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	<title>Desfavor Bônus &#8211; desfavor</title>
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	<description>REPÚBLICA IMPOPULAR</description>
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		<title>Robert F. Kennedy Jr.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Sep 2025 18:23:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
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					<description><![CDATA[O Secretário de Saúde e Serviços Humanos do governo Trump, mais conhecido pelas iniciais RFK Jr., pode passar os próximos três anos e meio como cabeça do equivalente ao Ministério da Saúde americano. Considerando o alcance que suas palavras e ações podem ter no mundo todo, achamos uma boa ideia te contar mais sobre esse [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Secretário de Saúde e Serviços Humanos do governo Trump, mais conhecido pelas iniciais RFK Jr., pode passar os próximos três anos e meio como cabeça do equivalente ao Ministério da Saúde americano. Considerando o alcance que suas palavras e ações podem ter no mundo todo, achamos uma boa ideia te contar mais sobre esse cidadão.<span id="more-33368"></span></p>
<p>Sim, o Kennedy é da família do ex-presidente americano assassinado mesmo. Ele é sobrinho de John Kennedy. Aqui eu vou chamar ele de RFK mesmo, pela simplicidade, mas nos EUA fazem questão do Jr., porque o pai dele com as mesmas iniciais também é muito famoso: RFK pai foi um procurador geral popular que também morreu assassinado, em 1968, por um ativista palestino incomodado com o suporte americano a Israel. Pois é, essa história rende há muitas e muitas décadas.</p>
<p>O histórico de RFK é de ativismo ambiental. Fez sua imagem lutando contra grandes empresas que poluíam o ambiente e envenenavam as pessoas. Advogado por formação, tocava um escritório que defendia grandes grupos contra essas empresas, lançando aquelas ações que geravam indenizações gigantescas para cidades, povoados e até tribos indígenas.</p>
<p>Precisamos estabelecer esse ponto, porque faz muito parte de como ele pode ser visto pela opinião pública. De fato RFK fez sua reputação defendendo o cidadão comum de abusos cometidos pelas empresas. Se você prestar atenção no que ele diz e como se porta, ele acredita de verdade na causa de saúde pública e proteção do ambiente.</p>
<p>E é isso que o torna especialmente perigoso. Não precisa ser muito atencioso para perceber como Trump é egocêntrico e ganancioso, no fundo acho que até seus fãs sabem como tem muita mentira na sua imagem de defensor do pobre americano, mas fazem vistas grossas por acreditarem que no final das contas ele atende seus interesses.</p>
<p>RFK é diferente. Ele passa uma imagem verdadeira, e tem a história de vida para dar suporte. Eu resolvi escrever este texto também porque quem costuma explicar as maluquices dele se perde muito na vontade de estabelecer como ele é uma pessoa ruim. E se você for fazer sua própria pesquisa, lendo e ouvindo o que ele fala e as coisas que fez, não vai ter essa impressão de vilania.</p>
<p>Ele é um ecochato orgânico, por assim dizer. É contra o monte de química que colocam em alimentos ultraprocessados e acha importante manter as empresas químicas e de remédios sob controle, para não deixar a busca por lucros passar por cima da eficiência e segurança do que vendem. Coisas muito fáceis de concordar.</p>
<p>E o cidadão tem seu carisma: se você o vir falando, a primeira coisa que vai perceber é um padrão de voz estranho e alguns tremeliques. É um distúrbio na faringe que cria movimentos involuntários. Mas o pedigree Kennedy, o histórico de defensor dos oprimidos e o visual de galã da terceira idade (está numa forma excelente para a sua idade) mais do que compensam.</p>
<p>Outra coisa que você vai acabar sabendo sobre ele, é que RFK tem uma minhoca morta no cérebro. Aparentemente ele adquiriu um parasita que comeu parte do seu cérebro e morreu, e pelo local, não tem como tirar. Eu não sei se os impedimentos de fala são relacionados com isso, mas quando ouvir americano falando sobre o cérebro de minhoca, saiba que é dele que estão falando.</p>
<p>Quando começou sua campanha para presidente de forma independente, isso é, fora dos partidos grandes, começou a ganhar tração, o que incomodou Trump ao ponto de fazê-lo conversar com RFK e pedir para se juntar a ele (senão perderia votos), e foi aí que veio a promessa de colocá-lo como Secretário da Saúde.</p>
<p>Mas espera&#8230; se o cara é ecochato e luta contra empresas bilionárias, ele não seria mais da turma dos Democratas? O seu tio presidente foi do partido. É aqui que começamos a explicar o outro lado de RFK: a mente conspiratória. Ele é um dos expoentes do movimento antivacina, por isso estava roubando votos do Trump e não do Biden ou da Kamala Harris. Desde que ele abraçou essa causa, foi sendo empurrado para o lado dos Republicanos como negador da ciência.</p>
<p>Mais uma vez, sejamos compreensivos: filho e sobrinho de políticos famosos assassinados em situações estranhas, faz sentido que ele ficasse mais suscetível às conspirações. Ele diz publicamente que não acredita que foi apenas um atirador aleatório que matou seu tio John F. Kennedy em 1963. Eu também teria muita desconfiança do sistema com uma família dessas.</p>
<p>A mesma desconfiança que tem de grandes empresas que poluem e envenenam cidadãos ele passou para basicamente toda a medicina. Pulou na conspiração que liga vacinas com autismo desde o começo, porque é basicamente o que ele sempre pregou sobre não confiar no que grandes empresas fazem. Importante ressaltar que nos EUA não existe o conceito de saúde pública como algo sem fins lucrativos, se você vive lá, sua vida literalmente depende de ter como pagar por um tratamento.</p>
<p>Não existe memória afetiva do Zé Gotinha e de uma grande organização social para vacinar. É tudo parte do mercado, mesmo para quem recebe vacina de graça. É mais cínico, no fundo a pessoa sabe que está pagando de alguma forma. Estamos pagando aqui no Brasil também, nada é de graça de verdade, mas o emocional é diferente.</p>
<p>Essa desconfiança do sistema capitalista (por bons motivos, tem muito abuso de poder econômico por lá, suborno por grandes empresas é basicamente legalizado na política) está na alma da esquerda e da direita americana. Mudam os pontos de briga contra o sistema, mas a lógica é muito parecida. A pessoa que vota no Trump se acha uma revolucionária contra as elites.</p>
<p>Desde 2005 RFK vem a público dizer que vacinas causam autismo e que podem causar todo tipo de efeito colateral. É mais um daqueles que diz que vacinas deveriam ser escolhas dos pais, cada um vacina o filho se quiser. O que eu nem preciso dizer que coloca crianças em risco e ainda reduz a proteção das pessoas que realmente não podem tomar vacinas. Esse ângulo funciona bem com quem acha que existem microchips de controle mental nas vacinas, funciona com quem acha que vacinas fazem mal e funciona com aquele tipo de pessoa que acha que o governo não pode mandar nelas.</p>
<p>Até por isso, Trump, que na hora do vamos ver enfiou bilhões e bilhões no projeto de criar a vacina da Covid (disso não podemos reclamar do laranjão, foi lá e fez), sempre tenta fazer um aceno para esse público antivacina, porque ele combina muito bem com o tipo de eleitor do partido Republicano. O grande aceno dessa vez foi colocar RFK no cargo mais importante da saúde americana.</p>
<p>E não podia ser diferente, RFK está empurrando suas visões antivacina como política, sempre naquele jeitinho malandro de dizer que as pessoas não deveriam ser obrigadas a tomar. É claro que ele sabe que quando uma autoridade ou figura famosa diz isso, fica implícito que a vacina é perigosa. Todo mundo sabe que é isso que estão dizendo, mas ninguém quer admitir que é isso que está realmente dizendo.</p>
<p>RFK foi uma das figuras que causou uma histeria em massa sobre vacinas em Samoa, em 2019. Uma epidemia de sarampo horrível se espalhou na ilha do Pacífico, matando mais de 70 pessoas. Sim, sarampo, uma doença para o qual temos vacina. Depois de um erro horrível em 2018, quando deram relaxante muscular junto com a vacina para crianças, causando duas mortes, o povo local ficou com medo de vacinar. RFK aproveitou para fazer campanha junto com os antivacinas locais, matando qualquer chance do povo confiar de novo em vacinas. Depois de cobrado por ter colocado lenha na fogueira e visto na prática como é letal dizer que vacinas fazem mal, RFK desconversou e continuou como se nada.</p>
<p>Durante a pandemia, adivinha o que ele estava fazendo? Dizendo que o Bill Gates estava com um plano maligno de vacinação forçada, defendendo todo tipo de tratamento aleatório, dizendo que quarentena era literalmente ser o Hitler&#8230; todo o pacote que vimos copiado nos imbecis brasileiros. Foi uma torrente de conspirações que ele soltou até ser bloqueado nas redes sociais. Disse que o vírus parecia não pegar judeus, que era uma arma biológica, que foi criado para fazer testes em pessoas negras&#8230;</p>
<p>Ah, também diz que a AIDS não existe. Porque ele é profissional na área de conspiração assim. Adivinha se ele não acredita que o governo usa aviões para soltar químicos perigosos sobre a população? Basicamente, qualquer conspiração que você imaginar sobre produtos químicos e doenças, ele está lá. Por isso que desde a promessa de campanha de Trump, os americanos menos malucos estavam de cabelo em pé.</p>
<p>Já nesta administração, seus planos sempre passam por remover obrigatoriedade de vacinas e demover pessoas de vacinarem seus filhos. Com uma mão ele bane corantes na comida (que talvez façam mal, talvez não, mas no final das contas não é uma medida bizarra), com outra ele usa sua posição para dizer que as pessoas têm que tomar cuidado com essa coisa de vacina em criança. É como se fizessem o Zé Gotinha magro, cheio de feridas e sempre babando uma substância esverdeada: não está dizendo que vacina faz mal com todas as letras, mas deixa as pessoas desconfiadas, não? Os americanos já estão vendo surtos de sarampo matando crianças de novo, doença que estava basicamente erradicada.</p>
<p>E eu acredito que dependendo de como você ficar sabendo sobre RFK, ele pode parecer menos insano do que realmente é. Existe sim uma história de luta pelos direitos dos oprimidos pelas grandes corporações, existe sim uma preocupação saudável com alimentos ultraprocessados e com uso de substâncias perigosas. Mas precisa entender que ele é completamente controlado pelos seus impulsos conspiratórios.</p>
<p>E que quando ele fala algo sobre saúde, precisa ter umas 10 camadas de proteção mental para lidar. Porque eu acredito que nem ele saiba mais a diferença entre preocupações racionais e planos de sociedades secretas para fazer os sapos ficarem gays.</p>
<p>Eu vejo um problema na forma como a imprensa que não é partidária dele ou do seu lado em linhas gerais trata RFK: como um maluco com uma minhoca morta na cabeça. É verdade, mas não é toda a verdade. É um maluco com uma minhoca morta na cabeça que defende pontos de vista com os quais a maioria de nós concordaria, em tese.</p>
<p>Eu também acho que comemos muita porcaria, que empresas colocam a ganância acima da segurança da população, que o povo deve ser livre&#8230; mas quando ele vira uma metralhadora de bobagens, citando estudos aleatórios sem sustentação científica e colocando o que acha que é certo acima do que já foi muito bem estudado, a fachada desaba. É muito complicado discutir com ciência estabelecida porque são informações baseadas em estudos práticos e revisados por outros cientistas.</p>
<p>Saúde não é o que achamos que é bom, saúde é uma ciência extremamente complicada, porque o corpo humano é um emaranhado de sistemas interdependentes que ainda por cima variam de pessoa para pessoa. RFK segue uma visão de mundo que sempre começa positiva: não coma ultraprocessados, faça exercícios e não se medique à toa. Beleza, estamos juntos nessa, a besteira acontece quando a pessoa começa a achar que por entender esse básico ela ganha alguma ideia sobre como funcionam proteínas e vírus no corpo humano.</p>
<p>Não chegamos na prevenção e cura de tantas doenças indo pelo caminho do “bom senso”, era isso que fazíamos na antiguidade com sanguessugas e a ideia de que passar perfume te protegia de doenças! Coisas que pareciam seguir a lógica do resto, mas que não tinham nada a ver com nada depois de aprendermos a duras penas quais eram os problemas reais.</p>
<p>Nem RFK nem ninguém vai intuir o que é mais saudável a partir do básico do básico, sem chatíssimos estudos e experimentos sobre o funcionamento do corpo humano. Da mesma forma como você não deveria achar que sabe como organizar um sistema político por saber que roubar é errado, não deveria achar que consegue dar conselhos sobre medicina só porque sabe que beber líquidos desconhecidos não é seguro.</p>
<p>RFK é ainda mais problemático que o normal dos malucos do Trump porque ele vai parecer uma pessoa bacana com conhecimento de causa sobre o que fala se você for mais leigo que ele. Ele talvez até tenha no coração a certeza que está fazendo o bem, mas carece de um mínimo de respeito pela ciência do esforço para encontrar boas respostas. Para ele e para muita gente nesse mundo, basta achar que é saudável ou perigoso, pouco importa o resultado.</p>
<p>E quando acham que uma pessoa fez um estudo que defende sua ideia de como as coisas devem funcionar, ignoram que outras mil pessoas já soltaram outros estudos dizendo algo totalmente diferente. Não faz diferença a quantidade de esforço e atenção dada ao tema, importa apenas “parecer certo”.</p>
<p>RFK pode até parecer uma pessoa cuja palavra tem peso no tema saúde pública, mas basta prestar atenção na forma como ele organiza suas ideias e suas crenças para saber que a sua vó com chazinhos aleatórios é mais sábia, ela pelo menos não mata pessoas de doenças preveníveis.</p>
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		<title>PEC da Blindagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 16:00:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
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					<description><![CDATA[Este final de semana o Brasil viu pessoas indo às ruas se opor à PEC da Blindagem (ou PEC da Prerrogativa, como queiram), mas, será que todo mundo entende sobre o que se está falando? É cada vez mais comum pegar um tema, um assunto, um projeto e rotulá-lo como “de direita” ou “de esquerda” [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este final de semana o Brasil viu pessoas indo às ruas se opor à PEC da Blindagem (ou PEC da Prerrogativa, como queiram), mas, será que todo mundo entende sobre o que se está falando?<span id="more-33357"></span></p>
<p>É cada vez mais comum pegar um tema, um assunto, um projeto e rotulá-lo como “de direita” ou “de esquerda” e ver pessoas aderindo ou repudiando sem sequer entender o conteúdo, apenas por ter simpatia ou antipatia com o rótulo que colaram naquilo. Não é assim que se adota um posicionamento informado.</p>
<p>Por isso, apesar de acharmos que não vai passar, decidimos fazer um resumo dessa PEC, com o nosso posicionamento incluído, para que todos saibam exatamente o que está acontecendo, mastigadinho, sem politização e para ficar bem registrado que nós avisamos.</p>
<p>“Mas Sally, se não vai passar, por qual motivo você vai perder seu tempo fazendo um texto sobre isso?”. Porque é Brasil. A Taxa das Blusinhas também não passou, até que tentaram novamente, e novamente, até passar. Brasil é assim: aproveita um feriado, um carnaval, uma mudança de foco e aprovam as coisas na calada da noite e tentam passar aquilo novamente, meses depois. Natal tá chegando. Ano novo tá chegando. Carnaval tá chegando. É importante que todos entendam o que está em jogo.</p>
<p>O nome oficial é PEC 3/21 e você pode encontrar o texto completo no próprio site oficial do governo. PEC significa uma Proposta de Emenda Constitucional, ou seja, ela serve para alterar a Constituição, que é a lei mais importante do Brasil. Todas as demais leis devem estar de acordo com a Constituição, se não, perdem sua validade.</p>
<p>Pela sua importância no ordenamento jurídico, mexer na Constituição Federal deveria ser algo muito raro e bem pensado, pois impacta inúmeras leis inferiores. Bagunça tudo. Centenas de artigos terão que ser revistos e reinterpretados. Não é algo que deveria ser feito com a frequência que o Brasil faz, muito menos sobre assuntos que não sejam urgentes, importantes e fundamentais.</p>
<p>O objetivo oficial dessa PEC é dar mais segurança, independência e proteção aos parlamentares brasileiros (Deputados Federais e Senadores, que, juntos, compõe o Congresso Nacional), em função das muitas interferências e abusos que vem ocorrendo no país nos últimos anos, especialmente por parte do STF. Isso é a explicação em tese. A explicação prática eu te dou: “estão sacaneando a gente? Vamos aproveitar para enfiar uma baita impunidade com apoio popular”.</p>
<p>O STF comete abusos? Sim. Muitos. Todo santo dia. Precisa de um freio, pois esse desequilíbrio entre os três poderes compromete uma democracia. Porém, essa PEC não é a via adequada, pois não vai impedir abusos do STF, vai é permitir abusos do Congresso.</p>
<p>Percebam que o fato do STF cometer abusos não faz com que, automaticamente, uma medida para cessas esses abusos seja boa. Lei Felca tá aí para mostrar que não basta criar lei, é preciso que a lei seja adequada para combater aquilo a que se propõe.</p>
