{"id":11087,"date":"2017-01-19T06:00:08","date_gmt":"2017-01-19T08:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=11087"},"modified":"2025-12-15T13:31:16","modified_gmt":"2025-12-15T16:31:16","slug":"dr-who","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2017\/01\/dr-who\/","title":{"rendered":"Dr. Who"},"content":{"rendered":"<p>Ela \u00e9 a s\u00e9rie inglesa mais bem sucedida, seja em tempo de exibi\u00e7\u00e3o (seu primeiro epis\u00f3dio foi em 1963!), seja em ibope, seja na quantidade de pa\u00edses que a transmitem. Tamb\u00e9m ganhou uma vaga no Guiness World Records por ser a s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para a TV de mais longa dura\u00e7\u00e3o no mundo e tamb\u00e9m com a s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o mais bem sucedida de todos os tempos com base em seus \u00edndices de audi\u00eancia globais. Descult: Dr. Who.<!--more--><\/p>\n<p>A s\u00e9rie conta a hist\u00f3ria de um alien\u00edgena conhecido como \u201cDoctor\u201d. Ele pertence a uma ra\u00e7a chamada \u201cTime Lord\u201d (Senhores do Tempo). Ele \u00e9 um viajante do tempo que se encarrega de manter o universo sempre em ordem. O nome real do Doctor nunca foi revelado, por isso, ao longo da s\u00e9rie muitas pessoas se perguntam \u201cDoctor who?\u201d (doutor quem?), pergunta que deu nome \u00e0 s\u00e9rie. Ele vem de um planeta chamado Gallifrey. Apesar de ser o personagem mais poderoso da trama, o Doctor n\u00e3o se leva a s\u00e9rio: \u00e9 divertido, leve, faz piada consigo mesmo, frequentemente se ferra e n\u00e3o \u00e9 arrogante.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie come\u00e7ou em 1963, parou em 1989 e voltou em 2005 durando at\u00e9 hoje. Mas, se voc\u00ea quer come\u00e7ar a ver, saiba que n\u00e3o \u00e9 preciso assistir a todos os epis\u00f3dios para entender o que se passa atualmente. Basta assistir aos epis\u00f3dios da nova leva, que come\u00e7ou em 2005 e est\u00e1 atualmente na nona temporada. Voc\u00ea vai entender perfeitamente a trama. D\u00e1 at\u00e9 para assistir epis\u00f3dios salteados e mesmo assim conseguir entender.<\/p>\n<p>O Doctor viaja em uma m\u00e1quina do tempo chamada TARDIS (Time and Relative Dimension in Space, ou, em portugu\u00eas: Tempo e Dimens\u00e3o Relativas no Espa\u00e7o)\u00a0que o leva para o passado ou para o futuro. A TARDIS \u00e9 uma m\u00e1quina do tempo feita com tecnologia dos Time Lords: \u00e9 maior por dentro do que por fora. Essas naves tem a propriedade de se camuflar de acordo com o lugar onde est\u00e3o, assim, se o Doctor for para Gr\u00e9cia antiga ela pode virar uma pilastra ou uma escultura, se for para a Amaz\u00f4nia, pode virar uma \u00e1rvore.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como o seriado come\u00e7ou com baixos recursos or\u00e7ament\u00e1rios, n\u00e3o deu para ficar mudando o formato da TARDIS, ent\u00e3o os roteiristas decidiram que a pecinha respons\u00e1vel por essa transforma\u00e7\u00e3o, o Chameleon Circuit (circuito camale\u00e3o), apresentou um defeito e a TARDIS ficou presa para sempre na forma de uma cabine de pol\u00edcia inglesa. \u00c9 um seriado onde a criatividade e o roteiro se sobrep\u00f5e \u00e0 tecnologia. N\u00e3o \u00e9 show de efeitos especial, como costuma ser em qualquer seriado de fic\u00e7\u00e3o. \u00c9 show de roteiro, \u00e9 show de criatividade mas&#8230; na parte t\u00e9cnica, n\u00e3o se leva a s\u00e9rio. Em tempos de Game of Thrones, melhor avisar.