{"id":11746,"date":"2017-06-20T09:35:24","date_gmt":"2017-06-20T12:35:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=11746"},"modified":"2025-12-12T10:08:12","modified_gmt":"2025-12-12T13:08:12","slug":"como-perder-um-homem-em-dez-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2017\/06\/como-perder-um-homem-em-dez-dias\/","title":{"rendered":"Como perder um homem em dez dias."},"content":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 a hist\u00f3ria sobre como enfrentei um miliciano perigoso do Rio de Janeiro. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria de tribunal, ou de persegui\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma das muitas derrotas que vivi, e que j\u00e1 prescreveram pelo decurso do tempo, podendo ser contada sem perigo. Senta e pega a pipoca, esta \u00e9 a hist\u00f3ria sobre como perder um homem em dez dias.<!--more--><\/p>\n<p>Estava eu na academia, um ambiente supostamente seguro, considerando o valor da mensalidade que cobram. Sala de muscula\u00e7\u00e3o. Um elemento muito bem apessoado se aproxima de mim e pergunta se pode revezar um aparelho comigo. Permito. Elemento Bem Apessoado come\u00e7a a conversar comigo e, surpreendentemente, ele se expressa muito bem, parece muito inteligente e culto. Primeira vez na vida que vejo uma correspond\u00eancia igualit\u00e1ria entre massa muscular e c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Dia seguinte, Elemento Bem Apessoado aparece para malhar no mesmo hor\u00e1rio que eu e, novamente, pede para revezar um aparelho. Novamente conversamos e novamente fico surpresa com a cultura e intelig\u00eancia do elemento. Muito agrad\u00e1vel, n\u00e3o deu em cima de forma aberta, apenas manifestou um interesse discreto, com todo o cuidado para me respeitar e n\u00e3o me constranger. Fica a dica: todos os canalhas que conheci eram \u00f3timas pessoas nos primeiros contatos. N\u00e3o se deixem impressionar.<\/p>\n<p>A coisa virou rotina. Elemento Bem Apessoado ia malhar sempre no mesmo hor\u00e1rio que eu, e cada vez convers\u00e1vamos mais. At\u00e9 que um dia, muitas semanas depois, EBA me chamou para jantar. Topei.<\/p>\n<p>Quando cheguei ao restaurante, uma surpresa: ele estava fechado, sem clientes, apenas aguardando por n\u00f3s. Um restaurante japon\u00eas chique, completamente vazio. Olho para EBA e ele diz \u201cVoc\u00ea disse que n\u00e3o gosta de lugares cheios, de muito barulho nem de gente ouvindo sua conversa, ent\u00e3o, providenciei isso\u201d. Fiquei um pouco desconcertada, mas ok. Pensei que talvez ele tivesse amigos ali que poderiam ter quebrado esse galho para ele.<\/p>\n<p>Durante o jantar, descubro que EBA ocupava um alto posto militar, por\u00e9m, exercia fun\u00e7\u00e3o na corregedoria, que, para quem n\u00e3o sabe, \u00e9 algo 100% burocr\u00e1tico. Tenho ressalvas com militares no Rio de Janeiro, se voc\u00ea for assaltado ao lado de um, corre o risco de te matarem, mas como era uma fun\u00e7\u00e3o meramente burocr\u00e1tica, resolvi dar uma chance.<\/p>\n<p>O jantar foi muito agrad\u00e1vel. Elemento Bem Apessoado estava impecavelmente vestido, se portando de forma agrad\u00e1vel e genuinamente interessado na conversa. Conversamos sobre todos os assuntos e, ao aprofundar, confirmei: era mais inteligente e culto que eu. Estava admirada, nunca tinha visto aquelas toneladas de m\u00fasculos com tanto conte\u00fado do lado de dentro. Ao final do jantar, ganhei um beijo e um convite para uma nova sa\u00edda.<\/p>\n<p>Na segunda sa\u00edda com EBA, fomos a uma badalada boate, daquelas que tem filas enormes na porta. Quando chegamos e o seguran\u00e7a da boate viu Elemento Bem Apessoado, imediatamente abriu passagem e o colocou para dentro, comigo, sem pagar. Isso me gerou um grande espanto, pois nem globais tinham essa defer\u00eancia naquele lugar. Comecei a reparar melhor em EBA: rel\u00f3gio no pulso que valia um apartamento, carro caro&#8230; ser\u00e1 que um sal\u00e1rio de alta patente militar bancaria tudo isso? Bem, ele podia ser de fam\u00edlia rica. Fiquei na d\u00favida, por\u00e9m alerta.