{"id":10405,"date":"2016-08-08T06:00:55","date_gmt":"2016-08-08T09:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=10405"},"modified":"2025-11-25T18:40:22","modified_gmt":"2025-11-25T21:40:22","slug":"o-fim-esta-proximo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2016\/08\/o-fim-esta-proximo\/","title":{"rendered":"O fim est\u00e1 pr\u00f3ximo."},"content":{"rendered":"<p>Relacionamentos come\u00e7am, relacionamentos acabam. Quando um deles chega ao seu final, Sally e Somir discordam sobre o que torna a experi\u00eancia ainda pior. Os impopulares terminam de dar sua opini\u00e3o.<\/p>\n<h6>Tema de hoje: qual a pior parte de um t\u00e9rmino?<\/h6>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Tecnicamente, o pior \u00e9 n\u00e3o querer terminar. Mas esse \u00e9 um caso espec\u00edfico, considerando um quadro mais geral, a pior parte na minha vis\u00e3o \u00e9 o estranhamento p\u00f3s-t\u00e9rmino. Aquela sensa\u00e7\u00e3o de lidar com a outra pessoa subitamente num contexto novo onde&#8230; onde ela n\u00e3o \u00e9 mais nada sua.<\/p>\n<p>Porque tristeza, brigas e todo aquele pacote mais passional do processo, esses s\u00e3o previs\u00edveis. Pra essas coisas d\u00e1 pra procurar um ombro amigo, escutar conselhos, at\u00e9 mesmo distrair a cabe\u00e7a com outras coisas. Mas, o estranhamento? Esse est\u00e1 l\u00e1 e \u00e9 at\u00e9 dif\u00edcil de explicar pra si mesmo o que est\u00e1 acontecendo. E seja l\u00e1 o que aconte\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o entre as duas pessoas dali pra frente, ele nunca mais vai embora. No final das contas, voc\u00ea criou uma poss\u00edvel situa\u00e7\u00e3o confusa e constrangedora para o resto da vida (bom, pelo menos da que durar menos).<\/p>\n<p>Um fantasma que pode te assombrar por muitos anos ainda, um fantasma que nem sempre abre o jogo sobre suas inten\u00e7\u00f5es e pode at\u00e9 te criar armadilhas no futuro, abusando da confian\u00e7a constru\u00edda naquela rela\u00e7\u00e3o para dinamitar suas pr\u00f3ximas. Um risco constante de sabotagens e d\u00favida sobre inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mesmo na hora do t\u00e9rmino, com a coisa acontecendo, o estranhamento \u00e9 horr\u00edvel, nem o corpo entendeu ainda o que est\u00e1 acontecendo, o \u201cdireito\u201d ao uso do corpo alheio cortado numa pancada s\u00f3, a necessidade de mandar sinais claros de tudo ao contr\u00e1rio do que tinha se acostumado a fazer antes daquilo. Tirando casos de extrema putez, daquelas que voc\u00ea tem certeza de serem imperdo\u00e1veis, a cabe\u00e7a acaba esfriando. E a\u00ed tem uma nova camada de estranhamento sobre qu\u00e3o definitiva \u00e9 aquela situa\u00e7\u00e3o&#8230; mesmo que na cabe\u00e7a pare\u00e7a a coisa mais correta a se fazer, \u00e9 raro estar num estado de paz e certeza suficiente para se livrar dessa situa\u00e7\u00e3o estranha.<\/p>\n<p>E nos dias seguintes? Porque ningu\u00e9m se programa para resolver tudo num golpe s\u00f3, sempre fica alguma coisa pra resolver, ainda mais em relacionamentos mais longos onde at\u00e9 mesmo as rotinas est\u00e3o entrela\u00e7adas. Seja naquela hora bizarra de decidir se devolve, joga fora ou guarda o que ganhou de presente, seja pra devolver coisas que estavam emprestadas ou deixadas na sua casa, desfazer planos e projetos que estavam em andamento, todas coisas que precisam de alguma forma de intera\u00e7\u00e3o com quem, h\u00e1 pouco tempo, voc\u00ea estava se relacionando, e h\u00e1 pouqu\u00edssimo tempo, n\u00e3o estava mais.