{"id":10266,"date":"2016-07-01T06:00:43","date_gmt":"2016-07-01T09:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=10266"},"modified":"2016-07-01T15:19:53","modified_gmt":"2016-07-01T18:19:53","slug":"grandes-coisas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2016\/07\/grandes-coisas\/","title":{"rendered":"Grandes coisas."},"content":{"rendered":"<p>O ser humano \u00e9 fascinante. \u00c9 muito prov\u00e1vel que o comportamento fetichista no sexo venha de muito longe na nossa hist\u00f3ria, sempre com algu\u00e9m empurrando um pouco mais a linha do que gera sua excita\u00e7\u00e3o al\u00e9m do ato em si. E nas rela\u00e7\u00f5es de poder entre as pessoas surge um dos campos mais f\u00e9rteis para esse tipo de cria\u00e7\u00e3o. Hoje eu trago aqui alguns fetiches baseados em poder que provavelmente s\u00f3 existem por causa da internet.<!--more--><\/p>\n<p>Tem uma frase \u00f3tima do Oscar Wilde: \u201cTudo no mundo \u00e9 sobre sexo, exceto sexo; sexo \u00e9 sobre poder\u201d. Partindo dessa premissa, era evidente que temas como domina\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o fossem t\u00e3o presentes nas fantasias do ser humano m\u00e9dio nos mais diferentes graus. Tem gente que gosta de representa\u00e7\u00f5es dessa rela\u00e7\u00e3o de poder de forma mais sutil, outras j\u00e1 preferem explicitar tudo at\u00e9 mesmo com uniformes e acess\u00f3rios. Mas pra falar de sadomasoquismo e afins voc\u00eas tem o resto do mundo. Aqui \u00e9 \u201cN\u00e3o Fode!\u201d e a coisa tem que ser bem mais maluca&#8230;<\/p>\n<p>Pra come\u00e7ar os trabalhos, vamos falar do fetiche do gigantismo. Explica\u00e7\u00e3o simples: pessoas que ficam sexualmente excitadas com a ideia de uma diferen\u00e7a absurda de tamanho entre parceiros sexuais. E se voc\u00ea est\u00e1 pensando num jogador de basquete e uma ginasta, n\u00e3o entendeu direito a escala da coisa. Se voc\u00ea pesquisar por \u201cgiantess\u201d no Google Imagens, vai perceber do que eu estou falando. Ali\u00e1s, se voc\u00ea fizesse essa pesquisa sem saber que tinha um fetiche por tr\u00e1s disso, poderia ficar se perguntando porque existem milhares de montagens de modelos posando em cidades miniatura por a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>At\u00e9 onde eu vi, \u00e9 um fetiche essencialmente masculino. Minha teoria \u00e9 que mulheres tendem a viver fantasias de diferen\u00e7a de poder f\u00edsico na vida real mesmo, dificilmente precisariam de montagens, desenhos e perspectivas for\u00e7adas para visualizar a cena. Ent\u00e3o, quase sempre esse fetiche \u00e9 baseado em mulheres gigantes aprontando todo tipo de coisa com homens e mulheres incrivelmente menores. Ali\u00e1s, parece muito importante para as pessoas que sentem prazer com essa ideia que a giganta seja, no m\u00ednimo, descuidada. Parece que n\u00e3o tem gra\u00e7a se aquele tamanho todo n\u00e3o acabar em desastre e humilha\u00e7\u00e3o para quem \u00e9 pequeno e indefeso.<\/p>\n<p>O que coloca o gigantismo dentro da categoria dos fetiches baseados em domina\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o. Mesmo que n\u00e3o dependa de uma a\u00e7\u00e3o do dominador&#8230; em muitas imagens e hist\u00f3rias, a gra\u00e7a parece vir de demonstrar a rela\u00e7\u00e3o entre os tamanhos, com quadros explicativos dando zoom nos pequenos sofrendo diante da situa\u00e7\u00e3o imposta pela gigante, que ou est\u00e1 de sacanagem (no mau sentido) querendo destruir tudo, ou que est\u00e1 distra\u00edda, tal qual uma pessoa passando pelo caminho de uma formiga.