{"id":13948,"date":"2018-10-08T12:00:23","date_gmt":"2018-10-08T15:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=13948"},"modified":"2018-10-08T11:24:14","modified_gmt":"2018-10-08T14:24:14","slug":"indo-pra-cima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/10\/indo-pra-cima\/","title":{"rendered":"Indo pra cima."},"content":{"rendered":"<p>A vida \u00e9 cheia de dificuldades, algumas delas causadas por n\u00f3s mesmos. Sally e Somir concordam que \u00e9 importante estar l\u00e1 para ajudar pessoas queridas, mas n\u00e3o na forma como isso deve ser feito. Os impopulares se intrometem, ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Tema de hoje: \u00e9 v\u00e1lido se meter na vida de uma pessoa contra a vontade dela para salv\u00e1-la de um risco grave?<\/strong><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>N\u00e3o. E isso n\u00e3o tem nada a ver com n\u00e3o se importar, \u00e9 uma forma de lidar com a situa\u00e7\u00e3o baseada em duas premissas: primeiro que s\u00f3 \u00e9 ajudado quem quer ser ajudado e segundo que nem sempre sabemos calcular o risco pelos outros. O que eu defendo aqui \u00e9 estar dispon\u00edvel para ajudar sem criar o problema extra de ser invasivo.<\/p>\n<p>Pode at\u00e9 parecer uma forma pregui\u00e7osa de lidar com as pessoas queridas ao seu redor, mas \u00e9 resultado de experi\u00eancia com o ser humano, incluindo este que lhes escreve: mudan\u00e7a \u00e9 algo interno. Voc\u00ea pode for\u00e7ar algu\u00e9m a agir de uma certa forma de v\u00e1rias maneiras diferentes, desde manipula\u00e7\u00e3o at\u00e9 amea\u00e7as f\u00edsicas, mas essas atitudes sob press\u00e3o tem o p\u00e9ssimo h\u00e1bito de n\u00e3o serem consistentes. A pessoa age assim enquanto existe a press\u00e3o, sem mudar nada por dentro que gere um aprendizado.<\/p>\n<p>E \u00e9 a\u00ed que tudo come\u00e7a a parecer um exerc\u00edcio f\u00fatil. Voc\u00ea entra num ciclo pouco produtivo de tratar dos sintomas ao inv\u00e9s da doen\u00e7a, e assim que n\u00e3o puder mais destinar sua energia para aquela pessoa, ela tende a voltar a ter os mesmos comportamentos de risco de antes. E tempo\/energia \u00e9 um dos recursos mais limitados dessa vida, pode ter certeza que uma hora ou outra voc\u00ea n\u00e3o vai mais conseguir manter o foco em intervir na vida do outro.<\/p>\n<p>Adultos costumam fazer isso com crian\u00e7as porque faz parte do acordo de paternidade gastar toda energia poss\u00edvel com filhos at\u00e9 eles aprenderem a fazer a coisa certa. E isso funciona porque uma crian\u00e7a tem uma mente male\u00e1vel, que absorve muita informa\u00e7\u00e3o e tem um grande foco em agradar os pa\u00eds. Essa forma de interven\u00e7\u00e3o funciona numa fase da vida que nossos c\u00e9rebros s\u00e3o programados para reagir a isso, mas depois come\u00e7a a fica exponencialmente mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Um parente, um amigo ou uma namorada j\u00e1 est\u00e3o com suas mentes desenvolvidas, muito menos \u201cesponjosas\u201d para est\u00edmulos externos. Come\u00e7a a ficar basicamente imposs\u00edvel tratar pessoas dessa mesma forma e esperar um resultado consistente. A sabedoria popular de que s\u00f3 muda quem quer vem muito disso, da forma como um c\u00e9rebro adulto tende a querer manter sua vis\u00e3o de mundo com muito mais for\u00e7a que uma crian\u00e7a. Uma pessoa aprende e age diferente se houver uma mudan\u00e7a interna que a leve at\u00e9 esse ponto. N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel querer for\u00e7ar isso.