Não me chama de boneca!

Esta semana vi uma entrevista que me chocou e me fez pensar. Pensei, ou ao menos tentei, e não achei respostas, então, trago o tema a debate aqui, para tentar chegar a uma conclusão com a ajuda de vocês. No Flertando com o Desastre de hoje, vou falar sobre os Assexuados.

Vem surgindo um grupo de pessoas que não tem a menor vontade de fazer sexo e também não tem a menor vontade de ter vontade de fazer sexo. São chamados de Assexuados. Dizem que vivem muito bem, obrigado, sem fazer sexo e que sexo é hipervalorizado por nossa sociedade.

A princípio, os médicos classificaram esse comportamento como uma doença chamada Desordem do Desejo Sexual Inativo (Hypoactive Sexual Desire Disorder) e recomendavam tratamentos à base de hormônios e outros remédios. Entretanto, um número crescente de pessoas vem recusado o tratamento alegando que está muito melhor sem sexo, que sexo acaba escravizando e que sua vida tem outras coisas boas pelas quais elas podem se realizar.

Na entrevista, a mulher se defendia dizendo que a escolha de não fazer sexo era personalíssima, que apenas afetava a ela e não prejudicava ninguém e mesmo assim, todos se voltavam contra ela, tentando convencê-la de que isso era uma loucura. Ainda segundo a moça, mesmo amigos seus que costumavam respeitar escolhas pessoais controversas, como uso de drogas ou traição, não respeitaram essa escolha que ela fez de ser assexuada.

Perguntas: será que todas as pessoas que são ou optam ser indiferentes ao sexo tem alguma desordem bioquímica ou psicológica? Será que quem não liga para sexo é necessariamente anormal? Será que quem não quer fazer sexo tem que ser tratado clinicamente como uma pessoa portadora de um distúrbio? Alguém tem a pretensão de responder? Porque eu não tenho resposta.

Faz pouco tempo se dava aos homossexuais o mesmo tratamento que se está dando hoje aos Assexuados. Eram tidos como pessoas doentes, que tinham algum distúrbio a ser corrigido, usando inclusive o argumento cruel de que o natural é o ser humano procriar em nome de perpetuação da espécie. Mas, com o tempo, aprendemos a respeitar a escolha sexual, ainda que ela seja diferente da nossa. Seria a coisa correta a fazer com os Assexuados? Não fazer sexo apenas mais uma preferência sexual?

Será que existe vocação legítima para ser Assexuado ou isto é fruto de uma disfunção bioquímica ou algum trauma de origem psíquica? A decisão de não fazer sexo estaria inserida na possibilidade de escolha de alguém? Ao renunciar ao sexo, se estaria renunciando também à possibilidade de manter uma relação afetiva com alguém?

A sexualidade humana tem DE TUDO. E para quem duvida, basta pedir para o Somir enviar uns vídeos que ele tem naquele computador sinistro dele. Tem de tudo MESMO. Não me espanta que existam assexuados e me choca menos uma pessoa assexuada do que uma pessoa que come o cocô do parceiro, fresquinho, assim que ele sai do fiofó. E olha que comer cocô é uma das coisas mais lights que tem nesses vídeos bizarros que circulam por aí!

Mas, há quem pense diferente. Segundo o, psicólogo e diretor do Centro de Saúde Sexual e Medicina na Universidade Johns Hopkins “É um pouco como as pessoas dizerem que não têm apetite por comida, sexo é um desejo natural, tão natural quanto o desejo por alimentos e água para sobreviver. É um pouco difícil considerar essas pessoas como normais”. Essa é a parte chata deste tema: as opiniões de ambos os lados fazem sentido.

Parte dos Assexuados respondem dizendo que lidam com sua sexualidade de outra forma. Por exemplo, se masturbam. Só não querem fazer sexo com outras pessoas. Outra parte diz que não sente a menor vontade de porra nenhuma e isso não faz deles uma aberração ou uma anormalidade. O curioso é que eles se dizem interessados em envolvimentos emocionais profundos, relações longas e duradouras, e até mesmo em criar filhos, claro, que eles não tenham que fazer. Eu pergunto: como conciliar as necessidades emocionais com a falta de necessidade física? Será que os Assexuados estão condenados a só se relacionarem com outros Assexuados?

Na China, por exemplo, há um site de relacionamentos destinado apenas a Assexuados, chamado “Casamento para Assexuados”. Tem mais de dez mil pessoas inscritas. O criador disfarça com a velha tática do amigo, dizendo que a idéia surgiu com a intenção de ajudar “um amigo” que ficou sexualmente incapacitado após um acidente, de forma irreversível. Ok, temos mais um grupo que pode ser relacionar com os Assexuados, além dos próprios Assexuados: pessoas que sofreram algum acidente e perderam sua capacidade sexual. É mais barato que tomar Viagra todo dia.

Também há grupos de homens com disfunção erétil que procuram parceiras Assexuadas! Eu jurava que era trollagem, mas era verdade. Eles dizem que estão cansados de fazer tratamentos, de que o sexo seja um esforço. Em um depoimento bizarro, um broxa me confessou que a única razão pela qual tomavam “agulhadas no pênis” (sim, eu tive que ouvir isso) era para conseguir ter uma relação afetiva. Mas, com a difusão dos Assexuados, é possível manter uma relação afetiva sem sexo, coisa que lhes é plenamente satisfatória. Olha aí! Mais um grupo que pode se relacionar com os Assexuados! Eles estão melhores do que eu, que só tenho um grupo alvo: heterossexuais.

Para minha surpresa, existem mais de mil comunidades sobre Assexuados no Orkut. Claro que muitas delas envolvem piadas. Também existem fóruns a respeito, e todo tipo de comunidade virtual. Uma coisa me chamou a atenção: em todos os pontos de encontro virtual os Assexuados se mostram muito sozinhos e querem muito um parceiro do sexo oposto, igualmente assexuado, com o qual não tenham a obrigação/compromisso de fazer sexo. Entrei em vários lugares camuflada e fiz a mesma pergunta: Se não fazem sexo, que diferença faz que seja um parceiro do sexo oposto? Não bastaria que fosse um ser humano bacana?

