{"id":10420,"date":"2016-08-10T14:58:26","date_gmt":"2016-08-10T17:58:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=10420"},"modified":"2016-08-10T14:58:26","modified_gmt":"2016-08-10T17:58:26","slug":"vida-nova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2016\/08\/vida-nova\/","title":{"rendered":"Vida nova."},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o tenho certeza de quanto tempo se passar\u00e1 at\u00e9 que essa carta seja lida por outra pessoa, mas eu espero que n\u00e3o seja muito. N\u00e3o sei mais em que ano eu deixei essa mensagem ou mesmo&#8230; o meu nome. Se tudo ocorreu como eu imagino que ocorreu, voc\u00ea acaba de ver uma cena dif\u00edcil de se explicar. E espero tamb\u00e9m que voc\u00ea leve em considera\u00e7\u00e3o essa surpresa e estranhamento com a situa\u00e7\u00e3o para entender melhor o que eu passei.<!--more--><\/p>\n<p>Mas, vamos come\u00e7ar pelo come\u00e7o. Pelo menos a parte que eu acredito ser relevante para voc\u00ea. Por uma s\u00e9rie de motivos que nem me vem mais na cabe\u00e7a, mem\u00f3ria confusa, entrei em contato com relatos de diversas pessoas sobre alguns fen\u00f4menos inexplic\u00e1veis que aconteciam com relativa frequ\u00eancia nesta regi\u00e3o. Desde sensa\u00e7\u00f5es estranhas de viajantes at\u00e9 mesmo avistamentos de luzes estranhas no solo por avi\u00f5es. Fui visitar o local com uma equipe de especialistas para fazer um relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Como voc\u00eas com certeza sabem agora, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de chegar. Foram dias de viagem prec\u00e1ria por essa infinidade de rios e c\u00f3rregos, insetos, animais selvagens e um calor infernal. Lembro de conjecturar com a bi\u00f3loga da equipe se n\u00e3o eram essas as condi\u00e7\u00f5es que criavam os relatos, eu mesmo estava com sensa\u00e7\u00f5es estranhas, mas nesse clima&#8230; ela me lembrou bem de que os relatos vinham dos nativos, que nasceram e cresceram por aqui. Menciono isso porque a tenta\u00e7\u00e3o de achar que o que voc\u00eas viram n\u00e3o passa de uma alucina\u00e7\u00e3o gerada por calor, umidade e cansa\u00e7o pode ser grande. N\u00e3o \u00e9 isso. N\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p>J\u00e1 havia esquecido o que era a civiliza\u00e7\u00e3o quando tivemos contato com os primeiros sinais de que algo realmente estava fora do padr\u00e3o por aqui. Se o local continuou intacto no tempo entre a minha carta e a sua leitura, voc\u00ea j\u00e1 deve ter notado como as \u00e1rvores ficam estranhamente retorcidas no raio de alguns quil\u00f4metros. A folhagem tem uma colora\u00e7\u00e3o distinta, mais v\u00edvida. Prestaram aten\u00e7\u00e3o no som dos animais? Ele praticamente desaparece quanto mais se embrenha nessa \u00e1rea. Nem mesmo o zunido dos insetos se faz t\u00e3o presente.<\/p>\n<p>E segundo nossa especialista, a pouca vida animal encontrada nesses arredores \u00e9 formada apenas por esp\u00e9cies diferentes das encontradas em qualquer outro lugar do mundo. Lembro dela fascinada por um besouro avermelhado, enorme. Ficou horas pensando em como chamaria essa nova esp\u00e9cie&#8230; disse que faria uma brincadeira com o nome do filho. Pobre alma&#8230; seja como for, meu objetivo e o de alguns homens que me acompanhavam nessa expedi\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava ligado \u00e0 diversidade natural. Capt\u00e1vamos um sinal de r\u00e1dio bem focado, numa faixa bem diferente do que seria esperado de ru\u00eddos naturais.