Dado Dolabella, desfavor profissional que eventualmente faz bicos como ator e cantor foi preso na última terça-feira, 17 de março, por desrespeitar decisão judicial e principalmente, desrespeitar o próprio cérebro. Esse não é o desfavor da semana.

Dado Dolabella, desfavor profissional que eventualmente faz bicos como ator e cantor foi solto na última quarta-feira, 18 de março, por intermédio de um habeas corpus e principalmente, intermédio da atenção dispensada pela mídia. Agora sim esse é o desfavor da semana.

(Não vou fazer o trocadilho. Esqueçam…)

Quando fiquei sabendo da prisão de Dado Dolabella, imaginei que algum delegado tivesse comprado seu CD e resolvido tomar uma atitude humanitária. Infelizmente não foi o caso.

Na verdade, Dado estava apenas pavimentando mais alguns passos na estrada rumo à sucessão de Rafael Pilha como desfavor honorário. Carlos Eduardo Bouças Dolabella Filho estava proibido de se aproximar de Luana Elídia Afonso Piovani, sua ex-namorada, após decisão judicial do I Juizado de Violência Doméstica do Rio de Janeiro.

A decisão se deu por causa de um infeliz caso de violência doméstica. Dado Dolabella enfiou a porrada em Luana Piovani, o que não incomodou ninguém, mas também bateu numa camareira idosa, o que caracterizou o crime de violência contra Doméstica. (Sindicato forte esse…)

Pensando no bem estar do rapaz, a juíza responsável pelo caso decidiu que ele já tinha agüentado o suficiente e que merecia um pouco de paz. Dado deveria se manter a pelo menos 250 metros de distância de Luana ou seria mandado para a cadeia para pensar na besteira que pretendia fazer.

Infelizmente, Carlos Eduardo não é o que se pode chamar de pessoa brilhante. Antes de fazer a besteira de namorar Luana Piovani, era conhecido por uma patética discussão com outro desfavor: João Gordo. Como João Gordo não era uma senhora idosa e indefesa, Dado decidiu que não partiria para as vias de fato, mas sim que iniciaria numa guerra de alfinetadas e tiradas sarcásticas contra um homem que casou com uma mulher argentina. Não preciso nem dizer que pela falta total de inteligência de ambas as partes, a discussão terminou mal, com ambos fingindo que estavam sendo contidos por terceiros para não saírem no tapa.

Pois bem, a dificuldade de Dado com conceitos complexos como não debochar abertamente de uma sentença em público foi o que o colocou atrás das grades. Ao invés de fazer como qualquer homem minimamente inteligente e se manter longe de uma mulher como Luana Piovani (após ter traçado), nosso desfavor honorário júnior decidiu testar os limites da decisão munido de uma fita métrica. Por limitações técnicas do aparato, ele acabou muito mais próximo de Luana do que poderia legalmente. (Até por isso acabou expulso do camarote pela sua proximidade com as drogas.)

Claro que isso não era suficiente, Dado Dolabella testou esses limites num camarote freqüentado por celebridades em pleno carnaval carioca. Deve-se notar que em um ambiente desses, até mesmo um ex-BBB seria fotografado. Essa ousadia foi registrada e utilizada contra ele pelos advogados de Luana, que conseguiram sua prisão.

Com essa medida, Luana Piovani se viu livre do risco de violência domiciliar perpetrada por um homem que não mora com ela.

Durante o cárcere, Dado enfrentou todo o tipo de provação: O sinal de seu celular era horrível e o estrogonofe do jantar estava salgado além da conta.

Pouco mais de vinte e quatro horas depois, os advogados da família de Dado conseguiram sua libertação alegando que ele não entendia a diferença entre metros e centímetros, e que cometera um erro honesto. As autoridades chegaram a duvidar de tamanha estupidez, mas os advogados conseguiram convencê-las dizendo que Dado havia namorado Luana Piovani por livre e espontânea vontade.

O desfavor da semana é a justiça brasileira perdoar esse tipo de comportamento destrutivo por parte de Dolabella, liberando-o para insistir no erro de se aproximar de Piovani mais vezes. O Estado deveria corrigir o cidadão que passa pelo seu sistema carcerário.

Talvez com mais tempo de prisão e a convivência com homens mais inteligentes na cela, Dado fosse capaz de entender onde está errando e aprender com sua experiência. Mas como o nosso sistema judiciário tem preconceito contra brancos e ricos, não vai ter a chance de passar mais do que um mísero dia de reflexão atrás das grades.

Que lição podemos tirar disso?

Tomara que semana que vem tenhamos um assunto melhor.

Para pedir uns tabefes, para me passar a receita do estrogonofe de cadeia ou mesmo para perguntar se eu tenho dado em casa: somir@desfavor.com


Dado Dollabela foi preso. Depois de dar uns pescotapas muito bem dados em sua então namorada chatolina, Luana Piovani, Dado foi processado e até que fosse dada a sentença, não poderia chegar a menos de 250m de distância de Luana em função de uma ordem judicial. Isto ocorreu em novembro. Não vou julgar o mérito da decisão nem a Lei Maria da Penha, estou apenas expondo o caso.

