Confesso que a fragilidade masculina me incomoda. Incomoda profundamente. No meu pequeno cérebro de caroço de uva, ainda persiste o Ideal do homem forte, inabalável e provedor. Sonho com o macho-alfa, forte e seguro como jamais nenhum ser humanos poderá ser. Um desfavor.

Por isso, me irrito bastante quando vejo uma demonstração de fragilidade masculina. O que aos olhos de algumas mulheres pode parecer “fofo” ou “sensível”, aos meus, soa como uma coisa negativa. Não é justo, eu sei, mas não consigo evitar. Será que sou apenas eu ou existem mais mulheres por aí que se aborrecem com essas demonstrações de fragilidade?

Pensando racionalmente, sei que é extremamente babaca querer que o outro não tenha nenhuma fragilidade, por isso, oficialmente, faço de conta que aceito numa boa, mas por dentro tem aquela voz que fica “afeeee que viadeeeenho!”. O curioso é que aparentemente eu atraio os tipos mais sensíveis. Maldita complementariedade, sempre ela.

Cinco demonstrações de fragilidade masculinas que me aborrecem profundamente:

CHORAR EM FILME – Acho feio homem chorando em filme. Não se trata do velho “homem não chora”. É uma versão machista light: “homem só chora por coisa importante”. Pode chorar se morrer alguém, se brigar comigo (sim, eu me acho importante) ou se sentir muita dor. Eu sei que é babaca se importar com isso, mas o “pacote” que vem junto com um homem que chora vendo filme geralmente é incompatível comigo, então, quando vejo isso acontecer, acende uma luz vermelha de alerta.

Caso concreto: Estava eu com um namorado abraçada na cama vendo o desenho “O Rei Leão”, da Disney. Chega a maldita cena em que o pai do Simba morre. Percebo que o Zé Ruela está DURO (sem trocadilhos, infelizmente). Olho para o Zé Ruela e vejo seus olhos cheios de água. Ele percebe que eu vi e abre bem os olhos para evitar que a primeira lágrima caia. Eu pergunto “Você está chorando?”. Ele, sem conseguir abrir a boca, faz que não com a cabeça e esbugalha ainda mais os olhos. Cai a primeira lágrima. Ele, em vez de ficar calado, estufa o peito e diz “Eu não estou chorando!”. Fiquei puta e respondi “Agora você mija pelo olho?”. Longo silêncio chato.

FOBIAS DE ANIMAIS – Claro que homem pode ter medos e fobias, mas a forma como ele as demonstra é que me broxam. Faniquito, chilique, ataque histérico, gritaria e similares me irritam. Até para ter medo tem que saber ser macho.

Caso concreto: Tive um namorado que tinha pavor de barata. Curiosamente eu não tenho o menor medo de barata. Quando aparecia uma barata ele saia correndo, literalmente. Às vezes gritava e corria. E eu matava a barata. O fundo do poço foi quando apareceu uma baby baratinha no chão da nossa cozinha e Madame subiu em um banquinho e ficou gritando para que eu mate. Sim, amor acaba. Uma vez ele me viu jogar fora o cadáver de uma baratinha pela antena e ficou o resto do dia sem encostar em mim: isso, para mim, é atitude de mulher!

MEDO DE PORRADA – Não sou louca de instigar a violência física, muito menos quando sei que meu querido vai apanhar. Mas quem mora no Rio de Janeiro sabe que existem situações onde ela pode ser necessária. Não gosto de ver namorado meu brigando, acho que tem que ser o último dos recursos, mas peidar para uma briga necessária é vexame. Tem horas em que não dá para fugir.

Caso concreto: Estava eu, vestida com uma roupa muito comportada (calça jeans, blusa sem decote) andando de mãos dadas com meu então namorado em um local movimentado, quando um elemento (bêbado, imagino) se aproxima e fala “Mas você é uma delícia, hein?” no meu ouvido. Chato. Muito chato. Mas até aí, não precisava porrada. Meu então namorado diz para o sujeito “Não está vendo que ela está comigo?” e o sujeito diz para mim “Larga esse BOSTINHA e vem dançar comigo, Gata”. Chato. Muito Chato. Mas até aí não precisava porrada. Fui saindo de perto e puxando meu namorado e quando estávamos indo embora, o sujeito passou a mão na minha bunda e disse “Gostosa!”. Chato. Muito chato. Já dava para dar uns petelecos nele. Mas o sujeito era muito forte, então, até dava para entender a inércia contemplativa do meu então namorado, que apenas virou e disse “Dá um tempo!” para o sujeito. Foi quando o sujeito respondeu um “Cala a boca seu merda!” + deu um pescotapa na nuca dele + cuspiu na cara dele. Nesse ponto eu acho que porrada seria uma solução saudável, somando o conjunto de desfavores ocorridos. Mas o Zé Ruela afinou, olhou para baixo e saiu praticamente correndo do lugar. Todo cuspido.

MEDINHO – Aqui se aplica o mesmo que eu disse a respeito da fobia de animais. Pode ter, mas o que me mata é a forma como isso é demonstrado. Medo de avião, injeção, ET, fantasmas, raios, altura, escuro, etc.? Super normal. Gritar histericamente? Feio. Segura o rojão, se controla e sofra com dignidade. É um ônus por ser homem, ter que segurar a onda na hora de dar piti. Sorriam, vocês mijam de pé e não tem que parir nem se depilar.

Caso concreto: Namorado com medo de sangue. Eu me machuco e preciso ser levada ao hospital. Grito por socorro e ele aparece, quando vê o sangue, sai correndo. Vou atrás dizendo que realmente estou precisando de ajuda. Ele se tranca no banheiro de tanto medo de ver sangue e fica gritando lá de dentro que ELE está passando mal, que ELE vai desmaiar. Vou ao hospital de táxi, sozinha.