<\/p>\n<p>Sim, prepare-se, Dr. Who \u00e9 o Chaves da fic\u00e7\u00e3o, cheio de gambiarra. J\u00e1 na abertura voc\u00ea v\u00ea a TARDIS rodando estilo \u201cpi\u00e3o da casa pr\u00f3pria\u201d do Silvio Santos. \u00c9 um mix volunt\u00e1rio de cult, retr\u00f4, n\u00e3o se levar a s\u00e9rio e tecnologia de ponta. Tamb\u00e9m h\u00e1 um total descompromisso com f\u00edsica, qu\u00edmica ou realidade. \u201cMas&#8230; o Doctor n\u00e3o poderia ter feito isso pois a for\u00e7a gravitacional&#8230;\u201d. ESQUECE. Doctor \u00e9 como Papai Noel: ele \u00e9 m\u00e1gico e ponto final. As pr\u00f3prias regras do jogo que os roteiristas criam se contradizem \u00e0s vezes, ningu\u00e9m ali est\u00e1 nem a\u00ed para coer\u00eancia e te recomendo assistir com esse esp\u00edrito, sem preciosismo t\u00e9cnico, se n\u00e3o voc\u00ea vai enfartar. O Doctor \u00e9 m\u00e1gico e ponto final. Aceita isso ou n\u00e3o v\u00ea o seriado, pois voc\u00ea vai se frustrar. \u00c9 um bom exerc\u00edcio assistir um seriado de fic\u00e7\u00e3o que desenvolva outros lados que n\u00e3o o visual e o cient\u00edfico. Doctor Who foca mais em relacionamento, \u00e9tica e humor.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Doctor se valeu de um recurso tosco para que o seriado dure at\u00e9 hoje. A s\u00e9rie durou mais tempo que o esperado e a ator que protagonizava o primeiro Doctor, William Hartnell, j\u00e1 com uma idade avan\u00e7ada para a \u00e9poca, come\u00e7ou a ter problemas de sa\u00fade e n\u00e3o conseguia mais interpretar o papel. Pessoas comuns matariam esse Doctor ou acabariam com seriado, certo? O lado bom de n\u00e3o se levar a s\u00e9rio e n\u00e3o levar um roteiro a s\u00e9rio \u00e9 a liberdade criativa que isso gera. Os roteiristas decidiram que o Doctor teria um poder alien de se regenerar quando estivesse \u00e0 beira da morte, voltando com outro corpo, outra personalidade mas mantendo suas mem\u00f3rias. Pronto, problema resolvido. D\u00e1 para filmar Dr. Who at\u00e9 2090 se quiserem.<\/p>\n<p>At\u00e9 o presente momento, tivemos 12 Doutores diferentes, cada um com suas peculiaridades, \u00e0s vezes amados, \u00e0s vezes odiados. A s\u00e9rie te obriga a exercitar o desapego: quando voc\u00ea est\u00e1 amando o Doctor da vez, ele vai e regenera em outro ator. Da\u00ed voc\u00ea fica puto, pois estava apegado ao Doctor anterior. Quando se apaga ao novo Doctor, ele vai e regenera, vindo um novo ator. \u00c9 uma gincana mental. Eu, por exemplo, ainda n\u00e3o superei a \u00faltima regenera\u00e7\u00e3o, duas temporadas atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Percebam a liberdade criativa dos roteiristas: o personagem principal \u00e9 eterno, pode mudar de corpo quando quiser, ele pode fazer o que quiser, e pode estar em qualquer momento da hist\u00f3ria: passado, presente ou futuro. Sem contar que cada Doctor tem uma personalidade e um estilo diferente.