Pois bem. Você é famoso (?), meteu a mão na cara da sua namorada também famosa em um local público e inclusive foi filmado fazendo esta graça. De quebra (com trocadilho) ainda bateu em uma idosa. A opinião pública se volta toda contra você (menos nós do Desfavor, Dado, mandou benzão!). O que uma pessoa sensata faz? Se recolhe, fica no sapatinho. O que Dado fez?

Dado não se fez de rogado. Continuou badalando e quicando no calcanhar por aí. No carnaval foi para o camarote de uma cerveja no Rio de Janeiro ver o desfile das escolas de samba, onde também estava sua ex. Não contente em descumprir a determinação judicial, ainda debochou e tirou uma foto segurando uma trena para medir se estava ou não a 250m de distância da chatonilda. Descumprir ordem judicial é um risco, mas debochar dela de forma pública é o verdadeiro prenúncio da desgraça. Tá pouco? Ainda foi expulso do camarote no final da noite por estar consumindo drogas. Tá pouco II? Ainda foi a outro evento onde Luana estava, uma festa no MAM. Seria Dado irmão de Rafael Pilha?

Acabaram prendendo Dado, na terça-feira dia 17. Acredito eu mais pelo deboche público do que pelo descumprimento em si. Dado não tem direito a cela especial, então, foi pro geralzão mesmo: dividiu uma cela com mais 13 homens. Isso retrata a precariedade do nosso sistema carcerário, onde já se viu submeter uma pessoa a essas condições desumanas? Mesmo o mais criminoso dos bandidos não merece estar crueldade: dividir cela com Dado. Parece até que ele cantou uma de suas músicas na cela! Chamem os Direitos Humanos! Chamem a ONU! Tortura é crime!

Qual é o desfavor? SOLTARAM DADO.

Não que eu ache que ele tenha que ser preso porque deu uma bifa em Luana, muito pelo contrário, merecia uma medalha. Tem que ser preso por optar estar no mesmo ambiente que essa asquerosa arrogante de merda! Me digam uma coisa… PRECISA de determinação judicial para não chegar perto de Luana Piovani? Precisa alguém proibir? Um ser humano com bom senso não chega perto dela por amor próprio! Porra, Dado! DUAS VEZES? Qual é o seu problema? Tem mais é que ser preso e ficar um bom tempo preso para pensar na merda que você fez! Onde já se viu se aproximar voluntariamente de Luana Piovani! Aff…

A família de Dado também parece ser portadora do gene “sem noção”. Deram uma série de entrevistas preocupantes. Em uma delas contaram que ele está preso no “Seguro”, apelido que se dá a uma cela especial informal onde não há presos de alta periculosidade, que se obtém mediante pagamento diário. Mamãe Dado subornando as autoridades. Bacana. Depois disso, Mamãe Dado contou que falou com ele no celular em diversas ocasiões e que ele a acalmava dizendo que estava tudo bem. Perguntada COMO isto foi possível, uma vez que não é permitido a presos que tenham celular, ela engasgou, tossiu e desconversou. O irmão de Dado informou que ele comeu estrogonofe (é muita síndrome de Revista Caras, não? Eu lá quero saber o que Dado comeu?), quando o prato do dia servido era frango com berinjela. Dado foi preso com celular, em local afastado dos presos perigosos e com comida própria. Assim até eu. Prende Eu!

Mas enfim, vamos ao argumento central: alguém que OPTA por uma proximidade com Luana Piovani tem mais é que se foder. Já não percebeu que a mulher é doida? Tinha que optar por ficar próximo dela? Comeu bosta, Dado? Com a faca no pescoço a e ainda é expulso do camarote por estar se drogando? Tem ou não tem que se foder?

Em tempo: Luana também agrediu fisicamente uma pessoa, uma funcionária da Rede Globo, faz pouco tempo, conforme amplamente noticiado na imprensa. Se Dado é bandido (e é) ela também é. Prendam Luana também! Faz melhor, prende Luana com Dado, estilo “Cúpula do Trovão”, dois entram, um sai. Dá uma foice para cada um e tranca a porta. JigSaw Tupiniquim.

Numa boa, soltar Dado foi um tremendo desfavor. Quando saiu, Dado ainda disse “A justiça tarda mas não falha”. Alguém tem que se tocar e fazer aquela cirurgia de retirada das cordas vocais que se faz em cachorro que late muito em Dado. Deixo meu apelo ao Judiciário: por favor, quando encarcerarem esses cantores ruins, façam pra valer! Não posso viver em um mundo com Dado e Belo circulando pelas ruas!

Para dizer que não agüenta mais ouvir falar de Dado, para fazer trocadilhos com a frase “tem Dado na cela” e para sugerir temas: sally@desfavor.com

Sejam bem-vindos ao primeiro capítulo de “DRAMA!”, a novela da DR FOREVER que é exclusividade do desfavor. (Até porque ninguém mais teria coragem de colocar isso no ar…)

PERSONAGENS:


Conheça a geniosa Sally Somir, uma mulher carinhosa, carente e careta. Sally sempre sonhou com sua independência e uma carreira de sucesso no mundo da dança, mas tudo mudou quando conheceu e se apaixonou pelo seu atual marido, o ranzinza Tiago Somir.