<\/p>\n<p>Elemento Bem Apessoado n\u00e3o bebia, n\u00e3o fumava era ateu, adorava malhar e falava cinco idiomas. Adorava c\u00e3es, chegou a chorar ao ver um filhote abandonado. Ajudava senhorinhas a atravessar a rua. Eram muitas qualidades e talvez tenham me cegado por mais tempo do que deveria. Era lindo de corpo e de rosto. Dan\u00e7ava bem (j\u00e1 tinha sido professor de dan\u00e7a na adolesc\u00eancia). Era radicalmente contra drogas. Era educado e carinhoso. S\u00f3 tinha um pequeno por\u00e9m, que eu acabei descobrindo um pouco tarde: era um dos milicianos mais perigosos do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, minha gente. No Rio o criminoso nem sempre \u00e9 um favelado que erra a concord\u00e2ncia com uma camiseta do Flamengo amarrada na cabe\u00e7a. Pode ser qualquer um. Eu j\u00e1 estava muito desconfiada de v\u00e1rios ind\u00edcios, como ele entrar em todos os lugares furando fila, nunca pagar nada e ser altamente bajulado por todos, mas um fato em especial fez acender a luz vermelha: todos os homens da academia sequer olhavam para mim quando souberam que eu estava saindo com ele.<\/p>\n<p>Se um dia voc\u00ea n\u00e3o receber cantadas em uma academia no Rio de Janeiro, nem um flerte leve, nem olhares, desconfie. Algo est\u00e1 fora da ordem mundial. Um professor, com o qual eu tive um passado amoroso, simplesmente n\u00e3o ficava a menos de 3 metros de mim. Eu falava com ele e ele n\u00e3o respondia, sa\u00eda correndo de perto. Fui perguntar por qual motivo ele estava se comportando assim comigo e ele disse que \u201cn\u00e3o queria problemas\u201d. Quando eu apertei, ele falou. Ainda finalizou a frase com um \u201cgosto muito de voc\u00ea, mas n\u00e3o quero morrer\u201d.<\/p>\n<p>E realmente, fazendo uma retrospectiva, todos os ind\u00edcios corroboravam para essa vers\u00e3o. Fui investigar, pois a internet tudo sabe e tudo v\u00ea. De fato era verdade. Aquele rapaz de olhos claros, que era um amor, que chorava em filme triste, era um miliciano que matava e mandava matar. N\u00e3o tinha outro jeito a n\u00e3o ser colocar um ponto final nessa hist\u00f3ria. Voc\u00eas j\u00e1 tentaram terminar com um miliciano? Pois \u00e9.<\/p>\n<p>Sa\u00ed para jantar com EBA no mesmo dia. Cheguei determinada a falar, com muito jeito, que n\u00e3o queria mais sair com ele, mas sem dizer o motivo real. Fomos ao mesmo restaurante japon\u00eas do primeiro encontro. Ele sentou, mas imediatamente se levantou como se estivesse desconfort\u00e1vel \u2013 e deveria estar, pois esqueceu uma arma no bolso. Tirou a arma da parte traseira da cal\u00e7a e colocou em cima da mesa, com a maior naturalidade do mundo.<\/p>\n<p>Eu estava p\u00e1lida, tentando manter a naturalidade, olhando para aquela arma em cima da mesa. N\u00e3o estou familiarizada com armas, nunca sequer peguei em uma. Parecia maior do que em filmes. Fiquei igual crian\u00e7a, tentando n\u00e3o olhar, mas olhando, provavelmente com os olhos esbugalhados. Os outros clientes do restaurante meio que se calaram quando ele puxou aquela arma e a colocou ostensivamente em cima da mesa. E ele, de boa. Nada estava acontecendo.<\/p>\n<p>N\u00e3o tive tempo de falar, ele abriu a conversa dizendo que a m\u00e3e dele queria me conhecer. Brinquei que era cedo para conhecer fam\u00edlia, afinal, n\u00e3o \u00e9ramos nada um do outro mas, de alguma forma isso n\u00e3o foi muito bem aceito. Ele ficou chateado e a coisa descambou em um longo discurso sobre como ele n\u00e3o gostava de ser &#8220;feito de palha\u00e7o&#8221;. Pedi desculpas (ainda olhando para a arma de relance) e disse que se n\u00e3o era isso o que ele esperava de mim, talvez fosse melhor cada um seguir o seu caminho. A resposta? \u201cningu\u00e9m termina comigo, eu, no m\u00e1ximo, fico vi\u00favo\u201d. Ok, ele falou brincando, mas o recado estava dado.