<br \/>\nPor sinal \u00e9 muito divertido como eles reescrevem o passado em um novo \u00e2ngulo, cada evento hist\u00f3rico importante teve um dedinho do Doctor que o explica. Cle\u00f3patra, Hiltler, Agatha Christie&#8230; n\u00e3o escapa ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>O Doctor costuma viajar com alguma acompanhante (chamadas, no original, de \u201ccompanions\u201d), que s\u00e3o usadas pelos autores para gerar identifica\u00e7\u00e3o com a audi\u00eancia: pessoas comuns, que funcionam como uma consci\u00eancia para que o Doctor n\u00e3o se perca nem esque\u00e7a dos limites. A Companion mais famosa dessa nova temporada \u00e9 Rose, queridinha dos f\u00e3s da s\u00e9rie. Por\u00e9m, uma curiosidade: n\u00e3o espere o fator romance. O Doctor nunca chega a efetivamente se envolver com as Companions, mesmo que queria. \u00c9 que o alien \u00e9 meio travad\u00e3o, fica em uma coisa meio plat\u00f4nica, ele nunca consegue dizer como se sente.<\/p>\n<p>Mesmo em situa\u00e7\u00f5es extremas, quando o Doctor, visivelmente apaixonadinho pela Rose em um sentimento rec\u00edproco, \u00e9 obrigado a deixar ela em outra dimens\u00e3o onde nunca mais vai poder v\u00ea-la, ele n\u00e3o consegue se declarar na despedida. Rose fica pedindo para que ele fale, ele faz um esfor\u00e7o para tentar falar algo, mas n\u00e3o consegue. Os f\u00e3s ficaram t\u00e3o putos que em uma Comic Con tentaram obrigar os atores a encenar essa cena com o Doctor falando o que sentia para a Rose, pois estava todo mundo em um grau de frustra\u00e7\u00e3o alt\u00edssimo. O seriado fala muito sobre relacionamento mas zero sobre romance. Melhor assim, fica muito mais legal.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie tem f\u00e3s t\u00e3o fervorosos que eles tem at\u00e9 nome: \u201cwhovians\u201d. \u00c9 f\u00e3 dod\u00f3i da cabe\u00e7a, no bom sentido, mesmo n\u00edvel de f\u00e3 de Senhor dos An\u00e9is. \u00c9 justo, a s\u00e9rie tem um roteiro excepcional, senso de humor muito interessante e um toque tosco-proposital mesmo em seus epis\u00f3dios mais caros e bem sucedidos. \u00c9 n\u00edtido que Dr. Who n\u00e3o se leva a s\u00e9rio, mistura uma coisa meio cult, meio tosca, meio Chaves do espa\u00e7o a efeitos especiais primorosos. A primeira temporada da nova era \u00e9 uma prova de fogo para quem gosta de efeitos especiais, faz o aerolito do Chaves parecer Spielberg.<\/p>\n<p>O Doctor tem alguns inimigos fixos, como os simp\u00e1ticos Daleks (Exterminate!), os Weeping Angels e os Cyberman, e inimigos pontuais. Tamb\u00e9m tem amigos que aparecem de tempos em tempos ao longo das temporadas. Apesar de cada epis\u00f3dio ter come\u00e7o, meio e fim (alguns s\u00e3o duplos), existe uma linha condutora que norteia toda a temporada. A forma como os roteiristas brincam, relevando spoilers do nada, mostra uma trama muito bem amarrada. Voc\u00ea v\u00ea que os filhos da puta sabiam muito bem o que estavam fazendo dois ou tr\u00eas anos atr\u00e1s e costuraram 40 epis\u00f3dios j\u00e1 pensando naquilo. \u00c9 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sem se levar a s\u00e9rio, leve, descompromissada, que faz piadas internas como que em uma vers\u00e3o bem light de DeadPool.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios momentos voc\u00ea se surpreende, como quando descobre assim, por acaso, quem \u00e9 \u201cThe Face of Boe\u201d, quem \u00e9 o astronauta imposs\u00edvel que mata o Doctor ou quem realmente \u00e9 River Song. Fica claro que os danadinhos j\u00e1 tinham tudo em mente, anos antes. \u00c9 um roteiro assim\u00e9trico, que vai e vem, sem linearidade, mas com boas tramas e cheio de easter eggs. N\u00e3o \u00e9 a toa que Douglas Adams (Guia do Mochileiro das Gal\u00e1xias) era um dos roteiristas da s\u00e9rie. Na verdade, o terceiro livro da s\u00e9rie, \u201cA vida, o universo e tudo mais\u201d, era uma hist\u00f3ria para um epis\u00f3dio de Doctor Who, mas no final das contas, acabou sendo usada no livro.