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o quer dizer que algu\u00e9m fazendo algo que a prejudique n\u00e3o tenha como se ajudado, s\u00f3 quer dizer que n\u00e3o d\u00e1 para entrar na cabe\u00e7a dele e \u201ctirar com a m\u00e3o\u201d o problema. Esse algu\u00e9m vai ter que resolver as coisas internamente antes de exteriorizar uma mudan\u00e7a. O que voc\u00ea pode e deve fazer \u00e9 oferecer o suporte para essa mudan\u00e7a. Conversar, mostrar que est\u00e1 dispon\u00edvel, agir para ajudar no limite que a pessoa aceita\u2026<\/p>\n<p>Mais do que isso bate naquele escudo de vis\u00e3o de mundo do qual falava antes. Ningu\u00e9m gosta de estar errado ou de fazer mal para os outros. Quem est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o dessas normalmente racionaliza o mau comportamento de alguma forma\u2026 todo genocida achava que estava salvando a humanidade. A mente humana \u00e9 previs\u00edvel nesse ponto. N\u00e3o d\u00e1 para dizer para algu\u00e9m que est\u00e1 fazendo algo errado sem causar algum tipo de ofensa, mas d\u00e1 para modular esse grau de invasividade sem essa pessoa se fechar totalmente para voc\u00ea. Melhor ofender um pouco para ofender sempre do que fazer algo muito grande e ligar todas as defesas do outro de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p>E n\u00e3o podemos esquecer: essa outra pessoa \u00e9 adulta. Ela tem direito de fazer suas merdas, goste voc\u00ea ou n\u00e3o. Fazer besteira \u00e9 uma das formas mais eficientes de gerar aprendizado. Todo mundo tem seu mix de boas e m\u00e1s ideias na vida, e monta isso mais ou menos como bem entender. A interven\u00e7\u00e3o muito agressiva liga todas as defesas da pessoa fazendo algo ruim e ainda por cima a exime de responsabilidades. O ideal \u00e9 reduzir ao m\u00e1ximo a quantidade de besteiras feitas antes de aprender, mas \u00e9 complicado prever o que precisa ou n\u00e3o precisa acontecer antes disso. Se \u00e9 que a pessoa est\u00e1 disposta a aprender: muita gente toma m\u00e1s decis\u00f5es para se punir mesmo. O buraco est\u00e1 muito mais embaixo nesses casos.<\/p>\n<p>Adoraria poder proteger todas minhas pessoas queridas numa bolha de seguran\u00e7a, mas essa n\u00e3o \u00e9 a realidade do mundo. Todo mundo vai fazer merda e passar por perigos. Eu sou inclusive do time que protege essas pessoas pr\u00f3ximas mesmo discordando delas ou achando que elas fizeram algo terr\u00edvel, porque infelizmente isso \u00e9 muito mais comum do que gostar\u00edamos. A vers\u00e3o mais pr\u00e1tica de estar l\u00e1 pelas suas pessoas queridas \u00e9 justamente\u2026 estar l\u00e1. Precisou, ajuda. Mas ser muito invasivo pode inclusive come\u00e7ar a te afastar dessas pessoas, porque faz de voc\u00ea um agente contra a liberdade delas, inclusive a de aprender. Eu sei que \u00e9 terr\u00edvel, mas \u00e0s vezes a crian\u00e7a precisa se machucar para aprender o que machuca\u2026<\/p>\n<p>E mais um ponto: nem sempre calculamos bem o que \u00e9 o risco para o outro. Uma fam\u00edlia que manda o filho para fazer uma \u201ccura gay\u201d pode parecer horr\u00edvel, mas na cabe\u00e7a deles, est\u00e3o fazendo de tudo para salvar algu\u00e9m muito querido. Quem se preocupa com o outro tamb\u00e9m \u00e9 fal\u00edvel. Todos somos. Erramos o c\u00e1lculo de risco e recompensa de alguma coisa que a outra pessoa est\u00e1 fazendo e podemos at\u00e9 tirar dela algo muito bom. \u00c9 importante pensar junto com o outro e tentar antever problemas, mas \u00e9 mais importante ainda se lembrar que voc\u00ea tamb\u00e9m erra nessas an\u00e1lises. Muitas vezes voc\u00ea s\u00f3 tem que confiar que a pessoa sabe o que est\u00e1 fazendo e deix\u00e1-la seguir em frente. A vida \u00e9 complexa e nem sempre sabemos diferenciar tudo o que \u00e9 bom ou ruim para outra pessoa. Por isso mantenho: esteja l\u00e1, ajude se der errado, estenda a m\u00e3o se a pessoa pedir ajuda, mas n\u00e3o tente for\u00e7\u00e1-la a ser o que n\u00e3o \u00e9. Quando for a hora dela, SE for a hora dela, voc\u00ea vai ter como fazer o seu.<\/p>\n<p>E no final das contas, \u00e9 o que d\u00e1 para contar mesmo.