<\/p>\n<p>Ali eu percebi a dor de cabe\u00e7a que seria dar um fora em uma pessoa com muito dinheiro, poder, intelig\u00eancia e que estava acostumada a nunca ser contrariada. Ele percebeu meu olhar de horror para a arma e brincou que eu n\u00e3o precisava ter medo pois era apenas um 38 e, segundo ele, \u201c38 \u00e9 arma de atirar em sogra e em amigo\u201d, que as armas realmente perigosas que ele tinha estavam muito bem guardadas (uma delas, debaixo do banco do carona do carro onde eu sentava, mas tudo bem).<\/p>\n<p>O jantar foi um show de horrores. N\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es de pagar para ver e meter a bronca de terminar. Era hora de pensar em outra sa\u00edda.<\/p>\n<p>EBA, agora Elemento Bandido Armado, me deixou em casa e, nesse dia, eu passei a noite em claro pensando em como escapar dessa merda. Resolvi que n\u00e3o ia contar para ningu\u00e9m, pois ningu\u00e9m poderia me ajudar e s\u00f3 causaria preocupa\u00e7\u00e3o e desespero nas pessoas.<\/p>\n<p>Era hora de uma solu\u00e7\u00e3o criativa. Tracei um plano: se eu n\u00e3o podia terminar com ele, ele \u00e9 que ia terminar comigo. Respirei fundo e, de encontro a tudo que prezo e acredito, comecei a mudar meu comportamento. Era hora de me tornar desagrad\u00e1vel, sem ser agressiva.<\/p>\n<p>Quando sa\u00edmos novamente, fiz quest\u00e3o de n\u00e3o me depilar. Levantava os bra\u00e7os me espregui\u00e7ando para que ele visse as axilas cabeludas, somado a um discurso &#8220;meu corpo minhas regras&#8221;. Fiz uma introdu\u00e7\u00e3o dizendo que agora que a coisa estava ficando s\u00e9ria e que eu ia conhecer a m\u00e3e dele, estava me sentindo muito mais \u00e0 vontade para ser quem eu realmente sou. Em um esfor\u00e7o enorme, soltei um arroto na mesa.<\/p>\n<p>Palitei os dentes, mastiguei de boca aberta. Espremi cravos do nariz usando faca como espelho. Senhores, eu fiz todo tipo de nojeira que voc\u00eas possam imaginar. EBA parecia em choque, bastante incomodado, mas isso n\u00e3o bastou. Dias depois veio outro convite para sair. Era hora de fazer pior.<\/p>\n<p>Tudo que faltou fazer de nojeira eu fiz no segundo encontro, inclusive, e \u00e9 com muita vergonha que o conto, pedir sil\u00eancio a ele, peidar no carro. Depois mandei ele cheirar e adivinhar o que eu comi. Disse que essa era uma brincadeira que eu adorava fazer. Tirei meleca do nariz. Fiz atrocidades est\u00e9ticas e higi\u00eanicas, acho que morri um pouco por dentro tamanha a tristeza de ter que protagonizar aquilo, mas voltei para casa confiante: depois de uma semana fazendo as piores nojeiras, nunca mais este filho duma puta me liga.<\/p>\n<p>Mas ligou. A\u00ed entrei em desespero. Se nem fazer o cara cheirar meu peido e adivinhar o que eu comi tinha afastado essa pessoa, ent\u00e3o eu n\u00e3o sabia mais o que fazer.<\/p>\n<p>Resolvi estudar o assunto. Conversei com amigas, fui at\u00e9 a internet ler relatos, pesquisei onde podia o que as mulheres faziam que levava os homens a dar um fora nelas. Foram tr\u00eas dias de imers\u00e3o, pesquisando dia e noite em rede social, f\u00f3runs e em todas as fontes que eu podia, recriando os \u00faltimos passos das mulheres que levaram um fora para entender o que fazer.<\/p>\n<p>Mas valeu a pena, por mais que elas n\u00e3o soubessem o que fizeram de errado, seus lamentos e desabafos me ajudaram. Eu encontrei um denominador comum na maioria dos casos. S\u00f3 precisava colocar em pr\u00e1tica. Eu mesma chamei o Elemento Bandido Armado para sair.<\/p>\n<p>Fui linda, arrumada, cheirosa. Me portei como uma lady, bem mulherzinha, para compor o papel que iria protagonizar naquela noite. Ele ficou muito feliz em me ver assim, at\u00e9 comentou que eu andava estranha na \u00faltima semana e que gostava mais de mim assim. Foi quando comecei. Disse que queria que ele soubesse como me sinto e ele ficou prestando aten\u00e7\u00e3o, interessado. Seguem abaixo algumas frases que disse, no meio de um contexto que eu fui criando:<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea quer me apresentar \u00e0 sua m\u00e3e, acho melhor noivar, se a gente noivar este m\u00eas, d\u00e1 para casar em maio do ano que vem, m\u00eas das noivas, o que voc\u00ea acha?