uma criança com oito meses de gestação sobrevive. Eu li muitas coisas muito esquisitas, nem sei se consigo acreditar em alguma delas e essa resposta a gente dificilmente vai ter: é um processo delicado, envolvendo menor de idade, que corre em segredo de justiça então, na real, acho que a gente não tem nem como saber o que seria feito nem como, é especulação mesmo. E eu não duvido que o próprio Judiciário não saiba o que fazer, eu não acredito que eles tenham uma resposta pronta.”

SOMIR: é sobre a decisão horrível que alguém tem que tomar

ÁUDIO SALLY: “E aí entra outra coisa… essa menina não tem capacidade, maturidade, ela não tem condições de decidir isso sozinha com dez anos de idade. Quem deveria decidir isso seriam os pais, que são pessoas que participaram desse processo de violência para essa menina chegar onde ela chegou. A menina não pode decidir, isso é claro. A juíza deixou uma criança assustada decidir e ainda induziu, isso não podia ter acontecido. Mas… quem decide? A juíza não pode decidir, os pais não têm condições de decidir… quem decide? É uma aberração. É um desamparo em tal grau que você não sabe o que fazer.”

SOMIR: o Desfavor da Semana pode ser a complexidade do tema, que nada tem a ver com a militância
SALLY: Sim
SALLY: E que se perdeu
SALLY: Soterrado na militância
SOMIR: eu até pensei em pegar o ângulo: alguém vai ter que decidir
SOMIR: e isso presume que não tem como deixar todos felizes
SOMIR: eu estou viajando aqui, mas vira o dilema do bonde… o que é menos horrível: agir ou negar ação?
SOMIR: entende?

ÁUDIO SALLY: Para isso existe a lei: tem que decidir de acordo com os processos e limites estabelecidos em lei. A decisão pode ser polêmica e contestada, mas o processo… ele tem forma determinada e essa forma deve ser seguida. Se você acredita em um Estado Democrático de Direito, se você acredita no Poder Judiciário… eu não acredito… mas se estão colocando na mão do Judiciário devem acreditar… Então se você acredita no Judiciário, o procedimento deveria ter sido seguido e não foi. Seria desumano seguir o procedimento? Não sei, a gente poderia discutir isso, porque a lei não foi criada pensando nesse tipo de atrocidade, a média do que acontece não é esse tipo de descaso, de desamparo… a gente não tem lei para esse grau de desamparo que as crianças brasileiras sofrem.

SOMIR: essa realização é um tapa na cara

ÁUDIO SALLY: “É isso aí que você está falando do bonde, é o que em direito se chamam ´escolhas trágicas´, aquela situação em que, o que quer que você escolha, vai ter sofrimento, vai ter dor, vai ter morte, vai ter desgraçamento, vai ter injustiça. Você vai assassinar um bebê ou vai traumatizar uma criança para sempre obrigando a saber que tem um fruto dela com um estuprador no mundo? O que vale mais? A saúde psicológica dessa mãe que é uma criança ou você privar um ser humano já formado em condição de sobreviver de sua vida em nome de mitigar um trauma da mãe? Eu não tenho resposta para isso nem quero ter. Não me atrevo nem a pensar em começar a cagar regra sobre isso. Não tenho resposta para isso… e olha que eu sou a defensora oficial do aborto! Eu sou a primeira a defender aborto, abordo voluntário, aborto grátis, aborto com programa de milhagens: aborta dez vezes ganha uma passagem para Paris! Não tem pessoa mais a favor do aborto do que eu e, mesmo eu, não sei o que pensar.”

SOMIR: a gente tem uma visão parecida então

ÁUDIO SALLY: “Eu não me atrevo a falar do caso, mas eu me atrevo a falar que foi muito cômodo para todo brasileiro escolher um lado da polarização e ficar gritando militância, em vez de olhar de verdade para o caso e se deparar 1) com o horror que é, como o país trata as pessoas , 2) com o horror que é ter que pensar nessa decisão e 3) com o horror que é pensar no quanto a legislação está muito longe do que deveria ser para efetivamente proteger e evitar que esse tipo de coisa aconteça. Isso é o que tem que ser discutido. Esse caso… tá tudo fodido, tá tudo cagado, não importa o que se decida vai ser uma bosta, esse caso não tem salvação. Mas ao menos poderiam usar esse caso para pensar daqui para frente, em mecanismos para que esse tipo de coisa não volte a acontecer, em vez de ficarem se estapeando por militância.

SOMIR: eu não queria ter que tomar essa decisão
SOMIR: e ficar marcado por isso
SOMIR: alguém vai ter que ficar marcado por isso, tem uma trilha de desamparo, brutalização e injustiça na vida dessa menina que em algum momento cruzou a vida da juíza
SOMIR: e não tem como sair impune desse cruzamento
SALLY: Nem eu
SOMIR: e sabe do que mais? o ângulo religioso é a única salvação
SOMIR: não no sentido de salvar alguma alma, e sim no sentido de tentar se livrar dessa carga escrota que vai sair dessa decisão, porque aí a pessoa joga pra cima
SOMIR: livrinho mágico disse que não pode
SOMIR: tô fora dessa
SOMIR: o que, aliás, é um dos meus argumentos pelos quais eu acredito que religião seja tão confortável para as pessoas, ela não precisa lidar com dilemas éticos e morais, só está “cumprindo ordens”

ÁUDIO SALLY: “Olha só, eu não defendo essa juíza porque ela errou, mas eu consigo compreender o que ela fez. Dependendo do contexto, se é uma mulher que teve uma gestação há pouco tempo, se é uma mãe que perdeu um bebê, se é uma mulher que quer engravidar e não consegue… porque o juiz é imparcial até a página dois, a vivência do juiz conta para cada decisão. Dependendo do que essa juíza viveu, eu consigo entender ela não querer tirar a vida de um bebê já viável, inclusive pensando no que essa criança poderia sentir depois, em um futuro, quando ela crescesse e compreendesse o que aconteceu. Dependendo do que os psicólogos do tribunal perceberam, ela pode ter achado que é no melhor interesse da saúde mental da criança não matar esse bebê. Eu provavelmente não agiria como essa juíza agiu, mas eu consigo compreender. Quando o caso chegou até ela, o bebê já era viável, não foi a demora dela que inviabilizou o aborto.”

