Nomes de Candidatos – Parte 7

Hoje nos aventuramos pelo Nordeste, o que significa que a oferta de nomes peculiares é ainda maior. Por isso, a coluna de hoje teve que ser otimizada, caso contrário passaríamos seis meses falando sobre esta região.

Decidimos fazer a divisão por estado: todos os candidatos a deputado federal e estadual do Cerará e depois do Maranhão. Além disso, algumas categorias foram cortadas, pois ocupam basicamente metade dos candidatos e se tornaria inviável falar sobre todos eles.

O maior corte foi na categoria “no que isso ajuda?”, composta por candidatos que colocam seu trabalho, ofício, função ou profissão no nome, mesmo que ele não tenha qualquer relevância para o cargo que vão ocupar. Fulaninho Colocador de Supositório, Beltraninho do Transplante de Fezes e assim por diante. Estes, infelizmente, ficarão de fora.

Vamos começar pelo Ceará, este lugar tão acolhedor, onde me foi dito uma vez em um restaurante que se soubessem da minha nacionalidade antes, teriam colocado veneno na minha comida. Estas pessoas tão bonitas, educadas e de bom-gosto nos brindam belíssimas escolhas de nomes de candidatos.

Na categoria “Você Podia Mudar de Nome”, citamos aqueles que receberam de seus pais um nome-maldição e, podendo alterá-lo nas urnas, decidiram mantê-lo. É fascinante como um povo que apresenta repetidos problemas ao pronunciar encontros consonantais (“estupro”, “registro”, “problema”…) ousa desta forma ao nomear os filhos.

É o caso de Luhanna Urya, que achou seu nome bonito, sonoro e fácil de pronunciar, digno de ser mantido em sua campanha. Temos também Lisieux, que, por mais que aparente ser uma marca de óleo para carros, é um nome e o sensacional Lindon Jonson. Mas quem realmente me cativou foi Crerineuma, que pensou “este nome não está adequado ao grande público, vou mudar” e trocou para Cleryneuma.

Na categoria “Esse Inglês Nordestino” tivemos muitíssimos nomes, por isso fomos obrigados a escolher os que melhor representam o espírito da categoria: Johnny Somos do Interior (nada como um toque americano para o interior), Maxwellma (esta simpática aglutinação EUA/Brasil), Wewe Hood (que não compreendemos, mas apoiamos incondicionalmente). Finalizamos com Ally Pride, Apollo Vicz, Ari Cowboy, Farlianny Magalhães, Godofredo Pepey, Pool da Voz Popular, Tony Inácio Show e Vianey do Vale. Imagina que lindeza, estas pessoas no consulado, tentando tirar visto para entrar nos EUA!

O resto, meus queridos, é um grande “q”, nomes que não conseguimos compreender, classificar e às vezes nem ao menos ler sem o cérebro bugar. Estamos fascinados com as múltiplas combinações inusitadas e gostaríamos de conhecer a história que levou cada um deles a esta escolha. Prepara… lá vai!

Cícero Animal das Pistas, Duda do Crato, É Hoje, Jociana Canuto Sereia, Laskadim, Loura do Povo, Neguinho dos Olhos Castanhos, Palhaço Tutu, Perola de Oya, Segundinho, Tenente Napoleão, Teresinha do Curió, Totonho, Xilito, Xisto e Yuri do Paredão.

Augusto Pirabibu, Balão do Povo, Bosco Cid, Brigada Cachos, Cacika Irê, Churuca, Cigana Kassandra, Cônsul do Povo, Cristina é Tempo de Aquilombar, Dedão, Doutor Leitão, Duca, Fabiola da Rua da Vala, Junior Herói da Saúde, Maniçoba, Matuto da Praia, Missias do MST (com “i” mesmo) e Novim.

Parangaba, Pipoca, Poeira do Icó, Preto Rap do Coletivo é o Gera, Professor Cláudio Chandelle, Thiaguinho Mala Mansa, Tião Simpatia, Turika Show, Vânia dos Queijos, Zé Maria do Tabuleiro e Zier Ferrer. Você sabe que escreveu um texto um tanto quanto diferente quando o corretor te pergunta se você quer trocar o idioma, pois não está reconhecendo a maioria das palavras que estão no arquivo.


Agora vamos para o Maranhão, a Sarneylândia. E, acreditem, ao que tudo indica, a Família Sarney é o menor dos problemas. Não são apenas os nomes bizarros, as fotos desse pessoal também chamam a atenção: o olha bovino, a cara de poucas ideias, o olhar sem alma… parece que se você gritar algo no ouvido da pessoa vai ecoar de volta, pois não tem ninguém ali.

