{"id":11743,"date":"2017-06-19T06:00:23","date_gmt":"2017-06-19T09:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=11743"},"modified":"2025-11-25T12:03:19","modified_gmt":"2025-11-25T15:03:19","slug":"na-saude-e-na-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2017\/06\/na-saude-e-na-doenca\/","title":{"rendered":"Na sa\u00fade e na doen\u00e7a&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 os relacionamentos mais saud\u00e1veis tem suas brigas eventuais. Sally e Somir concordam com o valor de se importar com o outro, mas escolhem batalhas diferentes quando o assunto \u00e9 a sa\u00fade do parceiro. Os impopulares fazem seu diagn\u00f3stico.<\/p>\n<h6>Tema de hoje: vale a pena brigar com um parceiro pelas escolhas que afetam a sa\u00fade dele?<\/h6>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>N\u00e3o. E vamos deixar bem claro aqui que o verbo brigar n\u00e3o est\u00e1 sendo tratado de forma leve: estamos falando de brigar com unhas e dentes para mudar os h\u00e1bitos da pessoa, doa a quem doer. N\u00e3o \u00e9 uma revirada de olhos, uma bufada ou mesmo uma conversa comum, \u00e9 brigar para impor sua vis\u00e3o das coisas e n\u00e3o aceitar a derrota. Sempre vale a pena aconselhar uma pessoa querida a evitar h\u00e1bitos nocivos \u00e0 sua sa\u00fade ou mesmo ajud\u00e1-la a mudar essa realidade, mas quando a coisa come\u00e7a a virar briga, \u00e9 energia mal direcionada.<\/p>\n<p>Evidente que a nobreza da causa vai angariar mais simpatia pelo ponto de vista defendido pela Sally, mas ela mesma concordaria comigo quando eu digo que boas inten\u00e7\u00f5es n\u00e3o significam boas a\u00e7\u00f5es. Fazer algo errado pelos motivos certos ainda \u00e9 fazer algo errado. Guardem isso por enquanto, porque eu tenho que dividir meu argumento em duas partes. A primeira \u00e9 o direito ao pr\u00f3prio corpo, e aqui o certo e o errado acabam bem borrados.<\/p>\n<p>Uma das funda\u00e7\u00f5es do conceito de liberdade \u00e9 ter o dom\u00ednio sobre si. Ningu\u00e9m al\u00e9m de voc\u00ea pode tomar decis\u00f5es sobre o uso do seu corpo, salvo em casos que o uso do seu corpo interfira com o mesmo direito alheio. Por isso a maioria das sociedades concorda que atos como agress\u00f5es f\u00edsicas, estupros e sequestros s\u00e3o crimes que exigem puni\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 na base de tudo o que acreditamos: o seu corpo \u00e9 seu, e apenas os seus pais tem algum direito (limitado e tempor\u00e1rio) de interferir nisso. Depois de adulto, as escolhas s\u00e3o todas suas, desde que voc\u00ea s\u00f3 se coloque em risco.<\/p>\n<p>E escolhas ruins para a sa\u00fade costumam entrar exatamente nessa categoria. Escolhas pessoais que te dizem respeito. Encher a cara qualquer adulto est\u00e1 livre para fazer, a coisa s\u00f3 muda de figura quando ele amea\u00e7a outras pessoas pegando um carro, por exemplo. Muito embora o Estado interfira nisso das mais diversas formas, percebam que s\u00e3o sempre esses os casos onde a pol\u00eamica floresce: drogas, aborto, puni\u00e7\u00f5es\u2026 todo tipo de coisa que gera disson\u00e2ncia entre nossa percep\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio sobre nosso corpo e influ\u00eancia alheia nas decis\u00f5es que s\u00f3 nos impactam. Voc\u00ea n\u00e3o vai ver a sociedade brigando entre si para definir se quem violenta outros deve ou n\u00e3o ser reprimido.<\/p>\n<p>Parece que eu estou viajando pra muito longe do tema, mas n\u00e3o estou. O conceito de dom\u00ednio sobre o corpo est\u00e1 t\u00e3o integrado na nossa percep\u00e7\u00e3o da realidade que influencia todas nossas rela\u00e7\u00f5es com outras pessoas. E num relacionamento que presume companhia constante, evidente que ele mexe com a din\u00e2mica das coisas. Faz muito sentido para n\u00f3s que as pessoas briguem para se defender, outro conceito que funciona muito bem atrav\u00e9s das culturas mundiais \u00e9 o de leg\u00edtima defesa. Somos livres para proteger nosso direito a integridade f\u00edsica (pelo menos). Do ponto de vista de quem recebe as broncas e as press\u00f5es para largar um h\u00e1bito nocivo \u00e0 pr\u00f3pria sa\u00fade, a coisa \u00e9 pouco intuitiva.