{"id":12607,"date":"2017-12-26T09:00:00","date_gmt":"2017-12-26T11:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=12607"},"modified":"2025-12-15T17:36:21","modified_gmt":"2025-12-15T20:36:21","slug":"a-menina-que-gritava-assedio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2017\/12\/a-menina-que-gritava-assedio\/","title":{"rendered":"A menina que gritava ass\u00e9dio."},"content":{"rendered":"<p>Era uma vez uma mocinha que trabalhava em uma empresa com muitos coleguinhas. A mocinha se esfor\u00e7ava, mas fazia apenas um trabalho razo\u00e1vel, nunca conseguia se destacar em nada. Seu Papai e sua Mam\u00e3e sempre deram mais aten\u00e7\u00e3o a outras coisas, fazendo com que a mocinha se sinta deixada de lado. Ela s\u00f3 queria ser especial.<!--more--><\/p>\n<p>Esta mocinha tinha um amigo oculto, chamado Inconsciente, que tentava aconselh\u00e1-la de tempos em tempos. Por\u00e9m, nem sempre a mocinha entendia os conselhos do Inconsciente da forma correta, pois em vez de se dedicar a tentar escut\u00e1-lo e entender a forma como ele se comunicava, ela passava seu tempo investindo em outros amigos, na verdade, falsos amigos, como o Facebook, o Instagram e o WhatsApp, que apenas tomavam seu tempo e lhe faziam mal sem que ela perceba.<\/p>\n<p>Seus falsos amigos a faziam se sentir querida, mas, como tudo que \u00e9 falso, esta sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era totalmente satisfat\u00f3ria. O Inconsciente tentou avisar \u00e0 mocinha que aquele n\u00e3o era o caminho, mas ela estava muito ocupada para ouvi-lo. Ele tentou de tudo: falar com ela em sonhos, mandar sinais em seu corpo e at\u00e9 impedir que ela consiga pegar no sono. Nada adiantou.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, a mocinha come\u00e7ou a sentir que havia algo errado, mas, por n\u00e3o investir em seu autoconhecimento, continuava sem entender as mensagens do Inconsciente. Uma ang\u00fastia come\u00e7ou a tomar conta da mocinha e, quanto mais sua ang\u00fastia aumentava, mais ela apelava para seus falsos amigos, criando um c\u00edrculo vicioso que s\u00f3 lhe fazia mal.<\/p>\n<p>Um dia, esta ang\u00fastia acumulada tomou propor\u00e7\u00f5es insuport\u00e1veis. Ela finalmente sentiu que, apesar de todos os falsos amigos, estava sozinha, n\u00e3o fazia diferen\u00e7a no mundo, n\u00e3o tinha a menor ideia de qual era seu prop\u00f3sito e muitas vezes era invis\u00edvel para seus colegas. Ent\u00e3o, pela primeira vez, ela decidiu escutar seu Inconsciente.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que quando voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 familiarizado com a pessoa que conversa, que, no caso, era ela mesma, podem ocorrer falhas na comunica\u00e7\u00e3o. O Inconsciente, aliviado por finalmente receber a aten\u00e7\u00e3o da mocinha, lhe disse: \u201cMocinha, voc\u00ea precisa conquistar a simpatia e aten\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e0 sua volta, a vida \u00e9 no mundo real, n\u00e3o no mundo virtual. Se voc\u00ea n\u00e3o fizer algo para cativar as pessoas \u00e0 sua volta, vai acabar sozinha e esquecida\u201d.<\/p>\n<p>Sem saber o que fazer com esta informa\u00e7\u00e3o, a mocinha continuou pensando. Ent\u00e3o, seu Inconsciente, na melhor das inten\u00e7\u00f5es, lhe disse: \u201cN\u00e3o se permita ser apenas mais uma! Queira ser especial!\u201d. A mocinha entendeu esta frase da forma que p\u00f4de e desde ent\u00e3o, algo mudou em sua cabe\u00e7a. Ideias confusas que fugiam ao seu controle come\u00e7aram a aparecer, uma vis\u00e3o de mundo deturpada pelo medo e car\u00eancia come\u00e7ou a se formar. Isso abriu portas para que um novo amigo oculto apare\u00e7a na vida da mocinha, a Proje\u00e7\u00e3o, um falso amigo que adora enganar as pessoas. Ele induziria a mocinha a erro.