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea vai come\u00e7ar a ver a s\u00e9rie, n\u00e3o te recomendo come\u00e7ar pelo primeiro epis\u00f3dio da nova fase. Ele n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom, tinha poucos recursos para efeitos especiais, o roteiro \u00e9 o mais fraco. Tudo isso pode te desestimular. Recomendo que voc\u00ea comece pelo epis\u00f3dio \u201cBlink\u201d (Terceira Temporada, Epis\u00f3dio 10), que d\u00e1 uma boa amostra do que \u00e9 Dr. Who. Se n\u00e3o gostar de \u201cBlink\u201d, provavelmente n\u00e3o vai gostar do estilo da s\u00e9rie. O epis\u00f3dio n\u00e3o \u00e9 focado no Doctor, o que ajuda na adapta\u00e7\u00e3o. Depois, se voc\u00ea gostar, tente o \u201cThe Girl in The Fireplace\u201d (T-02, E-04) ou para o epis\u00f3dio \u201cVincent and the Doctor\u201d (T-05, E-10)<\/p>\n<p>Na nova leva de epis\u00f3dios, que come\u00e7ou em 2005, temos 4 Doctors, mas apesar das temporadas terem recome\u00e7ado do 1 (em tese, deveria ter retomado na temporada 27), a contagem de Doctors ainda \u00e9 mantida de forma geral, considerando o primeiro Doctor aquele de 1963. Assim, os quatro Doctors da nova fase s\u00e3o o 9\u00b0, 10\u00b0, 11\u00b0 e 12\u00b0.<\/p>\n<p>O 9\u00b0 Doctor, interpretado por Christopher Eccleston, \u00e9 o meu favorito contra tudo e contra todos. Um Doctor mais maduro, bem humorado e meio nonsense, pena que s\u00f3 ficou uma temporada no papel. O sotaque brit\u00e2nico acentuado faz deste \u201cDoct\u00e1\u201d um charme.<\/p>\n<p>O 10\u00b0 Doctor, interpretado por David Tennant, \u00e9 o queridinho dos Whovians, tanto que ficou por cinco anos no papel e o mundo quase caiu quando ele saiu do seriado. \u00c9 um dos principais respons\u00e1veis pelo sucesso da s\u00e9rie atualmente, conquistou o p\u00fablico pelo tom que deu ao personagem: leve, tragic\u00f4mico e imprevis\u00edvel. Ele \u00e9 \u00e9 fofo, com um personalidade atraente e divertida mas \u00e9 meio intenso demais, parece que enfiaram uma duracell no cu do coitado. Mesmo assim, foi eleito pelos whovians como o melhor Doctor da hist\u00f3ria e, por sinal, ele mesmo \u00e9 um whovian de carteirinha: aos 13 anos escrevia hist\u00f3rias inspiradas no seriado e jurava que um dia ele interpretaria o Doctor. Criou bord\u00f5es, fez sucesso em redes sociais e frequentemente virava Meme.<\/p>\n<p>Quando os f\u00e3s souberam que ocorreria uma mudan\u00e7a de Doctor, foi uma como\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio David n\u00e3o queria abandonar o papel, foi obrigado, assim como muita gente envolvida no projeto, por causa de uma troca de produtores. Tanto que, em seu \u00faltimo epis\u00f3dio como Doctor, ele diz a frase \u201cEu n\u00e3o quero ir\u201d, que, segundo boatos, foi inserida por ele no contexto. A qu\u00edmica do 10\u00b0 Doctor com Rose foi a melhor combina\u00e7\u00e3o Doctor-Companion tanto que os roteiristas tiveram que fazer uma for\u00e7adinha de barra para n\u00e3o dar um final frustrante a ambos.