\u201d<\/p>\n<p>\u201cMeu sonho \u00e9 ter quatro filhos, j\u00e1 tenho at\u00e9 os nomes para eles: Fulano, fulano, fulano e fulano. J\u00e1 at\u00e9 parei de tomar p\u00edlula, pois tenho certeza que voc\u00ea seria o melhor pai do mundo\u201d<\/p>\n<p>\u201cQuero casar de branco, em uma festa enorme, j\u00e1 reservei at\u00e9 um lugar\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vejo a hora de morarmos juntos!\u201d<\/p>\n<p>\u201cPosso marcar a data do casamento? Para quando?\u201d<\/p>\n<p>Foram umas duas horas de discurso todo nesse sentido: casar, morar junto, ter filhos. Fui carente, grudenta, ciumenta, insistente. Uma esp\u00e9cie de ejacula\u00e7\u00e3o precoce de relacionamento. Planejei festa e lugar do casamento, mostrando fotos. EBA foi ficando p\u00e1lido. Falei como queria meu vestido de noiva. Falei o nome dos nossos quatro filhos. Falei, falei, falei sem parar.<\/p>\n<p>Terminei a noite dando a medida do meu dedo para ele, para que compre logo nossas alian\u00e7as. Adivinha se essa porra n\u00e3o sumiu? Nunca mais ligou. Mas n\u00e3o foi s\u00f3 isso. Nosso amigo miliciano fugia de mim quando me via na academia, atravessava quando me encontrava na rua. Senhoras e Senhores, um dos milicianos mais perigosos do Rio se cagou de medo de mim.<\/p>\n<p>O saldo final que eu tiro dessa hist\u00f3ria \u00e9: homem prefere at\u00e9 mulher porca a mulher que o sufoca. Foi uma li\u00e7\u00e3o de vida onde eu pude verificar, na pr\u00e1tica, o quanto homem (por mais poderoso que seja) se apavora quando h\u00e1 iniciativa e press\u00e3o de firmar um compromisso parte da mulher.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se tem algo de bom nessa hist\u00f3ria tenebrosa foi aprender e aconselhar que, independente de tempos, feminismo ou contexto, evitem fazer press\u00e3o para estabelecer um compromisso s\u00e9rio com homem. Suas chances s\u00e3o maiores de voc\u00ea n\u00e3o o fizer e acabar partindo dele.<\/p>\n<p>Desse dia em diante eu decidi que se eu tiver interesse em um relacionamento s\u00e9rio mas a coisa n\u00e3o caminhar para o desfecho que eu quero, eu simplesmente me afasto do homem e ponto final. Morrerei sem cobrar compromisso, namoro, fidelidade, casamento ou o que for. Essa cobran\u00e7a parece ser o que h\u00e1 de mais repulsivo para o universo masculino.<\/p>\n<p>Ah sim&#8230; para fechar a hist\u00f3ria: Nosso amigo miliciano foi encontrado morto muitos anos depois. Se tivesse tanto medo do crime como tinha de compromisso s\u00e9rio, talvez estivesse vivo.<\/p>\n<p>Para dizer que em vez de pol\u00edcia a Seguran\u00e7a P\u00fablica deveria ser feita por mulheres carentes, para dizer que voc\u00ea teria mais medo da Sally Porca que da Sally Carente ou ainda para dizer que j\u00e1 testou esse m\u00e9todo involuntariamente e comprovou sua efici\u00eancia: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 a hist\u00f3ria sobre como enfrentei um miliciano perigoso do Rio de Janeiro. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria de tribunal, ou de persegui\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma das muitas derrotas que vivi, e que j\u00e1 prescreveram pelo decurso do tempo, podendo ser contada sem perigo. Senta e pega a pipoca, esta \u00e9 a hist\u00f3ria sobre como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11747,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-11746","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eu-desfavor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11746"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11746\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40102,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11746\/revisions\/40102"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}