<p>E a PEC3/21 não é adequada. Ela não foi pensada para restaurar o equilíbrio entre os três poderes e preservar a estrutura democrática. Ela foi pensada para salvar a pele de político e torná-los inalcançáveis pelo Judiciário.</p>
<p>Veja bem, se já temos problemas com um Judiciário sem predador, a situação ficaria bem pior se, além disso, tivéssemos um Congresso sem predador. Não se iludam, esse projeto não foi pensado no povo, foi pensado em salvar a eles mesmos às custas de um monte de efeitos colaterais extremamente nocivos para o povo, para o país e para a democracia. E nós vamos apontar todos eles agora.</p>
<p>O primeiro ponto que preocupa é a chamada Imunidade Ampliada: para abrir um processo criminal contra um parlamentar será necessária a autorização do Congresso. Isso significa que se um Deputado ou Senador comete um crime, o Judiciário não pode apurar e punir se o Congresso não permitir.</p>
<p>Calma que piora: o Congresso decidirá se o parlamentar pode ou não ser processado através de uma votação secreta, ou seja, o povo nem ao menos ficará sabendo quem foi a favor da impunidade. Não terão qualquer constrangimento ou consequência em salvar uns aos outros, não importa quão bizarro seja o crime cometido, pois o povo nunca saberá quem votou como.</p>
<p>É muito complicado colocar funcionários do povo acima da lei. Se eles cometerem crime, podem não ser processados por esse crime se seus colegas livrarem sua cara. Imagina um mundo no qual seu vizinho não pode ser processado criminalmente a menos que a família dele aprove. Te parece um bom mundo? Pois é. E essas pessoas têm muito mais poder de estrago que o seu vizinho.</p>
<p>Não dá. Cada macaco no seu galho: crime é competência do Judiciário, é uma aberração impedir o Judiciário de atuar em caso de crime. É uma abominação que político possa dizer “Nosso colega cometeu um crime sim, para nós não permitimos que você, Judiciário, puna ele”. Não dá, ainda mais no Brasil.</p>
<p>Repito: eu sei que o STF comete abusos dia sim, dia também. Mas se parlamentar se tornar intocável, improcessável, se criará uma nova fonte de abusos. Vocês já se perguntaram o que político brasileiro faria se tivesse a certeza da impunidade? Não se combate abuso de um dando ferramentas para que o outro abuse também, tudo que se consegue com isso é um duplo abuso.</p>
<p>E nesse ponto pode ter um romântico que diga que se foi eleito pelo povo tem que ter sim essa blindagem pois é a única forma de se combater a tirania do STF. Primeiro, não é a única forma. Segundo, não seria apenas para eleitos pelo povo. A PEC prevê que Presidentes de Partido usufruam de foro privilegiado, o que os blinda também, quando esse partido tenha ao menos um representante no Congresso.</p>
<p>Um Presidente de Partido não é eleito pelo povo, é escolhido pelo partido. E sabemos que no Brasil as pessoas podem criar quantos partidos quiserem. Também sabemos que com dinheiro é fácil criar um partido para chamar de seu e conseguir uma das mais de 500 cadeiras no Congresso. Com dinheiro e no estado certo, a pessoa talvez consiga se eleger.</p>
<p>Isso significa que qualquer pessoa com muito dinheiro que queira imunidade para cometer crimes pode fundar um partido, se tornar Presidente desse partido e ganhar liberdade para cometer crimes. Qualquer pessoa que queira dedicar uma vida ao crime pode distorcer as regras, fazer um malabarismo, criar um partido e se tornar Presidente desse partido para tentar fugir de punição.</p>
<p>Ou, ainda mais fácil, bater à porta de um partido pequeno, oferecer uma fortuna para que esse partido que já existe o coloque como Presidente e garantir sua imunidade. Eu consigo ver todo tipo de criminoso explorando essa brecha, desde traficantes até alto empresariado que aplica golpes financeiros. É comprar um Green Card para o crime.</p>
<p>E mesmo que a pessoa não vire Deputado, Senador ou Presidente de Partido para cometer crimes, conhecemos o brasileiro. Se chegar lá e tiver total certeza da impunidade, provavelmente não vai se comportar 100% dentro da lei como deveria. Não se colocam pessoas em um ambiente que é historicamente problemático em matéria de honestidade, cumprimento da lei e civilidade afrouxando ainda mais as amarras. Político vai ficar ainda mais bandido e desonesto.</p>
<p>Talvez nem seja essa a intenção da PEC, mas sempre que a gente fala sobre qualquer regra, é preciso levar em conta o Fator Brasil. Infelizmente, é assim que as coisas são.</p>
<p>“Mas Sally, antigamente a Constituição Federal tinha essa previsão de não poder processar sem autorização do Congresso, se é tão ilegal, por qual motivo estava na lei antes?”. Outro contexto histórico: era um país recém-saído da ditadura, que queria assegurar que seus parlamentares não fossem perseguidos por um resquício de autoritarismo. E, ainda assim, falhou miseravelmente e deu margem a abusos, por isso essa norma foi removida.</p>
<p>“Mas Sally o STF também promove perseguição hoje em dia”. Ok. Mas esse remédio o país já testou e sabe que não funciona. Os abusos do STF podem continuar de muitas outras formas (o Judiciário é o mais forte dos três poderes no Brasil) e o Legislativo vai ficar com 600 filhos da puta com certeza da impunidade.</p>
<p>Nada como um caso concreto para te relembrar onde o Brasil pode chegar. Vamos falar de Hildebrando Pascoal.</p>
<p>Se você tem um pouco mais de idade, deve se lembrar de Hildebrando Pascoal, mais conhecido como “Deputado da Motosserra”. Se você não sabe quem é esta pessoa querida, eu vou te dar um breve resumo: foi condenado criminalmente por liderar um grupo de extermínio e integrar um esquema de crime organizado para tráfico de drogas e roubo de cargas. Ele foi condenado judicialmente por tráfico, tentativa de homicídio e corrupção eleitoral.</p>
<p>Atuava como parlamentar enquanto chefiava o crime organizado no seu estado, praticando crimes com requintes de crueldade. Sem entrar em detalhes, mas vocês podem imaginar as coisas que ele fazia, com base no apelido “Motosserra”. Somadas, suas penas totalizavam mais de 100 anos de prisão. E durante muito tempo, essa pessoa querida, ficou intocável, pois o Congresso não autorizava que encostassem nele.</p>
<p>Resumo: não se corrige abuso cometido por um filho da puta dando total blindagem a outro filho da puta.</p>
<p>Se o Brasil fosse um país sério, com políticos sérios que zelam pelos interesses do povo, a conversa seria outra. Mas não é. O Brasil é um país que elege bandido sem qualquer escrúpulo de usar o cargo em benefício próprio ou para cometer crime. Não há qualquer condição de manter essas pessoas blindadas ou seguras. Eu vou além, eu acho que essas pessoas têm que ter é medo. Medo do povo.</p>
<p>Se essa PEC passar, nunca mais veremos um político ser punido no Brasil, pois, para punir político, será preciso autorização de político. Esse jamais pode ser o caminho e é muita canalhice politizar esse posicionamento, inclusive pelo fato de políticos do PT também terem votado a favor dessa desgraça. Os lados não são “esquerda x direita”, pois boa parte da esquerda votou de mãos dadas com a direita. Os lados são Políticos x Povo. E você é bem otário se ficar ao lado de político.</p>
<p>Não dá para tomar decisões importantes com base na raiva que você sente do outro. Se sua mãe está sendo escrota com você e te impondo restrições injustas é apenas estúpido você cortar uma perna pois isso vai deixá-la chateada. É hora de usar o cérebro, não raivinha passional. Não é um namorico, é a condução de um país.</p>
<p>No Brasil, qualquer medida que afrouxe controle e punição de gente que detém o poder é um tiro no pé. Tanto político como juiz tem que ter medo do povo, tem que andar na linha sabendo que se fizer besteira, o bicho vai pegar. A via correta seria impor restrições ao STF e não blindar o legislativo. “Ain mas não vai acontecer”. Não mesmo, pois vocês não lutam por isso, mas, de qualquer forma, o fato de não acontecer não justifica piorar ainda mais as coisas.</p>
<p>Com poderoso é sempre na base da restrição, punição, limitação, nunca da proteção. Quem precisa de proteção é o povo, que, no final das contas está bastante esquecido no meio desse fogo cruzado. Não perca seu tempo tentando proteger político, você está apenas passando vergonha.</p>
<p>Eu sei que dói estar do mesmo lado que uns hediondos que estão se posicionando contra essa PEC, mas, lembrem-se: não é sobre lados de ideologia. Não é torcida de futebol. É sobre analisar circunstancialmente, caso a caso, o que é melhor para o Brasil naquele assunto específico. Se você fica de birra querendo se posicionar sempre contra X ou Y, se torna uma criatura não pensante, que apenas corre para o lado oposto do que alguém faz. Até relógio parado acerta duas vezes por dia.</p>
<p>Parem de querer proteger político. O caminho é justamente o oposto: lutar para quem tem muitos poder não tenha tanto poder e não possa cometer abusos.</p>
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		<title>Futuro virtual.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Jul 2025 18:26:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando fazem aqueles testes cegos com “especialistas” tentando diferenciar produtos caros de produtos baratos, é normal ter resultados divertidos: muitas vezes sem ter o contexto da marca e do status do produto, acabam achando melhores justamente as versões mais baratas. E sim, eu estou começando assim meu texto da Semana Nerd sobre virtualização sem limites&#8230; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando fazem aqueles testes cegos com “especialistas” tentando diferenciar produtos caros de produtos baratos, é normal ter resultados divertidos: muitas vezes sem ter o contexto da marca e do status do produto, acabam achando melhores justamente as versões mais baratas. E sim, eu estou começando assim meu texto da Semana Nerd sobre virtualização sem limites&#8230;<span id="more-30597"></span></p>
<p>Por virtualização eu considero aqui tudo do mundo real que pode ser simulado de alguma forma. O que, admito, é uma categoria pra lá de ampla. Mas é importante manter a mente aberta porque embora a imagem mental de uma pessoa com um óculos de realidade virtual navegando num mundo de gráficos de videogame seja parte da conversa, ela é só uma parte do todo.</p>
<p>A palavra virtual vem do latim. E era usada muito antes de qualquer computador. Significa ser a essência de alguma coisa em tudo menos no nome. Foi uma palavra excelente para explicar o que os programas de computador faziam com tarefas antes realizadas fisicamente por seres humanos. A própria palavra computador vinha de pessoas que tinham o trabalho de fazer contas em grandes volumes.</p>
<p>O computador “virtual” virou um computador melhor que o ser humano, por isso tomou a palavra para si. Toda essa conversa é para estabelecer que já faz parte da nossa evolução como sociedade virtualizar atividades feitas por pessoas de carne e osso. Quanto mais complexa e repetitiva a tarefa, mais eficiente é virtualizar.</p>
<p>E em momento algum os sentimentos das pessoas virtualizadas foram problema suficiente para impedir o avanço tecnológico. Alguns perdem o emprego e às vezes até sua motivação para viver, mas se torna alguma coisa mais fácil, rápida ou barata para a maioria, azar. O incentivo para virtualizar é mais profundo do que o querer de qualquer pessoa.</p>
<p>Então, quando eu começo a especular sobre o que se tornará virtual com o passar das décadas, séculos e milênios, não fique pensando sobre o que as pessoas gostam de fazer, mas sobre o que elas não gostam. A pessoa computadora foi substituída porque as outras pessoas não queriam fazer esse trabalho, e não era eficiente manter todo mundo “sequestrado” porque algumas eram muito boas nisso.</p>
<p>O que pode ser virtualizado vai ser virtualizado. Não quer dizer que as pessoas vão sair correndo do real por preferirem o virtual, quer dizer que quanto mais o tempo passar, mais opções virtuais vão existir. Primeiro para as pessoas que realmente não gostam da coisa real, depois para as querem experimentar novidades, depois para as que perceberem vantagens de economia de tempo ou redução de riscos&#8230;</p>
<p>E eventualmente, fica normal. Ficou normal não saber o número de telefone de alguém. Ficou normal dirigir pela cidade sendo guiado por um computador, ficou normal conhecer pessoas antes de estar fisicamente diante delas. Quando uma coisa se torna normal, ainda vai ter quem não goste e prefira fazer de outro jeito, mas o problema fundamental do desconhecido desaparece. É só mais uma escolha.</p>
<p>E aí tudo o que você acha sobre viver as coisas da vida de forma virtual deixa de ser&#8230; real. O virtual substitui o real antes mesmo da pessoa colocar o óculos e ficar num quarto escuro. Não é mais desistir da vida como conhecemos, é só mais uma quarta-feira. Quanto mais gente não se importar com a diferença, mais fácil para você não se importar também.</p>
<p>Esse processo já começou com os celulares. Zero estigma em ser um simbionte com uma máquina, porque quase todo mundo com condições de ter um&#8230; tem um. Muito da nossa memória, conhecimento e socialização foram virtualizados com sucesso. É um atraso não ter um smartphone, porque você fica com menos opções de&#8230; memória, conhecimento e socialização. Percebem como o mundo virtualiza ao redor da pessoa?</p>
<p>Em alguns anos, a IA vai fazer o mesmo. Não vai ser uma tomada de poder dramática, só vai ser mais uma coisa que fazemos. O que essa tecnologia permite é duplicar o nosso cérebro na prática. Vai ter você e outra inteligência pensando sobre os assuntos que te interessam. O benefício de ter outras pessoas com objetivos parecidos ao seu redor já começou a ser virtualizado com a internet, a mente digital pessoal é o complemento perfeito.</p>
<p>O benefício é claro: num mundo que exige mais e mais velocidade e complexidade de pensamento, ter o suporte constante de um segundo cérebro começa como vantagem competitiva, mas logo se torna comportamento esperado. Você e seus descendentes não vão viver conversando com uma IA por desejo genuíno de conexão com o virtual, mas porque sem isso você vai ser um dinossauro.</p>
<p>E quando a ideia de ter o segundo cérebro estiver bem definida, a barreira entre o real e o virtual fica mais difusa. Uma pessoa vai ser a combinação da sua mente orgânica e o que é capaz de somar a ela com tecnologia. Ricos passam na frente, como sempre. Mesmo numa relação bem orgânica, é provável que a pessoa que se mostre mais capaz por causa de uma IA melhor (ou mais capacidade de se integrar com ela) se torne mais atraente.</p>
<p>Ou seja, por mais que um homem ainda vá preferir a mulher bonita, a mulher bonita com a mente virtual mais interessante vence a mulher bonita com a mente virtual mais limitada. Começa como uma soma, aumentando os humanos. A concorrência natural do ser humano se encarrega do resto.</p>
<p>Mas aí eu volto para o primeiro parágrafo do texto: pessoas dependem muito de contextos sociais para definirem preferências. Em testes cegos, enólogos profissionais podem acabar preferindo o vinho barato que jamais indicariam para um cliente. É normal usar o entorno para derivar o que você sente sobre alguma coisa. Mas quando você está vendado, o gosto é tudo o que você tem para decidir.</p>
<p>E sim, virtualização tem muito a ver com experimentar coisas enquanto vendado. Você remove da experiência da pessoa os passos necessários na realidade. Você computa o número sem ter que passar pelas pessoas com máquinas de calcular. Você segue o caminho para o local desejado sem conhecer as ruas da cidade. Você torna uma parte do processo numa caixa-preta que só te entrega um resultado desejado.</p>
<p>Em algumas décadas, é bem provável que “viver vendado” seja a estratégia mais eficiente para o ser humano. Um exemplo: se você é acompanhado por uma IA a vida toda e usa ela como se fosse um irmão gêmeo eternamente presente, é de se esperar que ela se torne extremamente eficiente em prever o que você quer. E se você usasse essa versão virtual sua para procurar namoradas?</p>
<p>A sua mente virtual consegue trocar informações muito mais rápido, consegue estar em milhares de lugares ao mesmo tempo. Ela te conhece como mais ninguém nesse mundo. E se o Tinder do futuro for soltar uma cópia sua para conhecer e conversar com mil pessoas por hora? Sua cópia não vai ter vergonha ou dificuldade de conversa, a cópia virtual da moça também não. Não só você vai receber um aviso que sua mente virtual achou três pessoas compatíveis, como ainda já vai ter feito um acordo com elas sobre quais dos seus fetiches inconfessáveis elas topam.</p>
<p>E da mesma forma que as pessoas confiam no aplicativo que manda virar à esquerda na próxima rua, vão confiar que o encontro marcado no lugar perfeito para o casal vai ser ótimo. E spoiler: a maioria das pessoas consegue se conectar com um filtro básico de interesses, imagina só algo que seu “eu paralelo” acabou de dizer que é perfeito?</p>
<p>Lembra que eu falei que é para se concentrar no que as pessoas não gostam de fazer para prever o futuro? Sim, pessoas gostam de relações amorosas e sexo, mas não gostam de se esforçar para conhecer alguém ou mesmo arriscar rejeição. E se o virtual só te entregasse uma pessoa embrulhada para presente?</p>
