{"id":14096,"date":"2018-10-26T13:00:02","date_gmt":"2018-10-26T15:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=14096"},"modified":"2025-11-05T13:49:31","modified_gmt":"2025-11-05T16:49:31","slug":"resultado-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/10\/resultado-final\/","title":{"rendered":"Resultado final."},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 pedimos, j\u00e1 falamos, j\u00e1 conversamos, mas, ainda assim, senti a necessidade de reunir tudo em um \u00fanico texto final. Vale para o resultado das elei\u00e7\u00f5es e vale para qualquer situa\u00e7\u00e3o indesejada que se apresenta na sua vida, para que voc\u00ea possa lidar com ela da forma menos desgastante poss\u00edvel. <!--more--><\/p>\n<p>Para ficar mais did\u00e1tico, dividi em tr\u00eas premissas que, se puderem, pe\u00e7o que carreguem sempre com voc\u00eas: 1) n\u00e3o sei 2) entrego 3) ressignifico.<\/p>\n<p>Longe de mim querer impor o que vou escrever aqui como verdadeiro, \u00e9 apenas um de muitos pontos de vista e sinta-se mais do que confort\u00e1vel para pegar apenas o que te serve e jogar o resto no lixo. Desfavor \u00e9 Buf\u00ea, n\u00e3o pacote de ades\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes de mais nada, este texto n\u00e3o \u00e9 nada sobre nada m\u00e1gico, m\u00edstico ou religioso. S\u00e3o apenas algumas ferramentas que eu entendo que podem ser \u00fateis para algumas pessoas, para se viver melhor e que vem a calhar neste momento. Dito isso, vamos ao texto.<\/p>\n<p>A primeira premissa \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o sabemos nada.<\/p>\n<p>Achamos que sabemos, mas a verdade \u00e9 que por mais que gostemos de ter a sensa\u00e7\u00e3o (falsa) que que somos muito especiais, importantes e sabemos muito, n\u00e3o sabemos nada. O (pouco) conhecimento que temos, <a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/07\/autoconhecimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 contaminado por cren\u00e7as<\/a>, por <a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/07\/efeito-pigmaleao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma vis\u00e3o de mundo parcial<\/a> e por centenas de informa\u00e7\u00f5es falsas que nos cercam. O que voc\u00ea sabe sobre a vida, a verdade e o universo? Nada. N\u00e3o, n\u00e3o estou te chamando de burro, eu sei tanto quanto voc\u00ea: nada. O mais brilhante dos seres humanos teria esta limita\u00e7\u00e3o, seja pela nossa estrutura f\u00edsica, seja pela imensid\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o (boa parte dela, ainda desconhecida) do universo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que vemos s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es pontuais, fora de contexto, que, em um primeiro momento, achamos entender e julgamos rapidamente se s\u00e3o ou n\u00e3o boas para n\u00f3s. Quem aqui nunca passou por um evento que julgou ser horr\u00edvel, injusto e desnecess\u00e1rio e, mais para frente, percebeu que o fato daquilo ter acontecido foi crucial para sua vida? Seja por trazer um aprendizado muito \u00fatil mais para frente, seja por significar, no final das contas, uma coisa verdadeiramente boa, no quando acaba a gente v\u00ea que foi pra melhor. \u00c9 aquele cl\u00e1ssico clich\u00ea da pessoa que acorda atrasada, maldiz o azar, perde um voo e o avi\u00e3o cai. Quem nunca reclamou pra cacete de algo que, em um primeiro julgamento superficial parecia ruim mas no final das contas foi bom?