VÍCIOS – Odeio pessoas escravas de vícios. Vícios todos nós podemos ter, mas ser escravos deles é uma questão de entrega. Não respeito uma pessoa cuja fragilidade é mais forte do que ela mesma e determina suas escolhas de vida, contra a sua vontade. Escravos de vícios que permitem que suas vidas sejam limitadas por esse vício me irritam.

Caso concreto: Zé Ruela prometendo que vai parar de fumar. Diante da minha cara de dúvida, Zé Ruela, em um surto de coragem, joga fora todos os cigarros da casa e diz que parou. Comprei adesivos de nicotina para ele, mas ele disse que não precisava disso, que tinha “força de vontade”, em um surto de arrogância. A convicção durou poucas horas. Naquela noite Zé Ruela andava de um lado para o outro sem parar, feito leão de zoológico. Levantei no meio da noite para beber um copo de água e vi uma cena inesquecível: Zé Ruela cheio de adesivos de nicotina pelo corpo, (aqueles que ele disse que não precisava) LAMBENDO o último que tinha sobrado (porque não tinha mais área livre para colar).

Obs: Ter que limitar meus textos a duas páginas é um saco.

Para sugestões de temas, fofocas e histórias humilhantes sobre homens: sally@desfavor.com

SOMIR: Alô?
SALLY: Oi, não te acordei, né?
SOMIR: Não, nem fui dormir.
SALLY: Aconteceu alguma coisa?
SOMIR: Resolvi não dormir hoje.
SALLY: Como assim? Você simplesmente escolhe não dormir?
SOMIR: Sim. Meu corpo me obedece.
SALLY: Aff… Eu quero falar sobre saúde essa semana.
SOMIR: Beleza, assim que passar essa dor-de-cabeça eu escrevo.

Assunto de hoje: Até onde devemos nos preocupar com nossa saúde?

Adoro esses momentos. Eu vou defender o ponto-de-vista realista e politicamente incorreto e minha CARA vai defender alguma dessas baboseiras hippies de “meu corpo é um templo”.
Nem preciso ler o que ela escreveu para saber disso. O tanto de bronca sobre o assunto que eu levei dela durante o tempo que namorávamos é um excelente indicador sobre nossa discordância nesse assunto.

Pois bem: Saúde é o que interessa?

Sim, desde que te proporcione mais anos novos de vida. Vocês vão ver que eu não sou tão relapso e inconseqüente assim por não me importar muito com alguns aspectos clássicos de uma vida saudável.

Mas primeiro eu vou explicar o ponto central da minha argumentação, a diferença entre anos novos e anos velhos. Anos novos são aqueles onde você é uma pessoa que tem seu corpo naturalmente mais apto a aproveitar tudo o que a vida pode oferecer. Já os anos velhos são aqueles onde por mais que você tenha se cuidado, seu corpo não PERMITE que você faça tudo o que quiser.

Normalmente uma pessoa vive da seguinte forma:

Nada contra, um bom aproveitamento dos anos novos e uma sobrevida para ver seus netos crescendo. Perde um pouco de qualidade de vida nos anos velhos, mas mesmo se sofrer um pouco mais, vai saber que aproveitou o que tinha que aproveitar.

Pessoas certinhas, que tratam seu corpo como um templo vivem assim:

Praticamente o mesmo tanto de diversão tanto nos anos novos quanto nos velhos. Sobrevida de mais qualidade em relação às pessoas normais. Boa coisa, certo?
ERRADO! Essa pessoa que deixou de aproveitar vários prazeres de vida não vai escapar do desejo de realizá-los. Já ouviram uma pessoa mais velha dizendo para vocês aproveitarem o máximo que puderem? Acha que é um conselho vazio? Não duvide da sabedoria dos idosos. O desejo NUNCA vai passar. Mas a disponibilidade física vai. Tomara que você ainda tenha tempo!

As pessoas que tratam seu corpo como uma festa vivem assim:

Aproveitamento EXEMPLAR dos anos novos. Pessoas assim entendem que a vida é finita e ninguém fica mais novo. Não há sobrevida, apenas vida. E justo no momento onde até mesmo os que acham que o corpo é um templo começam a sentir os inexoráveis sinais da idade, essas pessoas estão deixando o mundo no auge. Com a sensação do dever cumprido.

Plantas e animais irracionais nascem para sobreviver. Já os humanos nascem para viver.
Vejamos alguns pontos-chave sobre a questão de saúde e seu impacto na qualidade de vida de cada uma das categorias.

Exercícios físicos:
– Anos novos: Importantes para aumentar sua disposição e principalmente sua atratividade sexual. Caso você já consiga diversão sem isso, desnecessário.
– Anos velhos: Longevidade e aquela sensação de que se você fosse um pouco mais novo, poderia fazer o que está querendo.

Alimentação:

– Anos novos: Comer é um dos grandes prazeres da vida. E nosso paladar não nos engana, gostamos justamente do que mais nos faz mal. Seu corpo vai lidar muito melhor com os excessos nos anos novos, mas a sua vontade vai continuar a mesma a vida toda.
– Anos velhos: Longevidade e aquela sensação de que se você um pouco mais novo, poderia comer o que está querendo.

Vícios:
– Anos novos: Evite os que não vão te deixar fazer mais nada, como a maioria das drogas ilegais faz. Os outros são uma delícia, fazem mal e cobram sua conta no futuro, mas não existe prazer sem conseqüência. Ou aproveita logo e sofre depois ou sofre por igual durante a vida. Não fumar não torna seu pulmão eterno… Não beber não evita que você tenha problemas no fígado.
– Anos velhos: Longevidade e aquela sensação de que não teria feito tanta diferença ter aproveitado um pouquinho mais enquanto podia.

