{"id":12091,"date":"2017-09-21T09:40:57","date_gmt":"2017-09-21T12:40:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=12091"},"modified":"2017-09-21T09:42:06","modified_gmt":"2017-09-21T12:42:06","slug":"o-incidente-do-passo-de-dyatlov","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2017\/09\/o-incidente-do-passo-de-dyatlov\/","title":{"rendered":"O incidente do Passo de Dyatlov."},"content":{"rendered":"<p>R\u00fassia, 1959. Um grupo de nove esquiadores, estudantes do Instituto Polit\u00e9cnico de Ural, deixa de dar not\u00edcias por v\u00e1rios dias ap\u00f3s partirem numa expedi\u00e7\u00e3o pela regi\u00e3o montanhosa local. Os administradores do Instituto mandam equipes de busca para a \u00e1rea. Alguns dias depois, finalmente encontram seus corpos num local que agora \u00e9 conhecido como Passo de Dyatlov. Mas a forma como os encontram gera um dos maiores mist\u00e9rios n\u00e3o resolvidos at\u00e9 hoje\u2026<!--more--><\/p>\n<p>Os estudantes da atual Universidade Federal do Ural queriam completar uma trilha para esquiadores considerada uma das mais dif\u00edceis do tipo, tentando alcan\u00e7ar e esquiar numa montanha chamada Otorten, dez quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de onde seus corpos foram encontrados. Quase dez dias depois do prazo em que deveriam mandar not\u00edcias por tel\u00e9grafo na cidade no final da rota, nenhum sinal deles. As equipes de busca trabalharam por seis dias at\u00e9 finalmente encontrarem o grupo, aos p\u00e9s da \u201cMontanha dos Mortos\u201d, nome que j\u00e1 tinha antes do incidente, diga-se de passagem.<\/p>\n<p>Embora tr\u00e1gico por natureza, encontrar pessoas mortas em expedi\u00e7\u00f5es do tipo por si s\u00f3 n\u00e3o era nada surpreendente, afinal, se ir para o meio do mato j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 muito seguro normalmente, numa \u00e1rea onde o mato \u00e9 neve as coisas ficam bem mais complexas. A trilha que faziam j\u00e1 tinha sido completada algumas vezes, mas era considerada Categoria III, a mais dif\u00edcil do g\u00eanero. Depois de tantos dias, n\u00e3o havia muita esperan\u00e7a de encontrar sobreviventes mesmo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 aqui que as coisas come\u00e7am a sair do comum. No dia 26 de Fevereiro de 1959 o grupo que os procurava se depara com o acampamento dos estudantes. Abandonado e quase soterrado pela neve. Ali, os primeiros sinais de que algo estava muito estranho: as barracas estavam cortadas, n\u00e3o rasgadas mas cortadas por uma faca, e pela dire\u00e7\u00e3o das fibras, cortadas de dentro para fora. Haviam pegadas na neve em dire\u00e7\u00e3o a um bosque pr\u00f3ximo. Seguindo-as, as equipes de resgate encontraram os restos de uma fogueira embaixo de um grande pinheiro. E com ela, os dois primeiros corpos.<\/p>\n<p>Esses dois primeiros estavam descal\u00e7os e usando apenas roupa de baixo. Lembrando que o local costumava ter temperaturas na m\u00e9dia dos -30\u00b0 nessa \u00e9poca do ano. Logo depois, foram encontrados mais tr\u00eas corpos, enterrados pela neve. Os tr\u00eas pareciam estar voltando para o acampamento quando morreram. Os outros quatro corpos foram encontrados mais de dois meses depois, soterrados por mais de quatro metros de neve um pouco mais distantes do acampamento.