{"id":13616,"date":"2018-08-03T15:16:02","date_gmt":"2018-08-03T18:16:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=13616"},"modified":"2018-08-03T15:16:02","modified_gmt":"2018-08-03T18:16:02","slug":"eleicao-comprada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/08\/eleicao-comprada\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00e3o comprada."},"content":{"rendered":"<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, que v\u00e3o eleger deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente, temos uma pequena novidade: os candidatos v\u00e3o poder pagar para aparecer mais na internet. E isso deve mudar completamente a forma como as campanhas funcionam dessa vez.<!--more--><\/p>\n<p>At\u00e9 a \u00faltima elei\u00e7\u00e3o, gastar dinheiro na internet era proibido, ou seja, os candidatos dependiam quase que exclusivamente de gente contratada para postar freneticamente nas redes sociais, at\u00e9 porque aqui no Brasil as pessoas est\u00e3o mais engajadas em brigar com as outras por pol\u00edtica do propriamente defender seu candidato. Seja como for, isso muda muito a din\u00e2mica da coisa para voc\u00ea, pobre v\u00edtima da torrente de caras feias que v\u00e3o preencher sua tela come\u00e7ando no dia 16 de Agosto.<\/p>\n<p>A internet j\u00e1 seria o grande palco (ou picadeiro) dos candidatos neste ano, mesmo considerando as t\u00e1ticas antigas, mas com a libera\u00e7\u00e3o para gastar dinheiro com Facebook, Instagram e at\u00e9 mesmo as pesquisas do Google (mais sobre isso depois), tende a virar um dos pontos centrais dos gastos das campanhas. Como nenhuma das gigantes da internet \u00e9 estranha ao conceito de fazer mais dinheiro, v\u00e3o manter as vias totalmente abertas para o festival de gastos eleitorais que vir\u00e3o em sua dire\u00e7\u00e3o. N\u00e3o espere que ningu\u00e9m controle quaisquer excessos a n\u00e3o ser que ameace as a\u00e7\u00f5es de Facebook e Google.<\/p>\n<p>O mais perigoso nesse processo todo \u00e9 que a Justi\u00e7a Eleitoral basicamente encurralou as verbas de campanha na internet: os outros meios de comunica\u00e7\u00e3o continuam com limita\u00e7\u00f5es severas, TV e r\u00e1dio n\u00e3o d\u00e3o mais sequer uma fra\u00e7\u00e3o da relev\u00e2ncia de tempos passados. Muito se falou nas alian\u00e7as dos candidatos com partidos nanicos para adicionar segundos a mais em seus programas eleitorais, mas por mais que eles ainda alcancem muita gente, s\u00e3o uma piada de mau gosto em compara\u00e7\u00e3o com o poder das redes sociais e dos mecanismos de busca.<\/p>\n<p>Na verdade, os partidos n\u00e3o estavam buscando mais tempo de r\u00e1dio e TV, e sim mais capilaridade: tendo uma legi\u00e3o de candidatos de cargos menores alinhados com um mesmo candidato \u00e0 presid\u00eancia garante que a foto do cidad\u00e3o vai aparecer em milhares de outras mini-campanhas regionais, especialmente na internet. \u00c9 uma forma de turbinar a presen\u00e7a de qualquer candidato nos n\u00edveis inferiores, e como os gastos de internet s\u00e3o planilh\u00e1veis e suficientemente confi\u00e1veis nos relat\u00f3rios, \u00e9 bem mais f\u00e1cil para os partidos soltarem a verba.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, a palavra-chave vai ser alcance: os panfletinhos que entulhavam toda a rua agora estar\u00e3o na sua timeline. Por limita\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o eleitoral (que continua meio confusa na parte da internet), basicamente est\u00e3o for\u00e7ando as campanhas a montar estrat\u00e9gias de alcance e frequ\u00eancia, ou seja: jogar uma imagem ou v\u00eddeo para o m\u00e1ximo de pessoas poss\u00edvel o m\u00e1ximo de vezes poss\u00edvel. Os candidatos com uma equipe um pouco melhor v\u00e3o conseguir inclusive focar em regi\u00f5es, cidades ou mesmo bairros! Talvez voc\u00ea veja a mesma cara feia umas duzentas vezes at\u00e9 o final da elei\u00e7\u00e3o por estar no planejamento regional dele. Os materiais n\u00e3o v\u00e3o ser muito focados em intera\u00e7\u00e3o com o candidato, mesmo que o candidato queira, vai ser santinho online sem parar por determina\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o eleitoral.