<\/p>\n<p>Mais: muitas vezes isso acontece sem que a gente sequer tome consci\u00eancia. Uma coisa supostamente \u201cruim\u201d acontece, a gente xinga e, nos efeitos borboletas da vida, ela \u00e9 respons\u00e1vel por salvar a nossa vida, por nos colocar em um lugar melhor ou tantas outras coisas boas que n\u00e3o conseguimos sequer compreender ou relacionar. A meia-verdade \u00e9 que o que n\u00f3s achamos que \u00e9 bom ou ruim est\u00e1 totalmente contaminado pelo nosso entorno, pelos condicionamentos do nosso c\u00e9rebro e por nossa pouca percep\u00e7\u00e3o do quadro geral.<\/p>\n<p>Eu disse \u201cmeia-verdade\u201d, porque a verdade mesmo, senhoras e senhores, \u00e9 que n\u00e3o existe \u201cbom\u201d ou \u201cruim\u201d. Isso \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social. Existem coisas que nos agradam ou nos desagradam, porque somos arrogantes de achar que sabemos categorizar o que \u00e9 \u201cbom\u201d ou \u201cruim\u201d. Mas se n\u00e3o sabemos nada, como podemos julgar? O julgamento ser\u00e1 com base em cren\u00e7as sociais, que bosta de crit\u00e9rio, n\u00e3o? C\u00eajura que acha que sabe alguma coisa tomando por base esse crit\u00e9rio cagado? <a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/01\/dualidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A dualidade n\u00e3o existe<\/a>, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o nossa, social, e um tremendo desfavor. Quem puder sair dela, vai viver melhor, muito melhor.<\/p>\n<p>\u00c9 ut\u00f3pico, eu sei. \u00c9 praticamente imposs\u00edvel sair da dualidade, ainda mais em um momento de polariza\u00e7\u00e3o m\u00e1xima como esse: coxinha x petralha, pa\u00eds vai virar Venezuela x fascista e tantas outras vers\u00f5es toscas, med\u00edocres e escrotas da dualidade que estamos experimentando. Mas, se voc\u00ea conseguir sair, ao menos um pouco, ao menos por um segundo desse pensamento dual, onde ou \u00e9 uma coisa, ou \u00e9 outra, ou \u00e9 bom, ou \u00e9 ruim, eu te prometo que sua vida vai melhorar. Olhar para as coisas com o olhar da neutralidade vai expandir sua consci\u00eancia e te ajuda a sair dessa tsunami de infelicidade, ansiedade e estresse.<\/p>\n<p>\u00c9 que saindo da dualidade, n\u00e3o tomando lados, voc\u00ea passa a ser um mero observador, aberto para aquilo que o universo tenha a te oferecer. Quando voc\u00ea para de lutar contra o universo (adivinha quem vai levar a pior?) voc\u00ea sai do jogo. E quando o que quer que seja chegar, voc\u00ea n\u00e3o vai fazer julgamento, portanto, n\u00e3o vai sofrer.<\/p>\n<p>Mas tudo isso depende do primeiro passo: Admitir que n\u00e3o sabe porra nenhuma, que te desqualifica para julgar, pois quem n\u00e3o tem os subs\u00eddios necess\u00e1rios n\u00e3o tem como formar uma opini\u00e3o.\u00a0 Se uma meia d\u00fazia daqui aproveitar algo do que eu estou dizendo hoje, j\u00e1 ter\u00e1 valido o texto.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, isso tudo \u00e9 muito dif\u00edcil, n\u00e3o consigo\u201d. Nem eu, meu anjo. O que m\u00e3o me impede de tentar, pois sei que vou viver melhor se conseguir. Como diria o Rom\u00e1rio: s\u00f3 perde quem bate. Quando voc\u00ea tinha um ano n\u00e3o conseguia andar, hoje voc\u00ea anda. O fato de n\u00e3o conseguir algo HOJE, n\u00e3o quer dizer que voc\u00ea nunca vai conseguir. Por sinal, daqui h\u00e1 um ano, voc\u00ea vai desejar ter come\u00e7ado hoje.