<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Anula Eu! &#8211; desfavor</title>
	<atom:link href="https://www.desfavor.com/blog/category/anula-eu/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.desfavor.com/blog</link>
	<description>REPÚBLICA IMPOPULAR</description>
	<lastBuildDate>Wed, 12 Nov 2025 21:39:47 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>Voto aleatório!</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2022/08/voto-aleatorio/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2022/08/voto-aleatorio/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Aug 2022 17:46:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Anula Eu!]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.desfavor.com/blog/?p=20361</guid>

					<description><![CDATA[A democracia é o melhor sistema de governo possível dadas as limitações do ser humano médio, mas não existe sem seus defeitos. Em todos os cargos eletivos brasileiros, temos basicamente o mesmo problema: a maioria das pessoas que vota num candidato não conhece muito bem a pessoa que está colocando lá para representá-la. Talvez em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A democracia é o melhor sistema de governo possível dadas as limitações do ser humano médio, mas não existe sem seus defeitos. Em todos os cargos eletivos brasileiros, temos basicamente o mesmo problema: a maioria das pessoas que vota num candidato não conhece muito bem a pessoa que está colocando lá para representá-la.<span id="more-20361"></span></p>
<p>Talvez em cidades bem pequenas, candidatos a vereador e até mesmo prefeito sejam mais conhecidos pelos cidadãos, mas eu apostaria que isso só vale para cidades bem pequenas mesmo. Acho complicado que isso seja possível em cidades com mais de 100.000 habitantes. Só nas 20 maiores cidades do país, vivem mais de 40 milhões de pessoas.</p>
<p>É muita gente que lida com candidatos que praticamente nunca ouviu falar na vida, decidindo por representantes sem nenhuma conexão real com eles. E sejamos honestos: o grau de politização do cidadão médio sugere que nem mesmo em pequenas cidades as pessoas se importem tanto assim com seus votos para vereador. Imagine só um cidadão de São Paulo decidindo em quem votar para presidente?</p>
<p>Podemos bater muito na falta de interesse do brasileiro em eleger boas pessoas para cargos públicos, mas temos que ser realistas: as chances de alguma dessas pessoas que se candidatam terem alguma relação com você são quase nulas. É uma questão de números. Pode ter um vereador da cidade morando no seu prédio e você nunca ficar sabendo. Se você mora num bairro pobre, as chances são quase nulas de ver um político fora de período eleitoral.</p>
<p>E mesmo assim, a mente humana tem limites de quanta gente consegue manter relevantes a cada momento. Na média, esse valor não costuma passar de umas 100 pessoas, que é o “valor mágico” do tamanho de tribo humana. Não é definido por popularidade ou vontade, é bloqueio mental mesmo. O cérebro não é obrigado a lembrar de tanta gente, e pode ter certeza de que não vai fazer.</p>
<p>Grupos mais próximos então? Pouco mais de uma dezena de pessoas cabem na nossa vida com alto grau de atenção. Quando a ideia de democracia se popularizou, vivíamos em sociedades muito menores. E toda essa coisa de voto direto como fazemos atualmente não era a norma. Eram várias limitações, a maioria delas evitando que mulheres, pobres e afins tivessem alguma voz.</p>
<p>Então mesmo em grandes cidades antigas com alguma versão de democracia, o grupo de pessoas que podia se candidatar era muito pequeno, e o grupo de pessoas que podia votar também. Foi uma injustiça corrigida no meio do caminho, mas que criou esse problema: um bando de desconhecidos disputando o voto de basicamente qualquer pessoa com um batimento cardíaco.</p>
<p>Hoje em dia, não votamos em pessoas de extrema confiança. Não votamos sequer em pessoas que temos alguma noção de quem são. Não é à toa que corridas presidenciais costumam ser mais populares: mesmo que de uma forma muito manipulada, você tem alguma informação sobre o candidato para decidir o que pensar dele. Mais ainda: você tem uma certa convivência com a imagem dele (ou dela) para se convencer que tem alguma ideia sobre quem a pessoa seja.</p>
<p>Não estou me contradizendo: a imensa maioria de nós não sabe bem quem é Lula, Bolsonaro, Ciro e cia.; o que temos é a ilusão de proximidade criada pelo foco que uma campanha para presidente gera e repetição o suficiente para formarmos uma imagem mental deles. Quando falamos de deputados, vereadores e coisas do tipo, a situação é mais honesta; aposto que a maioria de nós não vota com muita convicção para cargos menores.</p>
<p>Pudera&#8230; que são essas pessoas? De onde elas vêm? Normalmente só vemos uma foto e uma promessa, no máximo, da pessoa. O que diabos esperam que a gente depreenda das campanhas eleitorais? Ok, um candidato a presidente pode até ter uns minutos para falar, mas e os outros cargos, os mais importantes? A pessoa aparece na sua TV com cara de assustada, fala o próprio nome e se tudo der certo, o número.</p>
<p>Pode ser uma pessoa totalmente perdida que se candidatou por ilusão de grandeza ou mesmo por esquema do partido, mas pode ser alguém que realmente faria boas coisas se fosse eleita. Como saber? Às vezes aquela tiazinha que parece que viu um fantasma enquanto gagueja o próprio nome no horário eleitoral pode ser alguém que cuida de projetos sociais com dinheiro do próprio bolso há 30 anos!</p>
<p>O que eu acho desesperador é que por pura probabilidade, toda eleição tem gente decente o suficiente se candidatando para possivelmente melhorar sua cidade, estado ou mesmo o país. Se 90% dos brasileiros forem totalmente incapazes de cuidar do país, sobram 20 milhões de pessoas que prestam. Se 99% forem corruptos, dá pra ocupar quase todos os cargos públicos só com a gente honesta que restou.</p>
<p>E vou além: se mais da metade eleita for gente que presta, os corruptos e os incompetentes já começam a ter imensa dificuldade de fazer os esquemas funcionarem. Não é otimismo, é matemática aliada com mecanismos padrão de funcionamento do ser humano: você tem menor probabilidade de sujar um chão limpo do que um chão que já está sujo. Se você começar a bagunçar as conexões e os esquemas dos políticos que estão no cargo com mais e mais gente fora da “panela” deles, a confusão aumenta de forma exponencial.</p>
<p>Certeza de impunidade é a melhor amiga do corrupto e do incompetente. Quanto mais você conhece os seus colegas de poder, maior a probabilidade que você ande fora da linha, por acreditar que eles também têm coisas a esconder e não vão querer mudar o status quo.</p>
<p>Está ficando confuso, né? Vamos lá: eu argumento que a gente não conhece de verdade os políticos nos quais votamos, e que por uma questão de tamanho de país e população, a chance de conseguirmos votar em alguém que confiamos que vai fazer as coisas direito é minúscula. Se você tem a sorte de conhecer relativamente algum político que está tentando se eleger (conhecer de verdade, não conhecer por propaganda e repetição como Lula e Bolsonaro), a sua melhor aposta é votar nessa pessoa, é claro.</p>
<p>Mas, se você está tendo dificuldades de encontrar boas pessoas para votar, eu vou sugerir uma estratégia: caos. Caos eleitoral, votar em gente completamente aleatória, especialmente aqueles que tem tudo, menos cara de político. Não precisa votar nos candidatos malucos que a Sally exibiu nos seus textos, porque esses assumem que estão lá pra fazer porcaria nenhuma; mas define algum padrão mental pouco previsível: não votar em candidato de terno. Votar só em mulher idosa com cabelo pintado. Votar apenas em pessoas com sobrenome da Silva.</p>
<p>E acima de tudo: se você viu a foto ou a propaganda do candidato mais que uma vez, não vote nem a pau nele ou nela. Vote em quem os partidos não querem que sejam eleitos. Partidos definem verba entre os colegas que vão participar dos seus esquemas e os Zé Ruelas que estão lá só pra fazer número. Muitos desses Zé Ruelas são pessoas decentes, mas um pouco inocentes de achar que tem chance. O partido é seu inimigo. O que ele quer você não quer.</p>
<p>Parece que eu estou fazendo uma sugestão anarquista, mas até que tem ordem na insanidade: o brasileiro sempre achou que estava provocando os políticos mandando celebridades estúpidas para o poder, quando na verdade só estavam colocando gente com muito a perder ali. Subcelebridade eleita vira Tiririca (que não fede nem cheira) ou vira Frota (que só aparece para falar merda). Que tal colocar aqueles aleatórios que se levam minimamente a sério no Congresso ou mesmo no Senado?</p>
<p>A minha ideia só funciona se tiver adesão, é claro. Eu não vou conseguir mudar o Brasil votando assim sozinho, mas vai que eu consigo envenenar mais algumas mentes aqui? Talvez a gente não consiga aplicar a loteria eleitoral em 2022, mas a ideia pode ser aperfeiçoada até 2026. Talvez com um gerador de voto aleatório: selecionando da lista de candidatos a vereador os com a combinação de menos patrimônio e menos suporte do partido para garantir que vai ter um monte de gente inesperada assumindo os cargos.</p>
<p>Mas isso vai colocar gente despreparada no cargo? Sim, só que já elegemos gente despreparada. A maioria dos deputados só consegue propor feriado e trocar favores por votos. Mal ficam lá em Brasília, por exemplo. Não sabem mesmo o que tem que fazer. Se um dia alcançarmos uma massa crítica de aleatórios, pode ficar mais e mais difícil fazer esquemas. Os políticos brasileiros dependem de uma boa dose de eleições de conhecidos e amigos para manter tudo funcionando como gostam.</p>
<p>Candidatos deveriam aparecer de forma aleatória na população, mas quase sempre são as mesmas pessoas, das mesmas famílias, dos mesmos grupos de amigos&#8230; a nossa escolha é muito limitada se tivermos apenas o tamanho da campanha feita pelo candidato para nos guiarmos. Se recebe dinheiro do partido para ser eleito, boa coisa não deve ser. Se é ignorado solenemente pela legenda e só tem 3 segundos de horário político, ainda existe uma chance de ser alguém honesto (ou ruim de esquema, adoro corrupto incompetente também).</p>
<p>Está na hora de assumirmos que não conhecemos os candidatos e é tudo meio que um chute no escuro, que pelo menos a gente chute numa direção um pouco diferente. Eu já me comprometi a votar em gente sem apoio nenhum de partido. Candidatos que os políticos atuais não querem que sejam eleitos.</p>
<p>Repito: se você confiar ou conhecer minimamente um candidato, é a melhor opção. Mas se não souber em quem votar, vote em quem estiver fazendo a campanha mais humilde possível. É um dos melhores jeitos de sacanear quem vive te sacaneando. O horário político vai começar e eu vou escolher os mais perdidos (não subcelebridades) possíveis.</p>
<p>Viva a democracia!</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que vai aderir, para dizer que adorou mais vai pagar os 3 reais, ou mesmo para dizer que vai votar em quem errar o próprio nome no horário político: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.desfavor.com/blog/2022/08/voto-aleatorio/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>5</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Anula Eu! &#8211; 3021</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2021/08/anula-eu-3021/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2021/08/anula-eu-3021/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Aug 2021 17:36:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Anula Eu!]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.desfavor.com/blog/?p=18833</guid>

					<description><![CDATA[As eleições estão chegando. Ontem eu recuperei uma das minhas memórias mais antigas, de quando eu ainda era orgânico. O arquivo estava corrompido, como é comum depois de um milênio de cópias seguidas. Mas uma frase da minha versão antiga ainda sobrevivia inalterada, depois de tanto tempo: “saia do Brasil!”. Eu adoraria que essa memória [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As eleições estão chegando. Ontem eu recuperei uma das minhas memórias mais antigas, de quando eu ainda era orgânico. O arquivo estava corrompido, como é comum depois de um milênio de cópias seguidas. Mas uma frase da minha versão antiga ainda sobrevivia inalterada, depois de tanto tempo: “saia do Brasil!”. Eu adoraria que essa memória não tivesse ficado num cérebro antigo, porque o eu do século XXI realmente tinha uma boa mensagem para o eu do século XXXI&#8230;<span id="more-18833"></span></p>
