{"id":13581,"date":"2018-07-24T08:00:55","date_gmt":"2018-07-24T11:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=13581"},"modified":"2018-07-24T00:28:29","modified_gmt":"2018-07-24T03:28:29","slug":"efeito-pigmaleao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/07\/efeito-pigmaleao\/","title":{"rendered":"Efeito Pigmale\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Quem \u00e9 leitor regular j\u00e1 deve estar come\u00e7ando a ficar um pouco cansado de ouvir que \u201cnossa mente cria realidade\u201d nos meus textos. Alguns podem at\u00e9 ter certa resist\u00eancia a isso, gra\u00e7as ao mau uso desta premissa que porcarias como \u201cO Segredo\u201d propagam. Mas \u00e9 fato: nossa mente cria realidade, n\u00e3o por causa de m\u00e1gica, gnomos, unic\u00f3rnios ou uma divindade qualquer. N\u00e3o precisa divinizar, existe uma explica\u00e7\u00e3o perfeitamente normal para isso. Desfavor Explica: Efeito Pigmale\u00e3o.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cEfeito Pigmale\u00e3o\u201d\u00a0ou\u00a0\u201cEfeito Rosenthal\u201d, \u00e9 o nome dado\u00a0ao fen\u00f4meno em que, quanto maiores as expectativas que se t\u00eam relativamente a uma pessoa, melhor o seu desempenho. Ou seja, sua mente cria realidade. Quando voc\u00ea est\u00e1 convencido de que uma pessoa \u00e9 foda, essa sua cren\u00e7a interna pode desdobrar para o mundo externo para comprovar o que voc\u00ea pensava.<\/p>\n<p>A coisa tomou forma quando, na d\u00e9cada de 60, o psic\u00f3logo Robert Rosenthal teve a percep\u00e7\u00e3o de que, talvez, criar expectativas sobre algu\u00e9m pudesse fazer com que essas expectativas se tornassem reais. Ele decidiu testar essa teoria e, realizou uma pesquisa com alguns estudantes em uma escola da Calif\u00f3rnia. <\/p>\n<p>Foi dito aos professores que realizariam testes pr\u00e9vios nos alunos, para saber quais eram os mais inteligentes, assim eles j\u00e1 come\u00e7ariam com cada turma sabendo quem era quem. Aplicaram testes nos alunos, mas na hora de dizer aos professores quem eram os mais inteligentes, escolheram alunos medianos, de forma aleat\u00f3ria, sem qualquer compromisso com a verdade. Plantaram na cabe\u00e7a dos professores que esses alunos (medianos) eram os mais inteligentes da turma. <\/p>\n<p>A mente dos professores criou realidade, pois ao final do ano, quando reaplicaram os testes, os alunos \u201cvendidos\u201d como os mais inteligentes, tinham de fato se tornado os mais inteligentes. As expectativas elevadas fizeram com que os professores tratassem os alunos de forma diferente, ainda que isto se desse de maneira inconsciente. <\/p>\n<p>Alguns aspectos espec\u00edficos foram observados na diferen\u00e7a de tratamento desses alunos. Os professores criavam um ambiente mais sol\u00edcito para os alunos supostamente mais inteligentes. Eram mais receptivos com suas perguntas, respondiam de forma mais aprofundada, por presumir que eles teriam a capacidade de entender al\u00e9m do b\u00e1sico, forneciam mais material para estudo. Tamb\u00e9m deixavam clara esta aprova\u00e7\u00e3o\/confian\u00e7a atrav\u00e9s de sinais n\u00e3o-verbais, coisas como um sorriso encorajador quando eles faziam uma pergunta, um toque no ombro de apoio enquanto faziam a prova, etc.<\/p>\n<p>Os professores incentivaram  estes alunos supostamente mais inteligentes a participar mais das aulas, n\u00e3o apenas fazendo perguntas, mas, principalmente, convidando-os a dar sua opini\u00e3o sobre um assunto. Como j\u00e1 tinham a \u201ccerteza\u201d de que eles eram inteligentes, n\u00e3o precisavam mensurar seu conhecimento, ent\u00e3o, se interessavam por suas opini\u00f5es, dando liberdade para que pensem e se expressem em vez de repetir um conte\u00fado de um livro. Ao mesmo tempo, involuntariamente, eles forneciam um feedback personalizado, em vez de um simples elogio diante de um acerto.