{"id":11922,"date":"2017-08-07T14:32:02","date_gmt":"2017-08-07T17:32:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=11922"},"modified":"2025-11-25T10:33:46","modified_gmt":"2025-11-25T13:33:46","slug":"saudades-em-serie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2017\/08\/saudades-em-serie\/","title":{"rendered":"Saudades em s\u00e9rie."},"content":{"rendered":"<p>Tudo o que \u00e9 bom acaba, dizem por a\u00ed. Sally e Somir nem sempre se contentam com essa sabedoria popular, e sentem falta de algumas s\u00e9ries. Obviamente, s\u00e9ries diferentes. Os impopulares exploram sua saudade.<\/p>\n<h6>Tema de hoje: qual s\u00e9rie deixou mais saudade?<\/h6>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Breaking Bad. N\u00e3o que a s\u00e9rie que a Sally escolheu seja ruim, muito pelo contr\u00e1rio. Mas sentir saudade de uma s\u00e9rie que segue uma f\u00f3rmula epis\u00f3dica ao inv\u00e9s de um arco maior n\u00e3o \u00e9 exatamente a mesma coisa. Breaking Bad foi provavelmente uma das primeiras s\u00e9ries nesse formato de arco longo que a maioria de n\u00f3s nos viciamos (convenhamos que a cultura de s\u00e9ries demorou pra pegar por essas bandas).<\/p>\n<p>Breaking Bad veio numa \u00e9poca onde come\u00e7aram a reverter um pouco o conceito de her\u00f3i da trama em s\u00e9ries: o her\u00f3i falho como tantos outros, mas falho o suficiente para ser amb\u00edguo na torcida gerada nos espectadores. Qualidade de protagonista por qualidade de protagonista, posso at\u00e9 ceder o ponto que o escolhido pela Sally era mais divertido, mas\u2026 perto da dualidade \u201cheisenberguiana\u201d de Walter White, tinha a profundidade de um pires.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie deixa mais saudades porque sabia desenvolver a hist\u00f3ria com a hist\u00f3ria em primeiro plano. Outras s\u00e9ries mais formulaicas de \u201ccaso da semana\u201d sempre eram obrigadas a colocar o desenvolvimento de personagens em segundo plano, e manter tudo suficientemente aberto para que fosse simples para uma pessoa pegar a s\u00e9rie de qualquer epis\u00f3dio e curtir normalmente. Breaking Bad n\u00e3o perdoava: era um emaranhado de tramas e tens\u00f5es crescentes que se visto separadamente, n\u00e3o tinha um mil\u00e9simo do impacto que teria sequencialmente. N\u00e3o dava pra perder o epis\u00f3dio anterior, e muito menos o seguinte.<\/p>\n<p>N\u00e3o se estava investido apenas no carisma de uma personagem, at\u00e9 porque personagens carism\u00e1ticas n\u00e3o eram o forte da s\u00e9rie, o investimento era na trama, onde o pr\u00f3ximo cap\u00edtulo n\u00e3o poderia ser negligenciado. O \u201cshowrunner\u201d da s\u00e9rie contou em entrevistas que os roteiristas estavam todos focados em se colocar armadilhas na trama, coisas que dariam um trabalho enorme para explicar e que prendiam a hist\u00f3ria em bases complexas, num termo da l\u00edngua inglesa que pode-se traduzir literalmente como \u201cse escrever num canto\u201d. Com essa press\u00e3o, a s\u00e9rie continuava extremamente tensa, e os espectadores sentiam-se t\u00e3o amarrados nas premissas e consequ\u00eancias da hist\u00f3ria como as personagens.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 sentir uma tens\u00e3o que voc\u00ea sabe que basicamente vai acabar at\u00e9 o fim do epis\u00f3dio, outra completamente diferente \u00e9 ver o caminho do protagonista num \u201ccanto\u201d t\u00e3o apertado que come\u00e7a a parecer imposs\u00edvel escapar dele. Quando Walter conseguia alguma solu\u00e7\u00e3o improv\u00e1vel para os problemas, n\u00e3o era s\u00f3 o resultado da \u201cm\u00e1gica do protagonista\u201d agindo (como acontecia muito com a escolha da Sally), era uma a\u00e7\u00e3o desesperada, perigosa e incomodamente compreens\u00edvel por quem acompanhava a s\u00e9rie.