Fui terrivelmente xingada em alguns lugares e em outros concordaram comigo. Mas no geral me deram pedradas. Um deles até mandou um “Tá achando que só porque eu não faço sexo eu sou viado?”. Gente, deu um nó na minha mente! Alguém desata? Um relacionamento sem qualquer cunho sexual pode ser considerado homossexual? Namorar assexuadamente alguém não é o que chamamos comumente de amizade? Meu neurônio… meu único neurônio, está ofegante em um canto da minha caixa craniana, não posso mais desenvolver esta controvérsia.

Na minha “pesquisa” (cof! cof! trollagem), constatei que a maior reclamação deles em relação à sociedade é a não aceitação, mas não no que diz respeito ao preconceito, e sim a tentar convencê-los a fazer sexo. Ninguém chega para um homem gay e diz “Poxa, Fulano, vai lá, come uma bucetinha, é gostoso, você vai ver!”. Podem até dar porrada, podem excluí-lo do convívio social, podem discriminar, mas não tentam entrar no mérito da escolha. E esta é a grande mágoa dos Assexuados. Eles dizem que querem ser deixados em paz, que preferem a marginalização e o preconceito do que pessoas tentando ensiná-los o que fazer com sua vida íntima.

Alguns reclamam do termo, dizem que não são assexuados, já que eles tem pênis ou vagina. Dizem que o termo correto é Assexual e não Assexuado. Quando a discussão está no nível da terminologia politicamente correta a ser adotada, é sinal que o grupo veio para ficar!

Outra polêmica que debati (bati boca) diz respeito a pessoas que se descobrem assexuadas quando já estão em um relacionamento. Sim, os Assexuados também saem do armário, é possível, segundo eles, que um dia “caia a ficha” e você, mesmo tendo feito sexo toda sua vida, perceba que não gosta muito daquilo e que fica melhor sem. Todos os Assexuados com os quais conversei (e não foram poucos) disseram que, se o parceiro ou a parceira amar de verdade, fica a seu lado, mesmo sem sexo. Ousei perguntar se eles liberariam parceiros para fazer sexo com outras pessoas e todos foram categóricos ao dizer que não, que não toleram infidelidade.

Isso me fez refletir. Se você ama uma pessoa, se você está em uma relação maravilhosa com uma pessoa e se um dia essa pessoa vem te dizer que se descobriu Assexuada e não quer mais fazer sexo mas quer continuar com você, o que você faz?

Os Assexuados dizem que tem representantes famosos. Dizem que personalidades como Bach, Kant, Chopin e outros seriam comprovadamente Assexuados. Não tenho como concordar ou discordar, me faltam fontes.

Foi muito difícil chegar a uma conclusão neste texto, e a tentação de acabá-lo em aberto foi muito grande. Mas, acho que tenho o dever de me posicionar, o mínimo que posso fazer é emitir uma opinião, ainda que idiota. Pois bem, acho que existem pessoas Assexuadas sim, mas também existem pessoas que se dizem Assexuadas, que se acham Assexuadas e que tiram onda de Assexuadas (três coisas diferentes).

Enquanto não trouxer sofrimento e frustração para a pessoa, não vejo porque ela não possa viver sem sexo, quer viva. Mas se isso traz algum tipo de sofrimento, deixa de ser escolha e passa a ser um problema.

Não tenho a pretensão de classificar aquilo que me é estranho ou diferente como errado ou anormal. Não tenho a arrogância de pressupor que, porque eu não entendo, não devo aceitar. Eu, pessoalmente, acho que sexo bem feito é um prazer do qual ninguém deveria abdicar, entretanto, não vou ficar por aí tentando convencer ninguém.

Para me dizer que não existe essa coisa de gente Assexuada, para me dizer que é um Assexuado e para me perguntar o quão baixo se pode descer nos comentários desta postagem: sally@desfavor.com

Um assunto desses tem que ser tratado com muita sensibilidade. Por isso imagino que vai dar merda… Flertarei com o desastre, de qualquer forma.

Imagine uma sala com pessoas das mais diversas idades, religiões, orientações sexuais, etnias e nacionalidades. Um dos poucos assuntos que vai unir a todos é pedofilia. O ódio pelo pedófilo é um dos mais universais que conhecemos.

E, é claro, faz muito sentido. Uma pessoa que usa uma criança para satisfazer seus desejos sexuais é criminosa e repulsiva, por qualquer ângulo que se olhe. Pesquisando um pouco você descobre casos HORRÍVEIS de abusos contra crianças cujo único “crime” foi nascer na casa errada.

Não é nesse conceito de quão errado está o pedófilo no qual vou basear meu texto. Está e ponto final. Também não estou interessado em discutir a função da legislação específica, a brasileira é muito boa. (Ao contrário da americana, que é um desastre dependendo do estado. Lá tem gente tachada de pedófilo para a vida toda porque fez sexo com a namorada de 17 anos. Ou garotas de 16 anos processadas por pedofilia depois de mandar uma foto dos PRÓPRIOS peitos para um paquera…)

Hoje eu quero falar sobre um problema sério na internet. Um problema causado pela histeria punitiva da população geral em relação ao assunto pedofilia.

A quantidade de vídeos e imagens de crianças em situações sexuais explícitas trocadas pela internet desde que você começou a ler este texto não caberia no seu HD. A coisa é séria assim. Hoje em dia é fácil demais conseguir esse material, e não exatamente pelo talento dos pedófilos em fazer isso debaixo do nariz da sociedade. E sim por “culpa” de pessoas que não tem nada a ver com os objetivos deles.

A sociedade nunca viu com bons olhos a sexualização muito precoce de uma criança. Mesmo em culturas mais liberais nesse assunto, existia uma certa linha limite. (Por exemplo: Podia se casar com 10 anos de idade, mas não com 7. Não precisava estar escrito em lugar nenhum, as pessoas definiam com base na sua percepção o quão cedo era “cedo demais”…). Evoluímos e percebemos que era saudável para todo mundo dar valores definidos para essa linha. Pedofilia passava a ser um conceito claro. Estava errado todo cidadão que mantivesse relações sexuais com pessoa menor do que a idade definida por aquela linha. Errado e igualmente execrado.