ÁUDIO SALLY: “E eu nem sei se a motivação dela foi religiosa, tá? Tem reportagens que a mostram de uma forma horrorosa e tem outras que mostram outra versão, com a qual eu posso lidar, ela dizendo coisas nesse sentido, de não poder tomar a decisão de tirar a vida de um filho viável de uma mãe se essa mãe no futuro for viver com essa culpa pelo resto da vida. No caso da adoção, ela sempre pode procurar pelo filho e explicar o que aconteceu, se tirar a vida desse bebê a mãe pode não ter paz o resto da vida. Pode ser que a pessoa não tenha paz nunca sabendo que tem um filho de um estupro por aí, mas pode ser que também não tenha paz se o filho for morto.”

SOMIR: eu estou achando que mesmo sem dar respostas, a gente tem um assunto muito bom
SOMIR: por mim vamos sim
SOMIR: a resposta é não ter resposta
SOMIR: tudo nessa vida dá muito trabalho
SALLY: Sim, eu super topo o tema
SALLY: E ninguém está falando desse ângulo
SALLY: Tema bom é quando a gente proporciona ao leitor algo que mais ninguém proporciona
SOMIR: eu estou indo longe aqui, tem um nó ético, moral, jurídico, social…
SOMIR: é tema bom sim
SOMIR: eu quase ignorei ele por cair na armadilha da militância
SOMIR: “de novo essa merda de aborto?”
SOMIR: mas é muito maior, não é sobre entrar de novo nesse papo chato de aborto como uma decisão sobre a alma da sociedade ao invés de ser questão de saúde pública como sempre deveria ter sido tratado, eu estou tão de saco cheio de ver as pessoas perdendo o ponto central dessa história que nem vejo mais diferença entre as polêmicas da vez sobre aborto, mas nessa tem uma diferença sim

ÁUDIO SALLY: “Pois é, dependendo do lado, essa juíza é uma filha da puta religiosa direitista ou é uma santa, salvadora, pessoa decente… Só que a gente não pode cair em nenhum dos dois lados, né? Apesar de, nessa questão, a gente ter uma grande simpatia pela vertente esquerdista do aborto, não dá para simplificar esse caso, resumir a política. Não temos como saber. Não conhecemos a juíza e não temos como conhecer detalhes do caso que corre em segredo de justiça, mas pode ser que boa parte das críticas a essa juíza não tenham fundamento, ela pode estar sendo demonizada por militância. Pode ser que ela seja uma completa bosta também. Mas eu não descarto que estejam demonizando porque é o que as pessoas fazem para ter razão, antagonizam com o outro lado, ficam jogando merda na pessoa até a pessoa ser odiada. No mínimo, ela teve coragem de pegar esse caso, se eu sou juíza e isso cai em mim, eu me declaro suspeita e não julgo.”

SOMIR: eu estava pensando aqui: na hora que esse caso caiu pra ela, ela tomou no cu
SALLY: Sim
SALLY: Ela poderia fugir
SOMIR: sim, mas ela olhou pra trás e não se arrependeu do que faz

ÁUDIO SALLY: “Ela podia ter alegado suspeição por motivos de foro íntimo, é quando o juiz diz que ele não está apto a julgar por ter acontecido algo na sua vida pessoal similar ao caso ou que afeta o seu emocional a um ponto de turvar seu discernimento ou comprometer sua imparcialidade. É uma coisa muito útil para fugir de qualquer processo, porque você não precisa explicar o motivo, diz que é suspeição de foro íntimo e sai sem dar explicação. Ela podia ter usado isso, mas ela segurou o rojão, indo contra um movimento feminista muito nervoso, que a gente sabe que existe… então, pode ser que seja uma filha da puta, eu tenho um monte de críticas a ela, mas, no mínimo a mulher teve coragem. Eu não teria essa coragem.”

SOMIR: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2022/06/23/menina-de-11-anos-que-foi-estuprada-em-sc-consegue-fazer-aborto.htm
SOMIR: já foi feito o aborto
SOMIR: eu não tinha visto ainda

ÁUDIO SALLY: “E a gente ainda pode entrar em outra vertente: se você é médico, você mata uma criança com 7, 8 meses de gestação? A lei garante esse direito, mas… a lei garantir não obriga o médico a fazer. Eu não sei se eu faria isso… eu não sei se eu conseguiria… E não é por convicção religiosa nem porra nenhuma que eu nasci em berço ateu mas… não é fácil tirar a vida de um bebê, é complicadíssimo. Juiz é obrigado a julgar, mas médico não é obrigado a fazer esse procedimento, o médico pode se recusar a fazer. É ético o médico fazer? É ético ele se recusar a fazer?”

ÁUDIO SALLY: “E ainda tem uma outra consideração que eu nem sei se vale a pena a gente entrar: eu não sei em que contexto essa criança foi criada. Se fosse eu, no contexto da minha família, seria muito mais traumático ter esse bebê. Mas se a pessoa vem de uma família católica, de uma família evangélica, de uma família espírita e foi envenenada com todo esse doutrinamento religioso de pecado, de ir para o inferno… se a pessoa tem isso dentro dela de um jeito que ela não consegue tirar e ela crescer e entender que ela está envolvida no processo de matar um bebê, eu não sei, o dano pode ser ainda pior do que ter a criança e dar para adoção. Não dá para dizer o que é melhor para o outro pela minha régua, entende? Eu não sei qual é a realidade, a mentalidade dessa família e dessa criança. Aplicar a minha mentalidade pode não ser o melhor para essa criança, nem sempre o que é melhor para mim é melhor para o outro, né? Mas as pessoas não conseguem dar um passo atras, respirar fundo e pensar nisso.”