Somir é um homem de opiniões fortes e moral duvidosa, desagradável com quase todos que o cercam, seu ponto fraco e porto seguro é a mulher, da qual não se separaria nem se deixasse de ser um preguiçoso inseguro. Somir vive em pé-de-guerra com sua irmã solteirona Sueli.


Sueli, que de tão parecida com o irmão é apelidada de Somira, quando não está se metendo nos assuntos do casamento do irmão, está correndo atrás do homem pelo qual se apaixonou perdidamente na adolescência, Rafael Pilha.


Pilha, ex-cantor ex-telionatário, já foi uma das celebridades mais conhecidas no Brasil nos anos 80, quando seu grupo, o Pó Legal, liderava todas as paradas dublando músicas melosas em programas de auditório. Por conta das drogas, hoje em dia Pilha mora numa favela com a doce Lindamár Silva.


Lindamár é uma mulher guerreira que sustenta sua casa e seu grande amor trabalhando como lavadeira, passadeira, cozinheira, pedreira, parteira, rameira e enfermeira. Exemplo de dedicação e espiritualidade, encontra na igreja evangélica Deus nos Acuda forças para continuar cuidando do marido drogado.



Também freqüentadora da igreja, Kelly Silveira é uma dançarina de axé desempregada e desclassificada que deu… muito duro… para se mudar para a cidade grande e esquecer seu passado, sempre ao lado do fidelíssimo e sofisticado marido frouxo Olavo Camargo.



Conheça ainda Carlão Jamanta e Pantera, uma dupla inseparável recém-chegada à cidade e que promete bagunçar a vida de todos com seus planos mirabolantes para ficarem ricos e pegar muita mulher.


Eventualmente todos cruzarão seus caminhos com o da jovem Helena, que vive entrevada numa cama após um terrível acidente de carro.

NOTA: Não se preocupem, Sally e Somir continuam sendo os protagonistas.

A cada semana um episódio novo.


DRAMA! CAPÍTULO 1, CENA 1:

Veneza, Itália:

A bordo de uma das famosas gôndolas venezianas, Sally e Batistuta celebram seu amor eterno enquanto navegam pelos românticos canais da cidade.

SALLY: É um sonho estar aqui com você, corazón.
BATISTUTA: Nem um sonho poderia retratar tanta beleza como a que possui.
SALLY: Óóónnhhh… Me beija…
BATISTUTA: Onde está a minha gravata vermelha?
SALLY: Hã? Não sei, amor. Eu quero te beijar.

Batistuta dá um beijo de meio segundo em Sally, sem língua.

BATISTUTA: Pronto. A gravata?
SALLY: É… Quando a gente chegar em casa eu pego ela para você. Vamos aproveitar o passeio romântico agora, tudo bem?
BATISTUTA: Que mané passeio romântico? Sally, eu estou ATRASADO!

Realidade, Brasil:

Sally abre os olhos e dá de cara com Somir, mal-humorado como em todas as manhãs.

SALLY: *grunhido*
SOMIR: Ah, que se foda, pego outra. Você nem pra achar uma porra de uma gravata, hein?
SALLY: *suspiro*
SOMIR: Não custa nada fazer um cafezinho para o seu corazón, né?
SALLY: Corazón?
SOMIR: Você estava sonhando comigo e me chamou disso.
SALLY: Sonhando com você? *princípio de riso*
SOMIR:*princípio de fúria*
SALLY: Claro! Estava sim, corazón! Vou lá fazer o café…

Sally sai rapidamente do quarto em direção à cozinha.

SOMIR: Sally, que zona é essa no banheiro? Por que está tudo enfiado numa sacola? Cadê o meu creme de barbear?
SALLY: Esqueceu que hoje vem o pedreiro para reformar o banheiro? O seu creme e o barbeador estão na sacola verde no chão.
SOMIR: Precisa MESMO reformar o banheiro?
SALLY: Depois da sua aventura de encanador amador, sim.
SOMIR: O chuveiro está funcionando agora, não está?
SALLY: Se por funcionando você quer dizer saindo mais água da parede do que do chuveiro em si…
SOMIR: Fresca.
SALLY: *suspiro*

Alguns minutos depois:

SOMIR: Beijotchamofui! *porta batendo*
SALLY: O café…

DRAMA! CAPÍTULO 1, CENA 2:

Enquanto isso, na comunidade Nova Esperança:

Olavo lê o jornal do dia calmamente enquanto toma uma xícara de café. É distraído pelo som da porta da frente abrindo.

OLAVO: Pombinha?
KELLY: *grunhido*
OLAVO: Deveria ter me avisado que ia dormir na casa de uma amiga. Tive que ligar para todos seus colegas para saber onde você estava.
KELLY: Minha cabeça…
OLAVO: Acabei de fazer um cafezinho, senta aí que eu sirvo para você.
KELLY: Fala… baixo…
OLAVO: Só se você me der uma bitoquinha.

Olavo se inclina, faz bico e fecha os olhos. Kelly afasta o rosto de Olavo com a mão.