<p>Para nós que ficamos na área do sistema solar administrada pelo antigo Brasil, atual Confederação Bolso-Lula, nos restou o calor infernal da órbita de Mercúrio; e respeitando uma tradição histórica, exportação de ferro como basicamente a única forma de renda. 3021 e temos basicamente a mesma economia de 2021. Quem me dera eu tivesse recuperado essa memória antes, porque eu teria me esforçado mais para sair.</p>
<p>Mas agora, com minha consciência digital presa num embargo total causado pelas decisões terríveis de Neto Felipe, o XXIV, que nacionalizou as nossas maiores empresas para aumentar sua arrecadação e realizar planos sociais ridículos como o Bolsa de Dados, eu tenho que escolher entre mais de mil anos de memórias ou sair dessa região amaldiçoada do espaço. Por enquanto, escolho manter minhas memórias.</p>
<p>Afinal, sem elas, eu poderia esquecer porque tivemos que sair todos do planeta Terra e cair no conto furado dos que pregam que devemos voltar pra lá. Como muitos de vocês podem estar sem essas memórias (não julgo quem vendeu as suas para pagar pelo plano de dados), eu acho bom recapitular:</p>
<p>As informações são meio confusas sobre o começo da pandemia de Covid, quase todas as memórias dessa época estão tão corrompidas quanto a minha, mas o que sabemos é que começou como uma doença orgânica simples, que só matava uma fração de porcento das pessoas que infectava. Nada que a tecnologia do século XXI fosse incapaz de lidar. Mas alguns governos teimaram em não fazer coisas básicas como distanciamento social e vacinação. Não está claro o motivo, mas parece que tinha algo a ver com crenças religiosas da época, especialmente dos primeiros bolsonaristas.</p>
<p>Os lulistas, a outra religião grande da época, até tinham alguma noção básica do que fazer para combater a doença, mas estavam tão focados em disputas com os bolsonaristas que deixaram a coisa desandar também. Um jogou a culpa no outro e a doença continuou se espalhando, criando variações atrás de variações, até que finalmente nenhuma droga da humanidade antiga era capaz de combate-la.</p>
<p>Líderes das duas religiões se alternaram no poder, como ainda acontece hoje em dia, mas apenas desfaziam tudo o que a religião inimiga fizera na administração anterior. Ninguém conseguia combater a Covid no antigo Brasil, e o povo da época começou a aceitar a doença como um fato da vida. Mesmo quando a taxa de mortalidade entre adultos saudáveis saltou para 10%, ainda diziam que era a vontade dos seus deuses.</p>
<p>Aí, acredito que todos tenham pelo menos alguma memória da Guerra da Vacina, onde os países mais avançados do mundo invadiram o Brasil para forçar a população a tomar o imunizante. Foi um fracasso. Não porque não conseguiram dominar o país, a guerra acabou em 24 horas quando acabou a munição do exército brasileiro, mas depois disso ninguém conseguia fazer o país funcionar: o povo não gostou das novas leis e decidiu que não as ia cumprir. Quem já era brasileiro sabia disso, mas os invasores estrangeiros ficaram tão chocados com esse hábito que acabaram travados.</p>
<p>Em poucas décadas, já aceitando a derrota para a teimosia brasileira e com uma nova variante da Covid que começava a controlar o cérebro dos infectados, tivemos a Grande Migração. Boa parte da humanidade abandonou o planeta, com exceção de alguns bolsões de teimosos no Brasil, Estados Unidos e gatos pingados em diversos outros países. A maioria de nós veio para os planetas colonizados e para as estações espaciais.</p>
<p>A OPU conseguiu manter o planeta Terra isolado por vários séculos, mas tudo que é bom acaba. Com a queda das Colônias Unidas da América e o seu enorme exército, todo mundo podia visitar de novo o planeta sem medo de represálias. Deveríamos fazer isso? Não. Adianta dizer isso para bolsonaristas e lulistas? Não. Os imbecis começaram a fazer peregrinações no nosso antigo planeta, em busca dos seus locais sagrados como Sindicato Original e o Condomínio da Milícia!</p>
<p>Não encontraram humanos por lá, mas encontraram uma série de novas espécies. Sim, os que ficaram na Terra morreram todos, pelo menos algo de bom. Os religiosos dizem que foi uma limpeza para nos aceitar de volta, mas eu baixei um programa mental de infectologia e outro de biologia e sei que morreram todos porque o vírus sofreu tantas mutações que começou a se misturar com outras formas de vida no planeta.</p>
<p>A única coisa que tem naquele planeta é coronavírus! Mas os imbecis continuam visitando e trazendo de volta para as colônias espaciais. Como a taxa de letalidade ainda é muito baixa, é claro que começou a discussão sobre fechar ou não as colônias com infectados. Minha estação espacial está num fecha e abre sem parar há quase dois anos! Era só proibir esses fanáticos de ficarem indo para a Terra se infectar, mas não, é pedir demais!</p>
<p>Especialmente para os candidatos à presidência da vez: Carlos Olavo de Bolsonaro IV e Pablllllo Anittttttta II! O primeiro fez um comício direto da Terra dizendo que vai fazer o Brasil Grande de Novo (slogan merda), a segunda (ou segundx, ou segunde, ou segundu, depende da hora) diz que estar contaminado é um novo gênero válido e que é preconceito proibir. Estamos fodidos, de novo. Como eu gostaria de ter tido acesso à memória antes e ter escapado daqui.</p>
<p>Porque desde que descobriram que a variante Delta 9GFFA972-8112-UQ é capaz de infectar peças robóticas também, está todo mundo com medo de liberar transferência de consciência digital para outras colônias. Só duas colônias em asteróides de mineração aceitam mentes bolsolulistas atualmente, a mais próxima fica na Nuvem de Oort! Sabe quanto tempo demora para fazer stream de vídeo por lá? Nem queira saber.</p>
<p>Eu sinceramente não sei em quem votar. Nenhum dos candidatos não religiosos tem qualquer chance contra o candidato bolsonarista e a candidata lulista. O Somir do século XXI era um selvagem que tinha um buraco para excretar matéria orgânica decomposta, mas até que tinha um pouco de cérebro&#8230; pena que não ouvi ele a tempo.</p>
<p>Boa sorte para nós, nós vamos precisar.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que vota em Pablllllo Anittttttta II, para dizer que Carlos Olavo de Bolsonaro IV é claramente a solução, ou mesmo para dizer que só quer que esse calor passe logo (boa sorte estando tão perto do Sol): <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.desfavor.com/blog/2021/08/anula-eu-3021/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>8</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como ganhar uma eleição no Brasil.</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2020/11/como-ganhar-uma-eleicao-no-brasil/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2020/11/como-ganhar-uma-eleicao-no-brasil/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Nov 2020 15:20:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Anula Eu!]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.desfavor.com/blog/?p=17588</guid>

					<description><![CDATA[Seguindo uma sugestão de longa data do W.O.J., hoje eu explico o que um candidato precisa fazer para ter uma campanha de sucesso no Brasil, versão sincerona. 1. Seja um candidato viável: Antes de qualquer coisa, é importante colocar na cabeça que eleições são concursos de popularidade. Propostas e ideologia até contam, mas estão muito [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Seguindo uma sugestão de longa data do W.O.J., hoje eu explico o que um candidato precisa fazer para ter uma campanha de sucesso no Brasil, versão sincerona.</p>
<p><strong>1. Seja um candidato viável:</strong></p>
<p>Antes de qualquer coisa, é importante colocar na cabeça que eleições são concursos de popularidade. Propostas e ideologia até contam, mas estão muito subordinadas à capacidade do candidato ou candidata de gerar confiança e/ou simpatia nos eleitores. Não estamos falando de ter uma votação decente aqui, estamos falando de vitória.<span id="more-17588"></span></p>
<p>Você é um candidato viável se já começa a eleição minimamente conhecido na região onde estão seus eleitores potenciais. Se o cargo desejado for de vereador, é importante ser famoso pelo menos no seu bairro. Se for presidente, você precisa de pelo menos algumas aparições na TV aberta antes de começar a campanha (o que pode mudar nas próximas décadas para uma presença online de destaque).</p>
<p>O ciclo eleitoral ficou muito curto nos últimos anos, não dá mais tempo de começar a campanha como um ilustre desconhecido e tirar a vantagem depois. Mas não para por aí: um erro comum é achar que só isso resolve.</p>
<hr />
<p><strong>2. Não tenha muita rejeição:</strong></p>
<p>Apesar do que os lacradores vão querer te dizer, Hitler não seria eleito numa eleição nacional, mesmo que seja uma das pessoas mais conhecidas da história. O ser humano tem muito mais certeza sobre o que não gosta do que sobre o que gosta. É uma mecânica do funcionamento da nossa mente que provavelmente teve muita utilidade desde o tempo das cavernas.</p>
<p>Você sabe explicar bem porque não gosta de alguma coisa, mas normalmente fica meio travado para explicar porque gosta de outra. Candidatos vivem e morrem por essa forma de pensar tão comum entre as pessoas. E só tem rejeição quem já é minimamente conhecido. Está em segundo lugar porque é impossível não ter nenhuma rejeição se muita gente sabe quem você é, mas existe um limite “saudável” nessa conta.</p>
<p>É muito mais fácil gerar alguma simpatia em quem está te conhecendo do que tirar a imagem ruim que já está lá. Mesmo que seja algo totalmente irracional da pessoa, é muito difícil mesmo virar esse tipo de opinião. Rejeição é voto perdido que não volta mais, e pior, que influencia votos próximos daquela pessoa.</p>
<p>A solução é ser uma pessoa honesta que não se mete em confusões? Claro que não. O presidente que não me deixa mentir. A solução é ser mais ou menos neutro para boa parte da população. Quando o candidato consegue estabelecer um ponto chave sobre sua imagem e deixar o resto para ser idealizado pelos outros, vence a dificuldade da rejeição: as pessoas colam no candidato o que acham positivo para racionalizar um voto, ele merecendo ou não. Não é à toa que político costuma ser tão escorregadio na hora de defender ou rejeitar uma ideia. Quem se posiciona sobre tudo acumula mais e mais rejeição. Bolsonaro foi um candidato sem propostas reais para quase todas as áreas do governo, então, as pessoas presumiram o que queriam nele.</p>
<p>Combater rejeição não é sobre fazer as coisas direito, é sobre influenciar as ilusões dos eleitores sobre você. Quanto menos área para a pessoa colar as preferências dela, menor sua chance de conseguir o voto.</p>
<hr />
<p><strong>3. Não seja um candidato patético:</strong></p>
<p>O brasileiro médio pode não ter muita noção do que configura uma boa plataforma de propostas, mas sente o cheiro de um perdedor de longe. No tópico anterior, já eliminamos aquela gente perdida que aparece por 2 segundos na propaganda política com dificuldades de ler o próprio número para a câmera, mas vai além disso.</p>
<p>Mesmo que você já seja conhecido por uma parcela considerável das pessoas que podem votar em você, há uma certa postura que se espera do candidato. Eu sei que o Tiririca foi eleito e que todo ano alguma subcelebridade dá um jeito de ficar entre os mais votados, mas se você for analisar a quantidade que tenta a cada ano, vai começar a notar que não basta ter um nome e um rosto famosos.</p>
<p>A postura do candidato conta, e seu histórico também: não adianta ser conhecido se você parece alguém com vergonha de estar fazendo campanha política, ou pior, se parece um completo imbecil sem a menor noção do que está fazendo. De forma alguma estou dizendo que competência é o fator determinante, mas sim que você pelo menos tem que demonstrar que pertence naquele ambiente.</p>
<p>As pessoas acreditam em quem acredita em si. Frase feita, mas que funciona na vida real. O Alexandre Frota é famoso por comer travestis em filmes pornôs, mas botou banca de macho-alfa numa eleição em que o brasileiro médio estava disposto a eleger candidatos agressivos. Naquele contexto, funcionou. O Tiririca fez uma campanha assumindo que era uma piada num eleição o brasileiro médio estava querendo sacanear o governo. Não tem muito a ver com suas propostas, tem a ver com entrar no papel desejado pelo povão e agir de acordo.</p>