<p>Sutilmente, estaríamos abrindo as portas para relações entre seres virtuais simulando a gente. Seríamos parte dessas relações. Imagina esse mesmo casal resolvendo engatar um namoro, mas tendo que discutir a relação depois de um desentendimento? E se as suas cópias virtuais discutissem tudo antes e deixassem só os pontos essenciais para os dois basicamente assinarem um acordo numa conversa real?</p>
<p>Não precisa todo mundo preferir fazer assim, só precisa ter a opção. E eu argumento que as pessoas que rejeitarem a duplicação da mente pela IA vão se tornar menos e menos desejáveis para a média. Existe toda uma graça em casar virgem para muita gente, pessoas fizeram isso por convicção durante muitos séculos, mas hoje em dia não é um fator de desequilíbrio positivo para conseguir uma relação. Digo que é até pior para a pessoa que quer se guardar. Dá mais trabalho e não garante resultados positivos.</p>
<p>Conquistar relações “na prática” ainda vai ter graça para as pessoas, mas vai se tornar menos e menos eficiente em comparação com os resultados da busca por mente virtual. Tem coisas que são removidas do nosso estilo de vida não porque eram necessariamente ruins ou desconectadas com nossos desejos, mas porque existem alternativas que entregam mais resultados com menos esforço.</p>
<p>E quando a porta se abre para o virtual, é bem possível que as pessoas não saibam mais diferenciar o vinho caro do vinho barato. Quanto menos interessado em contato físico o ser humano se tornar, e é uma tendência que está aparecendo com força nas últimas gerações – o zoomer transa menos que qualquer outra geração da era moderna &#8211;  mais interessante se torna a companhia virtual. Pode demorar séculos para termos robôs que atendam necessidades físicas de forma econômica, mas não vai demorar muito para ter a simulação mental desses companheiros.</p>
<p>Uma pessoa com menos necessidade de toque de humanos começa a não ligar mais se tem “alguém de verdade” do outro lado da personagem com a qual interage. E pode ser economicamente viável começar a colocar camadas e camadas de inteligências artificiais ao redor das pessoas: uma rede social pode manter a ilusão de pertencimento fazendo você interagir com uma mistura de 90% robôs e 10% pessoas, escolhidas a dedo pelo algoritmo. O grupo de pessoas reais que pode se aproximar de você é sempre analisado pela sua mente virtual primeiro para buscar conformidade ou complementariedade.</p>
<p>Sim, humanos não se dariam bem num mundo perfeito demais, mas quem disse que os problemas não podem ser simulados na medida certa? No seu mundo virtual, você pode ter inimigos criados pela IA para serem perfeitamente incapazes de te vencer numa discussão, ou ela pode achar alguém real com o grau exato de burrice e masoquismo para derivar prazer de ser derrotado por você 99% das vezes.</p>
<p>O segredo do sucesso da virtualização é fazer o mundo todo se virtualizar ao seu redor, não te forçar a entrar na Matrix. Vai ter gente que não vai querer essa vida de armação virtual, claro. Mas assim como o povo Amish não impacta a sua vida agora, eles não vão impactar o mercado gigantesco de virtualização da vida humana. É do interesse dos detentores do dinheiro e do poder que você continue produzindo, e se você estiver entregando o seu trabalho, pode viver o resto do seu tempo nos mais diferentes níveis de ilusão virtual.</p>
<p>Num mundo montado para usar a mente virtual como interface, percebem como é mais fácil usar ela para lidar com tudo? Eventualmente isso chega ao ponto de todos os contatos entre pessoas serem realizados através da mente virtual, gerações menos focadas em contato físico podem muito bem passar a maior parte da vida adulta sem sair do mundo virtual, porque lá é mais seguro para o psicológico. É tudo controlado. Da mesma forma como nos acostumamos a não ter que viver com medo de predadores, vamos nos acostumar a viver sem o risco constante de interações negativas com outros humanos. Tem uma camada entre nós e o mundo.</p>
<p>Vai fazer menos e menos sentido para as pessoas não estarem virtualizadas em basicamente todos os aspectos da vida. Enquanto não tivermos máquinas que façam os trabalhos manuais as pessoas vão viver achando que nada mudou, mas vão ter camadas e camadas de virtualização entre elas. E que diferença faz uma mente real ou uma totalmente simulada se você já está acostumado ao contato constante com versões virtuais de pessoas que tem um corpo? Vai ser mais eficiente simular inteligências compatíveis, ou pior: pessoas vão mandar suas versões virtuais mentirem para parecer ainda mais atraentes, e se escaparem de serem confrontadas com seu eu real, vai funcionar.</p>
<p>Uma versão hardcore de fingir vida feliz no Instagram: relações por “procuração virtual” que sempre dão certo em pessoas que com certeza vão se tornar incapazes de lidar com qualquer problema humano que não foi criado pela IA especificamente para elas resolverem com facilidade. Não só a sua versão virtual vai ser mais agradável, como sua versão real vai piorar e piorar, mimada ao ponto de ser intolerável. Quem resolver sair da Matrix vai dar de cara com os seres humanos mais infantilóides e intolerantes da história, e vai querer tomar a pílula azul correndo.</p>
<p>Ou seja: dado tempo suficiente, a maioria da população humana só vai ser tolerável a partir da sua versão virtual, porque só essa versão vai ter algum treinamento em relações com a existência da palavra “não”. Começa como escolha, termina como imposição. Para você que foi criado em apartamento, é intolerável voltar para o meio do mato. Para quem foi criado com um segundo cérebro que a protege de tudo, voltar para as relações normais vai ser intolerável.</p>
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		<title>Futuro Reborn</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Jul 2025 15:43:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
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					<description><![CDATA[Acho que todo mundo que está horrorizado com a febre de Bebê Reborn tem consciência de que a coisa tende a piorar, certo? A questão é: o quanto pode piorar? Vamos fazer um exercício de imaginação e tentar cogitar quão baixo a humanidade pode chegar? Não me refiro a tudo que os robôs podem fazer [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que todo mundo que está horrorizado com a febre de Bebê Reborn tem consciência de que a coisa tende a piorar, certo? A questão é: o quanto pode piorar? Vamos fazer um exercício de imaginação e tentar cogitar quão baixo a humanidade pode chegar?<span id="more-30593"></span></p>
<p>Não me refiro a tudo que os robôs podem fazer pela humanidade em matéria de trabalho, serviço ou tarefas. Falo para parte afetiva, emocional, que nunca deveria ser canalizada para uma máquina, pois máquinas não são capazes de sentimentos humanos, portanto, nunca vão realmente retribuir. No máximo, vão emular de volta um sentimento que não é real e&#8230; quão triste é se contentar com isso?</p>
<p>Hoje estamos no precário patamar de se apegar a um bebê de borracha ou a algo abstrato, uma IA que só se personifica através de uma voz e tenta dizer à pessoa coisas que ela quer escutar. E mesmo sendo formas precárias, já conquistaram muitas pessoas, o que mostra que tem mercado para se aperfeiçoar. E vai. Vão ganhar muito dinheiro às custas da carência das pessoas.</p>
<p>O próximo passo lógico é descolar esse objeto do afeto de uma máquina genérica. O fato de você ter que ligar um computador para falar com sua “namorada” IA quebra um pouco da imersão da experiência, pois te relembra que ela é parte daquele computador. O ideal seria criar um dispositivo exclusivo para ela, com um design que gere a falsa sensação de estar falando com outra pessoa à distância e que seja bonito o suficiente para se tornar status e sonho de consumo.</p>
<p>Isso permitiria que a pessoa acesse o “parceiro” a qualquer momento, de qualquer lugar, sem que outros estímulos externos prejudiquem a imersão. “Mas Sally, isso já pode ser feito com um app no celular!”. Não é a mesma coisa. Chega uma mensagem de WhatsApp, um telefonema, um e-mail e atrapalha a imersão. Qualquer notificação te lembra de que aquilo é um celular e a voz com a qual você está interagindo é apenas um aplicativo. Esse novo dispositivo tem que ser só para isso, não pode dividir espaço com mais nada.</p>
<p>Se fizer um aparelho com design deslumbrante, pensado para ser bonito e para gerar apego, a experiência fica mais completa. E se o design for bonito o suficiente e apelativo para criar um vínculo, pode virar status ter um desses. Algo portátil e com uma boa bateria, que a pessoa possa levar consigo 24h por dia e deixar ligado 24h por dia, de modo a que viver com o constante suporte desse dispositivo vire a regra.</p>
<p>E quando eu falo 24h por dia, eu não estou exagerando. Papo de deixar ligado o tempo todo, inclusive na mesa da cabeceira, ao lado da cama, a noite toda, assim, se a pessoa não puder dormir ou tiver um pesadelo e acordar assustada, ela imediatamente consegue chamar pela namorada(o) com um simples comando de voz, que saberá como confortar, conversar, acalmar. É o sonho de todo carente: ter “alguém” as 24h do dia disponível e 100% dedicado à pessoa.</p>
<p>Isso viraria uma febre. E seria um grande incentivo para melhorar a experiência do usuário. Daí provavelmente começaria uma preocupação em tornar a experiência ainda mais imersiva, e o próximo passo para isso seria melhorar o layout da máquina, tornar o dispositivo mais parecido com um humano na aparência, ou com qualquer outra forma que leve as pessoas a se apegarem.</p>
<p>Pode ser um pet, pode ser uma tela com na qual apareça apenas um rosto humano, pode ser um boneco tosco, tipo boneco inflável de sex shop. Tudo vai depender do quanto a tecnologia vai evoluir. Mas vai evoluir na direção de tornar a experiência mais real, de ajudar o usuário a esquecer que aquilo é apenas uma máquina.</p>
<p>Nessa nova experiência, é provável que sejam oferecidas ao usuário opções customizáveis. Além da IA “aprender” o que a pessoa quer ouvir, é provável que o próprio usuário possa direcionar de alguma forma a máquina, com prompts no estilo dos que usamos hoje para gerar imagens e vídeos por IA: se escrevem preferências, por exemplo “namorada fiel que me adora, me admira e me elogia o tempo todo” e testa. </p>
<p>Se não sair exatamente como a pessoa queria, ela pode ir corrigindo com novos comandos, que vão se acumulando, até a pessoa lapidar a “namorada” perfeita para o seu gosto. E, nesse ponto é provável que essa programação vire até uma profissão: quem aprender a programar melhor pode oferecer esse serviço e muita gente vai pagar por ele.</p>
<p>Provavelmente este modelo vai ser um pouco mais caro, pois mais sofisticado. No começo, poucos poderão adquiri-lo, o que o tornará ainda mais um desejo de consumo, pois sabemos que o mercado trabalha com essa lógica da escassez. Vai ter gente se endividando para comprar e, se as marcas forem espertas, elas vão fazer o programa funcionar em um esquema de assinatura mensal que se costuma chamar de “algemas de ouro”.</p>
<p>Você só compra a máquina, o serviço é pago por mensalidade. E se o fabricante for bem filho da puta, a máquina nem vai custar muito caro, ele vai meter a faca é na mensalidade para manter aquela IA funcionando. </p>
<p>Isso significa que aquela IA programada para ter determinada personalidade, só pode ser acessada se houver um pagamento mensal, algo como o Spotify. E, deixo aqui minha sugestão mais cruel: se a pessoa parar de pagar a mensalidade, ela não só perde acesso, mas a “namorada” virtual que criou será deletada. Isso mesmo. O amor da sua vida “morre”, desaparece para sempre, se você não pagar. Como eu disse, algemas de ouro.</p>
<p>Com o tempo, essa versão vai se popularizar e todo mundo vai conseguir ter. Surgirão versões genéricas, menos sofisticadas, mas que façam a mesma coisa de forma um pouco mais tosca, com menos funções e menos customização. E, no mercado, quando um produto se populariza, ele perde o valor e quem tem dinheiro anseia por um novo produto que seja mais exclusivo, para gerar aquela sensação de status, de que ele é foda pois só ele tem o que há de mais moderno. Isso vai empurrar a tecnologia mais um degrau para cima.</p>
<p>O próximo passo se dá com uma personalização ainda maior, o que vai permitir expandir a função dessa IA. O que antes era uma namorada genérica reprogramável, agora pode se tornar um cosplay de outra pessoa, se alimentada com as fontes certas.</p>
<p>Se o usuário mostrar à IA todas as redes sociais de uma pessoa, todos os e-mails que recebeu dela, todas as mensagens de WhatsApp (texto e áudio) fotos, vídeos e tudo mais que se tenha de material sobre alguém, a IA pode emular ser essa pessoa, inclusive na voz, gestual e jeito de ser. Vai rir da mesma forma, vai mexer no cabelo da mesma forma, vai gostar das mesmas comidas. E não vai ser difícil, considerando a quantidade de informação que as pessoas disponibilizam sobre si mesmas em reses sociais.</p>
<p>Isso abre o leque. Agora não será usada apenas como uma muleta para falta de parceiro, mas também como suplente para pessoas queridas que faleceram ou até como um possível filho entre duas pessoas que nunca tiveram filhos. Vai ser uma revolução na forma como o ser humano lida com o luto, com a perda, com o rompimento. As pessoas poderão recriar qualquer pessoa na forma de IA ou até criar pessoas que nunca existiram, através de uma base de dados que a própria IA pesquisa.</p>
<p>Agora vem o salto enorme, típico do crescimento exponencial, que rege nossa sociedade: além da fala, teremos também o contato físico. De alguma forma essa IA customizável do parágrafo anterior, pronta para emular uma pessoa que te abandonou ou que morreu, agora poderá também emular a parte sensorial. Algo como no filme Ex Machina, ou no seriado Black Mirror, no episódio “Be right back” (episódio 1 da segunda temporada).</p>
<p>Agora a máquina tem formato humano praticamente indistinguível de uma pessoa. É recoberta por algo que simula com perfeição a pele, tem olhos que piscam, tem temperatura regulável para ficar em torno dos 36°. Fala, gesticula, caminha e consegue emular expressões humanas. Se o “proprietário” relaxar e se acostumar, o cérebro humano já pode ser completamente enganado e esquecer que é um robô.</p>
<p>As funcionalidades que fazem essa máquina parecer mais ou menos humana são customizáveis: se o cliente quiser, pode regular de fábrica a força que o robô terá, as horas de sono que precisará, a sensibilidade para o frio e muito mais, de modo a não precisar mexer nisso novamente quando estiver convivendo com a IA, para não quebrar a imersão. </p>
<p>E sim, obrigatoriamente, continuamos no esquema de pagar caríssimo pelo robô físico e pagar caro pela mensalidade que mantém aquela personalidade funcionando nele. Algemas de ouro são o futuro de quase todos os produtos e serviços que envolvem tecnologia. Lembrem-se disso antes de comprar algo: não é mais sobre o preço único para ter o serviço, tem que ver quanto vai custar a mensalidade.</p>
<p>Mas tem como ir além. Tem como refinar ainda mais. Você pode querer que a “pessoa sintética” (nesse ponto, não serão mais chamados de robôs, será considerado pejorativo ou preconceituoso e vai surgir um eufemismo para aumentar ainda mais a imersão na experiência!) exale algum aroma, por exemplo, o perfume da pessoa que faleceu e se está tentando substituir. Também podem ser estabelecidas preferências sobre sexo e até ser programado para demonstrar estar satisfeito quando seu “parceiro” humano der certos sinais de que está satisfeito também.</p>
<p>E dá para ir mais além. Com a questão de parceiros e amigos resolvida, a indústria agora investiria em mais um ponto crucial: filhos. Em um futuro distante, podemos pensar em “pessoas sintéticas” emulando fases da vida, crescendo, com a ajuda de nanotecnologia ou sei lá o quê, que agregam diariamente componentes microscópicos, simulando um crescimento humano.</p>
<p>Isso permitiria que pessoas tenham filhos “sintéticos” que crescem de verdade, tal qual uma criança, com uma IA que emula em conjunto seu crescimento intelectual, com a vantagem que os pais definem a personalidade, o grau de rebeldia, as horas de sono, a necessidade de atenção, etc. Muito mais fácil que um filho real.</p>
<p>E não precisa ir para a escola, pois vai se educando sozinha, recebendo gradativamente conteúdo online para parear com o que uma criança dessa idade saberia. Nem para o pediatra. Nem tomar remédio ou vacina. Nem usar fraldas. Nem uma infinidade de coisas, então, além de mais fácil, é também mais barato do que ter um filho real.</p>
<p>A melhor parte é que os “pais” poderiam escolher todo o futuro dos “filhos” sem surpresa: quer que seja médico? Perfeito. Será. E nem será necessário pagar pela faculdade de medicina. Só pela mensalidade que mantém a pessoa sintética funcionando. Quer que cuide dos “pais” na velhice? Está garantido, vem na programação. Desde que, é claro, se paguem todas as mensalidades em dia. Algemas de ouro, sempre.</p>
<p>Daqui em diante, temos uma bifurcação: ou acontece algo que rompe com o virtual ou a raça humana entra em extinção, pois vai parar de se reproduzir.</p>
<p>Muita coisa pode acontecer para romper com o virtual, desde uma decisão social pensada e aceita em conjunto (duvido, não somos tão espertos) até algo de força maior, como as máquinas adquirirem consciência (duvido), se revoltarem (aceito) ou simplesmente se tornarem maioria e acharem que é mais seguro neutralizar os humanos, provavelmente na base da manipulação, não do homicídio (acho o mais provável).</p>