KELLY: Vai… tomar… no…
OLAVO: Você não acha que está muito cedo para começar com esse linguajar?
KELLY: *suspiro*
OLAVO: Pronto, saindo um café do jeito que você gosta.

Kelly vira num gole só, bate a xícara na mesa e faz um gesto com as mãos para Olavo servir mais.

OLAVO: Deve ter sido um show daqueles, hein? Está cheia de marcas na pele…
KELLY: Foi um show daqueles mesmo… Você sabe como eu fico cansada depois, né? Meus joelhos estão todos machucados e arranhados.
OLAVO: Bom, eu já deixei a cama pronta para você descansar e repor suas energias. Hoje é dia de… você sabe… *sorriso envergonhado*
KELLY: Se eu fosse você não teria muitas esperanças… Estou toda assada.
OLAVO: Hmmm… Tudo bem. Tenho que trabalhar, aquelas crianças não vão aprender matemática sozinhas.
KELLY: Quando é que você vai ter um emprego decente, Olavo?
OLAVO: Nós já discutimos sobre isso, minha pombinha. É só uma fase, logo eu conseguirei minha vaga para lecionar na universidade e todos nossos problemas financeiros ficarão no passado!
KELLY: Você fala isso há mais de um mês… Estou no meu limite, Olavo! Eu não sou mulher de homem qualquer não, viu?
OLAVO: Eu sei disso, você é a mulher mais importante do mundo para mim e eu te prometo que…

O celular de Kelly começa a tocar.

KELLY: Alô? Me conheceu ontem? A gente o quê? Ah… Sei… Você é o moreno da camiseta ver… Loiro? Ah, lembro sim… Hihihihihi…
OLAVO: … Eu estou saindo…
KELLY: Shhhh! Vai… vai!
OLAVO: Até mais, meu amor.

Kelly faz o movimento de enxotar com as mãos. Olavo sai cabisbaixo de casa.

DRAMA! CAPÍTULO 1, CENA 3:

Um chevete caramelo em péssimo estado desce a rua principal da favela Velha Esperança. O som do carro cospe acordes altíssimos e desafinados de uma música que poderia ser chamada de forró se fosse compreensível. Dentro do carro, dois rapazes conversam.

CARLÃO: Vixe! Tamo pagano di gostoso pras mina daqui…
PANTERA: É nóis, saca só aquelas princesa ali olhando pra gente e dano risadinha ó…
CARLÃO: Toso é presença onde nóis vai, Pantera! Todo mundo apontano!
PANTERA: Abre os vidro aí pra gente xavecá as gatinha, mano.
CARLÃO: Num dá.
PANTERA: Purquê?
CARLÃO: Estraga o issufiume.
PANTERA: Só…
CARLÃO: Ow, cê sabe certinho onde quié?
PANTERA: Xá cumigo, mano. Pantera tem os instinto, manja?

Duas horas depois:

PANTERA: Porra, desisto.
CARLÃO: Num é ali não?
PANTERA: Achei!
CARLÃO:

Os dois descem do carro e dirigem-se a uma construção precária.

CARLÃO: Tem certeza?
PANTERA: Diz oi pra nossa casa, mano!
CARLÃO: Num era diferente não na foto?
PANTERA: Tacaro fotochoque. Mais agora já era…
CARLÃO: Num saí da casa da minha vó pra morá aqui, mano…
PANTERA: Porra, relaxa! Tamo na cidade grande agora, depois nóis fica rico e pá…

Carlão olha ao seu redor e visualiza uma jovem lavando roupa na casa vizinha. O mundo parece ficar em câmera lenta enquanto observa a pequena morena do cabelo ensebado espancar uma cueca violentamente contra a base do tanque.

MULHER: Filho da puta! Nojento! Enche o cu de pinga e esvazia na cueca! Minha mamãe não me criou para tirar freada de cueca de malandro! Filho da puta! Filho da puta!

A mulher percebe que está sendo observada e fica sem graça. Solta um risinho tímido e corre para dentro de casa.

CARLÃO: Mano, a gente vai morá aqui e aquela princesa vai sê minha… anota aí…
PANTERA: Princesa?

DRAMA! CAPÍTULO 1, CENA 4:

Sally recebe o aviso do porteiro e vai abrir a porta para o pedreiro.

PEDREIRO: Oi, eu vim para resolver o seu problema com canos…
SALLY:*boquiaberta*

CONTINUA…

O Processa eu de hoje com certeza vai desencadear muito polêmica (fiquei com inveja do sucesso do Somir no Deleta Eu). Venho falar de um desfavor que não está mais entre nós. Não, não é Clodovil, dele já falei, é de um pior ainda: Lohn Jennon (obs: Obrigada, Mark Chapman, valeu mesmo!)

Lohn Jennon sempre foi um perturbado, um débil mental, um escroto. Não vou questionar seus dons musicais, os retardados mentais podem ter aptidões, porque não? Ou por acaso ninguém aqui viu o filme “Rain Man”? Pois bem, ele era um imbecilóide que virou herói nas mãos da mídia e mais herói ainda quando morreu. Vamos chegar um pouco mais perto do mito e ver que ele não era flor que se cheire.

