Só para o Newton não se sentir negligenciado...

ATENÇÃO: ESTE TEXTO RESPEITA AS LEIS VIGENTES.

Ah, a gravitação… A força troll da natureza. O foco do texto de hoje é exemplificar o quanto essa força de atração natural entre tudo o que tem massa no universo adora nos sacanear.

(E este texto nem vai falar sobre peitos caídos…)

Comecemos distinguindo gravidade e gravitação. Gravidade é o que observamos aqui na Terra. Gravitação é o nome da força que causa isso. O título fala de gravidade, mas o foco é a gravitação mesmo. (Aposto que você ficaria com mais preguiça de ler se visse gravitação.)

PEQUENOS PODERES:

O quê? Você não sabe nada sobre mecânica quântica? Ninguém mandou perder todo aquele tempo fazendo sexo… Mas tudo bem, o desfavor vai explicar alguns conceitos básicos (BEM básicos) para que você não tenha de fingir que entendeu alguma coisa nos comentários.

A mecânica quântica estuda tudo o que é pequeno demais para ser explicado por outras teorias. Átomos e suas subdivisões, além de várias outras partículas menores que um átomo. (Como, por exemplo, a luz. Formada por fótons.)

Desde que se começou a pesquisar direito o que seriam esses tais de átomos, uma excelente dúvida tomou conta da mente dos cientistas: O que diabos faz eles ficarem juntos para formar alguma estrutura maior?

Muitos teorizaram, muitos estudaram, mas só depois das pesquisas e descobertas de Ernest Rutherford, e mais tarde Niels Bohr, que finalmente o átomo começou a fazer mais sentido. Foi uma festa, com os prótons, nêutrons e elétrons, a Química abraçou o conceito e foi definindo porque algumas coisas ficavam juntas e outras separadas. (Não é o objetivo do texto se alongar por aqui. E você deveria saber isso se terminou pelo menos o segundo grau, seu desfavor!)

Mas, continuaram fuçando. Algumas coisas ainda estavam MUITO erradas com a idéia de um átomo não explodir por causa das forças eletromagnéticas em ação ali. A física “habitual” ia para as cucuias dentro do átomo. E com a descoberta dos quarks e léptons, subdivisões das subdivisões do átomo, não dava mais para tratar o subatômico de forma semelhante ao observável.

Pois bem, essa explicação “que nem o nariz” é para chegarmos às quatro forças fundamentais, que ajudam a responder aquela pergunta sobre o que faz os átomos ficarem juntos e a nova sobre como o átomo pode ficar íntegro com tanto eletromagnetismo bagunçando a ordem de suas subdivisões.

Sim, eu deveria estar falando sobre gravidade. Estou chegando lá.

As forças fundamentais são:

Força nuclear forte e fraca: Pelo bem da sua paciência, é melhor não explicar porque uma é fraca e a outra forte. Pesquise por conta própria ou considere que uma malha mais que a outra. E essa força é a mais poderosa que temos conhecimento. (Pelo menos por si só.) É a força nuclear que segura o que forma o átomo no lugar. Para vocês terem uma idéia, quando se “mexe” nessa força para ela deixar de manter os átomos no lugar, ocorre uma fissão nuclear. E se você não sabe o que é isso:

Bomba atômica

Força eletromagnética: Essa é uma das mais fáceis de entender. Só não é mais forte que as forças nucleares. Por isso um átomo pode se ligar a outros e não se desintegrar no processo. (Ainda bem!) Se você já viu um imã em funcionamento, sabe o que ela faz.

Força da gravidade: É o que te mantém no chão. Mas aqui entra o primeiro motivo pelo qual a gravidade é uma força troll. Ela é INCRIVELMENTE mais fraca que as outras forças descritas anteriormente. Eu quero que vocês se concentrem no INCRIVELMENTE mais fraca. Porque é bem assim, a gravidade não ganha de nenhuma outra força, nem toda a gravidade do universo tem força para sequer perturbar a força nuclear entre dois míseros quarks.

Um simples imã consegue vencer a força gravitacional do planeta inteiro.

Mas… vai dizer que não achava que ela era forte? Percebam o golpe:

A gravidade atrai: E não faz mais nada. Digamos que é um prêmio pela persistência. As outras forças ficam se pegando com atração e repulsão o tempo todo, mas a gravidade continua focada. Cada vez que uma das outras forças se anula, a gravitação faz seu trabalho. A gravidade é aquela vadia que espera o casal brigar para dar em cima do homem.

A gravidade não termina: Neste exato momento, um dos átomos que forma a sua bunda está atraindo a estrela mais distante conhecida. E vice-versa. (Você é um(a) vadio(a), querendo ou não.) O que acontece é que a partir de uma distância, essa atração já não é mais relevante. O planeta Terra exerce mais força por estar mais perto e acaba vencendo o braço-de-ferro. Se o Sol estivesse mais perto de nós, por exemplo, essa equação já não seria mais a mesma. A força da gravitação está o tempo todo influindo em nós.

A gravidade depende da massa: E aqui fica mais fácil de entender usando outra força… Um imã pode atrair um prego. Um milhão de imãs juntos podem atrair um avião. Se cada átomo está atraindo alguma coisa com a gravitação, quanto mais próximos os átomos estiverem uns dos outros, mais comum vai ser o centro de atração. E quanto mais átomos apertados num mesmo lugar, maior a massa e a densidade desse lugar. A união faz a força.

O que nos leva a conclusões interessantes como: “Somir é mais atraente que Sally”. Como Somir tem mais massa, sua atração gravitacional é maior!

Eu disse que a gravitação era um instrumento de trollagem…

Desde o primeiro tombo do primeiro homem das cavernas, desde Newton e sua mitológica maçã, desde Einstein e sua Teoria da Relatividade, a humanidade vai conhecendo melhor essa nossa companheira inseparável. A mecânica quântica chegou para apontar para a gravitação e dizer o que ela realmente era.

Pois é… Não funcionou. As outras forças, várias outras partículas e definições sobre o microcosmo já podem ser comprovadas e estudadas. Mas a gravitação… Imagina-se que uma partícula chamada gráviton seja a responsável por essa força. Mas provar sua existência são outros quinhentos.

Vários desses elementos que compõem a física quântica não podem sequer ser observados. Não existe tecnologia para vê-los, mas existem formas de interagir com eles e definir que eles estão mesmo ali. (Considerando, é claro, o princípio da Incerteza… Onde, mas não quando. Quando, mas não onde.)

Mas… Como se vai interagir com uma força tão ridiculamente inexpressiva como a gravitação? E é nesse “apagão” do conhecimento onde se forma uma das maiores sacanagens da gravitação com a Física.

GRANDES ASPIRAÇÕES:

Super teoria de super tudo! Faz muito sentido que já que as coisas minúsculas se juntam para se forma coisas maiores, tudo siga uma lógica razoável desde o micro até o macro, certo?

Quem nos dera! De um lado temos a Teoria da Relatividade explicando com muita lógica como o grande universo ao nosso redor funciona. De outro temos a mecânica quântica explicando com tanta ou mais lógica como as coisas pequenas demais para ser observadas interagem.