SOMIR: isso me faz dar uma volta lógica no tema: é por isso que existem leis, para evitar que as pessoas julguem demais os casos
SOMIR: é aquele argumento da religião, mas com leis, nossos antepassados sabiam o que estavam fazendo quando colocaram num papel ou pedra quais eram as regras, porque se você procurar justiça pura mesmo em cada caso vai enlouquece, tudo parece horrível nesse caso da menina

ÁUDIO SALLY: “Juro que é o último áudio. Teve uma entrevista com essa juíza que ficou famosa, onde ela teria dito que compra livros importados, que tem uma biblioteca caríssima, não sei se você viu. Aí eu vi em outro lugar em que contexto, em tese, ela teria dito isso. Pelo que eu vi, ela alegou que o repórter que a estava entrevistando a atacou dizendo que ela deveria ter outras prioridades, por exemplo, saber mais sobre psicologia infantil, insinuando que ela gastava muito dinheiro para cuidar da aparência, dando a entender que ela gastava com futilidades e não investia na profissão. Nesse contexto ela botou um freio e disse que ela investia sim na profissão, que ela viajava, fazia cursos para se atualizar comprava o máximo de livros que podia para se aprimorar, inclusive livros importados caros, que tinha uma grande biblioteca, como exemplo do quanto ela investe na profissão. Daí pinçaram essa parte, sem contexto e jogaram para fazer ela soar antipática. A verdade? Não saberemos, mas eu posso ver um jornalista fazendo isso facilmente. Então, para mim, não dá para acreditar em nada que ninguém fale, pelo clamor popular que esse caso gerou. Não acredito em nada de nenhum dos lados.”

SOMIR: se um dia você não tiver privilégios de áudio comigo, eu aviso
SOMIR: o papo está interessante, manda ver
SOMIR: eu também não duvido, porque edição é feita desse jeito mesmo
SOMIR: tem o ângulo da matéria e tudo é direcionado para o ângulo, às vezes o jornalista está de sacanagem mesmo, às vezes ele nem percebe que está encaixando os fatos dentro da narrativa que está criando, dá pra explicar essa coisa do livro como arrogância ou preparo, depende de como você quiser enxergar a mulher
SALLY: Menina loirinha, patricinha, novinha… No cu que se fosse um juizão homem de cabelo branco estariam questionando ele assim, escrotizando em público
SOMIR: é também aquele jeito que homens e mulheres são criticados de forma diferente
SOMIR: eu até escrevi um texto no Desfavor onde comparava a forma como me criticavam e forma como te criticavam
SOMIR: o lado feminino vem com uma condescendência escrota, o homem pelo menos tem o direito de ser tratado como se tivesse aquela opinião, a mulher é sempre tratada como se precisasse que alguém explicasse melhor as coisas pra ela
SALLY: Sim

ÁUDIO SALLY: “Se fosse aquele juizão, velho de guerra, gordão, de cabelo branco, de toga, imporia respeito. Estaria sendo muito criticado sim, mas o tom é outro. Você vê o tom como estão escrotizando essa menina… é outra coisa, é outro tom. Talvez muita gente que está sentando o cacete nessa menina, se fosse um juizão padraozão estaria ao menos ponderando. Eu acho que ela tem esse lado, dela ser uma figura muito facilmente desmoralizável pela militância que está contra ela.”

ÁUDIO SALLY: “É mais que essa questão homem/mulher que você falou. Tem mais camadas aí. Essa menina… loira, branca, depilada, arrumada, maquiada… ela é tudo que a militância de esquerda mais odeia, quer criticar, quer destruir. O fato dela ter feito uma cagada homérica valida todo o discurso de que esse tipo de mulher é idiota, não presta, toma decisão errada, é incompetente… a figura, a persona da menina vaidosa, da menina bonita, da branquinha loirinha… eles estão batendo com gosto, com força e, na real, isso equivale a desmerecer a decisão de uma juíza por ela ser negra, e se fizessem isso, essa mesma militância ia gritar aos montes, no entanto, é exatamente isso que eles estão fazendo.”

SOMIR: é por isso que precisamos de representatividade
SOMIR: se fosse uma juíza trans
SOMIR: negra
SOMIR: e paraplégica
SOMIR: os lacradores iam ficar com o cérebro explodido

ÁUDIO SALLY: “Nem assim… o gay que defende o Bolsonaro é execrado. Desmerecem, não como filho da puta escroto, como fazem com homem branco hetero, mas com condescendência babaca tipo ´é um gay muito burro, coitado, ele não sabe o que faz’.”