Novamente, não é isso que discuto. Faz sentido que exista uma linha, o Estado não pode avaliar caso por caso e tem seus motivos pra lá de lógicos de não dar a uma criança o poder de consentir sexualmente. (Uma criança é indefesa contra a vontade de um adulto mal intencionado.)

Com o tempo, nos acostumamos com essa linha definida. E com isso, o rótulo de “pedófilo” só foi ficando mais poderoso. Não se via tamanha ofensa generalizada há algumas gerações atrás. Oras, evoluímos, não?

Sim, evoluímos. Mas criamos um monstro. Aliás, vários. Qualquer pessoa que tenha relação com pedofilia é um monstro instantâneo. Não existe meio-termo. Se jogarem um cidadão no meio de uma multidão e disserem que ele é pedófilo, a chance dele ser linchado é grande. Quem gosta de pedófilo? Eu que não.

Mas… por que a pessoa prestes a ser linchada era pedófila? Segundo a legislação brasileira, essa pessoa poderia ser pedófila por ter em seu computador uma revista em quadrinhos japonesa onde desenhos de crianças fazem sexo. Não estou inventando isso. Atualmente punimos a posse de qualquer material que remeta à pedofilia.

Esse material é nojento? É. Essa pessoa é pedófila? Não há a menor garantia. É melhor mudar a lei? Não. Ela tem mesmo que cobrir o máximo que puder. Vai que um daqueles filhos-da-puta que produzem conseguem escapar por uma brecha?

O problema não é a lei. O problema é a demonização de qualquer coisa relacionada à atração sexual de adultos por crianças. Ah, terreno arenoso esse…

Existem criminosos, existem doentes, existem idiotas que baixam qualquer coisa do emule, existem pessoas que nem imaginam que aquela foto era de uma menor de idade… Mas o que fazemos com todas essas pessoas no caso de serem pegas? Chamamos de pedófilos.

E o pedófilo, como dito no começo do texto, é um dos maiores inimigos públicos. E isso foi usado por pessoas que queriam controlar melhor o que acontecia na internet. Quer motivo mais nobre para vigiar de perto o que é escrito e publicado na rede do que pegar pedófilos? Quem que vai discutir?

Eu vou.

Essa sanha de botar regras e registrar tudo o que se diz no ambiente virtual NÃO inibe a distribuição de pornografia infantil em larga escala. E foi justamente essa histeria punitiva virtual que incentivou pessoas que NADA tinham a ver com o crime em questão a desenvolver formas de comunicação anônimas (muito seguras) para não ceder aos desejos de censura de seus governos. Tudo bem que em muitos países a perseguição é política, mas aqui o assunto principal quando se fala em vigiar a internet é mesmo pornografia infantil.

Essas pessoas que desenvolveram sistemas como TOR, freenet e tantos outros para poder se expressar à vontade acabaram criando ambientes perfeitos para a troca de arquivos entre os que queriam apenas mais material para saciar seu fetiche criminoso.

E eu não vejo ninguém indo nos lugares onde a coisa realmente está feia. Dar chilique com o orkut dá visibilidade e é bem mais fácil. A pessoa que publica fotos de pedofilia num dos maiores sites do Brasil seria pega de qualquer jeito. O escroto que troca gigabytes de pornografia infantil pelos cantos mais obscuros da internet normalmente sabe se proteger muito bem. Precisa de MUITO esforço para pegá-lo.

E sabem o que é pior? Enquanto safernet e similares pressionam o orkut para tirar as postagens anônimas, os pedófilos estão trocando informações para ficarem cada vez mais seguros. Oras, eles foram “varridos” para debaixo do tapete ao invés de caçados pelos crimes que cometeram. Conseguiram juntar quase todos nos mesmos lugares, com pouca ou nenhuma supervisão.

A forma como se caça essas pessoas na internet SELECIONA os mais fortes. É pego aquele que não paga (não movimenta o mercado) e que não tem nenhuma capacidade de se proteger da investigação. (Que tirando os casos que vão para a mídia, é uma porcaria. Não pela qualidade de quem investiga e sim pela falta de mão-de-obra especializada. Tem gente se safando porque os poucos peritos certificados não tem tempo de analisar tudo o que recebem…)

Um argumento batido é que se deve pegar primeiro os que produzem. Batido, mas racional. Os que produzem estão fazendo mal para crianças diretamente. Isso é urgente. Mas… como esse clima todo sobre pedofilia é uma excelente desculpa para “moralizar” a internet, estão caçando com afinco o (cretino, escroto, pústula) que baixa e guarda esses arquivos, mesmo sem produzir.

O produtor é alvo difícil. Ele sabe que está fazendo algo completamente ilegal, seja por ser doente (pedófilo) ou por ser um explorador (faz pelo dinheiro). Essa pessoa tenta se cobrir por todos os lados.

O consumidor que paga pelo material também não é amador. Complicado ir atrás dele. Quem sobra? O lado mais fraco da corda. Aquele que tem pouco ou quase nenhum papel DIRETO na produção e comercialização. Aquele que baixa um arquivo por curiosidade estúpida ou realmente é um doente “sob controle”.

Todos pedófilos incorrigíveis, de acordo com o que pensamos. É a generalização do grau de culpabilidade que fazemos em nossa cabeça que dá poder para o Estado fechar portas na internet “habitual” e por consequência criar esconderijos perfeitos para quem deveria ser pego de verdade.

Sim, pegam muita gente. Mas se pararmos para pensar no tamanho do problema da pornografia infantil, é pouco.

Escutem o que eu digo: Vão atacar pesadamente a liberdade de expressão na internet nos próximos anos. E pedofilia vai ser um ponto forte da argumentação. (Como já é.) É muito difícil se levantar contra isso, mas não se enganem, podem estar pegando muita gente mas a sujeira grossa está sendo jogada debaixo do tapete. No mundo todo.