<\/p>\n<p>O 11\u00b0 Doctor, interpretado por Matt Smith, o ator mais jovem a interpretar o papel, com 26 anos. Porte atl\u00e9tico (era jogador de futebol antes de ser ator, teve a carreira interrompida por uma les\u00e3o na coluna). Ele \u00e9 meio estabanado, meio exc\u00eantrico, com roupas tenebrosas e uma gravata borboleta. O ator \u00e9 muito f\u00edsico, careteiro, se voc\u00ea gosta de Jim Carey ou Leandro Hassum, vai gostar dele. Foi indicado ao premio BAFTA como melhor ator em s\u00e9ries. O roteiro do per\u00edodo acompanhava a pegada do Matt Smith, historias meio doidas, que s\u00f3 eram completamente entendidas no final, plot twist dentro de plot twist e muita agilidade na trama. Tamb\u00e9m agradou bastante. E seu cabelo \u00e9 um show a parte, coisa mais linda o cabelo desse menino!<\/p>\n<p>Quando ambos, Smith e Tennat se encontraram no epis\u00f3dio especial \u201cThe day of the Doctor\u201d os f\u00e3s foram ao del\u00edrio. O especial foi exibido simultaneamente em v\u00e1rios pa\u00edses e at\u00e9 nos cinemas (1500 salas com ingressos mais que esgotados), com uma quantidade de p\u00fablico que surpreendeu at\u00e9 os produtores da s\u00e9rie. Esse especial \u00e9 uma das maiores audi\u00eancias de uma s\u00e9rie em toda a hist\u00f3ria. Tava tudo lindo, tava indo tudo muito bem&#8230; at\u00e9 que o 11\u00b0 Doctor regenerou.<\/p>\n<p>A\u00ed veio o pior de todos: o 12\u00b0 Doctor, que raiva que eu tenho de Peter Capaldi! Ele aparenta ter 200 anos, as cenas de luta ficam pat\u00e9ticas e ele tenta posar de garot\u00e3o com uma guitarra o tempo todo. Regenera logo, desgra\u00e7ado! Porra, o Doctor anterior era atl\u00e9tico, era ex-jogador de futebol a\u00ed me mandam esse decr\u00e9pito? Pior que ele nem velho, s\u00f3 parece velho e faz um contraste rid\u00edculo querendo se passar por garot\u00e3o. Tiveram que colocar uma Companion que \u00e9 quase um Doctor de saias para segurar as pontas.<\/p>\n<p>Peter Capaldi ainda \u00e9 t\u00e3o chato (na vida real tamb\u00e9m) que quando era apenas um f\u00e3 da s\u00e9rie ficava enchendo o saco da BBC para ser colocado no comando do f\u00e3 clube oficial de Dr. Who. Encheu tanto o saco que um dia a produ\u00e7\u00e3o respondeu com um \u201cEu desejo que os Daleks ou algu\u00e9m te extermine\u201d. Pessoa querida.<\/p>\n<p>As Companions tamb\u00e9m tem seu p\u00fablico e seu f\u00e3-clube. A primeira da nova era, Rose, \u00e9 uma menina sem muito verniz social ou cultura, mas corajosa e passional. At\u00e9 hoje os Whovians sentem saudades dela, a despedida foi t\u00e3o dif\u00edcil que vira e mexe ela volta. Depois veio Martha Jones, uma m\u00e9dica inteligente e ponderada, que tinha todo o bom senso e verniz que faltava em Rose, mas cuja racionalidade se sobrepunha aos sentimentos de uma forma que lhe inviabilizou continuar viajando com o Doctor.<\/p>\n<p>A\u00ed veio Donna Noble, chorosa, sem sal, a pior das Companions.\u00a0 Depois teve a maravilhosa Amy Pond, ruivinha geniosa, meio maluca, meio descontrolada, respons\u00e1vel por uma enorme surpresa no roteiro. Por \u00faltimo, tivemos Clara Oswald, a \u00fanica que peitou o Doctor de igual para igual e n\u00e3o se intimidou com ele (tamb\u00e9m&#8230; o Doctor dela era um vov\u00f4 de guitarra&#8230;), e aquela com a qual ele provavelmente teve a separa\u00e7\u00e3o mais traum\u00e1tica.