<\/p>\n<p>N\u00e3o nego de forma alguma que seja uma medida de interesse e at\u00e9 carinho agir de forma t\u00e3o energ\u00e9tica contra algo que faz mal ao outro, mas n\u00e3o deixa de ser uma invas\u00e3o ao direito ao corpo dessa pessoa. O que nos leva ao segundo ponto: mesmo que voc\u00ea n\u00e3o compartilhe da vis\u00e3o que o corpo alheio \u00e9 o fim da sua esfera de controle, tem que entender que o confronto direto \u00e9 s\u00f3 uma forma de lidar com as coisas, existem maneiras muito menos destrutivas de tentar influenciar a pessoa. Porque, surpresa, surpresa, esse \u00e9 o limite da capacidade humana de modificar comportamentos de forma consistente. Amea\u00e7as e chantagens dificilmente s\u00e3o internalizadas para sempre, e se por um acaso tem esse efeito, ele n\u00e3o vem sem custos enormes para a sanidade mental da pessoa.<\/p>\n<p>A briga \u00e9 uma forma de resolver problemas superficiais, mas pouco tem efeito nos verdadeiros causadores dos h\u00e1bitos nocivos. O confronto presume uma moeda de troca negativa: tira-se algo da pessoa sob a condi\u00e7\u00e3o dela se submeter \u00e0 sua vontade para t\u00ea-la de volta. Paz, carinho, privil\u00e9gios ou at\u00e9 mesmo a seguran\u00e7a f\u00edsica ou psicol\u00f3gica, a briga come\u00e7a um processo de resolu\u00e7\u00e3o ao tirar coisas da rela\u00e7\u00e3o, e raramente \u00e9 boa ideia come\u00e7ar algo assim enfraquecendo a rela\u00e7\u00e3o dessa forma. Brigar tem que ser o \u00faltimo recurso, at\u00e9 porque ele s\u00f3 faz sentido quando se tem menos e menos a perder.<\/p>\n<p>Quem quer mudar um h\u00e1bito foca no h\u00e1bito. N\u00e3o existe atalho, n\u00e3o existe forma pr\u00e1tica de reescrever nossa auto-percep\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio sobre o corpo num esporro casual. Adoraria que gritar resolvesse problemas, mas a taxa de sucesso da t\u00e1tica passa longe de ser boa, \u00e9 o tipo de coisa que cai na categoria de refor\u00e7o por falsos positivos: brigar quase sempre piora as coisas, mas nas vezes que melhora, fica marcado no c\u00e9rebro. Todas as outras onde queimar pontes fez justamente o que se esperava, criou divis\u00f5es e impediu a aproxima\u00e7\u00e3o das partes, fica convenientemente apagado da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Existem muitas formas de ajudar algu\u00e9m a deixar um h\u00e1bito nocivo, a maioria \u00e9 lenta e trabalhosa. \u00c9 investir no processo, participando ativamente sem essa mentalidade b\u00e9lica (que no fundo serve mais para satisfazer quem briga do que ajudar quem precisa). Temos exemplos pelo mundo afora que os pa\u00edses que resolveram segurar na m\u00e3ozinha dos drogados e ajudar eles enquanto largam o v\u00edcio derrubaram a reincid\u00eancia e o n\u00famero de viciados muito mais do que os pa\u00edses que resolveram declarar guerra. Porque a briga tem suas vantagens, mas elas s\u00f3 funcionam no curt\u00edssimo prazo. Quem quer mudar um h\u00e1bito tem que estar presente e n\u00e3o causar muita confus\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta brigar no curto prazo para o que s\u00f3 existe no longo prazo. A vida \u00e9 dif\u00edcil, as pessoas s\u00e3o complicadas\u2026 e n\u00e3o tem como escapar.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu s\u00f3 enrolei, para dizer que viciado n\u00e3o tem voz aqui, ou mesmo para dizer que eu devo ser amigo pessoal do Pilha: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Brigar com um parceiro por causa de escolhas erradas que afetam a sa\u00fade dele?