{"id":11689,"date":"2017-06-04T15:34:25","date_gmt":"2017-06-04T18:34:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=11689"},"modified":"2017-06-04T15:34:25","modified_gmt":"2017-06-04T18:34:25","slug":"relatos-de-um-medium-cetico-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2017\/06\/relatos-de-um-medium-cetico-5\/","title":{"rendered":"Relatos de um m\u00e9dium c\u00e9tico."},"content":{"rendered":"<h3><em><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/em><br \/>\n<em>O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas.<\/em><\/h3>\n<h6>Relatos de um m\u00e9dium c\u00e9tico.<\/h6>\n<p>Durante minha adolesc\u00eancia, ao longo dos anos eu ficava em nega\u00e7\u00e3o de que estava envelhecendo. Bradava aos quatro ventos de que n\u00e3o aceitava nenhuma religi\u00e3o, de que nunca iria me casar, de que nunca teria filhos, enfim, eu queria evitar ao m\u00e1ximo ter qualquer tipo de compromisso com o mundo adulto. Por\u00e9m, ap\u00f3s conhecer a Kitsune (ela, sempre ela) pouco a pouco esses pensamentos foram mudando. Comecei a aceitar a passagem do tempo, comecei a aceitar a diversidade teol\u00f3gica e ap\u00f3s um ultimato por parte dela, embarquei na aventura de ser pai. Tive que abrir m\u00e3o de muitas coisas para ter um m\u00ednimo de maturidade para cuidar de uma crian\u00e7a, algumas delas foram bem dif\u00edceis, mas valeram a pena.<!--more--><\/p>\n<p><strong>V &#8211; Pandinhas<\/strong><\/p>\n<p>Kitsune \u00e9 cadeirante e tem certa dificuldade em engravidar, por isso, come\u00e7amos um tratamento para que pud\u00e9ssemos ter um filho. Dessa maneira, a decis\u00e3o de ter um filho era mais consciente e assertiva do que pelo m\u00e9todo de tentativa e erro das rela\u00e7\u00f5es sexuais. A partir do momento que eu fizesse a coleta de esperma e ela do \u00f3vulo, estar\u00edamos embarcando em um caminho sem volta, j\u00e1 que o tratamento \u00e9 bem caro para se arrepender ou desistir. Mesmo com medo do futuro, mesmo com medo de colocar mais uma crian\u00e7a nesse mundo maluco e mesmo achando que eu ainda n\u00e3o estava pronto para ser pai, fiz a coleta e nove meses depois minha pandinha nasceu.<\/p>\n<p>O nascimento dela foi bem conturbado, j\u00e1 que minha esposa n\u00e3o poderia receber a anestesia peridural por ter uma haste na coluna. Por isso os m\u00e9dicos teriam que dar uma anestesia geral e me foi avisado de que minha filha nasceria dopada. Eu estava mentalmente preparado, mas n\u00e3o emocionalmente, j\u00e1 que no momento que ela nasceu, n\u00e3o chorou. Ao n\u00e3o escutar nenhum choro, fiquei em p\u00e2nico e senti o tempo parar. Eu n\u00e3o conseguia pensar em nada, a n\u00e3o ser: &#8220;Chora menininha, vamos l\u00e1, voc\u00ea tem que chorar&#8221;. Enquanto isso, os m\u00e9dicos e enfermeiros corriam de um lado pro outro, falando termos t\u00e9cnicos que me deixavam s\u00f3 mais nervoso achando que alguma coisa tinha dado errado. Em quest\u00e3o de momentos, que pra mim pareceu uma eternidade, ela finalmente come\u00e7ou a chorar e o tempo voltou ao normal ap\u00f3s eu respirar fundo. Ap\u00f3s um tempinho, um dos enfermeiros veio me perguntar:<\/p>\n<p>_Voc\u00ea quer v\u00ea-la?