<\/p>\n<p>Existem mil caminhos para chegar em cada objetivo, vai trilhando os seus, uma hora voc\u00ea chega l\u00e1. N\u00e3o tenho como dizer o caminho de ningu\u00e9m, mas, no que depender de mim, sempre que descobrir uma ferramenta nova para ajudar nesse caminho, venho aqui compartilhar. Pega quem sentir que ela pode ser \u00fatil, quem n\u00e3o, passa amanh\u00e3. Fazer uma trilha acompanhado \u00e9 sempre mais f\u00e1cil, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Bem, depois que a gente entende que n\u00e3o sabe nada, que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de saber por n\u00e3o ter todas as informa\u00e7\u00f5es, os subs\u00eddios necess\u00e1rios e por n\u00e3o ter uma compreens\u00e3o de mundo limpa de toneladas de lixo social que despejam na gente, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 a entrega, talvez o mais dif\u00edcil de todos.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o sabe de nada, se voc\u00ea n\u00e3o entende nada, o que pode fazer a respeito? Muito pouco, pode trabalhar apenas naqueles pequenos pontos onde tem controle, que s\u00e3o poucos, muito poucos. Depois disso, o que parece mais razo\u00e1vel: ficar ansioso prevendo todos os cen\u00e1rios poss\u00edveis (spoiler: \u00e9 imposs\u00edvel) e tentando se preparar ou viver sua vida com gra\u00e7a e dignidade, sem deixar que algo que n\u00e3o depende do seu controle te abale?<\/p>\n<p>Dica de ouro para controlar a ansiedade: aprender a discernir aquilo que est\u00e1 no seu poder ser mudado e o que n\u00e3o est\u00e1. Normalmente somos arrogantes e achamos que temos poder para muito al\u00e9m do que podemos fazer. Tem que botar o p\u00e9 no freio antes. Fez tudo que estava ao seu alcance? Meu amor, miss\u00e3o cumprida, ENTREGA.<\/p>\n<p>E, n\u00e3o se enganem, esta entrega \u00e9 interna e meramente ficcional, voc\u00ea n\u00e3o abre m\u00e3o de poder, ela acontece apenas em uma percep\u00e7\u00e3o interna sua. Na realidade, voc\u00ea nunca teve controle sobre o que \u00e9 incontrol\u00e1vel, basta apenas que assuma isso para si mesmo. Pergunte-se: \u201ceu fiz tudo que podia para tentar reverter isso?\u201d. Se sim, entrega, caso contr\u00e1rio voc\u00ea estar\u00e1 fazendo um mal a voc\u00ea mesmo e prejudicando seu objetivo final. E quando eu digo \u201centrega\u201d, n\u00e3o \u00e9 dizer \u201cpronto, entreguei\u201d da boca pra fora. \u00c9 um ato interno, \u00e9 uma postura, \u00e9 um mindset.<\/p>\n<p>Entregar \u00e9 n\u00e3o pensar mais no assunto de forma fixa, \u00e9 n\u00e3o sentir medo, \u00e9 n\u00e3o querer que a coisa se resolva \u201clogo\u201d ou no seu tempo ou do seu jeito. Entregar \u00e9 abrir m\u00e3o de qualquer coisa referente a aquele assunto e, acima de tudo, estar aberto para o que quer que aconte\u00e7a. Se n\u00e3o depende de voc\u00ea, esperar por um resultado X \u00e9 pedir para se frustrar. Mente em branco, aberta e dispon\u00edvel para o que quer que venha.<\/p>\n<p>Fez tudo que podia? Zera tudo. Abstrai. Aceita que n\u00e3o tem mais controle, que voc\u00ea n\u00e3o sabe o que e quando vai acontecer e, na medida do poss\u00edvel, lembrar que, qualquer que seja o resultado, ele n\u00e3o \u00e9 \u201cbom\u201d ou \u201cruim\u201d, pois a dualidade \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o da nossa cabe\u00e7a, fruto do apego e de toda a titica de cren\u00e7as que a sociedade nos passa. Entregar \u00e9 uma esp\u00e9cie de resili\u00eancia antecipada, mesmo antes do resultado final, voc\u00ea desistiu de controlar o que n\u00e3o pode ser controlado e de julgar o resultado final. Voc\u00ea faz as pazes com o universo, com os acontecimentos e recebe de bom grado o que vier.