<\/p>\n<p>Apesar de ser uma s\u00e9rie de porte grande, Dr. Who tem algo de caseiro. Um dos epis\u00f3dios que mais me impactou, \u201cThe empty child\u201d (Temporada 1, Epis\u00f3dio 9), mostra pessoas usando m\u00e1scaras anti g\u00e1s na Segunda Guerra Mundial. Estas m\u00e1scaras foram feitas usando latas de feij\u00e3o cozido, pois as m\u00e1scaras originais n\u00e3o podiam ser usadas, pois tinham uma subst\u00e2ncia perigosa para a sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, nesse epis\u00f3dio \u00e9 a primeira apari\u00e7\u00e3o de um amigo do Doctor chamado Capit\u00e3o Jack Harkness, muito bem apessoado, vale a pena conferir. Os Weeping Angels tamb\u00e9m s\u00e3o feitos no bra\u00e7o, n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1tuas que ganham vida com computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e sim atores maquiados como se fossem de pedra, que ficam parados durante as filmagens.<\/p>\n<p>O barulho que a TARDIS faz quando chega ou sai de algum lugar n\u00e3o \u00e9 um efeito de computa\u00e7\u00e3o, \u00e9 a fric\u00e7\u00e3o de uma chave nas cordas de um piano e a voz dos Daleks (\u201cExterminate!\u201d) n\u00e3o \u00e9 criada digitalmente, e sim com um modulador de voz. Ali\u00e1s, o termo \u201cDalek\u201d ficou t\u00e3o famoso que foi inclu\u00eddo no Dicion\u00e1rio de Ingl\u00eas Oxford. Daleks s\u00e3o vendidos como pe\u00e7a de decora\u00e7\u00e3o pelo mundo todo, eles s\u00e3o uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o muito malvada de R2-D2. Os Daleks decorativos s\u00e3o t\u00e3o populares que, em 2009, um grupo de volunt\u00e1rios estava limpando uma lagoa em Hampshire e encontrou um Dalek submerso! At\u00e9 hoje n\u00e3o se sabe como ele foi parar l\u00e1.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia Dr. Who tamb\u00e9m \u00e9 bem entrosada. Tr\u00eas das atrizes que interpretaram Companions mais tarde se tornaram agentes, sendo respons\u00e1veis pela descoberta e contrata\u00e7\u00e3o de novos Doctors. O 10\u00b0 Doctor e provavelmente o mais bonito de todos, andou pegando um pessoalzinho enquanto filmava a s\u00e9rie. Na Segunda Temporada, Epis\u00f3dio 4 (\u201cThe girl in the fireplace\u201d) ele contracenou com a bel\u00edssima atriz Sophya Miles e engatou um namoro de dois anos com ela. Na Quarta Temporada, Epis\u00f3dio 6 (\u201cThe Doctor&#8217;s Daughter\u00a0\u201c), ele contracenou com Georgia Moffett, que fazia o papel de sua filha e acabou casando com ela na vida real. O mais curioso \u00e9 que, na vida real, Georgia \u00e9 filha do ator que interpretou o 5\u00b0 Doctor, Peter Davison.<\/p>\n<p>Os f\u00e3s de Doctor Who s\u00e3o terr\u00edveis, obcecados por informa\u00e7\u00f5es sobre a s\u00e9rie e spoilers, \u00e9 quase uma religi\u00e3o. Para evitar vazamentos de epis\u00f3dios (aconteceu varias vezes), os produtores decidiram arquivar uma pequena parte do conte\u00fado com o nome \u201cDoctor Who\u201d (em geral, conte\u00fado desconexo e n\u00e3o muito importante) e os trechos que realmente mereciam ficar em segredo com outro nome, \u201cTorchwood\u201d, um anagrama, com o nome da s\u00e9rie. Nunca mais vazou nada, at\u00e9 que decidiram revelar o segredo.