SOMIR: é a condescendência de novo, só o homem branco hetero sabe o que faz, o resto precisa ser educado para aprender como pensar
SOMIR: são problemas que se resolvem com 1000 anos
SALLY: SE a população olhar para eles e se propuser a resolver
SALLY: O que não é o caso
SALLY: o povo acha melhor perder tempo brigando para levantar bandeira ou mostrar virtude
SALLY: dava para falar sobre esse caso por uma semana
SALLY: cada dia com um angulo diferente
SOMIR: sim, sai um livro
SOMIR: o trabalho vai ser concentrar o texto e ter uma linha coerente de texto, principalmente no meu caso que adoro uma tangente
SALLY: sim
SOMIR: por isso é bom colocar em mente que é um Desfavor Complica
SALLY: muita coisa vai ter que ficar de fora, infelizmente
SOMIR: a missão do texto é deixar a pessoa com faíscas no cérebro
SOMIR: esse tema é 100 vezes pior que parece
SOMIR: porque toda solução é ruim
SALLY: sim
SALLY: é que isso NÃO DEVERIA ACONTECER
SALLY: a lei não foi pensada para esse grau de barbárie
SALLY: isso quer dizer que, em 1940, quando o código penal foi escrito
SALLY: era menos barbárie do que hoje… que merda
SOMIR: quer mais um ângulo? se for uma família muito pobre e brutalizada
SOMIR: e deve ser
SOMIR: a cicatriz no emocional da menina é totalmente diferente
SOMIR: do que a gente consegue internalizar
SOMIR: a gente foi criado com um padrão de respeito diferente
SOMIR: ela sai de uma base muito diferente, como é que alguém que passou num concurso de juiz vai entender?
SALLY: depende, se tiver um componente religioso que apavore a menina com a culpa e o medo de uma vingança terrível pelo bebê ter morrido, pode ser até pior do que seria para a gente
SOMIR: ou não, é super complicado prever, gente mais brutalizada por um ambiente terrível como o de uma menina de 11 anos que já engravidou em casa pode muito bem formar uma casca diferente do que a gente imagina, talvez não seja a dor psicológica abstrata e mais a dor prática de lidar com um bebê sem condição nenhuma ao seu redor
SOMIR: mas aí é entrar em outra tangente também: o número de abortos legais de menores de idade é enorme, tão enorme que eu desconfio que isso seja muito mais normalizado entre o povo abandonado do país que a gente presume
SOMIR: ao meu redor, a gravidez mais escandalosa foi uma de 16 anos
SOMIR: lembro que quando aconteceu, a família inteira ficou escandalizada, com pena daquela criança e preocupada como ela ia se virar
SALLY: isso é outra questão abominável: a maioria dos estupros no Brasil são de menores de idade e dentro de casa
SOMIR: pelo visto, vida sexual (forçada) aos 10, 11 anos
SOMIR: é muito mais comum do que eu imaginava, eu fui protegido dessa realidade enquanto crescia por um entorno de classe média numa cidade interiorana
SALLY: esse dado existe há décadas, e não se faz nada a respeito
SALLY: mas quando a criança engravida, a militância brota dos bueiros para comandar a melhor decisão (para um lado ou para o outro, tanto faz)
SOMIR: são gerações e gerações que vivem com isso
SOMIR: a tia engravidou aos 13, a prima aos 12
SALLY: não é sobre preocupação com a criança, é sobre preocupação com a agenda, com a bandeira
SOMIR: sim, é meio que nem os conservadores
SOMIR: só aparecem pra decidir se tira ou mantém
SOMIR: depois, PAU NO SEU CU, PRETINHA! igualzinho a turma da bíblia, se fizer o que eles querem está resolvido, e foda-se o que acontece com as crianças envolvidas, a mãe e o filho
SALLY: sim, ninguém está realmente preocupado com a criança
SALLY: mas todo mundo finge que está e todo mundo finge que acredita
SOMIR: tem um texto até sobre o motivo pelo qual eu não estava animado sobre o tema
SOMIR: fadiga de aborto, um tema que estava surpreendentemente resolvido em boa parte do mundo começa a enroscar de novo, nos EUA vai cair como direito
SALLY: olha, eu sinceramente acho até que dá para recortar essa conversa e fazer um Desfavor Live como DS
SALLY: em um texto comum a gente não vai conseguir reunir isso tudo
SALLY: mas como eu mandei um monte de audio…
SALLY: hahahaha
SOMIR: hahahaha
SOMIR: chupa
SALLY: se quiser eu transcrevo os áudios
SOMIR: mas a gente conversa numa velocidade que eu não sei se quem não convive com a gente acompanha…
SALLY: voce acha que a gente abarcou tudo nessa conversa?
SOMIR: acho que sim, mas tem isso pra considerar
SALLY: mas esse caso está tão mastigado…
SOMIR: eu sei quando eu estou falando na velocidade mental minha e na velocidade mental para estranhos, eu não expliquei porra nenhuma das minhas ideias porque sei que você entende tudo em uma ou duas frases
SOMIR: será que entendem o que a gente discutiu?
SALLY: Acho que sim, não precisa de introdução, é um assunto que já vem muito mastigado da mídia
SOMIR: bom, eu gosto de uma novidade, mesmo que a diagramação vá dar mais trabalho que escrever um texto…
SALLY: então podemos testar
SOMIR: se você quiser transcrever eu faço sim
SALLY: fechado!

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Comments (56)

  • E n tem nem sentido… como q podem querer trazer ao mundo algo q ñ é desejado …???… vai ser a crianca mais feliz e bem tratada… são uns doentes msmo… n pensam nem no sofrimento da criança!!!

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  • Acho tão bizarro q pra sexo o corpo é da mulher e qndo ela diz ñ ngm pode fazer nd… mas aí pra aborto o corpo ñ é mais dela… n importa se é um bebê formado já se a pessoa se matar pode morrer os dois e aí adianta o q pro bebê …???… sinceramente, enqnto estiver dentro da pessoa ela pode fazer o q bem entender!!!

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  • Francinaldo Macena da Silva

    Tudo mas preciso saber mais sobre enfiar sensação de enfiar cabo de vassoura no cu

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  • Sobre a Klara: Tornam maternidade em uma espécie de penalidade, e depois falam que é “bênção”, “padecer no paraíso”, etc. Julgam mais o que a mulher fez, do que se o bebê está em bons cuidados e que fim teve o merda do estuprador.

    Mas né, coisa de sociedade sanguinária e semi-analfabeta, que quer arrotar moral sobre planejamento familiar quando é uma das que mais devem barbarizar crianças e adolescentes (e outros adultos) no mundo.

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    • Comentário sensato! Nunca foi sobre a vida, infância ou família. É sempre sobre a impor a própria vontade à vida do outro e , sobretudo, à mulher. Quem se importa de fato com o bebê jamais admitiria que ele crescesse no convívio de uma pessoa que não o desejou, podendo, inclusive, ser alvo de violências físicas e, no mínimo, psicológicas. A maternidade é o castigo que toda mulher deve se submeter, sobretudo as livres, as bem sucedidas e invejadas por homens e outras mulheres.

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    • “Sociedade sanguinária e semi-analfabeta, que quer arrotar moral sobre planejamento familiar quando é uma das que mais devem barbarizar crianças e adolescentes (e outros adultos) no mundo.”

      Não poderia concordar mais, Ana.

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      • Respondo apenas por mim: o que eu sempre defendi na vida e aqui é que se faça uma escolha racional e consciente, ou se usa um sistema para ressocializar e aí sim se aplica o código penal brasileiro, ou se assume que é e sempre foi um sistema meramente punitivo e se muda a lei para adequar.