<\/p>\n<p>As conversas p\u00f3s-t\u00e9rmino? Terr\u00edveis&#8230; com aquela sensa\u00e7\u00e3o bizarra de n\u00e3o ter mais sua naturalidade, e seja como for: se voc\u00ea tiver tomado p\u00e9 na bunda, tem que manter um m\u00ednimo de orgulho enquanto presta aten\u00e7\u00e3o para uma poss\u00edvel brecha; se voc\u00ea deu o p\u00e9 na bunda (e n\u00e3o odeia a pessoa o suficiente) tem o cuidado com o que fala e expressa para n\u00e3o esfregar mais sal na ferida&#8230; ou, mesmo se foi de comum acordo, ainda tem o risco de demonstrar al\u00edvio ou arrependimento demais. Tudo muito estranho, for\u00e7ado&#8230;<\/p>\n<p>Sem contar as situa\u00e7\u00f5es seguintes, tendo que resolver alguma coisa complexa ou mesmo vendo a pessoa numa situa\u00e7\u00e3o social simples, o constrangimento de n\u00e3o saber como lidar com aquilo, de n\u00e3o entender se o correto \u00e9 notar ou n\u00e3o a presen\u00e7a dela, se deve ser gentil ou seco, se existe um risco de dar impress\u00f5es erradas ou mesmo se controlar para n\u00e3o se colocar numa situa\u00e7\u00e3o vexat\u00f3ria caso voc\u00ea seja a pessoa com esperan\u00e7as. Muitas vari\u00e1veis, muita complica\u00e7\u00e3o, ainda est\u00e1 tudo muito recente.<\/p>\n<p>E a\u00ed o tempo passa, voc\u00ea acaba encontrando essa pessoa de novo, seja l\u00e1 qual o motivo. E da\u00ed, a naturalidade sai pela janela na hora. Mesmo que voc\u00ea j\u00e1 tenha passado por todo o seu processo, \u00e9 uma pessoa que voc\u00ea n\u00e3o tem mais tanto contato, com a qual j\u00e1 foi muito \u00edntimo em algum ponto, e&#8230; pode at\u00e9 j\u00e1 ter outro relacionamento acontecendo na hora. Aquela pessoa com quem voc\u00ea terminou sempre tem algum efeito em voc\u00ea, por mais leve que seja. E isso vem de duas ra\u00edzes: voc\u00ea namorou aquela pessoa por algum motivo (que n\u00e3o costuma desaparecer por m\u00e1gica), e voc\u00ea terminou com ela por outro motivo (que tamb\u00e9m n\u00e3o deve ter desaparecido).<\/p>\n<p>Terminar um relacionamento \u00e9 criar uma pessoa estranha e \u00edntima ao mesmo tempo, que pode cruzar seu caminho a qualquer momento. E ao cruzar seu caminho, tudo pode acontecer&#8230; inclusive essa pessoa ter algum objetivo secreto que pode te causar um grande problema em novos relacionamentos. Uma necessidade imposs\u00edvel de entender de n\u00e3o estar com voc\u00ea ao mesmo tempo que n\u00e3o quer ningu\u00e9m estando com voc\u00ea. Afinal, s\u00e3o as duas sensa\u00e7\u00f5es: o por que ficou junto e o por que separou. Numa dessas, voc\u00ea pode cair numa grande armadilha e se afundar seriamente nesse estranhamento.<\/p>\n<p>O que s\u00f3 repete o ciclo, criando uma nova pessoa estranha e \u00edntima para aparecer no seu caminho futuramente. Brigar e se sentir mal s\u00e3o coisas p\u00e9ssimas sim, mas elas passam. Elas se transformam em coisas novas e sua vida segue em frente. O estranhamento, esse, depois de criado, \u00e9 um risco constante na vida. \u00c9 como se depois de criado um estado de intimidade e parceria suficientes, tem algo que nunca mais vai embora, seja l\u00e1 o que se lembre daquela rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 estranho. Estranho e perigoso.