{"id":13560,"date":"2018-07-18T13:56:57","date_gmt":"2018-07-18T16:56:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=13560"},"modified":"2018-07-18T13:56:57","modified_gmt":"2018-07-18T16:56:57","slug":"planeta-nove","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/07\/planeta-nove\/","title":{"rendered":"Planeta Nove."},"content":{"rendered":"<p>A imensa maioria de n\u00f3s aprendeu na escola que o Sistema Solar era composto de nove planetas. Merc\u00fario, V\u00eanus, Terra, Marte, J\u00fapiter, Saturno, Urano, Netuno e Plut\u00e3o. Mas h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada as crian\u00e7as est\u00e3o aprendendo isso de forma diferente: Plut\u00e3o foi demovido \u00e0 categoria de planeta-an\u00e3o e oficialmente a vizinhan\u00e7a \u00e9 constitu\u00edda de oito planetas. Ou\u2026 n\u00e3o?<!--more--><\/p>\n<p>Mas primeiro falemos sobre Plut\u00e3o. Somos as primeiras pessoas na hist\u00f3ria da humanidade a ver como o planeta \u00e9, com a j\u00e1 famosa mancha em formato de cora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m tivemos que mudar a informa\u00e7\u00e3o que t\u00ednhamos sobre ele. O problema n\u00e3o era manter o primo distante dentro da fam\u00edlia, e sim todo mundo que vinha junto com ele caso mantiv\u00e9ssemos o t\u00edtulo. Para um planeta ser planeta, precisa de massa o suficiente para ser o elemento dominante na sua esfera de atua\u00e7\u00e3o gravitacional, ou seja, o ponto central onde as coisas orbitam na sua \u00e1rea.<\/p>\n<p>Plut\u00e3o n\u00e3o conseguiu se manter como planeta quando estudamos melhor os outros corpos celestes presentes no Sistema Solar. A principal lua de Plut\u00e3o, Charon, \u00e9 grande o suficiente para disputar, ela mesma, o t\u00edtulo de planeta na designa\u00e7\u00e3o antiga. E como a humanidade foi encontrando mais e mais objetos de tamanho condizente naquela \u00e1rea, ou Plut\u00e3o perdia o t\u00edtulo, ou as crian\u00e7as teriam que aprender algumas dezenas ou mesmo centenas de outros nomes. N\u00e3o era pr\u00e1tico, e precis\u00e1vamos tra\u00e7ar a linha em algum lugar.<\/p>\n<p>Oito planetas e v\u00e1rios planetas an\u00f5es e luas. Mas ainda estamos no lucro, at\u00e9 o s\u00e9culo XVIII, a humanidade s\u00f3 conhecia seis. Os que s\u00e3o facilmente vistos a olho nu nos c\u00e9us. De Merc\u00fario a J\u00fapiter, a quantidade de luz refletida do sol \u00e9 grande o suficiente para confundirmos com estrelas, mas como na realidade est\u00e3o muito mais perto do que estrelas, seus movimentos no c\u00e9u chamam aten\u00e7\u00e3o. Como a Terra gira ao redor do Sol, podemos ver sua \u00f3rbita aparente enrolada como uma mola, girando pelo c\u00e9u noite ap\u00f3s noite. Nem mesmo nos melhores dias d\u00e1 para ver os detalhes de V\u00eanus ou Marte com o olho nu, ent\u00e3o a descoberta dos planetas foi essencialmente presumida pelos seus movimentos.<\/p>\n<p>At\u00e9 que em 1781, com a ajuda de um telesc\u00f3pio, o ser humano finalmente avista Urano. O ponto no c\u00e9u sempre esteve l\u00e1, mas era t\u00e3o fraco que nunca tinham tentado mesmo reconhecer como um planeta. Com ajuda da tecnologia, foi confirmada sua presen\u00e7a e ficamos com sete planetas. A comunidade cient\u00edfica ficou pra l\u00e1 de animada, come\u00e7ando a fazer todos os c\u00e1lculos sobre sua \u00f3rbita baseados na Teoria da Gravidade definida por Newton, que tamb\u00e9m conseguia prever como os planetas orbitavam ao redor do Sol.