        O que não pode é ser punitivo e se portar como se ressocializador fosse.

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      • “Vocês mesmas” quem, cara pálida? Só se for as mulheres do seu convívio.

        Se dependesse de mim, estuprador receberia pena de morte, isso sim.

        O que você achou?

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        • Das muitas coisas horríveis que um ser humano pode fazer com outro, não consigo imaginar nada pior do que estupro…

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  • O que eu ouvi de pessoas que trabalham com investigação, o pouco que conseguiram pegar do processo, é que na verdade as duas crianças tinham um “namoro” desde os 6 anos dela e 8 dele, tudo com o conhecimento e aval dos pais (o pai do garoto é padrasto da menina), e que a mãe esperou muito tempo para pedir o aborto. Que não teve *st*pr* nenhum. Ou teve, se considerar que esses pais nojentos cafetinaram os próprios filhos. Queria muito que alguém desse um jeito de indiciá-los por corrupção de menores ou algo do tipo.

    Uma das pessoas que escreveu a reportagem-bomba, que expôs o interrogatório e a juíza, foi a mulher que escreveu a manchete do *st*pr* culposo para o Intercept, e editou os vídeos da audiêndia da Mariana Ferrer. Ou seja, desonesta profissional. Claro que ficou todo mundo puto com a maneira como a juíza conduziu a audiência, estava todo mundo pensando que a menina foi brutalizada por, no mínimo, um adolescente bem mais velho que ela, e não foi assim que a coisa aconteceu, se minhas fontes forem precisas.

    Quando eu ouvi o caso, fiquei na mesma situação que a Sally. Eu sou absolutamente pró-escolha. Acho que se a mulher quiser fazer um por mês, tem que poder fazer, e olha que eu sou religiosa. Mas nesse caso, que o feto estava viável, achei uma merda fazerem o aborto. Sobre o procedimento, eu já ouvi que o mais comum é injetar uma substância que faz o coração parar, o feto morre, e só depois fazem a retirada cirúrgica. Deve ser brutal para a grávida, eu já li sobre clínicas de fertilidade que fazem isso num estágio muito anterior em gestações múltiplas para minimizar o risco para a saúde da mãe e dos bebês restantes, e a mulherada fica PODRE depois.

    Depois disso, veio o caso da Klara Castanho, e estou enojada pelo tanto de gente que pegou a história dela como se fosse um panfleto. Foi muito louvável a atitude dela, mas partiu de muito sofrimento. Tinha que buscar e punir com MUITO rigor quem quer que tenha vazado a informação para o Leo Dias.

    Enfim, mais uma semana normal no Bostil: não existe certo, não existe errado, só existe um corredor polonês cheio de cirandeiro fedido de um lado, e de cancerva espumando pela boca do outro.

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    • Pois eu penso que este rapazinho de 13 tá sendo usado como “bucha de canhão” para encobrir um possível adulto abusador….

      Tem caroço neste angu – inclusive a conversa suspeita da juíza asquerosa com a garota me sugere que ela pode inclusive estar envolvida em rede de tráfico de bebês pra adoção: “Ah, segura mais um pouquinho aí” – como se fosse tão simples menina parir.

      E não devemos perder de vista que uma coisa é uma mulher feita parir, outra é uma menina de 11, capaz q o feto de 7 meses num ventre tão juvenil nem fosse sobreviver, mais sofrimento inútil pra esta pobre menina… essa juíza é todos os demais envolvidos deveriam pagar caro pelo que fizeram… E sim, só LEGALIZANDO o aborto que situações assim teriam menos chances de acontecer, uma vez legal, casos assim teriam mais probabilidade de se resolver com mais celeridade, menos buRRocracia e portanto menos transtornos.

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      • Quanto mais se aprofunda nesse caso, mais e mais barbaridades vão aparecendo numa espiral sem fim de desfavores. Triste e assustador.

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      • Eu li que vão fazer exame de DNA para comprovar se era desse menino de 13 anos mesmo. Tomara que façam, não tem como encerrar um caso desses só com base no depoimento de uma criança assustada, que passou por tudo isso.

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    • Sexo com menor de 14 anos é estupro, sempre. Mesmo que a criança diga que pediu, implorou, mesmo que ela assine contrato autorizando. Menor de 14 anos não tem capacidade para consentir sexo.

      Sobre a Klara Castanho, além da indignação por vazarem dados sigilosos, eu fico abismada como sempre dão pedrada: se doa o filho leva pedrada, se faz aborto, leva pedrada. Que facilidade em julgar, criticar e condenar!

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      • Lei pra ingles ver.
        Meninas de 12 anos namoram, muitas com consentimento dos pais que chamam os meninos de “meu genro”
        já transam também. Passa um tempinho, terminam o namoro e logo no lugar do genro tem outro moleque ocupando o lugar, e assim segue a vida. Alguns deixam filho pra trás.
        Propositalmente pergunto ao avô “sua filha trabalha?” O avô diz que não, a filha ainda tem só 14 anos, é muito novinha pra trabalhar.
        Estupro?
        Tomanocu
        Tem pai e mãe que merece, não dá pra colher flor se plantou urtiga.