<p>Um candidato ridículo nem sempre é patético, desde que tenha confiança no que está fazendo. Candidato que demonstra fraqueza não vence nem eleição para síndico. Não é sobre ser mais preparado, é sobre projetar uma imagem forte. Não adianta ser famoso se não conseguir passar a ideia que sabe o que está fazendo, mesmo que na verdade não saiba.</p>
<hr />
<p><strong>4. Tenha recursos:</strong></p>
<p>Os orçamentos de campanha diminuíram muito de uma década pra cá. A internet mudou a lógica das campanhas, e a legislação mudou de acordo gerando várias limitações. Mas isso não quer dizer que elas ficaram baratas. Ainda há uma estrutura por trás de uma campanha que vai muito além de imprimir dez milhões de santinhos para poluir a cidade toda.</p>
<p>A pessoa que se candidata precisa de um mínimo de colaboradores na parte administrativa da campanha, mesmo quando tenta ser vereadora. Percebam que eu escrevi recursos, não necessariamente dinheiro. É possível que com um grupo dedicado de amigos e fãs, um político consiga alcançar essa massa crítica de suporte para o cargo que deseja, especialmente no caso de vereadores ou de prefeitos de cidades bem pequenas.</p>
<p>Tempo é dinheiro: ou você tem gente que vai doar o tempo da vida delas para sua campanha, ou você tem como pagar por isso. O que se economiza hoje com impressão de material de campanha precisa ser compensado com uma presença decente nas redes sociais. A parte financeira e jurídica precisa ser cuidada por profissionais com alguma experiência, quase todos os cabos eleitorais de rua são pagos de alguma forma, mesmo que seja uma nota de vinte reais e um sanduíche. Aquela gente que chacoalha bandeira na rua sempre recebe por isso.</p>
<p>Percebam que isso entrou em quarto lugar na sequência: não basta ter milhões para torrar, como pudemos ver na eleição passada. O candidato com mais dinheiro, Henrique Meirelles, foi trucidado pela campanha muito mais barata de Bolsonaro. Mas, muito mais barata apenas considerando o quanto de dinheiro saiu do bolso do candidato e do seu partido, porque se você for contar as horas de trabalho dos seus defensores nas redes sociais e a publicidade grátis que suas polêmicas geravam na grande mídia, o valor final da campanha de Bolsonaro foi muito maior. A facada, então&#8230; pelo menos uns 100 milhões de reais em publicidade.</p>
<p>Campanha sem recursos é campanha que não vai a lugar nenhum. E como só jogar dinheiro no problema não o resolve mais, muitos candidatos aproveitam a polarização política para gerar mais recursos: quanto mais o povão estiver mobilizado contra um inimigo comum, mais trabalha de graça.</p>
<hr />
<p><strong>?. Tenha um esquema:</strong></p>
<p>É muito importante fazer parte da cena política da região da eleição. É a forma mais simples de formar alianças e evitar ser considerado um pária.</p>
<p>E nem precisa ser esquema de corrupção. O esquema que eu falo aqui é um conjunto de valores que você é capaz de agregar para pessoas que já detém poder. Você pode ter todos os pontos anteriores ao seu favor, mas se o prospecto da sua eleição parecer danoso para as pessoas que controlam a região, pode apostar que sua campanha vai ser sabotada em todas as etapas.</p>
<p>Partidos são agrupamentos de pessoas com projetos de poder minimamente compatíveis. Mesmo que de tempos em tempos essas pessoas briguem e diferentes grupos se revezem no poder, há sempre uma linha guia do que é aceitável ou não. Se a sua candidatura não parece trazer nenhuma vantagem para os políticos já estabelecidos na área, é solenemente ignorada. E aí, seus recursos vão perdendo força: existe um número finito de profissionais de campanhas políticas que podem ser dissuadidos de participar da sua. Pode ser algo complexo como não ter acesso ao endosso de um político já estabelecido ou pode ser banal como ter que pagar o dobro para ter um carro de som.</p>
<p>Pior: se a sua eleição for um risco para o partido, ela pode ser ativamente atacada por quem em tese deveria ser aliado. Um departamento financeiro infiltrado pode te fazer ficar inelegível na hora de prestar contas. Um jurídico malicioso pode acabar com sua campanha antes mesmo do dia da eleição. E, como estamos no Brasil, não é nada fora do comum um atentado contra a vida do candidato.</p>
<p>Isso vai além do partido ou de candidatos rivais de outros partidos: empresas com interesses nas regiões afetadas pelo seu cargo podem fazer a mesma coisa. Podem dar um jeito de financiar seu adversário ou qualquer outra baixaria legal ou ilegal para te parar. Candidatos vivem falando de combater a corrupção, mas raramente citam nomes. Um inimigo poderoso pode ser o suficiente para te derrubar em eleições menores.</p>
<p>Estar num esquema não significa necessariamente fazer um acordo ilegal antes de ser eleito, mas significa deixar claro que vai fazer sua parte para manter o status quo, apertando todo tipo de mão durante o pleito, não importa quão sujas estejam essas mãos. Se o candidato vai trair essa ideia depois, é outro problema.</p>
<p>É impossível se eleger no Brasil apontando o dedo para todos os bandidos que infestam o sistema. Até porque uma parcela considerável da população trabalha para ou depende desses bandidos. A ilegalidade é parte integrante da economia nacional. O cargo público eletivo depende de algum grau de leniência ou cooperação com esquemas ilegais, e com raras exceções, são pessoas com exatamente esse perfil que chegam com condições de vitória no dia da eleição.</p>
<p>E não precisa ser algo óbvio como os candidatos do tráfico em São Paulo ou os candidatos da milícia no Rio de Janeiro, pode ser algo mais sutil como dar vantagens para empresas regionais mesmo que isso impacte negativamente o serviço público. O esquema é parte do sistema, e dificilmente entra no sistema quem não vai contribuir com isso.</p>
<p>Esse ponto está diretamente relacionado com todos os outros, por isso não tem número definido. Pode ser definido antes de tudo, como no caso de alguém que tem seus estudos financiados pelo crime organizado, ou pode ser um acordo durante a campanha, trazendo “confiança” para as elites locais ao participar de eventos. E se você não vai ter esquema nenhum, só consegue ser viável se for um candidato-piada, focado no voto de protesto. Alguns ganham, mas não é um mecanismo confiável para conquistar poder.</p>
<hr />
<p>Conclusão: eu não falei nenhuma vez sobre as propostas do candidato. Esse é o sistema político brasileiro.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que vai seguir essas dicas para a próxima eleição, para dizer que reconheceu os candidatos que vão ganhar na sua cidade, ou mesmo para dizer que ainda bem que a multa por não votar é baixa: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.desfavor.com/blog/2020/11/como-ganhar-uma-eleicao-no-brasil/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>10</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Prostituição gástrica.</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2018/09/prostituicao-gastrica/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2018/09/prostituicao-gastrica/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Sep 2018 16:59:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Anula Eu!]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.desfavor.com/blog/?p=13853</guid>

					<description><![CDATA[Independente de diferenças políticas, acho que em uma coisa todos concordamos: só tem porcaria nessa eleição. Duvido que alguém vá votar feliz e esperançoso de dias melhores. Mas, durante a campanha, esses queridos estão comendo o pão que o diabo amassou. Então, porque não tirar cinco minutos do seu dia para rir da cara deles? [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Independente de diferenças políticas, acho que em uma coisa todos concordamos: só tem porcaria nessa eleição. Duvido que alguém vá votar feliz e esperançoso de dias melhores. Mas, durante a campanha, esses queridos estão comendo o pão que o diabo amassou. Então, porque não tirar cinco minutos do seu dia para rir da cara deles?<span id="more-13853"></span></p>
<p>Fato: político em campanha se sujeita a todo tipo de humilhação. A mais comum é a Prostituição Gástrica, ou seja, candidato tem que comer comida de boteco, comidas típicas de diferentes lugares do Brasil e qualquer coisa que eleitor local ofereça. Nós achamos comida de boteco uma delícia (fã incondicional aqui), mas esses queridos parecem ser um pouco mais elitistas. Bora rir um pouco deles passando sufoco, em um belíssimo álbum de sofrência gástrica?</p>
<hr />
<p>Começamos com o candidato ao maravilhoso cargo de Governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-13855" src="https://www.desfavor.com/blog/wp-content/uploads/2018/09/anula-prostituicao-gastrica-001.jpg" alt="" width="1024" height="512" srcset="https://www.desfavor.com/blog/wp-content/uploads/2018/09/anula-prostituicao-gastrica-001.jpg 1024w, https://www.desfavor.com/blog/wp-content/uploads/2018/09/anula-prostituicao-gastrica-001-300x150.jpg 300w, https://www.desfavor.com/blog/wp-content/uploads/2018/09/anula-prostituicao-gastrica-001-768x384.jpg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p>Fica bastante óbvio que Eduardinho não está degustando com muito prazer o que parece ser um caldinho ou uma sopa (percebam as bordas da panela na foto). Tá feio? Tá. Tá desfeita? Total. Mas pelo menos Eduardinho teve um rompante de honestidade (o que é uma coisa rara, vamos todos aproveitar esse momento) e deixou transbordar todo seu asco pelo alimento oferecido. Eu posso sentir o som da gorfada pela foto, é muito maravilhoso.</p>
<p>Reparem na cara sádica do rapaz que comanda a cozinha e que, provavelmente, foi quem serviu essa sopa para Eduardinho. A serenidade no olhar de quem urinou na sopa do candidato que detesta (com meu total apoio). Talvez essa pessoa seja de Maricá, lugar que Paes disse ser “uma merda” em uma gravação divulgada em investigações da Lava Jato. Se eu fosse de Maricá, urina seria pouco, eu colocaria “uma merda” na comida do Paes. A cara de “come, filho da puta” do rapaz da cozinha me acolhe a alma.</p>
<p>Paes, parecendo um coelho albino frágil, com roupinha imaculadamente bem lavada e passada, com estômago mimado que só deve comer salada orgânica, parece estar colapsando na foto. Para piorar a situação, parece ser um lugar quente, pois, ao que tudo indica, está subindo vapor das panelas. Eduardinho está de calça e camisa social de manga longa. Algo me diz que essa refeição não vai descer bem&#8230;</p>
<hr />
<p>Vamos agora para Geraldo Alckmin, tomando um cafezinho</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-13855" src="https://www.desfavor.com/blog/wp-content/uploads/2018/09/anula-prostituicao-gastrica-002.jpg" alt="" width="1024" height="512" /></p>
<p>Parece que Geraldão não tá curtindo muito o café, não é mesmo? Tá certo que ele está constantemente com essa cara de sofrimento, mas na foto está uma oitava acima do normal. Percebam que até para sofrer ele tem falta de vitalidade. Quase que dá para ver uma lágrima escorrendo do olho esquerdo.</p>
<p>Reparem no detalhe: ele praticamente fecha os olhos para tomar o café. A gente só costuma fazer isso quando é um alimento tão horrendo, de aparência tão escrota, que preferimos não ver quando ele se aproxima da boca. Salvo engano, o café está com uma espuminha, umas bolhas, muito suspeitas. Parece aquele copo que foi lavado às pressas e mal enxaguado, que quando você joga bebida dentro, sobre espuma de detergente residual junto. Geraldão peidou bolha de sabão nesse dia.</p>
<p>Talvez seja o copo, de vidro grosso e tosco, que esteja agredindo os lábios de quem degusta seu café importado em porcelana chinesa. Talvez seja o calor. O certo é que Geraldo Alckmin perdeu a vontade de viver nesse dia. Arrisco dizer que ele foi fotografado em um momento onde estava repensando sua vida e se isso tudo realmente valia à pena. Pois é, Geraldão, não vale, porque nem se eleger você vai. Botou esse café pra dentro por nada, meu anjo.</p>
<hr />
<p>Vamos agora para este maravilhoso combo líquido + sólido do João Dória:</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-13855" src="https://www.desfavor.com/blog/wp-content/uploads/2018/09/anula-prostituicao-gastrica-003.jpg" alt="" width="1024" height="512" /></p>