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, temos um pequeno obst\u00e1culo aqui. Para entregar, \u00e9 preciso confiar. Confiar que, o que quer que aconte\u00e7a, \u00e9 o que tinha que acontecer e n\u00f3s, pequenos micr\u00f3bios do universo, n\u00e3o temos como fazer um ju\u00edzo de valor sobre isso, pois n\u00e3o sabemos nada. E confiar \u00e9 dif\u00edcil para um ser humano que cresceu sendo educado para se defender, para competir, para ver o mundo como um lugar dif\u00edcil e perigoso. Por isso, muita gente precisa de muletas e alegorias para conseguir essa confian\u00e7a, atrav\u00e9s de religi\u00f5es: um amigo imagin\u00e1rio est\u00e1 providenciando que aconte\u00e7a o que \u00e9 melhor para voc\u00ea. T\u00e1 joinha, se ajudar, vai fundo. Mas saiba \u00e9 poss\u00edvel confiar sem acreditar em um amigo imagin\u00e1rio, se voc\u00ea entender que todo o poder est\u00e1 dentro de voc\u00ea.<\/p>\n<p>N\u00e3o me refiro a um poder m\u00e1gico, a algo paranormal, a algo inexplic\u00e1vel e divino. \u00c9 o poder de ter controle da sua mente, compreender e assimilar estas quest\u00f5es: eu n\u00e3o sei nada, n\u00e3o sou capaz de discernir o que \u00e9 bom ou ruim e isso nem ao menos existe, a dualidade \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o social. Ciente disso, fa\u00e7o a minha parte e depois n\u00e3o me aborre\u00e7o mais com isso, entrego e fico aberta para o resultado que acontecer, pois n\u00e3o h\u00e1 bom ou mau, h\u00e1 apenas oportunidades de onde posso tirar algum aprendizado e o curso natural das coisas, onde passarei por aquilo que for necess\u00e1rio, sem medo, sem espernear, sem fazer birra porque as coisas n\u00e3o sa\u00edram do meu jeito.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil, eu sei. Por\u00e9m poss\u00edvel. Tudo quest\u00e3o de f\u00e9. N\u00e3o em Deus, em divindades, n\u00e3o em criaturas m\u00e1gicas. F\u00e9 em voc\u00ea, que voc\u00ea tem a capacidade de operar essa transforma\u00e7\u00e3o em voc\u00ea mesmo, que voc\u00ea consegue sair do jogo, da ansiedade, do medo, da ang\u00fastia, todos in\u00fateis, pois nenhum deles melhora sua situa\u00e7\u00e3o ou te ajuda em nada. F\u00e9 nada mais \u00e9 do que tentar, sem se deixar abalar por aquele impulso de \u201cah n\u00e3o, imposs\u00edvel, isso eu n\u00e3o consigo\u201d. Com essa postura, n\u00e3o vai conseguir mesmo. Tenha f\u00e9 em voc\u00ea.<\/p>\n<p>Voc\u00ea consegue largar tudo isso e apertar este bel\u00edssimo bot\u00e3o de \u201cfoda-se\u201d que todos n\u00f3s temos dentro da gente. Fa\u00e7a o que estiver ao seu alcance, depois, bot\u00e3o de foda-se, para n\u00e3o atacar seu pr\u00f3prio organismo com horm\u00f4nios do estresse e outras qu\u00edmicas nocivas que nosso corpo produz que, cedo ou tarde, debilitam nossa sa\u00fade. Primeiro passo \u00e9 n\u00e3o bater o martelo que n\u00e3o consegue. \u201cN\u00e3o sei como fazer\u201d \u00e9 muuuuito diferente de \u201cnunca vou conseguir fazer\u201d. Tem centenas de ferramentas que podem te ajudar, procura que voc\u00ea acha. \u00c9 como dizem, quando o disc\u00edpulo est\u00e1 pronto, o Mestre aparece.