Really...Por anos e anos os religiosos tentaram me catequizar, me provar que o seu Deus era a única resposta, o único e verdadeiro. Aturei muita merda calada. Hoje dou a volta por cima e venho eu catequizar vocês, religiosos: LARGUEM SUAS RELIGIÕES. Isso não leva a nada. Você pode até pensar que precisa disso, mas você não precisa disso. Você pode conversar com Deus sem qualquer classificação religiosa, ritual, rezas prontas ou regrinhas e restrições.

O que é Deus para você? Muitas pessoas confundem a crença no paranormal ou em fenômenos que não sabemos explicar como explicação ou justificativa para crença religiosa. Quando me perguntam se acredito em Deus, responde que não ouso duvidar da existência de forças, energias, fenômenos ou eventos para os quais não temos explicação (e pode ser que um dia tenhamos), minha recusa é justamente em divinizá-los por não possuir explicação para eles. Costumo fazer uma analogia sobre meus pensamentos religiosos com a Lindamar: não sei quem é, o que é, onde está e a que veio, mas me faz bem, me diverte e me acrescenta, então, não preciso de maiores explicações, simplesmente continuo interagindo e aproveitando ao máximo sua presença.

Mas no geral, os seres humanos tem uma necessidade doentia de buscar explicações para tudo, não conseguem manter a mente em aberto. Daí surgem religiões bizarras, criadas com o único propósito de fornecer alguma explicação a qual a pessoa possa se apegar. E é justamente contra esta “explicação a qualquer preço” que eu me volto. Custa muito ter a sua fezinha silenciosa, seguindo aqueles rituais que te façam sentir bem, sem ter que amarrar tudo em um nó cego de dogmas, regras e verdades absolutas? Acredito que quando se fala com Deus e se busca força através dele estamos na verdade falando com nós mesmos e essa “força” que vem da fé vem de dentro de nós mesmos. Tenha fé em você, isso basta.

Mas o ser humano costuma preferir ter fé em algo desconhecido do que nele mesmo. Prefere atribuir força e sucesso a terceiros. Isso é que eu chamo de baixa estima! Em vez de aceitar o desconhecido como aquilo que na verdade é – algo desconhecido, é preciso apelar para explicá-lo. É assim desde que o mundo é mundo: Divinizar o que não se pode explicar é um hábito bem antigo da raça humana. Desde os tempos das cavernas nossos ancestrais praticam esta tática de auto-conforto: um raio cai em uma árvore e a árvore pega fogo. O homem das cavernas não entende como aquilo acontece. O homem das cavernas não pode ficar sem explicação, então, o homem das cavernas diviniza o fenômeno e o atribui a Deus. Nada fica sem resposta, o que não encontra explicação lógica ou racional, é imediatamente classificado como obra do divino, aplacando a angústia humana em ter que lidar com um vazio no lugar da resposta. Pronto, explicou-se o inexplicável, afinal, Zodraz é imortal e invisível.

Passaram-se os séculos e pouca coisa mudou. Algo que a ciência ou a lógica não explicam imediatamente ganha a roupagem de “milagre” ou qualquer termo semelhante. Pode ser um doente grave que se cura sem que os médicos entendam o porque, pode ser uma santa de gesso que chora ou qualquer outro fenômeno sem explicação. Sim, provavelmente com a evolução do pensamento científico e da tecnologia, um dia, este mesmo fenômeno terá uma explicação racional, da mesma forma que aprendemos que raios não são obras de Deus. Mas… o ponto central do texto é: supondo que nunca tenhamos esta explicação racional… isso nos dá o direito de, por exclusão, afirmar que se trata de obra de Deus? Porque merda precisamos disso?

Porque não conseguimos viver com estas lacunas, com a cabeça aberta, sem essa tara por buscar uma explicação? Existem coisas que simplesmente não se podem controlar, que não obedecem regras nem lógica. Mas o ser humano teima em achar que tudo tem um porque, que ele é muito especial e que cada folha que cai de uma árvore tem uma razão de ser. Daí surge um segundo problema: A vaidade humana faz doer demais a idéia de que ao morrer tudo termina. Como pode você perder para sempre aquele ente querido? Como pode VOCÊ, esta maravilha do mundo, se esvair com a morte? Você é maravilhoso demais para acabar assim, TEM QUE TER alguma coisa depois! Aceitar que a morte é um ponto final é aceitar que somos um grão de areia, um cocozinho insgnificante no universo – e somos, mas dói ser um cocozinho insignificante, afinal, a gente se acha tão especial! Já pensou se todo mundo acreditar que morreu e acabou? Que tem que viver tudo agora, porque depois não tem segunda chance? Fodeu. Precisamos consertar isso, porque se as pessoas acreditarem que a vida é aqui e agora e esta é a primeira e última chance, não serão mais tão subservientes e tão passivas.

Para organizar a explicação do inexplicável e trazer um pouco de conforto a esta raça insegura que é o ser humano e garantir um pouco mais de paz social com uma recompensa futura, organizaram o inexplicável em diversas religiões, com regras próprias e com público alvo determinado. Quase que uma jogada de marketing. O objetivo de todas é o mesmo: preencher o vazio, porque o ser humano não sabe lidar bem com lacunas e abstração e dar uma segurada no gênio filho da puta que temos, atribuindo alguma recompensa futura caso nos portemos de modo a não destruir uns aos outros. E tudo saiu do controle, no mesmo esquema daquele mito onde comer manga e beber leite fazia mal à saúde, criado para impedir que os escravos tomem leite, que por anos e anos de repetição acabou virando verdade e em pouco tempo todos estavam acreditando nele, inclusive seus criadores. Assim estamos, rendidos a um mecanismo de defesa e contenção social que saiu do controle de seus criadores.

O pior é que foram espertos. Sacaram que a carência e o medo é da natureza humana e criaram religiões para agradar a todos os públicos. É impressionante como o perfil de cada indivíduo influencia na sua fé e na escolha da sua religião. Pessoas mais agitadas, mais carnais, mas práticas, tendem a ser adeptas de religiões mais ativas, com cânticos, festas e menos formalidade. Pessoas mais reprimidas, introvertidas e introspectivas tendem a adotar religiões de rituais solitários. Pessoas mais polêmicas tendem a adotar religiões mais radicais. Mesmo que o indivíduo tenha sido nascido e criado em uma determinada religião, ele fatalmente acaba migrando para outra com a qual tenha mais afinidade. Quem nunca viu um católico do cu riscado que acaba indo parar no candomblé? Ou um macumbeiro mais introspectivo virando espírita kardecista?

Religiões e seus rituais são produtos vendidos nas mais diversas roupagens que se adequam ao perfil de seus consumidores. Fornecem um mínimo de paz de espírito aos adeptos, suporte emocional para passar por momentos difíceis e a esperança de uma vida melhor, ainda que por mágica, ainda que na outra vida. Por isso pessoas se filiam a religiões sem cumprir seus ditames (alguém já viu um católico que não faça sexo antes do casamento, que não faça sexo sem camisinha ou que não use anticoncepcionais?). As pessoas querem é este conforto imediato, esta muleta emocional. Muitas vezes nem sequer conhecem direito a religião da qual se dizem praticantes. Mal nasce a criança já tão dando na mão do padre para batizar, quem se importa se não concordam e não seguem na prática os ditames daquela religião? Tem que batizar, afinal, é status. Afinal, vai que existe mesmo o tal do inferno? Vai que você tem que peitar a sociedade e dizer “Olha, não batizei meu filho porque não concordo com os anos e anos de mortes e torturas da Igreja Católica nem com seus atuais dogmas: eu uso camisinha, eu uso métodos contraceptivos e eu faço sexo antes do casamento, e você?”. Não pode. O bacana é fazer na hipocrisia, sem peitar ninguém, porque poucos neste mundo nascem com culhões. A maior parte prefere andar com a maioria, sem ser alvo de críticas nem ir de encontro com o consenso geral. É mais fácil assim.

