{"id":13775,"date":"2018-09-11T08:00:25","date_gmt":"2018-09-11T11:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=13775"},"modified":"2018-09-11T09:54:26","modified_gmt":"2018-09-11T12:54:26","slug":"os-cinco-estagios-do-luto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/09\/os-cinco-estagios-do-luto\/","title":{"rendered":"Os Cinco Est\u00e1gios do Luto."},"content":{"rendered":"<p>Ao longo da vida experimentamos perdas inesperadas ou dif\u00edceis de lidar. Estas perdas podem ser de diversos tipos: morte de um ente querido, um div\u00f3rcio, uma trai\u00e7\u00e3o&#8230; n\u00e3o importa. Fato \u00e9 que quando sentimos uma perda passamos por uma fase de luto para elaborar essa perda e seguir em frente. Nem todo mundo est\u00e1 ciente deste mecanismo, e isso \u00e9 um desfavor. O que n\u00e3o \u00e9 conhecido assusta e \u00e9 mais dif\u00edcil de ser enfrentado. Por isso, no texto de hoje, vamos dar o walk through do luto. Desfavor Explica: Os Cinco Est\u00e1gios do Luto.<!--more--><\/p>\n<p>Elisabeth K\u00fcbler-Ross foi uma psiquiatra nascida na Su\u00ed\u00e7a (desta vez \u00e9 verdade!) que dedicou sua carreira a estudar a forma como o ser humano lida com a tristeza, a perda e o luto. O resultado deste estudo foi sintetizado no chamado \u201cModelo K\u00fcbler-Ross\u201d, no qual ela resume uma forma mais ou menos padr\u00e3o atrav\u00e9s da qual o ser humano costuma processar o luto.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que n\u00e3o \u00e9 algo matem\u00e1tico, ela inclusive deixa isso bem claro. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que todos os seres humanos se portar\u00e3o exatamente da mesma forma. Estamos falando de tend\u00eancias. A ordem pode ser diferente, alguns est\u00e1gios podem n\u00e3o acontecer. Segundo Beth (intimidade), a \u00fanica coisa que ela se permitia afirmar \u00e9 que ao menos dois destes est\u00e1gios ocorrer\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo sem serem absolutas, estas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de enorme valia para entender o processo, para se sentir menos sozinho percebendo que todo mundo passa por isso e tamb\u00e9m para perceber quando h\u00e1 uma estagna\u00e7\u00e3o e \u00e9 hora de procurar ajuda. Tamb\u00e9m s\u00e3o \u00fateis para ajudar pessoas queridas, observando a melhor forma de confort\u00e1-las e acolh\u00ea-las.<\/p>\n<p>O luto \u00e9 como um vale que deve ser cruzado. O problema n\u00e3o \u00e9 sofrer com uma perda, isso \u00e9 comum, \u00e9 esperado. O problema \u00e9, em vez de cruzar o vale, montar acampamento nele e ali ficar, estagnando no sofrimento. Ent\u00e3o, todas estas fases s\u00e3o normais, mas, se em algum momento voc\u00ea sentir que uma pessoa querida montou acampamento e est\u00e1 estagnada em alguma delas, \u00e9 hora de intervir.<\/p>\n<p>Segundo o Modelo K\u00fcbler-Ross, os cinco est\u00e1gios do luto s\u00e3o: nega\u00e7\u00e3o, raiva, barganha, depress\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o. Vamos olhar de perto cada um deles.<\/p>\n<p>A primeira rea\u00e7\u00e3o mais comum a uma perda \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o. \u00c9 o cl\u00e1ssico \u201cn\u00e3o cai a ficha\u201d, a pessoa simplesmente n\u00e3o consegue internalizar o que aconteceu. Racionalmente, ela compreende que aquela situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 acontecendo, mas ela simplesmente n\u00e3o deixa isso entrar dentro dela, n\u00e3o se permite sentir o que isso causaria \u00e0s suas emo\u00e7\u00f5es. \u00c9 como uma anestesia emocional muito forte.