E não pensem que eu estou só reclamando por reclamar. Muita gente denuncia os lugares onde a pornografia infantil circula livremente. Eu já fiz isso várias vezes. Continua tudo no ar.

(Se não bastasse o motivo óbvio para não gostar deles, os pedófilos ainda estragam lugares de liberdade total de expressão e espantam quem está por lá.)

Acho que estão muito ocupados defendendo a honra virtual das pessoas para investigar a fundo… Afinal, deve ser muito trabalhoso ficar apagando comunidades do orkut que tiram sarro de tragédias…

Quando ficamos muito sensíveis com um assunto, acabamos não percebendo quem se aproveita disso para nos tirar liberdades.

Para me perguntar como achar esses sites e ser jogado numa armadilha da PF, para dizer que eu só estou com medo de me pegarem ou mesmo para falar que eu sou um monstro: somir@desfavor.com

SEMANA DO AVESSO|OSSEVA OD ANAMES

União Soviética, 1941

A palavra holocausto é de origem grega e significa algo próximo de sacrifícios de seres vivos, inclusive humanos, em homenagem a divindades. As criaturas eram queimados durante o ritual. Dou uma paçoca para quem adivinhar uma das tribos que praticava este ritual. Sim, tribos judaicas praticavam o Holocausto (mato a cobra e mostro o pau: Livro do Êxodo capítulo 18, versículo 12: “Então, Jetro, sogro de Moisés, trouxe holocausto e sacrifícios para Deus(…)”)

Mas o holocausto do qual venho falar hoje não se refere a sacrifícios religiosos. Após a segunda guerra a palavra ganhou uma inicial em maiúscula e um determinado grupo étnico se apropriou dela, não com muita legitimidade, como veremos a seguir. A palavra Holocausto passou a ser utilizada para designar o extermínio de pessoas que faziam parte de determinados grupos considerados indesejáveis pelo regime nazista.

Quando pensamos em Holocausto, pensamos automaticamente em judeus. Porque? Porque eles se apropriaram desta barbárie em causa própria. O que a maior parte das pessoas não sabe é que também foram vítimas do Holocausto militantes comunistas, homossexuais, ciganos, eslavos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros países do Leste Europeu, além de ativistas políticos, Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos, alguns membros mórmons e sindicalistas, pacientes psiquiátricos e criminosos de delito comum e outros.

“Mas Sally, todo mundo associa Holocausto a judeus. Deve ser porque eles foram o grupo mais perseguido, mais exterminado e mais sacaneado! Os demais devem ter caído juntos na mesma rede…”. Não, caro leitor, você está enganado. Esse povo que eu citei se fodeu bastante nos campos de concentração, e não há relatos históricos que indiquem que os judeus tenham se fodido mais. Muito pelo contrário! Se alguém aqui tiver a curiosidade de ler textos, reparar em fotografias, procurar por testemunhos de sobreviventes até mesmo caçar alguma documentação, desde que de fontes imparciais, vai ficar surpreso. Quando decidi fazer esta pesquisa, quis saber o que aconteceu pela ótica dos outros envolvidos: nazistas e outros grupos perseguidos que não judeus. Fiquei chocada. Eu sabia que a mentira estava lá, mas não sabia o tamanho dela.

Para não dizer que eu estou manipulando, cito aqui a constatação oficial do número de mortes, que não me deixa mentir: Morreram 17 milhões de soviéticos (sendo que 9,5 milhões de civis); 6 milhões de judeus; 5,5 milhões de alemães (3 milhões de civis); 4 milhões de poloneses (3 milhões de civis); ,2 milhões de chineses; 1,6 milhão de iugoslavos; 1,5 milhão de japoneses; 535.000 (330.000 civis) de franceses; 450.000 (150.000 civis) de italianos; 396.000 de ingleses, e 292.000 soldados norte-americanos. Ou seja, morreram quase três vezes mais soviéticos do que judeus. Podem pesquisar e comprovar, não estou mentindo.

No entanto, quando se fala em Holocausto só se lembra os seis milhões de judeus mortos. Ninguém lembra dos soviéticos. Ninguém se lembra dos demais. Alguns sequer sabem que chineses e japoneses foram mortos. Por quê? É aqui que começo a flertar com o desastre.

Quem acredita que a motivação maior do Holocausto foi puro preconceito com grupos étnicos diferentes deve repensar seus conceitos. Supremacia da raça ariana? Bem, se este fosse o real motivo, Hitler deveria ter começado por seu próprio extermínio. O que se pretendia era o monopólio de bens e do poder. Eu discorreria sobre o funcionalismo e o intencionalismo, mas tenho um limite de páginas a cumprir. O preconceito existia, porém era só uma cereja no Sundae. Os nazistas confiscavam os bens de todos os “indesejáveis” jogados em campos de concentração. E à época os perseguidos tiveram que fazer uma opção.

Um minuto de silêncio em homenagem aos 17 milhões de soviéticos mortos.

Tomemos por exemplo os ciganos. Foram igualmente perseguidos, mas como são extremamente desapegados de seus bens materiais, se mandaram na mesma hora, sem bater de frente, deixando tudo para trás. Muitos se salvaram. Já outros grupos mais apegados a seus bens materiais… bem, estes foram para o cinzeiro. É certo praticar genocídio? NÃO, jamais ousaria defender uma barbaridade dessas. NÃO É CERTO. Porém a história real está longe de ser a história romantizada que alguns grupos contam. Muitos não tiveram opção, é bem verdade, mas muitos tiveram opção e optaram por bens materiais.

Um minuto de silêncio em homenagem aos 5,5 milhões de alemães mortos.

Nem tudo aconteceu como pintam. A Bíblia Nazista, um livro escrito por Hitler chamado “Mein Kampf” (tradução duvidosa: “Minha Luta”) se lida através de olhos críticos, nos esclarece alguns pontos. Por exemplo, Hitler não subiu ao poder de forma imposta, Hitler foi eleito. Isso faz dele menos escroto, assassino e desprezível? NÃO, ELE ERA UM SER HUMANO HORRÍVEL, mas não nos faltam argumentos para falar mal dele, logo, não precisamos mentir. O povo votou nele. Fato.