Papai Jennon era um marinheiro que vivia ausente. Mamãe Jennon era uma piranha boêmia cachaceira que traía o marido abertamente, sem a menos compostura. Desde que saiu da buceta da mãe, aquela coisa horrenda, magrela e nariguda via os pais brigarem. Uma recente biografia da moda conta que com 14 anos ele quase comeu a própria mãe, para que vocês tenham uma idéia de como essa mulher se dava ao respeito. Um lar saudável, não? Mais tarde, Jennon confessaria a uma de suas esposas que se arrependia de não ter feito sexo com a mãe. Mentalmente fodido é pouco.

Pois é, aos seis anos, quando a mãe fugiu com seu amante, Lohn teve que escolher se ficava com a mãe ou com o pai. Escolheu ir com a mãe, mas sua personalidade repulsiva e a personalidade piranha da mãe, fizeram com que ela se encha o saco dele e o doe para sua Tia.

Criança problemática, Lohn quase matou de tanta pancada uma menina (sim, uma menina) no colégio. Mandou a infeliz para o hospital. Parece que ele tomou gosto pela coisa, pois mais tarde se tornaria um agressor de mulheres profissional.

Sujeito violento e venenoso, Jennon conheceu sua primeira esposa no colégio, Pynthia Cowell. Ele tratou esta mulher muito, muito, muito mal. Teve um filho com ela, o que não o impedia de espancá-la. Tentou esconder de todo mundo que era casado quando começou a ficar conhecido. A infeliz escreveu um livro contando como comeu o pão que o diabo amassou ao lado desse bostinha, então, vamos aos detalhes sórdidos…

Aos 17 anos, Lohn viu Pynthia dançando com um colega de classe em uma festa. Dançando, apenas. Como era um covarde raquítico de merda, não fez nada na hora. Mas, no dia seguinte, seguiu Pynthia até o banheiro feminino, (era a única dos dois na qual ele conseguiria bater, imagina se ele teria culhões de acertar isso com o cara!) e a encheu de porrada, a ponto de bater com a cabeça dela na pia e deixá-la ali sangrando. Mandou um joinha e foi embora. Pois é, aquele hipócrita que pregava paz e amor é um mero Dado Dolabela da Inglaterra.

Certa vez, teria dito à esposa e ao filho, que ele não era porra nenhuma para ele e que teria sido concebido em uma noite de bebedeira. Outra vez, esqueceu a esposa em uma estação de trem… detalhe: era na Índia. Chifrava a mulher com meio mundo e não se dava ao trabalho de esconder.

Quando não estava espancando a patroa, Jennon se juntava a colegas para tocar em uma banda. Muitas pernadas e puxadas de tapete depois, conseguiu ter alguma projeção. A banda, Bhe Tealtes estourou e ele ficou famoso, rico e idolatrado. Praticamente um macaco com uma navalha nas mãos. Os primeiros shows foram marcados por orgias, bebedeiras e outras atividades muito corretas.

Um belo dia, a infeliz da esposa de Jennon foi viajar por um curto espaço de tempo. Perdeu Preibói! Quando voltou, descobriu que tinha sido trocada por aquele Dragão Chinês (ela é japonesa, eu sei), aquela criatura desgrenhada, baranga e de aspecto sujo que todos nós conhecemos: YoCU Ono. Curioso é ler os requintes de crueldade: semanas antes Jennon teria dito à esposa que ela era maluca por implicar com o Dragão Chinês e que o Dragão Chinês não era importante para ele, que ela era a única mulher de sua vida. Ela acreditou, coitada. Tomar chifre de um homem horrendo deve ser uma bosta. Com uma mulher mais horrenda ainda então… puta merda.

Jennon achou que estava pouco, que tinha que sujar um pouco mais seu curriculum, então, no meio do caminho, decidiu que teria uma caso com o agente da banda, Brian Epstein. O nível subia cada vez mais. Não contente, sua esposa contou que ainda queria comer Maul Pcartney, colega de banda, também. Mas Maul era espada e recusou o convite, porque era espada. Seu empresário era gay assumido e apaixonado por Jennon e ele tripudiava. Certa vez, quando estavam pensando em escrever uma biografia deste empresário, Jennon sugeriu o título “Judeu afeminado”.

Só que, um belo dia, Jennon teve um rompante e resolveu viajar dez dias sozinho com o “Judeu Afeminado”. Ninguém soube ao certo o que se passou, mas dizem que Jennon liberou seu brioco magro. A fofoca comeu solta. Um amigo deles, Dj da casa noturna onde eles tocavam, fez uma brincadeira insinuando que Jennon teria dado o roscofó nessa viagem. Jennon espancou o infeliz, que supostamente era seu amigo. Me pergunto como é que ninguém nunca deu umas porradas nessa tripa inglesa. Tão magrelo… acho que até eu poderia sair na mão com ele!

Jennon se amarrava numa violência. Se desentendeu com o primeiro baixista da banda, por outros motivos, brigou com ele e em um gesto covarde (só assim para aquele pau de virar tripa conseguir bater em alguém) chutou sua cabeça. Resultado? Sérias lesões e a morte do rapaz, aos 21 anos de idade, poucos meses depois, diretamente relacionada com essa briga. Jennon se importava? Não, não se importava. Arrumou um novo baixista e tocou o barco.