Mas entre elas, um abismo. A relatividade não funciona bem no campo da quântica e a quântica não faz muito sentido no universo da relatividade. Os físicos tentam de todos os jeitos fazer as duas se entenderem, mas até esse exato momento, o máximo que temos são teorias bonitas que não podem ser provadas. (Teoria das cordas, por exemplo…)

E adivinhem só quem está bem no meio desse abismo tirando sarro dos dois lados? Exato, nossa querida força troll. A força insignificante que influi com extrema violência no universo todo.

Portanto, no meio do caminho entre mecânica quântica e relatividade geral, farei como os melhores cientistas do mundo e direi: Sei lá! (Se eu sacasse qual a conexão entre as duas, eu não escreveria aqui, iria ganhar o meu Nobel!) Vamos para a gravidade de gente grande.

Eu já tinha falado que a gravidade só atrai e nunca se cansa de fazer isso. Mas… por que não estamos indo em direção ao Sol? Afinal, com aquela massa toda, faria sentido que fôssemos sugados pelo gigante amarelo em questão de anos…

E quem disse que não estamos indo? Na verdade estamos “caindo” no Sol a uma velocidade impressionante. Só não batemos na bola de fogo pelo mesmo motivo que a Lua não bate na Terra. A velocidade da queda. Também conhecida como órbita. Nunca parou para pensar porque as galáxias e sistemas planetários são arredondados e não retos/quadrados?

Quando jogamos uma pedra para o alto aqui na Terra, ela tende a cair… feito uma pedra, não? Quanto mais força você fizer, mais longe ela vai. Imagine só se você lançasse uma pedra sem o atrito do ar numa velocidade compatível com o giro do planeta sobre seu próprio eixo. A cada vez que a pedra tentasse “cair”, ela não encontraria mais chão. É isso que mantém os satélites em órbita, o fato deles não pararem de cair. E é a gravidade que não os deixa ir embora.

O Sol nos atrai, mas não temos onde cair. O Sol nos atrai, por isso continuamos mais ou menos no mesmo lugar.

(Essa explicação deve ter deixado muito físico com o cabelo em pé. Mas o desfavor explica é começo de pesquisa, não fim…)

O melhor jeito de imaginar a gravidade em largas escalas é pensar num pano esticado no ar com uma bola de metal no meio. O pano vai se deformar pelo peso da bola. Se você colocar outro bolinha menor em cima do pano, ela vai rolar para a maior. Se você colocar outra maior do que a original, ela vai gerar uma deformação maior ainda e atrair a que já estava lá.

Um buraco negro nada mais é do que um objeto pesadíssimo em cima desse pano. Pode jogar o que quiser ali em cima que vai acabar rolando para perto, aumentando mais ainda a deformação.

E o pano esticado nada mais é do que o nosso universo. A diferença é que num universo (no mínimo) quadrimensional, a massa deforma o pano em todos os sentidos ao mesmo tempo. (Tem forma melhor para isso do que a esfera?)

A gravitação define quase todas as interações visíveis, e está sempre tirando uma com a cara de quem se dispõe a entendê-la. Bem-vindos ao rol de trollados.

Para dizer que não entendeu porra nenhuma, para dizer que se sentiu estranhamente atraído(a) por mim ou mesmo para dar chilique pela idéia de que orbitamos o Sol por não ter onde cair: somir@desfavor.com

Conte com eles?

Não sou chegada a teorias conspiratórias, acho brega. Mas o que venho lhes dizer hoje passa longe da conspiração, por mais fantasioso que possa parecer. Talvez vocês encontrem algumas versões mais alarmistas e enfeitadas sobre o tema e talvez elas sejam até verdadeiras, mas aqui me limito a escrever apenas sobre o que tenho absoluta certeza, em nome da minha credibilidade, então, muitas informações das quais não tenho certeza foram cortadas.

Pois bem, o Desfavor Explica de hoje é sobre os NUMERATI. Já ouviu falar? Muitas pessoas não. Numerati é o nome dado a um grupo de pessoas especialistas em transformar comportamentos humanos em equações matemáticas na intenção de prevê-los, catalogá-los e avaliá-los. Modelos matemáticos da sua personalidade, gostos, comportamentos e produtividade. Grandes empresas como a IBM já vem aplicando esse tipo de “avaliação” para verificar o quanto vale cada funcionário seu, o quanto ele rende e como melhorar sua produtividade. A questão é, será que um cálculo matemático consegue expressar os prós e contras de um ser humano?

A técnica dos Numerati vem sendo utilizadas não apenas no mercado de trabalho. Na política, por exemplo. Obama se elegeu com auxílio de renomados Numerati. Para quem tiver curiosidade, o nome do mentor da campanha é Josh Gotbaum. Como eles atuam? Fazem pesquisas para esmiuçar os hábito, preferências e valores de determinado grupo e são complementadas com uma vasta pesquisa dos hábitos de consumo. Com estas informações nas mãos, traçam um perfil detalhado de cada grupo eleitoral e fazem uma campanha “personalizada”, voltada principalmente para os indecisos, muito certeira, uma vez que os valores e preferências desse grupo já foram dissecados. O candidato acaba falando, para aqueles grupos, exatamente o que eles querem ouvir, porque os Numerati já passaram a cola.

Além do mercado de trabalho e política, os Numerati vem sendo requisitados no mercado de consumo também. Vou citar um exemplo. Mimos inocentes oferecidos por redes de supermercados, como cartões de fidelização, são fontes importantes de informações para os Numerati. Com estes cartões eles tem acesso aos produtos que você costuma comprar com maior freqüência e isso lhes permite traçar o seu perfil e até fazer ofertas especializadas para agradar e fidelizar o consumidor. Nos EUA, uma rede de consultoria chamada Accenture desenvolveu um software para descobrir como convencer consumidores a testar novas marcas. Funciona assim: fazem cálculos com base nos dados que tem do consumidor (gasto médio, renda familiar e produtos de preferência) para calcular um desconto que justifique uma troca de marca. Por exemplo, se o consumidor só compra Coca-Cola, eles calculam quanto uma Pepsi tem que estar mais barata para que se torne uma oferta irresistível para aquela pessoa, com aqueles gostos e com aquela renda.

Nada se salva. Até as relações pessoais estão na mira dos Numerati. Existem sites de relacionamentos (aqueles onde você supostamente vai achar seu par ideal) que vem usando a matemática Numerati para unir casais que, segundo cálculos, teriam uma afinidade maior. No site chemistry.com (não, eu não freqüento, ok?) as perguntas que a pessoa tem que responder para se cadastrar tem a intenção de avaliar não só sua personalidade, como também os hormônios que predominam no seu corpo e influenciam em sua personalidade. Eles tentam juntar combinações de pessoas que se complementem em diversos aspectos biológicos, por exemplo, unir pessoas com mais testosterona, que são consideradas mais analíticas, com pessoas com mais estrogênio mais intuitivas.

Ao contrário do que dizem alguns histéricos por aí, os Numerati não são necessariamente maus. É uma nova forma de aplicação da matemática nas relações interpessoais que pode ser usada para o bem ou para o mal. Nem sempre eles são “espiões” e nem sempre querem nos manipular. Muitas vezes estas equações e banco de dados podem ser utilizados para o nosso bem, como por exemplo, na medicina, onde se pode calcular a probabilidade e riscos de determinados comportamentos, escolhas e hábitos na nossa saúde. Podem até mesmo diagnosticar uma doença antes que ela manifestes sintomas em nosso organismo.