<\/p>\n<p>Quando a situa\u00e7\u00e3o o permite, a pessoa desacredita de todos para se apegar \u00e0 sua pr\u00f3pria verdade: os m\u00e9dicos est\u00e3o errados, a pol\u00edcia est\u00e1 errada, o universo est\u00e1 errado. Aquilo simplesmente n\u00e3o \u00e9 verdade e pronto. Em alguns casos, ela se tranquiliza acreditando que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim assim, se convence que o ocorrido \u00e9 menos grave do que realmente \u00e9. S\u00e3o in\u00fameras as formas de n\u00e3o observar a quest\u00e3o e suas consequ\u00eancias com realismo. E t\u00e1 tudo bem, se ela n\u00e3o est\u00e1 pronta, tenha calma, no seu tempo, ela vai internalizar a realidade.<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m est\u00e1 com um escudo protetor levantado, \u00e9 porque a pessoa precisa se proteger de algo (ou acha que precisa). Retirar esse escudo na marra, com palavras duras, com verdades que a pessoa ainda n\u00e3o est\u00e1 pronta para lidar, \u00e9 uma agress\u00e3o. N\u00e3o estamos falando apenas de uma agress\u00e3o escrota, como tamb\u00e9m de um risco para a pessoa que est\u00e1 em luto: essa for\u00e7ada de barra pode at\u00e9 desembocar em um transtorno psicol\u00f3gico ou psiqui\u00e1trico. <\/p>\n<p>Logo, se voc\u00ea conhece uma pessoa querida que esteja vivenciando o primeiro est\u00e1gio do luto, a nega\u00e7\u00e3o, seja compassivo. N\u00e3o endosse a mentira da pessoa, pois isso tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda, mas n\u00e3o remova o escudo. Cada um tem seu tempo para elaborar o luto, para lidar com o que aconteceu. Voc\u00ea ajuda tendo muito tato, deixando que a pessoa fale, permitindo que ela, aos poucos, se escute e perceba, no seu tempo, a gravidade do que aconteceu e as consequ\u00eancias. No m\u00e1ximo fa\u00e7a perguntas que induzam a uma reflex\u00e3o, para que, quem sabe, a pessoa se d\u00ea conta sozinha com o passar do tempo.<\/p>\n<p>Claro, isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se o tempo n\u00e3o estiver correndo contra a pessoa. N\u00e3o se d\u00e1 tempo para uma pessoa doente assimilar uma doen\u00e7a para a qual existe tratamento, esta pessoa deve ser tratada o quanto antes. Ent\u00e3o, se esse for o caso, se da agilidade da aceita\u00e7\u00e3o depender a vida da pessoa, a\u00ed sim \u00e9 preciso intervir: medicamentos e acompanhamento psicol\u00f3gico ser\u00e3o fundamentais para acelerar a retirada desse escudo, que impede que a pessoa procure ajuda.<\/p>\n<p>Em \u00faltimo caso, mas \u00faltimo caso mesmo, existe a possibilidade de interdi\u00e7\u00e3o judicial: quando voc\u00ea recorre ao Judici\u00e1rio alegando que a pessoa n\u00e3o tem o discernimento necess\u00e1rio para gerir sua pr\u00f3pria vida e pede para que ela seja interditada judicialmente, passando a ser voc\u00ea (ou outra pessoa) o respons\u00e1vel pelas decis\u00f5es. Pela lei brasileira, o paciente pode recusar tratamento se estiver de posse de suas faculdades mentais, mas, se estiver interditado, n\u00e3o cabe mais a ele decidir.<\/p>\n<p>J\u00e1 vi um caso assim, com uma amiga querida: a m\u00e3e descobriu uma doen\u00e7a grave e subitamente se tornou evang\u00e9lica, repetindo que os m\u00e9dicos estavam errados, que n\u00e3o havia doen\u00e7a e que, mesmo se houvesse, Deus iria cur\u00e1-la. Foi uma luta de meses, tentando convencer, enquanto a doen\u00e7a progredia. A \u00fanica op\u00e7\u00e3o para salvar sua vida foi a interdi\u00e7\u00e3o judicial. \u00c9 um processo sofrido que deixa m\u00e1goas profundas, mas me parece melhor do que deixar a pessoa morrer por ignor\u00e2ncia, ciente de que ela poderia ser salva.<\/p>\n<p>Quando a realidade vai desgastando a nega\u00e7\u00e3o e ela n\u00e3o \u00e9 mais sustent\u00e1vel, surge o segundo est\u00e1gio do luto: a raiva. Ocorre quando finalmente cai a ficha do que est\u00e1 acontecendo e a pessoa se sente muito injusti\u00e7ada e tende a culpar at\u00e9 quem n\u00e3o tem culpa. N\u00e3o raro se sente raiva de pessoas que faleceram, recriminando porque elas n\u00e3o se cuidaram melhor ou porque elas \u201cabandonaram\u201d, como se a morte fosse uma escolha. Tamb\u00e9m \u00e9 comum sentir raiva de outras pessoas, at\u00e9 mesmo de desconhecidos, pois eles est\u00e3o bem e felizes, enquanto a pessoa est\u00e1 em sofrimento profundo.