{"id":11405,"date":"2017-04-06T11:42:55","date_gmt":"2017-04-06T14:42:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=11405"},"modified":"2017-04-06T11:42:55","modified_gmt":"2017-04-06T14:42:55","slug":"conhecimento-inutil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2017\/04\/conhecimento-inutil\/","title":{"rendered":"Conhecimento in\u00fatil."},"content":{"rendered":"<p>\u00c0s vezes eu me surpreendo com a quantidade de conhecimento aparentemente in\u00fatil que se acumulou na minha cabe\u00e7a com o passar dos anos. E n\u00e3o estou falando s\u00f3 sobre conhecer a hist\u00f3ria da cria\u00e7\u00e3o do universo no Senhor dos An\u00e9is ou como otimizar personagens num jogo de computador, mas coisas como as teorias mais aceitas para o funcionamento de um buraco negro ou a forma como um veneno espec\u00edfico realmente interage com o corpo humano&#8230; coisas que parecem interessantes, mas que n\u00e3o s\u00e3o usadas na vida real. Para que serve o conhecimento in\u00fatil?<!--more--><\/p>\n<p>Bom, como eu tendo ao lado nerd da For\u00e7a, meus exemplos estavam dentro desse espectro, mas todos n\u00f3s temos nossos temas \u201cvazios\u201d: tem quem esteja acompanhando o BBB agora e saiba tudo o que est\u00e1 acontecendo entre os participantes. Tem quem conhe\u00e7a profundamente as escrituras de uma ou mais religi\u00f5es globais&#8230; com raras exce\u00e7\u00f5es, a maioria de n\u00f3s tem guardados no c\u00e9rebro algum peda\u00e7o do conhecimento humano acumulado que n\u00e3o necessariamente tem fun\u00e7\u00e3o clara no desenvolvimento pessoal e coletivo. Informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o resolvem problemas imediatos, informa\u00e7\u00f5es que talvez nunca encontrem aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Pensem comigo, estamos chegando no terceiro par\u00e1grafo deste texto e parece que ele vai a algum lugar? E mesmo que voc\u00ea esteja esperando alguma resposta sobre a pergunta da fun\u00e7\u00e3o do conhecimento in\u00fatil, voc\u00ea realmente espera que isso gere alguma mudan\u00e7a consider\u00e1vel na sua exist\u00eancia? Sim, \u00e9 meio um tiro no p\u00e9 escrever isso, afinal, aqui no desfavor estamos no \u201cneg\u00f3cio\u201d de oferecer informa\u00e7\u00e3o sem garantia de aplica\u00e7\u00e3o na vida real, e dependemos do seu interesse desapegado pela informa\u00e7\u00e3o para termos uma audi\u00eancia, mas eu acho saud\u00e1vel rever esse tipo de conceito de tempos em tempos.<\/p>\n<p>Ainda mais num mundo onde informa\u00e7\u00e3o deixou de ser recurso escasso. Historicamente, o conhecimento sempre foi fruto de imenso protecionismo: quem sabia ler n\u00e3o gostava de ensinar, quem sabia fazer um trabalho, uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica ou qualquer outra coisa que gerasse valor para outras pessoas, essa gente defendia com unhas e dentes a exclusividade da sua informa\u00e7\u00e3o. Conhecimento \u00e9 poder, mas com essa era da informa\u00e7\u00e3o livre, o conceito de controle atrav\u00e9s da restri\u00e7\u00e3o do conhecimento meio que foi por \u00e1gua abaixo.<\/p>\n<p>O poder n\u00e3o est\u00e1 mais com aqueles que alcan\u00e7am a fonte do conhecimento, mas com quem \u00e9 capaz de usar a informa\u00e7\u00e3o com mais efici\u00eancia. Por exemplo: quando eu aprendi a fazer sites, eu tinha restri\u00e7\u00f5es a ensinar o que aprendera at\u00e9 mesmo para quem trabalhava para mim. A ideia era que com o conhecimento, nada impediria a pessoa de fazer o mesmo que eu. Mas, o tempo ensina. A li\u00e7\u00e3o mais preciosa sobre conhecimento que aprendi nos \u00faltimos anos \u00e9 que voc\u00ea pode ensinar algu\u00e9m como voc\u00ea faz algo, mas n\u00e3o porque voc\u00ea faz algo. A informa\u00e7\u00e3o mais poderosa \u00e9 o momento e o contexto onde usar seu conhecimento. Eu posso ensinar rapidamente para algu\u00e9m como usar um programa de edi\u00e7\u00e3o de imagens, mas demora muito &#8211; muito mais \u2013 para essa pessoa entender porque escolher editar a imagem de um jeito e n\u00e3o de outro. Conhecimento \u00e9 aberto por defini\u00e7\u00e3o. Saber onde e quando usar que faz a diferen\u00e7a. Enquanto eu souber quando usar o conhecimento sobre fazer sites, por exemplo, n\u00e3o preciso me incomodar com quem s\u00f3 tem o mesmo conhecimento. N\u00e3o faz diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>E at\u00e9 por isso eu estou trabalhando com este tema hoje: todo conhecimento \u00e9 in\u00fatil at\u00e9 o momento que \u00e9 necess\u00e1rio. Essa frase \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvia, n\u00e3o? Mas a conclus\u00e3o sobre ela, nem tanto. Voc\u00ea pode empurrar a conclus\u00e3o sobre ela para o sentido de que realmente n\u00e3o vale a pena ficar acumulando conhecimento se voc\u00ea n\u00e3o sabe onde e quando ele pode ser usado, mas tamb\u00e9m para o lado (e a Sally escreveu sobre isso antes tamb\u00e9m) de que o simples fato de n\u00e3o saber onde e quando voc\u00ea vai precisar dele \u00e9 um excelente incentivo para ir ocupando o espa\u00e7o mental, inclusive com o que voc\u00ea tem certeza que nunca vai usar.