<\/p>\n<p>Uma vez alcan\u00e7ado este patamar, qualquer que seja o resultado final, ser\u00e1 tolerado com mais serenidade. Lembram daquela frase de Jung que eu sempre cito aqui? \u201cTudo aquilo a que voc\u00ea resiste, persiste\u201d?. Lutando contra, voc\u00ea s\u00f3 alimenta, Bolsonaro t\u00e1 a\u00ed para provar. Aceitando, a coisa se dilui. \u00c9 o sua resist\u00eancia, o seu \u00edmpeto por controle que alimenta todo o sofrimento da sua vida. O sofrimento vem, basicamente, da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o, ou, em termos populares, aceita que d\u00f3i menos.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, como posso aceitar coisas terr\u00edveis, como a morte de um filho?\u201d. E eu te respondo: e como pode n\u00e3o aceitar? N\u00e3o aceitar n\u00e3o traz a pessoa de volta, n\u00e3o resolve o problema e ainda te faz sofrer muito mais. Mas \u00e9 o que a sociedade nos impele a fazer, se n\u00e3o, periga at\u00e9 de pensarem mal de voc\u00ea. Quando uma pessoa da minha fam\u00edlia adoeceu e eu fiz um trabalho interno intensivo para ficar bem, ficar serena e conduzir a coisa com o m\u00e1ximo de gra\u00e7a e leveza que pudesse, escutei por v\u00e1rias vezes (n\u00e3o por mal, por falta de consci\u00eancia da pessoa mesmo) que eu provavelmente nem gostava tanto dessa pessoa, se n\u00e3o, n\u00e3o conseguiria me manter assim.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 formatado e predefinido socialmente: SE voc\u00ea ama uma pessoa e ela adoece ou morre, voc\u00ea TEM QUE sofrer feito um filho da puta, chorar deitado no ch\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o fetal. Se n\u00e3o, tem algo \u201cerrado\u201d com voc\u00ea\u201d. Meus amores, queiram ser errados, porque se adequar \u00e0s expectativas de uma sociedade doente, cheia de gente medicada, deprimida, com s\u00edndrome do p\u00e2nico e de matando com cigarro, drogas, comida, bebidas e estresse n\u00e3o \u00e9 uma boa op\u00e7\u00e3o. Saiam do jogo. Apesar do condicionamento que j\u00e1 tem no nosso c\u00e9rebro, n\u00e3o TEM QUE ser assim, n\u00e3o TEM QUE nada. \u00c9 um longo caminho, mas \u00e9 poss\u00edvel e&#8230; porque n\u00e3o? podemos faz\u00ea-lo juntos.<\/p>\n<p>Essa ideia da dor necessariamente vinculada ao sofrimento precisa ser extirpada da sua cabe\u00e7a. A dor pode at\u00e9 ser inevit\u00e1vel, o sofrimento n\u00e3o. O sofrimento est\u00e1 dentro da sua mente, a qual voc\u00ea pode controlar. J\u00e1 passei por poucas e boas nessa vida, sobretudo em mat\u00e9ria de sa\u00fade, e eu lhes asseguro: a dor pode ser inevit\u00e1vel, mas o sofrimento est\u00e1 ao seu alcance evitar.<\/p>\n<p>Quando o resultado final aparece, se a pessoa conseguiu manter a mente neste lugar bom, lidar\u00e1 com ele da melhor forma poss\u00edvel, e ter\u00e1 um \u00faltimo recurso valioso: ressignificar. Lembram da hist\u00f3ria do atrasado que perdeu o voo do avi\u00e3o que caiu? No final das contas, o que foi aquilo? Um puta azar ou uma puta sorte? Meio copo cheio, meio copo vazio? Sempre d\u00e1 para ver ambos, cabe a voc\u00ea escolher.<\/p>\n<p>Mas, novamente, por condicionamento social, nossa mente, por j\u00e1 ter caminhos neurais formados nessa dire\u00e7\u00e3o (\u00e9 como uma ladeirinha que sempre faz uma bola cair pela inclina\u00e7\u00e3o), acaba caindo quase que no piloto autom\u00e1tico para o meio copo vazio. Isso porque vivemos cada vez mais em uma cultura do medo, onde acreditamos que o mundo \u00e9 um lugar horr\u00edvel e precisamos nos defender dele. O \u201cnormal\u201d, o \u201cnatural\u201d \u00e9 sofrer em determinadas situa\u00e7\u00f5es. E l\u00e1 vamos n\u00f3s para o sofrimento, medo, angustia, ansiedade&#8230;<\/p>\n<p>S\u00f3 que, mais uma vez uma frase que eu j\u00e1 cansei de repetir aqui: sua mente cria realidade. N\u00e3o no sentido de \u201cvou materializar uma Ferrari aqui agora!