<\/p>\n<p>_Sim. &#8211; respondo<\/p>\n<p>_N\u00e3o vai se impressionar com o sangue?<\/p>\n<p>_Acho que n\u00e3o, j\u00e1 trabalhei no M\u00e1rio Gatti.<\/p>\n<p>O enfermeiro riu e me levou at\u00e9 minha filha, que ainda estava sendo limpa da placenta e do sangue. Ela abriu os olhos e me olhou. Mesmo sabendo que ela n\u00e3o conseguia enxergar nada, sentia que ela me via at\u00e9 na alma. J\u00e1 eu, olhando aqueles olhinhos, tive a sensa\u00e7\u00e3o de que j\u00e1 a conhecia a tantos anos, de que j\u00e1 sabia qual seria sua personalidade e a vi crescendo em minha mente, com sua vida inteira passando em quest\u00e3o de segundos apenas na profundeza daquele olhar. Me tiraram da sala e me levaram para o quarto aonde elas ficariam. Esperei durante horas at\u00e9 que minha esposa chegasse no quarto e mais uma hora at\u00e9 que a pandinha fosse trazida para conhecer a mam\u00e3e. Creio que minha esposa tenha sentido uma conex\u00e3o maior que a minha, j\u00e1 que as duas passaram longos minutos abra\u00e7adas, apenas uma olhando pra outra. O momento se quebrou apenas com o chorinho dela, querendo mamar.<\/p>\n<p>Mais ou menos um ano depois a Aline teve o AVC dela, que me deixou paranoico com rela\u00e7\u00e3o ao assunto, que por sua vez me levou ao terreiro como voc\u00eas j\u00e1 sabem. N\u00e3o me lembro se foi na segunda ou na terceira visita ao terreiro, mas l\u00e1 estava eu conversando com o Sr. Sete, o Ex\u00fa que foi meu primeiro grande amigo e conselheiro do mundo espiritual, quando ele diz algo que j\u00e1 estava sentido:<\/p>\n<p>_Voc\u00ea vai ter mais um filho, ser\u00e1 um menino. Ele ser\u00e1 um menino especial, que vir\u00e1 com uma miss\u00e3o espiritual muito forte e ser\u00e1 de sua responsabilidade guiar essa crian\u00e7a. \u00c9 uma miss\u00e3o dif\u00edcil, pois crian\u00e7as assim s\u00e3o muito impulsivas, com grande energia f\u00edsica e emocional. Se voc\u00ea n\u00e3o souber conduzi-lo, ele facilmente se deixar\u00e1 levar pelo \u00f3dio desse mundo, se fechando em amargura e rancor. Por isso, se prepare meu filho, voc\u00ea e sua esposa ter\u00e3o que ter muita paci\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao chegar em casa, contei aquilo para Kitsune e ela come\u00e7ou a questionar que n\u00e3o era poss\u00edvel, que ter\u00edamos que fazer outro tratamento. Na \u00e9poca mor\u00e1vamos na casa da m\u00e3e dela e eu vivia estressado por n\u00e3o ter total controle sobre a educa\u00e7\u00e3o da minha filha, ent\u00e3o fiz que fiz para comprarmos um apartamento e nos mudarmos o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Ap\u00f3s um ano da mudan\u00e7a, comecei a sentir cada vez mais a presen\u00e7a de uma crian\u00e7a, que por vezes eu chegava a escutar pedindo para nascer. Certa noite, ap\u00f3s ter uma rela\u00e7\u00e3o com a Kitsune, fiquei acordado sozinho na escurid\u00e3o e senti uma presen\u00e7a. Era V\u00f3 Benedita, a preta velha que \u00e9 a guia dirigente do terreiro aonde vou. Ela se aproximou, deu um beijo de boa noite em Kitsune, me deu um beijo no rosto e sussurrou:<\/p>\n<p>_Est\u00e1 feito, ele est\u00e1 vindo.