Uma frase que Somir e eu sempre gostamos de repetir é: DEUS É UM AMIGO IMAGINÁRIO PARA ADULTOS. Da mesma forma como crianças criam seus amigos imaginários de acordo com suas fantasias (pode ser um cowboy, um astronauta etc), o ser humano cria uma figura com a qual conversa quando está na merda, com base nas suas fantasias: Deus pode ser um ente disciplinador rigoroso, uma espécie de pai, um amigo, um irmão ou qualquer outro papel que se deseje imputar, basta averiguar onde está o vazio emocional na cabeça de quem o chama. O que não quer dizer que, por ser imaginário, não traga um conforto real. Pode sim trazer benefícios. Se ficasse só nesse papino reto você-Deus, Deus-você, eu entenderia. O problema é que estes benefícios acabam esmagados pela religião e por tudo que ela implica.

Supondo que exista uma força, uma energia, um “algo não explicado” similar ao que se denomina como Deus (e vejam bem, eu cogito sua existência, mas não nos termos que a religião tenta vender), Ele deve estar muito envergonhado com as regras bobas que as religiões impõe aos tolos seres humanos. E não falo só do catolicismo não! As mais inofensivas religiões tem restrições, até mesmo os pacatos Hare Krishnas estão proibidos de comer chocolate e tomar café eventualmente. Não me entra na cabeça que um eventual “Deus” concorde com isso. Muito pelo contrário. Minha teoria e que ele está batendo com a mão na própria testa e pensando “Minhas criaturinhas… tão burrinhas! Como podem engolir tanta babaquice em Meu nome!”. Prestem atenção nos sinais! Vira e mexe desaba o teto de uma igreja… Vira e mexe uma massa religiosa se fode. Isso nos inspirou a criar uma nova coluna do Desfavor, para imortalizar a semana 666, uma coluna chamada ONDE ESTÁ O SEU DEUS? Aguardem, em breve.

Será que o ser humano tem medo dele mesmo e por isso precisa se inserir voluntariamente em religiões que o obriguem a se auto-controlar? Precisa se enganar com a promessa de um futuro melhor para seguir regras éticas e morais que não teria caráter para seguir se soubesse que não existe qualquer recompensa para isso, que seria mais do que sua obrigação? Você seria bom, ético e correto se tivesse a certeza que com a morte tudo acaba? Porque só assim tem valor…

Para aqueles que acham que religião é questão de fé, eu faço uma pergunta: PORQUE escolhemos ter fé em determinadas religiões e em outras não? Já parou para pensar que essa religião que você segue só te desperta essa empatia toda por causa de alguma carência sua, algum medo mal resolvido, algum temor com o qual você não sabe lidar sozinho? Porque não ter a sua fé silenciosa naquilo que você chama de Deus, sem necessidade da presepada institucionalizada, da baixaria que é a religião?

Igrejas são publicitários que em vez de vender produtos com valor econômico, vendem (ou trocam) sentimentos. E tem para todos os tipos de consumidor: aquela pessoa que curte uma culpa e uma repressão tem um prato cheio no catolicismo, por exemplo. É religião que não acaba mais, atendendo aos mais diversos grupos de seres humanos. O sentimento que eles vendem é verdadeiro, porque a pessoa de fato se beneficia e acaba obtendo um conforto, mas… A QUE PREÇO? Acreditem, é possível obter o mesmo conforto pelo caminho difícil, você com você mesmo, sem ter que seguir regras e ditames. Se bastar é mérito e não defeito, e sim, é possível ainda que tentem te convencer de que não é.

Quero frisar novamente aqui (porque sempre tem quem não entenda) que não estou negando a possibilidade da existência de um “Deus”, o que nego e acredito não ter a menor possibilidade é a existência de um “Deus” nos modelos expostos por qualquer uma das religiões que existem. São homens capitalizando em cima da divindade ou do poder alheio. Ninguém fala em nome de Deus, ninguém tem autoridade para te dizer os rituais que Deus quer e muito menos te cobrar ou te perdoar. Não divinizemos outro ser humano, que por mais que se ache grandesbosta, é nada mais do que isso, outro ser humano.

Respeito quem acredita em Deus. Dependendo do conceito, até eu mesma posso acreditar. O que eu não respeito são pessoas que atribuem a meia dúzia de Zé Ruelas poderes para falar por Ele e se prestam a praticar rituais que em nada lhes conferem bem estar e se privam de uma série de prazeres na vida porque acham que Deus quer assim. Prefiro o clichê de “olhe para dentro de você, reflita, fale com Deus e ouça o que ele quer” do que ter que ouvir um Zé Buceta que se acha o escolhido, o emissário, te dando lição sobre o que Deus gosta e o que Deus não gosta. (se um dia Ele passar por aqui, certeza que vai pisotear todas as igrejas, numa vibe meio Godzila, ele deve estar putão com isso que andam fazendo).

Por mais que a religião traga algum conforto, não podemos esquecer do quanto ela limita e empobrece as pessoas. É possível ficar apenas com o lado bom, ter fé e buscar forças, sem pegar o lado podre, a religião. O conceito de religião está ultrapassado, a vida moderna não comporta mais essas presepadas. Uma pessoa verdadeiramente livre não precisa de uma força superior para sentir bem estar e superar adversidades, ela encontra esta força dentro dela (se quiser chamar de Deus, ok, mas sempre esteve e sempre estará lá, dentro de você, sem necessidade de religião), sem precisar rezar palavras determinadas, seguir dogmas ou rituais babacas. Você pode encontrar o bem estar que supostamente só de acharia em uma religião dentro você mesmo e ter o prazer de só prestar contas a você mesmo e viver a sua vida da forma como melhor lhe aprouver. E a melhor parte é: Deus não vai ficar puto com você, Deus vai ficar orgulhoso.

Atentem para o fato de que eu não estou pedindo para que não acreditem em Deus. Só estou pedindo para cortar os intermediários. Seu padre, pastor, xamã, pai de santo ou quem quer que seja NÃO tem autoridade para falar por Ele. Você pode falar diretamente com Ele, você não precisa dessa gente, desses rituais, desses templos. Não terceirize sua fé. Sua fé por si basta, você não precisa de velas, rezas, missas, dízimo ou qualquer outro ritual.

Lembra quando você aprendeu a andar de bicicleta com aquelas rodinhas laterais ajudando? Lembra quando alguém lhe disse que era hora de tirar as rodinhas e andar sem elas? Dá um cagasso. Você sabe que pode e que provavelmente vai cair. Mas também dá todo um orgulho quando você tira e fica no seleto grupo daqueles que sabem andar de bicicleta sem rodinhas (no meio de crianças, é um grupo seleto). Tire suas rodinhas e jogue fora rituais religiosos, encontre esta paz dentro de você. Dá orgulho, eu prometo.