Cuidados médicos:
– Anos novos: A medicina só existe porque ficamos doentes. Os remédios só existem porque resolvem a maioria dos problemas os quais se propõe a resolver. O seu trabalho é quebrar e o dos médicos é consertar. Vá quando precisar, cada um com suas atribuições.
– Anos velhos: Vai passar 10% menos tempo no hospital do que quem não se cuidou. Sensação de que não fez muita diferença.

Descanso:
– Anos novos: Quanto mais você dorme… Mais você dorme. Basicamente é isso. Durma o quanto bem entender, dormir pode ser um prazer, mas essa obrigação social chata de dormir oito horas parece turno de trabalho. Perca o quanto de vida você achar melhor…
– Anos velhos: Depois de uma vida inteira regrada nesse aspecto, você vai ganhar… Nada. E para ajudar ainda vai ter mais sono do que tinha antes de qualquer jeito.

Quer viver de forma saudável? Quer se alimentar como um animal de pasto? Quer tratar seu corpo como algo frágil e delicado apenas para viver mais tempo dizendo que na sua época de jovem era tudo melhor?

Direito seu.
Mas não me venha dizer que você vai viver melhor. Vai sobreviver melhor, e só.

Para saber como começar a fumar e que bebida tem mais a sua cara: somir@desfavor.com


Não sou uma pessoa radical com saúde. Nem com a dos outros nem com a minha. Mas acredito que um mínimo existencial deva ser respeitado, não só por você mesmo, mas como um ato de consideração pelas pessoas que te amam e te cercam.

Seu corpo é sua casinha. O lugar onde você vai morar até o fim da vida. É mérito seu o corpo que você vai ter dentro de vinte anos. Ninguém precisa seguir uma dieta macrobiótica para garantir uma qualidade de vida decente, mas puta que pariu, algumas coisas devem ser suprimidas/evitadas ou diminuidas, principalmente por aqueles que fazem uso delas de forma compulsiva.

Não me entra na cabeça uma pessoa que fuma vários maços de cigarro por dia. “É vício”, eles dizem. Beleza. Vício a gente larga. É difícil? É. É possível? É. Tem gente que larga, não tem? Digo o mesmo para a bebida. Gente que bebe a ponto de prejudicar sua vida pessoal e profissional. Não sou psicóloga, mas me parecem pessoas autodestrutivas.

O trio alimentação razoável + 6 a 8 horas de sono + atividade física são um bom começo para uma vida saudável. Não é pedir muito. “Mas eu não tenho tempo, Sally”. Tem sim. Corte alguma outra atividade, porque o que está em jogo não é só o seu bem estar, é também a consideração que você tem pelas pessoas que te amam de não adoecer nem morrer cedo. Sua saúde tem que se prioridade na sua vida, porque sem ela, todo o resto fica comprometido.

“A tia da prima da irmã da minha avó fumou até os 93 anos e não morreu disso”. Ótimo. A véia tinha uma genética fuderosa, vai ver era X-Man, que bom que ela teve uma vida longa, mas você pode não ter a mesma sorte. Vai brincar de roleta russa?

“Mas todos nós vamos morrer um dia”. Sim. Você quer adiantar esse momento? Ou torná-lo mais penoso, para você e para as pessoas que te cercam?

Lógico que todos nós damos vazão a angústias de alguma forma em nosso corpo. Todos nós apresentamos comportamentos destrutivos algumas vezes. Alguns roem as unhas, outros comem compulsivamente… mas o racional tem que se capaz de colocar um limite quando um bem maior como a vida está em jogo.

Além disso, hoje existem muitos remédios para ajudar a superar essas “dependências”. Moderadores de apetite, remédios que ajudam a parar de fumar, etc, etc…

Mas o objetivo principal do meu texto não é convencer você a se cuidar para ter uma vida melhor. Cada um vive como quer, se a pessoa quer terminar seus dias fodido, torto e cagando em uma fralda, sinceramente, tem mais é que passar por isso mesmo. Cada um colhe o que planta. Quem semeia merda, colhe bosta, a vida é implacável.

O grande objetivo aqui é mostrar que isso é uma sacanagem com as pessoas que te amam. Faz pouco tempo vi uma conhecida enterrar o marido depois de um câncer no pulmão e ficar com três filhos de 3, 6 e 9 anos para criar sozinha. O sujeito tinha um histórico de câncer de pulmão na família (pai e avô tinham morrido jovens disso) e nem assim parou de fumar. Francamente, não compro essa frase de que quem fuma só prejudica a si mesmo. Ele prejudicou a esposa e aos três filhos. Quando você coloca um filho no mundo assume uma responsabilidade.

E ainda tem gente que repete: “Qual é o problema? Eu só estou fazendo mal a mim mesmo!”. Aff! Quando se faz mal a você mesmo, todas as pessoas que te amam sofrem. Uma vez perguntei para a Madame aí de cima, depois de ouvir essa frase babaca: “O que você faria se todos os dias eu tomasse na sua frente uma pequena dose de um veneno que a longo prazo fosse me matar?”. A cara de bunda dele foi fenomenal.

E ainda tem os que dizem “Eu prefiro viver assim, a escolha entre viver e morrer é minha”. Ótimo. Bacana. Só que algumas vezes o infeliz não morre, fica no meio do caminho, entrevado, dando trabalho para quem está vivo e saudável. Quem aqui quer um marido com AVC pedindo melão que precisa ter as fraldas trocadas?

Não levar uma vida MINIMAMENTE saudável é falta de consideração com quem te cerca e te ama. É falta de consideração com sua mãe, com seu pai, com sua esposa, com seu marido, com seus filhos, com seus amigos, etc. Quando você se fode, você gera um sofrimento incalculável nessas pessoas. O mínimo que se espera é que você não colabore para isso.