<\/p>\n<p>Conversando com um colega de trabalho, a mocinha percebeu nele um olhar diferente. De fato, era verdade, o colega, muitos anos mais velho do que ela, havia perdido uma filha em um acidente de carro e a mocinha lhe lembrava muito esta filha. Por n\u00e3o estar familiarizada com intera\u00e7\u00f5es ao vivo, gra\u00e7as a seus falsos amigos, a mocinha ficou confusa com esse olhar. Ent\u00e3o ela se lembrou da mensagem do seu amigo Inconsciente: \u201cN\u00e3o se permita ser mais uma!\u201d. O recado era claro: aquele homem a estava tratando como mais uma, cobi\u00e7ando seu corpo como um peda\u00e7o de carne e ela n\u00e3o podia deixar isso acontecer! Tudo obra da Proje\u00e7\u00e3o: como a mocinha se via sem valor, presumiu que o resto do mundo a via igualmente sem valor e a tratava assim. Ela n\u00e3o pensou duas vezes.<\/p>\n<p>\u201cAss\u00e9dio!\u201d \u2013 ela gritou. O homem olhou surpreso. \u201cAss\u00e9dio! Ass\u00e9dio! Ass\u00e9dio!\u201d. Rapidamente, seus colegas de trabalho correram para sua sala, a trataram de forma carinhosa, lhe deram aten\u00e7\u00e3o e regalias. A mocinha nunca tinha recebido tanto carinho, ficou deslumbrada com tantos cuidados. Fazia muito tempo que a mocinha n\u00e3o se sentia t\u00e3o querida e n\u00e3o recebia tanto afeto.<\/p>\n<p>Seu Inconsciente tentou avisar que aquele n\u00e3o era o caminho, mas era tarde demais: a percep\u00e7\u00e3o da mocinha havia sido alterada pela mensagem que ela interpretara de forma errada e agora ela tinha certeza de que havia sido assediada. A mocinha n\u00e3o era mentirosa ou m\u00e1 pessoa, ela realmente acreditava no que estava dizendo. Passaria tranquilamente por um pol\u00edgrafo se fosse necess\u00e1rio, pois estava convicta de que aquilo tinha acontecido. Coitadinha da mocinha, ela era t\u00e3o ing\u00eanua que acreditava piamente que sua percep\u00e7\u00e3o sempre correspondia \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>Passaram-se alguns meses e a aten\u00e7\u00e3o dos colegas foi diminuindo gradualmente. A mocinha come\u00e7ou a se sentir sozinha e angustiada novamente. Seu Inconsciente tentou enviar uma nova mensagem, desta vez de forma mais clara, na forma de um sonho: \u201cPreste aten\u00e7\u00e3o, mocinha: nessa sua busca por amigos, afeto e carinho, voc\u00ea n\u00e3o pode permitir que ocorram abusos ou injusti\u00e7as\u201d, se referindo \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o injusta que ela fez a seu colega de trabalho. A mocinha estava tentando decodificar a mensagem, quando outro rapaz esbarrou nela sem querer nos corredores da empresa.<\/p>\n<p>\u201cAss\u00e9dio!\u201d \u2013 ela gritou. O homem olhou surpreso. \u201cAss\u00e9dio! Ass\u00e9dio! Ass\u00e9dio!\u201d. A mocinha gritava convicta de que estava fazendo a coisa certa, afinal, seu Inconsciente a alertara de que nessa busca ela n\u00e3o poderia permitir abusos ou injusti\u00e7as e aquilo claramente era um abuso injusto: em sua busca por novos amigos ela vinha sendo mais simp\u00e1tica e o rapaz havia se aproveitado disso e tocado em seu corpo sem o seu consentimento. A mensagem era clara e contra fatos n\u00e3o havia argumentos, afinal, sua percep\u00e7\u00e3o sempre correspondia \u00e0 realidade! A mocinha tinha mais certeza do que nunca e continuou gritando \u201cAss\u00e9dio!\u201d at\u00e9 seus colegas aparecerem novamente.