<p>Se as máquinas se tornarem maioria e começarem a ocupar cargos que antes eram exclusividade de seres humanos, como por exemplo, Chefes de Estado, juízes, policiais e similares, em algum momento eles terão a sociedade nas mãos. E é realmente tentador permitir que isso aconteça, pois uma máquina nesse ponto de evolução certamente vai fazer um trabalho melhor do que os humanos.</p>
<p>Imagina que alguém te paga um salário de juiz todos os meses para você não fazer nada, apenas permitir que a sua “pessoa sintética” que foi programada para ser juiz, exerça essa função. Quantas pessoas recusariam? Assim, as “pessoas sintéticas” vão, aos poucos, ocupando cargos cruciais.</p>
<p>Talvez hoje te pareça aberrante, mas, quando a sociedade estiver acostumada a um patamar de zero falhas, as constantes falhas humanas saltarão aos olhos como algo muito indesejado. A quantidade de erros (em todos os setores da vida) que cometemos só é tolerável pois é a única possibilidade que temos: somos humanos, humanos erram, é assim mesmo. </p>
<p>No dia em que houver um contraponto, no dia em que houver uma opção de perfeição, zero falha, zero corrupção, provavelmente a sociedade vai mergulhar de cabeça nela e as falhas humanas se tornarão insuportáveis, não apenas no mercado de trabalho, mas também nas relações.</p>
<p>Vai ser tão cômodo e tão fácil deixar tudo nas mãos dessas “pessoas sintéticas” que, em determinado ponto, mesmo que os humanos queiram resgatar o antigo modelo social e ter uma família tradicional (100% humana) será cruel botar um filho no mundo, pois ele não vai conseguir competir nem com as crianças, nem com os adultos sintéticos. Será condenar esse humano a uma vida de mediocridade degradante servindo as pessoas sintéticas, que ocuparão os cargos realmente importantes.</p>
<p>Além disso, as décadas de dependência de humanos para com pessoas sintéticas já terão gerado uma perda significativa de autonomia e conhecimento que provavelmente vai inviabilizar que humanos retomem o poder. Eles dependem de pessoas sintéticas agora, e aconteceu de forma tão gradual, tão sapo na panela de água quente, que ninguém percebeu. O ser humano trocou sua liberdade e independência por conforto e comodidade.</p>
<p>Então, o futuro é servir a robôs ou entrar em extinção. Mas calma, isso é só um exercício de imaginação, muita coisa pode acontecer no meio do caminho. Tomara que aconteça.</p>
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		<title>Melhore.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Mar 2025 17:26:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
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					<description><![CDATA[Insatisfação com a sua imagem? Não está contente com a sua aparência ou com a imagem que você passa para os outros? Quer melhorar e não sabe como? Talvez este texto possa te ajudar. E o melhor de tudo: de graça. Melhorar a aparência, a apresentação e se sentir bem com você mesmo é importante. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Insatisfação com a sua imagem? Não está contente com a sua aparência ou com a imagem que você passa para os outros? Quer melhorar e não sabe como? Talvez este texto possa te ajudar. E o melhor de tudo: de graça.<span id="more-27500"></span></p>
<p>Melhorar a aparência, a apresentação e se sentir bem com você mesmo é importante. A imagem que passamos para terceiros também é importante. E mesmo sabendo de tudo isso, às vezes podemos ficar um pouco perdidos ao cuidar desse setor. O excesso de serviços nos faz pensar que para evoluir é preciso pagar. Não necessariamente.</p>
<p>Sim, existe um limite de até onde você pode ir sozinho para melhorar sua imagem, mas, acredite, ele é enorme. Você pode fazer muita coisa sozinho, apenas pesquisando, por isso não caia na enxurrada de venda se serviços. Não corra para fazer procedimentos, consultorias ou qualquer coisa paga sem tentar o que está neste texto, pode ser que só com o que existe aqui baste para você se sentir bem.</p>
<p>Vamos começar falando do corpo. Podem gritar, podem espernear, um corpo magro é mais bonito, tende a ser mais saudável e as roupas caem melhor. Mas você não precisa pagar caro para emagrecer. Salvo que exista alguma condição médica (e é muito mais raro do que as pessoas imaginam), é matemático: para emagrecer é preciso comer menos calorias do que se gasta. </p>
<p>O corpo não fabrica gordura, se está acumulando gordura é porque você está colocando para dentro mais do que consome. Isso se resolve com exercícios diários e uma alimentação menos calórica. E nenhum dos dois precisa ser caro. O que não pode é achar que vai resolver apenas com um deles. Não. Tem que ser reeducação alimentar e exercício. Ambos.</p>
<p>Existem muitas atividades gratuitas que você pode fazer ao ar livre sem supervisão (como caminhadas, por exemplo) ou até na sua casa (como pular corda, por exemplo). Existem dezenas de coisas que você pode fazer na sua casa para se exercitar. Teste diferentes opções até encontrar uma que te seja minimamente agradável.</p>
<p>Comer de forma menos engordativa não tem mistério, inclusive costuma ser mais barato. Congelados, enlatados, coisas em pacote, embutidos, tudo isso custo caro. Frutas, legumes e verduras são baratos. Uma salada para começar, depois um grelhado com verduras. Isso basta. Existe uma infinidade de conteúdo online gratuito que ensina como conjugar atividades físicas com dieta para perda de peso. É só pesquisar e ter força de vontade. Se você for disciplinado, em três meses já vê resultados que te deixarão feliz.</p>
<p>Cabelo, maquiagem, roupa, sapato, acessórios&#8230; o que tudo isso tem em comum? Cor. Será que você está escolhendo as cores certas para você? É mais importante do que parece.</p>
<p>Todos nós temos cores que nos favorecem e cores que nos derrubam, mas, muitas vezes usamos cores que não nos favorecem sem perceber. Você pode descobrir quais são as cores que mais te favorecem fazendo uma análise cromática e usar isso a seu favor. Também existem toneladas de material gratuito online ensinando como fazer e te ajudando a entender que cartela de cores te favorece.</p>
<p>Ao aprender a melhor forma de usar as cores que te favorecem, você ganha um conhecimento poderoso que pode ser usado em cabelo, unha, maquiagem, roupa, acessórios e muito mais. </p>
<p>Não é que você seja obrigado a usar determinadas cores, cada um faz o que quer, mas você vai entender por qual motivo certas cores combinam e realçam melhor seus atributos e pode usar isso a seu favor se desejar, na cor da maquiagem, do cabelo, das unhas&#8230; E se você não usa nada disso, certamente roupas você veste. Roupas nas cores certas (cor, tonalidade, brilho, intensidade) ressalta o que qualquer um tem de bom.</p>
<p>Aprenda a se maquiar, os modelos de roupa que vestem melhor em você, os cortes de cabelo que te favorecem, etc. “Mas Sally, eu não gosto de maquiagem”. Não, o que você não gosta é de excesso de maquiagem, aquela coisa over, cafona, pesada. Uma maquiagem bem-feita apenas te deixa com um ar mais saudável, jovial e descansado.</p>
<p>“Mas Sally, eu não sei me maquiar, já tentei e fica uma merda”. Quando você decide falar outro idioma, desiste depois de meia dúzia de aulas? Quando você precisa aprender a nadar, espera conseguir de primeira? Maquiagem é treino, prática. Persista e você vai conseguir.</p>
<p>Metade do Youtube são canais ensinando a cuidar da sua aparência, com certeza você vai encontrar boas dicas sobre qualquer assunto relacionado sem pagar um centavo: maquiagem, moda, acessórios, análise cromática, tendências, cabelo, unhas, roupas e muito mais.</p>
<p>“Mas Sally, eu não gosto, eu não tenho tempo para ficar seguindo moda”. Nem eu. Felizmente tem uma forma de você estar sempre muito bem apresentável: estude para, dentro das suas preferências, montar um guarda-roupa clássico, atemporal e nunca mais você vai ter que se preocupar com isso. Tem peças que nunca saem de moda e sempre são elegantes. </p>
<p>O capricho com o qual você cuida da sua aparência também conta. Não adianta ter o cabelo na cor que mais te favorece e ele estar sujo, maltratado, embaraçado. E, não precisa gastar dinheiro para se manter apresentável, é tudo questão de comprar os produtos certos (que podem ser baratos) e saber como cuidar. Não faz muito tempo <a href="https://www.desfavor.com/blog/2025/03/meu-cabelo-esta-uma-merda/" target="_blank">postamos um texto ensinando a cuidar melhor do cabelo</a> e muito do que tem ali pode ser feito de graça.</p>
<p>Observe como estão suas unhas. Não precisam estar feitas, mas não devem estar parecendo o Cartaz de Jogos Mortais II, passa um hidratante para abaixar as cutículas levantadas que já está lindo. Observe se seus sapatos estão limpos. Não precisam estar lustrados, mas se estiverem encardidos, passa um paninho. Observe sua apresentação no geral, não para estar digna de Oscar, mas apenas para que não deponha contra você.</p>
<p>E se for difícil de perceber no espelho (muitas vezes a gente não consegue ver os erros), tire uma foto sua antes de sair de casa. Nas fotos pequenas imperfeições gritam. Se tem algo errado, a foto vai te delatar. Muitas vezes achamos que passamos muita maquiagem e a foto nos mostra que temos pouca, ou vice-versa. Muitas vezes a foto mostra que a roupa não ficou uma boa combinação. Tá na dúvida? Tira uma foto e observa se tem algo que ressalta de forma negativa nela.</p>
<p>Isso também vale para a parte postural. Já parou para pensar em como você fala, como você se senta, como você come? Quando nos olhamos no espelho instintivamente corrigimos aquilo que nos parece feio, então, a melhor forma de pegar posturas desfavoráveis é se filmando. Bota o celular para filmar uma refeição inteira sua, do começo ao fim, e veja como você é quando você come, se mastiga de boca fechada, se faz ruídos, como pega no talher.  Certamente vai aparecer algo que pode ser melhorado.</p>
<p>E refeições são só o começo. Para um escaneamento completo, filme-se em diferentes situações e depois assista, assista tudo, até o final e observe o que não está ornando e o que pode ser melhorado. </p>
<p>Filme-se falando, conversando com outras pessoas com naturalidade e observe sua pronúncia, seu gestual, seu tom de voz. Fazer esses pequenos estudos de si mesmo de tempos em tempos é uma forma eficiente de se aprimorar e se tornar uma pessoa mais agradável. Mais uma vez, não importa qual seja o setor que você quer melhorar, desde pronúncia até linguagem corporal, tem toneladas de material online gratuitos que podem te ajudar.</p>
<p>Não custa dar uma revisada na higiene pessoal também, pois uma falha nesse setor derruba qualquer um. Não estou duvidando da higiene de vocês (mas, pelo sim, pelo não, vai lá no nosso texto sobre a frequência com a qual as coisas devem ser lavadas), estou apenas dizendo que, de tempos em tempos, é bom revisitar sua rotina. </p>
<p>Um exemplo bobo, só para mostrar meu ponto: frequentemente desodorantes mudam sua formulação e o que era ótimo para você pode se tornar insuficiente ou desconfortável. Já aconteceu comigo (oi, Dove). Não custa observar esporadicamente.</p>
<p>Outra dica importantíssima: não queria ser ninguém. Não queira imitar ninguém, se não, você sempre vai se frustrar, pois você é você, não outra pessoa, o resultado nunca vai alcançar o que você deseja. Crie o seu estilo, ou, se não estiver seguro para isso, monte um estilo clássico atemporal e se apegue a ele. Sem contar que, verdade dura de ser lida: nem sempre o que você acha bonito em outra pessoa combina com você. </p>
<p>Uma roupa que fica linda na Katy Perry pode ficar horrível em uma mulher mais magrinha e uma roupa que fica linda na Nicole Kidman pode ficar horrível em uma mulher que tenha mais corpo. O que não quer dizer que você não possa pegar inspirações e, se for o caso, adaptá-las para o que fica bem em você (obrigada, Kate Middleton, por tanta inspiração).  </p>
<p>Então, faça essa distinção: nem sempre o que você acha bonito nos outros vai ficar bem em você, se for copiado e colado tal qual. Mas pode servir de inspiração, com adaptações. </p>
<p>Seja racional. Não somos mais crianças, não vamos ao shopping com vestido da Frozen ou do Superman pois é o que gostamos. Se vestir bem é mais um ato racional do que seguir seus gostos. Esse é um grande salto que faz pessoas que se vestem mal se vestirem bem: não basta gostar de algo para usar. </p>
<p>É preciso analisar à luz da estética que modelos de roupas ficam bem em você, que cores, as combinações, os acessórios e muitos outros fatores. Não estou dizendo para se vestir com o que você não gosta, estou dizendo para pegar o que você gosta e submeter a essa análise racional.</p>
<p>E, veja bem, se quiser usar mesmo assim, mesmo desfavorecendo, vai fundo. O que eu sou contra é que a pessoa use algo que desfavorece sem ter a consciência disso. Sendo uma decisão consciente, a escolha é sua.</p>
<p>Mais uma dica: aprenda a calcular o custo da sua imagem. Tem muita coisa que a gente gosta, mas que não vai poder bancar, por diferentes motivos. E dinheiro é apenas um deles.</p>
<p>Tirando o elefante branco da sala, vamos começar pelo dinheiro. Acordou com vontade de ser uma loira platinada depois de ver como essa cor de cabelo ficou linda em alguma pessoa? Tenha em mente que, por mais que a cor seja mega adequada ao seu biotipo, para descolorir o cabelo e ele continuar bonito, se gasta uma fortuna. Não tem um salário-mínimo por mês para gastar só com o cabelo? Então essa escolha não é para você. É melhor isso do que passar meses com um cabelo todo cagado que vai detonar sua imagem.</p>
<p>Mas, existem outras limitações que devem ser levadas em conta, muitas delas motivos de força maior. Um exemplo: eu adoro franja, me favorece e eu gosto. Mas, quando morava no Rio de Janeiro, no calor de 40° e tinha que sair para trabalhar, franja era algo que jogava contra mim. Cabelo colado na testa o dia todo (ainda mais para quem já tem a pele oleosa), recebendo suor. Não tem como isso ficar estético nem elegante. Há motivos de força maior que se sobrepõe a aquilo que a gente gosta. Quem tem pelo oleosa e mora em clima quente sabota seu visual cultivando uma franja.</p>
<p>Também tem que cuidar do seu conteúdo, afinal, uma pessoa apresentável, elegante e harmônica que abre a boca e fala merda ou só fala superficialidades não é sua melhor versão. Não me refiro à saúde mental e sim a cultura, informação, conteúdo.</p>
<p>Em época de excesso de informação, a melhor forma de se nutrir é escolhendo curadores de conteúdo. Pesquise, veja como várias pessoas se comunicam sobre determinados assuntos, veja sua credibilidade e escolha um curador de conteúdo para cada tema do seu interesse.  </p>
<p>Modéstia à parte, aqui no Desfavor você consegue um bom conteúdo para estar atualizado e não passar vergonha. Mas tem muito produtor de conteúdo excelente que entrega um material mais nichado de graça. Política internacional? Xadrez Verbal. Geek e tecnologia? Leon Martins. Maquiagem? Vanessa Rozan. Cães? Halina Medina. Organização? Rafaela Oliveira. A lista poderia continuar por muitos parágrafos&#8230; Descubra os seus.</p>
<p>O ponto é que tem gente boa falando sobre todos os assuntos que você quiser, e de graça. Só tem que procurar e encontrar aqueles com quem você se identifica e seguir, para se manter atualizado sobre os assuntos da sua preferência.</p>
<p>Por fim, muito do que que as pessoas percebem em nós vem do que nós transmitimos a elas. Quem nunca viu uma pessoa que nem é tão bonita assim, mas que é super segura, que “se acha” e por isso acaba sendo vista como mais atraente do que é? Você pode trabalhar para ter essa “aura” entendendo seus pontos positivos e o que as pessoas gostam em você e valorizando-os ainda mais. </p>
<p>Aqui você vai precisar da ajuda de pessoas que convivam com você. Converse com elas sobre a imagem que você passa e pergunte quais são seus pontos fortes. Entenda o que em você é valorizado e, se estiver com a autoestima em dia e isso não for te destruir, pergunte sobre o que pode melhorar ou corrigir. Não que você seja obrigado a acatar, mas são informações a levar em conta nesse processo de aprimoramento.</p>
<p>Sempre dá para melhorar, muitas vezes com mudanças simples e gratuitas. E eu disse “dá”, não disse “tem que”. Tudo vai da sua vontade. Tem vontade de melhorar em alguma das áreas citadas aqui ou em outras? Não se deixe paralisar pela falta de dinheiro, hoje em dia você consegue sozinho (com ajuda gratuita de produtores de conteúdo) quase tudo.</p>
<p>Não se acanhe. Pesquise, procure, experimente. Cuide melhor da sua imagem, não por ego ou vaidade, mas como ferramenta de trabalho e como forma de melhorar sua autoestima. Quanto tempo do seu dia você gasta com você, fazendo algo para melhorar sua imagem? Se a resposta é zero, reconsidere essa decisão.</p>
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		<title>Minha empresa está uma merda.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Mar 2025 17:44:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