<\/p>\n<p>Porque Breaking Bad tinha muito disso: te tornava c\u00famplice. Quando voc\u00ea v\u00ea uma pessoa se enfiando em buracos cada vez maiores e come\u00e7a a imaginar o que voc\u00ea faria pra escapar daquilo, \u00e9 natural sentir alguma empatia. Walter White era inteligente acima da m\u00e9dia, mas n\u00e3o tinha superpoderes. E quanto mais ele se afundava, mais uma parte de sua personalidade surgia, aquela que sempre nos deixava na d\u00favida qual dos dois lados de Walter era o principal. Tenho discuss\u00f5es at\u00e9 hoje com outros f\u00e3s da s\u00e9rie sobre Heisenberg e Walter.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie n\u00e3o s\u00f3 era um show de tens\u00e3o, como tamb\u00e9m dava um baile na escolhida pela Sally nas personagens secund\u00e1rias. Tanto que a Netflix soltou uma s\u00e9rie contando a hist\u00f3ria de alguns deles, e j\u00e1 est\u00e1 indo pra terceira temporada! Um advogado pilantra de Breaking Bad &#8211; que nem aparece tanto assim nos epis\u00f3dios \u2013 j\u00e1 deu uma s\u00e9rie excelente. At\u00e9 porque essas personagens n\u00e3o estavam l\u00e1 para serem meras escadas para o protagonista, cada um tinha sua hist\u00f3ria e todas entravam em conflito.<\/p>\n<p>Sem contar o seguinte: essas personagens secund\u00e1rias despertavam sentimentos, eu passei a s\u00e9rie odiando a mulher do Walter, mas no finalzinho, eu n\u00e3o pude evitar de entender melhor o lado dela. Estava l\u00e1 o tempo todo, mas era t\u00e3o bem escrito e desenvolvido que n\u00f3s, os espectadores, contra\u00edmos a mesma cegueira do protagonista. N\u00e3o que tenha s\u00f3 uma interpreta\u00e7\u00e3o, mas cada pessoa na s\u00e9rie tinha algo de compreens\u00edvel, inclusive os \u201cvil\u00f5es\u201d, e escrevo entre aspas porque at\u00e9 o pr\u00f3prio protagonista fazia esse papel de tempos em tempos.<\/p>\n<p>Por essa din\u00e2mica entre personagens, pela hist\u00f3ria baseada em tens\u00e3o e consequ\u00eancias dos atos, pela mania \u201cperigosa\u201d dos roteiristas de se colocarem em armadilhas o tempo todo, poucas s\u00e9ries geravam tanta antecipa\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo epis\u00f3dio como Breaking Bad. Com exce\u00e7\u00e3o de Game of Thrones (que j\u00e1 entrou naquele modo LOST de querer ver porque vai acabar), nenhuma outra s\u00e9rie consegue fazer isso com o p\u00fablico atualmente. Sim, v\u00e1rias s\u00e3o muito boas e interessantes, mas as que n\u00e3o perdem o f\u00f4lego s\u00e3o uma raridade. E Breaking Bad continuou em alta o tempo todo, inclusive ganhando a maior parte de sua popularidade no final. N\u00e3o era uma s\u00e9rie que s\u00f3 funcionava para quem gostava do protagonista, era uma experi\u00eancia que muita gente precisava viver.<\/p>\n<p>E por mais que eu admita que terminou bem, sem se arrastar demais, a saudade \u00e9 tanta que o spin-off funcionou pra isso. Better Call Saul \u00e9 a maior prova que Breaking Bad deixou saudades demais.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que est\u00e1 com saudades de temas interessantes, para dizer que tem saudade das mulheres peladas no GoT, ou mesmo para dizer que nunca ouviu falar disso: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Inesquec\u00edvel, apesar dos seus defeitos, apesar das decep\u00e7\u00f5es que te causou, apensar at\u00e9 de um t\u00e9rmino um pouco traum\u00e1tico. Quando h\u00e1 amor, as boas lembran\u00e7as superam tudo. Qual \u00e9 o seu seriado inesquec\u00edvel? O meu \u00e9 House.