<\/p>\n<p>N\u00e3o contei nada para Kitsune, para n\u00e3o deix\u00e1-la incomodada com o assunto. Um m\u00eas depois, era dia de elei\u00e7\u00e3o e ela me diz que a mestrua\u00e7\u00e3o est\u00e1 atrasada. Dou um pulo dessa altura e grito:<\/p>\n<p>_Voc\u00ea est\u00e1 gr\u00e1vida!<\/p>\n<p>_Que nada, atrasar um pouquinho \u00e9 normal.<\/p>\n<p>Fui votar e de teimoso passei na farm\u00e1cia pra comprar um teste de gravidez. Custou a alma para convenc\u00ea-la a fazer o teste, mas fez. Deu positivo. Estranhando o resultado, ela diz:<\/p>\n<p>_Devo ter feito errado, vai l\u00e1 comprar outro.<\/p>\n<p>Vou l\u00e1, compro outro teste. Positivo novamente. J\u00e1 chorando, ela ainda n\u00e3o acredita:<\/p>\n<p>_Vamos fazer teste de sangue, nem que tenhamos que pagar.<\/p>\n<p>No dia seguinte fomos ao laborat\u00f3rio e fizemos o teste de sangue, que s\u00f3 ficaria pronto no pr\u00f3ximo dia. Quase morrendo de ansiedade, abro o site do laborat\u00f3rio e vejo o resultado do teste. Positivo e agora n\u00e3o tinha mais o que ter dado errado. Ficamos como duas crian\u00e7as, chorando na frente do computador, vendo aquele resultado t\u00e3o inesperado. Algumas semanas depois foi festa de Cosme e Dami\u00e3o e l\u00e1 vamos n\u00f3s, a fam\u00edlia inteira, conversar com a V\u00f3 Benedita:<\/p>\n<p>_Eu falei pra voc\u00eas se prepararem que o menino estava vindo, agora \u00e9 com voc\u00eas. &#8211; diz a preta velha.<\/p>\n<p>Minha esposa abra\u00e7a a m\u00e3e de santo\/ preta velha com tanto carinho que me impressiona, j\u00e1 que at\u00e9 aquele momento ela n\u00e3o era muito propensa a acreditar nesse lance de espiritismo, incorpora\u00e7\u00e3o, etc. Os meses passaram, confirmando que era mesmo um menino, sendo que toda a gravidez foi acompanhada por um m\u00e9dio muito gentil, que aceitou fazer o parto sem cobrar um centavo. Apesar de termos conv\u00eanio m\u00e9dico, ele s\u00f3 cobre o parto feito em emerg\u00eancia, caso o paciente prefira marcar data e hor\u00e1rio, isso \u00e9 cobrado a parte, um dinheiro que n\u00e3o t\u00ednhamos na \u00e9poca. Pra mim estava claro que meus amigos espirituais estavam conduzindo toda a situa\u00e7\u00e3o, para que dessa vez tiv\u00e9ssemos um parto mais tranquilo e uma situa\u00e7\u00e3o financeira diferente da nossa filha.<\/p>\n<p>Chega o grande dia, me avisam novamente que vai ser anestesia geral, que ele nasceria dopado e la ia eu, preparado mentalmente, mas n\u00e3o emocionalmente. E ele nasce chorando, me aliviando de toda aquela tens\u00e3o e rapidamente o enfermeiro me leva pra v\u00ea-lo. Ao ver meu filho, parecia que ele brilhava, vibrando em pura luz branca e ele me olha, aquele mesmo olhar que fulmina a alma. Por\u00e9m, diferente da minha filha, ele me parece uma for\u00e7a desconhecida, a for\u00e7a de algu\u00e9m que eu teria que aprender a conviver, que seria obrigado a entender, mas que seria meu companheiro nos momentos mais dif\u00edceis, enquanto que minha pequena era mais meu porto seguro sentimental e minha esposa era a minha fortaleza. Tive a certeza de que nossa fam\u00edlia estava completa, de que juntos passar\u00edamos pelas maiores dificuldades mas que sempre nos apoiar\u00edamos.