Um minuto de silêncio em homenagem aos 4 milhões de poloneses mortos.

Mas o espaço é muito curto para dissecar Hitler, o Nazismo e Mein Kampf. Vamos direto ao ponto. Muitos judeus morreram. Isso foi uma monstruosidade, um absurdo, uma atrocidade. Porém, muitos outros seres humanos morreram, de outras nacionalidades e etnias. No entanto os judeus insistem em monopolizar o Holocausto só para eles. E o fazem apelando para A VITIMIZAÇÃO SIM. Repito: o que aconteceu foi uma barbárie inaceitável, mas a reação dos judeus também deixa muito a desejar em matéria de bom senso.

Um minuto de silêncio em homenagem aos 2 milhões de chineses mortos.

A maior parte dos judeus assume a postura de Coitadinhos Mundiais e relembra constantemente o Holocausto, de forma monotemática. Seria válido se de fato se prestasse ao que eles alegam: manter viva a lembrança desta monstruosidade com o objetivo de que isto nunca mais se repita. Mas… por que merda exaltam apenas a monstruosidade cometida contra JUDEUS e esquecem solenemente de todo o resto?

Um minuto de silêncio em homenagem aos 1,6 milhão de iugoslavos mortos.

Vou além: se são um povo tão pacífico e que abomina tanto o preconceito contra aqueles que são diferentes, melhor a gente nem sentar para conversar sobre o estresse entre Israel e Palestina, não é mesmo? Onde foi parar o clamor por tolerância e respeito aos direitos humanos? Ah, foi mal. Apenas quando é contra um “dos seus”. Contra os outros pode. Compaixão seletiva. O conflito árabe-israelense (que é muito mais antigo) já causou cinco guerras de porte considerável, uma caralhada de pequenas guerras e duas intifadas (desfavor também é cultura: intifadas = levantamento popular, vulgo revolta popular). Um povo pacífico né não? Paz e amor.

Um minuto de silêncio em homenagem aos 535.000 de franceses mortos.

Não estou negando o Holocausto. Acho um absurdo, repito em maiúsculas, UM ABSURDO quem nega o Holocausto. Ele ocorreu e foi uma barbaridade. Mesmo que aleguem que o número de mortos foi menor que o divulgado, CAGUEI, se um único ser humano morreu, é um ABSURDO. Só não acho correto o estardalhaço que judeus fazem recontando o Holocausto como se fosse tudo com eles, tudo sobre eles, tudo para eles. Eles foram MAIS UM. E é de um desrespeito cavalar fazer museu sobre Holocausto tentando fazer parecer que judeus foram as únicas vítimas, ou as principais. Fica a impressão de querer capitalizar na desgraça.

Um minuto de silêncio em homenagem aos 450.000 italianos mortos.

Porque quando se fazem filmes sobre Holocausto só se fala nos judeus? Porque quando se procura na internet sobre Holocausto só vemos referências a judeus? Vejamos os ataques ao World Trade Center. Morreram mais americanos, mas morreram muitos holandeses também. Como os americanos se sentiriam se os holandeses fizessem deste evento um drama EXCLUSIVAMENTE holandês?

Um minuto de silêncio em homenagem aos 396.000 ingleses mortos.

Os judeus simplesmente não tinham o direito de usurpar a história, de se apropriar de um crime contra a humanidade e transformá-lo em algo pessoal. Ninguém fala porque neguinho tem medo do clamor popular, mas eu estou cagando e andando para isso e falo mesmo: O HOLOCAUSTO contado pelos judeus é uma distorção, uma injustiça com os demais milhões de mortos, uma paranóia egotrip que faz parecer ter sido tudo um plano maligno porque desgostavam deles em especial. Vão roubar gravatas e deixem que contem a história como ela realmente aconteceu!

Um minuto de silêncio em homenagem aos 292.000 soldados norte-americanos mortos.

Mesquinha essa fogueira de vaidades na desgraça. Babaca querer dizer ao mundo que sofreu mais que os demais. Escroto reverter uma tragédia em marketing para um grupo. Egoísmo querer ser a vítima mais popstar e se valer disto para todo o sempre, muitas vezes pleiteando benefícios em causa própria.

Um minuto de silêncio em homenagem aos 300 000 deficientes, 25 000 homossexuais e 5 000 Testemunhas de Jeová mortos. E a tantos outros que não tive espaço para homenagear.

E só para acabar enfiando o dedo e rasgando, “à la Sally”, quem quiser abrir a boca para meter o malho em nazistas, pode começar falando do atual Papa Bentão XI, que pertencia à “Juventude Hitlerista”, uma organização paramilitar do partido nazista. Não só isso como também lutou no exército nazista alemão. Merda… acabou o espaço!

Um minuto de silêncio em homenagem a todos aqueles mortos em campos de concentração e campos de extermínio QUE NÃO ERAM JUDEUS. Desfavor lhes dá o destaque desde sempre merecido e desde sempre usurpado e se solidariza com a sua dor.

Para passar atestado de analfabeto funcional e dizer que eu sou nazista, para me perguntar como se colocam 500 judeus dentro de um fusca e para pedir que eu tome esta coluna do Somir para sempre porque sou muito melhor do que ele: sally@desfavor.com

Homem ameaçando mulher.

Tabu. Numa mulher não se bate nem com uma flor, já dizia algum homem querendo se dar bem. E apesar dos inúmeros casos de violência doméstica contra os punhos de pobres trabalhadores, ainda existe a noção errônea de que sempre é o homem que está sendo covarde quando ocorre um caso da boa e velha arte-marital.

Antes de enfurecer um bando de mulheres burras com minhas relativizações, vou trabalhar com o conceito de se dizer que jamais se bate numa mulher. É tanto confortável para as mulheres quanto é uma ferramenta de controle por parte dos homens.

Preza-se que um homem que queira bater numa mulher odeie todas elas por igual e que seja um ato de pura misoginia. (Se não souber o que significa “misoginia”, nem OUSE comentar.) Além disso, se esse homem coloca em prática sua ira, fica taxado como valentão covarde. (Mesmo que não faça sentido…)

E isso é fruto de várias concepções de ambos os sexos sobre o assunto. Todas elas extremamente desabonadoras.