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para me chamar de pregui\u00e7oso e insens\u00edvel, para dizer que sempre sabe o melhor para os outros, ou mesmo para dizer que achou que eu estava morto: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>\u00c9 v\u00e1lido ser invasivo e se meter na vida de algu\u00e9m de uma forma que a pessoa n\u00e3o permite, para tentar salv\u00e1-la de algo muito grave?<\/p>\n<p>Sim, quando o que est\u00e1 em jogo \u00e9 algo muito grave, muito grave mesmo, como a vida da pessoa ou a vida de uma pessoa querida, tem que se meter sim. Se vai ser eficiente ou n\u00e3o, eu n\u00e3o sei, mas ao menos voc\u00ea vai saber que fez a sua parte.<\/p>\n<p>N\u00e3o falo apenas de coisa dr\u00e1sticas, como pegar um drogado e internar \u00e0 for\u00e7a (coisa que eu tamb\u00e9m faria), falo tamb\u00e9m de coisas mais sutis, como dizer para a pessoa com todas as letras que ela precisa cuidar melhor da sua sa\u00fade ou vai morrer. \u201cAh, mas n\u00e3o adianta nada, a pessoa s\u00f3 faz o que quer\u201d. \u00c0s vezes n\u00e3o, \u00e0s vezes sim, dependendo da forma como voc\u00ea fale as coisas, depende do momento de vida, depende de muita coisa que voc\u00ea desconhece e n\u00e3o controla, ent\u00e3o, na d\u00favida, eu fala, vai que toca o cora\u00e7\u00e3o da pessoa, vira uma chave e ela absorve aquilo?<\/p>\n<p>Sim, s\u00f3 a pr\u00f3pria pessoa pode se salvar, mas voc\u00ea pode ser um agente que faz ela perceber a necessidade de se salvar ou que faz ela passar a ter vontade de se salvar. Presumir que o que a gente fala nunca vai adiantar de nada \u00e9 desistir das pessoas queridas e apenas observ\u00e1-las cometendo erros, muitas vezes destrutivos.<\/p>\n<p>Vai me dizer que voc\u00ea nunca se meteu onde n\u00e3o foi chamado e, com conversa, conseguiu mudar o ponto de vista de algu\u00e9m e impedir que essa pessoa fa\u00e7a uma grande besteira? Porra, \u00e9 para isso que servem amigos, parceiros, fam\u00edlia ou qualquer grupo de pessoas que te queira bem. E o contr\u00e1rio, nunca aconteceu? Uma pessoa te enquadrou, mesmo contra a sua vontade, e te fez ver que algo n\u00e3o estava legal, te salvando de muitos problemas futuros?<\/p>\n<p>A pessoa que est\u00e1 cometendo um erro dificilmente percebe que est\u00e1 cometendo um erro (caso contr\u00e1rio n\u00e3o o cometeria, n\u00e9?), por isso, nem sempre a interven\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m \u00e9 bem recebida. N\u00e3o vou assistir passivamente uma trag\u00e9dia acontecendo porque a pessoa est\u00e1 cega se eu estou vendo claramente.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso obrigar a pessoa a fazer o que eu quero, mas vou me meter sim, para expor meu ponto de vista e, quem sabe, induzir a pessoa a uma reflex\u00e3o para que ela tente ver as coisas por outro \u00e2ngulo. Se meter n\u00e3o \u00e9 coagir a pessoa a seguir uma ordem sua, se meter \u00e9 dizer ou fazer coisas que n\u00e3o foram autorizadas ou solicitadas. De posse destas informa\u00e7\u00f5es a pessoa faz o que quer. Se meter \u00e9 dar mais ferramentas para a pessoa resolver o problema, ela usa se quiser.<\/p>\n<p>J\u00e1 fizeram isso comigo v\u00e1rias vezes e sou extremamente grata. Minha vida certamente seria muito pior se pessoas que me querem bem n\u00e3o tivessem interferido na hora certa. Porra, n\u00e3o somos perfeitos, todos n\u00f3s de tempos em tempos surtamos, ficamos meio cegos, perdemos o rumo. Se as pessoas que nos querem bem n\u00e3o fizerem o poss\u00edvel para nos ajudar e nos colocar de volta nos trilhos, isso significaria que estamos sozinhos no mundo. N\u00e3o, obrigada, eu quero uma rede de suporte que me ajude quando eu estiver cega, com todos os recursos poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Existem