O grande problema não são os Numerati em si e sim a forma como isso vai ser utilizado. Para aplicar estes conhecimentos de forma benéfica seria preciso bom senso e respeito, artigos de luxo quando se trata de seres humanos. Duvido muito que predomine o bom senso e o respeito. Quando se trata de ser humano, o que costuma predominar é ambição, ganância e interesse pessoal. Quando os Numerati aplicam suas equações na nossa vida privada sem o nosso conhecimento e autorização a coisa começa a ficar perigosa. Isso configura uma invasão de privacidade. Tecnicamente, não é invasão de privacidade, porque eles não obtém os dados de forma fraudulenta ou ilegal, mas ainda assim, eu me sentiria invadida. E você?

Hoje em dia, praticamente tudo que a gente faz acaba deixando um rastro de informação a nosso respeito. Uma compra no cartão de crédito, um e-mail, uma pesquisa por uma palavra no Google. Eu fiz um teste no começo do ano, quando saiu uma matéria na revista Superinteressante sobre os Numerati, justamente para escrever este texto (que seria um Sally Surtada, mas virou Desfavor Explica). Todos os dias entrei com meu login no Google e em outros sites como Mercado Livre, Yahoo e cia, procurando por produtos para bebês. Não tenho filhos e não estou grávida. Mas comecei a receber e-mails publicitários me oferecendo descontos em produtos para bebês. Coincidência?

Os comentários deixados em blogs também são avaliados pelos Numerati, sabiam? Um Numerati chamado Howard Kaushansky desenvolveu softwares capazes de “entender” o contexto da frase que está sendo dita e avaliar mais de 35.000 comentários em cinco minutos. Pobre Sally Somir, ela vai ter muita dificuldade para conseguir um emprego depois das diversas barbaridades que ela andou comentando por aí nos blogs!

O assunto é novo mas já existem livros falando a esse respeito. O mais famoso é o The Numerati, de Stephen Baker, foi muito badalado, não tem como não fazer menção a ele. No livro ele detalha como o trabalho dos Numerati pode ser aplicado nos mais diversos grupos sociais, desde consumidores até mesmo terroristas. Sem querer ser esnobe, não vale a leitura. Achei repetitivo e sem poder de síntese. Apenas uma curiosidade que eu acho que merece destaque: ele conta que todo mês o Yahoo reúne 110 bilhões de dados sobre seus usuários. O Google estava ficando para trás, não conseguia tantos dados, por isso criou o GMail, para “nos conhecer melhor”. Você tem GMail? Créu na quinta velocidade para você! Novamente: pobre Sally Somir, nunca vai arrumar um emprego quando virem as coisas que ela procura no Google.

Não tem como fugir dos Numerati. A menos que você se isole no alto de uma montanha. Uma ligação no celular, um pagamento de pedágio, uma compra no cartão de crédito… tudo vai sendo computado. A vida moderna nos obriga a fornecer material aos Numerati. E no Brasil, a coisa ainda está light, porque nosso Governo é imbecilóide e incompetente (até que enfim algum benefício nisso!). Pensem como seria perigosa a atuação de Numeratis em um país com Governo forte, bem estruturado, que queira manter a população na rédea curta! Praticamente um Big Brother – não o programa de TV, e sim o do livro 1984. Recentemente tive o prazer de conhecer a Suellen e tivemos uma conversa sobre os Numerati quando saímos para jantar. Chegamos a conclusões assustadoras – que não cabem aqui.

Não adianta espernear, os Numerati são uma realidade. Sou contra essa postura rebelde-revolucionária de se bater de frente com as instituições das quais não gostamos. Fracamente, acho que não adianta nada. Euzinha com mais meia dúzia de amiguinhos não vamos derrubar o Google. É vexame tentar. Não vou ficar dando murro em ponta de faca. Mas também não precisamos nos entregar e nos resignar em ser zebras. Abolir os Numerati não é a solução, eles podem ser benéficos para muitos de nós! Só para variar, vamos usar a inteligência.

Convoco todos vocês, que já tem ao menos uma iniciação troll, a trollar silenciosamente os Numerati. Sem alarde, sem escândalo, sem briga. Apenas vamos mostrar que o ser humano não é mensurável por equações matemáticas. Já induziu um Numerati a erro hoje? Está esperando o quê?

Para me perguntar se eu vendo seus comentários no desfavor para algum Numerati, para me perguntar se o nosso Presidente da República sabe ao menos pronunciar a palavra Numerati e para me dizer que está muito surpreso com o fato de eu saber escrever sobre outras coisas que não envolvam relacionamentos: sally@desfavor.com

Eu paro quando quiser...

Uma das bebidas mais vendidas no mundo, comercializada em mais de 140 países. Vício para uns, vilã para outros. O Desfavor Explica de hoje é sobre nosso doce veneno, Coca-Cola.

Antes de mais nada, quero informar que para escrever este texto pedi ajuda de profissionais avalizados. Todas as informações técnicas que podem ser vistas aqui me foram passadas por técnicos da área. E desde já agradeço a compreensão e paciência dos três que consultei em responder minhas intermináveis perguntas (dou uma folha de coca para quem adivinhar em que empresa eles trabalham).

A Coca-Cola foi criada pelo farmacêutico John Pemberton, em 1886. Não foi criada como uma bebida e sim como um remédio patenteado (era um “tônico para os nervos”, o que quer que isso signifique). Usava como estimulante a folha de coca (essa mesma, a da cocaína), o que alimentou uma lenda urbana que Coca-Cola contém cocaína até os dias de hoje. Com o tempo, o estimulante foi substituído pela cafeína, entretanto, a folha de coca ainda é usada para dar sabor à bebida, porém essa folha não tem qualquer potencial entorpecente. Até 1915, a Coca-Cola de fato continha uma pequena quantidade de cocaína (o que na época era permitido). Depois disso, foi suprimida e restou apenas a folha de coca.

A bebida recebeu esse nome porque era composta de folhas de COCA e o sabor era oriundo da noz de COLA (uma plantinha africana).

Com o tempo e com algumas alterações em sua fórmula e uma campanha de marketing muito eficiente, entrou no mercado como uma das bebidas mais consumidas no mundo. Nos primórdios, o concentrado da bebida (xarope que dá origem ao refrigerante) era armazenado em barris vermelhos. Por isso adotaram o vermelho como cor oficial da marca e fizera disso uma característica marcante. Grandes trolls da publicidade fazem isso: capitalizam em cima de tudo para tornar o produto onipresente.

O nome do responsável pela marca Coca-Cola é Asa Griggs Candler. Esse gênio da trollagem alimentar nos empurrou essa bosta goela abaixo e nos fez crer que seu sabor é agradável. Desenvolveu uma estratégia de marketing massificando a presença da Coca-Cola na vida dos consumidores: distribuiu objetos com a marca da Coca-Cola para os comerciantes locais, de modo que ela se torne onipresente, espalhou as Coke Machines para permitir que o consumidor tenha acesso à bebida em todos os lugares e criou embalagens portáteis que permitiam beber Coca-Cola em qualquer lugar.

Também associou a Coca-Cola à família, com propagandas onde ela era a bebida oficial do almoço de domingo. Criaram na Coca-Cola uma idéia de originalidade, rebaixando os concorrentes a meras “cópias”. Fizeram uma garrafa exclusiva, chamada “Contour”, que o consumidor poderia reconhecer sem rótulo, até mesmo de olhos vendados ou no escuro, graças a seu design original, que foi um sucesso, uma marca em si mesma. Esta sucessão acertos publicitários alavancou o sucesso da bebida. Mas é claro que não foi apenas marketing. A bebida, por sua fórmula, conquistou nossos organismos.