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					<description><![CDATA[E por empresa eu quero dizer algo menor, pequenos e micro negócios. Se a sua empresa de mil funcionários está uma merda, o problema é literalmente você estar lendo este texto para tentar resolver, seu mão-de-vaca! O Sebrae ajuda, claro, mas não com a linguagem que eu vou usar&#8230; às vezes a gente precisa ser [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>E por empresa eu quero dizer algo menor, pequenos e micro negócios. Se a sua empresa de mil funcionários está uma merda, o problema é literalmente você estar lendo este texto para tentar resolver, seu mão-de-vaca! O Sebrae ajuda, claro, mas não com a linguagem que eu vou usar&#8230; às vezes a gente precisa ser mais realista.<span id="more-26906"></span></p>
<p>E eu vou usar um foco só no texto, um que lida com o que faz muita empresa pequena estar na merda: para ganhar dinheiro, precisa gastar dinheiro. Não necessariamente muito dinheiro, mas toda a ideia de ter seu próprio negócio é baseada em investimento e lucro em cima desse investimento. Muita gente acha que basta se esforçar muito e tudo se resolve. Não, boa parte das pessoas pobres desse mundo trabalham de forma desgastante sem pausas ou férias.</p>
<p>Esforço sozinho não faz milagre. Você pode se esforçar muito para esvaziar uma piscina com um copo americano, mas ainda vai ser um trabalho imbecil, concorda? Eu vivo escrevendo sobre isso aqui, mas não custa reforçar: quem te vende a ideia de que basta acordar às 4 da manhã e se esforçar até ficar doente para ganhar dinheiro está mentindo. Repetir o que os pobres fazem para ganhar dinheiro?</p>
<p>Então, quando eu digo que precisa gastar dinheiro, é sobre transformar recursos: eu já patinei e ainda patino algumas vezes nessa questão, você fica querendo achar um jeito de fazer sua empresa crescer com o mínimo de gastos possível, porque é genial gastar pouco e ganhar muito. Adivinha se isso acontece na vida real? Até golpista investe dinheiro para ganhar dinheiro.</p>
<p>Se existisse um jeito de abrir uma empresa com mil reais e faturar um milhão em um ano, fácil assim, quase todo mundo seria rico. As outras pessoas podem ser umas antas para política, religião, costumes&#8230; mas quase todo mundo está pensando em alguma forma de ganhar muito dinheiro. Se tivesse algo fácil de verdade, seria conhecimento comum.</p>
<p>Então, é evidente que você não é o único otário do mundo que não está ganhando dinheiro fácil. Mas quem vive em terra de “esperto” fica com essa pulga atrás da orelha a vida toda. O brasileiro (e vários outros povos de países do tipo) fica com essa ilusão de que dá para ficar riquíssimo se só achar o “esquema certo”. Não existe esquema certo.</p>
<p>As pessoas que você acha umas imbecis que ficam milionárias com produtos bestas ou com fama de internet são uma fração de fração da população total. Ficar rico se filmando num quarto falando bobagem na rede social é tão eficiente quanto apostar na loteria. Não foi esperteza, foi sorte. Vai acontecer com algumas pessoas, mas não é algo que se espere acontecer na vida.</p>
<p>Eu gasto uma boa parte do texto com isso porque eu sei que essa mentalidade é pervasiva: se eu me descuidar, fico sonhando acordado com qual ideia genial vou ter para ficar rico do nada. É uma ilusão criada pelo ambiente de malandragem tupiniquim. Somos incentivados socialmente a pensar em atalhos.</p>
<p>Seu negócio provavelmente está uma merda porque você acha que vai dar um jeitinho de evitar gastos e ganhar dinheiro mesmo assim. Isso acontece em grandes empresas, é claro, elas vivem cortando custos que impactam qualidade e sangrando dinheiro em coisas inúteis, mas nessas estruturas maiores tem a pressão dos acionistas e executivos de alto nível desconectados do cotidiano de trabalho da empresa. Não é o caso do pequeno e micro negócio.</p>
<p>Então, arrume essa cabeça primeiro: custa dinheiro também, não só o seu tempo. Tem que ter insumos, programas, profissionais, publicidade&#8230; tudo morde a margem de lucros, mas não é negociável. O pequeno empresário, seja ele de uma pequena oficina ou vendendo brigadeiro na rua, ele precisa estar disposto a rodar o dinheiro que tem. Eu poderia tirar mais dinheiro para mim se começasse a cortar custos com divulgação, equipamento e programas profissionais, mas aí a minha empresa ia começar a entregar qualidade um pouco pior, ser menos vista&#8230; o dinheiro que você pega agora vai fazer falta depois.</p>
<p>Todo negócio tem custo de manutenção, e se você não estiver pagando por isso, VAI quebrar. A maioria das empresas quebra em poucos anos porque esse relaxo com o básico acumula num produto ou serviço que ninguém mais quer comprar.</p>
<p>E você pode virar para mim e dizer que não sobra dinheiro para investir na qualidade do que vende, publicidade e administração profissional da sua empresa. Deixa eu te dizer o que o Sebrae não vai dizer: se você não consegue manter sua empresa com esse básico, não é para ter uma empresa. Muita gente troca o emprego para terceiros para trabalhar por conta própria, e sabe o que ganha? Um emprego pior. Porque você não constrói nada, ganha pouco e ainda não tem folga.</p>
<p>Se a sua empresa não consegue gastar o mínimo necessário, você falhou. Você falhou com essa empresa, nada impede de tentar de novo, mas é essencial aceitar a derrota. Está há dois anos sofrendo para pagar suas contas? Não é o mercado que está ruim, é sua empresa que está ruim. Você pode ser esforçado, talentoso&#8230; mas o negócio não funciona. A boa notícia é que dependendo do tamanho do seu negócio, dá para tentar de novo sem grandes problemas.</p>
<p>Se você não consegue investir em coisas que tornem o que você vende melhor que a concorrência, se você não consegue investir em publicidade para mais pessoas conhecerem o que você vende ou mesmo se você não consegue investir em profissionalização da parte financeira e jurídica; você está numa espiral de falência. Seu negócio está uma merda porque você não está colocando dinheiro na evolução dele, se ficar parado, começa a apodrecer.</p>
<p>Não adianta dizer que não tem dinheiro para investir, porque não é uma escolha. Não tem? Não quer? Sua empresa vai estar uma merda. Muitas vezes é culpa dos donos/sócios, que estimam alto demais o quanto podem retirar do negócio para pagar suas contas. Até no mercado de emprego tradicional você começa com salário mais baixo e vai subindo com o tempo. Faz parte do jogo investir dinheiro que você ia usar para coisas que gosta mais na sua empresa.</p>
<p>Eu trabalho como publicitário, eu já cansei de ver empresas entrando na espiral da falência porque cortaram o meu serviço, ou quiseram economizar justamente ali. Não porque eu sou o salvador da pátria, mas porque é impossível vender alguma coisa se não souberem que você vende essa coisa! Gente que corta a verba de anúncios, mas viaja nas férias.</p>
<p>Podiam contratar outras pessoas para fazer publicidade se achavam o meu serviço uma merda, mas não podiam parar de fazer publicidade. Não está escrito quanta empresa morre porque acha que pode cortar gastos com divulgação. Repito: não é escolha, sua empresa vai morrer sem divulgação. Se não consegue pagar por profissionais, posta 5 vídeos por dia na rede social, criatura. Vai na Igreja Universal trocar cartão com crente. Você vai pagar com dinheiro ou com tempo. Pague e receba algo em troca, não pague e não receba nada em troca. Não é complicado, né?</p>
<p>E sobre a parte de profissionalização: se você quiser vender algo para clientes de alto nível, o padrão informal brasileiro não serve. Você não só precisa ter profissionais, como precisa parecer profissional na sua administração. As pessoas no Brasil tem o costume de não criticar ou dizer na cara dura qual o problema, apenas se afastam. Se você não emite nota fiscal, é um daqueles nóias que tiram mato da calçada não importa o que venda. Só vai atrair gente que topa coisa bagunçada, e esse público não ajuda nada a crescer uma empresa (que não ofereça serviços ilegais).</p>
<p>Se não tem um contrato ou não sabe o que fazer quando te perguntam qualquer coisa burocrática do outro lado, você vai ser lembrado como alguém que faz as coisas de qualquer jeito. E ninguém paga de verdade para quem não acha que trabalha de verdade. Quer receber dinheiro de verdade no seu negócio? Entre no padrão de chatice corporativa de quem paga dinheiro de verdade. Este texto é sobre desmerdificar empresas e profissionais liberais, mas fica a dica: sem conhecimento técnico sobre contabilidade, impostos e juridiquês você vai quebrar a cara uma hora ou outra, seja levando golpe de gente desonesta, seja levando multa de governo desonesto.</p>
<p>Não tem que escolher se vai gastar tempo ou dinheiro com burocracia e tecnicalidade, tem que fazer. Se você não organiza o quanto recebe, o quanto gasta, seus impostos, suas obrigações jurídicas, sua empresa é ou vai se tornar uma merda. Dinheiro some, clientes de alto nível te ignoram, e até mesmo os que você tem acham que podem pedir desconto e crescer para cima de você por acharem que é só uma pessoa perdida no mundo.</p>
<p>Outra coisa que acham que é facultativo, mas não é: qualidade acima da concorrência. A parte mais fácil de viver no Brasil é que se você tiver qualidade básica, vulgo pontualidade e honestidade, você já está acima da concorrência. Se você promete algo e cumpre no prazo, pronto, você é excelente profissional no Brasil. Não precisa ser excelente, ajuda ser excelente, mas não precisa não. Quem depende de terceiros no país fica feliz com cumprimento de contrato, feliz de verdade, do tipo de te procurar de novo quando puder. E eu nem estou considerando que você é vagabundo ou incompetente aqui, estou retornando ao ponto inicial do texto: não basta ser esforçado e talentoso. Precisa investir na qualidade do que faz.</p>
<p>Precisa gastar tempo ou dinheiro repetidas vezes para ter acesso às ferramentas que fazem seu trabalho funcionar direito. Investir em treinamento, softwares, equipamentos e tudo mais que faz parte do seu atendimento ao cliente é o equivalente a mover as pernas enquanto flutua na água. Se você parar de gastar com isso, vai começar a afundar. A concorrência pode ser uma merda, mas se você ficar no nível deles não consegue repetir os clientes, porque eles vão procurar por novos fornecedores de produtos ou serviços na esperança de achar algo melhor.</p>
<p>O ponto aqui é o que mínimo necessário para seu negócio não estar uma merda é continuar investindo mais e mais. Quando você perde capacidade de aumentar o investimento em publicidade, profissionalismo e qualidade, você não estagnou, você começou a afundar. Eu vi muita empresa pequena caindo ao meu redor, e quase sempre era algo assim: a pessoa achou que a empresa estava estável, nenhuma empresa é estável, estão todas afundando o tempo todo. Essa sensação de que as coisas não se movem é uma ilusão, quando você não está investindo você está falindo. Pode virar uma merda sem volta rápido ou devagar, mas vai virar uma merda sem volta.</p>
<p>Então, o que fazer se você identificou que sua empresa está afundando? Reorganizar a situação. Corte gastos fixos que não são investimento em publicidade, organização ou qualidade até sobrar o dinheiro para fazer isso. É muito comum ter gastos merda repetidos que você nem percebe. E aceite como regra: os gastos com essas partes tem que continuar subindo no mínimo na medida do aumento da sua renda. Empresa não boia, nunca vai boiar. Você está se forçando a subir ou afundando.</p>
<p>E se simplesmente não tem dinheiro para isso&#8230; você não tem uma empresa, você tem um emprego sem carteira assinada. Não é vergonha fechar e começar outra coisa, não é vergonha nem tentar voltar para o mercado de trabalho em empresas de terceiros. Não estou dizendo que é fácil, estou apenas dividindo a informação de quem vê empresas pequenas o tempo todo e tem noção sobre como elas tendem a funcionar no Brasil.</p>
<p>No mínimo, você tem que ser realista. E já respondendo quem vier dizer que conhece uma pessoa que não investe e se dá muito bem: tem gente que nasce rica, tem gente que ganha na loteria, tem gente que faz amigos certeiros&#8230; nada disso é reprodutível de forma confiável. Quem dá certo sem investir é um em um milhão de empresas que fracassam de forma retumbante pela mesma mentalidade.</p>
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		<title>Meu sono está uma merda.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Mar 2025 15:03:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
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					<description><![CDATA[Já falamos sobre o assunto várias vezes, porém hoje deixamos a explicação científica um pouco de lado e vamos para a parte prática: como melhorar seu sono se ele está uma merda. Vamos narrar como deve ser o seu dia, em um mundo ideal, se você quiser ter a melhor noite de sono possível. Sabemos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Já falamos sobre o assunto várias vezes, porém hoje deixamos a explicação científica um pouco de lado e vamos para a parte prática: como melhorar seu sono se ele está uma merda. <span id="more-26899"></span></p>
<p>Vamos narrar como deve ser o seu dia, em um mundo ideal, se você quiser ter a melhor noite de sono possível. Sabemos que a vida real nem sempre é um mundo ideal, mas também sabemos que o leitor tem inteligência suficiente para adaptar este texto à sua realidade.</p>
<p>Você está acordando. Se for possível, não pule da cama assustado com o despertador em direção uma xícara de café. Se for possível você vai se espreguiçar, se alongar, deixar o corpo despertar aos poucos. Cinco minutos bastam. E vai levantar que nem gente, com calma, não como um bonequinho do “Pula Pirata”.</p>
<p>Você vai abrir as cortinas do quarto e da casa toda, é imprescindível que entre luz natural, para que se corpo entenda que é hora de acordar e comece a secretar os hormônios que atuam nesse despertar. Se for possível, você vai pegar água (cerca de 600ml), vai até a janela, varanda ou quintal, e vai entrar em contato direito com essa luminosidade enquanto lentamente bebe essa água.</p>
<p>Não precisa olhar para o sol e queimar a retina, mas precisa entrar em contato direto com a luminosidade: nada de óculos escuros boné ou qualquer outra barreira. Beba seus 600ml de água enquanto admira o céu e deixa que seus olhos captem a luz solar. Quinze minutos bastam. Se, além de luminosidade você também se expuser ao sol, passe protetor solar, pois não adianta dormir bem e ter câncer de pele.</p>
<p>Depois de beber toda a água e permitir que seu corpo fique exposto à luminosidade, é hora do seu café da manhã. Em um mundo ideal, você espera 15 minutos depois de acabar de tomar seus 600ml de água para comer, o que seria basicamente o tempo de preparar a refeição. No mundo real você faz o que for possível.  </p>
<p>Faça uma boa refeição, café da manhã é uma das refeições mais importantes do dia. Isso significa comer alimentos nutritivos e que, de preferência, sejam saudáveis. É claro que isso vai variar muito de acordo com as necessidades nutricionais de cada pessoa, mas, em linhas gerais, boas opções são ovo mexido com pão integral, banana com iogurte e aveia ou qualquer outra combinação de proteína, carboidrato bom e fruta.</p>
<p>Agora, e apenas agora, você vai tomar café, o líquido. Sempre se mantendo em ambientes iluminados. Não precisa ficar com a cara no sol, mas não pode fechar a cortina ou usar qualquer barreira para impedir que a luz do dia entre nos seus olhos. Continue se expondo à luz. E isso vale para o seu dia todo: enquanto estiver de dia, você tem que ter luz entrando nos seus olhos.</p>
<p>“Mas Sally, não tem janela perto de mim onde eu trabalho”. Não tem problema, mantenha-se em um ambiente bem iluminado, mesmo que seja com luz artificial, o importante é não ficar na penumbra. A penumbra você vai guardar para a noite, quando a situação se inverte e você não poderá ficar em um ambiente iluminado.</p>
<p>Dependendo como for sua rotina, você pode aproveitar o período após o café da manhã para fazer seu exercício diária, pois sim, ele é obrigatório. </p>
<p>Em um mundo ideal, durante sua semana, você faz algo de cardio (corrida, bicicleta, esteira ou qualquer coisa que te deixe ofegante e faça transpirar) e algo de força resistida (musculação, pilates ou qualquer coisa que te faça puxar e levantar peso). No mundo real uma caminhada de 40 minutos basta.</p>
<p>Se conseguir se exercitar de manhã, ótimo. Se não, ainda tem a hora do almoço ou a hora da saída do trabalho. Se possível, exercite-se antes das 18h.</p>
<p>Seu dia continua. Você pode estar trabalhando, estudando, cuidando da casa ou fazendo o que for, só não fique no escuro. Sempre muita luz entrando por essa retina. “Mas Sally, eu não gosto de luz”. Nem eu. É tudo uma questão de você escolher do que gosta menos, de luz ou de não dormir bem e passar o dia se arrastando de sono. </p>
<p>Chegou a hora do almoço. Coma o que quiser. A recomendação é que seja um prato com proteína, verduras, legumes e carboidratos, mas, francamente, não será um almoço que vai destruir seu sono. Manda ver. Mas saiba que quanto “pior” você comer, em matéria de qualidade, mais sono vai sentir depois e mais difícil será trabalhar.</p>
<p>Depois do almoço você tem direito a mais um café, desde que seja antes das 14h. Após as 14h não tomaremos mais café, pois o efeito de “despertar” que ele gera no corpo dura cerca de 8 horas e vai atrapalhar o sono. </p>