Para dizer que agora eu me igualei a aquelas malas que querem catequizar os outros, para dizer que mal pode esperar pelo primeiro ONDE ESTÁ O SEU DEUS ou ainda para dizer que o texto faz sentido mas enfiaram tanto essa merda de religião na sua cabeça que agora você não consegue se livrar dela: sally@desfavor.com

Zodraz é o caminho!Vamos imaginar uma discussão entre três pessoas:

PESSOA 1: No lado escuro da Lua mora um dragão negro chamado Zodraz. Uma dia ele virá à Terra para destruir todas as pessoas ruins!

PESSOA 3: É uma piada, não?

PESSOA 1: Não, é a mais pura verdade. Os olhos dele brilham em vermelho e ele cospe fogo sagrado que derrete qualquer material existente!

PESSOA 3: Mas isso não faz o menor sentido… Não tem dragão nenhum morando na Lua, até porque nenhum ser vivo poderia existir naquele ambiente.

PESSOA 1: Mas Zodraz não é um dragão comum, ele não precisa respirar que nem a gente. Já descobriram bactérias que não usam oxigênio aqui na Terra, então é possível.

PESSOA 3: É possível para uma bactéria! O seu dragão deve ser bem maior do que isso, boa sorte em crescer esse tanto sem oxigênio…

PESSOA 1: Você TEM CERTEZA que só um ser que respira oxigênio pode chegar ao tamanho de um dragão adulto?

PESSOA 3: Não… pode até ser que em algum outro planeta…

PESSOA 1: Ahá! Zodraz existe!

PESSOA 3: Não foi isso que eu disse. A Lua não é um planeta. Mas mesmo que esse ser respirasse qualquer outra coisa, não tem outra coisa para respirar por lá!

PESSOA 1: O dragão pode respirar algum gás que ainda não descobrimos. NÃO É POSSÍVEL que ainda não tenhamos descoberto todos os elementos que compõem o Universo?

PESSOA 3: É até provável. Mas daí a dizer que um ser mitológico da Terra possa existir na Lua respirando um gás impossível de identificar com a nossa tecnologia é um exagero. E outra: Viver sem luz, naquele frio constante do lado escuro da Lua? Não faz sentido!

PESSOA 1: Ele não precisa de luz ou calor, ele é um ser imortal.

PESSOA 3: Se ele é imortal e não precisa das mesmas coisas que um ser vivo comum, porque essa discussão inútil sobre respiração?

PESSOA 1: Para te provar que os homens não sabem tudo.

PESSOA 3: Mas não estou dizendo que sei tudo, estou dizendo que a sua afirmação sobre o dragão não faz sentido. Como ele nunca foi avistado então? Já demos voltas na Lua e o lado escuro é suficientemente mapeado visualmente.

PESSOA 1: Zodraz fica invisível quando quer. Além disso, as suas escamas são pretas, eu já disse isso!

PESSOA 3: Não é conveniente demais que o seu dragão seja imortal e invisível?

PESSOA 1: Invisível quando quer.

PESSOA 3: Mesmo assim, isso não responde minha pergunta!

PESSOA 1: Não é conveniente demais que respiremos oxigênio num planeta repleto dele? Por que a conveniência só não se aplica ao dragão?

PESSOA 3: As características que você descreve tornam o ser que você inventou impossível de ser desprovado! Isso não quer dizer que ele é possível ou provável, isso é uma armadilha lógica barata! Do jeito que você coloca as coisas, é impossível até que você tenha qualquer conhecimento sobre a criatura.

PESSOA 1: Como assim? Eu até descrevi como ele se parece.

PESSOA 3: E como diabos você sabe como ele se parece?

PESSOA 1: Relatos históricos de pessoas que já tiveram contato com Zodraz. Elas dizem em detalhes impressionantes como ele é e o que ele vai fazer com as pessoas que são ruins.

PESSOA 3: Tiveram contato com Zodraz no lado escuro da Lua?

PESSOA 1: Claro que não! Ele visita a Terra às vezes para passar sua mensagem.

PESSOA 3: Como diabos um dragão preto com olhos brilhantes vem à Terra e ninguém fica sabendo?

PESSOA 1: Eu já disse, ele fica invisível.

PESSOA 3: ENTÃO COMO AS PESSOAS SABEM COMO ELE SE PARECE?

PESSOA 1: No momento certo ele aparece para os escolhidos. As pessoas do mundo ainda não estão prontas para vê-lo.

PESSOA 3: E você já viu Zodraz?

PESSOA 1: Não, ainda não estou pronto. Mas um dia eu vou ver sim.

PESSOA 3: Então você prefere acreditar na palavra de pessoas que dizem se comunicar com dragões invisíveis, sem ter prova alguma, do que usar o conhecimento acumulado da humanidade?

PESSOA 1: Às vezes precisamos acreditar antes de ter provas. Eu tenho fé.

PESSOA 3: Você QUER que Zodraz exista.

PESSOA 1: Não preciso querer que ele exista, ele simplesmente existe.

PESSOA 3: Mesmo que a lógica e o bom senso digam o contrário?

PESSOA 1: Eu entendo lógica e tenho bom senso. Por que a sua lógica e o seu bom senso são melhores do que os meus? Você se acha tão superior, não?

PESSOA 3: Se o mundo todo se mobilizasse para mandar várias missões tripuladas para a Lua para pesquisar cada centímetro do lado escuro; sem encontrar nenhuma evidência da existência de Zadroz, você ainda acreditaria nele?

PESSOA 1: Claro. A ciência pode falhar. E além disso, eu já disse que ele fica invisível?

PESSOA 3: E eu achei que seria fácil derrubar uma teoria sobre um dragão na Lua…

PESSOA 1: Viu? Eu estou certo.

PESSOA 3: Desisto. E você? O que acha disso tudo?

PESSOA 2: Os dois tem pontos válidos. Se por um lado não se pode provar que um dragão more mesmo na Lua, também não se pode provar que não more. A discussão é inútil.

PESSOA 3: É aí que você se engana. Zodraz disse que vai destruir as pessoas ruins.

PESSOA 2: E?

PESSOA 3: O que é uma pessoa ruim para Zodraz?

PESSOA 1: Uma pessoa ruim é uma pessoa ruim, oras. Vai dizer que você não sabe diferenciar?

PESSOA 3: Não. Por favor me explique.

PESSOA 1: Gente que mata, estupra, rouba… Gente que faz mal para os outros e não tem a bondade no coração.

PESSOA 3: Gente que rouba? Zodraz vai destruir gente que rouba?

PESSOA 1: É…

PESSOA 3: E se roubar para alimentar a família? Vai ser destruído também?

PESSOA 1: Roubar é errado, a pessoa poderia trabalhar para alimentar a família…

PESSOA 3: Isso não responde minha pergunta. Zodraz vai destruir uma pessoa que rouba para não deixar a família passar fome?

PESSOA 1: Imagino que nesse caso ele pode perdoar…

PESSOA 3: Você acha que Zodraz pode cometer erros nos seus julgamentos sobre a índole das pessoas?

PESSOA 1: Não!

PESSOA 3: Se Zodraz aparecer para você e te disser que você foi escolhido para fazer justiça por ele, você vai acreditar?

PESSOA 1: Se eu vir mesmo… Mas é complicado… Eu teria que ter certeza…

PESSOA 3: Você já tem certeza que ele existe pelos relatos de pessoas que afirmam tê-lo visto. É a sua única forma de ter certeza nesse caso, não?

PESSOA 1: Colocando dessa forma…

PESSOA 3: Zodraz te aponta uma pessoa e diz que ela deve ser destruída. Zodraz não erra nos seus julgamentos. O que fazer?