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  • Todos nós temos certos dias em nossas vidas em que nos sentimos tão desalentados com coisas com que nos deparamos que a nossa única vontade acaba sendo a de jogar as mãos para o alto resignadamente e apenas dizer “eu desisto!”. Pois é… Hoje foi um desses dias. Só não comentei antes porque ainda estava impactado demais com tudo o que eu li para conseguir articular qualquer pensamento coerente e também porque me pareceu que vocês já tinham esgotado o assunto com tudo o que debateram. Este caso é um acúmulo infinito de desfavores em que, não importa para que lado se olhe, simplesmente não há solução. Um beco-sem-saída ético, moral e jurídico. Ou, como a Sally disse: “quando você vive em um país tão bosta, a ponto de criar uma situação tão horrorosa, não tem resposta simples”. Um nível de sordidez inimaginável como esse só acontece no Brasil. E está cada vez pior! E isso é triste demais…

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  • O caso fica mais complicado quando não se sabe a realidade.
    Foi estupro? (me parece que não, mesmo sendo crianças mal informadas, não se pode chamar de estupro se ambos se deliciaram nos carinhos aos quais não estavam preparados para assumir as consequências)
    Não se sabe se foi estupro ou relação consensual entre as “crianças”.
    Há de se notar que há uma diferença de interpretação na causa e consequência.
    É um horror! Enfim, já era.
    Quem está apto a julgar crianças?
    Os responsáveis sim, esses devem ser julgados, a mãe, que devia estar toda esbaforida e se sentindo cheia de razão ao levar a filha para abortar devia ser responsabilizada pelo caso, afinal, ela deveria ter educado corretamente a sua filha sobre sexo/filhos/não fale com estranhos/não beba/não fume/drogas matam os neurônios/você só pode namorar após ter idade de trabalhar e ser responsável pelos seus atos.
    22 semanas são quase 6 meses de gestação numa menina de 11 anos, a barriga cresceu, a mãe não notou enquanto a barriga crescia… Essa menina ia na escola, ninguém notou a barriga mesmo!
    Muito estranho.

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  • Esse blábláblá sobre aborto de feto como se fosse uma vida é total falta de conhecimento de biologia. Nunca que um feto de 7 meses é viável por parto normal. É viável com uma caralhada de recursos tecnológicos aos quais a maioria absoluta das pessoas não tem acesso. A quase totalidade dos organismos faz abortos o tempo todo. Fala sério. Até VÍRUS faz aborto.

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  • A grande questão é que se o procedimento fosse realizado logo quando a menina e a sua mãe se dirigiram ao hospital a tragédia seria bem menos emblemática. Isso se repete todos os anos, quando crianças grávidas tem seus direitos negados. Isso que deve entrar para o debate! Sempre quando vaza na mídia um caso deste tipo, ou os hospitais se recusam, ou um bando de bárbaros se alojam para impedir o procedimento de direito. Neste caso a garota foi levada para um abrigo e não pode comparecer quando uma autorização judicial foi expedida para a realização do procedimento.

    A meu ver foi melhor o cumprimento do direito da menina, mesmo tardiamente. A garota seria julgada igualmente se tivesse (na hipótese de ambos sobreviverem) dado o bebê para a adoção, vide o escândalo da atriz global, traumas eternos. É sempre menos traumático quando se efetiva uma escolha.

    Lembrando que neste caso se aplica os dois incisos do artigo 128 do código penal, além do estupro –não importando o fato autor ser menor de idade e se a garota permitiu, o consentimento de um menor de 14 para relação sexual é irrelevante– a garota, em razão da idade correra sérios riscos de vida, cada dia que se estendia essa gestação seria catastrófico. E sim, para os delírios de nossa sociedade conservadora tupiniquim, para nossa legislação a vida extrauterina prevalece diante da intrauterina, mesmo com grandes chances de viabilidade. Sobre a juíza, ela se portou de maneira antiética não só por interrogar a menina e, sobretudo, pelo conteúdo do interrogatório, inclusive sugerindo que a menina “aguentasse mais um pouquinho” e “o que o pai acharia de dar o bebê para adoção” “você quer escolher o nome do bebê?” “O bebê vai nascer agonizando até morrer” “você quer ver o bebê nascer?” E pasmem: “vamos resignificar essa tragédia, a sua desgraça de hoje vai ser a felicidade de um casal”. Os direitos e a integridade física e psicológica da mulher/menina sendo postos em último plano, como sempre.

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    • Vi mais pessoas, inclusive religiosas, apoiando a atriz do que condenando.

      Procure uma bolha social melhor.

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      • Sobre a atriz, muitas pessoas (extremamente ignorantes, é claro) tecem comentários desconfiando do relato dela, questionando os motivos de não ter exposto o estuprador e alegando que na verdade ela teve uma gestação indesejada e “cruelmente” abandonou seu filhinho. “Mãe é mãe e sempre ama incondicionalmente” sendo que, independente da condição socioeconômica ou a origem da gestação, a puérpera tem o direito de entregar, em sigilo, o bebê. Querem forçar a maternidade indesejada de todas as formas: quem aborta é assassina, quem dá para adoção é cruel e quem não deseja ter filhos é egoísta.

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        • Se a mulher quer fazer um aborto do filho fruto de um estupro é massacrada. Se ela leva a gestação adiante e o coloca para adoção também. Não tem como agradar nunca!

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          • O fato da vítima não ter controle não significa que a hostilização pública não a afetará. Consideremos que além da violência que sofreu (imensamente traumática) ela é uma figura pública, sua vida profissional está atrelada a imagem que performa. Ou seja, transtornos em todos os ambitos!

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    • “o consentimento de um menor de 14 para relação sexual é irrelevante” – dúvida de ignorante em direito: essa lei é recente né?

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      • Não. Consentimento de menor de 14 anos não é válido faz muitos anos. Não importa o contexto, autorização expressa ou se a outra parte também é menor de idade. Entre 14 e 18 anos é discutível, mas menos de 14 anos não tem conversa: é estupro.

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        • Agora estou sem entender nada. Será que vocês poderiam fazer um desfavor explica com o caso daquele cantor de mpb + menina de 13 anos + pastor evangélico? Ele não ganhou na justiça um processo de difamação? Tinha entendido que se rolasse consentimento (inclusive aprovação da família) não era considerado estupro, mesmo se a pessoa fosse menor de 14 anos.
          No caso dessa menina de 11 com o garoto de 13, não existiriam atenuantes? Quando eu era jovem fazia muito sucesso um filme chamado “a lagoa azul”, que romantizava a relação sexual entre pré adolescentes. Nunca tinha parado para pensar nas consequências jurídicas.
          A única coisa que tenho certeza é que esse caso é absurdamente triste, quando li o texto aqui a primeira vez senti desconforto físico de tão horrível o relato. E pensar que isso deve acontecer aos milhares e ninguém fica sabendo…

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          • Então, temos que separar a lei e a moral no tempo. A moral é uma norma interna que regula as relações humanas desde sempre. Então, sob a perspectiva da moral, para a maioria das pessoas, um homem de 40 se relacionar sexualmente (estuprar) com uma criança de 13 anos não é aceitável.
            Do ponto de vista legal, é necessário saber quando o fato aconteceu, qual era a legislação da época. Imagino que nem as constituição de 1988, muito menos o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estivessem em vigor. O código penal já punia o relacionamento entre um homem mais velho e uma criança?