<\/p>\n<p>Porque, surpresa: certeza n\u00e3o temos. Eu tenho uma profiss\u00e3o que por sorte esfrega essa realidade na minha cara todos os dias. Todo conhecimento in\u00fatil pode e ser\u00e1 usado a favor ou contra um publicit\u00e1rio: seja sabendo fazer conex\u00f5es entre ideias e surpreendendo clientes e p\u00fablico, seja ficando preso a preconceitos e perdendo oportunidades de descobrir novas rela\u00e7\u00f5es entre ideias. E essa experi\u00eancia sobre que tipo de informa\u00e7\u00e3o pode ou n\u00e3o ser \u00fatil eu acredito que possa passar para todos voc\u00eas: n\u00e3o existe caloria vazia quando falamos de conhecimento. Existem \u201crefei\u00e7\u00f5es\u201d mais substanciosas, mas cada \u201cbit\u201d de informa\u00e7\u00e3o que cai no seu c\u00e9rebro tem uma fun\u00e7\u00e3o potencial.<\/p>\n<p>Principalmente na expans\u00e3o do campo de ideias: o simples fato de aprender sobre algo novo &#8211; sendo relevante ou n\u00e3o para o que voc\u00ea entende como importante na sua vida atualmente \u2013 aumenta o potencial futuro de informa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de serem registradas. Como o c\u00e9rebro humano trabalha basicamente com padr\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es entre ideias, voc\u00ea precisa ter alguma coisa l\u00e1 para ser conectada com a informa\u00e7\u00e3o nova. E os caminhos do c\u00e9rebro ainda s\u00e3o suficientemente obscuros para n\u00e3o sabermos o que conecta com o qu\u00ea. Nada impede que o seu conhecimento in\u00fatil sobre f\u00edsica ou sobre celebridades que seja o encaixe perfeito para uma nova informa\u00e7\u00e3o. Muito embora eu sugira o de f\u00edsica&#8230;<\/p>\n<p>Adquirir conhecimento, achando-o \u00fatil ou n\u00e3o, serve para mais do que ter algo na manga para quando precisar, serve inclusive para tornar todos os outros conhecimentos pr\u00e9vios ou futuros mais relevantes. Quanto mais informa\u00e7\u00e3o no seu c\u00e9rebro, maior sua capacidade de ancorar novos conhecimentos de uma forma que fa\u00e7a sentido e n\u00e3o evapore com o tempo. Convenhamos: esquecemos um monte de coisas que aprendemos, e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por n\u00e3o ter aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica continuada, mas tamb\u00e9m porque s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o foram sedimentadas com novas relevantes.<\/p>\n<p>E por ser dif\u00edcil prever qual informa\u00e7\u00e3o vai ser relevante para o nosso c\u00e9rebro para fazer rela\u00e7\u00f5es, estamos mais seguros com uma dieta variada de fontes de informa\u00e7\u00f5es. Inclusive as que parecem est\u00fapidas. N\u00e3o tem nada de errado em passar um temp\u00e3o aprendendo sobre algo que n\u00e3o tem aplica\u00e7\u00e3o direta e imediata na sua vida, nem mesmo se voc\u00ea acha que essa informa\u00e7\u00e3o vai ser esquecida logo logo, porque cada tijolinho que entra nessa constru\u00e7\u00e3o d\u00e1 mais significados e fun\u00e7\u00f5es para outras informa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n<p>Em resumo, estou argumentando que a informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea aprende hoje \u00e9 o que garante a absor\u00e7\u00e3o da que voc\u00ea aprendeu ontem, por mais que elas n\u00e3o pare\u00e7am relacionadas. Seu c\u00e9rebro precisa fazer conex\u00f5es, por mais malucas que sejam, s\u00f3 para poder manter aquilo acess\u00edvel.<\/p>\n<p>O que voc\u00ea aprendeu de novo hoje?<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que vai esquecer tudo daqui a pouco, para dizer que o texto de hoje atrapalhou o texto de ontem na sua mem\u00f3ria, ou mesmo para dizer que \u00e9 s\u00f3 uma desculpa por n\u00e3o ter dito nada hoje: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s vezes eu me surpreendo com a quantidade de conhecimento aparentemente in\u00fatil que se acumulou na minha cabe\u00e7a com o passar dos anos. 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