Vamos à grande pergunta que não quer calar: a fórmula secreta da Coca-Cola. Como pode ser que nenhum outro refrigerante a tenha descoberto e imitado? Como pode uma bebida fabricada há mais de cem anos manter em sigilo sua fórmula? Eu sempre acreditei nessa lenda urbana de que a fórmula da Coca-Cola era secreta e apenas dois executivos sabiam seu conteúdo, cada um conhecendo apenas a metade da fórmula. Estava errada. Até parece que existem segredos na era da internet.

Senhoras e Senhores, o Desfavor lhes dá a fórmula da Coca-Cola: concentrado de açúcar queimado (vulgo “caramelo”, que é o que lhe dá essa cor escura), ácido ortofosfórico (um “veneno” do qual falarei mais tarde), sacarose (vulgo açúcar, mais precisamente açúcar da frutose do milho), extrato da folha da planta de coca (calma, não é cocaína), cafeína (que faz com que as pessoas que ingerem Coca-Cola se mantenham mais alertas e concentradas), conservantes, Dióxido de Carbono e meu grande inimigo, o Sódio.

“Mas Sally, se todo mundo sabe a fórmula, porque os concorrentes tem gosto de xarope? Porque não fazem bebidas tão gostosas como a Coca-Cola?”. É aqui que começa a baixaria. Não é inteligente escrever o que eu vou escrever, mas eu vou escrever mesmo assim e na pior das hipóteses, isso vira um Processa EU. Já pensou? Ser processada pela Coca-Cola? As outras marcas usam em sua composição uma substância chamada ácido cítrico. A Coca usa ácido ortofosfórico. O ácido ortofosfórico causa uma falsa sensação de leveza, de boca limpa, de refrescância que torna a Coca-Cola mais agradável que a concorrência. Ele é o diferencial. Sem ele a Coca-Cola seria intragável. Mas, se ele é o pulo do gato, porque os demais refrigerantes não o usam?

Simples. Porque é proibido. Só a Coca-Cola tem permissão. Porque é proibido? Porque pode causar uma série de malefício à saúde, quando consumido em excesso, como corrosão do esmalte dos dentes, osteoporose e comprometimento da formação óssea e dentária de uma criança. Ele rouba cálcio do organismo, por isso pode causar esses e muitos outros estragos. Pergunta número dois: se mais ninguém pode usar, porque a Coca-Cola pode? Não sei responder. Ninguém sabe responder. Tirem suas próprias conclusões.

Já fizeram um grande alarde sobre a presença da folha de coca na Coca-Cola. Um laudo do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal concluiu que a Coca-Cola do Brasil usa sim folhas de coca como matéria prima do extrato vegetal que dá origem à bebida. Isso não quer dizer que a Coca-Cola seja uma droga, nem que vicie (até vicia, mas é pelo açúcar e pelo sódio). A folha de coca não é sinônimo de cocaína, não contém alcalóides entorpecentes. Mas então porque tanto barulho? Porque o uso da folha de coca não seria permitido por lei, mesmo que não tenha efeitos entorpecentes. Segue um trecho do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal:

“… as folhas de coca provenientes do vegetal cientificamente denominado Erytroxylum novagranatense, variedade truxillensi, cultivada no Peru, são utilizadas como matéria-prima na fabricação do extrato vegetal a partir do qual é fabricado o refrigerante Coca-Cola (…) as análises químicas realizadas (…) não revelaram a presença de cocaína e outras substâncias entorpecentes e/ou psicotrópicas na composição dos extratos vegetais”.

Na época em que explodiu a controvérsia, o chefão da marca de refrigerantes Dolly foi à imprensa questionar porque a Coca-Cola poderia usar folhas de coca em sua composição se a legislação brasileira proibia sua utilização e de qualquer derivado da folha de coca. O Presidente do Instituto Brasileiro de Auditoria em Vigilância Sanitária disse que, a rigor, o produto deveria ter sua comercialização suspensa.

Desde então, começou uma briga onde de um lado se pede a suspensão da comercialização pelo descumprimento à lei, e do outro a Coca-Cola alegando que não contém substâncias entorpecentes, logo, não faz mal à saúde, logo, não precisa respeitar essa lei. Teve de tudo um pouco, ação judicial, ameaça de morte e boicote. E ninguém fala na porra do ácido ortofosfórico, que mais ninguém pode usar e que é o que realmente está fodendo com a saúde das pessoas.

E não é só o ácido ortofosfórico que faz mal ao organismo humano. O teor de acidez da Coca-Cola é assustador, seu PH é de 2.5, algo próximo ao vinagre ou ao nosso suco gástrico. Tá pouco? Quer mais? Coca-Cola tem uma quantidade elevada de sódio. Cloreto de Sódio provoca uma sensação “refrescante”, o que não passa de uma armadilha, porque acaba causando uma sede ainda maior. Daí essa vontade de beber mais Coca-Cola. E o sódio vai entrando… causando retenção hídrica no seu organismo, vulgo celulite.

A bebida também contém muito açúcar, mas não enjoa porque essa quantidade de sódio compensa e imensa quantidade de açúcar. Um “anula” o outro, nos fazendo ingerir ambos em doses cavalares. Cerca de 10% da Coca-Cola são de açúcar, ou seja, você bebe aproximadamente dez colheres de açúcar de uma vez. E o maldito ácido ortofosfórico combinado com o sódio faz com que você não sinta que está ingerindo tanto açúcar.

Quando tanto açúcar entra no organismo, há produção de insulina para tentar conter o estrago. O fígado transforma esse açúcar em gordura e com o tempo você não cabe mais na sua calça, parte por culpa do açúcar (gordura), parte por culpa do sódio (retenção de líquidos). Todo esse açúcar que você ingeriu é estocado pelo seu organismo, ou seja, aproximadamente duas horas depois, por causa do aumento da produção de insulina, seu organismo deu conta do açúcar, que fica baixo outra vez e você está com vontade de beber Coca-Cola novamente.

Além disso, duas horas depois a cafeína também já parou de fazer efeito. A “euforia da Coca-Cola” passou. Por isso, as pessoas bebem mais, sobrecarregando novamente seu organismo, enquanto o ácido ortofosfórico se encarrega de levar embora pelo intestino grosso seu cálcio, magnésio, zinco e outros.

Porque nosso organismo pede mais de uma coisa que faz mal? Muitos e muitos anos atrás, quando o ser humano caçava para se alimentar, o organismo se acostumou a estocar o máximo que podia, porque nunca se sabia quando seria a próxima refeição. Hoje, por resquício daqueles tempos, o corpo “pede” comidas gordurosas ou açucaradas, para estocar em caso de necessidade, mesmo sem precisar. Sobrevivia quem mais estocava. Esses foram os genes que prosperaram. Açúcar vicia, é um fato científico.