<\/p>\n<p>E como n\u00e3o tem dessa de desligar propaganda, porque Facebook e Google ganham quando voc\u00ea v\u00ea ou clicar nesses materiais, pode ser que a internet sofra como um todo nesse per\u00edodo. Considerando que um mero deputado estadual tem at\u00e9 um milh\u00e3o de reais para gastar na sua campanha (era para o TSE definir os valores, mas n\u00e3o fez, a\u00ed o Congresso tirou esses da bunda) e a campanha s\u00f3 vai durar um m\u00eas e meio, est\u00e3o notando como vai ser insano esse processo?<\/p>\n<p>Principalmente porque volta a dar muito mais poder para quem tem mais dinheiro, n\u00e3o que tenha mudado grandes coisas as a\u00e7\u00f5es de aplica\u00e7\u00e3o de teto de gastos, mas era um norte para a redu\u00e7\u00e3o da vantagem do poder econ\u00f4mico entre candidatos. Agora isso se torna irrelevante com a libera\u00e7\u00e3o dos gastos com internet. Como todo mundo pode fazer propaganda impulsionada, d\u00e1 para dobrar ou triplicar a verba de campanha passando o dinheiro para os candidatos menores e impulsionar materiais d\u00fabios onde o candidato a deputado estadual, por exemplo, faz campanha para um candidato \u00e0 presid\u00eancia.<\/p>\n<p>E nesse jogo, quem j\u00e1 estabeleceu uma boa base de defensores da candidatura \u201cde gra\u00e7a\u201d vai ter uma vantagem: uma coisa \u00e9 ver uma propaganda como propaganda, outra \u00e9 ver como algo compartilhado por uma rede de f\u00e3s do candidato. E sabemos bem que temos dois deles com uma rede poderosa de defensores naturais. Um est\u00e1 preso, o outro deveria tamb\u00e9m. Se estava chato at\u00e9 aqui, vai ficar ainda mais.<\/p>\n<p>E isso me leva a outro ponto: como disseram que pode impulsionar conte\u00fado sem dizer exatamente aonde, todas as fun\u00e7\u00f5es de propaganda online est\u00e3o na mesa. Isso significa que n\u00e3o s\u00f3 vai estar na rede social, como no seu YouTube, em banners que cobrem algo em torno de 97% dos sites da internet e tamb\u00e9m nos resultados de pesquisas que voc\u00ea fizer, todas possibilidades geradas pelos servi\u00e7os do Google. A enche\u00e7\u00e3o de saco vai ser a mesma coisa j\u00e1 dita antes no caso da plataforma de v\u00eddeos e dos banners entulhando os seus sites preferidos (menos no desfavor, chupa!), mas quando falamos de comprar palavras das pesquisas do Google, isso fica bem mais preocupante.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o sabe, voc\u00ea pode comprar uma palavra no Google, e todo mundo que pesquisar ela vai ser o seu resultado no topo, independentemente da relev\u00e2ncia original da p\u00e1gina. Claro que existem algumas prote\u00e7\u00f5es internas no sistema do Google para evitar que um compre o nome do outro, mas\u2026 todas elas podem ser contornadas com mais dinheiro. O problema \u00e9 come\u00e7ar a comprar palavras-chave que reforcem a enxurrada de fake news que v\u00e3o surgir por a\u00ed. O TSE disse que um candidato n\u00e3o pode impulsionar algo que fale mal de outro, mas obviamente existem muitos truques para fazer isso sem dar na cara.<\/p>\n<p>Na pior das hip\u00f3teses, apenas tenha em mente que dessa vez tudo o que voc\u00ea vir na rede social, banners e resultados de pesquisa pelos pr\u00f3ximos 100 dias provavelmente vai estar contaminado por dinheiro dos candidatos que voc\u00ea tanto despreza. Pode ser uma \u00f3tima chance de fazer aquela t\u00e3o esperada desintoxica\u00e7\u00e3o de internet\u2026<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que s\u00f3 fica pior, para dizer que s\u00f3 de imaginar ver a cara da Marina Silva de cinco em cinco minutos te deixa desesperado, ou mesmo para dizer que pagaria para n\u00e3o ter que ver nada disso: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, que v\u00e3o eleger deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente, temos uma pequena novidade: os candidatos v\u00e3o poder pagar para aparecer mais na internet. 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