<p>Parece que Dória também está sofrendo horrores na hora do cafezinho. Quando uma pessoa que tem a quantidade de botox que ele tem no rosto dá uma franzida na cara desta forma, algo muito doloroso aconteceu. Parece criança, quando você manda tomar remédio: ele está claramente prendendo a respiração e tomando esse café com leite o mais rápido que pode, para acabar logo com esse sofrimento.</p>
<p>Percebam o nojo com o qual ele pega no copo, tentando manter o mínimo de contato físico possível. Se você aproximar bem a imagem, pode ser que consiga ver os pelos do braço dele arrepiados, uma reação instintiva do corpo de mamíferos no geral para quando corremos risco de vida. Esse café deve estar mesmo muito horrível. Eleitor sabotando candidato? Gostamos muito!</p>
<p>Depois temos o Dória tentando comer um pastel. Para começo de conversa, ele está sem guardanapo, o que indica uma clara desistência de tudo. Ele sabe que a mão dele está muito mais limpa que o pastel. Ele sabe que tem salmonela dançado valsa no recheio. Novamente, a carinha cheia de botox toda franzida. Um olhar para o horizonte&#8230; percebam como ele desvia o olho do pastel como a gente desvia o olho de um acidente com sangue.</p>
<p>Ele enfia o pastel na boca como se fosse um envelope, parece que ele está tentando fazer um depósito de comida. Talvez ele nunca tenha visto um pastel na vida, afinal, nasceu em berço de ouro. Talvez ele ache que se come pastel como se come canapés com caviar, colocando tudo na boca. Talvez ele nem mesmo saiba que é um pastel e esteja pensando “caralho, que canapé enorme”.</p>
<p>Vejam o Andrade (para que todos entendam quem é, já que eleitor do PT não consegue falar Haddad), se digladiando com este espetinho.</p>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-13855" src="https://www.desfavor.com/blog/wp-content/uploads/2018/09/anula-prostituicao-gastrica-004.jpg" alt="" width="1024" height="512" /></p>
<p>Olha, confesso que não sei ao certo o que é isso. Me parece um churrasquinho de carne de gato, meio cru ainda por cima. Só sei que o Haddad não parece feliz em estar comendo isso. Mais: parece estar enfrentando dificuldades técnicas para arrancar o alimento. Na boa? A coisa mais mole nesse espetinho deve ser o palito.</p>
<p>Tentando tirar o foco da orelha gigante, reparei que, apesar de ser um acadêmico com doutorado, Andrade ainda é PT, o que pode ser facilmente constatado observando o dedo mindinho levantado, sinal universal de pobreza. Eu faço? Sim, eu faço, mas eu não nego que seja 100% pobre.</p>
<p>Reparem na capa de gordura que essa carne tem. Quando o Andrade acabar de comer esse troço ele vai direto fazer uma angioplastia, pois suas artérias vão entupir. Essa carne consegue a proeza de ser gordurosa e dura ao mesmo tempo, deve ser um corte tirado da sola do pé do boi!</p>
<hr />
<p>Para terminar, sei que ele nem candidato é, afinal está preso (não que isso seja necessariamente um problema para o brasileiro), mas esta imagem é maravilhosa demais para ser esquecida. Eduardo Cunha, após provar um pastel.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-13855" src="https://www.desfavor.com/blog/wp-content/uploads/2018/09/anula-prostituicao-gastrica-005.jpg" alt="" width="1024" height="512" /></p>
<p>Façam suas apostas, de que era esse pastel? Eu acho que era de fezes. Adoro que o Cunha não fez o menor esforço para disfarçar, sua cara de “tá uma merda isso aqui” pode ser compreendida até por uma criança. Fica óbvio que o nojo é totalmente vinculado ao pastel, reparem que tem um pedacinho do pastel no canto da sua boca (indicando que ele acabou de dar a mordida) e também que ele segura o pastel mordido longe do seu corpo, em claro sinal de repulsa.</p>
<p>Fico me perguntando, se a primeira mordida foi assim tão traumática, como ele fez para comer o resto. Sim, porque quando a gente sabe que a comida está uma merda, é um suplício levar qualquer porção dela à boca. Quando está no prato até dá para disfarçar, espalhar pelo prato, brincar com a comida, mas porra, é um pastel, é um pedaço de comida horrível compactado na sua mão!</p>
<p>Acredito de coração que o Cunha tenha sofrido mais comendo esse pastel do que na prisão.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que quer uma versão desta coluna com candidatos beijando crianças e eleitores, para dizer que fez bem à sua alma ver esses filhos da puta sofrendo ou ainda para dizer que todos eles devem ter passado por uma diarreia avassaladora no final do dia: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.desfavor.com/blog/2018/09/prostituicao-gastrica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>38</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Eleição comprada.</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2018/08/eleicao-comprada/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2018/08/eleicao-comprada/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Aug 2018 18:16:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Anula Eu!]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.desfavor.com/blog/?p=13616</guid>

					<description><![CDATA[Nas eleições de 2018, que vão eleger deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente, temos uma pequena novidade: os candidatos vão poder pagar para aparecer mais na internet. E isso deve mudar completamente a forma como as campanhas funcionam dessa vez. Até a última eleição, gastar dinheiro na internet era proibido, ou seja, os candidatos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nas eleições de 2018, que vão eleger deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente, temos uma pequena novidade: os candidatos vão poder pagar para aparecer mais na internet. E isso deve mudar completamente a forma como as campanhas funcionam dessa vez.<span id="more-13616"></span></p>
<p>Até a última eleição, gastar dinheiro na internet era proibido, ou seja, os candidatos dependiam quase que exclusivamente de gente contratada para postar freneticamente nas redes sociais, até porque aqui no Brasil as pessoas estão mais engajadas em brigar com as outras por política do propriamente defender seu candidato. Seja como for, isso muda muito a dinâmica da coisa para você, pobre vítima da torrente de caras feias que vão preencher sua tela começando no dia 16 de Agosto.</p>
<p>A internet já seria o grande palco (ou picadeiro) dos candidatos neste ano, mesmo considerando as táticas antigas, mas com a liberação para gastar dinheiro com Facebook, Instagram e até mesmo as pesquisas do Google (mais sobre isso depois), tende a virar um dos pontos centrais dos gastos das campanhas. Como nenhuma das gigantes da internet é estranha ao conceito de fazer mais dinheiro, vão manter as vias totalmente abertas para o festival de gastos eleitorais que virão em sua direção. Não espere que ninguém controle quaisquer excessos a não ser que ameace as ações de Facebook e Google.</p>
<p>O mais perigoso nesse processo todo é que a Justiça Eleitoral basicamente encurralou as verbas de campanha na internet: os outros meios de comunicação continuam com limitações severas, TV e rádio não dão mais sequer uma fração da relevância de tempos passados. Muito se falou nas alianças dos candidatos com partidos nanicos para adicionar segundos a mais em seus programas eleitorais, mas por mais que eles ainda alcancem muita gente, são uma piada de mau gosto em comparação com o poder das redes sociais e dos mecanismos de busca.</p>
<p>Na verdade, os partidos não estavam buscando mais tempo de rádio e TV, e sim mais capilaridade: tendo uma legião de candidatos de cargos menores alinhados com um mesmo candidato à presidência garante que a foto do cidadão vai aparecer em milhares de outras mini-campanhas regionais, especialmente na internet. É uma forma de turbinar a presença de qualquer candidato nos níveis inferiores, e como os gastos de internet são planilháveis e suficientemente confiáveis nos relatórios, é bem mais fácil para os partidos soltarem a verba.</p>
<p>Nas redes sociais, a palavra-chave vai ser alcance: os panfletinhos que entulhavam toda a rua agora estarão na sua timeline. Por limitações na legislação eleitoral (que continua meio confusa na parte da internet), basicamente estão forçando as campanhas a montar estratégias de alcance e frequência, ou seja: jogar uma imagem ou vídeo para o máximo de pessoas possível o máximo de vezes possível. Os candidatos com uma equipe um pouco melhor vão conseguir inclusive focar em regiões, cidades ou mesmo bairros! Talvez você veja a mesma cara feia umas duzentas vezes até o final da eleição por estar no planejamento regional dele. Os materiais não vão ser muito focados em interação com o candidato, mesmo que o candidato queira, vai ser santinho online sem parar por determinação da legislação eleitoral.</p>
<p>E como não tem dessa de desligar propaganda, porque Facebook e Google ganham quando você vê ou clicar nesses materiais, pode ser que a internet sofra como um todo nesse período. Considerando que um mero deputado estadual tem até um milhão de reais para gastar na sua campanha (era para o TSE definir os valores, mas não fez, aí o Congresso tirou esses da bunda) e a campanha só vai durar um mês e meio, estão notando como vai ser insano esse processo?</p>
<p>Principalmente porque volta a dar muito mais poder para quem tem mais dinheiro, não que tenha mudado grandes coisas as ações de aplicação de teto de gastos, mas era um norte para a redução da vantagem do poder econômico entre candidatos. Agora isso se torna irrelevante com a liberação dos gastos com internet. Como todo mundo pode fazer propaganda impulsionada, dá para dobrar ou triplicar a verba de campanha passando o dinheiro para os candidatos menores e impulsionar materiais dúbios onde o candidato a deputado estadual, por exemplo, faz campanha para um candidato à presidência.</p>
<p>E nesse jogo, quem já estabeleceu uma boa base de defensores da candidatura “de graça” vai ter uma vantagem: uma coisa é ver uma propaganda como propaganda, outra é ver como algo compartilhado por uma rede de fãs do candidato. E sabemos bem que temos dois deles com uma rede poderosa de defensores naturais. Um está preso, o outro deveria também. Se estava chato até aqui, vai ficar ainda mais.</p>
<p>E isso me leva a outro ponto: como disseram que pode impulsionar conteúdo sem dizer exatamente aonde, todas as funções de propaganda online estão na mesa. Isso significa que não só vai estar na rede social, como no seu YouTube, em banners que cobrem algo em torno de 97% dos sites da internet e também nos resultados de pesquisas que você fizer, todas possibilidades geradas pelos serviços do Google. A encheção de saco vai ser a mesma coisa já dita antes no caso da plataforma de vídeos e dos banners entulhando os seus sites preferidos (menos no desfavor, chupa!), mas quando falamos de comprar palavras das pesquisas do Google, isso fica bem mais preocupante.</p>
<p>Para quem não sabe, você pode comprar uma palavra no Google, e todo mundo que pesquisar ela vai ser o seu resultado no topo, independentemente da relevância original da página. Claro que existem algumas proteções internas no sistema do Google para evitar que um compre o nome do outro, mas… todas elas podem ser contornadas com mais dinheiro. O problema é começar a comprar palavras-chave que reforcem a enxurrada de fake news que vão surgir por aí. O TSE disse que um candidato não pode impulsionar algo que fale mal de outro, mas obviamente existem muitos truques para fazer isso sem dar na cara.</p>
<p>Na pior das hipóteses, apenas tenha em mente que dessa vez tudo o que você vir na rede social, banners e resultados de pesquisa pelos próximos 100 dias provavelmente vai estar contaminado por dinheiro dos candidatos que você tanto despreza. Pode ser uma ótima chance de fazer aquela tão esperada desintoxicação de internet…</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que só fica pior, para dizer que só de imaginar ver a cara da Marina Silva de cinco em cinco minutos te deixa desesperado, ou mesmo para dizer que pagaria para não ter que ver nada disso: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.desfavor.com/blog/2018/08/eleicao-comprada/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>4</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>De que lado você está?</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2017/11/de-que-lado-voce-esta/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2017/11/de-que-lado-voce-esta/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Nov 2017 12:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Anula Eu!]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.desfavor.com/blog/?p=12273</guid>