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que pra autista tudo \u00e9 estranho, pra dizer que ainda acha que o pior \u00e9 levar p\u00e9 na bunda, ou mesmo para dizer que cada um planta o que colhe: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Qual \u00e9 a pior parte de um t\u00e9rmino de relacionamento? Tudo. T\u00e9rminos s\u00e3o uma grande pior parte da vida. Mas se tivesse que escolher uma pior parte, seria todo o estresse que envolve o fim: brigas, m\u00e1goas, sensa\u00e7\u00e3o de perda de tempo, decep\u00e7\u00e3o, saudade, sofrimento, enfim, esse combo que voc\u00eas devem conhecer bem.<\/p>\n<p>Mesmo quando acabam de comum acordo, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o sentir falta em algum n\u00edvel da pessoa e sofrer com sua aus\u00eancia. E, convenhamos, \u00e9 muito dif\u00edcil, eu diria quase imposs\u00edvel, que se termine um relacionamento de total comum acordo. Geralmente um n\u00e3o quer terminar e, em alguns casos, ningu\u00e9m quer terminar, as pessoas apenas n\u00e3o conseguem fazer aquilo funcionar mais e o t\u00e9rmino acaba sendo inevit\u00e1vel. Ent\u00e3o, al\u00e9m da dor da aus\u00eancia, ainda vem todo o estresse e sentimentos ruins que esse atrito de vontades envolve.<\/p>\n<p>Quem quer continuar se sente tra\u00eddo, rejeitado e sacaneado por aquele que est\u00e1 pulando fora do barco, o que s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es horr\u00edveis. Quem coloca o ponto final se sente um escroto, ingrato e tamb\u00e9m com medo de se arrepender depois e perder algu\u00e9m importante. Igualmente ruim. Ningu\u00e9m sai de boa de um t\u00e9rmino de relacionamento s\u00e9rio e duradouro. A perda, o luto, tem um custo.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel pedir que se reaja bem quando um ser humano que, at\u00e9 ent\u00e3o, era pe\u00e7a fundamental da sua vida, porto-seguro, confidente, amigo, parceiro, passa a ser, por for\u00e7a de conven\u00e7\u00e3o social, um estranho com o qual voc\u00ea n\u00e3o pode mais ter intimidade alguma. \u00c9 humano que, diante desta situa\u00e7\u00e3o tenebrosa, independente de ter dado ou levado um fora ou de ser de comum acordo, derive um grau de estresse absurdo e cada um de n\u00f3s mostre o que tem de pior. Eu tenho medo, muito medo de pessoas em fase de t\u00e9rmino de relacionamento.<\/p>\n<p>Mulheres frequentemente se entregam a uma intensidade de sofrimento preocupante: choram, ficam sem comer, perdem vontade de fazer tudo e quase que se tornam disfuncionais. Talvez em parte por car\u00eancia ou talvez porque \u00e0s mulheres lhes \u00e9 permitido socialmente sofrer de forma aberta e receber algum conforto por isso.<\/p>\n<p>Os homens n\u00e3o &#8220;podem sofrer&#8221;, pois a sociedade n\u00e3o costuma ampar\u00e1-los. Em pleno anos de 2016, vemos o rid\u00edculo de homem que sofre visivelmente por amor ser considerado fraco por outros homens. Por isso, homens tendem a se anestesiar em t\u00e9rminos de relacionamento: bebem, pegam todo mundo, fazem o que for preciso para varrer a dor para debaixo do tapete. Quando ela \u00e9 inevit\u00e1vel (pois dor apenas se adia, um dia a conta chega), a\u00ed eles tem que suportar a pancada na nuca sozinhos: 1) porque a sociedade n\u00e3o lhes permite sofrer em p\u00fablico e 2) porque quando a dor vem com delay, a mulher j\u00e1 superou a dor dela e j\u00e1 virou a p\u00e1gina.