{"id":10314,"date":"2016-07-14T18:00:19","date_gmt":"2016-07-14T21:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=10314"},"modified":"2016-07-14T19:48:27","modified_gmt":"2016-07-14T22:48:27","slug":"infinita-complexidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2016\/07\/infinita-complexidade\/","title":{"rendered":"Infinita complexidade."},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 parou pra pensar que a cada vez que voc\u00ea pensa sobre o porqu\u00ea pensou em uma coisa tamb\u00e9m existe um porqu\u00ea do porqu\u00ea? E assim por diante? Provavelmente infinitamente? \u00c9 isso que eu chamo de infinita complexidade do pensamento, ou para soar menos arrogante: o pensar em falso. Eu sempre acreditei que esse fosse um problema de pessoas muito inteligentes, uma esp\u00e9cie de falha previs\u00edvel no processo do pensamento quando \u201csuperaquecido\u201d. Sempre, at\u00e9 pensar melhor sobre isso&#8230;<!--more--><\/p>\n<p>E sim, isso aqui tem todo o jeito de ser uma grande pensada em falso. Na d\u00favida, vamos dizer que estou filosofando, parece um desperd\u00edcio de tempo mais digno falando assim. E filosofando, busco a resposta de uma pergunta que parece at\u00e9 primordial: quando parar de pensar em algo? Quando aceitar que voc\u00ea j\u00e1 chegou na melhor resposta poss\u00edvel com o conhecimento que tem? E, \u00f3bvio, tomar as atitudes condizentes com a resposta encontrada. Porque at\u00e9 o conhecimento pode cair nessa armadilha da complexidade infinita.<\/p>\n<p>Estou entrando num buraco aqui&#8230; est\u00e1 na cara. Mas, continuemos: digo que conhecimento pode chegar nesse grau de infinidade considerando que a nossa pr\u00f3pria capacidade de relacionar informa\u00e7\u00f5es e a predisposi\u00e7\u00e3o (gen\u00e9tica, at\u00e9) de encontrar padr\u00f5es pode causar uma explos\u00e3o na quantidade de vari\u00e1veis e possibilidades de cada informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea j\u00e1 possui. Em algum campo de conhecimento, pelo menos, uma pessoa deve acabar se desenvolvendo. E com o ac\u00famulo daquelas informa\u00e7\u00f5es, qualquer outra diferente que seja adicionada num campo distinto do j\u00e1 \u201cdominado\u201d tende a ser comparada e aplicada ao que j\u00e1 se entende para formar novas rela\u00e7\u00f5es. At\u00e9 por isso tanta gente aprende melhor com met\u00e1foras e analogias.<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m entende muito sobre engenharia, por exemplo, pode acabar enxergando o campo da medicina de forma completamente diferente do que algu\u00e9m que estudou artes, por exemplo. A informa\u00e7\u00e3o original aplicada a duas pessoas diferentes, por mais simples que seja, gera uma quantidade enorme de conex\u00f5es \u00fanicas com o conhecimento j\u00e1 adquirido por elas, tornando-se exponencialmente mais complexo quando analisado. E da\u00ed podem surgir muitas das nossas desaven\u00e7as comuns na humanidade: a mesma informa\u00e7\u00e3o modificada por toneladas de dados internos que cada um de n\u00f3s tem, exclusivamente.<\/p>\n<p>Voltando ao exemplo anterior, diante da informa\u00e7\u00e3o de um aceleramento no batimento card\u00edaco, o engenheiro pode pensar rapidamente na rela\u00e7\u00e3o de efici\u00eancia do processo de bombeamento da v\u00e1lvula em quest\u00e3o e os riscos relacionados com o funcionamento acima da capacidade sugerida. Um m\u00fasico pode enxergar tudo como uma varia\u00e7\u00e3o de ritmo, um momento onde a m\u00fasica da vida precisa passar mais emo\u00e7\u00e3o. Ambos est\u00e3o certos. A informa\u00e7\u00e3o foi trabalhada com a complexidade que cabia a cada um. Se o engenheiro pode enxergar a beleza dos mecanismos em sincronia e derivar da\u00ed o valor da vida em geral como a incr\u00edvel uni\u00e3o de partes separadas para formar o todo, o m\u00fasico tamb\u00e9m, mas enxergando o universo como uma sinfonia onde incont\u00e1veis instrumentos soam em harmonia.<\/p>\n<p>E eu estou s\u00f3 filtrando por algo banal como profiss\u00e3o. Imagine s\u00f3 adicionar a\u00ed hist\u00f3rias de vida n\u00e3o s\u00f3 das pessoas como das que as cercam? Cada informa\u00e7\u00e3o, que provavelmente j\u00e1 chega complexa pela vis\u00e3o de outra pessoa que a compartilhou, torna-se ainda mais \u00fanica no momento em que \u00e9 armazenada e tratada num dos tantos universos paralelos e \u00fanicos que formam a humanidade consciente.