PESSOA 1: Eu sei aonde você quer chegar! Você quer me fazer parecer um maluco só porque acredito em Zodraz! Preconceituoso!

PESSOA 3: Você não respondeu minha pergunta.

PESSOA 1: E nem vou responder. Você está me ofendendo.

PESSOA 3: Zodraz deve estar ouvindo essa conversa. Uma conversa onde você não diz que acreditaria piamente no julgamento dele. Isso deve abalar suas chances de ter um encontro com ele no futuro, não?

PESSOA 1: Ele sabe o que eu penso. Não precisa de palavras.

PESSOA 3: Então ele sabe que pode contar com você, não?

PESSOA 1: Claro!

PESSOA 3: Ainda acha uma discussão inútil?

PESSOA 2: Nem todo mundo é assim.

PESSOA 3: E precisa?

PESSOA 2:

Para dizer que não sabe se gostou ou não do texto, para dizer que ninguém pode dizer de verdade se o texto é bom ou não, ou mesmo para não emitir porcaria de opinião nenhuma porque se contenta em ser cúmplice: somir@desfavor.com

Hã? Cowboy Bebop?Existe um mecanismo de negação doentio que acomete o brasileiro com tal intensidade como eu jamais vi em qualquer outro lugar do mundo. É uma espécie de auto-preconceito velado. É um mecanismo de defesa e de negação envolvendo, na maior parte das vezes, sua raça, cor ou condição social. Fico com muita vergonha alheia quando vejo este tipo de demonstração: uma “minoria” discriminando a própria minoria, achando que não pertence a ela. O preconceito vindo do próprio objeto discriminado. Uma espécie de corrente do mal: preconceito, passe adiante, algo como “se me discriminam por se pobre, vou discriminar o Fulano que é ainda mais pobre do que eu!”. Um horror.

Quem nunca viu , por exemplo, uma pessoa de pele negra esculhambando outra pessoa de pele mais negra ainda? “Tinha que ser preto!” ou “Crioulo fdp!”. Ignorando o absurdo que é julgar alguém pela cor da pele, vamos analisar apenas a contradição deste evento. Eu fico olhando e me perguntando se o autor da frase não tem espelho em casa, se não percebe que ele TAMBÉM é negro. Em outros lugares do mundo os negros se unem e se respeitam porque sabem que já basta o preconceito dos “não-negros” contra eles. Aqui não, aqui neguinho (sem trocadilhos, por favor) é tão merda que se você é um pouquinho menos preto que seu colega, já aproveita para dar uma pisadinha nele!

Algumas pessoas parecem sentir tanta vergonha da própria raça que ficam tentando se dissociar dela, contra todas as evidência físicas. É patético e não convence. Querem um exemplo? Neymar, minha mais nova birra, que em uma entrevista disse a seguinte pérola: “Nunca fui vítima de racismo, até porque não sou preto, né?”. Não, não é não. Você é branquinho, Neymar. Nórdico. Escandinavo. Uma bonequinha de porcelana.

Muito feio isso. “Se o branquelo me discrimina, então vou aproveitar e discriminar quem é mais preto do que eu”. Uma babaquice de ficar passando o racismo adiante somada a uma tremenda falta de semancol. Deve ter alguma doença estilo anorexia, só que em vez de se ver gorda, a pessoa se olha no espelho e se vê branca. Só pode! Gente, coisa mais ridícula discriminar os outros pela cor de pele e muito pior quando você TAMBÉM tem essa cor de pele! Além de preconceituoso e babaca, ainda é BURRO! Por acaso é vergonha ser negro?

E aquelas pessoas da raça negra que dizem que odeiam negros? “Odeio preto!”. Fico atônita olhando. Dá vontade de perguntar “Você se odeiaaaaa?”. E quanto mais próximo fisicamente do objeto de crítica, piores ficam os comentários. Como é que um país que exerce massivamente esse tipo de auto-racismo camufado pode querer que respeito e erradicação do racismo? Que porra é essa de negar uma verdade que está, literalmente, estampada na cara? As pessoas acham que falando mal de negros automaticamente se excluem da categoria? Depois ainda dizem que os branquelos oprimem os negros. Não concordo. Muito pelo contrário, as loirinhas branquelas ADORAM, não só não oprimem como ainda costumam é acasalar com os negros. Os próprios negros, pardos, mulatos e cia (vulgo “não-brancos”, expressão horrível) é que oprimem os negros.

No Brasil acontece um estranho fenômeno: o preconceito de classe supera o de cor. Se você fica rico, você fica branco aos olhos da sociedade. Vê se alguém considera Obama negro! E Beyonce? É ruim! Ocorre uma especie de vitiligo social. Com isso, ninguém mais fala mal de negros ricos. Muito triste morar em um país onde se compra o respeito. Parece que só é preto quem é pobre.

No outro dia estava conversando com uma pessoa que trabalha no censo do IBGE. A pessoa me contava que a pesquisa é feita com base apenas na resposta das pessoas, sem qualquer juízo de valor do recenseador, que é obrigado a anotar o que lhe respondem. Quando perguntam a cor de pele e a pessoa diz “branca”, eles são obrigados a anotar, ainda que a pessoa seja azul marinho. Daí foram constatadas algumas discrepâncias: 80% da população é branca, porém mais de 80% pede ingresso na faculdade através de cotas para negros. De onde eu presumo que o complexo de vira-lata que o brasileiro sofre vem de dentro para fora, nasce aqui mesmo, não é consequencia de repressão externa. O brasileiro não se aceita e se auto-discrimina, a menos, é claro, que ele possa obter alguma vantagem com isso, como no caso das cotas. Aí é marrom bombom africano desde criancinha, com o maior orgulho. Que nojinho que me dá esse tipo de coisa.

Mas por incrível que pareça, me aborrece mais quando o fenômeno é de cunho social. Por mais que muitos discordem de mim, eu acho que o preconceito contra pobres não vem dos ricos, e sim dos menos pobres. Não tem raça pior, mais escrota e mais preconceituosa do que classe média baixa, quase pobre. Esses, no geral, são os que enchem a boca para falar que odeiam pobre.

Eu adoro pobre, pobre não me incomoda. Mas a classe média baixa se incomoda profundamente, talvez por se ver refletida ali e precisar desesperadamente desvincular sua imagem daquilo: “eu odeio pobre, consequentemente isso me faz não ser pobre”. Dái você vê aquela GENTALHA que não tem um pingo de cultura meteno o pau em funk, dizendo que odeia funk PORQUE é música de pobre. Filho, você é o que??? Você lê Nietzsche? Você assiste ópera e balé? Você janta em Paris? Cala boquinha e volta para a frente da TV, assistir novela, BBB e Zorra Total, porque você é tão massa quanto aquele funkeiro, só que mais chato e arrogante.

Vejam bem, não estou dizendo que as pessoas não possam desgostar de funk. Podem e DEVEM. O que eu critico é essa desculpa de que desgostam porque “é coisa de pobre”. Para poder dizer que desgosta de algo “porque é coisa de pobre”, Meus Queridos, vai desculpar mas você tem que ser MUITO CHIQUE, MUITO FINO E MUITO SOFISTICADO, se não soa ridículo, soa como mecanismo de defesa bobo para tentar esconder que também é um pobre ou quase pobre. No entanto, o que mais se vê é gente BREGA, SEM BERÇO, CAFONA e SEM CULTURA tirando onda de como odeia coisa de pobre. Dica: odiar coisa de pobre não te faz automaticamente rico, muito pelo contrário, delata que essa aversão é, na verdade, um medo tremendo de ser classificado como pobre.