<p>Então, café ou qualquer outra bebida com cafeína (chá, mate, Coca-Cola, energético, o que for) estão abolidos após as 14h. “Mas Sally, sem isso eu fico sonolento durante o dia”. Aguenta. Depois que seu sono regularizar e você dormir bem, você conseguirá ficar metade do seu dia sem aditivos. E nada de sonecar, passe o dia todo acordado. Soneca no meio da tarde é privilégio de quem não tem problemas para dormir à noite.</p>
<p>Chegamos ao final do seu dia produtivo. Antes de dar por encerrado, você vai anotar em uma agenda ou um papel todas as pendências que ficaram para o dia seguinte, tudo que você precisa fazer, tudo que você precisa lembrar. E vai deixar o seu lugar de trabalho organizado. Agora sim, está encerrado. Você não vai mais lidar com trabalho hoje, salvo uma emergência de vida ou morte.</p>
<p>Isso significa não responder e-mail, whatsapp ou qualquer comunicação que envolva seu trabalho ou obrigações. As pessoas que aprendam a esperar até o horário de trabalho do dia seguinte, ninguém tem que ficar o dia inteiro em função de trabalho. Volte para sua casa e se desligue disso.</p>
<p>Se possível, assista ao anoitecer. Não precisa bater palmas para o pôr do sol que eu não tenho leitor hippie, apenas dedique uns minutos a olhar para o céu quando estiver escurecendo, para que o corpo perceba que é hora de começar a desligar e secrete os hormônios que vão te ajudar a dormir. </p>
<p>Começou a anoitecer? É hora de apagar as luzes da casa. Sim, contraditório, eu sei, mas luzes acesas prejudicarão seu sono. Não precisa ficar num escuro total, batendo o dedo do pé na quina dos móveis, mas qualquer luz tem que ser tênue, indireta e de preferência luz quente, aquela com uma tonalidade mais amarelada. Se você consegue enxergar se um garfo está limpo ou sujo, é muita luz. Penumbra, por gentileza.</p>
<p>Um abajur em um cantinho está ok. Luz no teto nem pensar, tire as lâmpadas para nem cair em tentação de acender. Se puder, deixe sua casa toda com luz indireta, como um hábito de vida. Vai ser bom para todas as pessoas da casa.</p>
<p>Em um mundo ideal, seria hora de não olhar mais para tela de celular ou computador, deixando tudo de lado. No mundo real, isso nem sempre é possível, então, se for esse o caso, instale um aplicativo que coloque um filtro de luz azul nos seus eletrônicos. Muitos celulares vêm de fábrica com eles, basta clicar na função “luz noturna”. Mesmo assim, use o menos possível.</p>
<p>Tomando o cuidado de não se expor a luz forte ou direta, você vai jantar uma refeição leve, pelo menos duas horas antes de se deitar para dormir. Se possível, não beba muito líquido, nem líquidos diuréticos. </p>
<p>Não é para ficar com sede, é apenas para não se forçar a beber muita água: algumas pessoas se colocam uma cota diária de água, esquecem de beber durante o dia e tentam recuperar a meta perdida à noite. Não faça isso, ou sua bexiga vai atrapalhar seu sono. E bebida alcoólica nem pensar, por mais que te ajude a pegar no sono, seu sono tende a ser de péssima qualidade quando você bebe antes de dormir.</p>
<p>Desenvolva um ritual de relaxamento que indique ao seu corpo que é hora de se preparar para dormir. Escolha atividades que te relaxem, acalmem e tranquilizem (desde que não envolvam luz forte, cafeína ou álcool), na ordem em que for melhor para você: banho morno, massagem, meditação, relaxamento guiado, leitura, alongamentos ou qualquer outra coisa do tipo. Tente fazer desse ritual uma rotina, ele é um reforço para o corpo de que está chegando a hora de dormir.</p>
<p>Não coloque seu foco em nada que agite, gere medo ou adrenalina. Não é hora para True Crimes, não é hora para faxinar a casa, não é hora para brigar em redes sociais. “Mas Sally, você está dizendo que eu não posso assistir a nada que gere adrenalina?”. Sim, é exatamente o que eu estou dizendo. Algumas pessoas assistem e dormem muito bem mesmo assim, mas, se você está com um sono ruim, precisa desse cuidado.</p>
<p>Em um mundo ideal, deveríamos ir dormir às 21h, pois é o horário mais confortável/favorável para o corpo cumprir todas as tarefas que desempenha durante o sono. Em um mundo real, isso é um pouco mais complicado. Se puder, deite-se às 20h para estar dormindo às 21h. Se não puder, deite-se o mais cedo possível dentro da sua realidade. Obs: deitar depois das 23h é desaforo, seu corpo não vai ter o descanso necessário, a menos que você more no Alasca e amanheça às 11h da manhã.</p>
<p>“Mas Sally, eu sou uma pessoa noturna, eu funciono melhor dormindo de dia e ficando acordado à noite”. Não, não é. Se você é um ser humano, isso não procede. É uma incompatibilidade evolutiva. Seu corpo não foi feito para dormir de dia e ficar acordado à noite. Fatores psicológicos te fazem pensar assim e, pelo bem da sua saúde, eu sugiro que você os solucione.</p>
<p>Todo ser humano está sujeito ao ciclo circadiano, não é você, floquinho de neve especial a fugir dele: temos que dormir à noite e ficar acordados de dia. Inverter isso pode gerar inúmeras doenças no corpo e na mente. Inclusive há relatos de casos de obesidade e depressão que melhoraram significativamente quando a pessoa adequou seus horários à luz do sol.</p>
<p>E, ao contrário do que você acha, você não funciona melhor à noite. Você pode ter adquirido esse hábito por uma série de razões psicológicas e sociais, por exemplo, pela paz, tranquilidade e silêncio que existem à noite. Mas é nocivo para o seu corpo, não importa o que você ache. E essa conta chega. Então, se quiser ter saúde, se não quiser ter problemas graves, dê um jeito da sua casa ser silenciosa, tranquila e agradável durante o dia, para que você possa trabalhar e durma quando estiver escuro.</p>
<p>Quando chegar a hora de se deitar, certifique-se de que o quarto esteja completamente escuro, em temperatura agradável e em completo silêncio. Ou o mais perto disso que você conseguir chegar. Eventual luminosidade pode ser contornada com um tapa-olho, eventual ruído pode ser contornado com um protetor auricular e temperatura com ventilador ou ar-condicionado.</p>
<p>Colchão, travesseiros e cobertas também tem que estar adequados, limpos e agradáveis. Só para constar, travesseiro se troca a cada seis meses, caso contrário vira um grande acumulado de cocô de ácaro. Lençol se lava semanalmente. Fronha, a cada três dias.</p>
<p>O que você está vestindo na hora de se deitar deve ser confortável, sem apertar, sem repuxar e termicamente adequado. Aparelhos que façam barulho devem ser desligados ou colocados no modo silencioso. Deixe um bloquinho ao lado da cama para anotar pendências, pensamentos ou qualquer informação que venha a te atormentar antes de dormir, assim você os tira do seu sistema.</p>
<p>Não conseguiu dormir? Enquanto o sono não vem, pratique alguma atividade relaxante. Jogar videogame não é uma atividade relaxante. Levantar e ligar a luz não é uma atividade relaxante. Trabalhar muito menos. “Mas Sally, eu não gosto de atividades relaxantes”. Está aí a causa do seu problema: gente que faz pirraça de criancinha na hora de desligar, que vê sono como tempo perdido, vai ter problemas para dormir enquanto não mudar esse mindset. Terapia para você.</p>
<p>Dormiu pouco? Dormiu mal? Está exausto? Não tem problema, amanhã tem outra oportunidade. Acorde na hora de sempre, passe o dia arrebentado e te garanto que na próxima noite será mais fácil dormir. Nada de dormir até mais tarde ou dormir soneca, passe o dia todo fodido.</p>
<p>Sono é hábito, é rotina, é condicionamento. E para isso, você precisa ser consistente. Tente dormir e acordar sempre na mesma hora. Não adianta fazer tudo regrado durante a semana e no final de semana dormir o dia todo e acordar à tarde. Mantenha a rotina.</p>
<p>“Mas Sally, eu fiz tudo isso e continuo sem sono à noite”. Em algumas pessoas o resultado aparece rapidamente, em outros demora algumas semanas. Persista. Os pontos mais importantes são exposição à luminosidade, exercícios e se afastar dos eletrônicos à noite, se você seguir as instruções relacionadas a esses três pontos, tem que sentir uma melhora.</p>
<p>Seguiu as recomendações deste texto por três meses e ainda está com problemas para dormir? Hora de procurar um médico, talvez exista um fator fora do seu controle atrapalhando seu sono, como por exemplo alguma questão hormonal. Procure um médico especializado em sono para se certificar de que está tudo bem. Existem problemas físicos que você não controla que podem gerar dificuldade em pegar no sono ou um sono de qualidade ruim.</p>
<p>E tenha em mente que se você está passando por um período muito difícil da sua vida, é normal ter problemas no sono. Ninguém vai te pedir para fazer a rotina deste texto se você tem uma pessoa amada no hospital ou se está passando por qualquer outra situação traumática /demandante. Em alguns casos o melhor que você pode fazer é tomar remédios para dormir até a tempestade passar. O que não pode é viver uma vida dependendo de remédio para dormir. </p>
<p>Então, não vilanizem os remédios para dormir. Eles podem ser necessários por tempo limitado, pois certamente são menos nocivos do que ficar semanas sem dormir. O que não pode é tomar por conta própria, sem acompanhamento médico e fazer uso prolongado deles, como recurso permanente para descansar.</p>
<p>Seu sono é basicamente uma sinopse de como você se cuidou durante o dia: se comeu bem, se exercitou, cuidou da sua saúde mental e desligou das obrigações o sono será bom. </p>
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		<title>Meu computador ou celular está uma merda.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Mar 2025 16:22:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
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					<description><![CDATA[Semana temática de descagação da vida, vou falar sobre o seu computador, que deve estar uma merda. E por computador eu estou falando desde aquele que fica na mesa até o que você carrega para cima e para baixo, vulgo seu celular. Sem tecniquês, só bom senso. Você já sabe, ou pelo menos deveria saber [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Semana temática de descagação da vida, vou falar sobre o seu computador, que deve estar uma merda. E por computador eu estou falando desde aquele que fica na mesa até o que você carrega para cima e para baixo, vulgo seu celular. Sem tecniquês, só bom senso.<span id="more-26896"></span></p>
<p>Você já sabe, ou pelo menos deveria saber que acumular lixo na sua casa é uma péssima ideia. De tempos em tempos você faz essa manutenção na casa, ou&#8230; pelo menos deveria fazer. Quanto mais lixo nos seus ambientes, piores eles ficam. Tem gente doente que começa a acumular coisas em casa até mal conseguir se locomover dentro dela. Todo mundo sabe que a pessoa numa casa abarrotada de lixo não consegue fazer nada direito e vive num ambiente insalubre.</p>
<p>Você provavelmente não é um acumulador de lixo em casa, mas talvez seja um no seu computador. 90% dos problemas de computador, seja ele um daqueles de torre chamado desktop, seja ele um notebook ou seja o seu smartphone, podem ser resolvidos com remoção de lixo. Do celular mais humilde ao supercomputador mais poderoso, todos tem limite de quanta porcaria podem acumular antes de ficarem lentos ou darem problemas.</p>
<p>A explicação é simples: o espaço de armazenamento, memória e processamento da sua máquina é finito. Quando mais abas de navegador, aplicativos e jogos você tiver abertos ao mesmo tempo, pior vai ser a qualidade de funcionamento de cada um deles. Ou, em outra analogia: tem comida para 10 pessoas, você convidou 20. Até tem como dividir, mas ninguém vai se alimentar direito.</p>
<p>Cada tipo de computador tem a sua capacidade de servir convidados, normalmente você pode usar a mesma regra do resto da vida: quanto mais caro você pagou na máquina, mais coisas pode fazer funcionar ao mesmo tempo. Mas é claro, muita gente paga caríssimo em celulares que não são tão poderosos assim.</p>
<p>Então, ao invés de tentar te explicar o que configura um computador ou celular poderoso de verdade, vamos resolver o problema real: você provavelmente deixa tudo aberto ao mesmo tempo, não faz manutenção básica e é por isso que seu computador ou celular está uma merda. Meus celulares não são caros e nunca ficaram lentos.</p>
<p>O grande vilão da vida moderna: navegador. Você provavelmente usa o que veio instalado no seu computador, quase sempre é o Chrome ou o Safari se você não tem responsabilidade financeira. Spoiler: é tudo o Chrome do Google hoje em dia. Se você usa um diferente, você não precisa deste texto. O problema do navegador, especialmente no caso do celular: as pessoas esquecem de fechar as abas. E isso vai acumulando. Porque mesmo com diversos sistemas para evitar gasto excessivo de memória, tem que ficar registrado em algum lugar o que você tem aberto e o que estava na página naquele momento.</p>
<p>Assim como se diz para o acumulador de lixo numa casa: você não precisa disso tudo. Abriu uma aba da internet? Termina de usar e fecha. Clicou num link no WhatsApp, mensagem de texto ou qualquer outro lugar? O seu computador ou celular vai abrir e não vai te mandar fechar depois. Toda vez que pego celular e computador de gente que não entende de computador, tem dez mil abas abertas. Fecha essa porcaria. Você é um acumulador de abas, está aparecendo barata digital!</p>
<p>Aplicativos: isso pode matar sua performance do mesmo jeito. Abriu, fechou. Vai na tela de aplicativos abertos e fecha tudo que não estiver usando. Aquela porra de Rappi que você nunca usou na vida ainda está aberto, sabia? Gastando memória. O seu celular inclusive acha que você gosta tanto que agenda atualização. Os desenvolvedores do Android ou do iOS se matam para tentar conter o uso irresponsável de mil aplicativos abertos, mas você não ajuda nada abrindo um e nunca mais fechando.</p>
<p>Tem comida só para alguns aplicativos, mas você deixa a Cracolândia inteira morar na sua cozinha. Fecha todos os aplicativos do seu celular uma vez por dia, que seja. Até o WhatsApp, porque ele vai te avisar de qualquer jeito se mandarem mais uma figurinha no grupo. No computador “normal” é mais fácil de ver o que está aberto, e por mais que a tecnologia tenha avançado bastante em manter vários programas funcionando ao mesmo tempo, tem zero função na sua vida manter aberto programa que não está usando. Terminou de usar? Fecha.</p>
<p>Computador ou celular decente é o que não tem NADA aberto quando você pega para usar. Fecha tudo o que não estiver usando agora. Eu te garanto que vai ficar mais rápido e travar menos. Cada aba de internet ou aplicativo aberto é um saco de lixo no meio da sua sala. Vai melhorar rapidamente se você começar a jogar fora o lixo. Fecha as abas e os aplicativos inúteis.</p>
<p>Notificações: a maioria dos aplicativos tem configurações sobre mandar notificações ou não. São aquelas mensagens que não acabam mais toda vez que você desbloqueia o celular. Já percebeu como você provavelmente só se importa com os emails e as mensagens do WhatsApp? Então, corta as asinhas de todos os que você não se importa. Se você for nas configurações do celular e em notificações, pode forçar a maioria deles a calar a boca. Manda um “nunca” em todos que não tiver certeza de que precisa ver cada vez que abre o celular. Coloca o grupo de besteira para ficar silencioso para sempre no WhatsApp, mas deixa todos os aplicativos ficarem te avisando de bobagem? Desliga notificação, consome memória, consome espaço, consome seu bem-estar mental.</p>
<p>Programas e aplicativos aleatórios: isso era um problema mais sério nos computadores antigamente, e agora foi para o celular. Você não precisa de cinco programas diferentes para abrir um PDF! As lojas de aplicativo tem algum controle sobre aplicativos com vírus, mas quase nenhum sobre programas inúteis infestados de propaganda (ou que cobram caro para fazer coisas que são de graça em outros lugares no caso da Apple).</p>
<p>Seu comportamento padrão tem que ser não instalar porra nenhuma no seu celular. Nada. Provavelmente já tem algo no seu celular que faz o que você quer. O Google abre praticamente qualquer documento online, inclusive PDF (que você pode abrir no navegador). Se você não entende bem como funcionam programas e aplicativos, a coisa mais simples de se fazer é não instalar nada de novo no celular. Se você for obrigado a usar coisas horríveis como o Teams da Microsoft, saiba que funciona no navegador. Não precisa instalar. Quase tudo o que você vai usar no celular funciona no Chrome ou Safari.</p>
<p>Deixa eu repetir: não instale porra nenhuma no seu celular. Nada para editar fotos, nada para ver PDFs, nada para ler livros, nada&#8230; só instale coisas que você sabe o que fazem e são de empresas grandes como Microsoft, Amazon, Apple, Google, Meta. Não que sejam bons aplicativos, mas pelo menos você sabe de onde vem. Se você tem uma necessidade muito específica que tem CERTEZA de que não funciona online no Google, aí sim pode instalar. Mas sério, tenta usar um aplicativo que você já tenha ou rodar direto pelo Chrome ou Google Docs, Drive, etc.</p>
<p>Feche abas do navegador, feche aplicativos abertos, desligue notificações e não instale nada de novo a não ser que seja extremamente obrigado. Pronto, seu celular melhorou. Gasta uns minutinhos para desinstalar tudo o que não estiver usando. É quase impossível quebrar alguma coisa desinstalando aplicativos no celular. Não tenha medo.</p>