					<description><![CDATA[Faltam dois meses para 2018, ano de eleições presidenciais. Antes que comece o frenesi eleitoral, queria falar sobre o assunto de uma forma um pouco mais ampla, com um exercício muito simples. Leia o texto até o final e entenda minha intenção. O exercício é muito simples: liste três coisas típicas da direita com as [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Faltam dois meses para 2018, ano de eleições presidenciais. Antes que comece o frenesi eleitoral, queria falar sobre o assunto de uma forma um pouco mais ampla, com um exercício muito simples. Leia o texto até o final e entenda minha intenção.<span id="more-12273"></span></p>
<p>O exercício é muito simples: liste três coisas típicas da direita com as quais você concorda, justificando seus motivos. Depois, liste três coisas típicas da esquerda com as quais você concorda, justificando seus motivos. Se puder fazer isso nos comentários, agradeço. Agora, explico a intenção do texto, espero ser bem interpretada.</p>
<p>A polarização ideológica no Brasil não é novidade, vem crescendo por mais de uma década, porém o desdobramento desse crescimento talvez ainda não seja ampla e claramente discutido como merece. Uma das consequências é esse “contrato de adesão” ideológico, onde devemos nos posicionar do lado da esquerda ou do lado da direita, pois quem não adere a lados é um frouxo, isentão, indeciso ou medroso. Convencionou-se que algumas posições sobre assuntos polêmicos são de esquerda e que outras são de direita e você deve aderir ao pacote fechado.</p>
<p>Um exemplo: ser a favor do aborto é coisa de esquerda. Logo, se você se diz a favor do aborto, você é de esquerda e, para ser coerente, você deve também ser contra permissão de porte de armas pela população, a favor da legalização das drogas e contra tortura e violação de direitos humanos em presídios. Porém, se você for contra o aborto, você é, supostamente, de direita, o que implica também em ser a favor do armamento da população, contra legalização das drogas e não se importar com direitos humanos para bandidos. Não há a opção de pensar, refletir sobre cada questão e, com base nos seus valores, na sua ética, na sua experiência de vida, decidir o que você acha sobre aquilo de forma autônoma. Tem que aderir a um dos “lados”.</p>
<p>Esta polarização só pegou com força no Brasil por encontrar um terreno propício: um povo carente, que tem uma necessidade quase que patológica de sentir algum tipo de pertencimento.  Seja time de futebol, seja igreja, seja posição política, todo mundo gosta e se sente confortável em ter seu grupinho, sua panelinha, de pertencer (ou seja, ser aceito e acolhido) a/por um grupo de pessoas.</p>
<p>E se você não tem essa necessidade, bem, lamento informar, mas você vai levar pedrada. Quem desafia o status quo é visto como perigoso, e há uma explicação evolutiva perfeitamente razoável para isso: de todos fossem ousados, a raça humana não teria sobrevivido. É necessária uma sociedade com alto percentual de indivíduos conformados e cautelosos para que não nos coloquemos em um grande risco como espécie. O pequeno percentual que sai do mainstream apanha, como forma de contenção social: “olha lá o que a gente faz com quem aparece com essas novidades, pensem bem, vocês serão trucidados se tentarem”. Assim, se consegue manter uma maioria sob controle, na base do medo e receio, fazendo aquilo que a sociedade espera deles. Poucos pagam o preço de sair da caixinha, e são essas os que impulsionam os grandes progressos da humanidade.</p>
<p>No momento, o que a sociedade espera é que você feche um contrato de adesão com um dos lados: esquerda ou direita. Você vai fazer isso? Não, não vai, pois você faz parte daquele pequeno percentual que pensa fora da caixinha e não precisa de grupinho, aceitação social ou pertencimento. Você vai pensar cada questão individualmente, encontrando a resposta dentro de você, através de todos os inputs que você colocou para dentro sobre o assunto na sua vida. Mas você é um em um milhão.</p>
<p>Para o brasileiro médio, é cômodo (e não ofensivo, como deveria ser) que alguém lhe diga o que pensar. Religião funciona dessa forma no Brasil. Dificilmente é busca pela espiritualidade, no geral é uma entidade que funciona como “papai e mamãe” de adulto traçando limites éticos, morais e comportamentais que as pessoas não conseguem mensurar por conta própria. É cômodo que uma voz de cima te diga o que pode e o que não pode. Se alguém te diz o que fazer, não é culpa sua, e sim desse alguém, se algo der errado.</p>
<p>Assim, a pessoa adere a pacotes de ideias prontas levadas por outras pessoas que querem convencê-lo a pensar desta forma. Bem, parece que compensa, pois quando precisam discutir na mesa de bar ou na hora do cafezinho no trabalho sempre tem o que dizer. Sim, é obrigatória sempre ter uma opinião sobre o assunto, mesmo que nunca se tenha estudado sobre isso.</p>
<p>Então, se você quer sempre pertencer a um grupo, pacotes de ideias prontas são uma solução ideal. Os direitistas e esquerdistas tem uma cartilha do que devem ser a favor ou contra com os respectivos motivos, que repetem como papagaios muitas vezes sem refletir sobre o que estão dizendo. Tem o escudo do “Sou de direita/esquerda, respeite minha ideologia” para escorar qualquer absurdo que digam, combinado com agressões a quem discorda (reacionário/comunista) de modo a desmerecer eventuais críticas. O outro é sempre burro, inocente ou idiota, por não perceber a “verdade verdadeira” que só seu lado consegue ver. *bocejo</p>
<p>O problema é que quando você adere a opiniões pré-prontas sem questionar, refletir ou até entender o que caralhos está falando, há grandes chances de que seus atos contradigam muitos dos seus discursos. Mais: há grandes chances de que a pessoa nunca perceba que está se contradizendo nos atos, pois seu discurso é proferido pelo simples motivo dela gostar de ostentar que é de esquerda/direita, não por acreditar verdadeiramente no que está pregando. Não é sobre defender ideias, é sobre defender um time, um grupo, um status.</p>
<p>Então, se você aderiu cegamente a qualquer coisa, pare, reflita e exercite seu senso crítico. Nada é perfeito. Encontrar defeitos naquilo que antipatizamos é fácil, difícil é apontar qualidades no que antipatizamos e defeitos no que simpatizamos. E é justamente esta a proposta do texto. Se me permitem um conselho, façam isso não apenas com política, mas com tudo na vida, pois é uma forma de abrir sua mente: busquem qualidades no que antipatizam e defeitos no que simpatizam.</p>
<p>Voltando ao exercício, dou o exemplo e o coloco em prática aqui e agora. Meu critério para ser a favor ou contra algo é o bem estar social, ou seja, o que eu acho que seja melhor para a sociedade/maioria (que nem sempre é o melhor para mim), por acreditar que não adianta que eu esteja bem, se a sociedade está mal, em algum momento isso me afeta, nem que seja na forma de uma bala perdida. Então, entendo que pensar na coletividade primeiro é uma forma mais sutil e inteligente de pensar no meu bem estar. Dito isso, seguem as minhas respostas.</p>
<p>Três coisas de esquerda com as quais eu concordo: 1) legalização do aborto; 2) direitos humanos para presos ; 3) casamento entre pessoas do mesmo sexo.</p>
<p>Meus motivos: 1) colocar um filho no mundo sem condições de educa-lo e cria-lo com dignidade é nocivo para a mãe, para a criança e para a sociedade, além de achar que enquanto não há sistema nervoso central e batimentos cardíacos não há ser humano. Se a lei permite que se desliguem os aparelhos que mantém viva uma pessoa com morte encefálica, não vejo por qual motivo proibir que se interfira onde nem cérebro existe. 2) Em um sistema prisional como o brasileiro, que em tese (só em tese mesmo) se propõe a ressocializar, o preso será devolvido às ruas rapidamente, por isso, se for barbarizado no presídio, sai pior do que entrou e nós vamos cruzar com essa pessoa nas ruas. Ou se declara um sistema prisional meramente punitivo e se mantém o preso por um longo tempo, ou realmente se tenta ressocializar o desgraçado para que não sobre para a sociedade quando ele for solto. 3) Orientação sexual não tem que ser restritivo para nada em matéria de direitos e deveres pois não torna as pessoas mais ou menos capazes.</p>
<p>Três coisas da direita com as quais eu concordo: 1)proibição de drogas, 2)menor intervenção estatal na esfera privada do cidadão e 3)capitalismo.</p>
<p>Meus motivos: 1) Brasileiro não tem maturidade nem infraestrutura para lidar com liberação de drogas, além disso, o tráfico continuaria, pois o preço sem imposto nas mãos do traficante seria muito mais atraente, seria apenas mais um produto pirata. 2) Gastar tempo e dinheiro do Judiciário por causas pequenas é algo que o país não pode, na atual situação, se dar ao luxo de fazer e é ridículo. Briga de vizinhos que se xingaram, por exemplo. São pessoas adultas, resolvam entre si, tem gente morrendo por demora na decisão de obrigação de dar remédios ou leito de hospital. 3) Capitalismo não é o ideal, mas é o melhor que temos até agora, só nele uma pessoa pode emergir da classe mais baixa para a classe mais alta por seu mérito, ainda que isso seja muito difícil. O ser humano é corrupto em qualquer forma de governo e eu acredito que é no capitalismo onde existem os melhores mecanismos de controle.</p>
<p>O problema de não aderir a um lado ou ao outro é que na hora de se posicionar e até de votar, é preciso fazer um extenso exercício mental de análise sobre os prós e os contras de cada candidato. Além de dar trabalho, não estou certa de que todos consigam fazê-lo, pelo grau de complexidade de raciocínio que isso demanda. Pra que, né? Adere a um pronto! Pensar é para os fracos, os fortes postam foto ostentando corpo/comida/bens/relacionamento em rede social. Parabéns, Brasil.</p>
<p>Não importa o assunto, pena de morte, economia, cor da parede da sua sala. Pense na sua lista e verifique se todas as opiniões são coerentes entre si. Se possível, escreva sua lista nos comentários deste texto, pois vai ser muito interessante discutir sobre isso. Pense também em quais critérios você usou para esta decisão (o meu é aquilo que julgo ser melhor para a coletividade) e, se não conseguir entender seus próprios critérios, bem, talvez você só esteja aderindo à decisão dos outros.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que percebe-se claramente que eu sou de esquerda comunista filha da puta, para dizer que percebe-se claramente que eu sou de direita burguesa filha da puta ou ainda para deixar sua lista nos comentários assim podemos discutir o assunto em profundidade: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a> </p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.desfavor.com/blog/2017/11/de-que-lado-voce-esta/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>20</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Parabéns, Hillary!</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2016/11/parabens-hillary/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2016/11/parabens-hillary/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2016 08:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Anula Eu!]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.desfavor.com/blog/?p=10767</guid>

					<description><![CDATA[Acho até poético que eu esteja trocando o dia com a Sally hoje. Todo mundo esperando para ver o que uma mulher faria na situação, e um Zé Ruela aparece do nada no meio do caminho. Somir: é o que tem pra hoje. Mas chega de falar da gente, aliás, nem vamos tentar falar muito [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Acho até poético que eu esteja trocando o dia com a Sally hoje. Todo mundo esperando para ver o que uma mulher faria na situação, e um Zé Ruela aparece do nada no meio do caminho. Somir: é o que tem pra hoje. Mas chega de falar da gente, aliás, nem vamos tentar falar muito do Trump neste texto, agora é hora de parabenizar Hillary Freix&#8230; Clinton! Perder do Trump foi um feito histórico.<span id="more-10767"></span></p>