Para não perder o hábito, Jennon espancava YoCU também. Ela, por sua vez, também dava uns cascudos nele. Uma relação super saudável. O Dragão Chinês começou a envenenar o Lohn contra seus colegas de banda e ele, como bom frouxo covarde que era, começou a querer viver em um mundinho só deles. Chegou a declarar que eles eram praticamente a mesma pessoa. Saudável, hein Campeão?

E por falar em declarar, disse que sua banda era mais famosa que Jesus Cristo. Modesto, hein? Depois dizem que Mark Chapman era transtornado. Transtornado é quem idolatra esse bosta egocêntrico covarde e espancador. Mark Chapman é um sopro de lucidez no meio das zebras.

O cara tava se achando. Se achando? Não, ele não se achava, ele se tinha certeza. Rompeu com os colegas de banda e foi para uma carreira solo vergonhosa.

O Dragão Chinês declarou que Lohn tinha tesão em Maul, seu colega de banda. Povo moderninho, né? Eu não continuaria com um homem que tem tesão no amigo. O pai de Jennon conta que o filho o hospedou em sua mansão, estava tudo ótimo, até que um dia Lohn surtou, mandou ele embora vomitando mágoas e descreveu com detalhes como o mataria se ele voltasse a procurá-lo. Comer a mãe e matar o pai… Alô? Freud?

Mas YoCU não foi a única responsável pela briga da banda, justiça seja feita. A vaidade galopante de Jennon contribuiu. Com o tempo, Maul, mesmo sem perfil de liderança, por ser muito bonzinho e pacato, começou a se destacar. Tudo quanto era música que estourava era dele. Jennon começou a ficar nervoso e começou a brigar. Competia em tudo, até mesmo nos desfavores. Quando Maul disse a uma revista que havia experimentado LSD, Jennon ficou putinho, porque ELE queria ter dito isso primeiro e ter seu nome ligado à fama de drogado. Olha que bacana, competindo para ver quem tem mais fama de drogado! Nessas horas me pergunto se Rafael Pilha poderia ter sido um Teatle.

Jennon fez YoCU listar todos os homens com os quais já havia feito sexo, e depois proibiu-a de continuar sendo amiga deles. YoCU ficou sem amigos (como tem barangueiro nesse mundo, não?). Muito amor, muita liberdade. Faz-me rir, Jennon, seu hipócrita do caralho! Claro que a clausura só valia para ela. Ele, por sua vez, teve um caso até com a secretária de YoCU, Pay Mang.

Enquanto a multidão cega idolatrava este imbecilóide, criminoso, espancador, assassino, covarde, um sopro de inteligência se fez notar: em 08 de dezembro de 1980 Mark Chapman deu uns tiros de 38 (revólver de atirar em sogra e em amigo, diga-se de passagem) em Jennon, calando de uma vez por todas essa boca arrogante e imbecil. Dá para acreditar que prenderam o cara? Eu teria dado uma medalha, mas tudo bem. Relatos médicos dizem que ele morreu após perder 80% do seu sangue. Morreu facinho, né? Traficante carioca leva dez tiros e vai andando para o hospital. Será que ele gostou quando finalmente a covardia foi COM ELE?

Lohn Jennon era um babaca, arrogante, hipócrita e transtornado que passava mensagens comerciais ao mundo, da boca para fora. Eu sempre digo que palavras são muito fáceis, cada um fala o que quer, mas atos… ahhh os atos! Eles dizem tudo! Jennon era uma fraude, um desajustado social, que se não tivesse aptidão musical estaria preso desde os 20 anos. Porque tem essa: se é famoso, é apenas “excêntrico”, se é pobre, é um “vagabundo marginal”.

Drogado, idiota, pernóstico, criminoso, feio e covarde. Um desfavor ambulante. E olha que falou espaço para falar muita coisa desse bostinha. Mais bostinha do que ele, só quem o admira. Quem o admirava na época eu não culpo, porque esse lado negro era camuflado e abafado, mas quem o admira ainda hoje, como ser humano, tem minha presunção de analfabetismo.

Para me xingar por falar mal de um homem tão bom, tão correto e tão ético, para me ameaçar de morte e para sugerir nomes para os próximos Processa Eu: sally@desfavor.com

Crítica do HTP ao Deleta Eu!:

Voltei a ler … Ao analisar nossa “linha editorial” (ups!) vejam o que o Palhaço Socrático manda:

Novamente, utilizando um ponto fraco do público feminino, as autoras adoram classificações e categorias. Sempre com a temática circense, o que faz todo o sentido se considerarmos o nome do blog e que só uma pessoa muito estúpida conseguiria confundir um palhaço com uma pessoa comum.

Parei, né?
Acho que só uma pessoa muito estúpida pode se dar ao trabalho de analisar uma piada e explicar o sentido que a temática circense faz num blog cujo título remete a palhaços. É querer levar tudo muito a sério, é se achar muito cheio de opiniões e achismos e ser palhaço em grau elevadíssimo. Porque o pior palhaço, talvez, seja aquele que não ri de si mesmo.