<\/p>\n<p>Sim. Brigar ou fazer o que seja necess\u00e1rio. Foda-se se adianta ou n\u00e3o, ao menos eu saberei que tentei de tudo para impedir que a pessoa detone sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>Quem ama cuida. Existem formas de cuidar no amor, mas, infelizmente, existem algumas pessoas que s\u00f3 entendem as coisas na dor. \u00c9 menos pior a dor de um esporro bem dado do que a dor de um c\u00e2ncer, um enfisema pulmonar ou um AVC. Ent\u00e3o, se eu sentir que no amor n\u00e3o conscientiza a pessoa, eu brigo mesmo. Fa\u00e7o o que for preciso para afastar a pessoa de algo que est\u00e1 detonando sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>J\u00e1 ouvi muitas vezes, inclusive da Madamezinha que diverge de mim hoje, a famosa e infantil frase: \u201co problema \u00e9 meu\u201d. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9. O problema, caso se apresente, afeta a toda a fam\u00edlia e a todos que gostam da pessoa. Ent\u00e3o, n\u00e3o, o problema n\u00e3o \u00e9 seu. Se matar lentamente, detonar sua sa\u00fade \u00e9 uma conta que eu tamb\u00e9m vou pagar. Spoiler: pessoas doentes n\u00e3o se cuidam sozinhas.<\/p>\n<p>E obviamente n\u00e3o estou resumindo meu argumento ao trabalho que d\u00e1 cuidar de uma pessoa doente. O pior dessa equa\u00e7\u00e3o \u00e9 ver uma pessoa que voc\u00ea ama doente, sofrendo, com dor ou incapacitada. \u00c9 triste ver pessoas que destru\u00edram sua sa\u00fade se lamentando e dizendo que se pudessem voltar no tempo teriam feito tudo diferente.<\/p>\n<p>Bom, voc\u00ea tem esse poder. Voc\u00ea, pessoa consciente que n\u00e3o est\u00e1 em estado de nega\u00e7\u00e3o, consegue perceber o desdobramento que um h\u00e1bito nocivo pode ter na vida do outro, antever o futuro que o espera e mudar esse futuro. E dificilmente se muda o futuro de algu\u00e9m apenas com conversa, se a pessoa fosse racional o bastante para isso, nem seria necess\u00e1rio conversar com ela sobre isso. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de intelig\u00eancia, pois pessoas extremamente inteligentes fumam. \u00c9 quest\u00e3o de cegueira tempor\u00e1ria, de v\u00edcio. Se o outro est\u00e1 cego, cabe a voc\u00ea guia-lo.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que se a pessoa est\u00e1 detonando a pr\u00f3pria sa\u00fade, ela deixou a racionalidade de lado nesse aspecto. Est\u00e1 em nega\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 pensando sobre isso, est\u00e1 dando desculpas para si mesma ou est\u00e1 se enganando. Uma pessoa nesse estado \u00e9 imune \u00e0 conversa. Bem, talvez uma boa conversa com um profissional acabe por ajudar, mas ser\u00e3o anos, anos que talvez a pessoa n\u00e3o disponha, pois o dano estar\u00e1 feito. E eu n\u00e3o sou terapeuta de porra nenhuma, converso uma vez, se n\u00e3o der, tento outra estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>Vai ter quem diga que comer a pessoa no esporro n\u00e3o adianta. Mas olha&#8230; eu discordo tanto! S\u00f3 o esporro constr\u00f3i. Existem determinados estados mentais onde s\u00f3 um bom \u201csacode\u201d tira a pessoa da letargia autodestrutiva. Nem sempre um di\u00e1logo racional resolve as coisas, pois nem sempre as pessoas est\u00e3o ou se comportam de forma racional. Tentar ser racional com quem est\u00e1 irracional \u00e9 minha defini\u00e7\u00e3o de perda de tempo.<\/p>\n<p>Esporro n\u00e3o \u00e9 ataque. Esporro n\u00e3o \u00e9 agress\u00e3o. Esporro n\u00e3o \u00e9 humilha\u00e7\u00e3o. \u00c9 esporro, bronca. Pode ser que em um primeiro momento a pessoa se feche, em defesa ao esporro. Mas alguma coisa entra. Vai na f\u00e9, d\u00e1 teu esporro, que alguma coisa sempre entra. O esporro impacta, o esporro repercute na cabe\u00e7a da pessoa quando ela est\u00e1 sozinha. O esporro amplifica a import\u00e2ncia do tema: se a pessoa fez um esc\u00e2ndalo por isso, deve ser importante. Esporro fixa o conte\u00fado em nossas cabe\u00e7as, fica mais dif\u00edcil de negar ou esquecer. E, mesmo que no final das contas n\u00e3o adiante, ao menos eu tentei tudo que podia.