<\/p>\n<p>Em resumo, deram mais est\u00edmulo e ferramentas para que eles desenvolvam suas potencialidades, e o fizeram unicamente em fun\u00e7\u00e3o do que estava em suas mentes. Quando um ano letivo come\u00e7a, no primeiro dia de aula, em tese, todos s\u00e3o iguais. A \u00fanica coisa que diferenciava esses alunos dos demais estava na mente de seus professores.<\/p>\n<p>Quando o teste para mensurar intelig\u00eancia foi repetido, ao final do ano, os alunos que foram dados como \u201cmais inteligentes\u201d de fato foram os que se sa\u00edram melhor. N\u00e3o um pouquinho melhor, em alguns casos, a diferen\u00e7a foi brutal, cerca de 15 pontos de Q.I. a mais. O clima de afetividade, cumplicidade, entusiasmo e confian\u00e7a que influenciou positivamente seu desempenho. A mente dos professores criou realidade e fez com que alunos medianos se tornassem os melhores alunos da turma.\u00a0<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que isso funciona para ambos os lados. Quando um aluno tem, por algum motivo, uma presun\u00e7\u00e3o negativa, o professor acaba adotando, sem se dar conta, posturas que prejudicam o aprendizado. E \u00e9 algo muito dif\u00edcil de prevenir ou combater, j\u00e1 que se d\u00e1 de forma inconsciente.<\/p>\n<p>Esse efeito age em todas as esferas, n\u00e3o se limita \u00e0 sala de aula. Vai desde o mundo educacional ao militar e corporativo, ou seja, as expectativas criadas, seja na mente do professor, do treinador, do gerente ou de qualquer um que tenha expectativas sobre algu\u00e9m, pode fazer uma enorme diferen\u00e7a no desempenho dessa pessoa. At\u00e9 mesmo nas nossas rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, basta que um desgra\u00e7ado n\u00e3o venha nos induzir a erro, como foi feito na experi\u00eancia, que o Efeito Pigmale\u00e3o n\u00e3o acontece\u201d. Acontece. Acontece sim. Acontece pra caralho. N\u00e3o precisamos de um terceiro para que sejamos induzidos a erro, nossa mente se encarrega disso o tempo todo.<\/p>\n<p>Um exemplo bem cotidiano: se voc\u00ea considera uma pessoa chata, provavelmente isso vai alterar a forma como voc\u00ea age com ela. N\u00e3o \u00e9 uma escolha deliberada, \u00e9 algo involunt\u00e1rio e inconsciente, mas que, de alguma forma, vai te deixar mais na defensiva ou menos receptivo. <\/p>\n<p>Isso, por sua vez, vai fazer com que essa pessoa sinta de alguma forma essa diferen\u00e7a de tratamento, se magoe, se ressinta e at\u00e9 se proteja pela injusti\u00e7a de estar sendo tratada desta forma. Com isso, essa pessoa vai te tratar diferente de volta, devolvendo, de forma inconsciente tamb\u00e9m, a mesma hostilidade. <\/p>\n<p>Assim, a pessoa acaba confirmando a ideia inicial que voc\u00ea tinha dela. \u00c9 muito mais f\u00e1cil pensar \u201cNossa, t\u00e1 vendo como Fulano \u00e9 um babaca? Eu tinha raz\u00e3o!\u201d. Do que pensar \u201cCacete, ser\u00e1 que meu julgamento influenciou na forma como interagi e esta pessoa s\u00f3 est\u00e1 reagindo a isso?\u201d.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea, por qualquer motivo, espera um tratamento amig\u00e1vel e bacana daquela pessoa, voc\u00ea vai se abrir mais para ela, ser mais am\u00e1vel, gerando isso de volta para voc\u00ea. Assim como acontecer\u00e1 o contr\u00e1rio se sua expectativa for negativa. Sua mente cria realidade, e n\u00e3o \u00e9 m\u00e1gica. A not\u00edcia ruim, que \u201cO Segredo\u201d n\u00e3o contou, \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 molezinha escolher qual realidade vamos criar, por um motivo muito simples: n\u00e3o controlamos quase nada da nossa mente.<\/p>\n<p>O grande problema aqui \u00e9 acharmos que estamos no controle da mente o tempo todo. Nossos sentimentos, sensa\u00e7\u00f5es, humor, viv\u00eancias e uma s\u00e9rie de outros fatores podem fazer sim com que tenhamos algum preconceito ou m\u00e1 vontade. N\u00e3o somos corret\u00f5es, senhores absolutos das nossas mentes, a ponto de neutralizarmos isto e n\u00e3o permitir que afete nossa intera\u00e7\u00e3o. Fazemos e falamos coisas de forma sutil e inconsciente que n\u00e3o controlamos nem percebemos. Isso cria realidade \u00e0 nossa volta, mas, se n\u00e3o entendemos o mecanismo, creditamos as coisas que acontecem a sorte, azar, karma, inferno astral, macumba, inveja ou praga daquela filha da puta da vizinha.