E para quem pensa que estará seguro tomando a versão diet… só lamento. A versão sem açúcar é adoçada com aspartame. O aspartame, por suas propriedades (a explicação é tenebrosamente complexa) tem um tempo de validade muito curto depois de molhado, entre duas semanas e um mês. Depois disso passa a ter um gosto horrível. Para evitar essa deterioração, colocam uma caralhada de substâncias químicas para prolongar a vida útil do adoçante, para impedir que ele cristalize e para diversas outras coisas que são chatas demais para explicar aqui. Conclusão: ainda mais tóxico e nocivo ao organismo do que a versão normal. E contém mais sódio, então, não pensem que quem toma refrigerante sem açúcar não engorda, porque o sódio é um vilão ainda pior que o açúcar na dieta. Sem contar que em ambos os casos, o gás pode dilatar as paredes do estômago e te fazer comer mais.

Mas nada disso entra na cabecinha viciada dos consumidores de Coca-Cola. Mesmo cientes de que, em grandes quantidades e a longo prazo ela pode fazer mal ao seu organismo, ainda existem pessoas que apenas bebem Coca-Cola em suas vidas. Sim, pessoas que substituem água por Coca-Cola. A combinação açúcar – sódio – cafeína tem um potencial viciante e os mais fracos se jogam nos braços do vício como se não houvesse amanhã.

Em países onde há consumo ostensivo de Coca-Cola o número de obesos aumentou significativamente. Nos EUA, 73% da população está acima do peso ideal (fonte: BBC Brasil). Claro que a culpa não é só da Coca-Cola, mas coincidentemente, nos estados onde sua venda é mais expressiva, o número de obesos é maior.

Faço aqui uma pergunta que também costumo fazer aos fumantes: sua primeira vez ao usar o produto, foi boa? A primeira vez que você tomou Coca-Cola, o gosto lhe foi agradável? Duvido. Mas eu duvido é muito. Tal qual os fumantes, geralmente a primeira vez não é agradável, mas ainda assim, as pessoas insistem. Pressão social, curiosidade, ou sabe-se lá porque. O fato é que insistem tanto que o organismo se acostuma e pede mais.

Tente dar Coca-Cola a um animal de estimação. Eu já tentei. Eles viram a cara. Mas o marketing exerce tamanha influência em nós, supostos animais racionais, que acabamos cedendo e nos entregando a aquela latinha vermelha gelada. Nada que um Papai Noel de bochechas rosadas um simpático urso polar dançando não resolva. Quão idiotas nós somos?

Sei que ninguém vai deixar de beber Coca-Cola por causa disto que eu escrevi aqui, nem é essa a intenção. Não quero passar sermão nem fazer campanha contra a Coca-Cola, isso seria hippie demais. Livre arbítrio, cada um escolhe a forma como quer se detonar.

Só fico revoltada quando vejo imbecilóides dando Coca-Cola na mamadeira para seus filhos. Se quer se destruir, beleza, de fode aí, Prêmio Darwin, um imbecil a menos no mundo, mas sacanear uma criança que não pode se defender é um pouco demais para o meu gosto. Permitir a ingestão de grandes quantidades de Coca-Cola antes de que se complete a formação óssea e dentária é extremamente prejudicial à criança. Se eu tivesse mais espaço, entraria em detalhes (já estou no final da quinta página, Somir vai me matar).

Só uma curiosidade: os filhos de muitos empresários que trabalham na Coca-Cola estão proibidos de beber Coca-Cola.

Para me perguntar se eu bebo Coca-Cola, para me perguntar se eu trabalho para a Dolly e para me dizer que você sempre bebeu Coca-Cola e seus ossos e dentes vão muito bem, obrigado: sally@desfavor.com

ATENÇÃO: ESTA POSTAGEM PODE ACABAR COM SUAS FANTASIAS.

Eu sei que é estranho falar de Papai Noel em Maio, mas o desfavor não gosta de ser previsível. O bom velhinho é uma personagem pra lá de comum em nossa sociedade, em todos os níveis sociais e culturais. Quem nunca ouviu falar de Papai Noel?

Mas você entende MESMO quem é Papai Noel? Leia o texto a seguir e tire suas próprias conclusões.

UM POUCO DE HISTÓRIA.

A história de Papai Noel remete ao longínquo quarto século d.C., personificada pela figura de São Nicolau de Mira. Muito antes de alcançar o status de Santo, Nicolau (supostamente, já que faltam registros confiáveis daquela época) foi um homem de personalidade forte, que enfrentou o poder político vigente com sua fé cristã inabalável.

Nicolau teria nascido na Turquia e vivido sua vida debaixo da mão de ferro do Império Romano. Império que durante uma parte de sua vida esteve sob controle de Diocleciano. Diocleciano, por sua vez, não gostava nem um pouco da religião de Nicolau. Durante seu império, os cristãos foram perseguidos cruelmente, o que fez Nicolau ser preso por se recusar a negar sua crença em Jesus Cristo.

Com a ascensão de Constantino ao poder, Nicolau teve finalmente a chance de praticar sua fé em paz. Sua tenacidade e devoção o colocam como um dos líderes da Igreja Cristã da época. Posto que perderia em pouco tempo devido ao seu comportamento contestador e irrequieto.

Nada disso impede, contanto, que Nicolau continue suas obras em prol dos necessitados. Dentre várias outras caridades, uma se torna essencial na criação da imagem do Papai Noel: Nicolau aparentemente jogava sacolas com moedas de ouro pelas chaminés de pessoas em dificuldades. Tudo isso de forma anônima. (Não me perguntem como souberam que era ele…)

Nicolau tem como data provável de sua morte dia 6 de dezembro de 332. Mesmo após seu falecimento, relata-se vários outros momentos onde Nicolau ajudou os fracos e oprimidos. Sendo apontado como realizador de vários milagres, Nicolau vira São Nicolau de Mira e a quantidade de histórias e mitos sobre seu poder aumentam exponencialmente.

Resumo: Há muito tempo atrás, muito mesmo, um homem sobre o qual não se tem muitos registros históricos confiáveis enfrentou com coragem a sociedade por sua fé. Além disso, sua vontade de ajudar as pessoas que realmente precisavam acabava criando atritos até entre aqueles que dividam a mesma religião com ele. Após sua morte, tornou-se ainda mais poderoso e relevante na sociedade, tendo inúmeros milagres creditados a si.

Esse homem, Nicolau, foi a base para a criação de uma personagem que habita a imaginação de crianças e adultos pelo mundo todo…

A CRIAÇÃO DO PAPAI-NOEL.

Foram os europeus que fizeram a ligação entre a figura de São Nicolau e o Natal. São Nicolau se tornou muito famoso em virtude dos abundantes milagres relacionados à sua intervenção. Inúmeras igrejas construídas em seu nome, vários devotos fiéis e muita exposição. Porém, veio a Reforma Protestante e a Europa se tornou um local inóspito para a proliferação desenfreada do seu culto.

A exceção foi a Holanda, onde São Nicolau continuou com relativa fama sob a alcunha de Sinterklaas. A história de Sinterklaas foi então misturada com uma lenda nórdica sobre um mago misterioso que andava num trenó puxado por renas que presenteava crianças boas e punia as más. São Nicolau, que nunca deve ter visto uma rena em sua vida, agora pilotava trenós e julgava crianças por base no seu comportamento.

Claro que a história de São Nicolau não estava restrita só à Holanda, outros países ajudaram a divulgar e moldar o mito durantes os séculos (foram os alemães que o ligaram com o Natal), mas os holandeses são importantíssimos por um motivo: Foram imigrantes holandeses que trouxeram a lenda de São Nicolau para os Estados Unidos da América.