Quem diz que não tem tempo para comer bem, dormir bem ou se exercitar está sendo egoísta. Está fazendo uma escolha errada na escala de prioridades e existem grandes chances de que quem pague o preço sejam as pessoas queridas que o cercam.

E quando a pessoa vive tal qual um intestino (só faz merda) e resolve que não vai ter plano de saúde, mesmo podendo pagar? Em alguns lugares do país, plano de saúde é uma coisa de primeira necessidade, é praticamente obrigatório. Mas a pessoa prefere gastar esse dinheiro com outras coisas e dizer que não tem dinheiro para pagar um plano de saúde. Quando adoece, é a família e os amigos que tem que se desdobrar em um desespero sem fim para achar um leito em algum hospital público que disponha de médicos e aparelhagem necessários, o que freqüentemente é uma missão impossível.

Custa tanto assim fazer três refeições por dia, comendo de forma balanceada, carne, legumes e verduras? Custa diminuir o consumo de frituras, açúcar, gorduras e álcool? Custa se programar para tentar dormir entre 6 a 8 horas por dia? Custa caminhar 40 minutos todos os dias? Foda-se se custa. Faça, por amor a quem te ama e precisa de você!

Não estou falando de radicalismos. Estou falando de moderação.

Se você ama seu filho, vá ao médico uma vez por ano fazer exames para verificar se sua saúde está em dia, em vez de dar aquele brinquedo que ele tanto quer. Um dia, quando ele estiver se formando na faculdade e o pai dele estiver vivo podendo assistir essa momento, ele vai entender que esse foi o melhor presente que poderia ter recebido.

Para críticas, sugestões de temas e ofensas em geral: sally@desfavor.com

A evolução, em nossos tempos de savanas africanas, preparou-nos para vivermos em bandos de doze a quarenta pessoas. Alguns se adaptaram melhor do que outros à civilização e à vida urbana, outros desenvolveram sintomas de pânico, fobia social, agorafobia ou outros sintomas mais brandos, como algum desconforto na presença de estranhos ou em multidões. Eu acho aglomeração de gente um desfavor, mesmo não apresentando sintomas clinicamente significativos. Vamos a alguns exemplos, pra ilustrar:

Você vai ao Shopping Center em uma terça à tarde, fora do período de festividades: há lugar no estacionamento, as lojas estão vazias, há vendedores disponíveis, mesas livres na praça de alimentação. Tente ir perto do Natal ou mesmo em um sábado de chuva. Ano passado eu rodei todos os Shopping Centers da cidade em um dia chuvoso de verão porque tinha que comprar algo – moro em uma cidade turística em que triplica o movimento no verão – e não tinha lugar para estacionar. Inclusive, circular pela cidade estava complicado. Em outras ocasiões, cansei de ficar “sobrevoando” as mesas da praça de alimentação como uma ave de rapina, à espreita de alguém terminando sua refeição para liberar o lugar. Chega um momento em que é preciso ficar postado ao lado de alguém, encarando com um olhar de “vamos, tem mais gente querendo comer, deixe de conversa fiada!” Fora que os restaurantes e fast-foods mais encaráveis ficam demoradíssimos para atender, aí resta comer algo que você não queria no que tiver a menor fila. Você vai comprar alguma bobagem em uma loja de departamentos qualquer, aí a fila para pagar é quilométrica. Provavelmente a linha para pagar com cartão de débito estará congestionada, então você terá que passá-lo várias vezes, ou então pagar com dinheiro e fazer uma nova visita ao caixa eletrônico – que também tem fila. Fora o ruído… Fica um zumbido estranho que obriga todo mundo a falar mais alto, aumentando o maldito. Aí você resolve ir ao cinema, mesmo sabendo que a programação geralmente não é grandes coisas. Mais filas e só sobram ingressos para você ver “Besteirol Americano VIII” ou “O retorno dos tomates assassinos”, ambos dublados. Aí você fica revoltado, acha que atingiu seu limite e resolve ir embora. Passa no guichê para validar o ticket do estacionamento e constata que por cinco minutos as suas notas fiscais não bastarão para validar a conta, então você percebe que passou dez minutos na fila para validar a porcaria do ticket. Com ele validado e uns reais a menos no bolso, você tem poucos minutos para deixar o estacionamento, mas percebe que muita gente teve a mesma idéia. Poderia ser pior? Sempre, por definição. Tudo isso pode ser somado a discussões em família, brigas de casal ou choro de crianças que ficaram chateadas por não assistirem ao filme “O retorno dos tomates assassinos” pela terceira vez.

Você vai à praia em um domingo. Já sugeriu à sua namorada que é melhor ir cedo pra escapar do engarrafamento, ela jurou que no máximo às 9:00 vocês estarão a caminho. Você chega na casa dela às 8:30 e a sogra está servindo o café. Ela lhe convida para comer com eles, porque sua amadinha acabou de acordar e resolveu tomar um banho antes de ir à praia. Você fica pensando: claro, é preciso estar bem limpinha para não sujar a areia, a canga ou o mar. Meia hora depois ela chega, bela e faceira, e inicia o café. Você não pode dar uma bronca nela na frente da família, pois ainda conserva algum juízo, então o seu estômago capricha no ácido clorídrico e o seu fígado começa a fazer sua magia. Aí eles ficam em um bate-papo interminável sobre alguma fofoca familiar, ou pior do que isso, discutindo na sua frente e querendo que você se posicione. Você imagina se conseguirá realizar um truque mental ninja: fechar os olhos, desmaterializar-se e rematerializar-se em outro lugar, ao abrir os olhos. Não funciona. Às 10:30 ela vai reunir o equipamento: cadeira de praia, guarda-sol, quatro tipos de protetor solar, roupa para o caso de ventar, outra para o caso de chover, de nevar… Aí vai perguntar se o biquini novo, que ela levou horas escolhendo na loja, a deixa gorda. Você reprime o pensamento maligno “não, amor, o que te deixa gorda é o chocolate” e responde baixinho pro sogro não ouvir “não, amor, ele te deixa muito gostosa”. O irmãozinho caçula escuta e sai repetindo em altos brados. Às onze da manhã você está na estrada, junto com todo o pessoal que farreou na noite de sábado. Uma fila miserável, um calor dos diabos, o carro andando três metros, parando, sucessivamente. Você descobre que inventaram a p#@@% de um triatlo no mesmo dia e agora aqueles m&*%@$ desocupados estão andando de bicicleta, por isso uma das pistas foi interditada e a polícia rodoviária está circulando pelo acostamento. Depois de duas horas, vocês chegam à praia e não tem um p#%@ lugar para estacionar, então você tem que parar a quase 500 metros da praia e carregar toda aquela tralha, suando e bufando. Ela generosamente carrega as raquetes de frescobol. A areia está tão quente que daria para preparar seu almoço nela. Mais uma longa caminhada até encontrar um lugar para colocar o guarda-sol, longe dos quiosques que vendem coco, milho, cerveja e água mineral. Quando o acampamento está pronto, são duas da tarde e a fome retornou. Você come um milho-verde e umas castanhas de caju pra enganar o estômago, aí aparecem trinta vendedores de redes, um a cada cinco minutos: “e aí, meu rei?”