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que Urano n\u00e3o estava obedecendo a lei, da gravidade, no caso. O que os c\u00e1lculos diziam e a posi\u00e7\u00e3o onde era observado dia ap\u00f3s dia n\u00e3o entravam em acordo. C\u00e1lculos foram feitos, refeitos e revisados. Continuava n\u00e3o dando certo. At\u00e9 que surge a ideia maluca que se tivesse mais um planeta ainda depois de Urano com um tamanho parecido, os c\u00e1lculos dariam certo. Um planeta nunca percebido antes, escondido dos nossos olhos? Durante muito tempo, a hip\u00f3tese ficou em espera, refinada por mais e mais matem\u00e1tica, prevendo at\u00e9 mesmo onde esse novo planeta estaria no c\u00e9u a cada momento. Ou existia um planeta novo, ou Newton estava errado. E historicamente nunca foi uma boa ideia presumir que Newton estava errado.<\/p>\n<p>E, em 1846, logo ap\u00f3s receberam os \u00faltimos c\u00e1lculos sobre a posi\u00e7\u00e3o do novo planeta, astr\u00f4nomos franceses decidiram procurar por ele. E, com uma margem de precis\u00e3o absurda, l\u00e1 estava o novo planeta. Nomeado Netuno, explicava a \u00f3rbita de Urano perfeitamente e tudo estava certo com a astronomia novamente. Oito planetas. Com o r\u00e1pido avan\u00e7o da tecnologia, n\u00e3o demorou tanto assim para acharem Plut\u00e3o em 1930, nove. O status de planeta durou at\u00e9 2006, quando voltamos para a configura\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Mas, de forma similar ao que aconteceu com a descoberta de Netuno, alguns cientistas come\u00e7aram a desconfiar de um novo planeta no Sistema Solar. N\u00e3o por terem visto alguma coisa, mas pelos resultados estranhos que suas observa\u00e7\u00f5es estavam encontrando. Nos confins do Sistema Solar, existem diversos outros planetas-an\u00f5es, chamados atualmente de objetos trans-netunianos. Ningu\u00e9m merece ser planeta, mas pelos seus tamanhos, conseguimos observ\u00e1-los mais facilmente. E essa turma toda tem algo em comum al\u00e9m da posi\u00e7\u00e3o: \u00f3rbitas alongadas e estranhas em rela\u00e7\u00e3o aos outros planetas, indo para dist\u00e2ncias imensas do Sol durante seu trajeto.<\/p>\n<p>Quem est\u00e1 mais perto do Sol goza de alguma estabilidade orbital, a for\u00e7a exercida pela estrela \u00e9 tanta que fica todo mundo mais comportado, girando ao redor mais ou menos sempre na mesma dist\u00e2ncia. Mas l\u00e1 na periferia do Sistema Solar as leis s\u00e3o menos r\u00edgidas. \u00c9 mais f\u00e1cil que um corpo celeste fa\u00e7a uma aproxima\u00e7\u00e3o do Sol, ganhe muita velocidade e volte no sentido oposto sem nada para control\u00e1-lo. Diferentemente dos planetas aqui da vizinhan\u00e7a, eles pegam e perdem muita velocidade em suas \u00f3rbitas. E como o Sol emana seu poderio gravitacional para todos os lados ao mesmo tempo, era de se prever que depois de Netuno, cada planeta teria uma \u00f3rbita mais maluca que a outra, indo para qualquer lado que \u201cdesse na telha\u201d.