momentos da vida onde temos que fazer escolhas tr\u00e1gicas. Nenhuma das op\u00e7\u00f5es \u00e9 a ideal, todas v\u00e3o causar mal em algum n\u00edvel. Nessas horas eu prefiro pecar pelo excesso e fazer tudo que estiver ao meu alcance para tentar evitar uma trag\u00e9dia na vida de uma pessoa querida. Percebam que n\u00e3o estou falando de algo pequeno como reatar com um namorado chato, na primeira frase do texto tem a express\u00e3o \u201cpara tentar salv\u00e1-la de algo muito grave\u201d. Estamos falando de risco de vida, risco de pris\u00e3o, de coisas que afetar\u00e3o a vida da pessoa de forma irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>O fato de voc\u00ea se meter e tomar a chave do carro da m\u00e3o de um amigo b\u00eabado \u00e0 for\u00e7a pode salvar a vida dele. Pode evitar que ele fique o resto da vida em uma cadeira de rodas. Pode evitar que ele mate outras e tenha que lidar com isso para sempre. <\/p>\n<p>Se voc\u00ea j\u00e1 tentou dizer a um b\u00eabado que ele n\u00e3o pode dirigir e tomar a chave do carro dele \u00e0 for\u00e7a sabe que eles geralmente n\u00e3o gostam desta atitude. Mas, pergunte para quem j\u00e1 matou algu\u00e9m dirigindo b\u00eabado, ou para quem ficou em uma cadeira de rodas dirigindo b\u00eabado, se a pessoa n\u00e3o gostaria que um amigo tivesse tomado a chave da sua m\u00e3o no dia do acidente.<\/p>\n<p>Somos humanos, somos fal\u00edveis. Precisamos de essa rede de seguran\u00e7a de \u00faltima inst\u00e2ncia, onde algu\u00e9m toma uma atitude extrema, seja tomar a chave da m\u00e3o, seja falar umas verdades, para nos alertar de erros grandes. Se a pessoa vai aproveitar essa oportunidade ou n\u00e3o, bem, isso \u00e9 problema dela. Cabe a voc\u00ea disponibilizar essa chance para a pessoa. Eu me sentiria omissa se n\u00e3o o fizesse. E digo mais: recriminaria amigos meus que n\u00e3o o fa\u00e7am comigo quando eu precisar.<\/p>\n<p>N\u00e3o sejamos rom\u00e2nticos de pensar que tudo se resolve com civilidade e dentro dos limites impostos por cada um. Se uma pessoa que voc\u00ea ama est\u00e1 se colocando em risco de vida, est\u00e1 com o discernimento afetado, n\u00e3o est\u00e1 vendo claramente o risco no qual est\u00e1 se colocando (ou pior, no qual est\u00e1 colocando pessoas queridas), pode n\u00e3o dar tempo de resolver a quest\u00e3o dentro da pol\u00edtica da boa vizinhan\u00e7a. Escolhas tr\u00e1gicas. Eu escolho jogar uma boia para quem est\u00e1 se afogando, cabe \u00e0 pessoa pegar ou n\u00e3o, mas eu vou jogar a porra da boia.<\/p>\n<p>Para coisas pequenas, revers\u00edveis, eu posso at\u00e9 deixar correr solto, pois muitas vezes \u00e9 necess\u00e1rio para que a pessoa aprenda. Erros podem ensinar, mas erros tamb\u00e9m podem destruir, depende do tamanho. Se eu achar que \u00e9 um erro que vai destruir a pessoa, eu me meto at\u00e9 onde seja poss\u00edvel para viabilizar uma rota alternativa para essa estrada que acaba em um precip\u00edcio.<\/p>\n<p>Acho que a grande quest\u00e3o que responde \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o deste texto \u00e9: como voc\u00ea gostaria que as pessoas queridas agissem com voc\u00ea, se fosse voc\u00ea a se colocar em um grande risco? Pois bem, fa\u00e7a o mesmo pelos outros.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu sou invasiva, para dizer que \u00e9 melhor fingir que n\u00e3o viu a merda que ia dar ou ainda para dizer que mal cuida de voc\u00ea, quem dir\u00e1 dos outros: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida \u00e9 cheia de dificuldades, algumas delas causadas por n\u00f3s mesmos. Sally e Somir concordam que \u00e9 importante estar l\u00e1 para ajudar pessoas queridas, mas n\u00e3o na forma como isso deve ser feito. Os impopulares se intrometem, ou n\u00e3o. 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