<\/p>\n<p>A maioria das pessoas subestima o poder do seu inconsciente. Recentes estudos de neuroci\u00eancia trabalhando com mapeamento cerebral mostram que existe a maior parte do que fazemos \u00e9 regido pelo inconsciente, n\u00e3o pelo consciente. <\/p>\n<p>Um exemplo: quando voc\u00ea conhece algu\u00e9m e desgosta gratuitamente da pessoa, o popular \u201co santo n\u00e3o bate\u201d. Isso n\u00e3o \u00e9 mediunidade, \u00e9 um resqu\u00edcio evolutivo. Para o homem das cavernas, saber se um indiv\u00edduo era amistoso ou hostil poderia significar a diferen\u00e7a entre a vida e a morte. Ent\u00e3o, era preciso fazer essa avalia\u00e7\u00e3o o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, em quest\u00e3o de segundos, n\u00e3o dava tempo de conversar e analisar racionalmente a pessoa para saber se ela ia te matar ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, uma regi\u00e3o cerebral se especializou em julgar rostos (papo t\u00e9cnico: \u00e1rea fusiforme). \u00c9 um peda\u00e7o fininho e comprido da parte de baixo do c\u00e9rebro. Quando voc\u00ea v\u00ea uma pessoa pela primeira vez, sua \u00e1rea fusiforme analisa o rosto dela, querendo voc\u00ea ou n\u00e3o, sem que voc\u00ea sequer perceba. O processo dura fra\u00e7\u00f5es de segundo e pode ser determinante para a forma como voc\u00ea vai tratar essa pessoa dali em diante. <\/p>\n<p>Querendo ou n\u00e3o, julgamos a pessoa de imediato, nos primeiros segundos, atrav\u00e9s dessa \u00e1rea fusiforme. Tudo que vai desdobrar da\u00ed para frente, est\u00e1 contaminado por esse escaneamento cerebral involunt\u00e1rio e inconsciente que fizemos. Isso ficou claro em um experimento com pessoas que haviam perdido completamente a vis\u00e3o. Ao serem colocadas diante de uma tela de computador e perguntadas se o que aparecia era um c\u00edrculo ou um quadrado, a taxa de acerto foi baixa. Pudera, as pessoas eram cegas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando o mesmo experimento foi repetido, s\u00f3 que em vez de c\u00edrculos e quadrados, apareciam rostos amig\u00e1veis ou rostos hostis, o \u00edndice de acertos subiu assustadoramente. Mediunidade? Sexto sentido? N\u00e3o. \u00c9 um fen\u00f4meno chamado \u201cblindsight\u201d ou \u201cVis\u00e3o Cega\u201d. O c\u00f3rtex dele n\u00e3o conseguia processar as imagens enviadas pelos olhos, mas a \u00e1rea fusiforme sim, portanto, de alguma forma, o inconsciente da pessoa continua \u201cenxergando\u201d.<\/p>\n<p>Em 2012, a emissora inglesa BBC fez uma pergunta a sete dos maiores experts do mundo em c\u00e9rebro e cogni\u00e7\u00e3o, de quatro grandes universidades (Oxford, Montreal, Columbia e Londres): o quanto eles achavam, percentualmente, que us\u00e1vamos de cada \u00e1rea do c\u00e9rebro, a consciente e a inconsciente. A \u201cresposta\u201d, que fique claro, de forma alguma definitiva, pois essa verdade ningu\u00e9m tem, foi dada baseada em toda a experi\u00eancia deles com o estudo do c\u00e9rebro humano. Curiosamente, foi muito similar, quase consenso entre eles: a consci\u00eancia ocupa no m\u00e1ximo 5% do c\u00e9rebro. Todo o resto, 95%, \u00e9 o reino do inconsciente. Isso \u00e9 um prato cheio para o Efeito Pigmale\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo que fazemos sem esfor\u00e7o percept\u00edvel \u00e9 encargo do nosso inconsciente. Ver, ouvir, ler&#8230; s\u00e3o infinitos exemplos. Ent\u00e3o, n\u00e3o me venha voc\u00ea dizer que trata todo mundo bem, todo mundo igual, que n\u00e3o tem preconceitos que n\u00e3o fez nada para aquela pessoa, que ela reagiu mal a voc\u00ea \u201cporque tem inveja\u201d. Voc\u00ea \u00e9 puro inconsciente, ou seja, tirando umas tarefas basiquinhas como cagar e limpar a bunda, em boa parte do seu dia voc\u00ea n\u00e3o tem total controle sobre como faz as coisas, sobre o que transparece e sobre as mensagens que passa aos outros. <\/p>\n<p>Sim, voc\u00ea decide o que vai falar, mas n\u00e3o escolhe as palavras que vai usar, a menos que fa\u00e7a um esfor\u00e7o para isso. Via de regra \u00e9 seu inconsciente quem escolhe automaticamente as palavras, na fala fluida no dia a dia. Por isso \u00e9 mais truncado falar um idioma estrangeiro, nesse caso, estamos apenas com o consciente, o que nos obriga a fazer um esfor\u00e7o enorme para pensar antes de falar e concatenar as palavras.