Trecho da postagem original:

Novamente, utilizando um ponto fraco do público feminino, as autoras adoram classificações e categorias. Sempre com a temática circense, o que faz todo o sentido se considerarmos o nome do blog e que só uma pessoa muito estúpida conseguiria confundir um palhaço com uma pessoa comum. (Se você lê o HTP, não vai entender a piada que acabei de fazer…)


Resultado:

São Paulo, 18/03/2009

O irritante som do despertador cumpre sua função ao retirar Arnaldo dos braços de uma loira escultural e trazê-lo de volta à realidade dos turnos de trabalho iniciados pela manhã. Num movimento repetido tantas vezes a ponto de ser praticamente instintivo, os apitos desafinados cessam e dão lugar aos não mais harmônicos grunhidos matinais de nosso recém-descoberto protagonista.

Juntando coragem para enfrentar mais um turno de sua maçante contribuição para a sociedade, Arnaldo abre suas pálpebras lentamente, de forma a ganhar o máximo de tempo possível antes de se considerar oficialmente acordado.

Enquanto a luz do ambiente começa a criar formas mais definidas, ele percebe que há algo de diferente na imagem que começa a se formar. Ao perceber que há um borrão semelhante a um rosto diretamente sobre sua face, por puro reflexo arregala os olhos e em um movimento brusco, senta-se na cama.

Agora ele pode enxergar perfeitamente. Há mais uma pessoa no quarto. Arnaldo mora sozinho há mais de cinco anos e nenhuma de suas ex-namoradas tem a chave do apartamento. O que mais o intriga não é o fato de não estar sozinho naquele momento, o que realmente o deixa confuso é quem está dividindo o ambiente com ele.

Esfregando os olhos, na tentativa vã de trazer um pouco de sanidade para sua visão, não consegue fazer sua companhia desaparecer. Olhando fixamente para o rosto do invasor, Arnaldo profere sua primeira palavra no dia:

“Clodovil?”

Clodovil Hernandes sorri e revira os olhos de forma irônica. Vestido um terno cor-de-rosa, senta-se numa cadeira frontal a Arnaldo, com as pernas cruzadas e a mão esquerda apoiando o rosto levemente inclinado, responde:

“Não, meu bem, é a Madonna. Não reparou no meu sutiã feito pelo Jean-Paul Gaultier?”

*som de risadas*

“Você… morreu… eu estou so … sonhando…” – Arnaldo balbucia de forma praticamente incompreensível.

“Meu corpo terreno se foi. Mas minha alma eterna continua vivíssima, amor. Vem cá, não sei se você ficou sabendo, mas os anos setenta acabaram e junto com eles a moda de revestir móveis com esses adesivos imitando madeira…” – Clodovil olha ao seu redor, aponta para um armário e dá um olhar sarcástico em direção à parede.

*som de risadas*

“O quê… O que está acontecendo aqui? Por que eu estou vendo o Clodovil no meu quarto? Que risadas são essas? P…(apito)…riu. Eu nem bebi ontem!” – Arnaldo mal consegue fixar sua visão em algum ponto específico. Ele procura outros indícios de que está tendo um sonho insano, tal qual um elefante cor-de-rosa ou um duende.

“Meu bem, você é o coadjuvante no meu novo programa de TV. Nem Morta! – Clodovil termina a frase e olha novamente para a parede.

*uma música alegre toma conta do local*

Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina

Arnaldo é o Pierrô, Clodovil a Colombina

Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina

Clodovil continua olhando fixamente para a parede enquanto diz: “Nem moooorta!”

“Ca…(apito)…o, agora estou até ouvindo música… Pirei de vez. Oficial.” – Arnaldo se enfia debaixo das cobertas, como uma criança se escondendo do bicho-papão.

“Não adianta, meu querido. Eu vim para ficar. Você não tem que trabalhar não?” – Para desespero de nosso coadjuvante(?) a voz de Clodovil ainda pode ser ouvida dentro da cabana formada pelo cobertor.

Arnaldo se levanta num pulo só, evita contato visual com a aparição e segue diretamente para o banheiro. Parece determinado a recobrar sua sanidade a qualquer custo. Enquanto tira sua cueca velha e carcomida, liga o chuveiro na posição verão e se enfia debaixo da torrente de água gelada.

“Gente, vai ser a menor barra de censura da história da televisão.” – A voz de Clodovil parece vir de dentro do banheiro.

*risadas*

“A água está gelada, sua bicha velha!!!” – Arnaldo, sentindo sua masculinidade ridicularizada, abaixa suas defesas contra a evidente situação estapafúrdia que vive naquele instante.

*risadas*

“Agora para de me encher o saco que eu tenho que trabalhar daqui a pouco, coisa que você obviamente não entende já que era deputado.” – Arnaldo nem se preocupa em olhar para trás, apenas ensaboa o seu corpo.

*risadas e palmas*

“Geeeente, ele ficou nervoso! Vocês sabem como eu sou, né? Não tenho papas na língua, sou sincero até a última gota. Fui criado para falar a ver…” – Clodovil discursa.