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que por motivos n\u00e3o muito bem explicados, esses objetos trans-netunianos tem uma prefer\u00eancia pronunciada para fazer a parte mais longa da sua \u00f3rbita sempre para o mesmo lado. O que n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, mas \u00e9 extremamente improv\u00e1vel. Sem uma for\u00e7a muito clara controlando a situa\u00e7\u00e3o, as coisas tendem a ser bem ca\u00f3ticas no espa\u00e7o. Qualquer lado \u00e9 t\u00e3o v\u00e1lido quanto o outro. Quem costuma criar padr\u00f5es \u00e9 a gravidade. Por isso a teoria do nono planeta come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou falando do Planeta X ou Nibiru, isso \u00e9 conversa fiada de gente que acredita num planeta apocal\u00edptico que vem bater na Terra ou chacoalhar o Sistema Solar interno seja l\u00e1 pelo motivo estritamente emocional que definiram. Para a ci\u00eancia, n\u00e3o havia indica\u00e7\u00e3o alguma disso antes dessa hip\u00f3tese levantada pelos astr\u00f4nomos. E mesmo que esse planeta exista e seja t\u00e3o grande como se presume pela for\u00e7a que exerceria ao influenciar as \u00f3rbitas estranhas que vemos, o ponto mais pr\u00f3ximo dele do Sol ainda sim seria longe demais para causar um apocalipse por aqui.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea, como eu, torceu o nariz para a ideia de nunca termos visto sinal dele at\u00e9 hoje, talvez a mesma explica\u00e7\u00e3o resolva: \u00e9 muito dif\u00edcil enxergar qualquer coisa que n\u00e3o esteja diretamente iluminada por uma estrela. Mesmo as coisas mais distantes que observamos no universo atualmente tem isso em comum, a luz que bateu nela e chegou aqui. Um objeto t\u00e3o distante de uma estrela como esse suposto planeta quase n\u00e3o recebe luz. Sem essa possibilidade, somos basicamente cegos no espa\u00e7o. Tem gente procurando sim, mas \u00e9 procurar uma agulha num universo palheiro. A estimativa \u00e9 que j\u00e1 tenham analisado uns 5% dos dados coletados espec\u00edficos desde que se levantou a possibilidade do nono planeta. Como o astr\u00f4nomo que achou Netuno bem sabia: enquanto voc\u00ea n\u00e3o sabe para onde olhar, \u00e9 basicamente imposs\u00edvel identificar.<\/p>\n<p>O nono planeta pode ser um gasoso gelado como Urano e Netuno, ou at\u00e9 mesmo um planeta s\u00f3lido gigante, desde que tenha for\u00e7a gravitacional suficiente para causar essas varia\u00e7\u00f5es nas \u00f3rbitas dos objetos nos confins do Sistema Solar. Pode ser que sejamos a primeira gera\u00e7\u00e3o a saber de sua exist\u00eancia, pode ser que n\u00e3o. Porque se ele faz uma \u00f3rbita longa o suficiente para n\u00e3o termos visto at\u00e9 agora, \u00e9 prov\u00e1vel que esteja muito longe e a alguns milhares de anos do ponto mais pr\u00f3ximo do Sol.<\/p>\n<p>Pode ser tamb\u00e9m &#8211; e n\u00e3o se esque\u00e7am que ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 sobre o mais divertido, e sim sobre o mais real &#8211; que n\u00e3o tenha nono planeta coisa alguma e que seja s\u00f3 uma coincid\u00eancia rara ou mesmo que tenha outra coisa criando esse padr\u00e3o de \u00f3rbitas. N\u00e3o sabemos. S\u00f3 sabemos que j\u00e1 existe um precedente: entre o Newton estar errado e algo novo nos c\u00e9us, aposte em algo novo nos c\u00e9us.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que vamos todos morrer, para dizer que s\u00f3 acredita no que seus c\u00e1lculos veem, ou mesmo para dizer que Newton errou na peruca: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imensa maioria de n\u00f3s aprendeu na escola que o Sistema Solar era composto de nove planetas. Merc\u00fario, V\u00eanus, Terra, Marte, J\u00fapiter, Saturno, Urano, Netuno e Plut\u00e3o. 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