<\/p>\n<p>E quando mais and\u00e1vamos, mais forte ele se tornava. Nosso arque\u00f3logo nos atrasava a cada minuto, encontrando peda\u00e7os do que dizia ser artefatos de um povo antigo local. Fascinado pelo avan\u00e7o dos materiais encontrados, alguns inclusive imposs\u00edveis de serem encontrados nas redondezas, mal escutava nossas sugest\u00f5es sobre serem mero lixo de visitantes e pesquisadores pr\u00e9vios. Ali\u00e1s, foi esse encanto pelas novidades locais que o fez ser o primeiro a encontrar um destino tr\u00e1gico. Tor\u00e7o para que pelo menos algo parecido n\u00e3o tenha acontecido com algum de voc\u00eas, n\u00e3o pod\u00edamos deixar avisos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sab\u00edamos o que havia aqui. Nenhuma ideia mesmo. Quando escutamos os gritos do arque\u00f3logo, mal sab\u00edamos distinguir entre p\u00e2nico e euforia. Naquele momento, a segunda. Corremos at\u00e9 ele, meus homens preparados para resolver a situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo se fosse necess\u00e1rio o uso da for\u00e7a. O homem estava extasiado diante uma pequena constru\u00e7\u00e3o, a que voc\u00eas devem estar vendo agora mesmo. Quando a encontrei, era uma pequena cabana feita de tijolos de barro, telhado de palha colapsado, coberta de cip\u00f3s e trepadeiras de todos os tipos. Parecia abandonada h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Muito tempo mesmo, havia uma grande \u00e1rvore crescendo por dentro do lugar, a copa escondendo o c\u00e9u entrela\u00e7ada com as diversas outras ao redor, todas t\u00e3o distorcidas&#8230; o sil\u00eancio ao redor dela era sepulcral. Isso \u00e9, o meu e de meus homens, os cientistas pareciam crian\u00e7as. A bi\u00f3loga filmando insetos multicoloridos que se espalhavam nas imedia\u00e7\u00f5es, gravando suas impress\u00f5es. O arque\u00f3logo tirava incont\u00e1veis fotos, pedindo para seu assistente anotar tudo o que pudesse. Nosso especialista fazia testes com os pulsos do sinal de r\u00e1dio, surpreso com algo que por mais que tentasse explicar, caiu em ouvidos moucos para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Com todos trabalhando dessa forma, e meus homens cercando a \u00e1rea para evitar surpresas, considerei meu trabalho feito. S\u00f3 pensava em como organizar o trajeto de volta assim que as cabe\u00e7as pensantes coletassem informa\u00e7\u00f5es suficientes. Com a chegada da noite, montamos acampamento, seguindo as instru\u00e7\u00f5es do arqueologista de n\u00e3o ficarmos muito pr\u00f3ximos da cabana. Todos assentados para o descanso, ouvimos um som met\u00e1lico poderoso. Pelo protocolo, eu e minha equipe dever\u00edamos sair primeiro e assegurar o per\u00edmetro antes de deixar os cientistas sa\u00edrem. Mas, eles n\u00e3o conheciam o protocolo, apesar dos meus incans\u00e1veis treinamentos.<\/p>\n<p>O arque\u00f3logo n\u00e3o estava em sua barraca. O assistente idem. Corremos at\u00e9 a cabana, alguns metros acima. Dela vinha uma ilumina\u00e7\u00e3o amarelada d\u00e9bil, como se houvesse algo emitindo aquela luz de dentro. Chamamos pelo arque\u00f3logo, sem sucesso. Um dos meus homens seguiu at\u00e9 a entrada, iluminando com a lanterna de seu rifle. S\u00f3 vimos o feixe de luz dele girando no ar e desaparecendo rapidamente. A situa\u00e7\u00e3o havia mudado, eu j\u00e1 n\u00e3o estava mais no comando. Um dos soldados, o de mais alta patente, assumiu o controle e me deu ordens expl\u00edcitas de avisar nossos contratantes junto com o oficial de comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Voltei at\u00e9 o acampamento imediatamente. Ap\u00f3s poucos segundos, come\u00e7amos a ouvir tiros. E a\u00ed sim gritos de p\u00e2nico com a voz do arque\u00f3logo. N\u00e3o demorou muito para ouvir o resto do time que ficara na cabana gritando tamb\u00e9m, um por um. Lembro da bi\u00f3loga come\u00e7ando a correr mata adentro, apesar dos meus protestos. Mas antes que ela pudesse sumir totalmente de nossa vista, um flash de luz quase me cega. Ainda com os olhos doloridos, sinto-me preso. Consigo ver o oficial de comunica\u00e7\u00f5es parado na minha frente, express\u00e3o distante. N\u00e3o consigo me mover ou falar nada, e por algum tempo, nem ele.<\/p>\n<p>Vejo, impotente, o arque\u00f3logo, ou algo muito parecido com ele, atravessar as \u00e1rvores e entrar no nosso acampamento. Algo n\u00e3o estava certo. A pele dele parecia solta da carne, o tronco virado de uma forma nem um pouco natural. Ele seguiu, passos cambaleantes, at\u00e9 a bi\u00f3loga, no limiar da minha vis\u00e3o perif\u00e9rica&#8230; ela tamb\u00e9m est\u00e1tica. O que aconteceu depois&#8230; eu n\u00e3o gosto nem de lembrar para escrever. Com apenas um toque de sua m\u00e3o, o arque\u00f3logo ou seja l\u00e1 o que tomou conta dele fez o corpo da mulher se contorcer de forma horr\u00edvel, pele rasgando enquanto seus membros se reorganizavam de uma forma assustadora.<\/p>\n<p>Queria gritar, mas n\u00e3o conseguia. Ela desaba, finalmente. Corpo se liquefazendo diante de meus olhos incr\u00e9dulos. O arque\u00f3logo se volta para n\u00f3s, corpo cada vez mais retorcido e passos mais confusos. Parece uma eternidade at\u00e9 ele finalmente alcan\u00e7ar o t\u00e9cnico de comunica\u00e7\u00f5es, e mais longo ainda o mesmo processo se repetindo com o rapaz. Um toque na pele descoberta, seu corpo se descontrolando automaticamente num processo que parecia terrivelmente doloroso. Logo em seguida, sua pele come\u00e7a a se desfazer, seguida pela carne e os ossos. O ser, agora irreconhec\u00edvel, volta sua aten\u00e7\u00e3o para mim.<\/p>\n<p>Ele, com imensa dificuldade, toca meu rosto. Suas m\u00e3os \u00famidas de sangue n\u00e3o duram muito tempo sobre a minha pele antes de tomarem o mesmo rumo dos outros dois que vi se desfazerem na minha frente. Com um grunhido sofrido, o que eu conheci como o arque\u00f3logo da nossa expedi\u00e7\u00e3o vira uma po\u00e7a de res\u00edduos humanos. Mas eu&#8230; eu n\u00e3o sinto nenhuma mudan\u00e7a no meu corpo. Apenas sono, muito sono.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 dia quando sinto meu corpo novamente. Acordo como se tivesse dormido por dias, e talvez tenha sido o caso, estava coberto por folhas e aqueles insetos estranhos. Meus movimentos recuperados, limpo aquela bagun\u00e7a e expulso meus inquilinos tempor\u00e1rios. N\u00e3o havia nenhum sinal de ferimento ou mesmo picadas no meu corpo. As barracas estavam l\u00e1, algumas ainda de p\u00e9, mas igualmente com sinais de exposi\u00e7\u00e3o prolongada aos elementos. No ch\u00e3o da floresta, algumas manchas avermelhadas j\u00e1 ressecadas. O sil\u00eancio estranho continuava l\u00e1.<\/p>\n<p>Ainda at\u00f4nito e sentindo o corpo extenuado, andei vagarosamente de volta ao local onde estava a cabana. O que restava dela, pelo menos. A maioria da estrutura havia desabado, o que ainda estava de p\u00e9 tinha in\u00fameras marcas de tiros. Ao redor, v\u00e1rias manchas como aquelas vistas no acampamento. Eu me aproximo um pouco mais, e posso notar algo reluzindo no meio dos escombros, refletindo a pouca luz solar que ainda passava pela cobertura vegetal.