<\/p>\n<p>Frases como \u201cPorque eu?\u201d, \u201cCoisas ruins acontecem com pessoas boas\u201d, \u201cO que eu fiz de errado?\u201d descrevem bem essa fase. A pessoa fica inconformada, se sentindo muito sacaneada, se revolta contra o mundo. Abandona sua religi\u00e3o, desiste de ser \u201cuma boa pessoa\u201d, desacredita de justi\u00e7a. N\u00e3o raro, a pessoa acaba isolada nesta fase, pois n\u00e3o \u00e9 capaz de dar nada al\u00e9m de sentimentos negativos. \u00c9 normal. \u00c9 esperado. Isso n\u00e3o faz da pessoa uma m\u00e1 pessoa, isso faz da pessoa um ser humano.<\/p>\n<p>Por mais dif\u00edcil que seja, o ideal \u00e9 reagir \u00e0 raiva com amor. \u00c9 s\u00f3 uma fase vai passar. Deixa a pessoa botar pra fora o que est\u00e1 sentindo, sem julgamentos. N\u00e3o adianta querer, racionalmente, convencer o outro de que n\u00e3o adianta nada sentir raiva. Por\u00e9m, fiquem atentos para uma diferen\u00e7a sutil: raiva \u00e9 esperado, vitimiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o. Tirem a pessoa da vitimiza\u00e7\u00e3o, isso s\u00f3 faz mal, em qualquer est\u00e1gio. Se a pessoa se sente v\u00edtima, \u00e9 isso que ela vai atrair para o seu cen\u00e1rio. <\/p>\n<p>Uma pessoa nesta fase da raiva pode se tornar inconveniente: destratar m\u00e9dicos, enfermeiras, familiares, amigos e, o pior dos mundos, a pol\u00edcia e o delegado. T\u00e1 tudo bem, \u00e9 assim mesmo, mas ela precisa de um escudo de prote\u00e7\u00e3o, de um filtro para falar por ela. Ent\u00e3o tente acompanhar a pessoa a compromissos nos quais ela vai se prejudicar caso transborde essa raiva em terceiros. Seja o filtro que a pessoa n\u00e3o consegue ter. Tome a frente de tudo que ela n\u00e3o precise participar e resolva para ela.<\/p>\n<p>J\u00e1 vi gente mandando delegado (que investigada a morte do seu filho) se foder, alegando que ele estava de m\u00e1 vontade e n\u00e3o sabia fazer o seu trabalho. Por mais que seja verdade, isso n\u00e3o ajuda ningu\u00e9m. Uma pessoa no est\u00e1gio da raiva tem que ter sempre algu\u00e9m por perto ajudando a filtrar o que fala, resolvendo pend\u00eancias burocr\u00e1ticas para ela (poupando de coisas que j\u00e1 s\u00e3o irritantes por natureza) e zelando para que ela n\u00e3o se prejudique nem prejudique a terceiros. Por um tempo, a pessoa vai ficar com o discernimento comprometido e precisar de um guardi\u00e3o. Mas calma, que passa.<\/p>\n<p>Raiva \u00e9 um sentimento que demanda muito da pessoa, geralmente ela n\u00e3o consegue se manter nele por muito tempo. Quando a raiva passa, vem o rebote de todo o desgaste e o consumo de energia que isso gerou: a terceira fase do luto, a fase de barganha ou negocia\u00e7\u00e3o. A pessoa entendeu o que est\u00e1 acontecendo, n\u00e3o est\u00e1 mais cega pela raiva. Ela se depara com a quest\u00e3o, na sua frente e, diante dela, em uma \u00faltima tentativa desesperada, ela negocia qualquer coisa para mudar sua realidade.<\/p>\n<p>\u00c9 irracional, independe de religi\u00e3o. Eu mesma fiz promessa duas vezes na vida de passar um ano sem comer chocolate (promessa esta que estou cumprindo pela segunda vez, at\u00e9 novembro deste ano). \u00c9 nessa fase que a pessoa pede a Deus que devolva o ente querido que se foi a leve no lugar. \u00c9 nessa fase que a pessoa promete o que for para tentar reverter essa nova realidade que se instaurou na vida dela.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a fase da barganha pode ser mais sutil do que isso. Existe uma modalidade muito filha da puta, que \u00e9 a barganha retroativa: quem est\u00e1 de luto pensa que o resultado poderia ter sido diferente se ela tivesse feito tal coisa, dito tal coisa, tentado tal coisa. \u00c9 um pensamento assustadoramente recorrente \u2013 e falso.