<\/p>\n<p>Usamos o inconsciente mais do que imaginamos. Por exemplo, agora, neste exato minuto. Para que voc\u00ea esteja lendo isso de forma fluida, decodificando o que significa cada letra e entendendo o significado de todas as duas mil palavras que est\u00e3o neste texto conjugadas, interpretando-as dentro de um contexto e transformando-as isso em ideias, seu inconsciente faz todo o trabalho e s\u00f3 depois joga a resposta para o consciente. Mas n\u00e3o faz isso com 100% de fidelidade. \u00c9 como ler um livro traduzido de um idioma para o outro: por mais que o tradutor tenha muito empenho e boa vontade, nem sempre a vers\u00e3o traduzida \u00e9 totalmente fiel \u00e0 original.<\/p>\n<p>Quem te garante que o que seu inconsciente entendeu \u00e9 exatamente igual ao que de fato aconteceu? Muitas vezes n\u00e3o \u00e9. Muitas vezes nosso inconsciente nos trai, contamina as informa\u00e7\u00f5es puras que recebe com nossos medos, cren\u00e7as, desejos, viv\u00eancias, etc. Ent\u00e3o, sua mente cria realidade, algumas vezes, inclusive para te enganar. Menos f\u00e9 cega no que voc\u00ea viu ou escutou, pois \u00e0s vezes n\u00e3o foi aquilo que aconteceu. Uma coisa \u00e9 a realidade, outra muito diferente \u00e9 sua percep\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p>T\u00e1 tudo bem, acontece com todo mundo. N\u00e3o d\u00e1 para ter uma informa\u00e7\u00e3o pura, n\u00e3o busque isso, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel. O importante, e tamb\u00e9m a mensagem principal deste texto, \u00e9 que voc\u00eas percebam e sempre tenham em mente que a realidade e a sua percep\u00e7\u00e3o da realidade s\u00e3o duas coisas muito diferentes. O que voc\u00ea v\u00ea como realidade \u00e9, em boa parte, uma cria\u00e7\u00e3o da sua mente. <\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que, apesar de ser imposs\u00edvel controlar seu inconsciente de forma consciente, voc\u00ea pode, de alguma forma, \u201ceduc\u00e1-lo\u201d, minimizando os danos. O filtro do inconsciente sempre vai existir, assim como o filtro que limpa nossa \u00e1gua. Se o filtro estiver sujo com medos, cren\u00e7as falsas, mentiras e outras porcarias, a \u00e1gua vai sair contaminada. Mas se o filtro estiver limpo, as chances de ter algo n\u00e3o contaminado s\u00e3o menores.<\/p>\n<p>O consciente age a partir da raz\u00e3o. O inconsciente a age a partir da emo\u00e7\u00e3o. Na maior parte do tempo somos regidos pelo inconsciente, logo, por nossas emo\u00e7\u00f5es, por nossa mente. \u00c9 sua mente criando realidade. O lado bom \u00e9: s\u00f3 depende de voc\u00ea, ou seja, voc\u00ea tem um grande poder de mudar boa parte da sua realidade. O lado ruim \u00e9: s\u00f3 depende de voc\u00ea, quando der merda, n\u00e3o restar\u00e1 mais ningu\u00e9m ou mais nada para culpar.<\/p>\n<p>Limpe seu filtro o m\u00e1ximo que puder, voc\u00ea vai viver melhor, vai interagir melhor com os outros e vai cometer menos injusti\u00e7as, inclusive contra voc\u00ea mesmo.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que errei no t\u00edtulo pois o nome \u201cRosenthal\u201d \u00e9 muito mais chique do que \u201cPigmale\u00e3o\u201d, para dizer que eu estou errada e voc\u00ea tem a clara e precisa percep\u00e7\u00e3o da realidade ou ainda para perguntar por qual motivo ultimamente eu estou sentindo prazer em desgra\u00e7ar sua cabe\u00e7a: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem \u00e9 leitor regular j\u00e1 deve estar come\u00e7ando a ficar um pouco cansado de ouvir que \u201cnossa mente cria realidade\u201d nos meus textos. 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