{"id":11292,"date":"2017-03-09T09:12:35","date_gmt":"2017-03-09T12:12:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=11292"},"modified":"2017-03-09T09:12:35","modified_gmt":"2017-03-09T12:12:35","slug":"espionagem-industrial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2017\/03\/espionagem-industrial\/","title":{"rendered":"Espionagem industrial."},"content":{"rendered":"<p>Nem sempre um produto lan\u00e7ado por uma empresa \u00e9 de fato cria\u00e7\u00e3o daquela empresa. Em muitos dos casos (mais do que voc\u00ea imagina), \u00e9, na verdade, produto de espionagem industrial: a empresa \u201croubou\u201d uma ideia ou produto de uma concorrente. Gra\u00e7as a essa falta de \u00e9tica mundial, o mercado de espionagem dentro das ind\u00fastrias e escrit\u00f3rios cresce e se sofistica a cada dia: Desfavor Explica Espionagem Industrial.<!--more--><\/p>\n<p>Classificada como \u201cconjunto de a\u00e7\u00f5es que roubam dados de uma organiza\u00e7\u00e3o\u201d, a espionagem industrial movimenta milh\u00f5es no mundo todo. Alguns casos famosos foram descobertos mas, estima-se que a maioria continue desconhecida, principalmente em tempos onde tudo est\u00e1 online. Fato \u00e9 que a maioria das empresas, mesmo as grandes, n\u00e3o tomam o devido cuidado com sua seguran\u00e7a, permitindo espionagem por t\u00e1ticas banais. <\/p>\n<p>Nem sempre a espionagem industrial envolve sutilezas, como descobrir um componente do produto, invadir um computador em busca de dados ou tentar neutralizar um lan\u00e7amento do concorrente, \u00e0s vezes \u00e9 bem mais do que apropria\u00e7\u00e3o intelectual de uma parte do projeto. H\u00e1 casos extremos onde se copia basicamente tudo, um roubo descarado do projeto por inteiro que, se bem financiado acaba ganhando status de verdadeiro.<\/p>\n<p>Aconteceu com a boneca mais famosa do mundo: a Barbie. A Mattel, fabricante da Barbie, \u00e9 acusada de praticar este tipo de espionagem por mais de uma d\u00e9cada em sua concorrente mais fraquinha, a MGA Entertainment . Inacredit\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Por mais de dez anos a Mattel afirmava que a boneca Bratz, n\u00e3o passava de uma c\u00f3pia da Barbie, at\u00e9 que um dia a MGA, fabricante da boneca Bratz, entrou com uma a\u00e7\u00e3o judicial e provou que a Mattel, era a copiadora e vinha fazendo espionagem industrial por mais de 15 anos. <\/p>\n<p>A MGA sabia que estava sendo espionada, pois a Mattel sempre acabava lan\u00e7ando suas ideias antes, mas ningu\u00e9m entendia muito bem como acontecia. Depois de anos com a pulga atr\u00e1s da orelha, conseguiram comprovar que funcion\u00e1rios da Mattel falsificavam crach\u00e1s, entravam na f\u00e1brica da MGA, fotografam os produtos e copiavam suas ideias. Assim, na cara de pau, na m\u00e3o grande! <\/p>\n<p>\u00c9 que pelo tamanho da empresa e nome no mercado, a Mattel conseguia produzir mais e mais r\u00e1pido, jogando os produtos como sendo da Barbie, antes do lan\u00e7amento da Bratz, dando \u00e0 MGA o status de \u201ccopiadora\u201d. Enganaram todo mundo por anos! O saldo final n\u00e3o foi nada agrad\u00e1vel para a Mattel, esta espionagem de d\u00e9cadas resultou em uma condena\u00e7\u00e3o judicial de 310 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, depois que foi descoberto, o pre\u00e7o das Barbies caiu e elas deixaram de ser hegemonia entre as meninas. Parece que sem copiar eles n\u00e3o conseguem criar nada interessante.<\/p>\n<p>Achou um absurdo que funcion\u00e1rios de outra emprese entrem assim, sem maiores problemas, na empresa concorrente? Olha, \u00e9 mais comum do que parece. Em 2007 a Philips flagrou um Gerente de Qualidade da marca LG zanzando por uma de suas f\u00e1bricas, em Manaus. Ele estava pegando informa\u00e7\u00f5es sobre uma nova TV de LCD, de 52 polegadas quando foi reconhecido. Em um primeiro momento, ele at\u00e9 tentou disfar\u00e7ar, dizendo que era um funcion\u00e1rio novo, mas n\u00e3o adiantou. Passou vergonha e saiu expulso. Roubos de informa\u00e7\u00f5es por funcion\u00e1rios de outras empresas j\u00e1 aconteceram em quase todas as grandes marcas, s\u00f3 que muitas preferem n\u00e3o divulgar, para n\u00e3o minar sua credibilidade (ningu\u00e9m quer comprar produtos de uma f\u00e1brica que n\u00e3o tem a menor seguran\u00e7a, n\u00e9?), ent\u00e3o, s\u00f3 ficamos sabendo daquelas que terminam em a\u00e7\u00f5es judiciais.