<\/p>\n<p>E pela impossibilidade pr\u00e1tica de vivenciar essa tara, ainda bem, o material dispon\u00edvel \u00e9 muito baseado em desenhos e hist\u00f3rias. Tem gente ganhando a vida desenhando hist\u00f3rias em quadrinhos para quem tem esse fetiche, hist\u00f3rias pornogr\u00e1ficas ou n\u00e3o de mulheres gigantes causando diferentes graus de destrui\u00e7\u00e3o e terror na vida cotidiana. O mercado de quadrinhos e ilustra\u00e7\u00f5es fetichistas \u00e9 muito grande, embora pulverizado. Como houve uma explos\u00e3o de diversidade fetichista ap\u00f3s a internet, \u00e9 tudo muito de nicho. Mas mesmo assim, sempre tem quem produza esse material e sempre tem quem compre. Evidente que na parte de quadrinhos a maioria dos profissionais acaba vindo do Jap\u00e3o (sempre eles), mas o mercado parece aumentar no resto do mundo. Eu j\u00e1 disse v\u00e1rias vezes que o Jap\u00e3o era um bal\u00e3o de ensaio do que aconteceria com a sexualidade humana, e ainda acredito que isso vai acontecer.<\/p>\n<p>Porque esse fetiche do gigantismo tem um elemento de ilus\u00e3o muito grande, n\u00e3o \u00e9 como um filme porn\u00f4 onde a fantasia \u00e9 fazer algo que voc\u00ea s\u00f3 conseguiria em condi\u00e7\u00f5es ideais, mas que n\u00e3o seja efetivamente imposs\u00edvel. Nesses casos \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o de excita\u00e7\u00e3o totalmente \u201cconceitual\u201d, cidad\u00e3o n\u00e3o vai viver essa situa\u00e7\u00e3o de forma alguma, s\u00f3 pode existir dentro da mente. Antes da m\u00eddia de massa e a internet, a pessoa dependia de uma imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil e a capacidade de se perder dentro dela, mas hoje qualquer pessoa com um m\u00ednimo de capacidade de desenhar ou escrever consegue botar suas fantasias no mundo para outros acompanharem. E eu garanto que esse m\u00ednimo que eu escrevi \u00e9 m\u00ednimo mesmo&#8230; quando se fala desse tipo de fetiche, qualquer rabisco j\u00e1 atende uma demanda negligenciada. Afinal, cidad\u00e3o que quer ver uma mulher se masturbando com um vag\u00e3o de trem realmente precisa de qualquer apoio visual que conseguir&#8230;<\/p>\n<p>E ainda argumento: talvez muita gente desenvolva o fetiche por conseguir visualizar a imagina\u00e7\u00e3o alheia. Voltando ao come\u00e7o do texto, se sexo anda de m\u00e3os dadas com poder para tanta gente, era at\u00e9 previs\u00edvel que a semente para coisas como o gigantismo estivesse pronta para germinar numa era de tanta informa\u00e7\u00e3o. Eu sou da teoria que embora as bases do que vai se tornar fetiche em algu\u00e9m n\u00e3o possam ser geradas apenas pelo acesso ao material, a diversifica\u00e7\u00e3o dos formatos onde ele pode ser apreciado dependem e muito de contato com mentes parecidas.<\/p>\n<p>Ou, mentes espertas. Porque onde tem homem tarado por alguma coisa incomum, tem mulher ganhando dinheiro. Existem muitos e muitos v\u00eddeos de modelos que fazem seu p\u00e9 de meia simulando o fetiche do gigantismo, nos mais diversos graus de horror. Perspectiva for\u00e7ada, sempre olhando de cima para baixo, usando um discurso ou de humilha\u00e7\u00e3o ou de condescend\u00eancia com o tamanho diminuto do homem que est\u00e1 vendo. E eu n\u00e3o estou falando dos v\u00eddeos onde essas modelos ficam horas falando como o p\u00eanis do homem \u00e9 pequeno, porque essa \u00e9 outra categoria&#8230;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, fiquem felizes com a ideia que provavelmente neste exato minuto um ou mais homens est\u00e3o assistindo v\u00eddeos pelos quais pagaram (e n\u00e3o pouco) com mulheres fingindo ser gigantes e dizendo como eles s\u00e3o insignificantes. E como estamos nessa coluna, vamos estragar mais seu dia: em alguns casos as modelos at\u00e9 simulam uma \u201cc\u00e2mera privada\u201d, como em c\u00e2mera dentro de uma privada, para atender aos fetiches