<\/p>\n<p>N\u00e3o digo que seja o meu seriado favorito de todos os tempos, talvez nem seja, mas \u00e9 aquele de quem eu sinto mais saudade. House foi um seriado m\u00e9dico fora do comum, com uma estrutura e narrativa \u00fanica. Eu vejo outros bons seriados m\u00e9dicos, como Greys Anatomy, por exemplo, mas nunca ningu\u00e9m conseguiu preencher o espa\u00e7o que o Dr. House deixou no meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para come\u00e7o de conversa, o protagonista era um escroto politicamente incorreto, ateu, machista e grosseiro. Eu n\u00e3o seria amiga dele, mas como personagem, \u00e9 interessante. N\u00e3o vemos muitos seriados por a\u00ed onde o protagonista re\u00fane tantos &#8220;predicados&#8221;, a moda \u00e9 que o protagonista seja o bom mocinho. \u00c9 absurdamente desafiador escrever um roteiro onde voc\u00ea tem que fazer o p\u00fablico gostar de um sujeito desses, ainda mais nos dias de hoje.<\/p>\n<p>House n\u00e3o era uma boa pessoa, nem mesmo l\u00e1 no fundinho. House era um escroto leg\u00edtimo, e n\u00f3s gost\u00e1vamos dele justamente por isso. At\u00e9 mesmo Dexter, um psicopata que matava gente dia sim, dia tamb\u00e9m, era melhor pessoa que House: amava o filho, era um bom pai e vira e mexe se sensibilizava e fazia a coisa certa. House n\u00e3o, ele cagava para os pacientes, n\u00e3o se apegava a eles e os tratava declaradamente como inferiores.<\/p>\n<p>House n\u00e3o tinha filhos. N\u00e3o tinha esposa. House era insubordinado com seus superiores, abusivo com seus funcion\u00e1rios e desrespeitoso com seus pacientes. E n\u00f3s o am\u00e1vamos e torc\u00edamos por ele. Percebem o m\u00e9rito do roteiro? House \u00e9 um milagre do mundo dos roteiros. Por anos, torcemos para o mais filho da puta, em detrimento de pessoas \u201cboas\u201d que trabalhavam naquele hospital.<\/p>\n<p>Vale lembrar que era um seriado onde cada epis\u00f3dio tinha come\u00e7o, meio e fim, ao contr\u00e1rio da maior parte dos seriados atuais, que funcionam como novelinhas, onde se deixa um desfecho intrigante para que a pessoa queira assistir ao pr\u00f3ximo epis\u00f3dio. N\u00e3o, House conclu\u00eda suas hist\u00f3rias e come\u00e7ava uma narrativa nova no seriado seguinte e, mesmo assim, n\u00f3s est\u00e1vamos l\u00e1 assistindo, foda-se o que ia acontecer, apenas para ver ele sendo escroto, independente de qualquer mist\u00e9rio ou suspense.<\/p>\n<p>House n\u00e3o tinha romance. Eventualmente algu\u00e9m se envolvia com algu\u00e9m, mas romance? N\u00e3o, envolvimento amoroso nunca foi o foco central. N\u00e3o era um seriado para discutir o clich\u00ea do relacionamento homem\/mulher. O protagonista passou a maior parte do seriado sozinho (e assim terminou). O roteiro era bom demais, n\u00e3o precisava de traminhas e intrigas de amor e sentimento. \u00c9 um patamar invej\u00e1vel de habilidade na escrita. O personagem era t\u00e3o forte, interessante e bem estruturado que ele, sozinho, nos fazia querer ver o seriado. Nunca houve um personagem com a for\u00e7a do Dr. House.<\/p>\n<p>O seriado tratava de temas desagrad\u00e1veis: doen\u00e7a, interna\u00e7\u00e3o, morte. E n\u00e3o se preocupava em ter leveza para tratar desses assuntos. E mesmo assim a gente acompanhava. N\u00e3o era aquela garantia de final feliz que muitos seriados tem, com frequ\u00eancia as coisas davam errado, pacientes morriam e at\u00e9 m\u00e9dicos morriam. Mesmo assim, a gente gostava. Na real? Pouco importava a hist\u00f3ria da vez, House era um seriado de personagem, a gente ligava a TV para ver o Dr. House sendo escroto, falando o que muitas vezes temos vontade de falar mas nos censuramos em nome de uma vida em sociedade mais pac\u00edfica. House lavava a nossa alma.<\/p>\n<p>A forma machista e pejorativa com que House tratava Cameron, m\u00e9dica da sua equipe que durante muito tempo foi apaixonada por ele, irritaria a mais light das feministas. A forma quase criminosa com que ele cavava diagn\u00f3sticos (como por exemplo, invadir a casa do paciente \u00e0 procura de ind\u00edcios), altamente reprov\u00e1vel, acabou bem aceita. A premissa dele de desacreditar sempre do paciente (\u201cEverybody lies\u201d) o faria levar diversos processos na vida real.