Dentro dessa categoria de odiar coisa de pobre temos várias derivações. Por exemplo, as pessoas que odeiam tal comida por ser “comida de pobre”. Bota um escargot, um foie gras ou alguma comida “de rico” e vê se essa gentalha come! Come porra nenhuma! Desdenham dobradinha e rabada mas adoram uma feijoada, strogonoff e bife com batatas fristas. Finesse. Crasse. Catiguria. São tão pobres que nem sabem que as comidas que eles gostam também são de pobre!

Tem também aqueles que não usam roupas de grandes magazines ou de determinadas marcas porque seria “roupa de pobre”. Daí os babaquaras vão e compram roupas “de marca” que são o auge do atestado de mau gosto e pobreza, tipo Victor Hugo. Não tem coisa mais de pobre, suburbana e gentalha do que bolsas Victor Hugo. Não é porque custa caro que é de bom gosto. Porque gente fina usa bolsa Fendi ou Channel, sapato Jimmy Choo ou Manolo Blahnik. Mas os infelizes compram uma bolsa Victor Hugo e se acham phynos. Se você quer tirar onda, tem que ser top, não basta ser melhor do que o seu vizinho.

Impressionante como as pessoas não sentem constrangimento em arrotar pouca merda. Acham que estão tirando onda e na verdade estão passando atestado justamente do contrário do que pretendem. Nunca esqueço uma ocasião onde uma nova rica tirava onda de que ia comprar um castelo e uma pessoa lhe deu o seguinte totozinho: “Castelo não se compra, Querida, castelo se herda”. Podia dormir sem essa, né? Eu mesma dei uma patadinha esta semana, quando me escutei que chocolate da Cacau Show é coisa de pobre e que chocolate de “catiguria” é da Kopenhagem. Quase engasguei. Só porque custa vinte pratas mais caro? Vai se foder, quer tirar onda? Então vamos conversar de Pierre Marcolini para cima. Não fode.

Esse equívoco de que o TER significa o SER vem gerando uma massa de superendividados que pretendem status social com bens de consumo. Sem sacanagem, eu trabalho diariamente atendendo pessoas com renda familiar entre zero e cinco salários mínimos e TODOS tem um celular melhor que o meu – porque celular que não tem internet e não é “touch screen” é coisa de pobre. Adianta ter um mega-celular multifuncional se nem tem crédito para ligar? Não me conformo.

E quando chega a parte dos julgamento ético e moral? Ai do pobre que rouba uma galinha ou uma balinha, neguinho mete o pau dizendo que tem que pagar pelo que fez porque não é o valor e sim o ato em si e que tem que ser punido. Os mesmos que tem gato em casa, que é crime de furto de energia elétrica, os mesmos que tem gatonet, igualmente crime, os mesmos que subornam o guarda para não levar multa, enfim, os mesmos que incorrem em crimes tão ou mais graves diariamente, porém se acham no direito de escolher quais leis querem cumprir. Aquele imbecil (porque não tem outro nome para quem faz isso) que sai, bebe, dirige e entra no seu celular para descobrir no twitter onde está sendo feita uma blitz e desviar o caminho se sente no direito de cobrar rigor da justiça e de cobrar um comportamento ético dos demais. Dois pesos e duas medidas. Esse tipo de pessoa é tão ou mais incorreta que o “pobre” ,que ela rapidamente condena em seu discurso.

Além disso, onde está escrito que uma coisa é pior por ser “de pobre”? Eu prefiro mil vezes diversas coisas tidas como “de pobre” do que coisas classificadas como “de rico”. Quando você é bem resolvido não tem medo de transitar em todos os círculos nem de ser rotulado. Você pode gostar de uma coisa “de pobre” sem “ser pobre” ou ainda ser pobre sem ser medíocre.

Pior do que esse “medo de parecer pobre” é a falta de auto-crítica ao não perceber que, no conjunto da obra, a maior parte dos brasileiros se porta como pobre MESMO, e não acho isso demérito. É o que eu sempre digo, ser suburbano é estado de espírito, existem pessoas finas nos bairros mais afastados e existem suburbanos morando em bairros nobres. Achar que é fodão porque é um pouquinho mais fino que seu vizinho é deprimente. Joga qualquer um de nós em Milão e somos todos macaquitos mal vestidos. Se manquem, o mundo vai muito além do seu bairro! Humildade já!

Por favor, SE OLHEM NO ESPELHO ANTES DE FALAR. É muito vergonhoso desdenhar um grupo ao qual você pertence mas finge desesperadamente não pertencer. Ser esbobe, ser arrogante e ser prepotente tem seu charme quando a pessoa efetivamente tem potencial para isso. Quando não tem, é patético, antipático e ridículo.

Para dizer que não consegue calcular quantos grupos diferentes eu ofendi nesta postagem, para dizer que meus conceitos portenhos são equivocados e que no Brasil qualquer um que seja mais claro do que um carvão não é considerado negro e para dizer que nada pior do que um pobre esnobe: sally@desfavor.com

A idéia por trás da imagem é genial. Ou não.A minha habitual falta de paciência com outros seres humanos acentua-se consideravelmente quando tenho que lidar com esse povinho que acha o máximo se dizer eclético em seus gostos artísticos, principalmente quando o assunto é música.

Pois bem, vamos logo ao objetivo: Se o seu gosto é eclético, você NÃO tem gosto. Você deveria ter vergonha dessa preguiça mental, e não orgulho. Uma PEDRA é eclética, já que também não demonstra escolha/preferência em relação aos impulsos externos.

Ser eclético é tão característica vazia quanto ser humilde. E da mesma forma, uma infinidade de seres humanos preguiçosos cismam que isso os torna especiais. Se falamos de música, o eclético é aquele que escuta qualquer coisa que tocar na rádio sem nenhuma objeção. Escuta basicamente o que as gravadoras pagam para ser tocado, e gosta do que lhe é dito para gostar.

Embora a tentação seja grande, não é meu objetivo dizer que o MEU gosto musical específico deveria ser generalizado, a questão é que ser chamado de elitista intolerante e preconceituoso por um bando de pessoas que nem mesmo GOSTAM de música enche o saco. E nem é por ter problemas com o papel de vilão… Imagina-se que uma discussão deva ocorrer entre pontos-de-vista diferentes, mas quando se trava uma conversa musical com um eclético, fala-se com as paredes.

Imagino que alguns de vocês, os que enchem a boca para propagandear uma característica presente em objetos inanimados, devam ter se incomodado com a minha afirmação sobre ecléticos não gostarem de música.

Pois bem, reproduzirei algumas frases clássicas da turma que gosta de tudo:

“Não tenho preconceito, escuto o que tiver tocando…”

Ok, em primeiro lugar, essa frase é idiota. A não ser que você seja surdo, você vai escutar o que estiver tocando. Se uma pessoa aprecia por igual QUALQUER estilo de música, devemos reduzir todos eles ao menor denominador comum: Ritmo. Uma sinfonia tem seu ritmo, um rock tem seu ritmo, até mesmo o funk carioca tem um ritmo. E por ritmo eu quero dizer algum elemento sonoro minimamente repetitivo reconhecível como um padrão pelo cérebro humano. Um relógio de corda tem ritmo.