<\/p>\n<p>E isso, meus amigos, \u00e9 no caso de um t\u00e9rmino civilizado. Se for com brigas, Gezuiz nos proteja, porque sobra para todo mundo, inclusive para os amigos. N\u00e3o importa a raz\u00e3o pela qual um deles (ou ambos) se sinta injusti\u00e7ado, nasce um \u00f3dio que eu nunca vi ter tanta for\u00e7a. \u00c9 uma raiva l\u00e1 do funda da alma, que vem com uma disposi\u00e7\u00e3o para mover montanhas na inten\u00e7\u00e3o de \u201cfazer justi\u00e7a\u201d, o que quer que isso signifique (geralmente, fazer o outro sofrer). A\u00ed soma-se o estresse de estar em modo vingan\u00e7a ou, pior, de saber que tem algu\u00e9m em modo vingan\u00e7a te perseguindo.<\/p>\n<p>O estresse do final de relacionamento \u00e9 t\u00e3o poderoso que muitas vezes ele come\u00e7a antes do relacionamento terminar. O medo que termine, a d\u00favida sobre terminar (ou deixar terminar) e todos os monstros que ele desperta: medo de nunca mais encontrar ningu\u00e9m t\u00e3o compat\u00edvel, medo de ficar sozinho, medo de se arrepender, medo de tudo. Basicamente, medo de ver sua vida mudar sem saber o que te espera. O desconhecido desestrutura e assusta o ser humano a um ponto que meio mundo prefere o conhecido de merda a arriscar um desconhecido. Se esse estresse do t\u00e9rmino n\u00e3o fosse t\u00e3o monstruoso, n\u00e3o ver\u00edamos tantos casais acomodados por a\u00ed.<\/p>\n<p>E esse estresse todo, seja medo do desconhecido, seja saudade, seja sensa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a, demora a passar. Sair de um relacionamento de verdade, que tenha durado um tempo significativo, gera um estresse que demora, no m\u00ednimo, meses para cicatrizar. N\u00e3o consigo pensar em nada mais doloroso do que uma situa\u00e7\u00e3o de estresse que demore meses a passar. Talvez eu seja muito apegada \u00e0 minha paz de esp\u00edrito, mas toda a dor e estresse experimentados em t\u00e9rminos de relacionamento traduzem uma forma de inferno em vida para mim.<\/p>\n<p>Independente do grau de civilidade e comum acordo de um t\u00e9rmino, ficar do dia para a noite sem algu\u00e9m que era muito importante para voc\u00ea \u00e9 sim uma fonte de sofrimento tenebrosa. \u00c9 como se fosse uma pequena morte, socialmente falando, o papel que aquela pessoa ocupava na sua vida morreu para voc\u00ea.\u00a0 O luto do t\u00e9rmino de relacionamento se assemelha muito ao luto pela morte de um ente querido. A pessoa fica sens\u00edvel. Jogue por cima disso brigas, stalkeamento, oversharing, raiva e revolta e veja a desgra\u00e7a que d\u00e1.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para desabafar por estar passando por essa situa\u00e7\u00e3o e estar com seu discernimento comprometido, para posar de fod\u00e3o e dizer que n\u00e3o sofre por ningu\u00e9m ou ainda para perguntar por qual motivo come\u00e7amos a semana te deprimindo: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relacionamentos come\u00e7am, relacionamentos acabam. Quando um deles chega ao seu final, Sally e Somir discordam sobre o que torna a experi\u00eancia ainda pior. Os impopulares terminam de dar sua opini\u00e3o. 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