<\/p>\n<p>O inqu\u00e9rito criado na sequ\u00eancia partiu da presun\u00e7\u00e3o mais \u00f3bvia de hipotermia como a causa da morte dos esquiadores, pela falta de ferimentos externos que parecesse fatais. Mas foram os quatro corpos encontrados depois que come\u00e7aram a sugerir algo diferente: tr\u00eas deles apresentavam ferimentos fatais, mas n\u00e3o externos. Um com uma fratura no cr\u00e2nio e dois com fraturas extensas no t\u00f3rax. Apenas o outro tinha um ferimento mais \u00f3bvio: estava com a l\u00edngua faltando. Al\u00e9m disso, suas roupas tinham n\u00edveis elevados de radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os legistas sugeriram na \u00e9poca que os ferimentos fatais dos tr\u00eas corpos s\u00f3 poderiam ser causados por uma for\u00e7a consider\u00e1vel, mas mesmo assim, a investiga\u00e7\u00e3o foi fechada com a conclus\u00e3o de morte por for\u00e7as desconhecidas. Obviamente que isso nunca saciou a curiosidade das pessoas, mas algumas for\u00e7as entraram em a\u00e7\u00e3o logo em seguida. A fase final das buscas foi organizada pelos militares russos, que fecharam a \u00e1rea pelos tr\u00eas anos seguintes. O local, desolado, fazia parte de uma \u00e1rea de testes deles pelos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, o que aconteceu no passo de Dyatlov? N\u00e3o \u00e9 um mist\u00e9rio \u00e0 toa: ningu\u00e9m conseguiu bater o martelo ainda sobre quais foram os motivos. Mas algumas teorias s\u00e3o mais plaus\u00edveis que outras. Vamos primeiro passar pelas mais extraordin\u00e1rias: alien\u00edgenas e uma esp\u00e9cie de abomin\u00e1vel homem das neves do folclore russo. Como existem relatos de pessoas vendo orbes luminosos nos c\u00e9us n\u00e3o muito longe dali, e o fato das roupas de alguns deles estarem radioativas, foi feita a conex\u00e3o. O problema da teoria dos aliens \u00e9 que\u2026 bom, s\u00e3o aliens. Alega\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias exigem provas extraordin\u00e1rias, e n\u00e3o temos isso dispon\u00edvel. O fato de alguns dos corpos estarem com ferimentos internos compat\u00edveis com um acidente automotivo fez muitos acreditarem que uma esp\u00e9cie de Yeti atacou o grupo. Mesmo assim, pelos mesmos motivos, faz mais sentido explorar outras possibilidades.<\/p>\n<p>Avalanche: a \u00e1rea n\u00e3o \u00e9 conhecida por avalanches, mas onde h\u00e1 neve, h\u00e1 o risco. Depois de uma avalanche, o grupo se viu preso na barraca, tendo que cort\u00e1-la de dentro para fora. Ou mesmo o p\u00e2nico de uma iminente pode ter gerado o comportamento. As roupas incompat\u00edveis com o frio e at\u00e9 mesmo desconjuntadas como encontradas nos outros podem ser explicadas como o p\u00e2nico de sair correndo dali logo ap\u00f3s acordarem. Os danos aos corpos encontrados mais enterrados na neve seriam causados pelo peso da neve. A l\u00edngua faltando provavelmente a\u00e7\u00e3o de algum predador local.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a \u00e1rea n\u00e3o parecia ter sofrido uma avalanche, pelos padr\u00f5es da neve nos arredores e tamb\u00e9m porque pela dire\u00e7\u00e3o em que os corpos foram encontrados, os primeiros deveriam estar numa neve bem mais profunda que os \u00faltimos. E foi justamente o contr\u00e1rio. Sem contar que dois dos integrantes da expedi\u00e7\u00e3o eram esquiadores experientes e dificilmente montariam acampamento no caminho de uma poss\u00edvel avalanche.<\/p>\n<p>Infrassom: A audi\u00e7\u00e3o humana consegue captar uma faixa dos sons poss\u00edveis, e quando a frequ\u00eancia deles fica abaixo dessa faixa, temos os infrassons. \u00c9 poss\u00edvel que a passagem do ar por montanhas e vales gere sons desse tipo, e poderosos, por sinal. Estudos sugerem que seres humanos podem ficar desorientados se expostos a sons do tipo, mesmo que n\u00e3o consigam registrar a passagem deles pelos seus corpos. Os esquiadores entraram em p\u00e2nico e sa\u00edram desesperados da barraca durante a noite, n\u00e3o conseguindo voltar e morrendo pela hipotermia. Isso s\u00f3 n\u00e3o explica os ferimentos, ou