Está programada na sua mente a capacidade instantânea de captar e tentar prever padrões. Como isso está intimamente ligado ao funcionamento geral do raciocínio humano, era de se esperar que qualquer tipo de som repetitivo fosse processado com razoável prioridade. Ritmos chamam nossa atenção.

E se você está pensando que vai dizer que ninguém fica escutando relógio de corda achando que é música, deveria escutar mais música eletrônica. O que diferencia é a complexidade do padrão… Um tic-tac se torna muito previsível em pouco tempo, uma música (por pior que seja) tem muito mais “entulho sonoro” para manter o cérebro ocupado.

A pessoa que acha qualquer música interessante está presa na forma mais simplória do processamento de informação possível nesta situação. Não é gosto musical, é a busca de padrões.

Se você escuta o que estiver tocando, não é por gostar de música.

“Música tem que ser boa de dançar!”

Não, não tem. Dançar é uma atividade à parte. Música é para ser ouvida. Quem trata música como trilha sonora para uma atividade esportiva está simplesmente se aproveitando do ritmo para organizar melhor sua coordenação motora.

Se uma música não pode ser apreciada da mesma forma com o ouvinte em repouso, nada mais é do que um “ritmo com entulho”. E eu nem estou reclamando do povo que gosta de dançar… É um esporte que pode exigir níveis altíssimos de coordenação e concentração nas suas variações mais complexas.

Ah sim, alguém pode estar estranhando… Dança é esporte e não arte. A lógica é bem simples: A forma física dos praticantes é DIRETAMENTE PROPORCIONAL à qualidade do resultado final. Da mesma forma que uma partida de futebol seria terrível só com balofos em campo, um grupo de dança de obesas também não agradaria aos espectadores.

Claro, pode-se argumentar sobre dança interpretativa, mas a comparação permanece: Se dança “comum” são as olimpíadas, dança interpretativa são as paraolimpíadas.

Depois desse leve desvio, voltemos ao foco:

Você não está fazendo uma afirmação de qualidade musical ao dizer que gosta de dançar. São coisas diferentes que combinam em situações específicas.

“Tem muita música boa em estilos diferentes…”

É uma afirmação vazia se você não tem referenciais do que NÃO é música boa.

Atenção para o (raro) fato de eu não estar excluindo a possibilidade de gostos diferentes terem o mesmo nível de profundidade. Um fã de sertanejo tem a sua linha para definir o que é melhor e o que é pior, mesmo que alguém como eu vá dizer que todas são ruins. Mas essa pessoa pelo menos GOSTA de alguma coisa em detrimento de outra. É uma opinião com conteúdo (mesmo que seja um conteúdo pra lá de corno…).

Depois de dizer que há qualidade em todos os estilos musicais, deve-se ter pelo menos a capacidade de reconhecê-la. E o eclético só escuta o que mandam ele escutar… Quem garante que a música “paga para tocar” que ele conhece é mesmo de qualidade?

Não é possível que alguém que simplesmente não se importa em escolher o que vai ouvir GOSTE de música. Não é uma função fisiológica inescapável, escolha está no âmago da questão. Se nem isso você quer fazer, não deveria fazer juízos de valor sobre as decisões de outros. Tipo da pessoa chata sem opinião que quer que os outros também não tenham… Sabe aquele ser IRRITANTE que interrompe discussão alheia para dizer que acha o assunto chato?

Esse povo gosta mesmo é da reconfortante sensação de não ter de sair de cima do muro para evitar críticas. Afinal, duvido que alguém consiga apontar falhas numa opinião inexistente.

“Eu me divirto em muito mais situações…”

Eu também me divertiria em muito mais situações se fosse bissexual, mas isso não é argumento para que eu comece a dar a bunda! Uma pessoa não precisa vivenciar todo o leque de opções oferecidas pela vida. Principalmente se isso for resultado direto de se tornar uma massa amorfa de gostos guiados pela aceitação alheia.

Seus gostos são resultado direto de opções e histórico de vida. A graça do mundo está nas diferenças entre as pessoas. É muito mais interessante conhecer e conviver com quem não está simplesmente fingindo que é mais agradável do que realmente é.

Sem contar que essa postura “gosto de tudo” evita uma das melhores formas de formar laços com outras pessoas: Desgostos similares. Eu já conheci muita gente bacana com gostos parecidos, mas as mais interessantes sempre foram as que não gostavam das mesmas coisas que eu não gosto.

Gostar de algo é muito complexo de se definir. Não é incomum que uma pessoa não consiga explicar por que algo lhe agrada. Mas no sentido oposto ocorre o inverso: Quem não gosta de alguma coisa quase sempre sabe explicar o motivo. A comunicação flui muito melhor quando se reclama em conjunto.

A pessoa eclética, na sua ânsia de não se comprometer, torna suas relações mais superficiais. É fácil se divertir em mais situações se o cérebro ficar sempre no “automático”. Não consigo enxergar isso como vantagem…

Se você quer apenas “fazer uma social”, não precisa gostar de música.

A lista de chatices vai longe, mas são apenas iterações dessas idéias.

Assim como eu disse num texto anterior que humildade é a qualidade de quem não tem qualidades, estendo: Eclético é o gosto de quem não tem gostos.

Então vamos fazer o favor de parar de pentelhar as pessoas que ASSUMIRAM O RISCO de decidir o que acham bom ou ruim com essa idéia babaca de que só está certo quem gosta de qualquer porcaria composta de “ritmo e entulho sonoro”.

A pessoa só gosta de rock e acha samba uma porcaria? Ela tem uma opinião. A pessoa gosta de pagode, rock e odeia música eletrônica? Ela tem uma opinião. A pessoa gosta de “pop” e não tem o menor interesse no resto? Ela tem uma opinião. A Sally gosta de axé, funk e odeia as “músicas de nerd” que eu gosto? Ela tem uma opinião (que me mata de desgosto).

A pessoa escuta qualquer coisa sem diferenciá-las? Então não enche o saco! Você não queria ser agradável a qualquer preço? Faça por onde e aceite que não tem nada de especial nisso.

Nem o Goiaba, meu gato, é eclético: Se eu tacar um Cannibal Corpse no som aqui, ele sai correndo. Fresco, mas pelo menos tem uma opinião! Já a parede parece encarar tudo numa boa.

Para dizer que gostou do texto porque gosta de todos os textos que lê, para dizer que só não vai comentar porque pode ser criticado(a) depois, ou mesmo para dizer que eu pratico crueldade animal musical: somir@desfavor.com

Eu não fui um eeeerrooooo!Se você gosta de crianças, parabéns, você é uma pessoa muito mais espiritualizada e tolerante do que eu e suas chances de ser feliz são muito maiores do que as minhas. Parabéns mesmo, de coração. Eu não gosto de crianças.

Eu te respeito por gostar de crianças, você pode me respeitar por não gostar de crianças? Adoraria que as pessoas pudessem respeitar isso e que a parcela da população (que não é tão pequena) que não gosta de crianças pudesse falar abertamente no assunto, sem ser taxado de pessoa sem caráter, escrota ou satanista.

Vejam bem, crianças me incomodam. Nada contra se você quer ter dez filhos, se acha crianças lindas, criaturas de luz e abençoadas. Eu não tenho nada contra as crianças em si, elas apenas me irritam e me incomodam. Não faço campanha contra quem quer ter filhos nem os acho inferiores por causa disso, só quero distância das crianças. Já disse que elas me incomodam? Elas me incomodam mais do que cães e gatos, por exemplo.