<\/p>\n<p>Mesmo tomando conhecimento de poucos casos de espionagem industrial, h\u00e1 uma quantidade consider\u00e1vel de marcas processando e sendo processadas por esse motivo. Certamente voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar de algumas das que vou citar.  A prestigiada rede de hot\u00e9is Hilton j\u00e1 foi condenada por espionar e se apropriar de ideias da rival, a Starwood. A HP ficou t\u00e3o puta quando viu informa\u00e7\u00f5es suas vazadas, que decidiu usar espionagem n\u00e3o para roubar informa\u00e7\u00f5es e sim para descobrir e se vingar de quem os espionou. A Motorola tomou anos de espionagem da chinesa Huawei. At\u00e9 a Rede Globo tomou uma rasteira da Record, quando sua rival abriu um est\u00fadio nas proximidades do Projac e surrupiou o contato de todos os fornecedores das redondezas. <\/p>\n<p>A forma mais antiga e comum de espionagem industrial \u00e9 obter a informa\u00e7\u00e3o diretamente dos funcion\u00e1rios ou ex-funcion\u00e1rios da empresa concorrente: ou tentam infiltrar um funcion\u00e1rio seu para trabalhar na empresa rival, ou contratam funcion\u00e1rios da empresa rival para sugar deles todas as informa\u00e7\u00f5es que puderem. Aconteceu com a gigante General Motors.<\/p>\n<p>Mesmo demitido, um ex-funcion\u00e1rio n\u00e3o pode passar informa\u00e7\u00f5es tidas como confidenciais para outra empresa. Usar esse tipo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 considerado espionagem industrial e a coisa certa a fazer \u00e9 1) n\u00e3o passar e 2) n\u00e3o aceitar. Em tese, essa premissa \u00e9tica n\u00e3o \u00e9 muito praticada, muito pelo contr\u00e1rio, empresas ca\u00e7am funcion\u00e1rios das rivais para obter informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu com um alto executivo da General Motors, que saiu para trabalhar na Volkswagen e levou junto diversos segredos, documentos e um grande projeto revolucion\u00e1rio de f\u00e1brica inovadora da GM, que acabou virando uma f\u00e1brica com tecnologia e modo de funcionamento totalmente novos&#8230; da Volks. Onde? Onde? No Rio de Janeiro! Imagina a raiva que n\u00e3o d\u00e1 ver seu projeto de f\u00e1brica ser colocada no papel pelo rival! O resultado foi mais uma indeniza\u00e7\u00e3o bilion\u00e1ria e o afastamento do executivo, que encerrou sua carreira no mundo dos neg\u00f3cios e foi se refugiar em uma fazenda na Espanha.<\/p>\n<p>Outra forma comum de espionagem industrial \u00e9 \u201ccomprar\u201d funcion\u00e1rios da outra empresa para repassarem informa\u00e7\u00f5es \u00e0 rival, sem tir\u00e1-los de seus cargos. Eles continuam trabalhando para a empresa que est\u00e3o traindo e recebem uma bela quantia em dinheiro para passar ao rival o que lhes for pedido. Um caso famoso aconteceu entre a Coca-Cola (campe\u00e3 de espionagem industrial) e a Pepsi, na d\u00e9cada de 90. A Pepsi tra\u00e7ava estrat\u00e9gias para aumentar seu mercado na Am\u00e9rica Latina, por\u00e9m, assediado pela Coca, um funcion\u00e1rio gravou e vendeu fitas contendo estas estrat\u00e9gias para a Coca-Cola, que tratou de tomar provid\u00eancias para neutralizar os planos da Pepsi antes mesmo que ela pudesse come\u00e7ar a coloca-lo em pr\u00e1tica. Um gerente da Coca-Cola, que foi o encarregado de fazer a transcri\u00e7\u00e3o dessas fitas, confirmou o ocorrido depois de ser demitido.<\/p>\n<p>Tem os que sejam mais discretos, por\u00e9m menos dignos e apenas fucem a vida do rival, sem infiltrar ningu\u00e9m do lado de dentro. Isso mesmo, tipo ex-namorada que passeia pela rua do ex para for\u00e7ar um encontro. A forma mais comum dessa stalker-espionagem \u00e9, acreditem, revirar o lixo do concorrente! N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no amor e na guerra que vale tudo, nos neg\u00f3cios tamb\u00e9m. <\/p>\n<p>J\u00e1 aconteceu com gente grande. Em 2001 a Procter &#038; Gamble (empresa respons\u00e1vel por marcas de peso como Pantene, Gilette, Pampers) achou que seria uma boa ideia revirar o lixo da rival, a Unilever (empresa respons\u00e1vel por marcas como Dove, Seda, Lux), tentando encontrar novidades em produtos para cabelos. S\u00f3 que eles foram flagrados, olha que vexame! Um dos detetives contratados pela P&#038;G foi descoberto revirando o lixo da Unilever e a empresa teve que pagar a m\u00f3dica quantia de 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares para evitar o esc\u00e2ndalo e um processo. <\/p>\n<p>E n\u00e3o pensem que foi um caso isolado, acontece bastante. Outra grande empresa flagrada fu\u00e7ando lixo foi a Oracle, que estava revirando o lixo da Microsoft. O esc\u00e2ndalo afundou ambas as partes: a Oracle perdeu valor de mercado e sofreu reprova\u00e7\u00e3o social, mas levou a Microsoft junto, pois espionando seu lixo descobriu que o Congresso dos EUA acobertava o monop\u00f3lio da Microsoft, violando a lei antimonop\u00f3lio dos EUA. Conclus\u00e3o: sobrou para a Microsoft tamb\u00e9m. Revirar o lixo compensa, Dr. House sabia das coisas.