Lá, na terra do ainda não criado Tio Sam, a história foi tomando corpo, e principalmente, rosto. Alguns detalhes da história só foram adicionados por lá, mais precisamente num poema “Uma visita de São Nicolau”, 1822, pelo professor de literatura grega Clement Clark Moore (defensor ferrenho da escravidão, primor de pessoa). O poema era destinado a seus filhos, e para deixar a lenda mais agradável, Clement mexeu em alguns detalhes. As renas voavam, a idéia de deixar presentes na chaminé foi retomada, crianças ruins apenas deixavam de ganhar presentes ao invés de serem punidas, e ao invés de um Santo do século IV (ou um mago nórdico), um bom velhinho bonachão.

Com essa boa dose de imaginação, a lenda estava quase perfeita para virar o fenômeno que é hoje em dia. Faltava uma imagem para Santa Claus. (Santaklaas)

Imagem criada pelo cartunista Thomas Nast, para a edição de Natal de uma revista americana. A roupa vermelha com detalhes em branco e o cinto preto cobrindo a figura rechonchuda de um velhinho de cabelos brancos e bochechas rosadas caiu como uma luva no imaginário popular. Era o que as pessoas queriam ver ao se falar de Santa Claus. (Conhecido na Europa como Pai Natal.)

Resumo: Os europeus adicionaram incontáveis detalhes à lenda do São Nicolau, que se tornava cada vez mais palatável para o grande público. Conceitos como recompensar bons atos e punir os maus na época do Natal foram dando mais personalidade para o Santo milagreiro que gostava de ajudar os mais pobres a qualquer custo. Quando a lenda de São Nicolau chega a um país onde a maior indústria cultural do mundo tomaria lugar nas décadas posteriores, alguns ajustes finais são feitos. (Inclusive por pessoas desprezíveis.) Ajustes que transformam o São Nicolau em Santa Claus (ou Pai Natal, ou Papai Noel) de vez.

E uma personagem excelente do ponto de vista comercial como essa não passaria despercebida, principalmente nos Estados Unidos…

SEMPRE, PAPAI-NOEL!

Uma lenda urbana famosa é a de que a Coca-Cola teria criado o Papai Noel moderno. Não chega a ser o caso, como explicado nos parágrafos anteriores, mas não se pode negar o papel decisivo da gigante da publicidade do século passado na divulgação da marca Papai Noel.

Até 1931, não havia um padrão muito definido sobre a imagem de Papai Noel. As informações não se difundiam com velocidade naquela época. A imagem criada por Nast tinha muito potencial, mas pouca exposição. Papai Noel normalmente era verde ou marrom.

Mas uma grande campanha publicitária usando Papai Noel com as roupas idealizadas por Nast por parte da Coca-Cola consolidou a imagem do bom velhinho definitivamente. Percebendo o “hit” que tinha em mãos, a empresa manteve a personagem em todas as campanhas de Natal a partir dali. Depois, com o crescimento incrível da marca Coca-Cola pelo mundo (principalmente depois da II Guerra Mundial), nenhum país ficou livre de ver o Papai Noel alvi-rubro moderno.

São Nicolau era passado. Papai Noel era indiscutivelmente mais eficiente, quaisquer sejam as motivações de quem o divulgava. Um símbolo unificado de Natal, que estimulava o consumo e ainda criava mais visibilidade para a religião cristã? Um presentão!

Com o tempo, mais alguns ajustes finais na lenda: Papai Noel mora no Pólo Norte e tem uma enorme fábrica de brinquedos tocada por duendes incansáveis. Talvez para calar algumas crianças espertinhas que ficavam questionando porque nunca viram o bom velhinho em pessoa.

Não que isso tenha sido realmente um problema, com o incrível apelo comercial, os papais-noel se espalharam por todos os lugares, mais notavelmente em shopping centers e filmes de baixo-orçamento. Todos podiam ver Papai Noel. Papai Noel estava em todos os lugares, mas só te presentearia caso você fosse uma boa criança.

Resumo: Todos os elementos da lenda estavam lá, prontos para serem usados pelo primeiro com a visão comercial necessária para explorar a marca. Um homem que quis ajudar aqueles que mais precisavam durante a vida tornou-se uma personagem de feitos e poderes incríveis depois de sua morte, um ser que recompensa boas ações com presentes.

O que nos leva à parte conspiratória desse Desfavor Explica…

VOCÊ FOI UM BOM MENINO?

Em tese a idéia do Papai Noel é linda. Seja uma boa criança e no “aniversário” de Jesus Cristo, quem ganha o presente é você! (Parece propaganda.)

Mas Papai Noel parece recompensar mais crianças que já gozam de uma boa situação financeira. O filho de uma família miserável tende a não ser recompensado pelo bom velhinho, por mais boas ações que faça. Teria Papai Noel preconceito contra os pobres?

São Nicolau não teria. Alguma coisa saiu errada no caminho… Talvez o excesso de adendos na lenda do Papai Noel tenha causado esse problema. São Nicolau nunca disse que presentearia crianças caso elas se comportassem bem. Foi um suposto mago nórdico, fruto de outra lenda.

Além disso, ainda bem que as renas voadoras foram adicionadas. Seria complicadíssimo percorrer uma estrada asfaltada a bordo de um trenó. Mas mesmo assim, crianças que vivem em lugares muito afastados e carentes tendem a não receber presentes no Natal. Seria Papai Noel um preguiçoso?

As crianças da China, por exemplo, só começaram a ganhar presentes de Natal recentemente. Difícil acreditar que com aquele monte de gente, UMA criança pelo menos não tenha alcançado o grau de bom comportamento necessário para ganhar uma bola, que seja, nos últimos séculos. Só posso creditar esse problema ao fato dessas crianças nem saberem quem era o Papai Noel, o que o deixaria com medo de ser recebido a tiros caso entrasse no espaço aéreo nacional…

E se não bastasse, como Papai Noel consegue manter relatórios sobre as ações de todas as crianças do mundo? E ele julga bons e maus comportamentos com que base? Algo aceito no Oriente Médio pode parecer ofensivo na América do Norte. E quando a boa ação de uma criança força outra criança a cometer uma má ação? Isso é levado em consideração? Muitas dúvidas pairam sobre o senso de justiça do bom velhinho.

Seria Papai Noel tendencioso às crianças ricas e brancas que vivem em países capitalistas? Mesmo tendo sido criado com base numa personalidade que enxergava que os necessitados mereciam prioridade, ele ainda parece que só beneficia mesmo aqueles que nem precisariam de sua ajuda em primeiro lugar.

Curioso.

Resumo: É como se Papai Noel só desse bons presentes para crianças de famílias que podem comprar bons presentes. E ainda por cima ele só parece existir para aqueles que acreditam nele.

Opa! Eu acho que já sei o que isso quer dizer…

PAPAI NOEL NÃO EXISTE!

Estava na minha cara o tempo todo e eu não percebi. Apesar de ter uma rica história e uma personalidade famosa por trás, o Papai Noel atual não passa de uma amálgama de crenças, desejos e imaginação daqueles que “aumentaram um ponto”. São Nicolau deve ter sido uma ótima pessoa, devotado aos pobres e corajoso em sua fé, mas parecia cada vez melhor a medida que se distorcia sua história com elementos mágicos e teatrais.

O que é perfeitamente compreensível. Uma pessoa tem uma quantidade limitada de tempo para deixar sua marca no mundo. Um mito é atemporal. Um mito cresce e passa sua mensagem para muitas outras pessoas. Um mito pode ser explorado por aqueles que sabem se relacionar diretamente com a imagem passada por ele.