HOMENS:

1. O macho-alfa cuida melhor das suas mulheres. Eu sei que o posto de macho-alfa não existe mais com seu sentido real na sociedade de hoje, mas isso não quer dizer que ele não tenha influência direta em algumas idéias dos homens atuais. Quando um homem condena o ato de violência contra a mulher, ele está apenas se promovendo em relação aos erros de outros. E quando você escuta aquele discurso famoso de “Eu mataria o safado que fez isso.”, entenda: “Eu não faria nada se o visse, mas quero que as mulheres pensem que eu sou um homem mais seguro.” Fato: Os homens sentem mais compaixão por mulheres atraentes. Honra? Ha!

2. A sociedade é paternalista. Caso vocês não tenham percebido, o macho da espécie humana é o líder do grupo. (Mais forte e mais agressivo.) Fica complicado impor seu poder quando criamos uma série de regras para nos proteger dessa carga de instintos. Então o homem moderno fortalece seu poder diminuindo a mulher. Uma mulher é tratada feito uma criança: Incapaz de se defender e estúpida demais para ser responsabilizada pelo o que faz. Quando se retira a relação de força simples da equação, sobram variáveis alternativas para controlar as mulheres. Dizer que jamais se bate numa delas é apenas mais uma.

3. Rara demonstração de empatia. Os homens se medem pelo poder que exercem. Desde a fixação pelo maior pênis até a disputa pelo carro mais poluente, os homens dão significados claros para o que demonstram como força. E em várias escalas, a mulher é muito mais frágil e incapaz de se impor frente à força do gênero masculino. Quando o homem se coloca no lugar de uma mulher, fraca e impotente diante de um adversário muito mais poderoso, ele sente pena dela. Pena que mascara até a possibilidade dela não ter sabido se proteger.

MULHERES:

1. Mulheres não são burras. Não como gênero, pelo menos. (Não se anime.) O cérebro delas é equivalente ao masculino, inferior em alguns aspectos, superior em outros. Somos todos humanos e algumas coisas são universais: Se você encontra uma forma de compensar a vantagem de um concorrente, você se agarra a ela com todas suas forças. Se houvesse uma regra dizendo que qualquer tipo de agressão a um grupo o qual eu pertenço fosse algo horrível aos olhos de toda sociedade, eu também faria todo o alarde possível para mantê-la em voga. É muito conveniente exigir direitos iguais para usufruir de regalias específicas.

2. Ter em mãos uma carta branca. É perfeitamente compreensível que alguém abuse de uma vantagem conquistada para receber outros bônus. A idéia de que o homem está sempre errado quando bate numa mulher se transforma em passaporte para não ter de lidar com as responsabilidades de seus atos. Um homem sabe que não deve provocar outro homem muito mais forte sob o risco de levar uma surra. Uma mulher sabe que pode jogar muito mais pesado justamente por ter uma presunção social de fragilidade ao seu lado. Deixar uma mulher sair ilesa de uma provocação tende a ser mais vantajoso para um homem do que ser marcado pela vida toda como “abusivo”.

3. Medo. Medo puro de perder a liberdade de ter alguém para limpar suas bobagens quando nada mais der certo. Como eu disse, a sociedade é paternalista e trata a mulher como uma incapaz. O que faltou dizer é que o homem impõe e a mulher cede a sustentação para tal. Desde o medo de não ter mais a “carta branca” e ter que respeitar relações de poder que não a favorecem até mesmo o medo de ter que assumir responsabilidades pelo que faz. É isso que um homem faz: Ele SE VIRA.

ÓBVIO que o fato de uma pessoa mais forte bater numa mais fraca configura uma forma de covardia. Mas… será que é a única forma de covardia?

No caso de uma mulher que provoca um homem, sabendo ou não se ele é violento, pode ser tanto um caso de descontrole emocional quanto uma forma de ser covarde. Digo isso porque uma mulher em suas faculdades mentais razoáveis já sabe que é difícil para um homem bater nela por causa das repercussões de tal ato. Não é só passionalidade, é confiança na impunidade. É abusar de uma idéia criada para proteger pessoas realmente inocentes. Não sei quanto a vocês, mas para mim isso é uma tremenda covardia. É fácil ser corajoso quando o tigre está enjaulado. Nesse momento a mulher tenta inverter a relação de poder e “bater” em quem não deveria se defender.

Eu mesmo digo que nada justifica bater numa mulher. Agora, não ser justificável NUNCA teve nada a ver com não ser possível. Uma mulher que sente que acuou um homem e está vendo ele entrar em modo puramente instintivo deveria ter pelo menos o cuidado de se proteger contra um ser que pode muito bem quebrá-la em pedaços.

Se a jaula está aberta e você continua provocando o tigre, aceita de bom grado a chance de tudo dar errado. E se você se baseia em alguma vantagem usada da forma errada, além de ser burra, está sendo covarde sim senhora.

É fácil falar disso considerando que a mulher provocou. Vou passar direto pelo meio-termo onde apenas o agressor é covarde, como quando a mulher para na hora certa ou quando ela não tem condições de se desvencilhar do abusor e seguir para o lado oposto: A mulher que apanha sem assumir nenhum risco razoável e perdoa o homem.

Não está claro que a covardia corre solta nesse caso? Por ambos os lados. Pode ser lindo achar que amor é uma coisa que vence tudo, mas se você tem um mínimo de amor próprio, não fica por opção com alguém que te faz mal. O homem é um covarde por bater na mulher, mas a mulher é uma covarde por não tomar uma atitude para se proteger. É covarde por NÃO SE VIRAR para escapar. É covarde por aceitar um modelo de relação primata (e mesmo assim, nem macaco espanca sua fêmea), muitas vezes por medo de ficar sozinha ou por achar que tem alguma culpa real pelo que aconteceu.