<\/p>\n<p>A busca pela verdade deve considerar tantas vari\u00e1veis ao mesmo tempo que fica imposs\u00edvel alcan\u00e7ar qualquer coisa al\u00e9m da melhor resposta poss\u00edvel no momento. Dever\u00edamos partir do princ\u00edpio que estamos errados em pelo menos alguma parcela de cada vis\u00e3o de mundo que temos. E n\u00e3o necessariamente por falta de esfor\u00e7o, mas pela infeliz desconex\u00e3o de escala entre o que somos capazes de processar e o que nos \u00e9 disponibilizado para analisar. A realidade \u00e9 complexa demais para o sistema que temos. Dever\u00edamos ter essa no\u00e7\u00e3o. Mas, ela \u00e9 incrivelmente rara.<\/p>\n<p>Comecei o texto dizendo que acreditava que complexidade infinita era problema apenas daqueles que tinham a capacidade de notar o momento onde a curva da incerteza cresce de forma exponencial, mas que estava revendo essa no\u00e7\u00e3o. Quando pensamos num mundo onde tanta gente parece ter certeza absoluta daquilo que acredita, ao ponto at\u00e9 de ser violento diante da ideia de que outras pessoas enxergam as coisas de forma diferente, parece mesmo que na m\u00e9dia o problema \u00e9 a falta de complexidade. Mas, n\u00e3o d\u00e1 pra defender a infinita complexidade da informa\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo que considera que a maioria das pessoas n\u00e3o lida com essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o pode se tornar infinita com qualquer um, basta que seja capaz de absorv\u00ea-la. E por mais que n\u00e3o sejam todas que sejam palat\u00e1veis para o cidad\u00e3o m\u00e9dio, algumas v\u00e3o passar por esse filtro. Mesmo com o algoritmo da rede social selecionando apenas aquilo que refor\u00e7a vis\u00f5es pr\u00e9vias de uma pessoa, ela n\u00e3o consegue escapar de comparar fatos novos com toda a bagagem que j\u00e1 tem. A complexidade est\u00e1 l\u00e1, do mesmo jeito. Ent\u00e3o, o que falta para gerar um m\u00ednimo de humildade realista em quem cospe fogo pelas ventas toda vez que l\u00ea ou ouve algo diferente do que j\u00e1 acredita?<\/p>\n<p>Pelo o que entendo, falta coragem para lidar com a complexidade. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil se colocar na posi\u00e7\u00e3o de d\u00favida razo\u00e1vel. \u00c9 um ponto de compreens\u00e3o da realidade que exige esfor\u00e7o para ser navegado at\u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o. A d\u00favida razo\u00e1vel surge quando sua vis\u00e3o de mundo n\u00e3o \u00e9 mais capaz de te dar uma melhor resposta poss\u00edvel. O mesmo mecanismo que faz funcionar o c\u00e9rebro da pessoa capaz de lidar com o pensamento complexo est\u00e1 presente no que da prefere n\u00e3o fazer. A informa\u00e7\u00e3o infinita \u00e9 inevit\u00e1vel, muda apenas a estrat\u00e9gia de combate \u00e0 d\u00favida.<\/p>\n<p>Por um lado existem aqueles que se afundam no pensar em falso e acabam n\u00e3o fazendo nada, por outro existem os que fecham propositalmente em seus processos mentais a porta que leva at\u00e9 l\u00e1. A quest\u00e3o \u00e9 entre essa porta e o po\u00e7o do pensamento infinito est\u00e1 um corredor repleto de portas. Muitas n\u00e3o levam a lugar algum, mas sempre vai existir uma que te deixa mais perto da verdade. Sim, podemos pensar para sempre nas motiva\u00e7\u00f5es de cada a\u00e7\u00e3o, opini\u00e3o ou fato buscando sempre a motiva\u00e7\u00e3o da motiva\u00e7\u00e3o; e sim, podemos simplesmente colocar um cadeado nessa porta e viver sem o risco de cair num abismo que aparentemente n\u00e3o tem fim, mas&#8230; a verdade, a verdade n\u00e3o est\u00e1 nem em um lugar, nem em outro.<\/p>\n<p>Pensar em falso n\u00e3o \u00e9 a busca pelo o que ainda n\u00e3o sabemos, porque \u00e9 vivenciar uma falha previs\u00edvel nas nossas capacidades cognitivas sem buscar alternativas. Pensar enlouquece. N\u00e3o aceitar a complexidade, por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m chafurdar em limita\u00e7\u00f5es, antes mesmo de sabermos o tamanho delas. O problema \u00e9 o mesmo, s\u00f3 muda o lugar onde se est\u00e1 quando finalmente se desiste de viver no mundo real.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que ainda est\u00e1 esperando uma conclus\u00e3o, para dizer que eu realmente estou precisando da Sally, ou mesmo para dizer que pelo menos foi um post: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 parou pra pensar que a cada vez que voc\u00ea pensa sobre o porqu\u00ea pensou em uma coisa tamb\u00e9m existe um porqu\u00ea do porqu\u00ea? E assim por diante? Provavelmente infinitamente? \u00c9 isso que eu chamo de infinita complexidade do pensamento, ou para soar menos arrogante: o pensar em falso. 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