Vamos começar pela categoria “Você Podia Mudar de Nome”, apesar de que, não caberão todos os merecedores de menção aqui. Escolhemos alguns para representar a vasta coletividade de pessoas que foram agraciadas com nome de fazer explodir o autocorretor e, ainda assim, acreditaram que ele era adequado para ser lembrado por eleitores que muitas vezes mal sabem escrever o próprio nome: Analamacita Brito, Aleygnan Leal e Fransuíla. Parabéns aos papais e mamães pela criatividade, pois noção faltou.

Passemos para a categoria “Esse Inglês Nordestino”, onde, novamente, tivemos que filtrar alguns para representar muitos: Frank Night, Helycopy, Mary do Mojó, Herbert Flash, Jarson Rock, Nego Boy, Diego Two e Peter Axl. “Mas Sally, será que o nome real dele não é Peter Axl?”. Não, o nome real dele é Claudio Pinto. “Mas Sally, não será um apelido, pois ele parece com o Axl Rose?”. Não. Nem em um milhão de anos.

Na categoria “Nem No Português Você Acertou” temos Marcio Kizoeira, Martind Tetéu, Miss Lucivaldo (no caso, é homem), Marreca Filho (também homem), Cicin, Denes da Pururuca, Adriano Drzão, Paulo do Coletivo Lulamarielle, Reporter Puliça e Xocolate. Meus mais sinceros parabéns, não deu nem no idioma pátrio.

Na categorias “Fauna e Flora” temos Arnoldo do Frango, Chico Leitoa, Foca, Paca, Rosa do Boi, Bem-Te-Vi Araujo, Célio Rei do Cavalo, Pingum do Povo, Raposão, Silvanete Rei do Gado, Raylson Carcará e Vaca Cega. Estamos realmente na dúvida se Gato Felix deve entrar nesta categoria, uma vez que é um personagem, mas, na falta de uma categoria “Tem que Ver Esses Direitos Autorais Aí”, vai aqui mesmo: Gato Félix.

Por fim, fechamos a grande miscelânia da categoria “q”: A Japa do Arrocha, Adão Coletivo Reggae Cidadania, Alex do Sucão, Andre Fufuca, Baiano do Cuxa, Chagas O Mandela, Chicão da Parabólica, Deise Furacão, Josimar Maranhãozinho, Nenem da Feira, Sargento Bugiganga, Silvio BemBem e Valcizão do Maranhão.

Temos ainda Aru Sanfoneiro, Baiko Iluminado, Caneta Azul, Carrinho Muniz, Cesinha do Egito, Chico Noel, Filho Coqueiro, Floflo, Neném do Povão, Raimundinha do Povo e Telminha do Bombom.

Continuamos firmes no propósito de desencorajar qualquer tentativa de levar a sério a política brasileira ou ter esperanças de melhora para o país. Não importa quem ganhe nas eleições Presidenciais, Presidente da República não “faz lei”, quem vai criar a lei que vocês serão obrigados a seguir será Gato Félix, Palhaço Tutu e Laskadim.

Não vale a pena brigar, não vale a pena se aborrecer, não vale a pena se iludir. Nem os candidatos parecem levar a política a sério, seria bastante otário da sua parte fazê-lo.

Já falamos sobre os candidatos de Brasília, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Sergipe, Pernambuco e Alagoas. Nove estados. Faltam 18. Vai dar tempo? Não vai dar tempo, mas faremos o possível para levar o máximo de atrocidades ao seu conhecimento.

Para dizer que está fascinado com o olhar de Caneta Azul, para dizer que o Somir deveria me ajudar para dar tempo ou ainda para dizer que está apenas horrorizado com o combo de hoje: sally@desfavor.com

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Comments (16)

  • Frank Night até achei legalzinho.

    E eu estava aguentando bravamente até o Pinguim do Povo. Não deu, perdi tudo.

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  • “Deise Furacão” parece nome de traveco. E “Sargento Bugiganga”? Depois de tanta trapalhada, o Inspetor foi rebaixado de cargo?

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  • Lobsang Rampa(*), (**), num de seus amontoados de bobagem (mais especificamente, “Você e a eternidade”, em que ele inclusive ensina a fazer “viagem astral”, pffffff!..), fez uma comparação entre homens e macacos, rebaixando estes últimos a meros “poços de protoplasma”.

    Pois é exatamente em “poços de protoplasma” que eu penso quando vejo esses semi-humanos, primorosamente resumidos pela Sally como tendo “(…) o olhar bovino, a cara de poucas ideias, o olhar sem alma… parece que se você gritar algo no ouvido da pessoa vai ecoar de volta, pois não tem ninguém ali.”.