Covardes se complementam. Muitas vezes esse tipo de mulher é a que perde completamente a capacidade de funcionar na sociedade sem alguém para ser seu dono. Desde a filhinha do papai até a masoquista. Covarde é quem se permite tornar propriedade no sentido real da palavra.

Percebam que eu usei o termo “masoquista” no parágrafo acima, mas só agora vou falar das mulheres que GOSTAM de apanhar. Posso até não me ater às definições de dicionários sobre as idéias, mas quero expressar essa diferença essencial: A mulher que gosta de apanhar não gosta exatamente da violência física, gosta é do controle. A masoquista sim sente prazer direto pela dor física.

E tem covardia aí também. A mesma mulher que acha o máximo levar um chacoalhão de seu homem para sentir que tem direção na vida enche a boca para dizer que mulheres tem o direito de ser tratadas socialmente como bibelôs fragilíssimos. Medo de assumir duas verdades inconvenientes, aqui citadas:

1. Toda mulher gosta de apanhar; (Nelson Rodrigues)
2. Quem manda nessa porra aqui SOU EU! (Cap. Nascimento)

Embora a primeira exija um pouco de reflexão para seu entendimento (e eu já dei a dica no texto), a segunda é clara como uma alva nádega feminina esperando para ser estapeada.

Dizer que uma mulher é vítima automática em qualquer caso de agressão perpetrada por um homem é simplificar demais as coisas, é ignorar os casos onde existe a VIOLÊNCIA em si e colocá-los no mesmo barco que uma relação ÓBVIA de dominador e dominada que remete aos nossos mais antigos ancestrais.

Não, bater numa mulher não é diferente de bater num homem fraco. Não é crime maior por culpa do gênero da vítima. Esse tabu continua vivo porque mulheres não sabem muito bem o que querem. Ora valorizam o homem que vai manter suas injustas regalias, ora valorizam o que são programadas para valorizar: O homem que remete ao macho-alfa.

Como eu sempre digo: Não custava nada ter pensado um pouco melhor nessa tal de liberação feminina, não? Ou vai ser vítima eterna ou vai ser um membro da sociedade com direitos e responsabilidades iguais. Ganha-se de um lado, perde-se do outro.

Se você está pensando agora nos casos de mulheres que são surradas por cretinos bêbados todos os dias no mundo sem conseguir escapar e babando para fazer um comentário, bata a cabeça no teclado até entender sobre o que eu falei. Tomara que doa.

Para me chamar de porco machista, para pedir uma surra com todo o carinho ou mesmo para dizer que os pelos do seu buço são mais inteligentes que eu: somir@desfavor.com

São Paulo, 18/03/2009

O irritante som do despertador cumpre sua função ao retirar Arnaldo dos braços de uma loira escultural e trazê-lo de volta à realidade dos turnos de trabalho iniciados pela manhã. Num movimento repetido tantas vezes a ponto de ser praticamente instintivo, os apitos desafinados cessam e dão lugar aos não mais harmônicos grunhidos matinais de nosso recém-descoberto protagonista.

Juntando coragem para enfrentar mais um turno de sua maçante contribuição para a sociedade, Arnaldo abre suas pálpebras lentamente, de forma a ganhar o máximo de tempo possível antes de se considerar oficialmente acordado.

Enquanto a luz do ambiente começa a criar formas mais definidas, ele percebe que há algo de diferente na imagem que começa a se formar. Ao perceber que há um borrão semelhante a um rosto diretamente sobre sua face, por puro reflexo arregala os olhos e em um movimento brusco, senta-se na cama.

Agora ele pode enxergar perfeitamente. Há mais uma pessoa no quarto. Arnaldo mora sozinho há mais de cinco anos e nenhuma de suas ex-namoradas tem a chave do apartamento. O que mais o intriga não é o fato de não estar sozinho naquele momento, o que realmente o deixa confuso é quem está dividindo o ambiente com ele.

Esfregando os olhos, na tentativa vã de trazer um pouco de sanidade para sua visão, não consegue fazer sua companhia desaparecer. Olhando fixamente para o rosto do invasor, Arnaldo profere sua primeira palavra no dia:

“Clodovil?”

Clodovil Hernandes sorri e revira os olhos de forma irônica. Vestido um terno cor-de-rosa, senta-se numa cadeira frontal a Arnaldo, com as pernas cruzadas e a mão esquerda apoiando o rosto levemente inclinado, responde:

“Não, meu bem, é a Madonna. Não reparou no meu sutiã feito pelo Jean-Paul Gaultier?”

*som de risadas*

“Você… morreu… eu estou so … sonhando…” – Arnaldo balbucia de forma praticamente incompreensível.

“Meu corpo terreno se foi. Mas minha alma eterna continua vivíssima, amor. Vem cá, não sei se você ficou sabendo, mas os anos setenta acabaram e junto com eles a moda de revestir móveis com esses adesivos imitando madeira…” – Clodovil olha ao seu redor, aponta para um armário e dá um olhar sarcástico em direção à parede.

*som de risadas*

“O quê… O que está acontecendo aqui? Por que eu estou vendo o Clodovil no meu quarto? Que risadas são essas? P…(apito)…riu. Eu nem bebi ontem!” – Arnaldo mal consegue fixar sua visão em algum ponto específico. Ele procura outros indícios de que está tendo um sonho insano, tal qual um elefante cor-de-rosa ou um duende.

“Meu bem, você é o coadjuvante no meu novo programa de TV. Nem Morta! – Clodovil termina a frase e olha novamente para a parede.

*uma música alegre toma conta do local*

Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina

Arnaldo é o Pierrô, Clodovil a Colombina

Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina

Clodovil continua olhando fixamente para a parede enquanto diz: “Nem moooorta!”

“Ca…(apito)…o, agora estou até ouvindo música… Pirei de vez. Oficial.” – Arnaldo se enfia debaixo das cobertas, como uma criança se escondendo do bicho-papão.

“Não adianta, meu querido. Eu vim para ficar. Você não tem que trabalhar não?” – Para desespero de nosso coadjuvante(?) a voz de Clodovil ainda pode ser ouvida dentro da cabana formada pelo cobertor.