Considerando o incômodo que crianças podem provocar, ainda mais as crianças brasileiras (que, como regra geral, são especialmente mal educadas) e considerando também que não sou só eu, que muitas pessoas se sentem incomodadas com elas, não me parece uma idéia absurda que algumas áreas de lazer sejam divididas em áreas onde se permitam crianças e áreas para uso exclusivo de adultos. Explicarei melhor, mas preciso que você abra sua mente e tire o ódio que está sentindo de mim do seu coração para que possa entender.

Ter filhos implica em renúncias. Provavelmente você, leitora que tem filhos, tem alegrias que eu jamais vou sequer sonhar em ter caso desove um pequeno anticristo buceta afora. Em compensação, da mesma forma que proporciona alegrias, também acarreta em restrições. Infelizmente as pessoas não entendem isso. Pessoas tendem a querer o bônus sem ter que pagar o ônus e acham que podem fazer os mesmos programas de uma pessoa sem filhos com uma criança debaixo do braço.

Por mais que meu pensamento soe egoísta, acredito que acabe por beneficiar as próprias crianças também. Vamos combinar que alguns lugares não são adequados para crianças, até mesmo porque ELAS detestam e se aborrecem. Os pais não querem abrir mão de freqüenta-los e acabam indo com a criança junto. Se estes locais tivessem áreas onde se permitem crianças e áreas onde não se permitem crianças tudo seria mais simples para todos nós.

Restaurantes, por exemplo. Lembro que quando meu pais me levavam a restaurantes, um deles comia enquanto o outro brincava comigo, me dava comida e me mantinha quieta. Quando um deles acabava de comer, trocavam: o outro comia enquanto o que já estava alimentado cuidava de mim, continuava me dando comida, brincava e me mantinha quieta. Se houvesse uma área só para pessoas com crianças eles não precisariam fazer este malabarismo com medo de incomodar as outras pessoas.

Tudo bem que isso não é o que se costuma vez hoje em dia. Crianças levadas a churrascaria rodízio, jogadas na cadeirinha ou no carrinho enquanto os pais comem por horas é uma cena comum. Evidente que essa criança vai se aborrecer e abrir o berreiro. Daí a mãe olha de ladinho e fala “João Vítor, fica quietinho que a mamãe tá comendo…” enquanto a criança continua berrando, tacando coisas no chão e fazendo todo tipo de inconveniência. A realidade atual é essa. A mamãe não para o que está fazendo para calar a boca do seu pimpolho, porque “agora a mamãe não pode, a mamãe ta comendo”. aff

A realidade é essa. O incômodo que crianças geral é enorme e não é injusto ou desproporcional adotar providêcias. Não estou pedindo que proíbam a entrada de crianças em restaurantes, isso não seria democrático. Estou pedindo que reservem uma área separada para quem não quer aturar tudo aquilo que implica uma criança mal educada. “Mas Sally, não seria mais fácil se os pais educassem seus filhos?”. Sabemos que isso não vai acontecer, e não temos como obrigar que pais eduquem seus filhos, mas temos como obrigá-los a levar seus filhos mal educados para longe de nossas mesas.

Além disso, crianças educadas também podem incomodar. Um milhão de desculpas a todos os pais do mundo, mas VOZES de criança são extremamente irritantes. Elas falam alto, de um jeito irritante, falam coisas chatas de um jeito chato. Crianças cantam músicas sacais, idiotas e repetitivas à exaustão e eu vou te dizer que eu estou no humor de ficar ouvindo isso depois de 12h de trabalho. Crianças cutucam, choram, cagam nas calças, tem melecas escorrendo pelo nariz. Em resumo, são tudo que eu quero distância quando estou me alimentando. Você não vai ver muitas pessoas com culhões de verbalizar isso, mas muita gente concorda comigo.

Não vejo prejuízo em criar duas áreas, como se fazia com fumantes e não fumantes: crianças ou não-crianças. Assim todos ficam felizes. Porque crianças são chatas mas são espertinhas, elas sabem, elas sentem quando estão sendo hostilizadas ou rejeitadas. Com esta separação por áreas seus pais poupariam seus pimpolhos de pessoas como eu, que lançam olhares assassinos para crianças que fazem barulho e comentam em voz alta coisas como “Se é para ter filho e não educar, costura logo a buceta dessa vagabunda que está sentada ali deixando o filho gritar com arame farpado”. Já vi pessoas irem além: vão na mesa onde está a criança em questão e dão esporro nos pais e às vezes até na própria criança. Isso não é bom para ninguém.

E cinema? E quando inventam de levar criança de colo em cinema? E quando inventam de levar criança de colo em cinema em filme legendado e ficar lendo as legendas? CUSTA estipular que depois das 22h não pode entrar criança, ao menos em ALGUMAS salas? Custa criar UMA ÚNICA sala que seja onde não pode criança? Não é proibir criança de entrar no cinema, é limitar um pequeno número de salas onde só podem entrar adultos! É uma norma que nem deveria ser necessária se os pais tivessem bom senso! Quando eu vejo mães entrando com crianças de colo, começo uma contagem regressiva em voz alta depois do apagar das luzes, porque eu sei que a criança vai começar a chorar quando tudo ficar escuro e aquele som ensurdecedor do filme começar. Não tem erro, em menos de dez segundos começa a choradeira. E tem mãe que não sai da sala não, tá?

E quando você pega seu suado dinheirinho, viaja para um chalé ou uma pousada afastada, no meio do nada, para descansar e ao lado tem pais com um bebê que chora a noite toda? Não é justo. Vai me desculpar mas não é justo. Deveria ter uma área livre disso. Silêncio é pressuposto desse tipo de programa e sem silêncio e sossego ele não se justifica. O bebê não tem culpa, bebês choram. É uma das únicas coisas que eles sabem fazer. A culpa é dos pais que não se mancam. Já que as pessoas não tem o semancol de presumir que seu filhote incomoda a todo mundo menos a elas, a situação tem que ser normatizada. Cria duas áreas, uma para crianças e a outra para pessoas sem crianças.

E vamos combinar que não estamos apenas falando de bebês aqui. Existem muitas crianças e até mesmo pré-adolescentes que são tão ou mais inconvenientes que bebês. Brincam aos berros, correm, acordam os outros, gritam, enfim… fazem tudo o que o brasileiro acha que uma criança “normal” faz. Adoro a frase “Que que tem, ele é criança!” como ser o fato de ser criança justificasse tudo. Eu fui criança e nem por isso fazia certas coisas. Daí você está lá, tentando descansar nas suas únicas férias no ano todo, enquanto tem que ver uma criança chamando a mãe de filha da puta aos berros e cuspindo nela. Ninguém merece.

Já que eu tive um cuidado absurdo por toda a minha vida para não engravidar (e paguei um preço caro por isso, muito caro por essa escolha), eu mereço usufruir do lado bom da minha escolha e ter PAZ, e poder dormir até duas da tarde se quiser, ter silêncio, ter sossego. Eu e todas as outras pessoas que não estão com vontade de conviver com criança merecemos uma área separada. Tivemos o ônus de não ter filhos, MERECEMOS O BÔNUS, PORRA!

“Mas Sally, estaria segregando as crianças, seria crime de preconceito!”. Cale a boca e estude antes de falar da lei. Se quer levar para o lado da “segregação”, então pense que estaríamos segregando que NÃO tem filhos. Pode deixar a área para crianças como a área principal, com tapete vermelho e toda pompa e faz um puxadinho sem luxo para quem não quer crianças, não tem problema. Eu só quero um ambiente livre dessas criaturas chatas pra caralho. Aceite, você ama seu filho, eu acho ele um porre. E isso não me faz má pessoa.