“Blá blá blá blá blááá… Não tem como trocar de canal não?” – Arnaldo termina seu banho e pega uma toalha bem ao lado de Clodovil.

*risadas*

“Ui, alguém acorda de mau humor. Azar, meu bem, porque o nosso público é o único que pode mudar de canal. E aposto que ninguém vai querer ver o programa do Chacrinha com participação especial do senso de humor do Jô Soares.” – Clodovil olha para a parede novamente.

*gritos de incentivo*

Enquanto se dirige novamente para o quarto e pega roupas no armário, Arnaldo questiona: “Por que você fica olhando para a parede? Quem está vendo isso?”

“Os desencarnados. Você nem imagina o tamanho do público que está nos acompanhando agora. E eu estou olhando para as câmeras, você não é iluminado o suficiente para enxergá-las. Assim que eu morri me ofereceram o papel de protagonista de um show onde eu daria dicas de moda, comportamento e etiqueta para um pobre coitado como você. Disseram que assim que eu completar um ano com o programa no ar, eu vou para o céu.” – Clodovil lixa as unhas enquanto fita as nádegas expostas de Arnaldo.

“Bom jeito de te manter longe do paraíso. Quando você não caga na entrada…” – Arnaldo, desconfortável com os olhares de Clodovil, veste-se apressado.

“Eu não te aconselharia a usar essa roupa, querido. Não combina e ainda evidencia essa sua barriguinha…” – Clodovil abre novamente o armário e suspira decepcionado. “Meu Deus, eu vou precisar operar um milagre aqui para te deixar na moda…” – Com um estalo de dedos da alma penada (de pavão), um turbilhão de purpurina obscurece a visão de Arnaldo, que fica sem reação.

*palmas e gritos*

“Hã?” – Arnaldo nota que sua roupa está completamente diferente, tanto o modelo quanto os tons do tecido. “Cadê a minha roupa, Clodovil?”

“Numa lixeira do Além! Agora sim você vai causar um impacto e abalar o mundo dos vivos, meu bem!” – Responde o espílhafatoso.

“Você tem certeza? Me parece um tanto quanto… gay. Principalmente a calça de couro.” – Arnaldo está pensando seriamente em se matar e trocar de canal para sempre.

“Quem é o estilista do recinto?” – Clodovil indaga.

“Se tem algum aqui deve estar mais morto do que você, porque eu não estou vendo nenhum…” – Arnaldo volta a demonstrar seu mau humor.

*vaias*

“Além disso, quem enfiou na sua cabeça que eu preciso de um assessor para estilo? Eu sou feliz do jeito que eu sou, não preciso ficar fazendo pose para o mundo ou interpretando um papel ridículo e caricatural porque sou uma bicha insegura e fracassada! E mesmo se eu quisesse alguém para me dar dicas sobre essas futilidades, eu com certeza não escolheria você. Primeiro porque você nunca se respeitou durante sua vida, e além disso fez todo tipo de papelão para aparecer enquanto dizia aos quatro ventos que não ligava para a opinião alheia. Não, Clodovil, eu não quero nada, nada mesmo, vindo de você. Vai embora daqui e nunca mais volte.” – Arnaldo começa o difícil processo de arrancar a apertadíssima calça que esmaga seus genitais.

*silêncio*

“Gordo, feio, invejoso! Você nunca vai ter o glamour que eu tive!” – Clodovil, visivelmente alterado, se volta para a parede e com um gesto pede a aproximação da câmera invisível.

Arnaldo veste novamente uma roupa masculina.

“Agora eu vou falar umas verdades para vocês, telespectadores. Vocês me conhecem, né? Eu não me escondo não, dou a cara a tapa e não tenho medo de ningu…” – Clodovil, dedo em riste, parece compenetrado em seu discurso.

Arnaldo pega sua carteira, celular e chaves e sai de casa.

Clodovil escuta a porta batendo, vira-se e contempla o apartamento vazio. Olhando novamente para a parede, solta um palavrão multi silábico desconhecido até para as almas milenares na platéia. Visivelmente chateado, senta-se na cama e esconde o rosto, do qual já brotam lágrimas.

Um celular começa a tocar. Clodovil busca o aparelho em seu bolso e atende com um gemido tristonho. Depois de escutar algumas frases, arregala os olhos e demonstra um sorriso surpreso:

“Como assim um sucesso? O público quer muito que eu continue com o programa? Com outros coadjuvantes? Um por mês? Mas você viu o que aconteceu… Ele me odiou! Quem garante que outro vivo vá gostar de ter minha companhia vinte e quatro horas por dia? Aaaahhh… entendi… Claro que eu topo! Vamos começar agora mesmo… Meu bem, eu voltei com tudo!”

***

Alguns minutos depois, no Rio de Janeiro:

“Clodovil?”

“Bom dia, Belo.”

*palmas*

Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina
Bicha não morre, bicha vira purpurina…

FIM
(Tomara…)

Clodovil, obrigado por deixar o mundo um lugar melhor para se viver, ontem. Essa é a homenagem do desfavor para um desfavor.