de quem soma gigantismo e coprofilia num mesmo pacote. Ah sim, a coisa vai piorar bastante agora. Se queria s\u00f3 adicionar um conhecimento in\u00fatil na sua vida, pode parar aqui&#8230;<\/p>\n<p>Se n\u00e3o, vamos falar um pouco da parte dos fetiches oportunistas que vem do gigantismo. \u00c9 at\u00e9 comum que o material mais expl\u00edcito baseado em gigantismo venha com quantidades avassaladoras de necessidades fisiol\u00f3gicas. N\u00e3o basta destruir a cidade e aterrorizar os cidad\u00e3os, tem que deixar uma marca nela. Mas, essa parte nem \u00e9 t\u00e3o novidade assim, acho que todo mundo j\u00e1 sabe desses fetiches por excre\u00e7\u00f5es. O que pode ser novidade \u00e9 a parte mais violenta da coisa.<\/p>\n<p>E \u00e9 aqui que come\u00e7a a entrar o \u201cvore\u201d. Um fetiche baseado em engolir. N\u00e3o, n\u00e3o esse tipo de engolir&#8230; engolir uma pessoa inteira. Uma gigante ou um ser qualquer se alimentando da pessoa que tem essa tara. Alguns homens podem dizer que querem ser comidos num contexto sexual sem ter nada a ver com a primeira impress\u00e3o que todos ter\u00edamos da frase. Esse fetiche por ser engolido (alguns gostam da ideia de serem mastigados) at\u00e9 faz mais sentido do ponto de vista masculino, se pararmos pra pensar. Afinal, a din\u00e2mica do sexo realmente apresenta essa ideia de estar dentro da parceira para o homem. Mas a compreens\u00e3o acaba rapidamente quando vemos que a maioria do material dispon\u00edvel para esse fetiche leva em considera\u00e7\u00e3o a digest\u00e3o. Cidad\u00e3o quer ser engolido e digerido lentamente.<\/p>\n<p>O \u201cvore\u201d, assim como o gigantismo, levam em conta algo t\u00e3o fantasioso que a pessoa nem se importa mais se sua fantasia acaba com ela morta. Talvez se diante de uma situa\u00e7\u00e3o real, essas pessoas n\u00e3o teriam prazer de verdade de estar na situa\u00e7\u00e3o. Na fantasia n\u00e3o tem dor se n\u00e3o quiser. E, na fantasia, o dia seguinte ainda existe. Mas n\u00e3o deixa de ser fascinante como pra muita gente at\u00e9 mesmo o ato de morrer horrivelmente pode ser transformado em combust\u00edvel para excita\u00e7\u00e3o sexual. Vou fazer algo feio e mexer num vespeiro sem me aprofundar muito: toda vez que ou\u00e7o e leio que muitas mulheres tem uma tara mal explicada por serem for\u00e7adas a fazer sexo, fa\u00e7o esse paralelo. Tem gente que quer ser comida e digerida por uma giganta. Fantasia n\u00e3o tem obriga\u00e7\u00e3o nenhuma de se relacionar com uma vontade de fazer isso na vida real.<\/p>\n<p>As taras humanas como tema de estudo com certeza te fazem ver coisas horr\u00edveis, mas, pouca coisa fala t\u00e3o bem sobre a subjetividade da mente humana como elas. At\u00e9 vejo um mundo onde excesso de especificidade de fetiches comecem a nos dividir, mas n\u00e3o deixa de ser fascinante esse grau de especializa\u00e7\u00e3o. O desejo at\u00e9 por ser esmagado por um p\u00e9 gigante demonstra de uma forma maluca o que eu sempre pensei: que sexualidade est\u00e1 ligada a tudo mesmo, n\u00e3o porque s\u00f3 pensamos nisso, mas&#8230; porque nada na nossa mente \u00e9 uma ilha.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que essa coluna \u00e9 broxante, para dizer que pelo menos essa gente n\u00e3o se reproduz, ou mesmo para dizer que aposta que tem coisa bem pior (tem sim, na pr\u00f3xima eu falo delas): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ser humano \u00e9 fascinante. \u00c9 muito prov\u00e1vel que o comportamento fetichista no sexo venha de muito longe na nossa hist\u00f3ria, sempre com algu\u00e9m empurrando um pouco mais a linha do que gera sua excita\u00e7\u00e3o al\u00e9m do ato em si. 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