O mito do Papai Noel prega a recompensa pelas boas ações. A idéia aconchegante de que tem alguém observando o que você faz e reconhecendo o que você faz de certo na vida. Nada é à toa assim. O sofrimento, a abnegação, a coragem de manter suas virtudes sob pressão… Essa coisa de a boa ação ser a recompensa em si é linda em teoria, mas na prática é muito difícil de visualizar. Um presente resolve esse problema.

Oras, vale muito a pena passar por cima de algumas inconsistências para manter Papai Noel vivo no coração das pessoas. Principalmente no das crianças. É uma mentirinha que não faz mal a ninguém. Quer dizer, desconsiderando aquela criança pobre que não ganhou o presente que queria. Para ela nós dizemos que Papai Noel não pôde dar o presente neste Natal, mas que no próximo tudo vai dar certo.

Desde que ela continue sendo boazinha e não cobice o brinquedo do vizinho mais abastado.

Resumo: Papai Noel é coisa para crianças, que precisam de alguma “ajudinha” para continuar no bom caminho sempre que possível, para não sentirem falta de propósito em suas ações. Talvez seja nossa natureza. Mas uma coisa é certa…

Nenhum adulto em suas faculdades mentais razoáveis acredita mais em Papai Noel.

Certo?

Para me dizer que percebeu logo no título, para dizer que eu devo ter traumas por não ganhar o videogame que queria no Natal ou mesmo para falar que eu deveria esperar Dezembro para postar isso: somir@desfavor.com

FALTAM 4 POSTAGENS PARA A 200ª

ATENÇÃO: ESTE TEXTO PODE COMEÇAR A NÃO FAZER SENTIDO REPENTINAMENTE.

Este desfavor explica era sobre o Determinismo, mas inexplicavelmente se transformou num texto sobre a Teoria do Caos. O original, com uma desistência vergonhosa no meio do caminho, está disponível para seu sofrimento aqui. (Repito algumas coisas aqui.)

Tudo tende ao caos. Desde uma gota de tinta azul numa lata de tinta amarela até mesmo aquela reunião da terceira idade onde batizaram o ponche com Viagra. Se você tem dificuldade de entender como tanta coisa não faz o menor sentido neste mundo, azar. Este texto só vai piorar as coisas. Cada vez que a palavra “CAOS” aparecer em letras vermelhas, o texto vai ficar mais confuso. Preparem-se.

Para falar do Determinismo, eu precisei entrar no assunto de “ilusão da escolha”, e tomei uma SURRA da minha própria argumentação até não conseguir mais montar sequer uma frase coerente. Quanto mais se tenta controlar o resultado de um evento, pior fica a confusão gerada pela imprevisibilidade dos fatores que o influenciam.

E se eu volto a falar de “ilusão da escolha” é para falar também sobre a “ilusão da aleatoriedade”. E é aqui que o caos faz sua morada. De forma bem simplista, o caos nada mais é do que o conhecimento humano dizendo: “Ah, foda-se!”.

O caos é a cagada do universo na nossa cabeça.

CAOS

Não existe algo realmente aleatório. Causa e conseqüência são fatores que regem tudo o que existe. O que pode acontecer e acontece com imensa freqüência é não percebermos qual foi a causa ou mesmo não poder medir a conseqüência. Aleatoriedade é uma forma de dizer que nem mesmo os cientistas mais sem vida do mundo conseguem analisar todos os eventos que geram uma conseqüência complexa.

Dizer que o Sol vai nascer no horizonte sem falta na manhã seguinte é uma previsão fácil. Temos informações confiáveis que ele faz isso desde que o mundo é mundo e não temos notícia de nada com a força necessária para intervir neste resultado.

Dizer que vai uma massa de ar quente vai se tornar um furacão em coordenadas específicas já é uma previsão pra lá de complicada. Apesar de várias informações sobre o assunto estarem disponíveis, processá-las pode demorar demais. E algum elemento que passou despercebido pode influenciar seriamente o resultado.

Não é à toa que a Meteorologia é uma das ciências mais odiadas pelo cidadão comum. Às vezes de posse de equipamentos milionários em mãos eles conseguem errar se vai chover ou não na sua cidade! Não parece uma senhora de uma sacanagem?

Não é. Vivo ouvindo e lendo pessoas (quase sempre religiosos) dizendo que a ciência vive errando. Que teorias bisonhas e ridículas já passaram como verdade.

Bom, jamais se esqueçam disso: É DIFÍCIL PRA CARALHO! Cada pequeno avanço científico depende de muito estudo e de bater de frente com um universo que ri da nossa cara cada vez que achamos que temos certeza de algo. A Teoria do Caos fala especificamente sobre como chega um ponto em uma análise em que são tantas variáveis dependendo de tantos outros fatores que simplesmente não dá para chegar numa conclusão definitiva.

Normalmente se exemplifica o caos com um exemplo chato sobre ondas num lago ou a famosa gota de tinta. Quem acompanha o desfavor explica sabe que isso é pouco. O desfavor explica tem que chutar o balde. (Ha)

CAOS

Vamos seguir algumas horas na vida de Roberval:

22:48 – Roberval chega até a “casa noturna” Galinha d’Ouro na companhia de dois amigos, Valdemir e Teco. Roberval nem queria estar lá, mas fora incapaz de negar os apelos de seus companheiros. Ele tem a sensação de que o fato dos seguranças estarem armados com metralhadoras não é bom indicador.

22: 56 – Roberval entra na fila, imaginando que apesar de tudo, ninguém se meteria a besta num lugar daqueles. Único ainda sóbrio do trio, sente vergonha alheia por ver Valdemir flertar com uma mulher cujo frondoso buço rivalizava com o seu.

23:21 – Adentrando a boate e percebendo a penumbra do ambiente, alivia-se com a idéia de que por mais que seus amigos aprontem com barangas, ninguém vai perceber. Convencido a começar a beber para se soltar um pouco mais, Roberval percebe que o lugar não é tão ruim assim, considerando a proporção generosa de mulheres para cada homem.

23:58 – Roberval é abordado por uma bela morena chamada Giovana, que o oferece uma dose de uísque. Simpática e atenciosa, ela parece muito interessada. Enquanto paquera, Roberval percebe que Valdemir está se atracando com uma loira num dos cantos escuros e que Teco está tentando agarrar a dançarina na plataforma.

00:15 – Roberval começa a ficar zonzo. O sorriso de sua acompanhante começa a se transformar num borrão. Prestes a apagar, é interpelado por Valdemir, que com uma feição furiosa, diz que quer ir embora. Com essa dose de incentivo, afasta-se do balcão do bar e se escora em seu amigo.

00:16 – Som de tiros. Lutando para se manter consciente, Roberval escuta a gritaria e é derrubado pelo fluxo de pessoas fugindo desesperadas. Mais tiros. Roberval mal consegue entender o que acontece ao seu redor, mas tudo começa a girar e ele sente que não vai conseguir ficar acordado.

00:17 – Antes de apagar, Roberval ainda enxerga Giovana ajoelhada sobre ele, falando ao celular.

04:32 – O som de uma discussão vai crescendo lentamente até que nosso protagonista consiga abrir os olhos. Levantando a cabeça para seguir o som, depara-se com Teco, todo ensangüentado, batendo boca com um gigantesco segurança. Roberval percebe que está caído num sofá, circundado por uma poça de vômito.