<\/p>\n<p>A menos que voc\u00ea seja um psicopata, posso te garantir que, \u00e0 \u00e9poca, dentro das suas possibilidades, voc\u00ea fez o melhor que podia. O que alimenta a fase da barganha \u00e9 uma ilus\u00e3o de controle que n\u00f3s, humaninhos (inclusive esta que vos escreve) temos. Nos achamos important\u00edssimos, determinantes. Uma fala nossa poderia ter mudado todo o curso da hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>N\u00e3o, amiguinhos. Se aconteceu assim, era para acontecer assim, por mais que voc\u00ea n\u00e3o goste, n\u00e3o entenda ou n\u00e3o ache justo. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 vendo o todo, deve existir um plano maior no qual esse evento que gerou o luto \u00e9 muito necess\u00e1rio e, quem sabe, para o bem no final das contas. Obviamente voc\u00ea n\u00e3o vai dizer isso a uma pessoa na fase de barganha, pois ela vai dar na sua cara, com raz\u00e3o. Tire a pessoa do medo, da culpa e do looping escroto que \u00e9 ficar se recriminando e pensando no que poderia ser.<\/p>\n<p>Est\u00e1 feito. Est\u00e1 acontecido. S\u00f3 existe um tempo: o presente. O passado n\u00e3o pode ser mudado, o futuro ainda n\u00e3o aconteceu. Faz o Eckhart Tolle e mantenha a pessoa no agora. Com tato e delicadeza mostre que n\u00e3o sabemos o que poderia ter sido, talvez o que a pessoa pensa que poderia ter ajudado ou evitado uma trag\u00e9dia pudesse at\u00e9 ter piorado as coisas. A verdade \u00e9 que n\u00e3o sabemos porra nenhuma e n\u00e3o controlamos porra nenhuma. <\/p>\n<p>A fase da barganha pode durar bastante tempo, n\u00e3o deixe a pessoa se chicotear: amor, compreens\u00e3o, mas tamb\u00e9m uma dose de realidade para tirar a pessoa da culpa. Relativize as certezas da pessoa e relembre-a o tempo todo que, dentro das suas possibilidades, ela fez o melhor que podia.<\/p>\n<p>Depois da barganha, temos o quarto est\u00e1gio do luto: a depress\u00e3o, que geralmente acontece quando a pessoa se v\u00ea for\u00e7ada a enfrentar os aspectos pr\u00e1ticos da sua perda. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a depress\u00e3o cl\u00ednica, \u00e9 apenas uma \u201ctristeza qualificada\u201d. Depois de negar, sentir raiva e barganhar em v\u00e3o, a pessoa se v\u00ea for\u00e7ada a enfrentar o que aconteceu e suas consequ\u00eancias. Ent\u00e3o, gra\u00e7as ao impacto emocional de ter que lidar com isso, somado a todo o desgaste que as outras fases provocam, a pessoa entra em uma situa\u00e7\u00e3o de tristeza e exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa hora que a pessoa fica sem comer, se isola dos amigos e at\u00e9 se retira do mundo. Pode ser que continue executando suas tarefas di\u00e1rias, mas ela fica visivelmente abatida. E \u00e9 normal. Como j\u00e1 foi dito acima, \u00e9 um vale que se deve atravessar. O problema n\u00e3o \u00e9 passar por esse est\u00e1gio e sim montar acampamento nele.<\/p>\n<p>Anos atr\u00e1s o principal problema era ignorar a tristeza: pregui\u00e7oso, falta for\u00e7a de vontade, falta Jesus no cora\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m hoje, talvez em um efeito rebote, h\u00e1 uma histeria muito grande de n\u00e3o se permitir a tristeza de forma alguma. A menos que seja uma pessoa muito iluminada, \u00e9 normal (no sentido de ser comum) passar por um per\u00edodo de reclus\u00e3o e tristeza. N\u00e3o pule na pessoa, mande ter for\u00e7a de vontade, ou enfie rem\u00e9dios ou tente for\u00e7a-la a sair. Isso \u00e9 uma viol\u00eancia contra ela. <\/p>\n<p>\u00c9 um est\u00e1gio necess\u00e1rio para elaborar o luto. Por\u00e9m, fique atento de um est\u00e1gio do luto a coisa pode passar para uma <a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2011\/01\/desfavor-explica-depressao\/\">depress\u00e3o cl\u00ednica<\/a>. <\/p>\n<p>Repito: tentar convencer ou for\u00e7ar uma pessoa que est\u00e1 elaborando um luto a n\u00e3o passar pela fase da depress\u00e3o (tristeza, n\u00e3o depress\u00e3o cl\u00ednica) \u00e9 uma agress\u00e3o. Via de regra, \u00e9 um est\u00e1gio necess\u00e1rio para que a ferida emocional cicatrize. Respeite o tempo da pessoa, apenas intervenha se voc\u00ea sentir que, em vez de cruzar o vale, ela montou acampamento. Voc\u00ea pode constatar isso de uma forma muito simples: passam as semanas e a pessoa n\u00e3o faz qualquer progresso, por menor que seja.