<\/p>\n<p>Tem os casos de espionagem por motivos de: funcion\u00e1rios putos da vida. Funcion\u00e1rios que nem ao menos v\u00e3o trabalhar para a concorr\u00eancia, apenas saem dispostos a vender tudo que podem da empresa para a qual trabalharam, sem qualquer lealdade ou fidelidade. Pessoas que se sentem exploradas acabam depreendendo uma sensa\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a ao conseguir lucrar de alguma forma com a empresa que os explorou. Em casos extremos de putez, nem cobram, vazam informa\u00e7\u00f5es pelo prazer de ferrar com o antigo empregador.<\/p>\n<p>Um belo exemplo aconteceu em 2014, quando alguns designers da Nike resolveram sair da empresa e abrir um escrit\u00f3rio que passou a prestar informa\u00e7\u00f5es \u00e0 concorrente: Adidas. Mesmo enquanto ainda trabalhavam para a Nike, j\u00e1 putos da vida com a empresa e cientes de que iriam sair, utilizaram a infraestrutura da empresa e o tempo de trabalho para desenvolver um projeto de 93 milh\u00f5es de d\u00f3lares que guardariam para usar com a Adidas, ou seja, a Nike pagou sal\u00e1rio e cedeu material e pesquisa para que seus funcion\u00e1rios desenvolvam um projeto milion\u00e1rio para a Adidas. Ainda entregaram toda a tecnologia da Nike e a melhoraram para a concorrente. \u00c9 quase que fazer sexo com a amante na cama do casal, e depois fazer a esposa perder 93 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Ainda entregaram toda a tecnologia da Nike e a melhoraram para a concorrente. <\/p>\n<p>Mas, nem sempre a empresa topa essa baixaria. S\u00e3o poucas, mas existem empresas que n\u00e3o topam jogo sujo. Car\u00e1ter? Pouco prov\u00e1vel, medo da porrada judicial que vem, se for em um pa\u00eds com Judici\u00e1rio decente. Aconteceu com a Bic. Um funcion\u00e1rio vazou (por pura raivinha) um projeto da Gilette para sua rival, a Bic, por fax, tipo \u201ctoma a\u00ed, quero que esses babacas se fodam\u201d. A Bic, educadamente, devolveu o material, agradeceu a aten\u00e7\u00e3o e disse que n\u00e3o toparia participar desse jogo sujo, divulgando n\u00e3o apenas o que o funcion\u00e1rio da rival tinha feito, como tamb\u00e9m sua recusa em aceitar.<\/p>\n<p>E, para fechar, \u00e9 claro, n\u00e3o poderia deixar de citar um vexame tupiniquim. Em 2008 sumiram notebooks e outros mat\u00e9rias da Petrobras, que imediatamente afirmou estar sendo v\u00edtima de espionagem industrial, j\u00e1 que no material desaparecido havia informa\u00e7\u00f5es importantes e sigilosas sobre a descoberta do Pr\u00e9-sal. Rapidamente a Pol\u00edcia Federal desmentiu a hip\u00f3tese, prendendo quatro suspeitos que trabalhavam no porto do Rio de Janeiro e que apenas furtaram o material pelo material, n\u00e3o pelo conte\u00fado. Os computadores foram devolvidos aos donos e nada foi vazado. Era basicamente funcion\u00e1rio do porto querendo revender note para comprar cacha\u00e7a. Bom saber que a Petrobras cuida t\u00e3o bem do material contendo informa\u00e7\u00f5es sigilosas que um grupo de estivadores consegue surrupiar.<\/p>\n<p>Pense duas vezes antes de afirmar que determinado produto ou tecnologia foi de fato desenvolvido por uma marca, pois h\u00e1 grandes chances de que ele tenha sido roubado de algu\u00e9m mais criativo, por\u00e9m mais fraco, que n\u00e3o tinha infraestrutura para se defender. Muitos casos parecem teoria da conspira\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que a Razer est\u00e1 procurando at\u00e9 agora os dois prot\u00f3tipos que sumiram, para dizer que espionagem industrial \u00e9 revenge porn profissional ou ainda para finalmente acreditar que apenas duas pessoas no mundo det\u00e9m a f\u00f3rmula secreta da Coca-Cola: deixe seu coment\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem sempre um produto lan\u00e7ado por uma empresa \u00e9 de fato cria\u00e7\u00e3o daquela empresa. Em muitos dos casos (mais do que voc\u00ea imagina), \u00e9, na verdade, produto de espionagem industrial: a empresa \u201croubou\u201d uma ideia ou produto de uma concorrente. 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