Abriu um bar novo na cidade. Florianópolis é a terra dos modismos, então a cidade inteira estará lá por no mínimo umas três semanas. Eu, que detesto muvuca, quando perguntam “Já foi ao bar novo?”, respondo “Não, estou esperando o bar ficar velho pra ir”. Mas não adianta, naquele período os outros bares da cidade estarão praticamente vazios (que maravilha) e o pessoal (amigos, amigas e agregados) resolverá marcar o encontro no bar novo. Eu adoro bares e vida noturna, não é pretexto para ficar em casa vendo filme. É que já conheço inauguração de bar de outros carnavais. Não há lugar para estacionar em um raio de 500 metros, há uma legião de flanelinhas para lhe extorquir na entrada, não haverá mesas disponíveis, os garçons estarão estressados e assoberbados, a cozinha não dará conta dos pedidos e a cerveja não terá tempo de gelar, tal a demanda.

Show da Madonna? Oktoberfest? Folianópolis? Show do dia do trabalhador? Carnaval de rua? Fogos na Avenida Beira-Mar na virada de ano? Tô fora! Muvuca é um desfavor.

Paulo

Ressaca física, ressaca moral, promessas que não vão ser cumpridas e aquela velha sensação de que não mudou merda nenhuma no mundo. Começa mais um ano com a primeira coluna do desfavor escrita em 2009.

O verão começou oficialmente em dezembro, mas é só em janeiro que as pessoas realmente entram na onda da estação e começam os desfavores sazonais.
O início do verão é o nosso desfavor da semana.

“Finalmente um pouco de paz longe daquele escritório…”

Pensei muito em formas de escapar do clichê de blogueiro mal-humorado que odeia alguma coisa que a maioria das pessoas gosta. Como vocês verão neste texto, não encontrei nenhuma:

Eu odeio o verão.

E dessa vez eu garanto para vocês que é também por inveja. Inveja das pessoas cuja genética permite apreciar esse calor com alguma dignidade. Graças aos meus antepassados que resolveram que seria uma boa idéia sair do frio congelante do leste europeu, agora eu tenho que ter boas idéias para me livrar desse calor excruciante.

(Pelo menos eles não vieram para a Argentina…)

Pois bem, desprovido de quantidades aceitáveis de melanina para participar dessa febre de verão como sou, acabo obrigado a ser um observador distante de todos os rituais veranísticos (vilanísticos?) das pessoas que me cercam. Num misto de desdém e rabugice, relaciono alguns dos desfavores mais comuns dessa época do ano:

É NOIS NA PRAIA! VAMUUUU!

Confesso que nunca entendi muito bem essa coisa de “temporada”. Quando faz frio, os lugares mais caros são aqueles onde você vai passar mais frio. Quando faz calor, os lugares mais caros são aqueles onde você vai passar mais calor. Aplicando a lei da oferta e da procura, só me resta a conclusão de que a humanidade é masoquista.

E uma das maiores provas disso é a famosa cena da praia lotada ao meio-dia. Quem em sã consciência vai se amontoar com milhares de outras pessoas em cima da areia escaldante e embaixo de um sol fervente para se divertir?

As pessoas vão à praia para passar MAIS calor. Deve ser alguma manifestação de culpa do inconsciente coletivo, uma forma de auto-punição pelos nossos crimes como espécie. Até seres com cérebros diminutos como as aves têm a capacidade de entender que existe uma temperatura ideal para a sobrevivência e migram dos locais onde encontram extremos.

Mas como não somos tão inteligentes feito uma andorinha, insistimos em continuar freqüentando praias no verão.

VAI FICAR EM CAAAASA? ECAAA!

Pronto, as mesmas pessoas que queriam ficar debaixo de um cobertor tomando chocolate quente com uma temperatura ambiente de 22º agora decidem ser ativas, já que é verão. Aposto que essa injeção de ânimo não tem nenhuma sustentação térmica ou racional.

Por exemplo: Os Beduínos no deserto usam seu cérebro ao ficarem abrigados do sol e protegidos com grossas camadas de tecido do calor infernal à sua volta. Eles vivem o ano todo no verão, faz sentido que eles saibam melhor do que nós como se sobrevive bem nessas condições.

O ser humano, depois de milênios de evolução, decidiu que o ideal no verão é ficar ao ar livre tomando sol durante o dia, onde faz mais calor… E ficar abraçado com um ar-condicionado durante a noite, onde o clima é mais ameno. Novamente, a busca pelo sofrimento. Somos um grupo pra lá de perturbado…

RELAAAAXA, É VERÃO!!!