<\/p>\n<p>Uma pessoa nessa fase se ajuda on demand, ou seja, dando a ela o que ela precisa. Quer conversar? \u00d3timo, vamos conversar. Quer ficar sozinha? Beleza, vamos respeitar. Quer jogar papel higi\u00eanico molhado nos transeuntes para rir? Tamo junto. Mantenha-se por perto, mantenha-se dispon\u00edvel, deixe a pessoa confort\u00e1vel para te acessar sempre que precisar. E mantenha-se vigilante: montou acampamento, \u00e9 hora de procurar ajuda. N\u00e3o \u00e9 vergonha alguma tomar rem\u00e9dios diante de um desequil\u00edbrio bioqu\u00edmico do c\u00e9rebro, \u00e9 uma necessidade. <\/p>\n<p>Por fim, depois de negar, sentir raiva, tentar negociar e ficar muito triste, vem o quinto e \u00faltimo est\u00e1gio: a aceita\u00e7\u00e3o. Sim, ele chega. Parece muito distante e imposs\u00edvel no come\u00e7o, mas, acredite, essa fase chega para todo mundo, vai chegar tamb\u00e9m para voc\u00ea ou para a pessoa que voc\u00ea est\u00e1 ajudando a elaborar o luto. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 diferente do resto dos seres humanos. Faz parte do processo ter o medo ou at\u00e9 a certeza de que a aceita\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai chegar nunca, mas ela chega.<\/p>\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o pode ser descrita como uma \u201cestranha calma\u201d. Por meses sentimentos conturbados rondaram aquela pessoa, esse sentimentos v\u00e3o se desfazendo, at\u00e9 sobrar uma estranha calma. Nessa hora \u00e9 importante que a pessoa n\u00e3o sinta culpa pela aceita\u00e7\u00e3o. Muita gente se culpa por parar de sofrer ap\u00f3s a morte de um ente querido ou qualquer perda ou situa\u00e7\u00e3o de luto. A aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho natural, e, bem-vinda seja! Se voc\u00ea parar para pensar, vai ver que o sofrimento vem justamente da n\u00e3o-aceita\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A melhor forma de ajuda uma pessoa a fazer essa transi\u00e7\u00e3o \u00e9 retirando qualquer culpa e abrindo as portas para que ela abrace a aceita\u00e7\u00e3o. A pessoa que se foi n\u00e3o gostaria de v\u00ea-la sofrendo, certo? Se ela est\u00e1 observando em algum lugar (quem pode saber?), certamente ela vai ficar muito feliz em ver seus entes queridos melhorando. O que quer que tenha causado esse luto, vai passar, <a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2016\/06\/isso-tambem-passara\/\">porque tudo passa<\/a>, tanto as coisas boas como as ruins. Fica a imperman\u00eancia como li\u00e7\u00e3o, e a possibilidade de fazer as pazes com ela.<\/p>\n<p>Espero que este resuminho sobre luto ajude voc\u00eas a se ajudarem ou a ajudar uma pessoa querida. Trancando coisas desagrad\u00e1veis no fundo do arm\u00e1rio criamos monstros, jogando luz nelas as resolvemos. Repassem este texto para quem possa ser ajudado por ele.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que voc\u00ea est\u00e1 na fase da luta e n\u00e3o do luto, para dizer que sentiu tudo isso quando seu celular caiu no vaso ou ainda para dizer que este texto vai ser muito \u00fatil ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo da vida experimentamos perdas inesperadas ou dif\u00edceis de lidar. Estas perdas podem ser de diversos tipos: morte de um ente querido, um div\u00f3rcio, uma trai\u00e7\u00e3o&#8230; n\u00e3o importa. Fato \u00e9 que quando sentimos uma perda passamos por uma fase de luto para elaborar essa perda e seguir em frente. 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