<\/p>\n<p>Sem contar que a putez incomoda. A pessoa saber que est\u00e1 te deixando em estado de putez \u00e9 algo que certamente vai fazer com que pense duas vezes antes de fazer. Tem gente at\u00e9 que deixa de fazer pelos motivos errados: para n\u00e3o ter que lidar com a outra pessoa puta da vida ou com esporro. Bem, foda-se. Se servir para que a pessoa pare com um h\u00e1bito destrutivo que vai mat\u00e1-la, que seja.<\/p>\n<p>Esse papo de que a pessoa \u00e9 adulta e sabe o que faz s\u00f3 cola quando o interlocutor \u00e9 crian\u00e7a. N\u00f3s adultos sabemos muito bem que adultos n\u00e3o sabem o que fazem na maior parte do tempo. Apenas aconselhar e deixar que a pessoa fa\u00e7a o que ela quer \u00e9 abandon\u00e1-la. Uma pessoa que escolhe um h\u00e1bito de vida que est\u00e1 detonando sua sa\u00fade claramente n\u00e3o est\u00e1 em boas condi\u00e7\u00f5es mentais de fazer uma escolha assertiva.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso traz\u00ea-la para a realidade, esfregar a realidade na cara dela tal qual se esfrega o focinho de um cachorro que fez xixi no lugar errado, at\u00e9 que ela n\u00e3o consiga mais ficar em nega\u00e7\u00e3o. Sim, se voc\u00ea esfregar a realidade bastante na cara da pessoa, chega uma hora em que se torna muito dif\u00edcil para ela continuar em nega\u00e7\u00e3o. \u00c9 doloroso? Sim, doloroso, trabalhoso, cansativo. Mas estamos falando da vida de uma pessoa que amamos.<\/p>\n<p>E, vejam bem, eu j\u00e1 penso assim sem ter filhos. Imagino que quem os tenha deva lutar com ainda mais empenho, pois filho \u00e9 prioridade na vida de uma pessoa. Em vez de n\u00e3o querer perder o marido ou v\u00ea-lo entrevado, o enfoque provavelmente ter\u00e1 um apelo mais forte: n\u00e3o querer que seu filho fique sem um pai\/m\u00e3e. Ent\u00e3o, d\u00e1 licen\u00e7a, mas \u00e9 algo s\u00e9rio demais para n\u00e3o brigar com a pessoa. Puta ego\u00edsmo do caralho n\u00e3o cuidar da sua sa\u00fade quando voc\u00ea tem um filho que depende de voc\u00ea.<\/p>\n<p>Que bom seria se, em um mundo ideal, cor de rosa, onde todos andamos montados em p\u00f4neis que vomitam arco-\u00edris e cagam ouro, conversar resolvesse todos os problemas e conflitos humanos. N\u00e3o \u00e9 essa a realidade, e a Madame Campineira sabe disso muito bem, pois com ele conversa n\u00e3o resolveu muitas vezes e esporro surtiu efeito. Ent\u00e3o, \u00e9 muito bonitinho e civilizado esse papo diplom\u00e1tico, mas tem coisas que a gente s\u00f3 alcan\u00e7a sendo um pouco mais incisivo.<\/p>\n<p>Como o que est\u00e1 em jogo \u00e9 muito s\u00e9rio (a sa\u00fade da pessoa amada) me permito usar de todos os recursos que eu tiver antes de desistir. E voc\u00ea?<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que d\u00e1 menos trabalho se apenas conversar e se sentir desobrigado, para dizer que eu sou chata pra caralho e vou morrer sozinha ou ainda para dizer que quem tem medo de resson\u00e2ncia e tomografia n\u00e3o pode opinar sobre sa\u00fade: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 os relacionamentos mais saud\u00e1veis tem suas brigas eventuais. Sally e Somir concordam com o valor de se importar com o outro, mas escolhem batalhas diferentes quando o assunto \u00e9 a sa\u00fade do parceiro. Os impopulares fazem seu diagn\u00f3stico. Tema de hoje: vale a pena brigar com um parceiro pelas escolhas que afetam a sa\u00fade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":11744,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-11743","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ele-disse-ela-disse"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11743","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11743"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11743\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38696,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11743\/revisions\/38696"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11744"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}