<p>Hillary Rodham Clinton parecia ter um dos caminhos mais abertos da história para se tornar a primeira mulher presidente dos EUA. A confluência de fatores era incrível! Vamos pensar no básico: ela tinha um nome conhecido não só por ter sido primeira-corna, digo, dama&#8230; no governo do marido, também vinha de uma prestigiosa posição de Secretária de Estado do governo Obama, sem contar toda uma carreira sólida no setor público e privado. Tinha concorrido pela indicação com Obama na primeira tentativa dele e não foi peso morto ali. Tecnicamente ela era bem mais forte como nome do que o Obama em 2008, mas o carisma de Barack era quase impossível de parar.</p>
<p>Acontece. Ela teve que esperar dois mandatos de Obama para dar seu próximo tiro. E com o partido basicamente aceitando que estava na hora de tentar com ela, Hillary já era barbada como candidata do partido democrata bem antes da concorrência interna começar. Vamos lembrar disso por todo o texto: havia quase que um consenso no partido e em boa parte dos eleitores democratas que o terreno estava pronto e essa era a eleição da Hillary. Antes das primárias, era Hillary e o resto na disputa pela vaga de candidato do partido. As outras opções eram meio que piada.</p>
<p>Já voltaremos para as primárias dos democratas&#8230; vamos continuar montando o cenário indo para a dos republicanos: o partido estava fraturado, em frangalhos ideológicos por causa da forma como abriram as pernas para os reacionários religiosos mais malucos de lá. Os republicanos eram piada já, por colocarem seres como a Sarah Palin para disputar eleições presidenciais e outras gracinhas. Enquanto os democratas pareciam estar com a casa bem arrumada com uma administração que navegou o país por uma grande tormenta econômica e se manteve flutuando e um nome muito forte para a eleição vindoura.</p>
<p>E com o partido republicano tentando reencontrar alguma seriedade para retomar o respeito minguante da parcela mais intelectual da população, ainda meio perdidos por duas derrotas doloridas para Barack Obama, começam a surgir dezenas de proponentes à vaga para a disputa presidencial. Alguns mais razoáveis, outros menos, mas, na média dos republicanos, até que havia alguma luz no fim do túnel. Se conseguissem ser levados a sério de novo, teriam alguma chance.</p>
<p>E aí, Trump aparece. Ninguém levou a sério, nem o partido. Trump começa a ganhar força, mas todos ainda acham que é só questão de tempo até ele se destruir sozinho. Para os democratas, perfeito: nessa palhaçada toda que Trump fazia, os republicanos estavam implodindo e enfraquecendo quem quer que viesse disputar com Hillary. Ela, talvez até de forma compreensível naquele momento, vai fazendo sua campanha tranquilamente, como se sua vitória em Novembro do ano seguinte fosse uma inevitabilidade.</p>
<p>Só que aí começam os primeiros sinais de problema, dos dois lados das prévias: do lado republicano, Trump começa a demolir seus adversários um a um, e vai ficando cada vez mais perto da indicação. Não nego que seja razoável achar uma vantagem ter o Trump como adversário, mas já era hora de começar a se coçar, porque para alguém como ele estar ganhando tanta força, algo estava acontecendo no país. Do lado democrata, Hillary começa a suar com o crescimento de Bernie Sanders, um velhinho idealista que sabia falar exatamente o que os mais jovens estavam doidos pra ouvir: oferecia educação de graça dentre outras ideias que para os americanos são basicamente comunismo.</p>
<p>Hillary foi olhar para essa base eleitoral dando trela para alguém radicalmente mais de esquerda do que ela? Não! Hillary continuava agindo como se fosse inevitável. Sanders foi ganhando força e muitos começaram a acreditar que ele poderia ser o Trump inverso e ganhar a vaga surpreendendo a todos. O que não ficou muito longe de acontecer, Hillary teve os votos que precisava, mas o partido democrata estava rachado. Faltava carisma na figura de Clinton, faltava aproximação com a base mais jovem, faltava algum charme nela para conquistar o público.</p>
<p>Quando Bernie Sanders concedeu sua derrota e apoiou Hillary como candidata, muitos corações se quebraram na base dela. Não só esse povo estava morrendo de esperança de ter o “bom velhinho” como seu candidato, como viam em Hillary o exato oposto no contexto de idealismo e desejo de mudança. Ao cooptar Sanders, por incrível que pareça, Hillary ficou menos simpática ao público que já deveria ser dela: pareceu que ela destruiu o sonho de um senhorzinho que só queria dar escola de graça para todos os americanos. E é aí que essa coisa de “ser a vez dela” começa a voltar para mordê-la na bunda. Hillary acaba vista como alguém que ia fazer tudo para chegar onde queria. Uma política “puro sangue” sem medo de sujar as mãos para ser presidente.</p>
<p>Do outro lado, os republicanos ficaram com aquela batata quente e laranja nas mãos: Trump ganhara a indicação nos votos. Ele parecia um desastre pronto para acontecer se mantivesse seu estilo com força total na eleição. Hillary ia comê-lo vivo. Todo mundo achava isso, eu incluso. E no final das contas, Trump soube se controlar EXATAMENTE o suficiente para chegar vivo até o final da campanha. Porque Hillary destruiu Trump em 99% da campanha: muito mais inteligente, preparada, profissional&#8230; campanha mais bem organizada, com a bênção de basicamente toda a mídia americana.</p>
<p>Nos debates? Qualquer pessoa com um cérebro viu uma adulta treinada para o momento batendo num moleque que parecia inventar as coisas na hora. A história provavelmente vai mostrar as tiradas de Trump, mas quem acompanhou melhor viu que foi vergonhoso para ele. E na reta final de campanha ela tira da cartola um vídeo onde Trump diz que por ser rico pode pegar qualquer mulher pela buceta, quando quiser! Depois de ter dito DURANTE a campanha que os mexicanos eram estupradores e assassinos, de ter falado que ia impedir a entrada de muçulmanos no país, prometendo um projeto ridículo de um muro entre os EUA e o México que faria os mexicanos pagarem&#8230; Trump faz tudo o que podia para se implodir.</p>
<p>Mas, parabéns, Hillary! Parabéns por ter caído a máquina toda na mão. Celebridades de Hollywood faziam vídeos no Youtube dando apoio a ela e batendo feio em Trump, comediantes e analistas políticos destruíam a imagem dele dia após dia, nem mesmo o maior reduto conservador da mídia deles, a Fox News, estava particularmente interessada em ajudar o candidato republicano. Trump parecia tão tóxico que nem a fuckin’ Fox News teve coragem de abraça-lo. E nesse meio tempo, Hillary continua sorrindo e acenando como se estivesse disputando contra um imbecil sem chances, como se o mundo todo estivesse do seu lado com exceção de uma parcela de “deploráveis” como ela mesma definiu num discurso.</p>
<p>Hillary estava com o jogo ganho, mas foi arrogante de achar que podia se beneficiar da cultura da histeria para ofender aqueles que votariam em Trump, sem tentar conquistar nenhum deles. Você votaria numa candidata que te chama de racista e misógino (mesmo que veladamente) só porque você escolheu outro? Essa coisa de poder sentar a pata livremente no homem branco explodiu espetacularmente na cara dela. Sim, esse público já aprendeu a não chiar muito e escutar meio calado as ofensas que recebe, mas isso vai acumulando. A maior parte da população americana é branca, de classe média e baixa. E a concentração de votos nas mãos deles por causa do sistema eleitoral vigente é suficiente para, para quem já esqueceu, eleger e reeleger o Bush nem tão pouco tempo atrás!</p>
<p>A noção de inevitabilidade e a arrogância que contaminou seus defensores &#8211; anônimos ou famosos (praticamente todos os famosos diziam que votariam nela, era bom para a imagem) &#8211; fez todo mundo esquecer que essa pancadaria da indústria da ofensa estava enchendo o saco da maioria da população e que Trump, por mais imbecil que fosse, tinha dez vezes mais carisma que ela. Hillary conseguiu perder de Trump porque achou que podia ficar encastelada no seu “safe space” com a turma do politicamente correto, cuspindo impropérios pra cima da maioria dos votos de colégio eleitoral do país e ainda sair ilesa.</p>
<p>Parabéns MESMO, Hillary. Não era nem muito motivo de orgulho ser mais preparada que o Trump, não era mais do que a obrigação ser a candidata que tinha alguma noção do que fazer quando eleita se esse era seu adversário. Porque eu vejo inclusive isso: um orgulho infundado de ser menos idiota que Donald Trump! Oras, isso é o básico, o mínimo. Faltou todo o resto: faltou queimar essa base tóxica de crianças mimadas de redes sociais e tentar falar o americano médio, como Obama de alguma forma sabia falar. Sim, todas as eleições tendem a ser apertadas por lá, mas o tamanho da porrada que ela levou prova que ela conseguiu a proeza de ser mais rejeitada do que Trump!</p>
<p>Porque é isso que acontece com quem ignora a realidade. Se ela tinha a força da internet com suas vítimas profissionais, Trump tinha o lado B da internet lutando DE CORAÇÃO para elegê-lo também. E eu garanto: esse lado B tem dez vezes mais cérebro que as princesas (de ambos os sexos) que se ofendem nas redes sociais. Quando a equipe de Hillary se toca que a batalha da internet estava pendendo pro outro lado, age da forma mais escrota possível: começa a pagar gente para desestabilizar os locais da “recém-criada direita alternativa”. Mandaram ovelhas para o abate. Apoio real tem muito mais poder que o comprado.</p>
<p>Trump se diz bilionário, mas Hillary gastou muito mais. Os democratas tentaram ganhar essa no grito, com dinheiro, celebridades e a impressão que o povo americano médio tinha cérebro suficiente para perceber que ela, apesar de não ser flor que se cheirasse, pelo menos tinha um mínimo de capacidade de realizar o trabalho. Contaram com o ovo no cu da galinha, colheram titica. Como é que não perceberam que a maré estava virando? Como é que não focaram mais em reconquistar a base fraturada do partido, com as viúvas de Sanders (que meio que cagaram o jogo dela também) e com aqueles que apesar de não gostarem do Trump, só queriam não ser chamados de monstros por um bando de histéricos e histéricas do politicamente correto.</p>
<p>Carisma não se compra. Então que se mexesse para ganhar essa mesmo sem isso. Eu ainda acho uma cagada Trump ter vencido, mas admito que estou me divertindo com a turma do politicamente correto se descabelando nesse exato momento. Parabéns, Hillary, parabéns, histeria! Vocês viraram o pêndulo. E bem antes da hora&#8230; o que tinha de bom no discurso de vocês não foi assimilado. E quem vai discursar agora&#8230; bom, esse aí não vai falar nada com nada.</p>
<p>Azar? Não, incompetência. Perdeu do TRUMP! Caralho&#8230;</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que não aguenta mais essa colonização, para dizer que pelo menos vai se divertir com isso, ou mesmo para dizer que essa coisa de mulher mais bem preparada perdendo vaga é um clássico: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.desfavor.com/blog/2016/11/parabens-hillary/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>11</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Trump venceu?</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2016/11/trump-venceu/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2016/11/trump-venceu/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Nov 2016 05:51:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Anula Eu!]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.desfavor.com/blog/?p=10763</guid>

					<description><![CDATA[São quase 3 da manhã. Eu tinha dito pra Sally que o texto sobre a eleição americana ficaria com ela, na quinta. Tinha ME prometido que dormiria cedo e não ficaria acompanhando os resultados em tempo real&#8230; mas… pelo o que está acontecendo AGORA, não tem outro texto para publicar hoje. Tenho certeza que na [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>São quase 3 da manhã. Eu tinha dito pra Sally que o texto sobre a eleição americana ficaria com ela, na quinta. Tinha ME prometido que dormiria cedo e não ficaria acompanhando os resultados em tempo real&#8230; mas… pelo o que está acontecendo AGORA, não tem outro texto para publicar hoje. Tenho certeza que na quinta vem o dela, e vai completar tudo o que eu não pude escrever aqui pela incerteza. Neste exato momento que começo a escrever, Donald Trump é o virtual presidente dos Estados Unidos. Claro, tudo pode mudar até a hora que esse texto estiver no ar, mas até mesmo os meios mais democratas estão começando a aceitar que Hillary perdeu. Meu cérebro explodiu…<span id="more-10763"></span></p>