Quantos países do primeiro mundo não têm neve? Já adianto que a resposta é um número bem redondo. Tenho a teoria de que o quociente de inteligência de um povo é a divisão entre o ano que se está pela temperatura média de onde se vive.

Muitas pessoas acham que é hora de encher a cara, fazer merda e ser inconseqüente. Eu acho isso um absurdo; afinal eu encho a cara, faço merda e sou inconseqüente o ano todo. Consistência, meu povo, consistência…

Eu me recuso a mudar de personalidade por causa da temperatura. Não vou ficar mais relaxado (até porque é impossível), não vou ficar mais social, não vou ficar mais bem-humorado. Prefiro sublimar essas convenções de comportamento.

TÁ NA HORA DE MOSTRAR O CORPITCHOOO! UHUUU!

Esse é um desfavor mais comum entre as mulheres. Não que mostrar o corpo seja uma coisa ruim, (se você não for ruim) mas da forma como acontece é uma bela de uma sacanagem. (E não do tipo que eu goste.)

Além da humanidade ser masoquista, o gênero feminino da espécie tem problemas sérios para recompensar quem merece ser recompensado. Explico: Mostrar o corpo tem conotação sexual, claro que não gera nenhuma obrigação de sexo, mas ter um corpo bonito é uma vantagem universal na hora da atração do sexo oposto. Homens valorizam uma mulher gostosa e bem cuidada.

Agora… Por que caprichar mais nesse aspecto para agradar quem não vai te comer? Queridas leitoras, o homem que te comeu no inverno, enquanto você se empanturrava de chocolate e pulava um ou outro banho ocasional te deu muito mais alegrias do que aquele que vai te comer com os olhos na praia. (E mais todas as outras gostosas do local.)

Estou trabalhando com porcentagem de acerto. Quando você mostra o corpo (querendo se mostrar…) para um homem no inverno, provavelmente ele fez alguma coisa certa e está ganhando o seu prêmio.
Quando você mostra o corpo para metade da cidade na praia, aqueles homens que te secam só tiveram o trabalho de se dirigir até ali. Você pode até acabar com um (ou mais) deles, mas todos os outros que desfrutaram da sua melhor forma física apenas com os olhos ganharam mais consideração do que aquele que lidou com seu pneuzinho pálido debaixo das cobertas.

Injusto.
Sugiro a instauração da meritocracia sexual no Brasil. Malhem para quem vai te comer no inverno, eles merecem mais.

Doações de bom-humor, melanina e protetor solar FPS 1000: somir@desfavor.com


Quando penso no verão e em todos os desfavores que o cercam, o calor me parece o menor deles. E olha que eu moro no Rio de Janeiro, aqui o calor não é brincadeira.
Para começo de conversa, eu sinto que no verão fica um clima de putaria no ar. Não sei se é pessimismo meu, mas acho que no verão as pessoas ficam mais assanhadas com tanto corpo exposto. Ninguém quer namorar no verão. Tá todo mundo pensando no carnaval.

No verão se bebe mais, talvez em função do calor, talvez em função da época do ano (muitas pessoas estão de férias) ou talvez em função da putaria (neguinho precisa criar coragem, né? tudofrouxo). Para as raras pessoas que não bebem, como eu, não deixa de ser um desfavor. Chega uma hora em que é cansativo estar em uma mesa de bar com pessoas bêbadas que riem de coisas que você só acharia graça de estivesse trêbada.

A academia, minha segunda casa, fica insuportável no verão. Juro que não entendo isso, era para ficar lotada no inverno, quando ainda dá tempo de obter algum resultado. Mas neguinho acha que se malhar dois meses vai ficar sarado. Então, aquele bando de mocinhas flácidas se matriculam e atocham a academia, demorando vinte minutos em cada aparelho, com a série na mão, sem saber o que fazer, atrasando a vida de pessoas devotas de Nossa Senhora da Maromba como eu.

E as roupas? Pipocam nas vitrines cores cítricas (tenho pavor) e aqueles modelitos esculhambados que eu não usaria nem para saída de praia. A moda verão é um horror. Até os biquínis estão de matar: cheios de recortes, argolas e outros acessórios que comprometem o bronzeado. Usei um com uma argola lateral que deixou um círculo branco no meu popô, eu parecia uma daquelas vacas de fazenda que são marcadas a ferro quente!

E o cabelo? Rio de Janeiro é ditadura do cabelo comprido, ainda mais no verão! E não tem como não lavar todo dia! (até tem umas porcas que fazem uma chapinha na sexta e só lavam na segunda, mas eu acho nojento demais). Em dez minutos um cabelo limpinho está oleoso. E com o sol e a praia (mesmo que você não vá à praia, a maresia vai até você), o cabelo fica ressecado e lá se vai dinheiro hidratando a juba. Isso porque eu ignoro a imposição social de ser loira no verão, se não, ainda morria em mais uma grana fazendo luzes.

Acho que brotam cariocas do bueiro no verão. TODOS os lugares ficam lotados. Todos. Desde a boate mais inferninho até o cineminha com desenho Disney. Tem muitos turistas na cidade, é verdade, mas mesmo desprezando os turistas, é impressionante como as pessoas saem na rua quando chega o verão.

E as chuvas repentinas? Calor do cão, você sai de casa com um vestidinho branco ou bege ou rosinha, na tentativa de não ter uma insolação no meio da rua e do nada, o tempo fecha, o céu fica preto e cai aquela chuva com pingos mais grossos do que uma chuveirada! E sempre ocorre no exato momento em que você está saindo de algum lugar e dura mais ou menos 20 minutos, ou seja, o tempo necessário para te sacanear: esculhamba com o cabelo e te deixa semi-nua no meio da rua tendo que escutar comentários dos populares.