            Tirando os aspectos legais e morais, também é necessário ponderar como a sociedade encarava esse tipo de “relacionamento”. Aparentemente, a família da PL aceitava que ela “namorasse” o CV.

            Por fim, o direito penal como princípio no retroage no tempo para julgar atos que não eram considerados crimes no passado mas que agora são (existem exceções para retroagir, mas não se aplicam ao caso).
            Ex. No passado vender cocada não era crime. Mas agora, a venda de cocada foi criminalizada. Fulano que vendia cocada em 1980 não pode ser punido por uma lei criada em 2022. (A lei penal não retroage).

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            • Obrigada pela explicação, a você, ao Anônimo logo abaixo, e à Sally.
              Interessante essa separação entre moral e lei.
              Na minha cabeça “não jurista” essas nuances são difíceis de entender.
              Quando se definiu juridicamente o que é “estupro”? Pq “assassinato” como crime está definido desde as tábuas da lei – ao menos na nossa cultura. Mas estupro parece ter casos em uma espécie de “zona cinza” até bem recentemente… Assim como pedofilia.
              “O fato de ter sido formalizado recentemente não quer dizer que seja recente.” – isto é um exemplo perfeito de como eu tenho dificuldade de entender as nuances do direito. Quando é que passa realmente a “valer”? Quando é formalizado? Antes vai da cabeça do juiz? Depois de formalizado se torna “obrigatório” ser reconhecido como crime, mas antes não?
              E o que decide se um crime “formalizado” passa a ser retroativo ou não? Tem uma escala de “horribilidade”? Como se decide?

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              • Por favor, perdoem-me pela intromissão, mas esse assunto não poderia ser mais explorado em um texto próprio? Ou não é esse o caso?

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              • Vish. Vou tentar explicar com o pouco que sei de direito penal.
                Temos que ir por partes.
                Primeiro de tudo é preciso pensar que o direito não é formado só pelas leis, porque elas são insuficientes para elucidar todos os casos, então o direito também é ponderado pelos princípios. O direito penal, assim como todos os outros ramos do direito é ponderado por inúmeros princípios, entre eles o princípio da legalidade. Isso quer dizer que por mais condenável que seja um ato, ele só pode ser considerado um crime se houver previsão legal.
                Então, por exemplo se andar de cócoras for considerado um ato reprovável para a sociedade, mas se não houver previsão legal de que andar de cócoras seja um crime, então, a pessoa não poderá ser punida penalmente pelo ato.
                Isso serve, entre outras coisas, para garantir a segurança jurídica, evitar tribunais de exceção e permitir que o Estado democrático de direito se mantenha.
                Algumas vezes, o direito penal soluciona os problemas de outras formas. O crime de feminicídio foi tipificado recentemente (não tão recente assim) no código penal. Mas isso não quer dizer que antes de existir o tipo penal feminicídio os crimes passionais contra as mulheres não fossem considerados crimes. Eram, mas eram tratados como homicídio e a pena é diferente.
                Então, quando uma conduta vira crime ou deixa de ser?
                Depende de uma lei que tipifique o ato como crime.
                E como isso acontece?
                De acordo com as demandas sociais.
                Por exemplo: a lei Maria da Penha ou a Lei Henry do Borel. O legislador percebeu (depois de algum evento comovente, demandas repetidas, etc) que era necessário criar uma lei que tipificasse (tornasse crime) determinada conduta. Primeiro o fato acontece para depois o legislador criar a lei. Em geral, o direito não tem capacidade de previsão e por isso muda tanto, porque as demandas sociais mudam.
                O contrário também acontece. Algumas coisas eram consideradas crimes no passado, mas deixaram de ter um alto grau de reprovabilidade social, então deixaram de ser crime. Ex.: concubinato (não confundir com bigamia que ainda é crime).
                Se lembra quando eu disse que o direito responde a uma demanda social? Então, fica mais fácil entender que tornar o homicídio um crime é mais urgente do ponto de vista organizacional que o crime de estupro. Talvez seja por isso que em muitas sociedades o homicídio seja um crime mas a mulher que for estuprada pode levar chibatada ou até mesmo ser obrigada a se casar com o estuprador.
                Aqui no Brasil, por exemplo, até um tempo atrás só era considerado crime de estupro se houvesse conjunção carnal (penetração), a lei mudou para atender a uma demanda social. Hoje em dia, não precisa mais ter penetração para ser considerado estupro, tamanha a reprovavilidade da conduta.

                Por fim, a lei nem sempre é a melhor forma para se definir o que é certo ou errado. Existem leis injustas e leis primitivas demais para legislar assuntos tão complexos como o caso dessa garotinha de 11 anos. Se formos colocar bem na ponta do lápis será que um menino de 13 anos que se relaciona com uma menina de 11 anos deve ser considerado estuprador, por que menores de 14 anos não podem dar consentimento?
                O direito se esforçar para alcançar as demandas sociais, mas sempre fica para trás. A sociedade é muito mais rápida em suas transformações que o legislador para criar as leis.

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        • Esse entendimento jurisprudencial somente foi formalmente inserido no Código Penal em 2018 (§ 5º do artigo 217A). Nesse sentido, é recente.

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          • Eu me formei em 2001 e isso já era massivamente aplicado. O fato de ter sido formalizado recentemente não quer dizer que seja recente. Por exemplo, adultério foi abolido do Código Penal faz “pouco tempo”, mas faz muito tempo que não se pune como crime.

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  • Brasil é inacreditável. Ele olha para suas barbáries e pensa “eeeei, como podemos piorar isso?”