<\/p>\n<p>Mais uma vez, seus colegas a acudiram, dando carinho e aten\u00e7\u00e3o. A mocinha se sentiu amada e cuidada novamente. A sensa\u00e7\u00e3o era boa. Seu amigo Inconsciente, que gra\u00e7as \u00e0s m\u00e1s interpreta\u00e7\u00f5es de suas mensagens, estava agindo sem querer como inimigo, tentou gritar o mais alto que p\u00f4de, mas n\u00e3o foi ouvido. Quanto mais ele falava, mais deturpadas eram suas mensagens. \u00c9 que neste ponto, a mocinha acabara de fazer amizade com outro amigo oculto muito poderoso: o Ganho Secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Ganho Secund\u00e1rio n\u00e3o era mau, mas tinha seus v\u00edcios. No caso espec\u00edfico da mocinha, seu Ganho Secund\u00e1rio era viciado em aten\u00e7\u00e3o e carinho. N\u00e3o demorou muito para que seu novo amigo oculto ofusque totalmente a voz do Inconsciente e d\u00ea alguns conselhos bem errados, para justificar seu v\u00edcio. Como todo viciado, o Ganho Secund\u00e1rio era um negador: n\u00e3o admitia o v\u00edcio, muito menos que estava norteando seus conselhos para sustentar um v\u00edcio.<\/p>\n<p>Assim, com os pretextos mais rid\u00edculos, o Ganho Secund\u00e1rio come\u00e7ou a convencer a mocinha a se colocar em situa\u00e7\u00f5es onde poderia ser assediada, buscando na verdade todo o carinho e aten\u00e7\u00e3o que viriam depois, como consequ\u00eancia. A mocinha aos poucos foi mudando seu comportamento, se colocando em diversas situa\u00e7\u00f5es onde era poss\u00edvel antever um risco consider\u00e1vel, escorada pelos pretextos furados que o Ganho Secund\u00e1rio contava. Sim, viciados s\u00e3o terr\u00edveis, mentem e enganam o quanto seja necess\u00e1rio para alimentar seu v\u00edcio.<\/p>\n<p>Este mecanismo continuou por muitos meses. Se por um lado a mocinha gritava \u201cAss\u00e9dio!\u201d cada vez que se sentia sozinha e carente, convicta de que realmente tinha sido assediada, por outro se colocava cada vez mais em situa\u00e7\u00f5es de risco para sua incolumidade f\u00edsica sem se dar conta do que estava fazendo, aconselhada pelo seu amigo viciado. At\u00e9 que um dia, o pior aconteceu.<\/p>\n<p>A mocinha foi agressivamente assediada, por seu chefe, em seu trabalho. Uma experi\u00eancia traum\u00e1tica. Ela n\u00e3o hesitou e, mais uma vez, gritou \u201cAss\u00e9dio!\u201d. S\u00f3 que desta vez, ningu\u00e9m apareceu. A mocinha percebeu o olhar de descren\u00e7a nos seus colegas e at\u00e9 mesmo algum olhar de reprova\u00e7\u00e3o. Seu amigo Ganho Secund\u00e1rio obviamente ficou desesperado, como qualquer viciado quando \u00e9 privado de sua droga. Ent\u00e3o ele a aconselhou a buscar aquilo que seus colegas estavam lhe negando em outros lugares: redes sociais, delegacia de pol\u00edcia, programas de TV, n\u00e3o importa, o que ele queria era mais uma dose do seu v\u00edcio.<\/p>\n<p>A mocinha percorreu todas as m\u00eddias e todas as inst\u00e2ncias do Judici\u00e1rio gritando \u201cAss\u00e9dio!\u201d. Para sua surpresa, n\u00e3o foi ouvida por ningu\u00e9m, gra\u00e7as a seu p\u00e9ssimo h\u00e1bito de gritar \u201cAss\u00e9dio!\u201d com muita frequ\u00eancia, sem que tenha realmente acontecido. A mocinha estava prestes a cair em depress\u00e3o, pois perdera sua principal fonte de aten\u00e7\u00e3o, carinho e afeto, at\u00e9 que&#8230;<\/p>\n<p>Para sua surpresa, foi salva por um velho amigo chamado Internet. A Internet deu voz a esta mocinha e permitiu que outras mocinhas que escolheram viver como ela a escutem. Estas mocinhas se reuniram e fizeram um combinado: j\u00e1 que as pessoas n\u00e3o as ouviam mais quando cada uma gritava \u201cAss\u00e9dio!\u201d, um acreditaria na outra e lhe daria aten\u00e7\u00e3o, carinho e afeto cada vez que uma acusa\u00e7\u00e3o destas fosse feita. Assim, as mocinhas passaram muito tempo retroalimentando suas necessidades.<\/p>\n<p>Mas o v\u00edcio \u00e9 terr\u00edvel. Se hoje uma dose basta, amanh\u00e3 provavelmente o viciado precisar\u00e1 de mais. Chegou um tempo onde aquele pequeno c\u00edrculo simbi\u00f3tico se tornou insuficiente. Ent\u00e3o, as mocinhas decidiram que se juntariam e, unidas, gritariam \u201cAss\u00e9dio!\u201d, assim poderiam falar mais alto e, quem sabe, seriam ouvidas pelas pessoas. A credibilidade individual j\u00e1 havia sido minada, mas a coletiva n\u00e3o. N\u00e3o custava tentar.