<p>É estranho escrever em cima de projeções, porque você pode cair neste texto com a notícia que a Hillary ganhou no último segundo e ver eu falando de Trump presidente. Mas, se for o caso do maluco laranja ser mesmo o novo homem mais poderoso do mundo, temos o texto de quinta com a Sally pra definir melhor isso tudo. Hoje… hoje é o dia para ficarmos todos com cara de tacho, tentando entender o que diabos aconteceu nos EUA. Porque uma coisa era eleger o Bush, que nunca foi exemplo de capacidade intelectual mas pelo menos parecia um candidato tradicional, outra completamente diferente é fazer de um homem que era uma piada até pouco tempo atrás o presidente.</p>
<p>Como paulista, eu me sinto aliviado porque o que a gente fez com o Tiririca foi elevado ao cubo pelos americanos. Não vou negar que tem um lado meu se divertindo horrores com toda essa situação, da mesma forma como antecipo algum desastre natural horrível só pra ver a bagunça acontecendo. Bom, a bagunça está acontecendo. Quanto mais o tempo passa entre meus parágrafos, mais Trump parece que vai ganhar.</p>
<p>E eu previ, lá no começo, que Trump não teria chance alguma, que ele era tão bizarro e sem noção que acabaria derretendo antes do dia da eleição. Em minha defesa, era uma boa previsão, compartilhada por diversos analistas muito mais bem informados e experientes no cenário político americano. Claro, nos EUA derreter e perder ainda seria uma eleição próxima, por lá quase sempre as coisas são apertadas. Então, eu e essas pessoas mais bem talhadas para as previsões também trabalhamos com uma dúvida constante se alguma coisa ia virar até o dia de ontem.</p>
<p>O que está acontecendo agora já tinha explicação antes dos resultados das urnas: Hillary era a opção aceitável para se dizer em público. Não exatamente porque as pessoas gostavam muito dela, mas porque ela era a favor de minorias, sendo uma ela mesma. Eu tinha lido e ouvido sobre o “voto fantasma” sendo muito perigoso nessa eleição: pessoas que concordavam com Trump, iam votar no Trump, mas ficavam caladinhas porque a oposição ia chamá-las de racistas, misóginas e seres humanos horríveis em geral se dissessem a verdade.</p>
<p>Como humano, eu acho um perigo um cara como o Trump no poder. Eu tinha escrito um texto sobre ele e os possíveis paralelos no Brasil, e lá eu mencionei como Trump era uma piada para a mídia nos últimos anos. Lembrando que foi ele que ficou atacando sem parar o Obama para que ele provasse que nasceu nos EUA e não no Quênia. Cidadão fala bobagem uma atrás da outra, não tem noção de educação e é um notório ególatra com uma péssima habilidade de lidar com críticas (e boa sorte com isso na maior vitrine do mundo), isso tem tudo pra dar errado e era muito claro que isso era perigoso. Mas, já são 3:20 e   não parece ter mais volta. Esse babaca é o líder do exército mais poderoso do mundo.</p>
<p>A impressão que me passa é que Trump não ganhou, e sim que Hillary perdeu. Com a mídia basicamente toda ao seu lado, com um oponente falando impropérios que até políticos brasileiros teriam medo de dizer… ela não teve força. E agora eu imagino que as coisas vão seguir nesse sentido: ela e seus defensores vão botar isso na culpa de misóginos imbecis que detestam imigrantes e muçulmanos. Oras… bem vindos ao mundo. Homens e mulheres de praticamente todas as cores e credos são preconceituosos contra alguma coisa. Trump foi brilhante ao bater em tudo ao mesmo tempo e encontrar sempre um ponto em comum com o cidadão médio.</p>
<p>Vamos lembrar que preconceito por preconceito, Obama também tinha uma montanha pra escalar. Mas o negão tinha carisma pra carregar o mundo… Hillary não. Era uma espécie de Dilma que só se sentia em paz por estar concorrendo contra o Tiririca, para localizar melhor a questão. Todo mundo subestimou a capacidade de Trump de não se explodir antes da eleição, mas ele se segurou, mesmo que por um fio. Mesmo com aquela pancada do vídeo dele falando de pegar mulheres pela buceta e um momento ruim nas pesquisas, o público dele estava lá, quietinho, fingindo que se ofendia e indo votar nele do mesmo jeito. Porque, sabem do que mais? A maioria das pessoas entende um homem que fala assim, inclusive as mulheres. Só pega mal dizer, mas não pensar! Esse é o mundo real.</p>
<p>Mesmo se der uma virada espetacular agora e Hillary ganhar, a mensagem está dada: a histeria e o vitimismo da cultura do politicamente correto empurraram o pêndulo pro sentido oposto. A coisa azedou, o mundo está meio de saco cheio de ser bonzinho com imigrantes violentos e gente ofendida nas redes sociais tentando destruir a vida de quem discorda delas. Eu juro que no fundo eu estou muito mais do lado dos histéricos que critico agora do que de gente feito o Trump, mas tudo tem limite. Não dá pra convencer o mundo a ser mais tolerante e inclusivo dando chiliques e fingindo que o mundo é um lugar melhor do que realmente é.</p>
<p>E não é com orgulho que eu digo isso, de forma alguma, mas… é muito difícil encarar a força… do homem branco. Morro de medo de entenderem isso errado, mas a verdade é que principalmente num país como os EUA, eles decidem coisas, e quando se emputecem por serem chamados de vilões por terem nascido assim, eles não vão chorar no Twitter, eles elegem o candidato mais maluco da história recente! Porque foda-se você, mundo, todo mundo pode ser egoísta. E isso eu tinha previsto sim em textos sobre esse público, mas não achei que viria tão cedo.</p>
<p>Ainda estou tentando fazer senso disso. Mas seja como for, você provavelmente vai ler esse texto com DONALD TRUMP (puta que pariu!) como presidente dos EUA! Confio muito na Sally pra analisar isso amanhã, com mais calma, e provavelmente isso volta pro Desfavor da Semana… eu estou no meu limite agora, de sono e sanidade. Sério, vocês também estão em choque? 3:45 da manhã, Donald Trump com mais de 95% de chances de ganhar&#8230; vou deixar publicado agora mesmo!</p>
<p>WHAT. THE. FUCK.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que também está rindo nervoso, para dizer que se sente melhor porque eles também fazem merda, ou mesmo para rir de mim porque a Hillary virou nesse meio tempo: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.desfavor.com/blog/2016/11/trump-venceu/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>36</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Não pode!</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2016/08/nao-pode/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2016/08/nao-pode/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Aug 2016 15:37:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Anula Eu!]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.desfavor.com/blog/?p=10453</guid>

					<description><![CDATA[Desde o começo desta semana, está liberada a campanha eleitoral para os cargos de prefeito e vereador. Provavelmente ainda não com muita força, especialmente se você estiver numa cidade pequena, mas logo logo vai ser difícil ignorar o processo. Nesta, a Justiça Eleitoral colocou uma série de restrições para reduzir o incômodo e a poluição [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o começo desta semana, está liberada a campanha eleitoral para os cargos de prefeito e vereador. Provavelmente ainda não com muita força, especialmente se você estiver numa cidade pequena, mas logo logo vai ser difícil ignorar o processo. Nesta, a Justiça Eleitoral colocou uma série de restrições para reduzir o incômodo e a poluição sonora/visual causada pelas campanhas. Resolvi escrever um texto explicando para vocês o que pode e o que não pode acontecer nos próximos dias.<span id="more-10453"></span></p>
<p>Pra começo de conversa, vamos falar de dinheiro. Duas decisões que se aplicam a esse ciclo eleitoral mudam consideravelmente o funcionamento de todo o processo. A primeira é que empresas não podem mais doar dinheiro para candidatos ou partidos. Qualquer valor declarado como doação deverá vir de uma pessoa física, ligada a um CPF. E o valor que essa pessoa doar não pode ser maior do que 10% dos rendimentos dela na declaração anterior de imposto de renda. O que com certeza não impede que empresas montem esquemas de doação disfarçados, mas pega de calças curtas muita gente ainda. Na próxima eu já tenho certeza que vão estar muito mais bem programados e vários funcionários e sócios vão ter rendimentos recorde em 2017.</p>
<p>A outra nessa mesma linha é o limite de gastos. Um candidato de eleição majoritária, ou, nesse caso, candidato a prefeito, só pode gastar 70% do valor que o que mais gastão da eleição passada. Exemplo: se na última eleição pra prefeito da sua cidade o que mais gastou teve uma verba de um milhão (pausa para rir), o limite para qualquer candidato nessa é de R$ 700.000,00. Não tenho certeza por quanto tempo a Justiça Eleitoral vai manter essa regra, mas o objetivo é forçar as campanhas a gastar menos e menos com o passar dos anos.</p>
<p>O truque para ambas as restrições é o mesmo de sempre: caixa dois. Dinheiro entrando sem registro e sendo gasto sem declaração posterior. Tenho que tirar o chapéu para nossos legisladores dessa vez, porque por mais que o certo seja evitar o dinheiro não declarado de vez, fechar a porta para doações legais de empresas e colocar tetos de gastos complicam tudo para quem quer fazer errado, e até punem retroativamente: o dinheiro que foi maquiado na eleição anterior não serve para calcular os 70%, fazendo campanhas artificialmente baratas aplicarem efeitos reais na atual. Com certeza um comitê vai estar no pescoço do outro procurando as falhas na parte de doações de empresas e limites de gastos, mas se essa informação for só dos que estão dentro do processo, podem ter certeza que algum acordo vai ser feito de acordo com os interesses momentâneos. O melhor fiscal é o franco-atirador, aquele que só quer ver os candidatos sofrendo, e no caso, nada melhor do que nós mesmos&#8230;</p>
<p>Desconfiou, denuncia. Bota no deles mesmo. Nem precisa confiar no sistema, pode só confiar na competição: se você der qualquer munição, um começa a atirar no outro sem dó. Os candidatos e partidos começam a fazer acordos lá pro final da eleição, neste momento eles todos se odeiam. Use essa informação com sabedoria. Desde que eu aprendi sobre a legislação, já consegui arranjar dores de cabeça para alguns candidatos. A sensação é boa, acreditem.</p>
<p>Apesar da linha do financiamento e gastos de campanha ser efetivamente a mais importante para todos nós, como nação democrática, tem outra parte que realmente parece ter sido feita com nosso bem estar em consideração: a limitação na onipresença das imagens de candidatos e partidos durante a campanha eleitoral. Existem várias regrinhas sobre o que pode e o que não pode fazer. Algumas são bem antigas, outras acabaram de sair do forno. Vou passar pelas principais.</p>
<p>O básico é que candidatos tem uma limitação severa sobre gastar dinheiro para se promover na mídia. Cidadão não pode fazer propaganda em TV ou Rádio pagando por ela, só no horário político, que é cedido gratuitamente para ele. Não pode colocar Outdoor ou nenhuma placa que dependa de pagamento pelo espaço nas ruas. Na mídia impressa, a única coisa que podem é colocar um certo número de anúncios em jornais locais, e nunca maiores que um oitavo do tamanho da página. Se você vir qualquer propaganda de candidato na mídia que não seja essa de jornal, e nesse tamanho, pode denunciar sem dó.</p>
<p>E sobre placas em bens particulares (terrenos, muros e até mesmo carros), tem um limite de tamanho: meio metro quadrado. Qualquer coisa maior do que isso e o candidato tem que tirar. E não adianta usar o truque de colocar várias placas uma do lado da outra, a lei prevê essa esperteza e diz que se estiverem próximas o suficiente, vão ser somadas. Via de regra, se você vir uma placa ou adesivo de candidato que pareça maior que uma TV de 40 polegadas, vale a pena prestar mais atenção. E se tiver a disposição, medir para ver se dá pra denunciar. Dá até pra trollar colocando você mesmo uma placa grande, porque no final das contas, vai dar dor de cabeça para a campanha tirar ou provar que não tem nada a ver com aquilo. Atenção nos carros: não pode adesivar inteiro. Respeita a mesma regra.</p>