Arnaldo se levanta num pulo só, evita contato visual com a aparição e segue diretamente para o banheiro. Parece determinado a recobrar sua sanidade a qualquer custo. Enquanto tira sua cueca velha e carcomida, liga o chuveiro na posição verão e se enfia debaixo da torrente de água gelada.

“Gente, vai ser a menor barra de censura da história da televisão.” – A voz de Clodovil parece vir de dentro do banheiro.

*risadas*

“A água está gelada, sua bicha velha!!!” – Arnaldo, sentindo sua masculinidade ridicularizada, abaixa suas defesas contra a evidente situação estapafúrdia que vive naquele instante.

*risadas*

“Agora para de me encher o saco que eu tenho que trabalhar daqui a pouco, coisa que você obviamente não entende já que era deputado.” – Arnaldo nem se preocupa em olhar para trás, apenas ensaboa o seu corpo.

*risadas e palmas*

“Geeeente, ele ficou nervoso! Vocês sabem como eu sou, né? Não tenho papas na língua, sou sincero até a última gota. Fui criado para falar a ver…” – Clodovil discursa.

“Blá blá blá blá blááá… Não tem como trocar de canal não?” – Arnaldo termina seu banho e pega uma toalha bem ao lado de Clodovil.

*risadas*

“Ui, alguém acorda de mau humor. Azar, meu bem, porque o nosso público é o único que pode mudar de canal. E aposto que ninguém vai querer ver o programa do Chacrinha com participação especial do senso de humor do Jô Soares.” – Clodovil olha para a parede novamente.

*gritos de incentivo*

Enquanto se dirige novamente para o quarto e pega roupas no armário, Arnaldo questiona: “Por que você fica olhando para a parede? Quem está vendo isso?”

“Os desencarnados. Você nem imagina o tamanho do público que está nos acompanhando agora. E eu estou olhando para as câmeras, você não é iluminado o suficiente para enxergá-las. Assim que eu morri me ofereceram o papel de protagonista de um show onde eu daria dicas de moda, comportamento e etiqueta para um pobre coitado como você. Disseram que assim que eu completar um ano com o programa no ar, eu vou para o céu.” – Clodovil lixa as unhas enquanto fita as nádegas expostas de Arnaldo.

“Bom jeito de te manter longe do paraíso. Quando você não caga na entrada…” – Arnaldo, desconfortável com os olhares de Clodovil, veste-se apressado.

“Eu não te aconselharia a usar essa roupa, querido. Não combina e ainda evidencia essa sua barriguinha…” – Clodovil abre novamente o armário e suspira decepcionado. “Meu Deus, eu vou precisar operar um milagre aqui para te deixar na moda…” – Com um estalo de dedos da alma penada (de pavão), um turbilhão de purpurina obscurece a visão de Arnaldo, que fica sem reação.

*palmas e gritos*

“Hã?” – Arnaldo nota que sua roupa está completamente diferente, tanto o modelo quanto os tons do tecido. “Cadê a minha roupa, Clodovil?”

“Numa lixeira do Além! Agora sim você vai causar um impacto e abalar o mundo dos vivos, meu bem!” – Responde o espílhafatoso.

“Você tem certeza? Me parece um tanto quanto… gay. Principalmente a calça de couro.” – Arnaldo está pensando seriamente em se matar e trocar de canal para sempre.

“Quem é o estilista do recinto?” – Clodovil indaga.

“Se tem algum aqui deve estar mais morto do que você, porque eu não estou vendo nenhum…” – Arnaldo volta a demonstrar seu mau humor.

*vaias*

“Além disso, quem enfiou na sua cabeça que eu preciso de um assessor para estilo? Eu sou feliz do jeito que eu sou, não preciso ficar fazendo pose para o mundo ou interpretando um papel ridículo e caricatural porque sou uma bicha insegura e fracassada! E mesmo se eu quisesse alguém para me dar dicas sobre essas futilidades, eu com certeza não escolheria você. Primeiro porque você nunca se respeitou durante sua vida, e além disso fez todo tipo de papelão para aparecer enquanto dizia aos quatro ventos que não ligava para a opinião alheia. Não, Clodovil, eu não quero nada, nada mesmo, vindo de você. Vai embora daqui e nunca mais volte.” – Arnaldo começa o difícil processo de arrancar a apertadíssima calça que esmaga seus genitais.

*silêncio*

“Gordo, feio, invejoso! Você nunca vai ter o glamour que eu tive!” – Clodovil, visivelmente alterado, se volta para a parede e com um gesto pede a aproximação da câmera invisível.

Arnaldo veste novamente uma roupa masculina.

“Agora eu vou falar umas verdades para vocês, telespectadores. Vocês me conhecem, né? Eu não me escondo não, dou a cara a tapa e não tenho medo de ningu…” – Clodovil, dedo em riste, parece compenetrado em seu discurso.

Arnaldo pega sua carteira, celular e chaves e sai de casa.

Clodovil escuta a porta batendo, vira-se e contempla o apartamento vazio. Olhando novamente para a parede, solta um palavrão multi silábico desconhecido até para as almas milenares na platéia. Visivelmente chateado, senta-se na cama e esconde o rosto, do qual já brotam lágrimas.

Um celular começa a tocar. Clodovil busca o aparelho em seu bolso e atende com um gemido tristonho. Depois de escutar algumas frases, arregala os olhos e demonstra um sorriso surpreso:

“Como assim um sucesso? O público quer muito que eu continue com o programa? Com outros coadjuvantes? Um por mês? Mas você viu o que aconteceu… Ele me odiou! Quem garante que outro vivo vá gostar de ter minha companhia vinte e quatro horas por dia? Aaaahhh… entendi… Claro que eu topo! Vamos começar agora mesmo… Meu bem, eu voltei com tudo!”

***

Alguns minutos depois, no Rio de Janeiro:

“Clodovil?”

“Bom dia, Belo.”

*palmas*

Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina…

FIM
(Tomara…)

Clodovil, obrigado por deixar o mundo um lugar melhor para se viver, ontem. Essa é a homenagem do desfavor para um desfavor.