<\/p>\n<p>De fato funcionou por algum tempo, pois ao gritarem juntas, gritaram mais alto, alcan\u00e7ando mais pessoas. Algumas destas pessoas, com cora\u00e7\u00e3o mais bondoso, com menos maldade ou que nunca haviam sido expostas aos excessivos gritos de \u201cAss\u00e9dio!\u201d acreditaram cada vez em que elas gritaram juntas. Deram aten\u00e7\u00e3o, afeto e carinho para estas mocinhas. Mas, como uma situa\u00e7\u00e3o dessas n\u00e3o se sustenta por muito tempo, com o passar dos anos todas as pessoas do mundo perceberam que estas mocinhas estavam, na verdade, influenciadas pelo mesmo amigo viciado, o Ganho Secund\u00e1rio, que mente e deturpa para alimentar seu v\u00edcio.<\/p>\n<p>Assim, gritar de forma coletiva tamb\u00e9m havia perdido efeito. Elas pararam de receber a aten\u00e7\u00e3o, carinho e afeto de que tanto precisavam. A s\u00edndrome de abstin\u00eancia come\u00e7ou a falar mais alto e as mocinhas ficaram realmente transtornadas. O v\u00edcio \u00e9 uma coisa terr\u00edvel, faz a gente esquecer com muita facilidade o que \u00e9 certo e o que \u00e9 errado quando conseguimos um bom pretexto para justificar nossos atos. Ent\u00e3o, as mocinhas se reuniram para decidir o que fariam para alimentar o v\u00edcio do Ganho Secund\u00e1rio, que, em suas cabe\u00e7as, era visto como \u201cfazer justi\u00e7a\u201d. Impressionante como v\u00edcios mexem com a percep\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p>As mocinhas decidiram que teriam que tomar o poder para isso. Cegas pelo v\u00edcio, tra\u00e7aram um plano em tr\u00eas etapas: primeiro iriam desacreditar todos os homens, assim nenhum deles poderia refutar quando uma delas gritasse \u201cAss\u00e9dio!\u201d. O pr\u00f3ximo passo, com os homens neutralizados, seria constranger a sociedade para que n\u00e3o possam ser recriminadas por seus atos, acusando e incriminando quem tentasse desacredit\u00e1-las, assim como haviam feito com os homens. E, finalmente, o \u00faltimo passo seria alcan\u00e7ar cargos de poder e alterar n\u00e3o apenas as leis, como tamb\u00e9m as regras sociais, criando uma sociedade voltada para acolher qualquer mulher que grite \u201cAss\u00e9dio!\u201d, sem a necessidade de se discutir a veracidade do fato.<\/p>\n<p>O plano corria muito bem, as mocinhas haviam completado os dois primeiros est\u00e1gios com sucesso e, ao que tudo indicava, chegariam ao terceiro sem maiores problemas. Eis que um novo amigo, ainda mais poderoso que o Ganho Secund\u00e1rio, apareceu e mudou o rumo desta hist\u00f3ria: o Ego. O Ego, ego\u00edsta como ele s\u00f3, convenceu cada uma das mocinhas de que ela era mais importante, mais sofredora, mais apta a liderar, mais \u201cqualquer coisa\u201d do que as outras. Assim, as mocinhas come\u00e7aram a brigar entre si, por se julgarem melhores que as outras. Divididas, totalmente focadas no que o Ego falava, elas acabaram brigando e perdendo poder. Seu plano fracassaria miseravelmente.<\/p>\n<p>Hoje as mocinhas est\u00e3o reclusas, decadentes, e tiveram como \u00fanica op\u00e7\u00e3o buscar a valida\u00e7\u00e3o, carinho e aten\u00e7\u00e3o que precisam em animais de estima\u00e7\u00e3o, que, por n\u00e3o falarem, jamais as refutar\u00e3o. Eu sei que n\u00e3o parece, mas, acreditem, este \u00e9 sim um final feliz.<\/p>\n<p class=\"uk-text-center\">FIM<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu sou uma vergonha para a ra\u00e7a feminina, para me acusar de machista ou ainda para dizer que em algum lugar Esopo se revira no t\u00famulo: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez uma mocinha que trabalhava em uma empresa com muitos coleguinhas. A mocinha se esfor\u00e7ava, mas fazia apenas um trabalho razo\u00e1vel, nunca conseguia se destacar em nada. 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