E por falar em populares, já repararam como eles ficam saidinhos no verão? Acho que os populares entram no cio no verão. Passam cantadas na rua compulsivamente, e o nível é bem mais baixo do que as cantadas de inverno. Não acho que seja culpa apenas das roupas que usamos no verão, eles ficam agitados mesmo! No inverno eles desanimam e se escondem. Vai ver até hibernam.

O fato de ter que usar pouca roupa (sob pena de desidratação e desmaio) acarreta uma série de efeitos colaterais: depilação tem que estar sempre em dia (ou seja, mais dor e menos dinheiro), é de bom tom que o corpo esteja bronzeado (lá se vai meu sábado na praia, pqp) e minimamente em forma.

Nem preciso falar dos pés de fora. Quase impossível usar sapato fechado no verão. Primeiro porque seu pé derrete e segundo porque provavelmente nem vai caber, por estar inchado. Tome sandália! E tome dedos de fora! Alguém aqui acha que tem o pé bonito? Eu acho o meu horrível! Mesmo assim, no verão tem que estar com o pé sempre feito! E sempre tem um tarado de elevador olhando para o seu pé. Minha gente, o que é isso? Alguém me explica esse fetiche? Me mato malhando bunda e o Zé Ruela foca no meu pé? É desfavor que não acaba mais…

Não vou nem comentar o que acontece com a nossa maquiagem no verão. Se você for perua como eu e insistir em trabalhar maquiada, vai chegar ao final do dia com o layout do Coringa. Mais de uma vez meus colegas de trabalho me cumprimentaram com um “Why so serious?”. É o “efeito urso panda”, você chega ao final do dia com duas bolas pretas em volta dos olhos.

E sexo no calorão, hein? É isso ou vender um rim para pagar a conta de luz, porque haja bolso para deixar o ar condicionado ligado full time… Isso quando não tem racionamento de energia!

E os animais que aparecem no verão? Lagartixas abundam. Já comentei aqui que apelidei minha varanda de “Jurassic Park”? Tinha uma outro dia tão grande, mas tão grande, que eu já estava me perguntando se não estaria na categoria crocodilo. Vocês tinham que ver, anabolizada a bichinha. Além dela, vem baratas aos montes e outros bichos desagradáveis, como aquelas porcarias que eu não sei o nome que ficam voando em torno de uma luz. Tem um mito que depois caem as asas e elas viram cupins, se alojam na sua casa e promovem uma série de desgraças. Mesmo que seja falso, um saco jantar com aqueles bichos caindo no prato!

Não estava de bom tamanho. Agora temos uma novidade para alegrar nosso verão: a dengue. E com emoção dobrada, porque se você já teve e pegar pela segunda vez, corre um sério risco de desenvolver a modalidade hemorrágica, cujos sintomas deixam qualquer filme de terror no chinelo.

Chinelo? Porque as pessoas pensam que Havaianas coloridinhas e moderninhas são sapatos? O povo usa para ir ao cinema, ao restaurante, ao teatro… Havaianas combina com areia, E SÓ!

Gente, acabou o espaço. Uma pena, ainda ficaram faltando alguns desfavores. E se vocês acham que eu odeio o verão, esperem só até o inverno chegar… eu reclamo de tudo mesmo.

Para sugestão de temas, convites para uma temporada no frio europeu e doação de whey protein: sally@desfavor.com

Uma pessoa INVEJOSA está roubando meu público. Algo me diz que essa pessoa INVEJOSA não aguentou saber que uma das minhas postagens fez mais sucesso que a dela em comentários e agora está tentando se vingar. Desculpa meu bem, mas a Somira aqui é insubstituível. É inveja que eu sei.

Tem que ser inveja…
Certo?

*nervosa*

Poderia usar uma didática mais acessível na resposta à pergunta sobre desenvolvimento golpita pessoal, se possível dando exemplos? Grata.
Mas a didática já foi bem acessível. Bom, pelo menos para um golpista.
Minha última resposta usou as duas bases: Discurso de autoridade para demonstrar que eu sabia do que estava falando e saída pela tangente para fingir que explicava alguma coisa.

Peraí… então você não respondeu nada, Somira?

Respondi sim, tolinha. E não respondi. Como eu disse em outro lugar: A manipulação está na mente do manipulado. O resumo que se pode fazer é que não é exatamente o que você diz que configura o golpe, é o que a vítima entende. O verdadeiro golpista coloca as palavras na boca da pessoa que vai receber o golpe.

Exemplo: Fulana quer convencer seu namorado a pagar uma roupa caríssima para ela. Fulana não pede, Fulana reclama da falta de dinheiro e pergunta para o namorado se ele acha que ela ficaria bonita com a roupa. Inocentemente ele diz que sim. Fulana emenda perguntando se não vai ficar muito caro para ele comprar essa roupa, deixando a presunção de que ele acabou de se oferecer para pagar. Sinuca de bico, o namorado da Fulana vai ficar sem graça de dizer que não ofereceu nada, mas vai achar que Fulana cometeu um erro sincero ao achar que ele queria dizer isso.

somyra, da pra saber se o cara ja transou no dia? no caso se ele saiu com outra?
Vai depender de três fatores:

1) Higiene: Aqui, o mais fácil. Se não tomar banho vai ficar com cheiro de sexo. Cheiro de sexo é diferente do odor característico das partes pudentas dele. Mas não é algo que se possa explicar escrevendo. Com um pouco de experiência você vai saber.
Sim, existe uma vantagem nesse novo mundo do sexo seguro, o cheiro da camisinha.
Se não tiver/quiser acesso ao interior da cueca dele, os dedos “deduram” do mesmo jeito.