\u201d, mas no sentido do Efeito Rosenthal, <a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/07\/efeito-pigmaleao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">algo cientificamente explicado e comprovado<\/a>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, olha que combina\u00e7\u00e3o nefasta: se sua mente cria realidade e se sua mente est\u00e1 meio que pr\u00e9-programada para ver sempre o meio copo vazio, sentir medo, sofrer e estar preparada para o pior. O que voc\u00ea acha que vai acontecer com voc\u00ea? Que tipo de realidade voc\u00ea vai criar para a sua vida?<\/p>\n<p>Vai dar merda, e, verdade dolorosa: muita gente vai at\u00e9 ficar feliz com isso inconscientemente: \u201cN\u00e3o disse? Eeeeeuuuu n\u00e3o disse?\u201d. Triste, mas hoje as pessoas preferem estar certas do que serem felizes, mesmo que para isso elas mesmas tenham que criar, inconscientemente, um cen\u00e1rio de dana\u00e7\u00e3o para suas vidas. \u201cSe eu n\u00e3o gosto do piloto, eu tor\u00e7o para que o avi\u00e3o onde eu estou caia\u201d. N\u00e3o sejam essa pessoa.<\/p>\n<p>Ressignificar \u00e9 lan\u00e7ar um olhar mais profundo sobre aquele acontecimento e ver que ele pode significar muito al\u00e9m do que a explica\u00e7\u00e3o imediata e contaminada pelo medo e sofrimento que seu c\u00e9rebro encontrou. Nesse ponto, a evolu\u00e7\u00e3o joga contra: nosso c\u00e9rebro \u00e9 uma m\u00e1quina de sobreviv\u00eancia. Aqueles homens das cavernas que aprenderam a ser \u201cpessimistas\u201d ou precavidos, s\u00e3o os que sobreviveram.<\/p>\n<p>Aqueles que, ao ver um arbusto se mexendo pensaram \u201cn\u00e3o vou passar ali, pode ser um tigre\u201d, s\u00e3o os que n\u00e3o foram comidos e passaram seus genes adiante. Ent\u00e3o, estamos inundados de uma gen\u00e9tica medrosa, defensiva e estressada que, no contexto atual, em vez de nos proteger, hoje, representa o pr\u00f3prio perigo em si. \u00c9 esse medo, estresse, defesa, que est\u00e1 nos adoecendo.<\/p>\n<p>Resignificar \u00e9 lutar contra seus caminhos neurais e contra sua pr\u00f3pria gen\u00e9tica. Dif\u00edcil? Certamente, mas poss\u00edvel. A evolu\u00e7\u00e3o se faz melhorando o que j\u00e1 existe. Tudo, absolutamente tudo pode ser ressignificado. Eu os desafio, nos coment\u00e1rios, a deixarem qualquer coisa que eu n\u00e3o possa ressignificar. Ali\u00e1s, fazer diariamente um exerc\u00edcio de ressignifica\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00f3timo. Pensem em coisas que supostamente \u201cderam errado\u201d em uma interpreta\u00e7\u00e3o rasa e tentem fazer uma interpreta\u00e7\u00e3o mais profunda, onde estas mesmas coisas teriam que acontecer para servir a outro objetivo na \u201cBig Picture\u201d. Isso ajuda a colocar a mente em um lugar bom e criar novos caminhos neurais para destinos mais agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, isso \u00e9 s\u00f3 especula\u00e7\u00e3o\u201d. Sim, pode ser. Depende do quanto voc\u00ea esteja em contato com voc\u00ea mesmo, do quanto expanda sua consci\u00eancia, do quanto escute sua intui\u00e7\u00e3o. Uma pessoa com a mente alinhada, em um bom lugar e conectada consigo mesma n\u00e3o vai especular racionalmente, ela vai desligar o racional e deixar que seu