<\/p>\n<p>Parecia met\u00e1lico, imaginei ser uma das armas dos soldados ou mesmo um dos equipamentos cient\u00edficos, mas era algo diferente. Com os cacos da constru\u00e7\u00e3o e a folhagem morta tiradas de cima, revelou-se uma esp\u00e9cie de disco impecavelmente liso, muito mais pesado do que parecia. Nele eram vis\u00edveis padr\u00f5es de reflex\u00e3o de luz incompat\u00edveis com a superf\u00edcie, era como se os raios de sol batessem e fossem guiados por caminhos. Fiquei encarando aquele disco por v\u00e1rios minutos. At\u00e9 que senti algo finalmente fazendo sentido&#8230; era como se os caminhos da luz pelo disco tivessem um padr\u00e3o, e como se&#8230; significassem algo para um olho treinado. N\u00e3o sei como, mas os padr\u00f5es falaram comigo. Assim como est\u00e3o falando com voc\u00ea. Incr\u00edvel, n\u00e3o? O que eu descobri me foi dito sem nenhuma introdu\u00e7\u00e3o, sem nenhuma humaniza\u00e7\u00e3o, o erro que estou tentando corrigir dessa vez.<\/p>\n<p>\u00c9 algo muito dif\u00edcil de lidar, e \u00e9 f\u00e1cil odiar quem faz algo assim com voc\u00ea. N\u00e3o me odeie, eu, assim como voc\u00ea, fui for\u00e7ado a estar nessa situa\u00e7\u00e3o. Isso aqui \u00e9 o come\u00e7o de tudo. Este disco que voc\u00ea segura. Ele foi feito por algu\u00e9m, n\u00e3o sei quando, com o \u00fanico objetivo de espalhar a vida pelo universo. E para fazer isso, ele precisa fazer muitas&#8230; experi\u00eancias&#8230; com a mat\u00e9ria local. Engra\u00e7ado imaginar que a vida neste planeta come\u00e7ou aqui, neste ponto. E eu sei disso porque por mais que voc\u00ea tente, n\u00e3o vai conseguir afast\u00e1-lo da cabana. Que ali\u00e1s, deve ter sido constru\u00edda pelo \u00faltimo que o controlou antes das m\u00e3os curiosas de nosso arque\u00f3logo.<\/p>\n<p>O disco fica consideravelmente mais pesado a cada passo que se d\u00e1 para longe deste ponto. Sem contar a sensa\u00e7\u00e3o horr\u00edvel que s\u00f3 passa quando ele volta exatamente para c\u00e1. N\u00e3o sei explicar o que acontece. O que eu sei \u00e9 que a parte boa \u00e9 nunca mais ficar doente, cansado, ter sede ou fome. Parece que o pr\u00f3prio ar que voc\u00ea respira te sustenta. A parte ruim \u00e9 que sair de perto dele vai te deixar daquele jeito, todo torto, apodrecendo de dentro para fora, e pior&#8230; contagioso. Sinto muito pelo o que eu devo ter feito com as pessoas que estavam com voc\u00ea. \u00c9 mais forte que eu, mas pelo o que eu entendi e devo ter colocado em pr\u00e1tica h\u00e1 pouco tempo atr\u00e1s, minha \u00fanica alternativa era encontrar uma nova cobaia para o disco. Pelo tempo que ele precisar.<\/p>\n<p>Imagino o al\u00edvio que senti ao provar para ele que voc\u00ea serviria no meu lugar. Desejo boa sorte para voc\u00ea. E que voc\u00ea possa deixar uma mensagem mais esclarecedora para o pr\u00f3ximo&#8230;<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que n\u00e3o entendeu porque a coluna veio para a quarta, para dizer que n\u00e3o entendeu nem a hist\u00f3ria mesmo, ou mesmo para dizer que essa coisa de disco saiu de moda faz tempo: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o tenho certeza de quanto tempo se passar\u00e1 at\u00e9 que essa carta seja lida por outra pessoa, mas eu espero que n\u00e3o seja muito. N\u00e3o sei mais em que ano eu deixei essa mensagem ou mesmo&#8230; o meu nome. 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