<p>O material impresso entregue nas ruas, ou jogado no chão para deixar as cidades ainda mais imundas, também tem limite de tamanho. Isso é mais raro de acontecer, porque o tamanho máximo é bem grande e normalmente preferem fazer milhares de pequenos do que centenas de grandes. Se parecer maior que um cartaz aberto, pode estar fora do limite.</p>
<p>Mas eu escrevo este texto muito pela parte digital: do jeito que a lei se configurou, a internet é quase terra de ninguém nas limitações impostas. Quase, porque tem algumas coisas que não podem: nenhum site de empresa pode fazer propaganda de candidato, paga ou de graça. Só o candidato (no caso o CNPJ da campanha dele) pode lançar materiais no site dele ou em redes sociais, desde que não pague para anunciar. O que isso quer dizer: se você vir uma postagem de candidato no Facebook com aquele aviso de “Patrocinado” no topo, você pode e deve denunciar. Não só para o Facebook (que vai derrubar o mais rápido que puder) como também para a Justiça Eleitoral.</p>
<p>Aposto que suas redes sociais já estão começando a ficar abarrotadas de caras e números, é difícil evitar isso completamente, até porque em tese precisamos conhecer os candidatos, mas isso não significa que alguém pode ser esperto e burlar a regra de não usar dinheiro para pagar por propaganda. Fiquem espertos com o aviso de patrocinado ou pago em cada uma das propagandas eleitorais que virem, fiquem espertos com sites de empresas fazendo propaganda para candidatos. São chances valiosas de botar de volta neles.</p>
<p>O problema do brasileiro é falta de fiscalização, talvez até por desconhecimento do que deveria estar fiscalizando. Pode ser que você não use este texto para nada nos próximos dias, mas se por um acaso a possibilidade surgir, você vai ter a informação. Concordo muito com a maioria das restrições e vou fazer questão de pentelhar os candidatos da minha cidade se vir algo de errado, convido quem mais estiver lendo este texto a fazer o mesmo.</p>
<p>Para denunciar, você pode usar o formulário online da Justiça Eleitoral do seu estado (<a href="http://www.tre-sp.jus.br/eleicoes/eleicoes-2016/denuncia-on-line-2016-nova" target="_blank">exemplo a de São Paulo</a>), ou mesmo fazer o melhor de tudo: passar a informação para uma campanha concorrente, anonimamente. Eles não vão largar o osso, pode apostar.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que acho chato mas útil, pra dizer que achou útil mas chato, ou mesmo para dizer que finalmente achou algo interessante pra fazer nas eleições: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.desfavor.com/blog/2016/08/nao-pode/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>6</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Meta neles!</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2016/04/meta-neles/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2016/04/meta-neles/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2016 09:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Anula Eu!]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.desfavor.com/blog/?p=9912</guid>

					<description><![CDATA[Agora vai! Agora vai? A Comissão Especial da Câmara analisou e aprovou o pedido de impeachment contra a presidente Dilma, e agora o processo segue para um circo ainda maior: a votação na Câmara, com todos os deputados. Como o Brasil não cansa de nos surpreender negativamente, desconfio que o assunto ainda pode voltar como [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Agora vai! Agora vai? A Comissão Especial da Câmara analisou e aprovou o pedido de impeachment contra a presidente Dilma, e agora o processo segue para um circo ainda maior: a votação na Câmara, com todos os deputados. Como o Brasil não cansa de nos surpreender negativamente, desconfio que o assunto ainda pode voltar como Desfavor da Semana. Por isso, vamos falar um pouco menos do processo e um pouco mais dos envolvidos nessa votação: eles e nós.<span id="more-9912"></span></p>
<p>Impeachment não é pouca coisa, é demitir o funcionário mais alto da democracia brasileira. E é uma boa coisa que ele exista, com certeza, a capacidade de demitir o chefe por justa causa seria bem vinda em virtualmente todas as áreas da sociedade. E antes que você comece a pensar por que estranhou eu usar a palavra &#8220;funcionário&#8221; e analogias com chefes e demissões&#8230; bom, não deveria. É isso que todos eles são por lá: funcionários&#8230; nossos, por sinal.</p>
<p>Mas é claro que o conceito fica muito turvo num país assolado pelo fisiologismo. Com raríssimas exceções, estão todos lá em benefício próprio, seja acumulando poder para fazer dinheiro, ou mesmo cortando intermediários e acumulando patrimônio na cara dura. Só que&#8230; turvo em termos: porque a ideia de carreira política faz muito sentido para todos nós. Normalmente quem se elege uma vez tenta continuar pulando de cargo em cargo pelo tempo que aguentar. É uma forma de ganhar a vida e garantir o sucesso da própria família e amigos.</p>
<p>É uma carreira, mas não os vemos como funcionários. Pessoas com mais estudo e conhecimento não enxergam assim por desencanto, e pessoas menos capacitadas tendem a nem entender direito o que se espera dessa profissão. Até começo a rever a ideia de que brasileiro enche a boca pra falar que se estivesse lá roubava igual só por ser um povo desonesto, talvez nem tenham outra resposta pra dar. &#8220;Ajudar as pessoas&#8221; tem cara de resposta de miss, idealismo de fachada por completa falta de outras ideias.</p>
<p>Pudera, num país tão carente, bastou distribuir uma renda pra lá de mínima pra conseguir se segurar no poder por mais de uma década sendo aclamados pelo povão. Fácil agradar quem não esperava nada. Dizem que o brasileiro precisa cobrar mais de seus governantes&#8230; mas, será que eles sabem o que cobrar? Tudo bem reclamar de um buraco na rua de casa, mas&#8230; apontar erros no desenvolvimento da política econômica? Eu mesmo, que tenho bastante educação comparado com a média, posso no máximo chutar sobre o assunto&#8230; e ficaria bem perdido se enfrentasse a palavra de um especialista.</p>
<p>O cenário que estou querendo pintar aqui é o seguinte: nossos líderes desempenham uma função muito lucrativa sob a fiscalização de chefes que quando não estão ausentes, não tem a capacidade de sequer entender o que deveriam fiscalizar. O que estamos vendo agora são funcionários de diferentes setores da nossa empresa brigando entre si para escolher o destino de outra. Tudo isso num processo burocrático, enrolado e francamente, inalcançável para a maioria de nós.</p>
<p>E agora eu coloco um pé dentro da coluna Dés Potas, mas mais para exemplificar o que realmente me incomoda nesse caso todo: a democracia. Democracia a qual já defini como uma merda, mas a menos fedida que temos. Não estou mudando de time e começando a defender um golpe autoritário, mas é muito complicado melhorar alguma coisa se ficamos cegos para seus defeitos. A democracia é um sistema péssimo que só existe nos moldes atuais para mitigar os riscos da incompetência e do egoísmo humanos. É o último ponto de equilíbrio possível antes de tudo ficar ainda pior.</p>
<p>Mas ela não é boa. Principalmente em países como o Brasil. E ela não é boa porque nos faz esquecer que deputados, prefeitos, senadores e presidentes são meros funcionários cujo objetivo é fazer o Estado funcionar minimamente bem. Funcionário não tem que passar 10 sessões discutindo opiniões pessoais aos berros em comissões burocráticas, funcionário que não bate meta ou que adultera balanços pra esconder prejuízos tem que ser demitido. Nada pessoal, são apenas negócios.</p>
<p>Só que depois de alguns milhões de votos, esses funcionários ganham uma aura de poder quase que mística. Imagina só se você tivesse uma empresa e a cada processo seletivo todos os seus clientes indicassem alguém pra trabalhar lá dentro? Como é que você demite essa pessoa se ela fizer besteira? É como se esse poder a fizesse se sentir maior que a empresa. Pode fazer o que bem entender, e quando algo der errado, insistir para mudar a regras para se beneficiar.</p>
<p>O melhor sistema para um país seria um muito próximo ao de uma empresa, onde popularidade não conta. Onde gente formada nas áreas que pretende desenvolver disputasse a tapa as vagas, sendo escolhidas por especialistas que podem não só enxergar forças e fraquezas nos candidatos, como analisar os planos que pretendem colocar em prática. Simplesmente não faz sentido que uma pessoa que mal sabe entender o que lê (quando sabe ler) possa escolher em igualdade de condições quem quer que mande no país por quatro anos!</p>
<p>Nada contra essa pessoa, na verdade, é para o bem dela. Eu sei que estou trafegando por uma avenida de pensamento perigosa agora, todo maluco autoritário deve acreditar que quaisquer crimes que cometa sejam para o bem de todos. Mas é uma questão de organização de um Estado que vai continuar tendo leis e limites para suas figuras de autoridade. Essa empresa chamada Brasil pode ter um presidente, mas ele ou ela não é seu dono. Os cidadãos daqui que são. O presidente deveria apenas cuidar do gerenciamento. Assim como os outros funcionários dos mais diversos Poderes e níveis.</p>
<p>E quem cuida de gerenciamento não pode ficar sem ter metas. Não metas que o próprio presidente ou seus aliados tirem da cartola, mas metas definidas por gente capacitada e com conhecimento aprofundado da situação do país. Sim, fingimos que temos tudo isso atualmente, mas sem o elemento principal para que elas deixem de ser mentira: a consequência. Não fosse essa maravilhosa e terrível democracia, Dilma poderia ser demitida por justa causa apenas por não estar fazendo seu trabalho direito. Mas sem uma meta real (diferentemente das imaginárias como as de inflação e crescimento do PIB) para comparar com os resultados alcançados, como definir se a funcionária presta para o cargo?</p>
<p>No mínimo poderíamos ter um sistema de &#8220;promessas oficiais&#8221;. Cada candidato preenche um documento dizendo os resultados que pretende alcançar em cada uma das áreas que vai gerenciar, e caso não bata a meta em um ano, estaria sumariamente demitido, sem choro nem vela. Povão pode amar a pessoa, mas ela prometeu algo que não foi capaz de cumprir. Azar se caiu um meteoro no país nesse ano. Não bateu meta, rua. Pode até se candidatar de novo, o que não pode acontecer é não ter repercussão.</p>
<p>Isso pelo menos faria o povo ter que se responsabilizar frequentemente pelo o que está escolhendo. Dilma já teria caído, por exemplo. E se o Aécio merdasse, como era meio previsível, já teria caído também. Bateu a meta? Vai pra próxima (que tem que ser mais ousada ainda) e tenta bater de novo. Se continuar mandando bem, fica no cargo. É claro que não seria realista pelos custos astronômicos de uma eleição, mas quem disse que não daria pra deixar o processo mais simples se fosse todo ano? E, se não fosse obrigatório ainda, mais fácil. Vota por um aplicativo no celular, vota num terminal eletrônico em pontos de grande circulação que serviria para outras coisas depois&#8230; nem é meu ponto tentar desatar esse nó aqui, é mais sobre tentar entender que esse processo complicado da democracia no Brasil existe também para perpetuar o descaso dos funcionários eleitos.</p>
<p>E essa nem é a única ideia, é só uma forma de manter a ilusão da escolha no povo. Ganha eleição quem gasta mais e melhor, pouca gente sabe quem merece ser eleito ou não. Se fôssemos profissionalizar essa coisa toda, teria que abolir o voto livre. Só poderia participar quem comprovasse a capacidade e o interesse de fazer essa escolha. Carisma não resolve crise, trabalho e capacidade técnica sim. Foda-se se o povo gosta ou não de alguém, o que importa é se bateu a meta ou não.</p>
<p>Mas é claro que isso é utópico. O triste é perceber que somos tão incapazes como país que só nos resta a democracia como escapatória minimamente aceitável. Meritocracia deveria ser o sistema geral, mas&#8230; ela anda em falta. Enquanto isso, os funcionários continuam mandando nos chefes deles.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que realmente não esperava esse caminho no texto, para dizer que só topa se cair a lei seca no dia da votação, ou mesmo para dizer que a meta é ganhar dinheiro e essa eles sempre batem: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.desfavor.com/blog/2016/04/meta-neles/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>11</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