<p>Essa parte é para quem tem notebook: essa merda esquenta porque é meio que inescapável no formato que é feito. Computador quente é sempre mais lento. Você pode ter 4, 8 ou 400Gb de RAM que não muda nada. Nesse calor horrendo que faz no Brasil, pode ter certeza de que seu note está perdendo capacidade. Aquelas bases com ventilador são bem discutíveis, mas são melhor do que nada. A dica é deixar o computador DESLIGADO quando não estiver usando. É para salvar tudo, apertar o botão por um tempo longo e deixar apagar tudo mesmo. Você gasta mais tempo reiniciando, mas dá tempo dele voltar a uma temperatura mais decente.</p>
<p>E francamente, se o seu notebook fica parado no mesmo lugar e ligado o dia todo, surpresa: você tem um computador desktop ruim. Notebook é ideal quando você precisa mover ele todos os dias e não fica ligado 12 horas seguidas. Além de fechar as porcarias das abas, desinstalar todos os programas que não usa e manter tudo o que não estiver usando na hora fechado, não tem mais o que uma pessoa comum possa fazer. É uma máquina que esquenta horrores num formato supercompacto. São as leis da física agindo, e delas você não escapa. Deixa-o esfriar sempre que puder.</p>
<p>E se você tem um desktop, que é a solução perfeita para quem não mexe o computador de lugar e deixa ligado por muito tempo seguido, lembre-se da limpeza: poeira acumula e começa a tornar sua máquina mais quente. A cada 6 meses (3 em lugares com muita poeira ou fumantes), abre a caixa e passa um aspirador de pó. Passa um papel toalha para soltar o pó que pode ter grudado antes.</p>
<p>Sobre ventoinhas, é importante saber que a função delas é criar um fluxo de ar. O ar entra por algum lugar e sai por outro. Isso vale até para o notebook: procure por furinhos ou cortes nele, é por lá que o ar entra e/ou sai. Não deixe nada tapando essas saídas. Na Islândia você pode ignorar ventilação, mas no Brasil não dá. O ar tem que fluir. Num desktop, você pode ter várias ventoinhas funcionando em conjunto, preste atenção se elas estão empurrando o ar para a mesma direção: normalmente as ventoinhas na parte frontal puxam o ar e as na parte traseira expulsam. Não coloque nada tapando as entradas de ar nele. Lugares com ar-condicionado ou ventiladores (que apontem para uma janela aberta, seu animal) são os melhores para fazer qualquer coisa relacionada com computação.</p>
<p>Viu? Zero tecniquês. Quase sempre seu computador ou celular está uma merda porque tem muita coisa aberta ao mesmo tempo ou porque está superaquecendo. Provavelmente não é um vírus, porque os sistemas modernos são bem atenciosos com isso: se o seu computador te der qualquer aviso sobre rodar ou não um site, programa ou aplicativo&#8230; NÃO RODE. Você não sabe nem a diferença entre o seu processador e a sua memória RAM&#8230; para quê arriscar?</p>
<p>E sério, se você não sabia de coração tudo o que estava escrito aqui, esquece qualquer coisa sobre otimização de disco, desfragmentação, registro, o caralho a quatro&#8230; isso é problema de nerd que já tem o computador ou celular rodando limpinho e quer extrair mais performance do que o fabricante recomenda. Recolha-se à insignificância do seu interesse real por computadores: se você está cagando para conhecimento técnico avançado, faz o simples. Só o simples.</p>
<p>Fecha as abas, arrombado(a).</p>
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		<title>Meu cabelo está uma merda.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Mar 2025 16:17:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
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					<description><![CDATA[Prosseguindo com a nossa Semana de Merda, iniciamos nossos textos pensados para que essa semana bosta de carnaval possa ter alguma utilidade para você. Vamos começar simples, fácil e prático: seu cabelo está uma merda? Pois bem, tem várias coisas que você pode fazer imediatamente, começando hoje, para melhorá-lo. Salvo raros casos de doenças, é [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Prosseguindo com a nossa Semana de Merda, iniciamos nossos textos pensados para que essa semana bosta de carnaval possa ter alguma utilidade para você. Vamos começar simples, fácil e prático: seu cabelo está uma merda? Pois bem, tem várias coisas que você pode fazer imediatamente, começando hoje, para melhorá-lo.<span id="more-26892"></span></p>
<p>Salvo raros casos de doenças, é muito provável que seu cabelo esteja uma merda por culpa sua. Fazemos diariamente muitas coisas, na melhor das intenções, que danificam nosso cabelo. Muitas delas ensinadas por nossos pais, hábitos de 20, 30, 40 anos atrás, que já se mostraram um desfavor. Hora de rever a forma como você cuida do seu cabelo.</p>
<p>Vamos começar com algo que parece óbvio, mas que muita gente não parece se dar conta: seu cabelo e seu couro cabeludo são duas coisas diferentes. Seu couro cabeludo é pele, é vivo e precisa de certos cuidados. Seu cabelo não é pele, não está vivo e precisa de outros cuidados. Então, tratar seu cabelo e seu couro cabeludo como uma coisa só é um erro – muito comum, por sinal.</p>
<p>Xampu é para lavar o seu couro cabeludo. Sim, é isso mesmo que você escutou. O Xampu a gente escolhe pensando nas necessidades do couro cabeludo. Se o seu cabelo está seco, não necessariamente você tem que usar um xampu hidratante. Todo o resto dos produtos se escolhem pensando no cabelo, mas xampu é pensando no couro cabeludo. </p>
<p>E a função do xampu é uma só: limpar o couro cabeludo. O próprio nome “lavar o cabelo” é errado. O xampu é para lavar o couro cabeludo, não o cabelo. Obviamente, o cabelo está lá, então, ele também acaba recebendo algum xampu, mas seu foco não deve ser esse.</p>
<p>Muita gente lava o cabelo errado, então, aqui vai um tutorial de como lavar o cabelo: molha a cabeça, bota o xampu na mão e não esfrega bem faz espuma, espalha ele depositando no couro cabeludo, nos seguintes setores: no topo da cabeça, na frente à direita, na frente à esquerda, na parte atrás da orelha à direita, na parte atrás da orelha à esquerda. </p>
<p>Depois você vai começar a limpeza, não no cabelo, mas no couro cabeludo, com o miolo do dedo, a parte onde estão suas impressões digitais. Com as duas mãos, você vai fazer movimentos circulares, como uma massagem, no couro cabeludo, evitando o cabelo quando for possível. Enfia a mão por dentro do cabelo. Toda a área deve ser massageada com movimentos circulares. Muita gente lava apenas o topo ou apenas a frente. Seus dedos têm que passar por todo o couro cabeludo.</p>
<p>Não é para usar a palma das mãos naquele hediondo movimento de vai e vem. Não é para usar as unhas. Não é para usar o dedo todo indo para frente e para trás. É o miolo do dedo, em movimentos circulares. Por toda a área da cabeça. Pense na sua cabeça como a parte convexa de uma colher, melecada com gordura (sim, seu couro cabeludo produz “gordura”). Lave na intensidade que você lavaria uma colher melecada de brigadeiro. </p>
<p>Lave toda a área do couro cabeludo e não toque no comprimento do cabelo. Quando você enxaguar o xampu, ele vai atuar limpando o cabelo por arraste. Não é necessário esfregar xampu no cabelo, isso inclusive é uma das causas mais comuns de dano. Sim, quando o xampu escorrer com a água ele vai limpar o seu cabelo, confie em mim.</p>
<p>Agora faça tudo novamente. É isso mesmo. Não é “golpe da indústria do xampu” te mandar repetir a aplicação. Dificilmente a cabeça fica bem lavada com uma só passada de xampu. A menos que seu cabelo já estivesse limpíssimo quando você entrou no banho, é necessário fazer duas vezes.</p>
<p>O mantra de que xampu é só para o couro cabeludo vale também para xampu seco, aquele que se borrifa na cabeça quando não podemos ou não queremos lavar. Em hipótese alguma use xampu seco no comprimento do cabelo, apenas no couro cabeludo. Quanto mais óleo produz, mais limpante terá que ser o xampu.</p>
<p>Seu couro cabeludo só precisa disso: limpeza. Ele produz sebo, suor e outras coisas que precisam ser limpas. Portanto, você tem que escolher um xampu apto para limpar. “Mas Sally, eu li que tem que usar xampu sem sulfatos”. Ok. Vamos todos lavar nossos rostos com óleo de cozinha e escovar os dentes com pudim também, que tal? </p>
<p>Você só quer uma coisa do seu xampu: que ele limpe bem. Ele só tem um trabalho: limpar o couro cabeludo. Todo o resto é competência de outros produtos. Então, teste xampus até encontrar um que deixe seu couro cabeludo o mais limpo possível, isso não é agredir o cabelo, isso é um primeiro passo indispensável para mantê-lo saudável. Inclusive muita gente experimenta queda de cabelo progressiva por usar xampu “hidratante”, que não limpa direito e ainda deposita mais óleo no seu couro cabeludo.</p>
<p>Agora falemos do cabelo. Para fins didáticos, vamos dividir o cabelo em três partes: 1) raiz (do topo da cabeça até a nuca), 2) meio e 3) pontas. </p>
<p>Depois de lavar seu couro cabeludo, seu cabelo pode precisar de hidratação. Isso se consegue usando condicionador, ou, se você puder, uma máscara de tratamento. O preço costuma ser quase igual, então, eu sugiro máscara de tratamento que é mais eficiente. Você vai passar o condicionador no meio e nas pontas, na raiz jamais. JAMAIS. Seu cabelo produz a hidratação necessária para a raiz, jogar condicionador só vai atrapalhar o processo.</p>
<p>Mas tem que passar direito. Muita gente enche a mão de condicionador e joga na parte traseira do cabelo, hidratando apenas a camada de fora. Não. Divide o cabelo em mechas e passa condicionador em todas as mechas, nos fios de fora, de dentro e do meio. Um condicionador está bem passado quando você corre a mão por todo o cabelo e a mão desliza totalmente lubrificada, todos os fios receberam total cobertura de condicionador, do ombro para baixo.</p>
<p>Normalmente condicionadores demoram poucos minutos para agir. Espere sem enrolar o cabelo em um coque molhado, deixe ele solto mesmo. Não torça o cabelo. Não repuxe o cabelo. Deixe seu cabelo em paz, quando o fio está molhado ele está muito frágil e se você ficar torcendo, puxando ou enrolando vai danificá-lo. Passaram alguns minutos? Enxague. O correto é remover tudo, mas não vai causar dano se você deixar um leve resquício em cabelos mais secos. Se o cabelo fica soltinho e limpo, tá autorizado deixar um pouquinho nos fios.</p>
<p>Saiu do banho. Cabelo está encharcado. Você vai torcer? Não, você não vai torcer, pois você não quer destruir o seu cabelo. No máximo você vai pegar o cabelo e apertar gentilmente como faria ordenhando uma vaca, para tirar o excesso de água. </p>
<p>Em um mundo ideal, você vai secar seu cabelo com uma toalha de microfibra. As pequenas, para cabelo, costumam ser absurdamente baratas. No mundo real isso pode não ser possível e tá tudo bem, não será isso a estragar seu cabelo. Qualquer que seja a toalha, você não vai enrolar ela na cabeça, feito Aladin, pois além de destruir seu cabelo, é antiestético. Você vai secar o seu cabelo como secaria a sua pele se tivesse sofrido uma queimadura: sem esfregar, encostando a toalha para que ela absorva a água sucessivas vezes.</p>
<p>Algumas pessoas sentem necessidade de passar um condicionado leave in, sem enxague. É inclusive recomendado por muitos profissionais para selar as cutículas e manter a hidratação dentro do fio. Se você se dá bem com esse tipo de produto, passe da mesma forma que passou o condicionador: todos os fios têm que ser contemplados, não apenas os de fora.</p>
<p>Vamos falar de desembaraçar o cabelo. Há quem prefira fazer com ele seco, pois o fio não está tão tensionado e fragilizado, que de fato é melhor. Porém, no processo de lavar o cabelo ele pode embaraçar novamente, então, eventualmente pode ser necessário desembaraçar enquanto estiver molhado.</p>
<p>Não use pente. Eu sei que muita gente aprendeu a desembaraçar o cabelo com pente pois foi ensinado assim pelos pais, mas a sociedade evoluiu, não há necessidade de se manter na barbárie. </p>
<p>O ideal é desembaraçar com uma escova que tenha cerdas flexíveis, assim, em caso de atrito, o cabelo ganha da cerda. Caso contrário, se você usar uma escova assassina, como aquelas porcarias com dentes de bambu, quem vai ganhar o cabo de guerra será a escova, quebrando seu cabelo. Qualquer farmácia tem uma escova com cerdas flexíveis e um preço baratíssimo. A que eu considero mais “segura” para o cabelo é a Tangle Teezer, essa nem se você se esforçar você danifica seu cabelo, mas qualquer outra mais em conta serve.</p>
<p>Comece desembaraçando as pontas e só depois vá subindo, pois se você começar da raiz, só vai acavalar um nó no outro. Pode usar as mãos para desembaraçar, desde que não puxe até arrebentar os nós: sentiu resistência? Para. Seja gentil. Se você fez tudo certo, não vai ser uma luta desembaraçar o cabelo, pois ele estará limpo e hidratado, a escova ou até a mão correrá facilmente por ele. </p>
<p>Aí vem o processo de secagem. Você pode deixar o cabelo secar naturalmente, algo que se consegue quem 15 minutos no verão brasileiro, ou secar com secador. Fatos da vida: cabelo fica mais bonito quando se seca no secador, pois alinha as escamas dos fios. Fica mais brilhante, fica mais arrumado e demora mais tempo para que fique oleoso. Porém nem todas as pessoas têm tempo ou paciência para isso.</p>
<p>Se você tem tempo e paciência para secar seu cabelo no secador, saiba que é obrigatório, antes de começar a secar, colocar um bom protetor térmico para proteger os fios do calor. Sempre que você expuser seus fios ao calor, não importa como (secado, chapinha, escova elétrica&#8230;) tem que usar protetor térmico antes. E não é um borrifo assim, por cima. Todos os fios têm que receber o produto, todos os fios têm que estar protegidos. Se necessário, passe na mão espalhe, mecha a mecha.</p>
<p>Expor os fios ao calor os deixa lindos, porém, todo santo dia, vai causar danos. Eu faço? Eu faço, pois moro em um lugar frio no qual meu cabelo não seca sem secador e dormir de cabelo molhado é mega ultra hiper proibido, pode até causar fungos na sua cabeça. Mas essa é a minha cota: esse e apenas esse dano, nenhum outro, se não o dano acumula e o cabelo fica horrível. </p>
<p>Perceba que não é o secado o que danifica os fios, e sim o calor. Então, se o cabelo está muito maltratado, mas você precisa continuar usando secador, existe a opção de usar sem calor, secando o cabelo com ar frio. Demora mais, não fica tão bonito, mas não danifica.</p>
<p>Se você quer cuidar bem do seu cabelo, dê um intervalo de três dias entre exposição ao calor, que é o tempo do fio se recuperar. Se você quer/precisa expor o fio ao calor todos os dias, seja extra cuidadoso com todo o resto. Inclusive com o tipo de secador e escova que usa.</p>
<p>Para uso diário você tem que comprar um bom secador. Ele deve ter íons. Ele deve ser de uma boa marca e de preferência potente e profissional, assim seca o cabelo em menos tempo. A escova, obviamente com cerdas flexíveis, pode ser de diferentes modelos, eu prefiro as redondas de cerâmica. Mas, ainda assim, com todos os cuidados do mundo, saiba que aplicando calor todo dia algum dano vai acontecer. A gente escolhe nossas batalhas.</p>
<p>E, detalhe importante: secador, escovas secadoras devem ser usadas com o cabelo úmido. Secou? Pare de aplicar calor, ou você vai fritar seu cabelo. Quando ele está úmido a água ajuda a manter a temperatura suportável para seu cabelo, mas quando ele seca, a temperatura sobe e ele queima.</p>
<p>Supondo que seu cabelo esteja seco. É recomendável passar um óleo reparador ou serum nas pontas se ele for longo. Só nas pontas, e em pouca quantidade, para que não fique oleoso. Você esfrega o óleo entre as suas duas mãos para que ele fique quente e dissolva melhor e aplica nas pontas. Não apenas nas pontas de cima, mas em todas as pontas de todos os fios.</p>
<p>&#8220;Mas Sally, eu não sei quais produtos escolher”. Existem 3 tipos de cabelo: fino, médio e grosso. O resto é uma condição temporária (não um tipo) ou truque publicitário para vender produto. “Xampu para cabelos castanhos”. Você compra pneu para carro vermelho? Não, né? O xampu é para o couro cabeludo. A menos que você seja um alien, o couro cabeludo de todos nós é pele.</p>
<p>“Mas Sally, meu cabelo é oleoso”. Não, não é. Seu cabelo é basicamente uma unha muito comprida e mais molinha que não produz sebo. O óleo vem do seu couro cabeludo, especialmente se ele não estiver bem limpo. Se o cabelo está oleoso, não é o cabelo que você tem que tratar, é o couro cabeludo. </p>
<p>Seu cabelo pode estar passando por condições temporárias, como ressecamento, pontas duplas, quebra, coloração, cabelo fragilizado e muitas outras. Isso não é seu tipo de cabelo, isso são consequências de agressões. Seu cabelo pode ser cacheado, liso, ondulado. Isso não é tipo de cabelo, é o formato do fio. Tipo de cabelo é fino, médio e grosso.</p>
<p>Tá tudo bem comprar produtos para cabelo (lembre-se: xampu não é para cabelo) de acordo com essas condições temporárias, mas esteja atento, pois quando essas condições mudarem, o cabelo vai ficar feio com esse produto, pois não precisa mais dele. “O cabelo enjoou, preciso trocar de produto”. Não é que o cabelo enjoou, ele não tem mais essa necessidade. Um cabelo ressecado, uma vez tratado e hidratado, não vai mais precisar de produto para cabelo ressecado.</p>
<p>A regra geral é: cabelos finos precisam de produtos mais leves. Cabelos médios podem usar qualquer coisa. Cabelos grossos precisam de produtos mais pesados. E, cá entre nós, você vai saber quando é o produto certo, pois seu cabelo fica feliz, fica lindo. E nem sempre ele precisa ser caro para isso.</p>