2) Potência: Claro, um homem jovem e saudável pode comer umas cinco por dia sem enfrentar grandes problemas, mas o homem que ainda não fez sexo no dia tende a dar a primeira com muito mais vigor do que o comum. E goza mais rápido.
Porém, o problema é que se você não tiver experiência com ele ou não quiser chegar nesse ponto para descobrir, de nada adianta essa informação. (Problema extra: Não é incomum bater uma antes do encontro para evitar o efeito “primeira do dia”.)

3) Esperteza (dele): Se ele quer mesmo esconder, vai dar um bom tempo entre uma mulher e outra e banhar-se meticulosamente. Ah, ele também vai fingir aquela “manipulabilidade” do homem que está DOIDO para dar uma.

Homens dizem coisas “de momento”
Nem creio que eles estejam mentindo deliberadamente quando as dizem, naquele momento eles realmente sentem aquilo.
O problema é que mudam de idéia muito rápido. Isso é muito difícil para nós mulheres, que levamos a ferro e fogo uma promessa feita no calor do momento. Magoa saber que era uma promessa de momento e nos faz sentir idiotas ter acreditado que era uma decisão pensada.
Como saber quando um homem está falando uma coisa “de momento” ou “na empolgação” e quando ele está tomando uma decisão séria, ponderada e pensada, da qual não vai voltar atrás?
O homem sofre uma pressão interna e externa para sempre ter opiniões fortes e decisões firmes. Desde cedo ele é punido por ficar em dúvida e acaba desenvolvendo o comportamento de resolver alguma coisa na hora não importa o que estiver acontecendo. Tem o seu lado positivo e o seu lado negativo…

Coloque um homem contra a parede e ele vai resolver. De qualquer jeito, mas vai. E é nesse processo que surgem essas coisas “de momento”.

Via-de-regra um homem vai demonstrar a mesma segurança e força na sua decisão quando é algo impulsivo ou quando é algo pensado. É mais fácil tentar reconhecer a diferença na situação do que no que ele diz. Quanto mais pressionado, quanto menor o prazo, quanto mais coisas estiverem em jogo… Maior a chance dele se comprometer com algo que não pensou meia vez antes de dizer.

Porque para ele o pior dos casos é não tomar uma atitude.

Por que todo homem associa a visão de uma mulher nerd/metaleira, com gordas bizonhas espinhentas que usam óculos e não tem vida social? e se tem são mais machas que os headbangers que frenquentam os mesmos lugares que elas?! OO’
Por que alguns homens se sentem inferiores quando suas namoradas vão melhor que eles nas notas da faculdade/concursos entre outros…
Isso não seria um motivo pra orgulho!??! :(
Pelo mesmo motivo que toda mulher associa a visão de homem nerd com um gordo de óculos, sem senso do ridículo e totalmente incapaz de satisfazer uma mulher. O bom e velho preconceito. Do ponto de vista da irmã de um nerd assumido: Quanto menos você ligar para isso, menos problemas vai ter. A pessoa que mantém o preconceito com uma pessoa que JÁ VIU que é diferente do estereótipo inicial não vale o esforço.

Homem é competitivo por natureza e quer se sentir o herói da sua fêmea. Ele tem na cabecinha dele que tem que ser melhor em tudo para a mulher o respeitar.
Se esse homem já for muito inseguro por natureza, vai perder para essa bobagem que criou na mente e se sentir inferiorizado.

Resumo geral: Todo mundo é meio babaca, isso é normal. O problema é quando não se luta contra a babaquice.

O que fazer quando um amigo começa a revelar uma paixão e sútilmente dar em cima sabendo que to namorando?E essa pessoa é uma pessoa muito mas muito querida…
(RESUMIDO)
Ele não confiava em ninguém porque levou O GALHO de uma ex e eu sinto sinceridade nele e sempre fui bem sincera também… como posso amenizar sem deixa-lo com aquele pensamento de que “TODA MULHER É IGUAL” “NÃO POSSO CONFIAR EM NINGUÉM MESMO!”
(complexo =/ )
FRIEND ZOWNED!!!

Ele pode ser querido, mas está fazendo uma coisa errada. Se você sempre o tratou como amigo e tem namorado, ele não pode ficar nesse chove-não-molha com você.

Uma coisa muito comum é a mulher ver o homem como amigo e o homem ver a mulher como algo a mais. (Mesmo tratando-a como amiga.)
Isso se deve ao fato de todos os homens terem uma dificuldade enorme de separar as coisas com uma amiga que consideram atraente. Mas o normal é aprender a criar uma trava e manter tudo funcionando normalmente na relação com a amiga.

Se ele não tem essa trava, ou já estava interessado em você bem antes disso e demorou um tempo para demonstrar, ou desenvolveu esse interesse e já o considera mais valioso que a amizade. (Não é uma coisa ruim, melhor do que ficar de amiguinho de mulher que não quer nada com ele…)

Você vai amenizar do jeito mais difícil: CORTANDO qualquer avanço dele fora da esfera da amizade. Não tenha dó. E jogue limpo no sentido de dizer que gosta dele como amigo, mas vai deixar de gostar se ele quiser algo diferente. Pule na granada e assuma que percebeu que ele está abusando, mesmo sabendo que pode ser chamada de maluca ou “que se acha”. Se você ficar com peninha, ele vai se afundar ainda mais e você vai ficar cada vez mais sem saída a não ser ser grossa com ele. Corte agora.

Fazer cocô antes de dar o cu é o suficiente pra não “cagar no pau”? Ou precisa mesmo de lavagem?
Para 100% de paz no cu… coração, lavagem é obrigatória. Mas se você esvaziar o reservatório com alguma antecedência, a chance de aplicar cobertura de chocolate no picolé dele cai vertiginosamente.

Uma outra sugestão é forrar o interior do seu brioco com silver-tape. Pode ser que o machuque, mas é mais higiênico.

*pensando*

Por favor não tirem a minha coluna!

*chorando*

*abrindo um olho para ver a reação do público*