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    • Nada é tão ruim que não possa piorar. As imundícies nauseantes que só esta pocilga consegue produzir estão batendo recordes. E a velocidade com que tudo se degrada por aqui também está aumentando…

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  • O maior desfavor foi tudo isso ter acontecido no estado com melhores índices do Brasil (IDH, alfabetização etc.), melhor não pensar como deve ser no Maranhão ou no Acre.

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  • É difícil até para comentar algo. Como vocês falaram, nesse caso não tem decisão fácil ou que traga uma resolução feliz do caso.

    Acrescentando informações que um professor de Direito Penal repassou durante uma live em que analisava exclusivamente questões jurídicas:

    O pai do bebê seria filho do padrasto da menina. Ele tem 13 anos (vi em alguns portais de notícias que a polícia ainda fará exame de dna para averiguar).

    Ambos mantinham um relacionamento, sendo de conhecimento da família a situação. Isso teria também pesado na decisão da juíza. (Não localizei todas as informações em portais de notícias, mas o professor tem boa credibilidade e renome).

    Para mim, esse fato se for verdadeiro muda muito o contexto para a magistrada decidir.

    O imbróglio jurídico e social dessa situação não tem fim.

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    • Talento, se essa informação do “relacionamento” for real, o cenário muda completamente (continua complexo, mas de outra forma).

      Eu não entendi de quem teria partido a solicitação do aborto e com qual justificativa.

      Que a cabeça da menina ficará transtornada pelo resto da vida não há dúvidas, independente de qualquer tivesse sido a decisão. Pena que, provavelmente por ser de origem humilde, não terá acesso a acompanhamento psicológico e psiquiátrico adequado.

      Uma coisa que fiquei pensando quando soube dessa história foi a respeito do risco da menina morrer se mantivesse o final da gravidez. Mesmo que tenha engravidado e sustentado a gestação até 7 meses, o fato é que um corpo de 11 anos não está maduro e seguro o suficiente para manter e finalizar uma gestação. Os últimos meses são os mais difíceis, fisicamente falando. E se ela sofresse uma hemorragia? Se para mulheres adultas quase toda gravidez é um risco, imagino para uma criança.

      Enfim, concordo que não há uma resposta que não deixe um gosto amargo nessa situação. Eu não tenho coragem de dar pitaco. Ninguém com um pouco de empatia se sentiria 100% confortável com qualquer decisão que fosse tomada.

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  • E se tivessem mandado o bebê pra adoção e mentido pra menina e pra família que ele morreu durante o procedimento? Ele não ia ter futuro nenhum crescendo nessa família bizarra, seguiria os mesmos passos dos pais ou pior. Tem mais gente querendo adotar que crianças disponíveis pra adoção.

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    • Adolescente tem aos montes para ser adotado. É só adotar um deles. Não precisa ser recém nascido

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        • Concordo. As pessoas adotam quem elas quiserem. O mesmo se aplica ao aborto. As mulheres abortam se elas quiserem. Você não acha que temos o direito de dispor do nosso próprio corpo? Você acha justo nos obrigar a ter um filho só porque tem uma fila enorme de pessoas querendo adotar bebês?
          O corpo da mulher serve a ela mesma ou à sociedade?

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  • Eu acho que na verdade brasileiro é contra aborto porque gosta de ver os outros se ferrando, miséria ama companhia

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    • Exatamente! Quem é feliz com sua própria decisão não fica querendo enfiá-la goela abaixo dos outros. Quem o faz, é porque tomou a decisão, se arrependeu, vive na merda por causa dela e portanto quer mais gente se f0dendo junto. Não dá pra defender não, é bem por aí mesmo! Certíssimo o que vc disse!

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  • A bola de neve tá aí estampada. Conservadores só se importam antes de nascer, depois que nasce e tem uma vida de merda… “deus proverá”. Aí a vida de merda faz a criança cair nessa situação, de ter que ser mãe. E esse filho ia ter o mesmo tipo de vida, pra com 13 anos fazer a mesma coisa.
    Educação sexual não pode. Deixa engravidar com 11 anos.

    Acho que tanta gente ficou contra a juiza sem estressar o assunto porque recebeu da midia informação insuficiente. Ficavam falando 28 semanas de gestação, se falassem em meses seria diferente. BR não sabe fazer conta.
    Também demoraram pra falar que o agressor era namoradinho e morava na mesma casa.
    A mãe e o padrastro pai do namoradinho tinham que ser execrados pela sociedade, tão ou mais que a juíza.

    Obrigada por compartilhar a transcrição da conversa de vocês.

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  • Já pensou ter que conviver com um fruto de estupro? Todo dia olhar na cara do filho ou filha e se lembrar? Mesmo se der pra adoção, pais biológicos já estupram filhos, imagina os adotivos! Melhor não nascer do que vir pra esse mundo e fora que vem com toda a carga genética do pedófilo estuprador. Esquece os 7 meses, foi melhor pra ambos não deixar nascer.

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    • Em que pese que: Um feto de 7 meses no ventre de uma mulher adulta é uma coisa, no ventre de uma criança, é outra totalmente diferente: Se um feto de 7 meses na barriga de uma adulta tem pouquíssimas chances de sobreviver naturalmente, só com a ajuda de muuuuita ciência (e ainda sim, ter sorte), imaginem nascido de uma menina de 11 anos que já passava necesdidade, com nutrição deficiente, em fase de desenvolvimento, etc… realmente, melhor pra ambos nem nascer mesmo, por mais que note o tempo da gestação. E nunca é demais salientar a culpa da juíza asquerosa com aquele papo estranho de traficante de bebê, ela e os demais envolvidos que sejam punidos exemplarmente (meio difícil no Brasil, né), foi por causa dela e destes outros envolvidos que a situação chegou onde chegou.

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      • Juiz não pode induzir a vítima a nada: a fazer aborto ou a deixar de fazer aborto. Ela agiu muito errado na condução, mas eu entendo ela ter tirado a menina da casa onde ela morava, pela natureza da situação.

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