mesmo a radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desnudamento paradoxal: uma parcela consider\u00e1vel das mortes por hipotermia \u00e9 atribu\u00edda a esse fen\u00f4meno. Pessoas com frio extremo come\u00e7am a ficar desorientadas, algumas sentindo um calor extremo (falso) que as fazem come\u00e7ar a arrancar as roupas. E isso \u00e9 fatal nesses casos. Quem faz resgate em montanhas \u00e9 treinado para esperar isso ao encontrar v\u00edtimas, o hipot\u00e1lamo come\u00e7a a falhar nessas condi\u00e7\u00f5es extremas e n\u00e3o consegue mais regular a temperatura do corpo. Isso explica o porqu\u00ea de alguns dos esquiadores estarem s\u00f3 com roupa de baixo e outros estarem com partes da roupa faltando. Mas n\u00e3o explica muito bem os ferimentos e a radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Testes militares: existem relatos dos russos testando \u201cminas de paraquedas\u201d mais ou menos nessa \u00e9poca e local. S\u00e3o bombas que caem de avi\u00f5es em paraquedas e explodem a poucos metros do ch\u00e3o. O tipo de dano encontrado nos corpos dos esquiadores faz sentido com esse tipo de explos\u00e3o, muito mais concentrados no interior do que no exterior do corpo. Essa teoria \u00e9 baseada na ideia de que os corpos foram colocados naquelas posi\u00e7\u00f5es e que a barraca estava montada de forma estranha para pessoas com a experi\u00eancia que os estudantes tinham. A radioatividade de algumas das roupas dos corpos tamb\u00e9m poderia ser explicada por testes militares, embora se fosse uma explos\u00e3o, a radia\u00e7\u00e3o deveria estar espalhada uniformemente, o que n\u00e3o foi o caso.<\/p>\n<p>Os arquivos do caso s\u00f3 foram liberados pelo ex\u00e9rcito vermelho no final dos anos 80, e mesmo assim, com muitas partes censuradas. Mas esconder dados sobre a\u00e7\u00f5es militares era t\u00e3o padr\u00e3o para os militares sovi\u00e9ticos ao ponto de n\u00e3o ser surpresa nenhuma tantas partes apagadas.<\/p>\n<p>Ataque de animais ou de tribos locais: nenhuma dessas teorias tem muita for\u00e7a pela aus\u00eancia de pegadas de qualquer outra coisa que n\u00e3o os esquiadores na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Orgia b\u00eabada resultando em briga: o grupo era composto por sete homens e duas mulheres. Tecnicamente, poderia ter sa\u00eddo uma briga durante um momento desses (por isso alguns encontrados com pouca roupa), mas n\u00e3o havia \u00e1lcool nos pertences dos estudantes, e nenhum humano seria capaz de gerar os ferimentos encontrados nos corpos.<\/p>\n<p>Nenhuma explica\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje conseguiu explicar todos os elementos da cena encontrada pela equipe de busca, sendo que a que chega mais perto \u00e9 a da avalanche. Talvez tenha sido uma mistura de algumas dessas explica\u00e7\u00f5es, ou nenhuma delas. At\u00e9 por isso quem aposta em alien\u00edgenas ou abomin\u00e1veis homens das neves tem alguma desculpa para pensar dessa forma. O incidente do passo de Dyatlov (o local recebeu o nome do l\u00edder da excurs\u00e3o, Igor Dyatlov) permanece um dos maiores mist\u00e9rios forenses da hist\u00f3ria humana. E agora voc\u00ea tamb\u00e9m pode formular a sua teoria\u2026<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dyatlov-pass.com\">Site com v\u00e1rias fotos e detalhes aqui.<\/a><\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que n\u00e3o est\u00e1 dizendo que foram aliens, mas foram aliens; para dizer que o mist\u00e9rio foi n\u00e3o encontrarem vodka, ou mesmo para dizer o que acha que aconteceu: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>R\u00fassia, 1959. 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