<\/p>\n<p>Mas a gente acompanhava o Dr. House e torcia por ele &#8211; n\u00e3o pelo paciente. No fim das contas a gente queria ver o House tendo raz\u00e3o e sambando na cara da sociedade. Se, para que House saia por cima e tenha raz\u00e3o o paciente tivesse que morrer, os f\u00e3s do seriado n\u00e3o se importavam. Repito: \u00e9 o roteiro mais milagroso que eu j\u00e1 vi.<\/p>\n<p>Era um seriado extremamente trabalhoso de se escrever. Casos m\u00e9dicos rar\u00edssimos fielmente retratados, simula\u00e7\u00f5es perfeitas de condi\u00e7\u00f5es de doen\u00e7as e hospitais. Aten\u00e7\u00e3o aos mais pequenos detalhes. A forma como a hist\u00f3ria era contada tamb\u00e9m foi um ponto fora da curva: sem rodeios, sem panos quentes, com pouqu\u00edssimas tramas secund\u00e1rias, sem problematiza\u00e7\u00e3o. Era o Dr. House sendo escroto, esfregando verdades inconvenientes na cara das pessoas e provando como pacientes s\u00e3o est\u00fapidos.<\/p>\n<p>House \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de racioc\u00ednio l\u00f3gico e aten\u00e7\u00e3o aos detalhes. Uma esp\u00e9cie de Agatha Christie de doen\u00e7as. Ao longo do epis\u00f3dio diversas pistas flutuavam no ar de uma forma t\u00e3o truncada que apenas mentes muito atentas e afiadas conseguiam perceber. House, al\u00e9m de entretenimento, era exerc\u00edcio de l\u00f3gica e criatividade: tentar adivinhar o que estava acontecendo com o paciente exercitava o c\u00e9rebro,<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para deixar de citar a atua\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel de Hugh Laurie, que camuflava perfeitamente seu sotaque ingl\u00eas falando de forma \u201camericanizada\u201d, que acertou o tom azedo do personagem, que tornou palat\u00e1vel e digno de afeto um grande filho da puta escroto. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil subverter o que entendemos por um bom m\u00e9dico (atencioso, humano, gentil) e mostrar um bom m\u00e9dico com comportamento arrogante, babaca e agressivo.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos que House sofria de uma defici\u00eancia f\u00edsica, era manco de uma perna, sequela de um problema m\u00e9dico do passado. Mas n\u00e3o havia a menor sombra nem de vitimiza\u00e7\u00e3o nem de exemplo de supera\u00e7\u00e3o. Nunca foi um seriado panflet\u00e1rio, para exaltar a vit\u00f3ria de um deficiente. House era um escroto filho da puta, isso era muito maior do que sua defici\u00eancia. N\u00e3o havia problematiza\u00e7\u00e3o de sua condi\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o sobre sentimentos ou limita\u00e7\u00f5es. Por sinal, at\u00e9 se brincava com isso: uma vez Wilson chegou a serrar a bengala do House como vingan\u00e7a e ele caiu no ch\u00e3o quando foi andar e&#8230; todos est\u00e1vamos autorizados a rir disso. Pois \u00e9, era um seriado meio que sem limites. Tem como n\u00e3o amar?<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o temos nada nem parecido com House no ar. E acredito que nem se possa ter, pois geraria uma tsunami de protestos e rejei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o d\u00e1 mais para tratar mulher como House tratava Cameron, desacreditando de sua capacidade profissional por causa dos seus horm\u00f4nios, nem mesmo para compor um personagem escroto. N\u00e3o pode mais ser dito. N\u00e3o d\u00e1 mais para fazer metade das coisas que House fazia ou falava sem causar uma rejei\u00e7\u00e3o monstruosa. House foi bom enquanto durou, hoje ele n\u00e3o teria mais espa\u00e7o e \u00e9 justamente por isso que eu sinto falta: sei que nunca mais vou encontrar algu\u00e9m como ele.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu obviamente esqueci como foi a \u00faltima temporada, para dizer que o Dr. Cox de Scrubs era pior do que House ou ainda para dizer que n\u00e3o viu House e ter o meu desprezo: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo o que \u00e9 bom acaba, dizem por a\u00ed. 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