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o do novo pandinha n\u00e3o foi f\u00e1cil, minha filha teve crise de ci\u00fames e voltamos a morar na minha sogra, o que voltou a me deixar transtornado. Por\u00e9m, a cada vez que eu achava que ia perder a cabe\u00e7a, olhava pro meu menino e sempre sentia a presen\u00e7a dos esp\u00edritos irm\u00e3os que nos ajudaram durante sua gesta\u00e7\u00e3o. Isso me acalmava e ao mesmo tempo me dava for\u00e7as. Certo dia, ele aprendendo a falar, diz sua primeira palavra com muita clareza:<\/p>\n<p>_Vov\u00f3. <\/p>\n<p> Durante algumas semanas vov\u00f3 era a \u00fanica palavra que ele falava, depois veio mam\u00e3e, papai e a\u00ed desandou a falar de tudo. Ap\u00f3s muitos surtos meus de querer sair da casa da sogra, minha esposa aceita em voltar para o apartamento. Ela sofreu muito com a readapta\u00e7\u00e3o, com a aceita\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o iria conseguir fazer muitas coisas e prometi a ela que nunca faltaria com o meu compromisso de pai, que estaria sempre presente. Abri m\u00e3o de sair com os amigos, de ir pra academia, de ir pro terreiro e at\u00e9 mudei meu hor\u00e1rio de trabalho para sempre estar junto dela e dos meus filhos. E eles foram crescendo, ficando mais conscientes das dificuldades da mam\u00e3e e sempre tentam ajud\u00e1-la, principalmente meu menino. mesmo sem pedir, ele sempre se mostra prestativo, pronto pra ajudar e ao mesmo tempo \u00e9 t\u00e3o manhoso, sempre pedindo colo e carinho. \u00c0s vezes, n\u00f3s cansados, perdemos a paci\u00eancia por termos que dar tanta aten\u00e7\u00e3o a sua energia que parece nunca acabar, mas d\u00e1i nos lembramos que isso havia nos sido avisado e tentamos nos controlar.<\/p>\n<p>Certa noite, tentando faz\u00ea-los dormir, minha filha pergunta:<\/p>\n<p>_Papai, aonde eu estava antes de nascer?<\/p>\n<p>Eu quase nunca respondo as respostas dos meus filhos, prefiro deix\u00e1-los tirar suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es, ent\u00e3o respondo:<\/p>\n<p>_Aonde voc\u00ea acha?<\/p>\n<p>_Eu acho que eu estava no c\u00e9u, eu era uma estrelinha. Meu irm\u00e3ozinho tamb\u00e9m era uma estrelinha, mas eu vim antes pra mostrar pra ele que nascer era legal.<\/p>\n<p>Olho pra ela e come\u00e7o a rir, da\u00ed ela me diz:<\/p>\n<p>_Papai, sabia que \u00e0s vezes vem um velhinho aqui em casa?<\/p>\n<p>_Um velho? O que ele vem fazer?<\/p>\n<p>_\u00c9 papai, ele vem ver nossos tot\u00f4s (paninhos que meus filhos usam pra dormir) e deixa um pozinho m\u00e1gico igual da sininho neles.<\/p>\n<p>_E ele vem sozinho?<\/p>\n<p>_N\u00e3o n\u00e9 papai, ele vem sempre com um menininho. Ele \u00e9 um erezinho n\u00e9 papai?<\/p>\n<p>_\u00c9 sim.<\/p>\n<p>_Papai, voc\u00ea pede pro erezinho parar de fazer bagun\u00e7a nos tot\u00f4s?<\/p>\n<p>_Pe\u00e7o sim, mas como ele \u00e9 crian\u00e7a voc\u00ea empresta um pouquinho pra ele?<\/p>\n<p>_Empresto sim, mas s\u00f3 um, n\u00e3o precisa bagun\u00e7ar todos.<\/p>\n<p>Fico rindo sozinho e espero eles dormirem, vou dormir com a certeza de que a melhor decis\u00e3o de minha vida for ter aceitado todos os desafios que s\u00f3 a paternidade proporciona.<\/p>\n<p><strong><em>Por: Tender<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. 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