Repito o que eu sempre digo aqui: filhos são como peidos, você só aguenta os seus – e olhe lá. Não me falem em preconceito ou segregação, quem tem preconceito são os PAIS. Nesta república das bananas tupiniquim, sob o comando de Voça Magestadi Çilava I, que recompensa cada filho feito com uma bolsa-esmola, parece desaforo não ter filho. Quem é segregado e discriminado é quem opta por não ter filhos. Você ganha presunção de ser frio, insensível, má pessoa, emocionalmente comprometido e outros. Tente ser argentino, ateu e não ter filhos no Brasil e daí a gente senta para discutir segregação e preconceito, ok?

Uma vez, expondo esta idéia se áreas separadas para crianças, uma pessoa muito frustrada (sim, eu sei que você está lendo, e eu sei que você está infeliz e SIM, eu estou rindo disso) soltou a seguinte pérola: “Vai me punir? E eu por acaso tenho culpa de ter filhos?”. SIM, tem sim. Ora, a cegonha não traz um filho de surpresa na sua casa, faz filho quem quer. Não quer ter filhos? Faz que nem eu, se entope de hormônio, fode teu corpo, aumenta suas chances de ter câncer e todos os demais ônus que isso acarreta. Daí você dificilmente vai ter filho. Pague o preço e não tenha se não quiser. Filho não é destino, é escolha. Ter filho por medo de se arrepender mais tarde ou por pressão social é covardia e SACANAGEM com a criança. Áreas separadas não são “punição” para quem teve filho, são a preservação de um direito de quem não teve. Não há prejuízo para quem tem filhos, a pessoa não será barrada, apenas terá uma restrição de área.

Nesse ponto a gente entra naquele tema muito bem abordado pelo Somir no último Desfavor da Semana (02/10/2010): ninguém quer ser o otário por último. Em uma analogia com trote da faculdade: o último que se fodeu quer que o próximo se foda. O fundo do poço é mais suportável se não for solitário. Eu vejo MUITOS pais de SACO CHEIO dos seus filhos, porém repetindo que eles são a melhor coisa da sua vida e que ta tudo lindo, tudo ótimo, porque simplesmente não conseguem admitir (talvez por filho ser uma coisa irreversível, talvez pelo medo da reprovação social) que a tarefa é muito mais árdua do que imaginaram e muito frustrante em alguns momentos. Muitos pais tem uma inveja secreta de quem é livre e pode dormir até a hora que quiser e fazem questão de deixar seus filhos incomodarem essas pessoas felizes. Não são todos, mas que eles existem… ahhh existem.

Quem for bem resolvido consegue ver de cara que a idéia de ambientes com criança e sem criança é benéfico para todo mundo, inclusive para as crianças. Isso estimularia os centros de lazer a investir na infraestrutura das áreas para criança e elas teriam mais liberdade para fazer o que querem. Os pais teriam mais liberdade de deixar seus filhos mais à vontade, porque saberiam que seus vizinhos de mesa estão ali por escolha, não sentiriam constrangimento de ter que manter seus filhos em silêncio para não incomodar os outros (se é que alguém se preocupa com isso) e as pessoas sem filhos teriam a paz e o sossego que tanto merecem.

Quem me conhece sabe que eu não choro em público. Uma das únicas vezes que não me contive e chorei em público foi por um evento envolvendo o incômodo provocado por uma criança. Certa vez eu jantava em um lugar muito formal em Buenos Aires com um grupo de brasileiros. Na mesa ao lado havia um casal com uma criança de uns dois ou três anos. No meio do jantar a criança começou a fazer um escarcéu e os pais não se deram ao trabalho de tomar uma atitude.

Não deu outra: passados alguns minutos o gerente do local se aproximou e os convidou a se retirar, pagando um semi-esporro que restaurante NÃO É lugar para criança e que eles estavam incomodando os presentes. Foram imediatamente escoltados até a porta, tendo inclusive que pagar a conta do lado de fora, sob olhar de reprovação de TODOS os presentes, que até bateram palmas. Exceto os brasileiros, que ficaram indignados. Nessa hora, ao ver o sentimentalismo barato para parecerem boas pessoas, permeado por frases ignorantes do tipo “Gente, que que tem, é só uma criança” meus olhos se enchem de lágrimas e eu efetivamente chorei em público naquela noite, ao pensar O QUE MERDA eu estou fazendo aqui, se meus valores são todos de lá. Chorei ao pensar “eu pertenço a este país, aqui as pessoas me entendem e pensam como eu” e chorei por pensar que teria que voltar para cá e aturar trocentos remelentos chiando nas mais diversas áreas de lazer. Eu sou mais sofisticada do que isso, eu mereço MAIS do que isso. Eu e todos os demais que se sentem incomodados com crianças mal educadas. Só que a solução não é mudar de país, é mudar O PAÍS. Áreas restritas para crianças djá!

Por isso hoje eu vim aqui bater no peito e dizer: NÃO, EU NÃO ESTOU ERRADA, NÃO, EU NÃO ESTOU MALUCA, nós, que nos sentimos incomodados por crianças, merecemos ter o DIREITO DE EVITÁ-LAS, sobretudo nas áreas de lazer onde sua presença por si já é inconveniente. Isso não me faz má pessoa como muitos querem fazer parecer. Não me faz intolerante. A verdade inconveniente é que isso é um DIREITO e que os errados são os pais das crianças, seja por não educá-las, seja por levá-las a ambientes inapropriados por não querer abrir mão dos hábitos dos tempos em que não tinham filhos.

Quando uma pessoa incomoda outra com atos inconvenientes em áreas de lazer não hesitamos em criticar e até mesmo pedir para que a pessoa seja expulsa. Mas com crianças ficamos frouxos, por medo da reprovação social. “Mas Sally, a criança não tem culpa!”. Concordo. MAS OS PAIS TEM, e são eles que devem ser retirados ou colocados em uma área própria para quem está com crianças. Pelo amor de Deus, não estou pedindo para alimentar leões com bebezinhos, estou pedindo para que me seja facultado não ser forçada a conviver com um incômodo. Por mais que te doa, seu filho querido maravilhoso que VOCÊ acha lindo, pode sim ser um incômodo para outras pessoas!

Eu ia comentar de um episódio onde uma criança cagou nas fraldas na mesa do lado, espalhando cheiro de merda no ambiente e a mãe disse “Agora estou comendo, quando EU acabar de comer eu troco a fralda”, que me obrigou a jantar cheirando merda da prole alheia, mas acabou meu espaço, estou na quinta página…

Só para concluir, muita gente vai me xingar, sabe porque? Porque vai doer. E só aquilo que é muito verdadeiro dói e incomoda. Tenha pena de mim o quanto quiser, isso não apaga o fato de que a maior parte das pessoas que sai sem crianças (tendo filhos ou não) se sente profundamente incomodada com o filho dos outros. Não é uma ofensa a você ou a seu filho, é um sagrado direito de quem quer PAZ E SOSSEGO.

Para dizer que filho dá trabalho mas se justifica porque você tem medo de ficar sozinho na velhice, para dizer que não te surpreende ver que eu continuo uma escrota sem coração ou ainda para perguntar se esta é a “semana aborto” no Desfavor: sally@desfavor.com