    Estamos diante de uma completa degradação moral em política, fruto de 522 anos de simplesmente TUDO errado sob todos os aspectos neste acampamento a céu aberto chamado braziu. Mesmo que não houvesse política (que ajuda a empurrar a conjuntura ainda mais fundo no poço), nunca que teria como ser viável uma colônia de exploração que ocupa quase toda metade sul de um continente e que foi deixada ao deus-dará pelo colonizador para que se virasse sozinha, com seu contingente combo de brancos degredados do esgotão da Europa Ocidental, escravos revoltados e selvagens do tempo das cavernas, todos perdidos, olhando para direções diferentes, apenas querendo salvar cada qual a própria pele.

    É desesperador pensar que os bilhões (quase trilhões) em impostos pagos por todos nós servirão para financiar quatro, oito anos (ou mesmo mais no caso de reeleições) de mordomias para poços de protoplasma bípedes sem qualquer (in)formação ou conhecimento para além dos guetos subculturais em que fossam (e isso não se resume a Nordeste… eu sempre digo que o matuto nordestino só difere do matuto sulista no shape mais arranjado deste devido ao pouco de polaco/alemão/russo/japa que lhe está no DNA). É desalentador pensar que gente que não sabe articular duas frases com sentido, sem nexo, sem preparo, sem dicção, sem compostura, criados na vaquejada, no mangue, nos buracos de caranguejo, nos leitos pedrentos de ex-rios onde só se encontram cascos vazios de tartaruga serão eleitos e encherão o rabo de uma grana mensal equivalente ao trabalho duro de um quadrimestre dum professor de universidade pública toda precarizada.

    “Aaaaaain, Charles! Que antipático elitista você! Que que você tem contra a cultura popular, a vaquejada, o mangue, etc. e tal?”. “Nada contra, nem a favor; muito pelo contrário!”. Na verdade, quero que tudo isso se foda. Se ainda se dissesse que esse povo vai para o Congresso lutar por interesses de uma classe, do seu estado, da sua região, vá lá! Mas, vejam: é gente que não fala coisa com coisa, que não tem fluência, que não consegue acompanhar a elaboração duma lei, não tem traquejo social pra detectar armadilhas em projetos de amplo alcance, não tem tino comercial pra avaliar impactos financeiros da proposta/alteração de um imposto, duma mudança de alíquota… querem fazer o que na vida pública, PORRA?

    Eu peço perdão à Sally e ao Somir (e aos demais colegas) por dizer tudo isso, mas é um troço que a cada eleição me entala na garganta e demora a passar… demora quatro anos! Enquanto isso, o carnavalzão, o futebolzinho e a novelinha/BBB/fazenda vão permitindo cada vez mais que essas aberrações a que se chamam “candidatos” apareçam num ciclo permanente de horrores.

    ________
    (*) Na verdade, só mais um babaca batateiro metido a esotérico/mago/bruxo/ocultista da mesma laia de osho, crowley, sâr peladan, stanislas de guaita, la voisin e outros patifes pirados/degenerados;
    (**) Desculpem usar como referência a wikimerdia, a mais desacreditada e fajuta juntação de “artigos” sobre “tudo”… mas pra quem é tá bom!

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  • O André Fufuca foi 2º Vice-Presidente da Câmara entre 2017 e 2019 e assumiu a Presidência por alguns dias do período…

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  • Esse “Repórter Puliça'” é um figuraça que trabalha em uma emissora afiliada da TV Bandeirantes no interior do Maranhão fazendo “matérias” de cunho popularesco e trajando uma “farda” cinza semelhante à utilizada pelos oficiais da PM local. Dentre suas “façanhas” estão não conseguir pronunciar a palavra “eletrocutado” e quase se afogar levado pela correnteza de um rio poluído que supostamente estaria secando.

    Reportagem do “eletrocutado”:
    https://www.youtube.com/watch?v=BJHkwbGvMfE

    Reportagem do rio:
    https://www.youtube.com/watch?v=6ihIt47o8V0

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  • Nordestinônimo

    Maranhão pega o pior do nordeste e do norte ao mesmo tempo. Pernambuco, Ceará e Bahia são os estados mais ricos e carregam a região nas costas, deveriam dar um exemplo, mas são isso aí. Pernambucanos são cariocas wannabe, Recife tem até o mesmo cheiro do Rio. Paraíba virou colônia de gaúchos e chineses. Os estados restantes são tão relevantes que nem tem o que mencionar.

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    • Nordestinônimo, por favor, me corrija se eu estiver errado, mas me lembro de ter visto em um jornal lá pelo começo dos anos 90 uma matéria sobre o desenvolvimento humano de cada região em que se dizia que, se o Maranhão fosse um país em vez de um Estado brasileiro, seu IDH seria comparável ao de lugares miseráveis como a Suzailândia. A coisa lá no feudo os Sarneys é tão feia assim mesmo?

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