inconsciente (eu superior, alma, mente, Deus, Unic\u00f3rnio do Cu rosa ou como queiram chamar) lhe mande essa informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um saber sutil, que s\u00f3 chega para quem est\u00e1 muito equilibrado, relaxado e disposto a escutar. N\u00e3o \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o trazida por uma entidade que flutua, \u00e9 algo corriqueiro, do dia a dia: um insight, um sonho, uma lembran\u00e7a repentina. Chega pra todo mundo, alguns conseguem perceber, outros n\u00e3o. \u00d3timo momento para isso: medita\u00e7\u00e3o. Fica a dica.<\/p>\n<p>Voc\u00ea fez tudo que estava ao seu alcance. Voc\u00ea entregou. O resultado veio. Voc\u00ea pode fazer algo para mudar o resultado? Fa\u00e7a. N\u00e3o pode? Ressignifica, pois tudo aquilo a que voc\u00ea resiste, persiste. O sofrimento vem da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o. Resignifique, veja o meio copo cheio e, principalmente, SINTA o meio copo cheio, pois n\u00e3o adianta de nada fazer um discurso resiliente quando, por dentro, voc\u00ea est\u00e1 puta\u00e7o. Ali\u00e1s, tudo isso que estamos falando hoje n\u00e3o deve ser \u201cfeito\u201d, deve ser sentido, caso contr\u00e1rio \u00e9 s\u00f3 mais uma m\u00e1scara que voc\u00ea veste para camuflar uma verdade que est\u00e1 presa dentro de voc\u00ea.<\/p>\n<p>Bom, vou parar por aqui. N\u00e3o importa o desfecho destas elei\u00e7\u00f5es, ou de qualquer situa\u00e7\u00e3o que esteja te aborrecendo. Tenha sempre em mente que:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o sabemos NA-DA, n\u00e3o temos subs\u00eddios para julgar se algo \u00e9 bom ou ruim, e, na realidade, o bom e ruim nem existe, dualidade \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o social, tente olhar as coisas desde a neutralidade.<\/p>\n<p>&#8211; Fez tudo que estava ao seu alcance? Entregue. Tire a quest\u00e3o da sua cabe\u00e7a, n\u00e3o se preocupe mais com isso, siga sua vida sendo o mais feliz e sereno que puder, se n\u00e3o a torrada n\u00e3o pula da torradeira.<\/p>\n<p>&#8211; Veio um resultado final? Beleza, tendo em mente que n\u00e3o sabemos nada (nem mesmo para avaliar esse resultado final), que a dualidade n\u00e3o existe e que tudo aquilo a que voc\u00ea resiste, persiste, ressignifique o que veio, tente entender e sentir a raz\u00e3o daquilo e seja grato, pois para alguma coisa essa bosta vai servir.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, e se nada disso for verdade?\u201d. Foda-se, vive-se melhor. Voc\u00ea quer estar certo ou ser feliz?<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu n\u00e3o estou bem, para bater o martelo que voc\u00ea nunca vai conseguir nada disso e se auto-limitar ou ainda para me mandar ressignificar meu cu: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 pedimos, j\u00e1 falamos, j\u00e1 conversamos, mas, ainda assim, senti a necessidade de reunir tudo em um \u00fanico texto final. Vale para o resultado das elei\u00e7\u00f5es e vale para qualquer situa\u00e7\u00e3o indesejada que se apresenta na sua vida, para que voc\u00ea possa lidar com ela da forma menos desgastante poss\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14097,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1637],"tags":[],"class_list":["post-14096","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14096\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14097"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}