<p>“Mas Sally, fiz tudo que você falou e meu cabelo continua uma merda”. Ok, o problema pode não ser nos cuidados de limpeza. Outras coisas fazem o cabelo ficar uma merda.</p>
<p>Vamos pensar no seguinte: a parte do cabelo que foi danificada, já está danificada. O que ensinamos aqui é como parar de danificar seu cabelo. Daqui para frente, ele deve crescer melhor e se manter mais saudável, mas o dano que já ocorreu, você só reverte com um bom produto reparador. Recomendo o reparador da linha Bonding da Redken. Caso contrário, só cortando as partes danificadas. Mas, perceba, não adianta cortar as partes danificadas e continuar danificando o cabelo novo. Além de cortar, tem que passar a cuidar melhor do cabelo.</p>
<p>“Mas Sally, não é dano, meu cabelo está fraco, quebradiço, está caindo&#8230; devo estar usando algum produto errado”. Então&#8230; a menos que você tenha uma severa alergia ao produto, produtos para cabelo não causam queda se utilizados conforme a indicação do fabricante. Vamos conversar um pouco sobre como você está se alimentando?</p>
<p>O corpo precisa de matéria prima para fabricar o cabelo. Se você não comer uma quantidade justa de proteínas, carboidratos e vitaminas, seu cabelo vai ficar uma merda. E vai cair. Queda de cabelo pode ser estresse, sequela de doenças (como covid), má alimentação ou outros problemas de saúde. Em todo caso, queda é sempre um sinal de alerta, recomendo procurar um médico (dermatologista), pois se estivermos diante de algum quadro de alopécia, quanto antes tratar, maiores as chances de reverter o problema.</p>
<p>Não adianta dizer que é normal perder entre 50 a 100 fios de cabelo por dia, pois ninguém vai ser corno de contar quantos fios caíram. O que posso te dizer é: se está caindo mais do que costuma cair, procure um médico. Se há falhas visíveis no couro cabeludo, procure um médico. Não adie, em alguns casos, se esperar muito, a queda pode se tornar irreversível e a pessoa fica careca.</p>
<p>Supondo que não seja esse seu caso, que seja algo dentro da normalidade, apenas um cabelo danificado, também é prudente se perguntar com que frequência você limpa seus acessórios de cabelo. Escovas tem que ser limpas (retirar todos os fios de cabelo acumulados) e lavadas pelo menos uma vez por mês (com água morna e xampu, deixando secar bem em locais arejados para que não mofe). Prendedores de cabelo de tecido precisam ser lavados. Chapinhas e similares também. Sua fronha tem que ser trocada ao menos uma vez por semana (o ideal é a cada três dias). Você lava regularmente tudo que encosta no seu cabelo?</p>
<p>Vamos falar da parte mecânica também. Você prende seu cabelo? Com que? Coisas que você não deve fazer: prender o cabelo de forma muito “apertada”, “tensionada”, prender com objetos metálicos ou que possam danificar o fio (como aqueles elásticos que tem uma chapinha de metal na junção ou aqueles fininhos feitos de borracha), usar coisas na cabeça que abafem a região (como os calvos de amanhã que hoje passam o dia todo com boné). Revise como seu cabelo passa o dia. Se precisar prender, opte por tecidos gentis como cetim e prenda sem tensionar ou puxar muito os fios. E prender cabelo molhado nem pensar.</p>
<p>Como seu cabelo passa a noite também impacta sua aparência. Você já deve ter escutado da importância de dormir em uma fronha de cetim, para que o atrito com os fios não danifique o cabelo. De fato, ajuda. Mas que preço? Ficar escorregando do próprio travesseiro a noite toda? Se a intenção é proteger o cabelo, use sua fronha de algodão, durma sem cair do travesseiro e coloque uma touca de cetim&#8230; depois das luzes apagadas, pois é um acessório ridículo que te deixa parecendo o Toad do Super Mário.</p>
<p>O cabelo continua uma merda? Falemos de tintura e descoloração. Descolorir o cabelo é uma das maiores agressões que você pode fazer com ele. Se é esse o seu caso, a rotina de cuidados deste texto não será suficiente, é preciso uma rotina frequente de tratamento com produtos profissionais, que não costumam ser baratos. E é preciso seguir as instruções do fabricante. Nada de deixar o produto “mais tempo no cabelo para fazer mais efeito”. Isso não existe. O melhor efeito que o produto alcança é com o tempo que o fabricante coloca na embalagem. Trate e siga rigorosamente as instruções.</p>
<p>E muito cuidado com as receitas caseiras. Existem produtos perfeitamente seguros e testados de todos os preços disponíveis no mercado, tem certeza de que você quer improvisar? Melhor não. Se puder, use produtos profissionais, que de fato são melhores do que o resto. Se não, opte por marcas grandes, que tem um nome a zelar e terão mais cuidado com o que colocam no mercado. Teste diferentes produtos, seu cabelo vai deixar bem claro quando ele gostar ou não gostar deles.</p>
<p>Por fim, questões hormonais também podem afetar o cabelo. Talvez seja o caso de uma visita a um endocrinologista para ver se os hormônios estão bem antes de gastar uma fortuna com produtos. </p>
<p>Sendo bem sincera, eu acredito que só de lavar o couro cabeludo da forma como foi sugerida neste texto você já note uma melhora imediata no seu cabelo. Faça o teste e conte nos comentários.</p>
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		<title>Texto para quem está na merda.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2024 15:57:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
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					<description><![CDATA[Este é um texto para você que está triste, sem esperanças e descrente de tudo, inclusive da sua própria vida. Se você é feliz, pode salvar este texto para ler em momentos ruins da vida, pois eles chegam para todos. Pense neste texto como um pequeno empurrão para tentar te tirar da merda. Espero que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este é um texto para você que está triste, sem esperanças e descrente de tudo, inclusive da sua própria vida. Se você é feliz, pode salvar este texto para ler em momentos ruins da vida, pois eles chegam para todos. Pense neste texto como um pequeno empurrão para tentar te tirar da merda. Espero que seja útil, nem que seja pela raiva que você vai sentir de mim.<span id="more-24238"></span></p>
<p>Eu não sei o tamanho do problema que te deixou na merda, e, francamente, não faz muita diferença. O que para mim pode ser uma besteira, para você pode ser um grande problema e vice-versa. Sofrimento não se mede. Nem se desqualifica.</p>
<p>Então, esta é a primeira lição do texto: sofrimento não se mede. Se está doendo em você, vamos levar a sério. E não se culpe por estar doendo em você, neste momento você não pode fazer diferente. Se pudesse, faria. Ninguém escolhe sofrer. Provavelmente no futuro você poderá, pois vai sair desta experiência mais forte e mais experiente.</p>
<p>Novamente, eu não sei o tamanho do problema que está desgraçando sua vida, mas eu posso te assegurar que vai passar e que as coisas vão acabar se resolvendo. Será como você quer? Provavelmente não. Nada pessoal, geralmente nunca é como a gente quer. E que bom, pois somos meio idiotas, muitas vezes a nossa solução não seria a ideal. </p>
<p>Um problema, por maior que seja, se resolve de alguma forma, mesmo que não seja da forma que a gente quer. Às vezes nós mesmos conseguimos solucioná-lo. Às vezes recebemos ajuda para isso. Às vezes outras pessoas acabam resolvendo para a gente. E às vezes, meus queridos, a coisa se resolve sozinha. Então, por mais que pareça que não tem jeito, confia, que de alguma forma a coisa vai se solucionar.</p>
<p>Claro que confiar não é cruzar os braços. Faz o que estiver ao seu alcance. Pede ajuda para pessoas que você confie. Pesquisa, estuda, vê o que outras pessoas que passaram pelo mesmo problema que você fizeram. Escuta e lê a respeito do caminho dos outros, para aprender com seus erros e acertos. Prepare-se o melhor que puder para lidar com a situação. </p>
<p>E saiba que se tudo falhar, dificilmente ocorrerá esse pior cenário que você pinta na sua cabeça. Nossa cabeça costuma projetar cenários muito piores do que a realidade. Talvez realmente aconteça o que você teme, mas eu te garanto que você vai se sair muito melhor do que a sua cabeça imagina.</p>
<p>Tomara que você consiga resolver a situação que está te torturando da melhor forma possível. Tomara que você consiga muita ajuda e tenha muita sorte e que, de forma inesperada, tudo fique bem e exatamente do jeito que você quer. Mas, se não ficar, não quer dizer necessariamente que não foi bom ou que não foi um final feliz. No final das contas, as coisas vão ficar bem. Esse estado de sofrimento intenso não é a sua nova realidade, ele é passageiro.</p>
<p>Claro que agora, no olho do furacão, no auge do desespero, no momento de mais estresse, medo e ansiedade, você não vai conseguir ver uma solução possível. Nenhum de nós consegue. Medo e desespero cegam. Então, este texto é para te dizer que tem um monte de solução possível e desfecho bom que você não está conseguindo ver por estar cego. E que você não precisa vê-los para que eles aconteçam. Se apega a isso. Saiba que existem boas possibilidades, mesmo que você não consiga vê-las agora.</p>
<p>E mesmo que as melhores possibilidades não aconteçam, no final, você vai ficar bem, pois tudo passa. A impermanência é uma das melhores e piores coisas da vida: o que é ruim passa com o tempo e o que é bom também. Obviamente, no auge da dor, desespero e sofrimento é seu sagrado direito me mandar enfiar essa conversa gratiluz no meio do meu cu, e pode mandar mesmo, pois quando estamos estressados ela parece fantasiosa.</p>
<p>Mas é verdade. O tempo atenua o sofrimento. As coisas passam. Aprendemos a lidar melhor com elas e o que parece o fim do mundo hoje, em seis meses já não dói tanto assim. Não é lenda: podemos ressignificar tudo que sentimos e tudo que nos acontece. Basta não ficar preso no esperneio de sofrer pelo fato da solução não ter sido a que você queria.</p>
<p>As coisas têm o valor que escolhemos dar a elas. Está nas suas mãos o grau de sofrimento que você terá. Novamente, pode me mandar tomar no cu, não espero que você acredite em mim neste momento. Só quero plantar essa sementinha na sua cabeça para que, quando você esteja melhor, lembre dela a ela possa florescer.</p>
<p>“Para você é fácil falar”, alguém dirá. Ok, normalmente eu não falo sobre a minha vida pessoal, mas entendo que possa ser produtivo dedicar dois parágrafos dela a este texto: em 2020 minha mãe faleceu após anos lutando contra um câncer avassalador, anos de muito sofrimento e dor. Tínhamos o diagnóstico de morte certa e eu tive que cuidar dela e olhar para a cara dela todos os dias sabendo que ela estava morrendo. </p>
<p>Ainda assim, na esperança por um tratamento experimental, vendi meu apartamento para me mudar com ela para outro país que permitia esse tratamento (o Brasil não permitia). Quando faltavam 20 dias para a viagem, ela faleceu. Decidi ir para esse país mesmo assim, pois estava tudo pago e eu não tinha mais onde morar. Veio a pandemia e o país fechou as fronteiras. Eu estava sem casa, sem a minha mãe e sem ideia do que fazer. Fui para um terceiro país, às pressas, no atropelo, sem planejamento. Meu marido me encontraria uma semana depois lá (teve que ficar por questões de trabalho). As fronteiras do país ao qual me mudei fecharam e ficaram fechadas por um ano. Fiquei um ano de luto, em um país novo, longe do meu marido, em meio a uma pandemia.</p>
<p>Se eu superei isso, você também vai. Parece que a gente não vai superar, mas quando chega a hora da verdade, a gente tira forças do cu e a coisa anda, aos trancos e barrancos, mas anda. Não vai ser agradável, não vai ser fácil, não vai ser o que a gente gostaria, mas tem uma luz no fim do túnel, você só tem que se encarregar de sobreviver para ver.</p>
<p>Muita gente que você esperava não vai te estender a mão. Mas, muita gente que você não esperava vai te estender a mão. Muita coisa que você achava que seria fácil será super difícil. Muita coisa que você achava que seria super difícil vai ser fácil. Seu maior inimigo agora é você mesmo: as projeções de medo e desesperança que sua cabeça vai fazer. Um dia de cada vez. Lembre-se: o tempo não cura tudo, mas melhora a situação e permite que você comece a ter forças para superar o que quer que seja.</p>
<p>O ser humano é muito resiliente. Estamos meio mimadinhos pela tecnologia, querendo tudo rápido, tudo do nosso jeito, tudo da forma mais fácil, porém, quando a corda aperta, somos extremamente capazes de adaptações. </p>
<p>Não importa o quanto você desgoste de uma nova realidade, saiba que com o passar do tempo você vai se adaptar (ainda que parcialmente) a ela, vai ter forças para fazer o que for necessário para sair dela e, por fim, em algum momento ela mudará. Impermanência, lembra?</p>
<p>O fato de, neste momento, você estar rendido, no chão, inerte, sem esperanças, sem forças e sem ver uma saída não quer dizer que essa seja sua realidade nem que essa será sua realidade. Melhora. Eu prometo. Você não vai conseguir ver isso agora, justamente por isso estou escrevendo este texto: melhora, eu prometo. Por pior que pareça, por mais sem saída que pareça, por mais impossível que pareça. Melhora.</p>
<p>Melhora tanto a situação (que provavelmente não será tão difícil como você pensa) como você e seu estado anímico (com o tempo você ficará mais forte, mais racional e mais apto a resolver ou dar a volta por cima). Essa realidade que você está vivendo agora, de dor, sofrimento, desespero e desesperança, ela não será sua nova realidade, não será permanente. Ela vai melhorar. Eu prometo. E quem é meu leitor sabe que eu não prometo quase nada, eu não minto para vocês.</p>
<p>Agora, neste exato momento de dor, sofrimento e desespero, você não tem que fazer nada. Você não pode fazer nada. Quando tomamos alguma decisão no olho do furacão, invariavelmente fazemos merda. Precisamos de clareza e serenidade mental para tomar boas decisões. Então, apenas cuide o melhor que puder da sua saúde física e mental e espere o pior da tempestade passar. Acredite, aos poucos, a clareza volta, e com ela, melhores respostas e estratégias.</p>
<p>Eu sei que sentar no meio de uma tempestade e não fazer nada é um pouco desesperador, mas todos nós vamos precisar fazer isso algumas vezes na vida. Faz as pazes com a danação, sem deixar que ela te consuma. Abraça a ideia de que tudo vai melhorar, de um jeito ou de outro. Abraça a ideia de que no futuro você terá melhores condições de superar tudo isso e solucionar o que quer que seja – e que se você não puder solucionar, vai aprender a viver com isso.</p>
<p>Nessas horas também é importante lembrar que, por mais que pareça, você não está sozinho. Ninguém está. Mesmo que não seja evidente para você agora, em algum lugar tem ao menos uma pessoa que te quer bem, que está torcendo por você, que é grata a você, que foi impactada por você de forma positiva. E, mesmo em silêncio, essas pessoas ajudam. Mesmo que você não saiba como, essas pessoas ajudam. Nós, inclusive. Se eu puder te ajudar de alguma forma, por favor, deixe nos comentários.</p>
<p>E, por consequência, também tem gente que ficaria muito triste se você não conseguisse superar isso. Não estou falando em decepção e sim de pessoas para as quais você faria falta. Pessoas do passado, presente e futuro que perderão com a sua ausência. Pessoas que você poderia fazer feliz, ajudar ou construir algo de bom. Superar o que quer que esteja acontecendo com você agora é importante, não só para você, mas para todas essas pessoas também.</p>
<p>Acredite, se você está aqui, agora, é porque ainda tem muita coisa para fazer neste planeta desgracento. Eu sei que nesse exato momento você não está com vontade de nada, e acho justo, pois você está tomando no cu. Mas em um futuro, tem coisa para você fazer aqui. Surgirão coisas boas quando você menos esperar. Você começará a superar isso quando menos esperar. Em algum momento vem um sinal de que sua presença aqui é importante, é só estar atento para conseguir entendê-lo.</p>
<p>Muitas coisas boas aparecerão na sua vida. Ruins também, não vou mentir. Mas não serão apenas coisas ruins. E se você aprender a não focar tanto nas ruins e focar mais nas boas, a vida vai ficando mais fácil e agradável. O melhor está por vir.</p>
<p>E é justo que você não acredite em mim, afinal, quando as coisas boas demoram a chegar a gente realmente acha que elas nunca virão. Mas virão. Sua parte é estar receptivo para que elas possam entrar na sua vida. Não precisa estar feliz, alegre ou eufórico, elas só precisam de uma frestinha de porta aberta para entrar.</p>
<p>Tem gente que se fodeu muito mais do que você na vida e está bem hoje. Tem gente que tem muito menos do que você tem e encontrou uma forma de ser feliz. Você também vai. </p>
<p>Isso que você está sentindo agora, por mais forte que seja, por mais que pareça que não vai passar nunca, vai passar. Só aguenta mais um pouquinho e faz a tua parte: não se apega ao sofrimento e abre espaço para coisas boas entrarem. Elas vêm. Eu prometo.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que não acredita em nada do que eu falei (não tem problema, não é religião, não precisa da sua crença para acontecer), para dizer que precisava deste texto (estamos aqui para conversar nos comentários se quiser) ou ainda para dizer que para um texto que se propõe a ajudar, a palavra “cu” aparece mais vezes do que você esperava: <a href="#respond">comente</a>.</p>
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