<\/p>\n<p>A piada interna acabou sendo usada no pr\u00f3prio seriado como o nome de uma ag\u00eancia secreta e virou um spin-off, uma s\u00e9rie sobre uma ag\u00eancia com esse nome que se dedica a buscar atividade alien\u00edgena na Terra. Frequentemente o roteiro das duas s\u00e9ries se cruza em um crossover e matamos saudades de personagens que sa\u00edram de Dr. Who e migraram para Torchwood. E esse \u00e9 apenas um dos spin-offs que nasceram da s\u00e9rie. Outros seriados famosos vivem fazendo refer\u00eancia a Doctor Who e nem preciso dizer o que acontece em uma Comic Con quando um Doctor aparece&#8230;<\/p>\n<p>Para fechar este texto, que faz tempo extrapolou o limite de p\u00e1ginas, quero falar dos Whovians. Os f\u00e3s da s\u00e9rie s\u00e3o chatos (e eu me inclui nisso!) e passionais, vez por outra atormentam o showrunner da s\u00e9rie, Steven Moffat, mas s\u00e3o fieis. Amam n\u00e3o apenas a s\u00e9rie, como seus personagens e tudo que envolve o mundo Doctor Who: cada frase, cada objeto, cada inimigo. Quer ver o Whovian feliz? Basta ele encontrar outro Whovian, algo n\u00e3o t\u00e3o comum no Brasil. Parece que a pessoa achou um parente perdido, \u00e9 simpatia imediata, quase que uma irmandade. Voc\u00ea meio que nem fala sobre Doctor Who pois as chances da pessoa conhecer e apreciar o seriado s\u00e3o poucas, mas&#8230; que alegria quando voc\u00ea descobre que algu\u00e9m conhecido \u00e9 um Whovian! \u00c9 ganhar na mega-sena da amizade!<\/p>\n<p>Doctor Who \u00e9 para poucos. Humor ingl\u00eas \u00e9 para poucos, estamos habituados a outros est\u00edmulos. Doctor Who \u00e9 para quem n\u00e3o se leva a s\u00e9rio, pra quem acha gra\u00e7a em ver que gastaram milh\u00f5es de d\u00f3lares para fazer algo propositadamente tosco, para gostar de quem ousa n\u00e3o ter compromisso com preciosismo e a t\u00e9cnica. \u00c9 n\u00e3o ter compromisso com o realismo e com a racionalidade e deixar se levar por um misto de nonsense e azedinho-doce. \u00c9 rir do que n\u00e3o tem que rir e chorar com o que seria engra\u00e7ado. Eu posso tentar explicar de v\u00e1rias formas, mas nunca vou conseguir, voc\u00ea s\u00f3 vai conseguir entender se assistir. E se prepare, muito prov\u00e1vel que voc\u00ea ame ou odeie.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que seu sonho secreto \u00e9 ter um Ood, para confessar que gosta do 12\u00b0 Doctor e me emputecer ou para se dizer Whovian e finalmente me permitir conversar sobre a s\u00e9rie com algu\u00e9m: deixe seu recado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela \u00e9 a s\u00e9rie inglesa mais bem sucedida, seja em tempo de exibi\u00e7\u00e3o (seu primeiro epis\u00f3dio foi em 1963!), seja em ibope, seja na quantidade de pa\u00edses que a transmitem. Tamb\u00e9m ganhou uma vaga no Guiness World Records por ser a s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para a TV de mais longa dura\u00e7\u00e3o no mundo e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11088,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-11087","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-descult"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11087","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11087"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11087\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40150,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11087\/revisions\/40150"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11087"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}