04:33 – “Eu vomitei?” – Diz Roberval.
Valdemir, que estava em pé, próximo, responde envergonhado que não. Roberval pula do sofá, enojado. O segurança deixa de falar com Teco e dirige-se ao recém desperto Roberval.
“Escuta aqui, alguém vai pagar pelo carro do chefe…” – Diz o leão-de-chácara.
“Carro do chefe?” – Roberval ainda tenta entender o que aconteceu.
“Foi aquele maluco que quebrou tentando me pegar!” – Teco argumenta.
“Maluco?” – Roberval vai ficando cada vez mais perdido.
“A gente já cuidou dele. Não era dos nossos.”– Responde o segurança.
“O cara que pegou ele não era segurança também, o tal do Marcão.” – Valdemir argumenta.
“Foda-se. Só sobraram vocês. Vocês pagam ou…” – O segurança puxa sua pistola automática.
“Pagar quanto?” – Roberval desiste de entender a lógica da situação.
“Nem fodendo, aquele Audi custa mais do que minha casa…” – Teco tenta limpar o sangue que escorre de seu nariz enquanto apela para os sentimentos do segurança: “Cara, diz que não sabe quem quebrou os vidros… O seguro paga. Eu tenho família, amigo… Por favor…”
“O que está acontecendo?” – Roberval pergunta para Valdemir.
“Acho que você mexeu com mulher errada…”– Valdemir responde, mas não explica nada.
“Fica complicado… Vou me arriscar, o chefe já matou neguinho por menos…” – O segurança fala mais alto e faz o sinal de dinheiro com as mãos.
“Quanto?” – Roberval busca sua carteira no bolso traseiro.
“Hã?” – Roberval não a encontra.
“Te ofereceram alguma bebida, né?” – O segurança sorri de forma debochada.
“Também levaram tudo o que eu tinha” – Completa Teco.
“Eu pago. Eu pago… Mas o assunto morre aqui.” – Valdemir limpa a carteira e oferece um bolo de dinheiro.

05:10 – Depois de liberado, o trio se reúne novamente dentro do carro de Roberval. Valdemir começa a contar o que ocorreu a partir dos tiros…

05:11 –Teco interrompe dizendo que eles estão sendo seguidos há mais de dez minutos. Roberval acelera e começa uma perseguição.
“Acho que é o Baiano!” – Diz Valdemir.
“Baiano?” – Roberval indaga.
“O cafetão da tal de Giovana!” – Teco parece desesperado.
“O que vocês fizeram naquela boate?” – Roberval olha para trás, procurando uma resposta de Teco.
“OLHA PRA FRENTE!” – Valdemir grita. Uma caminhonete aparece repentinamente no caminho.

19:04 – Roberval sente todos os músculos de seu corpo doloridos. Uma leve luz branca vai crescendo até tomar toda a visão dele. Uma voz feminina o introduz novamente à lucidez:
“Como você está?” – Uma enfermeira checa sua pressão enquanto busca contato visual.
“Onde eu estou?” – Roberval está novamente desorientado.
“Você teve muita sorte de sair vivo. Precisava ver o estado do seu carro…” – A enfermeira levanta o avental dele e começa a analisar um grande curativo.
“Meus amigos?” – Indaga.
“Seu amigo saiu ileso, mas foi preso.” – Ela diz com imensa naturalidade.
“Preso?” – Nada mais faz sentido para Roberval.
“Alguma coisa a ver com tráfico de escravas brancas para a Espanha. Ele era procurado faz tempo.” – A mulher diz olhando fixamente para um pequeno frasco.
“HÃ? Tinha mais gente no carro…” – Num movimento brusco, ele tenta se levantar, mas é impedido pela dor.
“Não me venha com desfaçatez, eu sei que você é da quadrilha do Baiano, Marcão.” – A enfermeira fecha a cara e prepara uma injeção.
“Eu nem sei quem é esse Baiano! Meu nome é Roberval!” – Roberval tenta gritar, mas nem isso consegue.
“Vocês nunca mais vão fazer isso com outra menina… Minha irmã morreu por lá, abandonada…” – Ela começa a injetar algo na bolsa de soro fisiológico.

19:15 – Roberval sente sua consciência o abandonando novamente.

19:38 – Confirmada a hora da morte de Roberval.

E todos foram felizes para sempre. Fim.

CAOS

Essa história, que não faz o menor sentido como história, explica alguns pontos úteis sobre a idéia de que quanto mais variáveis em um sistema, maior a tendência dos fatos parecerem aleatórios.

O protagonista foi perdendo a capacidade de entender o que acontecia e de prever os próximos passos na medida em que novos eventos apareciam. E quanto maiores os períodos de inconsciência, maiores as surpresas que ele encontrava na situação.

É exatamente isso que forma a Teoria do Caos. Quanto menor a carga de informação que você pode captar num sistema, maior a ilusão de que as coisas não fazem sentido. E não foram apenas os grandes acontecimentos que geraram as reviravoltas na história. Cada leve mudança em um dos fatores gera um “ruído” na lógica geral, que com o passar do tempo pode reverter completamente o resultado de uma ação ou experimento.

Esse é o Efeito Borboleta. “O bater de asas de uma borboleta no Japão pode causar um tufão nos Estados Unidos.” Como essa explicação é um tanto quanto afrescalhada, resolvi usar a história.

Teco era homônimo (ou xará, para os incultos) de Baiano, cujo rosto não era conhecido.

Esse fato desencadeou todo o desenrolar da história até Roberval ser executado erroneamente pela enfermeira vingativa. Se Teco tivesse o sobrenome com UMA letra diferente, Roberval estaria vivo e com sua carteira.

Se você estiver muito entediado(a), dá para entender como tudo aconteceu agora relendo o texto e pensando um pouco.

CAOS

Voltando à parte argumentativa do texto: O caos é a sua ilusão de escolha. O caos é o livre-arbítrio, o caos é o motivo pelo qual estamos limitados a viver no presente. A Teoria do Caos só existe nas nossas mentes limitadas pela nossa percepção igualmente limitada.

E essa foi a melhor forma que eu encontrei de explicar o Determinismo (surpresa!). Onisciência é a ausência total de escolhas. Quem tem acesso a todas as variáveis presentes no universo sabe exatamente o que vai acontecer a seguir, inclusive o que sua mente formada átomos vai pensar. Pois é, você é parte integrante do universo, obedece as mesmas leis da física que uma pedra em todas as escalas de magnitude. E acredite ou não, tem tanta escolha quanto ela.

A maior prova disso é o passado. Se as coisas não ocorreram de forma diferente, não é um grande indicativo que não poderiam de qualquer forma? As coisas acontecem por algum motivo e existe um destino inevitável traçado para cada partícula deste universo que nos cerca.

Pode até parecer algo depressivo, uma falta de propósito, mas… o caos nos protege disso. Ninguém pode provar nada, certo? Tem até quem dê um Nome e personalidade para o caos para deixá-lo mais agradável. Afinal, para quem vive com a “ilusão de escolha” e a “ilusão de aleatoriedade” a vida toda, não custa nada ter a “ilusão de importância” também.

Para dizer que prefere quando eu tento ser engraçado, para dizer que eu não expliquei nada ou para dizer que escolheu me achar um chato: somir@desfavor.com